15 outubro, 2010

Crónicas do Grande Porto II

A austeridade não devia ser para todos (e não é)


Autor : Manuel Queiroz - Director do Jornal i
E-mail : manuel.queiroz@grandeportoonline.com
Data : 15-10-2010

O problema da austeridade é que não sabemos viver com ela. Diz o dr. Almeida Santos: “O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”. Temos também esse eminente deputado Ricardo Gonçalves, por Braga, e também do PS, que assegura que “o vencimento de deputado não dá para tudo”.

Ora, supomos todos que o vencimento de deputado não dá para ter um Ferrari, ou para ter uma casa no Mónaco. Os deputados vão sofrer cortes no salário, o que é pena para os Ricardos Gonçalves deste País, mas foi decidido pelo Governo que o nosso bom deputado presumivelmente apoia. É a terceira vez que está na Assembleia da República e por isso já sabia o que lhe podia acontecer. E se tem onde ganhar melhor a vida, tem um caminho fácil. O País não chorará a sua perda. É capaz de ser difícil arranjar alguém melhor, mas igual há, de certeza absoluta.

O dr. Almeida Santos não foi brilhante, por uma vez, com as palavras. O povo tem que sofrer como os governos, disse o presidente do Partido Socialista. Eu preferia que o Governo tivesse que sofrer como o povo, para ver se aprendia o que é realmente sofrer, porque obviamente o dr. Almeida Santos não sabe. E o que é mais injusto é que o Governo foi capaz de andar até à véspera de cortar os salários a dizer que estávamos a sair da crise mais depressa do que os outros. Há coisas que são imperdoáveis para um político e este ano de 2010 sepultou toda a credibilidade que o nosso Primeiro-Ministro podia ter. Não foi só neste ano, mas hoje ficou exposto sem poder cobrir-se com um véu.

Estes expoentes da nossa classe política só mostram que a coisa está mesmo preta. Muito, muito preta.

Crónicas do Grande Porto

O regime que não quer mudar

Autor : Rogério Gomes - Director Interino
E-mail : rogerio.gomes@grandeportoonline.com
Data : 15-10-2010

Foi o Ultimato inglês que incendiou o nacionalismo português e abriu o caminho à queda da Monarquia há um século. O País, face à grande potência imperial da época, não tinha hipótese. Era necessário obedecer. Foi o agonizar do regime. Com o mesmo registo de cedência da nossa soberania, o regime garante-nos que agências de rating e analistas estrangeiros e a grande finança especuladora internacional obrigam-nos a ter um orçamento, por muito mau que ele seja. Mesmo que seja péssimo.

A Função Pública tem que aguentar uma generalizada e brutal descida de salários, o imposto cego que é o IVA aumentado para 23 por cento – no início do ano era de 19 por cento, lembram-se? -, isenções, comparticipações em medicamentos e vários benefícios sociais são drasticamente cortados… Tudo isto deve ser aceite “sem tugir nem mugir” porque, dizem-nos, há uns senhores sem rosto que se não houver orçamento vão atacar lá de fora as nossa Finanças…

Banqueiros, políticos respeitáveis, “pais” da Democracia, analistas, figuras e figurões afadigam-se em textos, conselhos e ditames no sentido da “responsabilidade”, do “interesse nacional” e da antecipação do “colapso” de Portugal se o OE do Governo para 2010 não for aprovado na Assembleia da República.

O que já ninguém discute é o que acontece se ele for aprovado. A anunciada recessão não interessa? O desemprego não vai continuar a subir? E o crescimento da economia para gerar riqueza e trabalho? Onde está? Será mesmo que os especuladores internacionais vão abrandar o seu apetite ganancioso sobre um País que mostra tal fragilidade? E se vier o FMI? Não era a primeira vez…

O regime em peso está unido na defesa do actual estado de coisas. Esta é que é a verdade.

O que ninguém questiona seriamente é o funcionamento dos 14 mil organismos públicos que comem à mesa do orçamento; o que ninguém questiona é a miríade de administrações e de assessores públicos que passam a vida a justificar a sua própria existência e nada ou pouco produzem; o que ninguém questiona é as duplas, triplas e mais reformas que muitas destas figuras que nos pregam a austeridade auferem impune e desavergonhadamente; o que ninguém questiona são os milhões e milhões gastos em pareceres e “serviços” mais ou menos ocultos; o que ninguém questiona são os milhares de milhões de euros de prejuízos que RTP, EDP, CP, Refer, TAP, Estradas de Portugal e outras empresas que são alfobres de empregos para os “boys” apresentam ano após ano sem qualquer pudor e perante o ar impassível das figuras que hoje nos querem impingir este orçamento de desgraça… Pode ser que este escrito seja de desespero ou “irresponsável”…. Do que tenho a certeza é de que, antes de decidir lançar o sacrifício para cima dos portugueses, o que um Governo preocupado com o País e com os seus cidadãos devia fazer era atalhar nestes desvarios, enxutar o Estado, adiar as loucuras dos mega projectos, exigir nas empresas públicas gestões equilibradas e, só então, ir humildemente ao Parlamento propor os aumentos de receitas fiscais que fossem indispensáveis.

Talvez houvesse uma surpresa agradável para os contribuintes.

PS: Entretanto, como pode ver-se no estudo publicado nas páginas 14/15, a pobreza aumentou em 25% no nosso País em apenas um ano. E metade dos pobres (1,25 milhões) estão na Região Norte. Mais impostos? Sobre quem?

Hoje, recolha de assinaturas do Movimento Pró Partido do Norte


Sexta-feira dia 15, pelas 22 horas o MPN vai estar na noite no Porto para recolha de assinaturas.

Marca a tua presença junto à livraria Lello.

Apoia o Porto, apoia o Norte!

14 outubro, 2010

E quando Pinto da Costa acabar?


Tão servil anda a tolerância dos nortenhos que já nem é possível imaginar que outro  tipo de abusos e rapinagens estarão ainda dispostos a pagar até despertarem para a realidade e reagirem, de modo a colocar um ponto final à onda interminável de pilhagem do Governo.

