22 junho, 2008

Obstáculos à Regionalização

A implementação da regionalização sempre esteve em perigo. Os sucessivos governos não querem fazê-la. O maior partido da oposição tem agora uma lider que é declaradamente contra. Como se não bastasse, a população portuguesa tem, na generalidade, um desconhecimento quase absoluto do problema porque tem sido pouco esclarecida e não adquiriu a sensibilidade necessária para conseguir fazer o balanço entre vantagens e inconvenientes. Com a passividade que caracteriza a sociedade portuguesa, uma grande parte dela adopta aquela posição imobilizante proveniente do ditado que diz que " é melhor o diabo que se conhece que o diabo desconhecido".

Foram dezenas de anos de irresponsabilidade, no sentido de que não tínhamos obrigação de pensar, de escolher entre várias soluções. Alguém pensava por nós, alguém decidia o que na sua opinião era melhor para nós (ou melhor para eles...). A nossa função era obedecer , sem questionar. E foi assim durante 50 anos. Tivemos paz social, a chamada paz dos cemitérios. Tivemos algum progresso material, com aumento do nível de vida, embora o nosso atraso para a Europa continuasse a crescer, porque ela se desenvolvia mais depressa do que nós.

Mas o preço foi altíssimo: transformamo-nos num povo castrado, num povo sem iniciativa, que se habituou a resolver as dificuldades, não através do esforço próprio, mas olhando com olhar de pedinte para o Governo, essa entidade superior que, na nossa opinião, tem obrigação de resolver todos os nossos problemas. E tanto assim é que, repare-se, não foi a sociedade civil que acabou com o Estado Novo, foram os militares e por razões que tiveram essencialmente a ver com a sua comodidade: eram militares mas estavam cansados de fazer a guerra.

Deste modo, a generalidade da população portuguesa não está hoje preparada para defender causas, para participar em movimentos cívicos, a não ser que daí resultem imediatas vantagens materiais. A nossa História mostra que nem sempre assim fomos. Algures no decurso dos séculos caimos nesta "apagada e vil tristeza" de que fala Camões.

Mas as coisas são como são e não adianta chorar. Desistir da regionalização porque o ambiente está desfavorável? Nunca! No entanto é imperioso termos a consciência que nós, os que acreditamos na regionalização, temos um trabalho ciclópico pela frente, o primeiro dos quais será pormo-nos de acordo com o respectivo mapa, não por unanimidade, que é impossível, mas por largo consenso. Não se diga que este já existe em torno das cinco regiões-plano. É falso e pessoalmente acredito que é um erro. Não podemos dar pretextos para a reedição da desculpa tão frequente em 1998: " eu sou a favor da regionalização, mas desta não, e por isso voto contra". Isto corresponderia a darmos armas adicionais a quem está contra.

Permito-me deixar ficar para um próximo post alguns comentários adicionais.

Os bárbaros e cobardes benfiquistas. Outra vez.

Passam 35 minutos da uma da manhã e apesar de ser sábado, não consegui deitar-me sem desabafar a revolta que me vai na alma. O país está a transformar-se num hospício a seu aberto.

O FClube do Porto foi a Lisboa ao covil da barbárie e dos cobardes vencer o 7º. campeonato consecutivo de Hóquei em Patins, e a televisão acaba de noticiar que o autocarro que transportava os adeptos do nosso clube foi selvaticamente destruído e reduzido a cinzas.
Iguais a si próprios, cobardes, traidores e protegidos por entidades da autoridade sem quaquer aptidão e categoria para as funções, estes betinhos de Lisboa deram mais um exemplo do provincinismo mais retrógrado que existe em Portugal.
Não sei (mas imagino) como vão essas autoridades - tão afoitas e atentas à criminalidade do Porto - lidar com mais este acto de vandalismo típico do 4º- mundo, mas suspeito que nos vão dar outra vez provas de sectarismo e da sua total falta de eficácia quando coisas destas acontecem na capital.

Conto que as televisões, também como já é costume, procurem branquear o mais possível a barbárie, ao contrário do que fariam se ela fosse protagonizada por gente do Porto. Bem, se depois disto, ainda sobra alguma alma penada capaz de falar em calimeros, só temos um pedido a fazer-lhes: é que dêem a cara para podermos contar o número de bandidos que gostam de se fazer passar por paladinos dos bons costumes. Para lhes podermos cuspir em cima...

O SÍMBOLO DOS VERMES

20 junho, 2008

Links do dia

1 A estratégia de Elisa (Paulo Ferreira do JN)

2 MP arquiva processo contra Carolina Salgado (Nuno Miguel Maia)

3 Cavaco Silva diz que há algum atraso no processo Casa Pia


1 Elisa Ferreira inspira-me alguma confiança, mas, e se ela chega ao poder e faz o que muitos "socialistas" ( e os outros) do Porto têm feito? Ou seja, se ela depois de ganhar a Câmara, mete a viola no saco, e começa a obedecer ao "big boss" do partido, o que é que nós podemos fazer, além de esperar mais 4 anos? Meus senhores, esta democracia dá-vos garantias?

2 Nuno Miguel Maia (o "repórter" do JN ao serviço de Lisboa). à falta de melhor, repete o que já sabíamos. Isto, é o que se pode chamar, perseverança centralista.

3 Cavaco Silva está a fazer progressos, nós andávamos distraídos. Oportuníssimo, ele veio agora lembrar-nos que o Processo Casa Pia está atrasado. Sabiam?

Robert Cray - "My Last Regret"

Será desta, que a máscara vai cair?

