23 janeiro, 2011
Declarações de Luis Alberto sobre incidente com Jorge Jesus
Topem a "doçura" do entrevistador... E liguem estas cenas à expulsão de 3 [leram bem, três!] jogadores e o treinador do Rio Ave, no jogo Rio Ave-Guimarães. Rio Ave esse, que "por acaso" [sempre e só por acaso], vai jogar para a semana com o glorioso Benfica!
Misturem bem todos estes ingredientes com a oportuníssima contratação de Jardel pelo Benfica na véspera, sim [na véspera!] do jogo entre a equipa deste jogador com o Benfica, e terão um prato sublime de transparências e de verdades desportivas...
Eu também não vou votar
Usando as palavras de Carlos Abreu Amorim na revista Notícias de Sábado, hoje, também eu não vou votar, e pelas mesmas razões:
"porque é inútil, porque é ser cumplíce numa eleição inócua, porque não quero colaborar na simulação despudorada de eleger alguém que só serve para assistir calado e apagado, a todos os desmandos, surgindo depois, impávido, a garantir que nenhuma das desgraças em que estamos é sua responsabilidade. Porque os candidatos são muito maus - apesar de Fernando Nobre ter um percurso pessoal notável e ser um homem de bem. Porque a abstenção é a única forma de os políticos que temos perceberem que estamos prestes a dobrar o ponto de não retorno"
Da opinião de CAA, só coloco algumas reservas na frase sublinhada. Os políticos que temos, só vão perceber o ponto de não retorno quando forem corridos à força do Poder. Ao contrário de CAA que ainda deposita uns restos de esperança neste modelo de Democracia e no bom senso dos políticos, eu não acredito neles. O meu prazo de tolerância esgotou-se e não foi hoje.
Os políticos que temos resultam do povo que somos: subserviente e péssimo observador. O povo que temos é tão superficial e influenciável que absorve o mesmo tipo de argumentação de quem o desgoverna e mal trata. É um povo burro, e continua alegremente a pagar uma factura muito alta por essa burrice. Habituaram-no a valorizar o fútil e a relativizar o que é importante e, o que é mais grave, sem disso parecer dar-se conta. E como é um Povo burro, vamos ter de aguentar com este, e muitos outros Cavacos ainda durante muitos anos. Mas, confesso, adorava estar enganado.
"porque é inútil, porque é ser cumplíce numa eleição inócua, porque não quero colaborar na simulação despudorada de eleger alguém que só serve para assistir calado e apagado, a todos os desmandos, surgindo depois, impávido, a garantir que nenhuma das desgraças em que estamos é sua responsabilidade. Porque os candidatos são muito maus - apesar de Fernando Nobre ter um percurso pessoal notável e ser um homem de bem. Porque a abstenção é a única forma de os políticos que temos perceberem que estamos prestes a dobrar o ponto de não retorno"
Da opinião de CAA, só coloco algumas reservas na frase sublinhada. Os políticos que temos, só vão perceber o ponto de não retorno quando forem corridos à força do Poder. Ao contrário de CAA que ainda deposita uns restos de esperança neste modelo de Democracia e no bom senso dos políticos, eu não acredito neles. O meu prazo de tolerância esgotou-se e não foi hoje.
Os políticos que temos resultam do povo que somos: subserviente e péssimo observador. O povo que temos é tão superficial e influenciável que absorve o mesmo tipo de argumentação de quem o desgoverna e mal trata. É um povo burro, e continua alegremente a pagar uma factura muito alta por essa burrice. Habituaram-no a valorizar o fútil e a relativizar o que é importante e, o que é mais grave, sem disso parecer dar-se conta. E como é um Povo burro, vamos ter de aguentar com este, e muitos outros Cavacos ainda durante muitos anos. Mas, confesso, adorava estar enganado.
21 janeiro, 2011
A RTP / RTP N, o Movimento Pró Partido do Norte e a promiscuidade
De preferência e, se possível, deviam os críticos contrapor com alternativas às ideias de terceiros com acções práticas, caso contrário, a crítica assemelha-se a pura destruição, esvaziando-se em si mesma. Mas nem sempre é possível contrapor às criticas com alternativas concretas.