Apesar da vontade de algumas associações de utentes, tudo leva a crer que as portagens nas SCUTS vão-se impor, sem mais delongas. Em vez de ir para a rua rejeitar veementemente mais este furto oficial do Governo, o povo madruga,  amontoa-se e briga nas filas da Via Verde para ver quem paga mais cedo a um Estado que acaba de o roubar. A comportar-se assim, com tão baixo grau de consciência cívica, estão criadas todas as condições para o ressurgimento de uma Ditadura  bem mais "assumida". É uma questão de tempo.O povo do Norte está irreconhecível, aceita com submissão tudo o que lhe põem no prato. Foi assim com Rui Rio - com o consequente retrocesso para o Porto -, é assim com a comunicação social, e é assim com tudo o mais. Até quando?

O Norte, vê os seus jornais de referência a esvaziarem-se de autonomia. Não tem uma televisão capaz de concorrer com as 4 da capital. No futebol, permite que alguns dos seus clubes sejam atirados para a Divisão do Esquecimento até à extinção final planeada pelo centralismo.  Os jornais desportivos estão rendidos e vendidos ao centralismo. Um deles [O JOGO] procura, como pode, disfarçar a subalternidade em relação a Lisboa, com Edições locais num mercado que até lhe poderia trazer vantagens se tivesse a coragem de explorar a mentira em que alinha a concorrência. Os empresários, em lugar de jogarem a favor da região, remam contra ela e transferem para a capital as sedes das suas empresas. Os Bancos, idem, idem. Os governantes e deputados da região viram-nos despudoradamente as costas. O que é que nos sobra?

A excepção [por enquanto], é o FCPorto... Os adeptos do FCPorto, habituados a muitos anos de sucessos do clube superiormente administrado por Pinto da Costa, vivem convencidos que o líder portista chega para todas as encomendas, sem se darem conta que o homem apesar de muito competente não pode exterminar todas as maleitas do centralismo. O Processo Apito Dourado devia ter-lhes servido de aviso, porque apesar de ter fracassado não deixou de provocar mossas no clube e nos resultados desportivos como ficou provado nos "túneis". 

Resta saber se, no momento em que os portuenses portistas [que são a grande maioria] virem o seu clube a perder títulos e protagonismo, terão finalmente compreendido que Pinto da Costa não é eterno e que há mais vida para além do futebol.

12 outubro, 2010

Um Trio à Defesa

A importância que atribuo a programas como o "Prós e Contras", em termos de interesse público, já foi aqui devidamente escalpelizada: é, zero! Já no que respeita aos promotores (RTP) e aos convidados, o interesse, como se imagina, é muito e recomenda-se...

Por mais de uma vez referi, que este tipo de programas funciona como uma lavandaria para os poderosos. Está para os políticos e para os donos do grande capital como o confessionário está para os praticantes católicos. A Fátima [o nome não engana] Campos Ferreira desempenha o papel de Padre, sendo o estúdio itenerante da RTP   uma espécie de Confessionário,aberto e despudorado, como aberta e despudorada se tornou hoje a dignidade das pessoas.

O Prós e Contras pouca mais serventia tem do que isso,  além de permitir restaurar na praça pública os níveis de credibilidade dos protagonistas. A plateia faz parte do cenário para emprestar ao programa a autenticidade que lhe falta de raíz.

O mote desta vez foi a crise política [como se alguma vez Portugal tivesse vivido sem ela...], mas podia ser outra crise qualquer. Tudo, menos uma boa razão. É só ligar para o Telejornal, contabilizar a predominância das más notícias e compará-las com as boas e ficamos a saber com quantas letras se escreve a palavra optimismo.

Mas nem tudo é mau... O Dr. Mário Soares, por exemplo, sempre que aparece a falar,  ensina-nos algumas coisas transcendentais sem as quais seríamos incapazes de compreender a crise. Disse-nos [sic] que "se não conseguirmos reduzir o défice externo, público e privado, apertando o cinto aos portugueses, não poderemos sair da situação de crise em que vivemos. Se não houver entendimentos entre os dois partidos (PS e PSD), vão entrar em ataque feroz contra nós".

Talvez a idade já não lhe permita apontar o dedo e nomear os responsáveis por esta e todas as crises, e é pena, porque assim ficámos com a impressão que nos está a incluir no rol imenso dos[ir]responsáveis, e nesse caso, poderíamos exigir o retorno - com retroactivos - das competentes remunerações [aposentações incluídas] que muito jeito nos daria... Também se esqueceu de especificar a que portugueses se referia que "iriam ter de apertar o cinto", não vá o ilustre dinossauro ser incluído no exército de compatriotas obrigados a fazer uma dieta sem contraditório... Falou também em "ataque feroz", mas não valia a pena, porque nós já o estamos a sofrer. Foi-nos inflingido há muitos anos, e ao contrário de Mário Soares sabemos quem são  os agressores  e onde estão...

Jorge Sampaio, qual iluminista, exorta os portugueses a fazerem do país uma espécie de recuperador-mor de crises para o Mundo aplaudir, e apela ao bom senso que os verdadeiros responsáveis pela crise não souberam nunca ter. Lindo!

Ramalho Eanes [o mais respeitável dos três ex-presidentes], diz que "dá a impressão que os governos têm medo da sociedade civil e, por isso, escondem". Não, não, está muito enganado. Os governos não só não têm medo, como não têm respeito pela sociedade civil, caso contrário governavam, ou, na impossibilidade de o saberem fazer, demitiam-se, coisa que não fazem. Por isso, são duplamente irresponsáveis. E não apertam o cinto... Mas que raio de moralidade é esta, cavalheiros? Tão fácil, tão cinicamente cómoda!

Senhores ex-Presidentes da República, aqui  vos deixo um bom conselho: recolham-se, remetam-se ao silêncio e procurem descobrir por que é que uma Democracia permite tão repetida e duradoira incompetência.

Se souberem a resposta, falem com o sacristão, perdão, com a Fátima Campos Ferreira, e revelem-na ao povo na sacristia, ou melhor, à sociedade civil no Prós e Contras.

10 outubro, 2010

Para memória futura do M.A.I.

É claro que estas imagens não são nada, comparadas com uma bolinhas de golf - que ainda ninguém conseguiu provar que foram lançadas por adeptos portistas -, mas talvez dêem jeito ao senhor ministro da Administração Interna.