Ponto 1
Juro que não sou bruxo, e não sou seguramente também cretino para andar (como muitos pasquineiros sulistas, divisionistas, benfiquistas e anti-democráticos) a criar falsas expectativas aos portugueses. Procurei dar o meu pequeno contributo para serenar o esterismo aqui e muito antes, noutros posts. O resultado é o espectáculo humilhante que agora podemos observar.
Ponto 2
Scolari, fez o que quis dos portugueses? Fez, é bem verdade, mas não foi de todos os portugueses como, pela certa, os meninos do costume vão começar a apregoar. Fez o que quis, sim, mas dos centralistas, benfiquistas e seus acólitos. Pelo menos (valha-nos essa pequena honra), já não fez o quis, com toda a certeza, dos portugueses portistas, facto, do qual nos orgulhamos muito, para além de sermos o melhor clube portucalês e de termos vencido o último campeonato com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado. Vinte pontos sim, limpos, e nem um a menos. Sclorari fez da Federação de Futebol quase uma casa de alterne. Além de ignorar o Porto (por ser muito longe), e de manipular a Federação conforme lhe apeteceu, explorou-a até ao tutano sem apresentar resultados, e no fim, enfiou-lhe uma punhalada ainda em pleno Europeu. Bem feito!

Ponto 3
Houve um comentador do Renovar o Porto (O Sr. Duarte) que fez um pertinente comentário que já me havia suscitado alguma revolta. Lembrou-nos que no programa "Noites do Euro", o pivot Carlos Daniel (sim, aquele do Trio de Ataque que gosta de esconder o seu benfiquismo, mas não consegue) foi incapaz de arranjar outros convidados que não uns que tivessem conotações passadas ou presentes com os clubes do Sul (Benfica e Sporting). Nem um do Norte! O que se depreende deste critério selectivo, além do sectarismo - que é flagrante - é que, para Carlos Daniel os campeões nacionais com mais títulos nos últimos 20/30 anos, o clube português que deu ao país mais vitórias a nível Internacional, é um clube a desprezar, e se assim for, fica aqui desde já registado o meu repúdio pela sua falta de rigor profissional e ético. Mais um, a quem, sinceramente, desejo que não progrida na vida. Porque não o merece.

Ponto4
Na eventualidade de estar a ser lido por alguém que depois de todos estes magistrais casos de "pura democracia" ainda continue a pensar que o futebol não serve para nada, só serve para embrutecer, peço-lhe o favor encarecido de pôr-se à frente de um espêlho, levar as mãos ao rosto arragá-lo com força e puxar, porque de certeza vai sair uma máscara: a máscara da hipocrisia.
Se tal não acontecer, peço as minhas desculpas, mas terei de lhe confessar que é um grande burro!
OBS.
No grupo de meninos arregimentados pela RTP anti-democrática para o programa citado no Ponto 3, quero excluir o nome do moderador residente Luís Freitas Lobo que é um excelente (se não o melhor) comentador de futebol, é de Braga (suponho, pelo menos, adepto é) e não é responsável pelo critério selectivo anti-nortista da RTP.

19 junho, 2008

Coerências de uma selecção de "pasquineiros centralistas"...

O recado, é para aqueles senhores que têm por costume transferir para terceiros culpas próprias. A derrota de Portugal, garanto, não é minha.

Não fui eu quem apoiou a festa antecipada do Euro, nem quem cantou hossanas às super-capacidades de Ronaldo, nem quem andou a gabar-se na Suíça com a super-equipa de Portugal, nem com os atributos aglutinadores na Nação portuguesa. Foram os senhores pasquineiros e quem se deixou embalar pela sua bazófia. Agora, aguentem e engulam o sapo, ou façam o trabalho de casa habitual: encontrem bodes expiatórios. Depressa! De preferência para os lados do Norte...

Nota:
Melhor jogador em campo: DECO.
Pior jogador em campo: RICARDO.
Deco, aquele que levou muitos "nacionalistas" (incluindo Figo e Rui Costa) a torcerem o nariz à sua inclusão na selecção nacional por ser brasileiro e a esquecerem-se dos pergarminhos nacionalistas em relação ao seleccionador que, curiosamente, também é brasileiro (e vai-se embora podre de rico, sem ter ganho nada).
Coerências...

LÉO FERRÉ



Ainda muito novo, decidi sair daqui, deste país (ainda) por cumprir, e já me arrependi muitas vezes de ter regressado. Em França, aprendi a gostar de algumas das suas figuras culturais. Uma delas, foi este senhor com ar meio-louco (já falecido,em 1993 ),mas mais lúcido que ninguém. Era um poeta e músico de grande nível e um anarquista assumido. Ainda hoje, é ele mais do que as multidões, que continua cheio de JUÍZO, embora possa não parecer...

Outros,clássicos da música francesa desse tempo, podem também ser ouvidos, como: Jean Ferrat, Serge Reggiani, Brassens, Brel (este, belga), Moustaki, etc., etc. Ouçam, porque é a melhor maneira de aprender a gostar da poesia para quem não tem paciência (como eu) para a ouvir declamada.

Os compexos que o futebol gera...