Podemos criticar Cavaco Silva, por exemplo, pela arrogância de nos querer convencer de que é o José Mourinho da política nacional, mas não podemos substituir-nos a ele, em tempo útil, para lhe explicar a dimensão e o ridículo do seu engano. Mais difícil e incompreensível, é explicar a consistência argumentativa do eleitorado que lhe alimentou a fantasia. Ratoeiras de uma Democracia pobre...
Podemos criticar Cavaco Silva, por exemplo, pela arrogância de nos querer convencer de que é o José Mourinho da política nacional, mas não podemos substituir-nos a ele, em tempo útil, para lhe explicar a dimensão e o ridículo do seu engano. Mais difícil e incompreensível, é explicar a consistência argumentativa do eleitorado que lhe alimentou a fantasia. Ratoeiras de uma Democracia pobre...
Os portugueses são imaturos, queixam-se muito entre si, mas envergonham-se de reclamar no momento e local certo. Dizem que não vale a pena, e como não vale a pena, fica logo aí justificada a tradicional tendência para o deixa andar, para o comodismo de quem não quer assumir responsabilidade de coisa nenhuma. No entanto, assim que aparece alguém com alguma iniciativa, já não hesitam em lançar para a atmosfera todo o tipo de adornos, de críticas e sugestões.
Nas últimas semanas, em curtos intervalos de tempo, pude comprovar por mim mesmo esta realidade. Em locais de atendimento público diferentes em que pessoas foram sujeitas a períodos de espera intoleráveis, sem um único pedido de desculpas ou explicações [CTT's e TVCabo] não houve ninguém, excepto eu próprio, que se dispusesse a reclamar. Contudo, vi-as bem a murmurar entre si, visivelmente incomodadas, mas incapazes de se dirigirem ao responsável da empresa para apresentar o seu protesto.
Nas últimas semanas, em curtos intervalos de tempo, pude comprovar por mim mesmo esta realidade. Em locais de atendimento público diferentes em que pessoas foram sujeitas a períodos de espera intoleráveis, sem um único pedido de desculpas ou explicações [CTT's e TVCabo] não houve ninguém, excepto eu próprio, que se dispusesse a reclamar. Contudo, vi-as bem a murmurar entre si, visivelmente incomodadas, mas incapazes de se dirigirem ao responsável da empresa para apresentar o seu protesto.
A vida, não é só preto nem branco, mas também não é o colorido que um belo dia de sol faz parecer. Às vezes é mesmo preciso impor a nós mesmo uns tons mais neutros e austeros... É neste último patamar que prefiro colocar-me sempre que a confusão se me instala no espírito. Explico.
Foi aberta online anteontem uma Petição Contra a Discriminação ao FCPorto pela RTP e exigida a demissão dos Directores de Informação. Um desses responsáveis, o Director Adjunto da RTP N [Dinis Sottomayor] compareceu o fim de semana passado no debate promovido pelo Movimento P.Partido Norte onde se discutiu precisamente "O Norte e a Comunicação Social. Como não pude comparecer, não sei do que falou este jornalista sobre o assunto, mas gostava era de saber se alguém se lembrou de lhe perguntar se existe, ou não, censura na RTP, se os jornalistas são livres, ou não, para escolher os temas e as linhas editoriais, e se sim, porque não debatem mais a Regionalização. E, por último, por que é que a RTP é tão leviana e sectária com o Futebol Clube do Porto.
Seria de toda a conveniência que essas dúvidas se desfizessem, e que o senhor jornalista explicasse o que o impede de falar na RTP N sobre temáticas que aparentemente lhe interessam, caso contrário, a ambiguidade acabará por se instalar no seio do próprio Movimento, o que não é nada recomendável...
Aqui, não há lugar para cores difusas, só há mesmo o preto ou o branco. Porque, se a pretexto de termos uma família para criar, o nosso patrão nos ordenar para matarmos alguém, nós, pura e simplesmente só temos é de lhe desobedecer. E... denunciá-lo!