Isto, caso Sua Exa. tenha a dignidade de despir a camisola vermelha do seu clube e faça uma pequena ideia do que é ter sentido de Estado [o que duvido].

Veja, deleite-se com o realismo da cena e depois venha para cá pregar-nos lições de civismo. 

Ps-Um detalhe. As imagens são genuínas...Outro "detalhe": as cavalgaduras que cometeram esta gracinha já prestaram contas com a justiça? Quem são? Não sabe? Então demita-se, e tenha vergonha!

08 outubro, 2010

Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr... bom fim de semana!

O Trio de Ataque com Rui Moreira e António Pedro Vasconcelos acabou

Vivemos um tempo de má educação e de falta de respeito, exponenciados por políticos e comentadores. Por políticos na Casa da República. Por políticos e comentadores nos canais televisivos. Na ausência de argumentos com substância e solidez, provoca-se, insulta-se, rebaixa-se o adversário.

Há gente que aprecia a mesquinhez e se identifica com o baixo nível. Mas, na realidade, o povo não gosta disto. O povo que não é representado pelos fazedores de opinião que imaginam ser “os maiores da Cantareira” e reduzem quem não pensa como eles a uma data de imbecis, que não se sabe muito bem o que andam a fazer neste mundo. Segundo estes fabulosos pensadores, apenas há lugar para as suas opiniões, os seus pontos de vista – tudo o resto está (deixem-me usar o advérbio de modo como redundância) absolutamente errado! (até se justifica o ponto de exclamação).

Um dia destes, li uma afirmação sensata de José Alberto Carvalho. Disse o Director de Informação da RTP: “Recuso-me à tentação de sufragar tudo em nome da audiência”.

No Porto, há (pelo menos) um jornalista que segue a orientação do seu chefe: Hugo Gilberto. O responsável pela condução do debate no programa Trio de Ataque assume-se como respeitador de regras e leis, ao observar que a divulgação de escutas é proibida. Quem não o respeita continua no programa. Quem o respeita, sai, pianinho, sem fazer barulho. De tal modo que só se dá pela redução do trio a duo quando o realizador, com um grande plano, mostra uma cadeira vazia. O escritor francês Albert Camus (1913-1960), que adorava futebol e o praticou, foi capaz de explicar que “a integridade não tem necessidade de regras”. Uma escritora americana, Eudora Welty (1909-2001), argumentou que “a integridade não pode ser nem perdida nem disfarçada nem forjada nem sufocada nem criada artificialmente nem abandonada nem, creio eu, em última análise, negada”.

Se bem o conheço, Rui Moreira nunca mais se sentará ao lado de António Pedro Vasconcelos. O Trio de Ataque, tal como existiu durante anos, acabou.

Se bem o conheço, José Alberto Lemos (director da RTPN) considerará que a saída de Rui Moreira não passa de um dano colateral na luta pela audiência.

Se bem o conheço, José Alberto Carvalho não costuma mudar de opinião em oito dias e tenderá a pensar como um outro escritor, Oliver Goldsmith, este de origem irlandesa (1730-1774: “A honra afunda-se onde o comércio predomina”.

A televisão pública tem de seguir regras estabelecidas e as leis do país. Se o não fizer, deve viver com as receitas daqueles que suportarem as suas audiências – e não (na maior parte do seu orçamento) com o dinheiro dos contribuintes: do Orçamento Geral do Estado.

Se o Trio de Ataque não voltar a ser um programa de comentadores educados, civilizados, que valorizam os das suas cores mas são capazes de respeitar o que os adversários fazem bem, o melhor é pôr-lhe fim. Até como exemplo para outros – da política.



Autor : Alfredo Barbosa -
Consultor de Comunicação e Doutorando da UFP

[Fonte: Grande Porto]

Rui Moreira deixa Trio d'Ataque em conflito com António-Pedro Vasconcellos

Rui Moreira já não estará no próximo programa Trio d'Ataque que a RTPN transmite todas as terças-feiras. Depois de ter abandonado o último programa em protesto com a passagem de gravações de conversas de Pinto da Costa acerca de árbitros, o representante dos adeptos do FC Porto no programa já decidiu que não volta ao programa.

O GRANDE PORTO sabe que o conhecido comentador trocou uma série de emails com a direcção do canal e já decidiu que não voltará ao programa ou qualquer outro em que esteja o cineasta e benfiquista António Pedro Vasconcelos.

Rui Moreira abandonou, em directo, na noite de segunda-feira, os estúdios de TV a meio da emissão. O abandono do programa de Rui Moreira foi um protesto pelo facto de António Pedro Vasconcelos, comentador adepto do Benfica, ter trazido à discussão alegadas novas escutas do processo Apito Dourado (ver comentário de Alfredo Barbosa na página 38).

Rui Moreira referiu que a divulgação das escutas do Apito Dourado é "ilegal" e a "tortura dos tempos modernos", recusando-se a participar em "autênticos autos-de-fé".

[Fonte: Grande Porto]


Nota do RoP
A partir de agora, não sei como se sentirão os outros participantes adeptos do Futebol Clube do Porto em programas com o mesmo cariz persecutório, após esta profiláctica bofetada de Rui Moreira , se não lhe seguirem o exemplo...

Aprenda como um badameco faz chantagem sobre o Governo

Benfica reagirá com dureza se autocarro for apedrejado no Porto

2010-10-08
Luís Antunes

A segurança da comitiva do Benfica na próxima deslocação ao Estádio do Dragão é um dos assuntos que preocupa Luís Filipe Vieira. O dirigente não aceita qualquer ingerência no plano de viagem e ameaça reagir fortemente caso o autocarro volte a ser atingido.

“Vamos ao Dragão e sairemos à hora que entendermos pois estamos num país livre. E alguém terá de fazer segurança. A partir daí, o problema passa a não ser nosso mas de quem tem essa responsabilidade. Peço a Deus que ninguém apedreje o autocarro, pois podem ter uma surpresa bastante grande”, referiu o presidente do Benfica em declarações à Antena 1.

Na entrevista à rádio nacional, o dirigente máximo do Benfica revelou o apoio à eventual candidatura de Fernando Seara à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Luís Filipe Veira reiterou e anunciou que enviará uma carta a todos associados com os motivos da sugestão de só comparecerem nos jogos no Estádio da Luz.