Ainda há dias - excepcionalmente - elogiei o último programa "Prós e Contras" e as diferentes opiniões apresentadas sobre o tema "Futebol, alienação ou coesão". Depois, reparei que é muito raro concordar (como foi o caso) com a argumentação de ambos os lados dos paineis e perguntei-me se haveria alguma explicação especial para o "fenómeno".
Creio que a descobri: só pode ser a vaidade. Há sempre alguém que, mesmo estando de acordo com a opinião do outro, dá voltas e voltas aos miolos só para ver se descobre um ponto de divergência, talvez para "brilhar". Todos diziam gostar de futebol, incluindo o politólogo (de que não me lembra agora o nome), mas até esse, num momento de "distracção", acabou a discutir táticas para justificar o seu pessimismo em relação ao sucesso da selecção de futebol.
Tudo isto podia ser saudavelmente evitado com uma coisa chamada sensatez. Eu também gosto de futebol e não sou contra os festejos e a alegria dos adeptos. Sou contra todos os exageros, as reportagens estúpidas e massacrantes de certos pasquineiros.
De resto, considero que o melhor da festa, a grande euforia e os foguetes devem ser guardados para o fim. Porque dá a impressão que às vezes, certas pessoas, particularmente certos pasquineiros (custa-me insultar os jornalistas a sério), se esquecem que os espectadores de futebol e da selecção não são ovelhas para arrebanhar a seu bel prazer. São, gente.
Ora, aquilo que está a acontecer na Suiça e na Austria, não é (apenas) a festa da cerveja, é principalmente, um Campeonato Europeu de Futebol Profissional, bem pago, onde a grande
Festa só deve acontecer no fim e tem um só dono: o Campeão.

Links a ler, do JN...

Clicar sobre o link para ler

A alienação e a coesão (ontem)

Arquivada acusação de incêndo contra Carolina Salgado

UEFA: Guimarães pode recorrer da decisão

"Operação Furacão" mexe nos negócios de Américo Amorim
Salvar a linha do Tua

18 junho, 2008

Elogios ao nosso País

Eu sei que há um certo consenso que afirma que os portugueses são normalmente maldizentes, o que é mesmo apontado como um dos defeitos da raça. Mas será que é assim tão difícil encontrar aspectos que se possam elogiar? Vou fazer um esforço e tentar ser elogioso.

Vamos ter TGV's. Não um, que é pindérico, mas três. O primeiro vai sair de Lisboa em direcção a Madrid. Parece que será "grande velocidade" (300/350 Km/h) até Badajoz, e que a seguir, até Madrid, os espanhois vão fazer a linha simplesmente para "altas prestaciones" (250Km/h). Que interessa? Mostraremos aos espanhois que temos um "plano tecnológico" melhor que o deles, há que promover o orgulho nacional.

O segundo TGV é de Lisboa ao Porto e vice-versa. Como vai ser obrigado a parar em todos os sitios - por imposição dos autarcas interessado - vamos lucrar pra aí 20 ou 30 minutos em relação ao Alfa, e pagar uma pipa de massa pela passagem. É claro que há o risco de nessa altura já haver uma política de "céu aberto" em Portugal, e portando haver low costs mais baratas. E daí ? Teremos mostrado a nossa capacidade realizadora.

O terceiro TGV, entre Porto e Vigo, assumidamente será um "alta velocidade" e não um "grande velocidade". Como somos um país de governantes inteligentes, a linha, importantíssima para o Aeroporto Sá Carneiro, não passa perto nem pára lá. Acho genial. Os 500 mil galegos que anualmente utilizam o ASC vão até Campanhã, e depois apanham o metro até ao aeroporto. Deste modo descansam das emoções da alta velociade e simultaneamente damos-lhes tempo para apreciar a nossa paisagem. Os maldizentes dirão que gastarão tanto tempo de Campanhã ao ASC, como gastaram de Vigo a Campanhã. Paciência! Não se pode ter só vantagens.

Também vamos ter um novo aeroporto, que vai ser construído no deserto da margem sul do Tejo. Há quem diga que não era necessário, mas é afirmação de má-fé. Um país tem de aplicar os seus excedentes orçamentais, e se tantas capitais europeias têm mais que um aeroporto, porque é que Lisboa não há de ter dois?

Não se pode também esquecer a TTT (Terceira Travessia do Tejo) que vai ser coisa em grande, a condizer com o facto de Lisboa ser a capital da Europa com maior rede de auto-estradas. Grande Lisboa, agora é que aqueles morcões do Norte vão ficar doentes de inveja. Ah, e o TGV vai parar no novo aeroporto, embora o ministro Jamé tenha explicado que os TGV's se fizeram para ligar cidades e nada mais, por isso é que ele não passa no ASC. Mas capital é capital, e então abre-se uma pequena excepção.

Havia mais coisas boas para citar, mas vou apenas referir uma medida que mostra a preocupação que o nosso governo tem com os pescadores. Consta que a maior comunidade piscatória do país, em Vila do Conde/Póvoa de Varzim, vai ser devidamente aconselhada a só naufragar entre as 09 e as 17 horas, que é o horário de funcionamento efectivo da estação do Instituto de Socorros a Náufragos. Também vão aconselhar a que naufraguem apenas perto de Vila do Conde e não da Póvoa, porque o patrão do salva-vidas está de baixa há três meses, e então o barco não pode sair. Quem não respeitar estas indicações, naufraga por sua conta e risco. Que querem, o dinheiro público não chega para tudo!

Remembrance of New York




A primeira fotografia mostra o "buraco" onde existia o World Trade Center e onde estão agora a ser reconstruídas novas (e mais altas) torres.
Do alto do Centro Rockefeller, avista-se o Empire State Building, agora (e ainda) o mais alto edifício de NY.
Nota:
Para visualizar as fotos ampliadas fazer duplo clic sobre as mesmas

Quo vadis, "Jornal de Notícias"?