Valerá a pena lembrar, a quem porventura já se tenha esquecido, não há uma só maneira de matar. Por vezes, as formas menos literais, são as que mais danos colaterais provocam.
Nota:
Não se esqueça se subscrever a Petição linkada em cima, à direita. Passe a palavra aos seus amigos e não diga que não vale a pena, mesmo que tenha razão. Quantos mais formos, mais respeito imporemos. Afinal, onde está o seu portismo?
Aqui, não há lugar para cores difusas, só há mesmo o preto ou o branco. Porque, se a pretexto de termos uma família para criar, o nosso patrão nos ordenar para matarmos alguém, nós, pura e simplesmente só temos é de lhe desobedecer. E... denunciá-lo!
Valerá a pena lembrar, a quem porventura já se tenha esquecido, não há uma só maneira de matar. Por vezes, as formas menos literais, são as que mais danos colaterais provocam.
Nota:
Não se esqueça se subscrever a Petição linkada em cima, à direita. Passe a palavra aos seus amigos e não diga que não vale a pena, mesmo que tenha razão. Quantos mais formos, mais respeito imporemos. Afinal, onde está o seu portismo?
20 janeiro, 2011
19 janeiro, 2011
Petição pública Contra a discriminação ao Futebol Clube do Porto e pela demissão dos Directores da RTP
A partir deste momento está online uma petição remetida à Assembleia da República com o nome: «Contra a Discriminação ao Futebol Clube do Porto e pela Demissão dos Directores de Informação da RTP e RTP N», com a seguinte declaração:
Os signatários
Nota do RoP
Esta petição está alojada em: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5635
Vamos lá a assinar!
Considerando o acentuado descontentamento de uma expressiva parte da população portuguesa, de Norte a Sul do país, simpatizante, adepta e sócia do Futebol Clube do Porto, com a forma sectária e desrespeitadora como a RTP tem vindo a eleger e a promover a programação e informação desportiva, tentando denegrir e desvalorizar, directa ou indirectamente, não só a sua imagem de cidadãos, como a imagem do próprio clube, vêm os signatários apresentar junto da Assembleia da República esta petição no sentido de pedir a demissão imediata do seu Director de Informação, José Alberto Carvalho, bem como da estrutura directiva da RTPN, José Alberto Lemos [Director], Carlos Daniel e Dinis Sottomayor [Directores Adjuntos].
A pertinência desta petição é tanto mais oportuna quanto profunda e incontrolável é a revolta da população de uma região do país também face a factores de discriminação política, económica e social a que tem sido submetida pelo governo central.
Sendo os colaboradores da Rádio Televisão Portuguesa, funcionários do Estado, como tal, obrigados a uma isenção acrescida em relação aos media privados, é legítimo que os adeptos do FCPorto de todo o país, cujos impostos contribuem para lhes pagar os vencimentos, exijam para as Direcções dos canais públicos gente da sua confiança e não se revejam na actual.
Como tal, exigem a imediata demissão dos directores supra-citados e a respectiva substituição por gente competente e com uma noção profunda e rigorosa do que é um verdadeiro serviço público.
Respeitosamente,
Os signatários
Nota do RoP
Esta petição está alojada em: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5635
Vamos lá a assinar!
18 janeiro, 2011
Negócio da vivenda de Cavaco envolve empresa do grupo SLN
A aquisição da vivenda que Cavaco Silva detém na Aldeia da Coelha, em Albufeira, resultou de uma permuta, efectuada em 17 de Fevereiro de 1999, com a Constralmada - Sociedade de Construções, de cujo capital fazia parte a Opi 92, de Fernando
Fantasia, empresa que, pelo menos desde 2004, integrou o universo da Sociedade Lusa de Negócios, detentora do Banco Português de Negócios até à nacionalização.
Fica assim desvendada uma parte do negócio tornado público pela revista "Visão" na edição da semana passada. Na ocasião, o presidente da República, de novo candidato ao cargo, não quis prestar esclarecimentos sobre ele. Fonte oficial afirmou apenas que Cavaco não se recordava da data ou do local onde fora feita a escritura.