“Só quando sofrerem o peso económico da nossa decisão é que sentirão a necessidade de se unir e reclamar o que queremos, a verdade a transparência no futebol”, acentuou.

David Luiz e Maxi Pereira serão dois elementos que devem ver o contrato revisto até ao final do ano. A actual crise económica e os princípios de austeridade também abrangeram a actividade e o clube. “Não vamos esconder que se calhar não vai ser possível manter um ou outro jogador”, referiu o principal responsável da SAD.

(Fonte: JN)

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Nota do RoP

Bem, sobre o espectáculo miserável proporcionado pelo presidente do Benfica não há muito mais para dizer, a não ser que só é possível num país sem rei nem roque, completamente votado ao abandono.

Este miserável, bronco, irresponsável e mal falante, permite-se nas barbas de toda a gente exercer chantagem sobre o Governo, com veladas ameaças caso este não lhe faça a vontade. Senão, leiam:

“Vamos ao Dragão e sairemos à hora que entendermos pois estamos num país livre. E alguém terá de fazer segurança. A partir daí, o problema passa a não ser nosso mas de quem tem essa responsabilidade. Peço a Deus que ninguém apedreje o autocarro, pois podem ter uma surpresa bastante grande”, referiu o presidente do Benfica em declarações à Antena 1.


Soltaram-lhe a rédea, e agora ninguém o segura. Por este andar, ainda temos o gajo a "governar" o país, porque, como é possível constatar, ninguém é capaz de o meter na ordem.  

Se o que este homenzinho está a fazer não é chantagem, então eu já  não sei o que é  a chantagem. Mas a culpa não é dele, os loucos são como sabem inimputáveis. A culpa e a responsbilidade, é apenas desta espécie execrável de governantes que é incapaz de se fazer respeitar!

Pelas declarações gravíssimas que produziu e que eu fiz questão de sublinhar, a intenção deste cobardola é claramente intimidar os adeptos portistas. A ameaça velada na frase "podem ter uma surpresa bastante grande", pode ser naturalmente interpretada como uma provocação, como um aviso às  forças policiais do tipo "se vocês não agirem , agimos nós". 

Senhor Ministro da Administração Interna, bluf ou não, se quer salvar a pele de ficar na História com a fama de um ministro-homicida, terá de garantir aos portuenses que no autocarro do Benfica não viajam armas, nem gangsters, caso contrário, a surpresa poderá ser outra.

07 outubro, 2010

EU CENSURO O CENTRALISMO!


Não fazem falta nenhuma, mas de vez em quando pousam na caixa de comentários algumas aves errantes na vã esperança de que a prosápia centralista possa surtir algum efeito persuasor nos meus ouvidos. É tempo perdido. O resultado não pode ser pior para esses voadores rapinantes... É que, ao contrário do que os seus sopros de falsa sensatez alvitram, a minha aversão ao centralismo agiganta-se e inspira-se com os seus comentários. Mas não lhes dou o prazer de os publicar. Isso não. Sou democrata, mas não sou estúpido.

Dessas aves de rapina, moralistas e hipócritas, os mais capacitados já desistiram de destilar veneno na forma de comentários porque perceberam que o Renovar o Porto não é a RTP, nem o Jornal de Notícias, pagos pelo Estado [por nós!], ou pelos serviçais privados do centralismo. Aqui, mando eu, e todos os que estão com a causa Regional. Aqui, sou eu quem brinca à Democracia, quem a veste ou desnuda. Só não a manipula, como os media tradicionais, porque não aprecia o estilo...

Só isto basta para justificar a minha serena despreocupação com as "regras" impostas pelos condutores oficiais de uma Democracia feita à medida dos seus interesses pecuniários. Aqui, no Renovar o Porto [até ver], ainda tenho voz própria, sou mais cidadão. Fora daqui, sou pouco mais do que um espectador... Aqui, sou mais igual, sou democrata e censor [quando devo], tal como os media serviçais do centralismo, só não tenho o(s) seu(s) Poder(es). Mas tenho o incomensurável Poder da Liberdade, de pensar pela minha própria cabeça, sem obedecer a regras censórias ditadas pelas tiragens de uma Controlinveste qualquer, ou pelas audiências de uma RTP sem sentido cívico. Prefiro-me a mim [não me interpretem mal].

Estas avezinhas de rapina não são propriamente burras, lá no fundo, nos resquícios das suas levianas consciências, percebem muito bem o que se pretende dizer. Sabem perfeitamente que o Norte está orfão de uma mediatização autónoma, que é obrigado a ouvir e calar o que a Lisboa centralista diz, e manda, tal como Salazar ditava, mas  com muito mais pudor...

Para os centralistas, a mordaça que nos foi colocada é uma mordaça "democrática", porque eles respondem por nós. Imaginá-los a aceitar o contraditório em igualdade de meios e circunstâncias, é pura demagogia e perda de tempo.

Eu sei o que digo, quando digo que não respeito estes órgãos de soberania, porque de soberanos só têm os tiques ditatoriais. A soberania é muito, mas muito mais do que o autoritarismo com vestes "democráticas".

Nota:
Na imagem  A Queima de Livros

06 outubro, 2010

O PODER MEDIÁTICO NÃO DEIXA EXTERMINAR O CENTRALISMO

Sir James Goldsmith (26/02/1933-18/07/1997) não se tornou célebre por ter dito que quanto maiores são as instalações da sede de uma empresa mais decadente está a empresa. Mas essa asserção ganhou força metafórica quando aplicada ao centralismo: a todo o género de centralismo.

Importa menos, aqui, que Goldsmith tenha sido um predador da bolsa e da finança, um financeiro frio e obstinado, que nunca virou a cara a um desafio e se confrontou directamente com os meios de comunicação e os jornalistas que o criticavam ferozmente e pretendiam abatê-lo.

O que interessa, agora, realmente, é a substância da metáfora com que iniciei esta crónica, pois ela traduz, literal e profundamente, o pensamento de um homem que cedo percebeu os riscos do gigantismo e da concentração: nuns escritórios; numa empresa; num partido; numa organização multipartidária; num Estado-nação.