Estamos fartos de saber que se as pessoas fossem todas iguais o Mundo e a própria vida seriam uma monotonia. Toda a gente concordará com isso. Mas a questão que pretendo abordar não é essa, embora à primeira vista pareça. Não quero discutir aspectos fisionómicos, raciais ou temperamentais. Essas são as diferenças que fazem dos humanos seres de excepção, para o bem e para o mal. O que me preocupa mais é o carácter dos homens, ou melhor dizendo, a falta dele.
Entre outras "serventias", o carácter dos homens serve para identificar a coluna dorsal do ser e para os distinguir de outros seres bem diferentes como répteis e outra bicharada mais simpática...
Vem isto a propósito (e desculpem-me a insistência no tema) dos jornalistas, da sua atitude profissional perante os seus leitores, que são, no fim de contas, a razão e a fonte principal do seu sustento.
Ontem, citei um exemplo (mau), em que o carácter de um jornalista, por ausência ou frouxidão, se subjuga ao oportunismo mais miserável que possamos imaginar contribuindo, da pior maneira possível, para pôr em causa a credibilidade de um jornal histórico do Porto, como é o JN. Hoje, o mesmo jornalista tratou de nos confirmar o diagnóstico que ainda ontem lhe havia feito. Estas coisas, sabemos, não acontecem por acaso e portanto não devemos ficar admirados se o rapaz repetir a gracinha. E repetiu.
Ontem, Nuno Miguel Maia (convém fixar este nome), enganou-se porque pensava que estava a preparar uma bebida "exótica" para a namorada quando misturou o filho de PdCosta com o José Veiga; hoje, NMM equivocou-se outra vez - seguramente, com a ingenuidade dos anjos - quando incluiu o nome do empresário de futebol Jorge Baidek a um suposto caso de corrupção cometido por um outro empresário sobre três jogadores do Penafiel (sempre a Norte...). Na página 15 do JN de hoje vem esta original notícia a letras garrafais e logo de seguida a letras de texto a imediata associação de Jorge Baidek ao eventual corruptor. Em rodapé, na mesma página, vem a contradição da notícia (ou repetição do "lapso", vai dar ao mesmo), referindo que o Ministério Público arquivou a acusação sobre J. Baidek, for falta de provas...
Bom, nós já começamos a conhecer esta "peça", mas o mais intrigante deste intrigante personagem, é o facto de ele não conseguir descortinar um "furo" jornalístico sobre corrupção a sul do rio Lis, bem lá mais para Sul... Estranho. Será que agora os jornalistas são como os vinhos, com região específica demarcada, ou aquela abençoada gente do Sul, será geneticamente insubornável? Só pode, porque excluindo isso, só se for por causa do buraco da camada de ozono na estratosfera.
Ora, como comecei por explicar, as pessoas também têm destas tristes diferenças e, apesar disso, não devem ser discriminadas pela sua falta de carácter. O que podemos e devemos fazer, é encaminhá-los para o seu habitat natural e classificá-los com o devido rigor na escala das competências éticas e profissionais a fim de serem merecidamente substituídos por verdadeiros profissionais do jornalismo.
O Jornal de Notícias é um jornal especial para os portuenses e eu não fujo à regra. Há muito boa gente no seu seio: bons historiadores, cronistas e excelentes jornalistas. É lamentável que não saiba seleccionar melhor os seus colaboradores.
Enquanto uns trabalham, e empurram o jornal no sentido certo, construindo os alicerces de onde emergem as frágeis colunas da credibilidade, outros, encarregam-se de lhes minar o caminho e conspurcam a sua reputação. Será possível manter, num jornal sério, convívio tão díspar, por muito mais tempo? Pessoalmente, suspeito que não, e que - se nada for feito entretanto - alguém vai sair crestado deste fogo lento, incluindo o próprio jornal.

17 junho, 2008

No intervalo da crise

Não é ainda o fim da crise, mas acho que o pior já passou. A situação esteve muito feia, mas chegámos ao intervalo do jogo com um resultado favorável, sobretudo se pensarmos que durante a 1ª parte estivemos em risco sermos goleados. Agora que há uma acalmia, parece-me que está na hora de começar a tirar algumas conclusõe, mesmo correndo o risco de fazer prognósticos antes do fim do jogo.

1 - O grande perdedor é o Benfica e o seu presidente, e não somente por não conseguirem uma entrada imerecida e fraudulenta na Champions. Acima de tudo, esta crise serviu para desmascarar a verdadeira índole de LFV. Até aqui, com alguma benevolência, poderia dizer-se que era um presidente que usava métodos de actuação, e discurso, fora das regras do verdadeiro jogo limpo, mas que pareciam respeitar alguns limites. Era o tempo da "transparência" e da "verdade desportiva". Esta crise no entanto fê-lo tirar a máscara, que ainda enganava alguns, e mostrar ao país a sua verdadeira face, a face de alguém que não obedece a princícpios morais, porque os não tem, capaz de todas as vilezas, capaz de partir para a agressão física, capaz de ameaçar e coagir. Em suma, alguém que é capaz de tudo, sem limites, para esmagar quem lhe estorvar o caminho. Por isso repito que o Benfica é um grande perdedor: um indivíduo desta índole na presidência, desqualifica o clube e deve encher de vergonha aqueles benfiquistas - que os há - para quem a palvra "honestidade" ainda tem algum significado.

2 - LFV e o Benfica prestaram um péssimo serviço ao futebol portugues. Internamente, porque transformaram rivalidade em ódio extremado, que em futuro próximo pode muito bem fazer correr sangue. Externamente, porque transmitiram a ideia de um país com ambiente futebolístico mafioso, o que só é verdade temporariamente enquanto LFV for presidente.

3 - A posição do Conselho de Justiça da FPF é , para mim, duvidosa. Não esqueçamos que foram ameaçados e coagidos (isto sim, é coacção!) por LFV, e não se sabe a repercussão interna deste acto de gangsterismo. O CJ está a atrasar a saída do seu veredicto para, em caso de sentença favorável ao FCP, ser tarde demais para que o clube pudesse usar este trunfo em Nyon? Ou pelo contrário, fez uma jogada de xadrez, pressupondo que a sua demora faria a UEFA tomar a decisão que tomou, que é favorável ao FCP?

4 - A posição da FPF tem sido no mínimo ambígua, aliás reflectindo certamente a figura do seu presidente, mestre na arte de conseguir flutuar em todas as águas. O FCP saberá tirar as devidas conclusões.