O conjunto de documentos a que o JN teve acesso também não permite perceber o que cedeu, em troca da vivenda, cuja área total é de 1891 metros quadrados, de acordo com a documentação depositada na Conservatória do Registo Predial de Albufeira. O actual valor patrimonial da vivenda, determinado em 2009, é de 199,469,69 euros, de acordo com a caderneta predial urbana.
Estas ligações, para serviços externos ao Jornal de Notícias, permitem guardar, organizar, partilhar e recomendar a outros leitores os seus conteúdos favoritos do JN(textos, fotos e vídeos). São serviços gratuitos mas exigem registo do utilizador.
RoP:
Negócios sem sombra de pecado... Quero copiar o senhor Presidente.
Atenção, apostadores!
Estatísticamente, é mais difícil acertar no Euromilhões [5 números + 2 estrelas = 7], do que no Totoloto ou no Loto 2 [6 números]. Ora, o que tem acontecido nos últimos tempos é quase uma negação a esta lógica. Apesar de haver mais pessoas a jogarem no Euromilhões, a verdade é que nunca como agora se assistiu a períodos tão longos sem haver totalistas no Totoloto e no Loto 2.
Enquanto o Euromilhões alterna [com variantes] 2 a 3 concursos sem totalistas, actualmente o Loto 2 e o Totoloto regista os seguintes resultados:
Totoloto:
7 Concursos seguidos sem totalistas
49/2010, 50/2010, 51/2010, 52/2010, 01/2011, 02/2011, 03/2011
Loto 2:
10 Concursos seguidos sem totalistas
46/2010, 47/2010, 48/2010, 49/2010, 50/2010, 51/2010, 52/2010, 01/2011, 02/2011, 03/2011
Quem quiser confirmar pode clicar aqui.
A violência de que não se fala
Bartoon [jornal Público]
O que se passa, é que, não é Cavaco quem tem o GPS avariado, são os eleitores que na sua grande maioria nem sequer imaginam para que serve um GPS. Cavaco, e os seus apoiantes, do tipo Paulo Portas & Companhia, sabem disso, e não precisam portanto de nenhum mecanismo orientador. Basta-lhes um simulador. Cavaco é o grande simulador da estabilidade democrática. Não é melhor nem pior do que Sócrates, diverge apenas no estilo. Um povo comodista e despolitizado como é o português, tanto serve à Ditadura como à falsa Democracia, como aos paraquedistas da política. Só não serve para si próprio, porque é burro e subserviente.
Se amanhã acontecer uma ruptura brusca com o status quo vigente e a violência começar a fazer sentir-se pelas ruas [como na Grécia e na Tunísia], por certo logo surgirão a público as vozes moralistas do costume, essas mesmas vozes que agora se limitam a lançar uns pacíficos sussurros de indignação contra a violência que o Governo continua a inflingir ao Norte.
Carlos Lage, presidente da CCDR-N, pode até ser uma excelente pessoa, mas pouco mais faz do que o povo, limita-se a lamuriar-se. Como querem então regimentar gente para a participação da cidadania se um militante político do mesmo partido do Governo nem sequer consegue convencê-lo a corrigir flagrantes erros de percurso? Se o célebre efeito difusor se resume a roubar o resto do país para engordar Lisboa, metam-no num sítio que eu cá sei e vão-se enforcar com ele.
17 janeiro, 2011
Regionalistas tímidos ou simplesmente medrosos?
No sábado passado realizou-se uma Mesa Redonda na Associação de Jornalistas, com a participação de elementos do Movimento Pró Partido do Norte e de alguns jornalistas da região . O tema em debate foi: "A Comunicação Social eo Norte", como aqui foi anunciado.