Talvez se perceba melhor, assim, por que é que Goldsmith se evidenciou como eurocéptico, fundando, no Reino-Unido, o Partido pelo Referendo (Europeu) e representando a França como membro do Parlamento Europeu, eleito pela "Majorité pour l'autre Europe" ("Maioria pela outra Europa").

Este homem contraditório (nascido no seio de uma família judaica, conservadora e rica, financiador de inúmeras organizações não governamentais, que combateu activamente a fome no Mundo e afrontou vários tipos de corrupção), salientou-se como inimigo visceral de todo o tipo de centralismo.  Por isso, não gostava de sedes de empresas enormes. Nem apreciava hiper-organizações centralistas.  Por isso, contrariava a concentração de poderes e estimulava a partilha de responsabilidades no topo das organizações e das suas hierarquias.  Por isso, foi eurocéptico. Por isso, revoltou-se contra o domínio das nações mais poderosas e influentes na União Europeia. Goldsmith era anti-centralista.

SECOU O RESTO DO PAÍS
O Centralismo é (conforme especifica o Houiaiss) um sistema de organização que leva à centralização, à concentração num mesmo centro ou local, à intensa concentração de poder nas mãos de um centro único, especialmente de decisões e acções.

Portugal tornou-se um país com uma força centrípeta polarizada na sua cidade-capital. O centralismo potuguês é um estado de espírito que significa mais de tudo (tudo!) para quem o defende e protege.

Quem se confronta com o centralismo sente-se impotente e chora de raiva por saber que nunca (nunca!) tem argumentos e meios suficientes para o combater.

O centralismo actuou como um eucalipto (imenso!):  secou o resto do país.  Quem pode negoceia com o estrangeiro ou foge para o estrangeiro. Os grandes negócios estão marcados em Lisboa. Os empregos mais bem remunerados existem em Lisboa. Quem quiser desempenhar funções de topo em grandes empresas e instituições tem que ir para Lisboa (basta ver os anúncios do "Expresso").  Quem se evidencia no resto do país é atraído para a capital.  Pela política.  Pelo mundo financeiro. Pela actividade económica. Pelo poder dos mais influentes meios de comunicação, que, divertida ou insensivelmente, omitem ou ignoram o que acontece no Resto e não proporcionam a atenção justa ao que de melhor aí se faz.

Pesporrente, arrogante e intolerante, o centralismo gerou uma maioria silenciosa (uma esmagadora maioria), que um dia deste vai revoltar-se, explodir - só não se sabe as consequências.

VAMPORIZAÇÃO DEPOIS DA ENGORDA
O centralismo, primeiro, engordou o Estado e, agora, vampiriza-o.

Portugal tem dois problemas fundamentais: emagrecer o Estado e exterminar o centralismo. Mas estas acções simbióticas parecem condenadas ao fracasso: como extinguir centenas de milhar de empregos bem rumenerados? Como acabar com milhares de administradores de empresas públicas, privadas, público-privadas e de institutos públicos e fundações - e os seus vencimentos milionários e as suas mordomias sumptuárias?

Não é possível pensar em qualquer forma de regionalização - nem sequer de uma verdadeira descentralização administrativa - sem exterminar o centralismo. O poder mediático não deixa (alimenta-se dele): porque, na realidade, está ao serviço dos poderosos da finança, da economia e da política. Todos entrelaçados em interesses que não se sabe onde começam e terminam. Mas não servem, autenticamente, o desenvolvimento equilibrado do país.

Sir James Goldsmith não se sentiria bem neste Estado-Nação.

[Alfredo Barbosa, consultor de Comunicação e Doutorando da UFP]

Bravo Rui Moreira, que outros te sigam o exemplo!

O minuto 22:00 do pouco desportivo Trio de Ataque foi o mais digno a que até hoje pude assistir em programas desta natureza, onde em vez de se falar de futebol se passou a conspirar contra os adversários. O raro acto de nobreza coincidiu com o momento em que Rui Moreira decidiu levantar-se e abandonar o programa deixando a falar sózinho um homenzinho patético e vazio de carácter que representa um clube com o mesmo perfil. Bravo Rui Moreira, é assim mesmo! Já andava a ficar zangado consigo.

Como já não consigo sequer ouvir a voz daquele réptil benfiquista, só ligava para o canal quando não estava a falar. Apesar de saber que é habitual concederem-lhe mais tempo de antena a ele que aos outros participantes, achei estranho nunca mais ouvir o Rui Moreira falar sempre que voltava à RTPN. Depressa me dei conta que algo de estranho se tinha passado e fiquei mesmo com uma forte impressão de que Rui Moreira tinha abandonado os estúdios da RTP. Assim se confirmou a minha suspeita quando decorridos uns longos minutos deparei com a sua cadeira vazia. Foi a melhor notícia que àquela hora me podiam ter dado.

Oiro sobre azul seria saber que mais nenhum outro portista estaria disposto a ocupar o lugar deixado por Rui Moreira, a não ser que fizesse o mesmo que ele fez se a estatal RTP continuasse a colaborar no jogo sujo de conspiração do pseudo-cineasta e do seu ordinário clube.

A RTP diz que não é assim [pudera!], mas eu, como muitos milhões de portugueses, sabemos - porque temos disso bons testemunhos - que não respeita em rigor as mais elementares regras democráticas, que abusa do poder que tem, e é facciosa. O programa Trio de Ataque desde há muito que estava ao serviço do Benfica tendo como porta-voz de um dos seus directores [Carlos Daniel] o cineasta caquético. Se vivessemos no tal Estado de Direito de que muito se fala e pouco se pratica, este programa já teria acabado há muito com os seus responsáveis directos colocados no olho da rua. Como Portugal é a vergonha que é, os facínoras são quem mais ordena. Até um dia...

Só por essa razão me sinto perfeitamente à vontade por ter colocado aqui a bandeira nazi e ironizar conotando-a como novo símbolo do Benfica, porque entre a perseguição que os nazis moveram aos judeus e a que este clube tem vindo a fazer ao FCPorto e à própria cidade - com a conivência do Estado -  não há grandes diferenças... Só falta mesmo é encherem o Porto com Pandures e SS's...  E ...o Hitler.