5 - O enorme prestígio do FCP e do seu presidente Pinto da Costa, não é uma ficção. Se alguém tinha dúvidas, perdeu-as agora com certeza, ao ver os grandes clubes europeus ( onde o Benfica não está incluído ) e destacados dirigentes darem o seu total apoio.

6 - Cuidado com a UEFA. São perigosos porque não marram a direito.

7 - Penso que o FCP tem de repensar a sua estratégia de Comunicação e o tipo de relacionamento com os poderes instituídos do futebol. A presente crise mostrou que algo está errado. Se há coisa que o presidente PdC é, é ser perspicaz e arguto, e não vai certamente permitir que no futuro se repita o que agora se passou: que seja dado ao inimigo todo o tempo para estudar o seu plano, dispor as suas forças e lançar o seu ataque. Não pode voltar a acontecer.

8 - Agora que o inimigo está de cabeça perdida, penso que um poderoso contra-ataque, lançado rapidamente, teria resultados favoráveis que iriam para além do imediato. Não devemos dormir sobre os louros da meia vitória alcançada.

9 - Ver os benfiquistas a espumar de raiva e a disparar em todas as direcções, deve recompensar-nos das dúvidas e incertezas vividas nas últimas semanas!

Excentricidades americanas


Ideal para circular nas ruas do Porto...

Jornalismo, isto?

Há um jornalista do JN (único jornal que compro), de seu nome Nuno Miguel Maia, cujo trabalho parece circunscrever-se exclusivamente ao Processo Apito Dourado e ao FCP/Pinto da Costa.
Nunca nada li de sua lavra que fosse favorável às teses do FCPorto. Não é que isto seja novidade, mas tratando-se de um jornal sediado no Porto não se lhe pedia que andasse com o FCPorto ao colo mas, no mínimo que conseguisse dar um ar de imparcialidade, o que equivaleria a um meritório toque de classe e seriedade. Como tal não costuma acontecer, a ideia com que ficamos desse senhor pode-lhe até ser indiferente, mas é a ideia de que não é um jornalista honesto.
Ontem, quem leu a notícia relacionada com a alegada falência da Superfute deJosé Veiga, este mesmíssimo senhor jornalista não resistiu à tentação de colar a boa-nova ao nome do filho de Pinto da Costa. A página 13 do JN trazia esta frase: "Ex-empresário e Alexandre Pinto da Costa arriscam dez anos de proibição do exercício de actividades comerciais".
Hoje, na página 21 do mesmo jornal num discreto canto inferior lá vinha a "rectificação" obrigatória a dizer: " Alexandre Pinto da Costa está a trabalhar em Portugal, no Porto, possuindo negócios ligados ao ramo automóvel. Não se encontra portanto nos E.U. - ao contrário do que ontem, por lapso, foi noticiado pelo JN, numa notícia sobre o processo de falência da Superfute."
Observem bem, agora a dupla grosseria da desculpa. Primeiro, o autor da notícia "reconhece" um lapso que traduz a sua total falta de rigor em confirmá-la antes de a publicar. Depois, não assume a autoria da mesma preferindo atirar a responsabilidade para o "JN"...
Em boa verdade, não deixa de se compreender a baixeza de carácter, porque a responsabilidade maior pela proliferação deste tipo de jornalistas é de quem não tem a coragem de os demitir por lapsos desta natureza...
A propósito, alguém é capaz de me sugerir um jornal a sério?

O TÍTULO CERTO DEVIA SER...



...FUTEBOL CLUBE DO PORTO
NA LIGA DOS CAMPEÕES,
DIRIGENTES DO BENFICA NAS PRISÕES!

A UEFA e o jornalismo português

O "Prós e Contras" da RTP não é dos programas que mais aprecio, porque embora aceite o contraditório é um programa altamente contemporizador com a classe política. Mais do que isso, considero até, que é um óptimo branqueador-desculpabilizador das graves asneiras praticadas por governantes e ex-governantes.
No entanto, ontem, talvez por não contar com a participação de políticos e pelo tema recair sobre a "alienação do futebol", decidi ver o programa. E gostei. Curiosamente, descontando alguns excessos pontuais, encontrei bons argumentos em ambos os retábulos de opiniões. Houve teses intelectualmente honestas de ambos os lados.
Entretanto, debates e Euro à parte, voltamos à confusão da caça às bruxas movida pelo Benfica - e seus capangas - ao FCPorto e a Pinto da Costa com os objectivos que conhecemos de ginjeira. Aquela gente está completamente louca varrida. O desgraçado do Eusébio,que é das poucas referência sérias que o clube ainda mantém do seu património passado (agora estão a "fabricar" outro zelosamente, o Rui Costa) é que não merecia passar por esta vergonha, porque afinal, foi devido a ele, 80% do sucesso já quase pré-histórico que o clube alcançou...
Portugal, está a passar de um pequeno país para um grande manicómio. Enquanto uns são acusados, caluniados e perseguidos sem pudor (O FCP e PdC), outros arrogam-se ao direito de desrespeitar tudo e todos, incluindo a própria Lei. A arrogância é tanta, que, respaldados pelo conforto cobarde de um número estimável de adeptos, não respeitam ninguém e desafiam a própria Justiça. Naturalmente que a culpa não lhes pode ser totalmente imputada, porque se agem assim, é porque há quem o permita. E esse alguém é o Governo Português. Mas não só.
Os media (todos) são cumplíces de toda esta farsa. Fazem de um caso espúrio um caso sério, e é aí que o circo se desenvolve. Este ambiente, onde a falta de seriedade informativa é alucinante, está a conduzir a comunicação social a um ponto de descrédito tão elevado que lhe pode ser fatal.
A telenovela UEFA, que ameaçava ser macabra para o FCP gorou-se na razão oposta da esperança dos seus vampíricos beneficários e, enquanto os media lhe iam dando corda com aberturas de telejornais e primeiras páginas de imprensa, sustentadas em pareceres de prova ilegais (como a UEFA acabou por reconhecer) , a desonestidade profissional de muitos jornalistas levou-os a "esquecer" os mesmos pareceres para explorar jornalisticamente o filão que Luís Filipe Vieira lhes deu de mão beijada (sem o querer, claro) quando o país inteiro o ouviu a negociar com Valentim Loureiro a escôlha de um árbitro.
O jornalismo idóneo não pode contentar-se com a publicação de um artigo de opinião sério, mas avulso, num canto escondido do jornal, tem igualmente de preocupar-se com as parangonas dos jornais e com o teor do relevo da abertura dos telejornais. E nesse contexto, fartaram-se de minar a opinião pública contra os interesses do Futebol Clube do Porto, porque é preciso lembrar que há ainda muita gente em Portugal que não lê o miolo dos jornais e se fica por aquilo que lhe é impingido nas parangonas e nas aberturas espectacularmente sonoras dos telejornais. Isso, digam o que disserem, não é um trabalho sério, mas devia sê-lo.
Tudo o que aqui é afirmado, é facilmente comprovável, bastando atentar ao que já está a passar-se com o interesse dado pelos media às "reacções" do Benfica à decisão da UEFA... Fazem de conta que não percebem que a atitude dos dirigentes do Benfica não passa de uma birra inconsequente e sem qualquer sustentação jurídica. Preferem alimentar a canalhice dando-lhe uma credibilidade pública que não merece, a atirar para o cesto dos papéis um assunto que já não o é. Como, nunca o chegou a ser.