Tema interessantíssimo [pelo menos para mim] ao qual, só motivos de força maior me impediram de assistir. Sou de opinião, e já o manifestei neste espaço em várias ocasiões, que uma das principais causas da perda de protagonismo a Norte, foi a perda de autonomia mediática e a inexistência de um canal de Televisão capaz de concorrer com os vários que há em Lisboa. É consensual para os nortenhos - embora enganadoramento pacífico -, que nem o Jornal de Notícias, nem o jornal Público, gozam de verdadeira autonomia editorial, apesar de ambos terem sede no Porto.
Neste contexto, fico perplexo que ainda haja a Norte quem tenha preocupações com [pre]conceitos portocentristas e simultaneamente defenda [com razão], que a Liberdade não se dá, mas que se conquista. Manter estas "preocupações" é como pretender lutar com os mesmos argumentos que nos matam. O "portocentrismo" foi sempre uma arma de arremesso dissuasora usada pelos anti-regionalistas, por isso duvido sempre de quem o faz também agora. Como pode haver portocentrismo numa cidade que nunca teve poder político e agora até nem o poder económico tem? Os Belmiros e os Amorins podem ser do Norte mas se há coisa que não têm feito nestes últimos anos é investir preferencialmente na região. Bem pelo contrário, fazem tudo para não contrariar o Governo ou correrem o risco de comprometer a boa "fluidez" dos seus negócios! Por isso se instalam em Lisboa. No tempo do fascismo o Porto teve aqui instaladas as sedes de grandes bancos mas também os executivos, agora as sedes só constam dos registos notariais por mero formalismo pseudo descentralizador. Portanto, de que portocentrismo nos falam? Onde é que está o bicho? Eu, só consigo encontrá-lo em Lisboa, e bem vivo. Por sinal, chama-se centralismo.
Aplaudo a iniciativa destas reuniões, mas continuo muito intrigado com o silêncio a que se remetem nos jornais onde trabalham alguns dos jornalistas que estiveram presentes. Tanto o Público como o JN, continuam a abordar o tema da Regionalização com demasiada parcimónia, o que reforça a ideia de algum condicionamento [ou censura?] da liberdade de opinião dos jornalistas em relação aos patrões... Se eles, que têm a faca e o queijo na mão, não o fazem, quem poderá fazê-lo?
16 janeiro, 2011
Assim, não vamos lá!
Pedro Baptista desvaloriza demissão
[In JN]
O líder do Movimento Pró Partido do Norte [MPN], Pedro Baptista, desvalorizou ontem a demissão do co-fundador da estrutura Francisco de Sousa Fialho.
Para Sousa Fialho, "persistir em dinâmicas aparelhísticas, em golpadas propagandísticas, em manipulações de opinião, em cultos de personalidade ou carícias de vaidades mal tratadas não é apenas um desperdício de energias, mas sobretudo uma fraude e uma traição imperdoáveis".
À Lusa, Pedro Baptista afirmou que se trata de alguém que "não tem a mínima noção do que é este movimento, esteve sempre fora, nunca participou em nada".
******************************************************************************
Nota do RoP:
Será que estas declarações exprimem uma simples zanga de comadres ou são influência da venda de peixe da campanha para as presidenciais?
Estamos fritos...
[In JN]
O líder do Movimento Pró Partido do Norte [MPN], Pedro Baptista, desvalorizou ontem a demissão do co-fundador da estrutura Francisco de Sousa Fialho.
Para Sousa Fialho, "persistir em dinâmicas aparelhísticas, em golpadas propagandísticas, em manipulações de opinião, em cultos de personalidade ou carícias de vaidades mal tratadas não é apenas um desperdício de energias, mas sobretudo uma fraude e uma traição imperdoáveis".
À Lusa, Pedro Baptista afirmou que se trata de alguém que "não tem a mínima noção do que é este movimento, esteve sempre fora, nunca participou em nada".
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Nota do RoP:
Será que estas declarações exprimem uma simples zanga de comadres ou são influência da venda de peixe da campanha para as presidenciais?
Estamos fritos...
14 janeiro, 2011
Parque Internacional da Gorongoza / Moçambique
Andei por aqui, em 1970/71, não propriamente a fazer turismo...