É por estas e por outras, que desligo logo o aparelho de rádio ou mudo de canal, quando aparece a falar qualquer representante do Estado. Perdi-lhes completamente o respeito, e desejo fervorosamente que a História os coloque no sítio onde devem estar, que não é seguramente aquele onde estão neste momento.

PS
De destacar, a atitude de Rui Oliveira e Costa que se demarcou da campanha difamatória de um cineasta frustrado, que só é conhecido pela pior das razões:  difamador.

04 outubro, 2010

POBRES MAS …”RICOS”

De que nos serve ter uma RTP pública onde o governo injecta milhões de euros por ano, mais as taxas pagas pelos clientes da EDP, se com esses milhões pagariam o Abono de Família e muitos outros subsídios que cortaram àqueles que procuram “ajudar” o País a ter mais crianças e fazer subir a natalidade!

Porque paga, este País, 3.500 euros mensais aos assessores dos vereadores das Câmaras municipais e aos assessores dos gestores das empresas públicas, quando não “pode” comparticipar no pagamento dos medicamentos e exames de diagnóstico de todos aqueles que são mais pobres e que vêm ser posta em causa a sua saúde?

Porque não são penalizadas as pensões escandalosas que muitos pensionistas usufruem (2 e 3 reformas), e que alguns acumulam com chorudos salários, porque lhes foi proporcionado ocupar um lugar de destaque numa empresa pública qualquer?

Porque tem este “pequeno” país 250 deputados a ganhar altos vencimentos, acrescidos de mordomias, quando a Constituição da República Portuguesa prevê que o parlamento possa ter 180 deputados?

Porque se compram viaturas de luxo, topo de gama, para os mais diversos sectores da vida politica portuguesa, submarinos, carros blindados para mostrar aos senhores da NATO de que, afinal somos um País rico (mas não um rico país), mas a pobreza envergonhada e não só, aumenta de ano para ano?

Infelizmente haverá muitas mais questões desta índole para colocar e dizer aos governantes que existe muito onde cortar na despesa, sem afectar deliberadamente a vida de todos aqueles que têm cumprido os seus deveres como contribuintes e que procuram levar a vida sem os sobressaltos que ciclicamente os governos de Portugal lhes tem provocado!

Eu sei que já passou a época dos grandes ideais! Mas nunca aceitarei paraísos fiscais para aqueles que muito podem e os foragidos da lei, não pagarem os impostos que a maioria paga, e que recebem fortunas sem que todos saibamos como conseguiram, dentro deste país,tornarem-se milionários num relativo espaço de tempo!

Até porque o “Zé Povinho” já não aguenta mais esta situação!

Renato Oliveira
Porto

[Carta de Renato Oliveira enviada  ao Correio do Leitor do JN]

01 outubro, 2010

Benfica queixa-se ao MAI do FCPorto


Luís Nazaré foi mandatado pelo presidente do Benfica para transmitir ao [benfiquista] ministro da Administração Interna, as suas preocupações com a visita ao Estádio do Dragão em Novembro próximo. O cerne destas preocupações prende-se, alegadamente, com a violência com que habitualmente os adeptos do clube da Luz são recebidos sempre que se deslocam ao Porto...

Esta decisão é tanto mais inédita quanto é conhecida a forma hospitaleira e de grande elevação cívica como os adeptos e dirigentes do FCPorto são recebidos quando vão jogar a Lisboa. Apedrejamentos embrulhados em papel celofane, traumatismos craneanos inflingidos a atletas de hóquei do FCPorto com bastões de basebol de ouro fino, e autocarros portistas calcinados com gasolina de 98 octanas super XPTO, são apenas uma pequena amostra da prova de estima e fair play que os benfiquistas nos dedicam. Isto é factual.

Estamos portanto à vontade para poder deduzir o teor das conversações entre o dirigente benfiquista e o Ministro da Aleanação Interna. Terá sido mais ou menos assim:

Então senhor Ministro, está disposto a ajudar o seu Benfica além da sua fanática presença no Estádio da Luz? 

- Meu amigo, não fale assim que dá um tom promíscuo à nossa reunião. Vamos com calma. Afinal o que é que o glorioso pretende de mim?

- Bem senhor Ministro, para ir directo ao assunto, o que o Benfica quer é que quando formos ao Porto o Governo decrete o Estado de Sítio, para garantir a nossa segurança...

- Aqui não há microfones, podes tratar-me por Pereirinha. Olha pá, a ideia até nem é má, embora me pareça um bocadinho excessiva, mas, deixa ver...

- Ó Náná tu sabes que aqueles gajos do PQFLL [Porto Que Fica Lá Longe] andam desconfiados com a pontualidade da minha presença na Luz, por isso talvez seja mais sensato tomarmos medidas menos drásticas, não é... Que te parece?

- Sei lá Pereirinha, tu é que és o Ministro. E que tal proibir o acesso ao Estádio do Dragão aos portistas  e deixar exclusivamente a família benfiquista assistir ao jogo?

- Não era má ideia não, o Benfica precisa de todo o nosso apoio. Ainda por cima com o Cardozo lesionado, não sabemos se em Novembro já estará recuperado. Mas também proibir os gajos de jogarem no seu Estádio é capaz de ser demais...

- Ó pá, deixa-te de pruridos. Se os "túneis" e o Ricardo Coração de Aldrabão deram resultado, por que é que um jogo à porta fechada para os portistas não há-de dar? Assim, o árbitro pode roubar à vontade. Nós precisamos de pontos e...contos.

- Não Náná, isso está fora de questão! Não te esqueças que eu sou ministro, que tenho de mostrar algum sentido de Estado.

- Então, que propões?

- Decretar o Estado de Excepção ! O glorioso exige-o, e a manutenção do meu tacho também...

- Ó Pereirinha não era mais simples a minha proposta?

- Não, Náná! Num Estado de Direito, um homem de bem não pode reclamar justiça para uns e injustiça para outros...

- Afinal, és um benfiquista descarado, onde está o teu sentido de Estado?

- No Estado de Excepção, pateta!

Combate à crise



 
Fábio Coentrão  [depois de ter desistido de pensar com os pés] , foi à farmácia.