16 junho, 2008

Petição pela exoneração de Maria José Morgado

Meus senhores,

vamos lá dar o nosso contributo para ver se nos conseguimos livrar da incompetência do sistema judicial "português".


http://www.PetitionOnline.com/morgado/

15 junho, 2008

Petição

MESMO NÃO VIVENDO EM GAIA

PETIÇÃO CONTADORES LIVRES

Petição pelo cumprimento da Lei entrada em vigor a 26 de Maio, relativa à
extinção de taxa de aluguer de contadores de serviços públicos.

MUITO IMPORTANTE! Leiam, assinem e divulguem.

Vá a http://www.ipetitions.com/petition/contadoreslivres/,
Leiam, assinem e divulguem!

Contadores Livres de taxas, em respeito à Lei 12/2008, de 26 de Fevereiro.

Regresso

Caros amigos,

Já cá estou. Para além dos muitos quilómetros que caminhei e foi possível ver em tão poucos dias, houve uma notícia que me deu particular prazer conhecer (ainda em NY), que foi - como sempre acreditei - a suspensão do castigo ao nosso FCPorto, por parte da UEFA. A outra, foi a vitória de Portugal sobre a República Checa e a grande, grande exibição, do Deco & Ca...

Como diz um dos nossos comentadores, tenho a impressão que ainda nos vamos rir muito desta palhaçada "pseudo-jurídica" dos melros de costume...

Até amanhã e um abraço

13 junho, 2008

Hoje é dia de futebol

1 – Aleluia! O Sargentão vai de malas aviadas, já devia ter ido há mais tempo. Não comento a sua valia como seleccionador, matéria que tem muito de subjectividade. Apenas acho que ele tinha a obrigação de ter ganho o Euro-2004. Se ganhar o actual, o Euro-2008, sou suficientemente isento para considerar que se tratará duma proeza.

O meu problema com Scolari, é outro, está para além da sua valia futebolística. O meu problema é que nunca lhe perdoarei o facto de ter desrespeitado e insultado a minha cidade e o seu mais lídimo clube representativo, por sinal o único em Portugal que tem expressão a nível europeu. Não uma mas repetidas vezes. Foi reincidente e por isso merece a condenação de todos aqueles que têm sentido de honra e que sentem esses insultos como se a si próprio tivessem sido endereçados. Nunca ninguém lhe ouviu uma palavra de desculpa, nem sequer uma tentativa de justificação. Mais uma razão para não merecer absolvição.

Mas atenção. Scolari começou a disparar em direcção ao Norte mal tinha desembarcado na Portela, o que indica claramente que alguém lhe encomendou o recado. Tenho fortes suspeitas em relação ao Sr.Madail e a parte do seu séquito. Por isso considero que enquanto não for feita uma limpeza na Federação, de cima a baixo, o trabalho não está acabado.

2 – Acabo de ver na TV notícias da Suiça relativas ao recurso do FCP. Ainda é cedo para gritar vitória, por muito que o resultado seja muito melhor do que aquilo que eu temia. Quero dizer que detestei o modo como Adelino Caldeira se comportou frente às câmaras da TV, com aspecto arrogante, mal disposto, inacessível, respondendo de má vontade às perguntas dos repórteres. Continua o que parece ser a política da SAD em relação aos adeptos do clube: “ não chateiem, aguardem e leiam depois nos jornais aquilo que nós, gente importante e esclarecida, decidimos fazer”. Para quem, segundo é voz corrente, é responsável por toda esta trapalhada ao não querer recorrer da decisão da Comissão Disciplinar da Liga, bem poderia ter uma atitude mais afável. Quando penso que é gente desta que dirige o clube, fico preocupado.

Uma última palavra para Hermínio Loureiro. Pelos vistos, forneceu importante arma ao Benfica, atestando que a decisão do Conselho de Disciplina da Liga já transitou em julgado. A que propósito o Presidente da Liga dá o seu aval a questões judiciais que não lhe dizem respeito e das quais é ignorante? Espero que, seja qual for a sentença final, o FCP não se esqueça disto, e que finalmente parta ao ataque e torne a vida impossível àquela nulidade que, já quando era Secretário de Estado do Desporto, deu sobejas provas da sua incapacidade.