13 janeiro, 2011
A falsa boa educação
Amiúde, tenho-me interrogado e até já partilhado com amigos, que ideia de boa educação terão aquele tipo de pessoas que são incapazes de se indignar, de dar um valente murro na mesa, quando, publicamente, outra pessoa, deliberada e sistematicamente, ofende alguém ou alguma coisa que muito estimam. Quero-me referir concretamente a alguns representantes do F.C. do Porto em determinados programas desportivos, onde são constantemente submetidos a um autêntico massacre de insinuações caluniosas e suspeitas pela parte dos seus adversários, com a cumplicidade de moderadores sem personalidade e sentido de isenção.
Insultar desbragadamente alguém só porque fez algo de errado [no transito por ex.], ou pronunciar asneiras ordinárias ao fim de cada palavra, são hábitos de óbvia má educação, agora, estarmos publicamente perante alguém que está apostado em corroer a nossa imagem ou a do nosso clube, usando dos truques mais abjectos para defender o seu, é uma coisa muito diferente que devia merecer uma respopsta à altura e o maior repúdio, além de um contraditório de circunstância!
Não tenho pois qualquer pejo em afirmar aqui que José Pedro Vasconcelos é dos comentadores desportivos mais repugnantes que alguma vez pude observar. É repugnante, porque recorre por sistema à manipulação dos dados para inverter a verdade e lançar para cima do F. Clube do Porto o anátema de tudo o que é ilegal no futebol português. Infelizmente, este homenzeco não está só nesta miserável empreitada, tem com ele além da comunidade benfiquista, quase toda a comunicação social, o que em si mesmo, traduz o baixíssimo nível de democraticidade do país. Ninguém, incluindo o Governo e a classe política sai inocente desta pouca vergonha, todos padecem do mesmo mal.
Só gostava, era de saber o que é que leva o Miguel Guedes a deixar-se intimidar pelas permanentes interrupções e distorções do seu "colega" de painel. A verdade, é que o cineasta falido quase não o deixa falar, aliás - como já fazia com Rui Moreira -, fazendo quebrar pela metade as suas respostas, tornando-as praticamente inaudíveis e, consequentemente, inócuas. É uma estratégia antiga, mas que com a colaboração do subserviente moderador, vai resultando. O Manuel Serrão não é malcriado, e no entanto, sabe impor-se pelo humor e a inteligência de argumentação, e quando é preciso, quando tentam impedí-lo de falar, sabe levantar a voz. É preciso ter consciência que nem todos os participantes são gente civilizada e perceber que alguns [como é o caso do impostor benfiquista] só interrompidos à força é que se dignam deixar falar os outros.
Aqueles programas não foram feitos para gente politicamente correcta, foram feitos premeditadamente para denegrir o Futebol Clube do Porto. Como tal, os portistas que tiverem a coragem de e-x-i-g-i-r o estricto respeito pelas regras do jogo, antes do contrato e durante os programas, têm o dever de se irem embora quando e sempre que essas regras forem violadas. A boa educação deve traduzir-se também nalgum desprendimento pelo cachet recebido, quanto mais não seja para marcar uma posição à luz da qual se dará a entender que não será sob a sua influência que estaremos disponíveis para prostituir a nossa capacidade de indignação.
Eu, muito educadamente, já teria abandonado o Trio de Ataque, não sem antes projectar a acidez do meu cuspo nas fuças do cineasta, mesmo correndo o risco de ter o Portugal profundo todo contra mim. As multidões fartam-se de opinar de olhos trocados, e em Portugal a existência de Cavaco é a prova suprema dessa realidade.
12 janeiro, 2011
As promessas da ruína
Sou tão português como os portuguêses que nos "governam", mas não deixo por isso de me sentir envergonhado, quase vexado com a lixeira social que eles fizeram do país. Em Portugal, dá-se mais importância ao canudo do que àquilo que se é capaz de fazer com ele. Apesar disso, havendo muitos licenciados broncos e ignorantes, no grupo dos quais abundam os políticos, continuamos a entediar de tanto ouvirmos os governantes a exigir da população mais e mais formação, sem nada ter para lhe entregar em troca. Os governantes em Portugal existem para dar conselhos. Ponto.