- Bom dia Sr. Antunes, queria uma caixa de supositórios. Distraído, Coentrão pega na caixa e sai
  da  farmácia sem entregar o dinheiro.


- Sr. Coentrão, é pra pôr na conta de sua mãe? - Pergunta o farmacêutico.

 - Não, não Sr. Antunes, é p'ra pôr no cu do meu pai!

Donovan - Atlantis

30 setembro, 2010

Austeridade feita à pressão

Aleluia! Subitamente, fez-se "luz" no espírito dos nossos (des)Governantes! Aí estão elas, as incontornáveis medidas de austeridade! Austeridade que tardou, mas não faltou, embora acompanhada do rol de prejuízos que todas as decisões tardias infalivelmente comportam. Mas não há nada a fazer, os políticos que temos preferem recorrer à fantasia do embuste a agir por antecipação para a resolução dos problemas que eles próprios criaram. Já sabemos que debaixo da manga trazem sempre bem guardada uma crise global, ou paranormal, que utilisam quando a casa já está a arder. No entanto, nem tão utilitário trunfo basta para encobrir a dimensão da incompetência.

Folheando o jornal Público de hoje e passada a primeira página repleta de medidas "salomónicas, lemos logo na seguinte que o Governo vai [finalmente] propor um conjunto de medidas de combate à evasão fiscal, o que significa, tal como com o famoso PEC, que as que "foram" tomadas anteriormente não valeram grande coisa. Limitar a dedução de benefícios fiscais, rever a lei de dedução de prejuízos para facilitar a cobrança são iniciativas que agora serão levadas a sério por antes se terem encarado a brincar... O IVA, que sempre foi dos mais altos da U.E. vai subir 2 pontos percentuais e contribuir para o aumento do custo de vida. Enfim, mais do mesmo.

Mais adiante, no capítulo da Justiça, o Procurador Geral da República continua o combate quixotesco pela permanência do seu vice  alertando a nação para o dramas que o seu abandono constituirá para o Ministério Público.  Verdadeiramente dramático, é sim, o Governo  propor uma alteração ao estatuto dos magistrados do M.P. [ontem chumbada pela oposição] para viabilizar a permanência do referido vice-Procurador - que atingiu o limite de idade -, o que se pode explicar pela dificuldade em encontrar um substituto à altura... Mesmo a título excepcional, este doentio recurso à alteração das leis para ultrapassar dificuldades é a principal razão dos nossos problemas.

Veremos também se o anunciado reforço da prevenção e fiscalização de fraudes na Saúde terão qualquer efeito pratico no futuro. A Associação P. da Indústria Farmaceutica pode não ser a Instituição mais recomendável para se preocupar com as difuldades dos utentes, mas a verdade é que não será a redução de 6% do preço dos medicamentos que lhes facilitará a vida se o novo regime de comparticipações estatais for - como se anuncia -, drasticamente reduzido. Se a ideia é fechar as portas à fraude dos fármacos, louva-se, mas os meios parecem, no mínimo, estranhos... Veremos. 

29 setembro, 2010

“Desconfiamos mais no Norte”, afirma reitor da Universidade do Porto


O reitor da Universidade do Porto, José Carlos Marques dos Santos, teve nos resultados da primeira fase de acesso ao Ensino Superior uma das primeiras alegrias do seu segundo mandato, iniciado há dois meses. A UP foi a mais procurada do país, com todas as vagas preenchidas e algumas das médias mais elevadas. A academia está em alta numa região em baixa, mas recusa o papel principal que, segundo o seu reitor, deve ser político.

O que significa esta grande procura da UP pelos estudantes?

Mostra a atractividade que tem, resultado de uma investigação cada vez mais reconhecida internacionalmente e de um esforço de ligação à sociedade. Uma universidade deve afirmar-se também pelo contributo que dá ao desenvolvimento da região e do país.

Esse prestígio é um contra-ciclo à perda de poder e de influência do Norte?

Pelo contrário, desejamos que seja uma alavanca. Não teria prazer nenhum em liderar uma universidade de referência mundial numa região desfavorecida. Queremos que ela se desenvolva e, na nossa incubadora de empresas, a UPTEC, estamos a trabalhar para criar empresas que podem mudar o paradigma de mão-de-obra barata e criar mais valor acrescentado. Mas é preciso que outros actores também o façam e que haja liderança na região.

Defende a regionalização?

Sim, desde que não seja para criar novos poderes. Tem que ser um governo de pessoas competentes, mais interessadas na região do que nos seus partidos. Temos que evoluir para um governo regional que olhe pela região e que não se importe de perder o poder se estiver a contribuir para o progresso do país.

Os directores das Faculdades de Medicina do Norte, entre elas as da UP, apelaram à construção do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN), temendo que, sem ele, a formação de médicos fique em risco. Está solidário?

Estou de acordo que o CMIN é necessário. Há qualquer coisa estranha por detrás desse assunto, já se arrasta há tantos anos. Isto é típico da região Norte, passarmos a vida a lutar porque alguém tem uma ideia e outros não querem que ela vá para a frente. Deixemos os interesses particulares e lutemos pelo interesse geral.

Não o conseguir é o pior defeito do Norte?

Nao sei se é o pior, mas há muito disso. Todos desconfiamos uns dos outros e isso no Norte parece mais arreigado. Temos que saber a cada momento abdicar de algo que não é tão essencial e que pode conduzir-nos a uma situação melhor. O CMIN é uma necessidade. Costumo dizer que uma mudança que não tem contra si 15 a 20 por cento das pessoas, não é uma grande mudança. É tão consensual que o avanço é pequenino.

Falando em mudanças, como está a universidade a responder ao apelo do Governo para aumentar o número de portugueses que regressam ao Ensino Superior?

Estamos a responder desenvolvendo a formação contínua, criando cursos de formação para os antigos estudantes. Tem crescido essa procura, mas em Portugal ainda se pratica pouco a formação ao longo da vida. Num encontro, uma universidade francesa contava que tinha 30 mil estudantes de grau e 11 mil de formação contínua, estamos muito longe de atingir esses números, na UP temos quatro mil estudantes em formação contínua.

A quebra nos rendimentos poderá limitar o acesso das famílias com menor poder económico à universidade ?