12 junho, 2008

Manda quem pode e obedece quem deve

Corre actualmente na justiça um processo em que a C.M. do Porto pede uns milhões de indemnização ao antigo presidente Nuno Cardoso, a três dirigentes do FCPorto e a três engenheiros municipais. Estas sete pessoas são acusadas de terem causado prejuízos ao Estado a quando de trocas de terrenos envolvidos no Plano de Pormenor das Antas(PPA).

Não sendo jurista e nem tendo especial conhecimento dos factos, obviamente que nem me atrevo a emitir uma opinião devidamente sustentada, mas não posso deixar de exprimir dois comentários.

O primeiro, é que sou levado a pensar que este caso parece ser a continuação daquele bloqueio vergonhoso que Rui Rio pretendeu colocar na construção do estádio do Dragão e no PPA. Tudo leva a crer que a ânsia de protagonismo pessoal e o ódio ao FCP foram as motivações que o levaram a tomar as atitudes que tomou e que, mais do que prejudicar o FCP, prejudicavam a cidade que desgraçadamente o elegeu para presidente da edilidade. O seu interesse pessoal foi colocado à frente dos interesses da comunidade. É a isso que se chama honestidade a toda prova? Felizmente que os seus designios puderam ser ultrapassados, e hoje aquela zona da nossa cidade começa a tomar um cariz urbanístico que, motivações clubísticas à parte, só nos pode orgulhar, por muito que possa custar ao senhor presidente da câmara.

O segundo comentário que me ocorreu, acaba por ser "mais do mesmo". Refiro-me à enorme discrepância de tratamento dado a eventuais irregularidades resultantes da construção do estádio do Dragão, quando comparadas com a roubalheira pública com que foi beneficiado o Benfica para a construção do seu estádio. O FCP, através de dirigentes seus, vai a tribunal acusado de ter sido beneficiado no tratamento que lhe foi concedido pela câmara, só porque há desacordo na valorização das parcelas que foram permutadas. No caso do Benfica, os detalhes do acordo entre o clube e a câmara de Lisboa foram cuidadosamente ocultadas do grande público, mas felizmente um dia Miguel de Sousa Tavares conseguiu uma cópia desse contrato, que a câmara sempre se tinha recusado a lhe facultar. Deu-o então a conhecer no jornal desportivo onde colabora. Isto já foi há uns anos, mas lembro-me dos atropelos cometidos, dos favores ilegais concedidos ao clube, das infracções lesivas do interesse público. Em consequência, a EPUL, empresa municipal vocacionada para criar urbanizações, e com quem foi permitido ao Benfica associar-se, foi mungida como uma vaca leiteira. Era presidente da câmara lisboeta o Dr.Santana Lopes, o tal que continua a "andar por ai". O clube da "transparência" bem devia erguer-lhe uma estátua junto à do Eusébio.

Este é o "pão nosso de cada dia". Em Lisboa fazem-se todas as manigâncias que for preciso, mas tudo continua na santa paz do Senhor. No Porto, a propósito de tudo e de nada, polícia, inquéritos e tribunal com eles poque é gente de má raça e há que metê-los na ordem.

Faz parte da actualidade de hoje mais um exemplo desta dualidade. O Tribunal de Contas detectou inúmeras irregularidades no Metrro de Lisboa, nomeadamente na construção do troço entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, além de um aumento de custo de 66% em relação ao orçamentado. As irregularidades são de tal monta que o TC diz que elas podem levar à devolução a Bruxelas de fundos já recebidos. O que vai acontecer à administração da empresa? Verão que nada, e o ministro Jamé continuará tranquilamente a tratar da sua vida.

Mas no Porto... bem, no Porto foi diferente. A propósito duma ultrapassagem de custos, esse mesmo Jamé surgiu como um arcanjo exterminador e, utilizando a espada da sua prepotência, simplesmente destituiu na hora a administração da Metro do Porto.

Colonizadores senhoriais, e colonizados servos da gleba ou, como se dizia na minha juventude durante o Estado Novo, "manda quem pode e obedece quem deve". Afinal há tradições que ainda são o que eram.

09 junho, 2008

Nota informativa

Devido a uma breve ausência do país e a partir da próxima quarta-feira, até domingo, não vou poder prestar (calculo) a minha colaboração regular no Renovar o Porto. Como portuense e provinciano que me prezo de ser, não tenho estatuto (nem estômago) para frequentar o mundo hiper-cosmopolita e intrépito de Lisboa, por isso, tive (com grande pesar) que "optar" por ir a Nova Iorque...
Não é bem a mesma coisa, eu sei, mas pode ser que dê para esquecer um pouco o Bairro Alto, a Alfama e... o glorioso !
Eu peço desculpa, mas não consigo libertar-me destes epidérmicos complexos de inferioridade. Que, querem, provinciano é mesmo assim ...
Até lá, o nosso amigo Rui Farinas fará o favor de "alimentar" o espírito irreverente do Renovar o Porto com os seus oportuníssimos posts, aos quais, tenho a certeza, os nossos amigos e leitores farão os comentários da praxe.
Até breve

Amar o Porto sem tabus

Desculpem-me-ão a ousadia, mas não confio em unanimismos. São traiçoeiros.
Esta coisa de estarmos habituados a vermos alguém a opinar por nós e a passar, num ápice, da (sua) opinão pessoal para opinião pública(da), já começa a incomodar, e temos de a mudar rapidamente. É quase como vermos um estranho entrar-nos pela casa, sem ser convidado (e ainda por cima), para nos vir indicar o sítio onde temos de colocar as nossas coisas. É um abuso.

Ora, é isto precisamente o que os media e seus colaboradores de estimação (Pachecos e Marcelos, Vitorinos & Cª. ), com o excessivo poder que dispõem, têm vindo a fazer há muito tempo, sobre tudo e sobre nada.

Há lugares comuns milenares e sábios, mas a comunicação social serve-se frequentemente deles para os desvirtuar, transformando-os em assuntos tabu ou clichés irreversíveis, que de tão repetidos, cortam o espaço para a discussão e para a introdução de novos conceitos.

Não é, portanto, apenas para contrariar, mas pessoalmente ainda não me deixei convencer pela força persuasora das verdades indiscutíveis dos clichés. Gosto de as questionar pela razão, obviamente oposta, de me parecerem bem discutíveis.

Uma dessas verdades "indiscutíveis" - que todos nós conhecemos de cor e salteado - que nos manda aceitar como boa, é a ideia de que podemos mudar tudo na vida, excepto de clube. Esta verdadezinha, caros amigos, não é inocente.

A situação penosa por que passa a nossa cidade/região nas últimas décadas e a reacção cruzada do fenómeno, entre portuenses com simpatias clubísticas diferentes - algumas das quais, demasiado deslocalizadas das suas origens - permitem-nos retirar algumas ilacções interessantes. Uma delas, é descobrir a importância política e sociológica que há na proximidade dos afectos clubísticos com a região de origem ou com a do local onde se vive. Essa proximidade, esse apego ao clube local/regional permite aos cidadãos uma maior identificação e um maior conforto quando é chamado a tomar decisões políticas. Por outras palavras, quanto menos politizado e fanático é o adepto de um clube deslocalizado do seu habitat, mais tendência tem para prejudicar politicamente a sua cidade/região. Esta tendência é mais visível quando os interesses da cidade colidem com os interesses do seu clube, sobretudo se esse clube não pertence à região onde vive.

Não será por acaso, que um significativo número de portuenses, adeptos do Benfica e do Sporting são pouco entusiastas da regionalização e fazem questão - nos seus comentários contrastantes com a tónica bairrista dos adeptos portistas - de alinhar pela política centralista de Lisboa sem terem (ou quererem ter) consciência do quanto estão a prejudicar uma terra e uma região, que gostam de dizer ser também sua, e amar. Há aqui, quer queiram não, uma flagrante contradição. Há excepções, claro, mas estou seguro que não passam mesmo de excepções, o que é pouco, para engrossar e reforçar o pelotão da causa nortenha.

É claro que esta minha tese é polémica porque pode significar a admissão do mesmo princípio para os adeptos do Porto residentes em Lisboa e em outros locais do país, mas nem assim considero que esteja errada. Sabemos e achamos natural, que os pais transmitam aos filhos as suas paixões clubísticas, mas o comportamento ideal seria deixar eles próprios decidirem a sua escolha individual, sem pressões de qualquer tipo. Seria sempre uma decisão mais independente, mais autêntica.

Caso fosse possível compatibilizar as paixões clubísticas com as questões políticas e regionais, a minha tese não faria qualquer sentido, porque por esta altura estaríamos porventura todos unidos em defesa do Porto/Norte, portistas, benfiquistas e sportinguistas. Não sendo assim, lamento ter de o dizer, nunca nenhum benfiquista ou sportinguista poderá afirmar com a alma de quem ama realmente o que é seu, que gosta do Porto.
Gostarão, talvez, mas... Os portistas gostam, concerteza, e... A diferença está nessa singela letra "e", que no caso em questão quer dizer: apaixonadamente e de corpo inteiro.

Para reflectir: "O desamparao aprendido"

Retirei da Baixa do Porto este belo texto que o António Alves por sua vez usou para reforçar a sua argumentação. Penso que é de leitura obrigatória (incluindo para os amantes de futebol) e que traduz de certa forma aquilo que está a acontecer com as nossas gentes.

Os psicólogos Maier, Seligman e Soloman, publicaram em 1969 o resultado de uma experiência com animais. Estas hoje talvez sejam vistas como um tanto ou quanto cruéis, mas cá vão.
Nesta experiência foram usados dois grupos de cães, os animais de um grupo sofriam uma série de choques, mas podiam interromper a situação desconfortável se pressionassem um painel com o nariz. Os cães do segundo grupo sofriam um choque da mesma intensidade e duração, mas não tinham qualquer controlo sobre a extinção do choque.
Posteriormente os animais dos dois grupos foram colocados numa situação onde podiam escapar e evitar o choque saltando uma barreira entre dois compartimentos. Apesar da fuga e evitação serem agora possíveis para todos os cães, os investigadores verificaram que só os cães que antes eram capazes de interromper a situação de desconforto e tinham controlo sobre a situação conseguiram aprender a saltar a barreira e fugir aos choques. Os cães do segundo grupo, os que nunca tiveram controlo sobre a extinção do choque, saltavam, corriam, latiam quando sofriam o choque nos ensaios iniciais, mas a pouco e pouco deixaram de o fazer, permanecendo sentados ou encostados e recebendo passivamente os choques que lhes eram infligidos. Os animais passaram a agir como se qualquer resposta fosse inútil. Estava cunhado um novo conceito: o desamparo aprendido.
O desamparo aprendido também se verifica com os seres humanos. E embora a teoria se aplique fundamentalmente a indivíduos, parece-me que a sociedade portuense, no seu conjunto, se encontra neste estado psicológico: por muito que lhe batam, vilipendiem, ostracizem e discriminem, ela julga que qualquer reacção para se defender é ineficaz. Mas às vezes, inexplicavelmente, os desamparados explodem numa torrente imparável de raiva e violência.