Aí, é a parte social que tem que intervir. Estamos num país que não produz riqueza, embora o Ensino Superior e a Ciência estejam ao nível dos países mais desenvolvidos. Não podemos reduzir o custo do Ensino Superior porque nos vamos enterrar. O que falta é mudar o nosso paradigma económico para que toda a gente possa ganhar mais.

Fala muito da ligação ao mundo empresarial. A UP já criou cursos a pedido das empresas?

A nossa Escola de Negócios tem tido cursos específicos para empresas e estamos disponíveis para formar quadros para elas. Também estamos abertos a projectos de investigação em conjunto.

Um empresário pode ir à UP e dizer “queria falar com alguém”?

Pode, é simples. Temos uma entidade, a UPIN, que faz a ligação às empresas. Mas têm que saber o que querem, não podem ser problemas para daqui a dois meses, tem que ser investigação estratégica, de médio e longo prazo, como criar um novo produto, podendo até candidatar-se a um programa de financiamento. Fazemos isso muitas vezes e queremos que venham mais vezes.

[Fonte: JN]

28 setembro, 2010

Será que é desta, que o metem na cadeia?

João Vale e Aldrabão
João Vale e Azevedo é acusado no julgamento com início marcado para 12 de Outubro de alegadamente se ter apropriado de quatro milhões de euros do Benfica, resultantes de transferências de quatro futebolistas para clubes estrangeiros.

O despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, refere que Vale e Azevedo ocultou um total de 1,4 milhões de libras pelas transferências dos futebolistas Gary Charles para o West Ham e de Tahar el Khalej para o Southampton.

Gary Charles foi transferido para o West Ham por 1,2 milhões de libras, montante transferido a 06 de Outubro de 1999 para conta no Barclays Bank da sociedade Vale e Azevedo & Associados, como comprovou a investigação.

Esta conta era uma das duas que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa comprovou terem sido utilizadas para os movimentos do clube devido à penhora decretada a algumas contas do Benfica, de 24 de Abril a 13 de Junho de 1998.

A acusação sustenta que Vale e Azevedo "não entregou o acordo celebrado" com o West Ham e "ocultou o recebimento e apropriação de 1,2 milhões de libras, que não figuram assim como crédito" do clube.

A este montante adiciona-se 200 000 libras que Vale e Azevedo deu instruções para que o Southampton transferisse para uma conta na Madeira da Sojifa, empresa titulada pelo presidente do Benfica de 03 de Novembro de 1997 a 31 de Outubro de 2000.

Vale e Azevedo também é indiciado de ter falsificado o contrato de transacção de Scott Minto para o West Ham, possibilitando, de acordo com a acusação, a que fossem pagas despesas "de foro privado", entre as quais "despesas correntes da tripulação e manutenção do iate 'Lucky Me'".

A acusação refere também que a segunda prestação a pagar pelo West Ham, no valor de 500 000 libras, foi paga após a falsificação do contrato de venda de direitos desportivos de Scott Minto.

Na transferência do brasileiro Amaral para a Fiorentina, o montante de dois milhões de dólares "não deu entrada nos cofres da Benfica, SAD, até ao final do mandato" de Vale e Azevedo, que "fez constar junto dos directores" que o clube "não receberia qualquer verba pela venda do passe do jogador".

O antigo presidente do Benfica foi condenado a pena única de seis anos de prisão efectiva no processo de transferência do guarda-redes russo Ovchinnikov e Euroárea, relacionado com a venda simulada dos terrenos sul do Benfica, na Luz, por cinco milhões de euros.
[Fonte: DN]

Nota do RoP-Lembram-se como a "família" benfiquista adulou este vigarista só porque decidiu atacar o Pinto da Costa?
Pelos vistos, os tótós ainda não aprenderam... Agora, estão a fazer o mesmo com LFV, e a "peça" é do mesmo tipo, ou pior...


Scut: empresários do norte e da Galiza ameaçam recurso aos tribunais

Dirigentes de associações que representam cerca de 40 mil empresas do norte de Portugal e da Galiza admitiram hoje, em Viana do Castelo, avançar para os tribunais para impedir a introdução de portagens na auto-estrada sem custos para o utilizador (Scut) do Litoral Norte.

Segundo José Manuel Alvariño, presidente da Confederação Empresarial de Pontevedra (CEP), em causa está o facto de não ser possível pagar as portagens com dinheiro, o que, em seu entender, poderá violar as regras comunitárias.

"Com o euro, pode-se pagar seja o que for em todos os países que aderiram à moeda única. Agora, querem impedir-me de usar o euro para pagar portagens em Portugal. Para circular, tenho de comprar não sei o quê", criticou o empresário.

José Manuel Alvariño falava em Viana do Castelo, no final de uma reunião que sentou à mesa representantes de oito associações empresariais do Norte de Portugal e da Galiza, expressamente por causa da introdução de portagens na Scut do Litoral Norte.

O líder da CEP garantiu que já pediu explicações a Bruxelas sobre a impossibilidade de pagar as portagens com dinheiro, dependendo da resposta o avanço ou não para os tribunais.

"Pode haver uma providência cautelar", admitiu Luís Ceia, presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo, anfitriã da reunião.

As associações presentes manifestaram-se "frontalmente contra" a introdução de portagens na A27 e na A28, por considerarem que não estão cumpridos os requisitos definidos pelo Governo, designadamente o critério índice de 80 por cento do Produto Interno Bruto.

Alegam ainda que aquelas auto-estradas não têm alternativas.

No entanto, e considerando a "hipótese da irreversibilidade" da introdução de portagens, os empresários exigem que a cobrança arranque em simultâneo em todas as SCUT e que o preço por quilómetro seja igual em todas.

Exigem ainda que as isenções anunciadas pelo Governo abranjam todos os veículos empresariais que tenham uma utilização frequente daquelas auto-estradas e que seja possível o pagamento em moeda física ou por cartão de crédito.

Além destas exigências, as associações reclamam ainda a conclusão da A28 até Valença e a extensão da A27 até à fronteira do Lindoso, a ligação por via rápida do concelho de Paredes de Coura à rede de auto-estradas nacionais e a requalificação da Linha do Minho.

"Uma vez que toda a região do Alto Minho não possui alternativas de transportes às auto-estradas", frisam