Aos jovens pais, recomendaria pois esta palestra a fim de assegurar o futuro dos filhotes: forma-te, em 3 ou 4 áreas técnicas e académicas e terás garantida fortuna para o teu ego. Só. Emprego, já não te prometo! Se pretendes ser recompensado em bom dinheiro, então dedica-te à política. Se não for dentro, será através dela que atalharás caminho para a cadeira suprema de um qualquer Banco, ou de uma Mota Engil. Sobretudo, se não tiveres fortuna própria...Muitos já o conseguiram.
É um mistério para mim, como em tantos anos de práticas governativas mentirosas e incompetentes, alguns portugueses conseguem ainda ter margem de manobra para acreditar nas promessas políticas. Pessoalmente, quando leio qualquer "boa" notícia fico sempre de pé atrás. Digámos que, regra geral, a percentagem de alegrias é substancialmente dominada pela das decepções. Essa regra, não se aplicou à Casa da Música, ao Estádio do Dragão, nem ao Metro do Porto [agora com o serviço a piorar a olhos vistos], nem ao Aeroporto, nem ao Parque da Cidade, mas aplicou-se principalmente às obras urbanas de reabilitação, que deviam merecer toda a prioridade.
O Shopping Grand Plazza, que antes de construído garantiam tonar-se num must para o Porto, está às moscas. O cinema Batalha que deixou de o ser para se tornar em algo híbrido, acaba de fechar. O Edifício Trindade Domus [a Pedreira] está praticamente disfuncional sobrevivendo apenas à custa do supermercado Froiz, apesar da falsa promessa [mais uma] de ali vir a implantar-se uma 2ª.Loja do Cidadão. O Rivoli, está à deriva, depois do La Féria ter percebido que o filão do Porto se esgotou com a desertificação da cidade e o desemprego. O Teatro S. João, agora também está sob a cobiça centralista, correndo o risco de se degradar. Os mercados do Bolhão e do Bom Sucesso, não atam nem destam. O que é que se passa no Porto?
O Shopping Grand Plazza, que antes de construído garantiam tonar-se num must para o Porto, está às moscas. O cinema Batalha que deixou de o ser para se tornar em algo híbrido, acaba de fechar. O Edifício Trindade Domus [a Pedreira] está praticamente disfuncional sobrevivendo apenas à custa do supermercado Froiz, apesar da falsa promessa [mais uma] de ali vir a implantar-se uma 2ª.Loja do Cidadão. O Rivoli, está à deriva, depois do La Féria ter percebido que o filão do Porto se esgotou com a desertificação da cidade e o desemprego. O Teatro S. João, agora também está sob a cobiça centralista, correndo o risco de se degradar. Os mercados do Bolhão e do Bom Sucesso, não atam nem destam. O que é que se passa no Porto?
A mistura do Centralismo [do Governo] com o Imobilismo [da Câmara do Porto] nem sequer é explosiva, porque se o fosse, pelo menos teríamos a esperança de reconstruir o Porto com novos protagonistas, é antes implosiva, o que contribui para a aceleração da sua ruína.
Há muito anos que mantenho a ideia fixa de que à cidade do Porto falta preencher de residentes o buraco que o transformou no donut gigantesco de hoje, antes de Shoppings e de Grandes Hoteis. Uma cidade sem gente é uma cidade morta, e ninguém - nem os turistas - gosta de visitar cidades sem vida natural, mesmo que maquilhadas de movidas de fim de semana.
A reabilitação urbana tem de ser a prioridade das prioridades e deve ser levada a cabo sem mais perdas de tempo. Os valores do arrendamento têm de ser equilibrados e atractivos, sob pena de se abortar o melhor dos projectos de reabilitação. Só seguindo esse rumo se poderá evitar que os hotéis e o comércio em geral percam clientela.
O Porto está a tornar-se uma cidade deprimente. Por favor, salvem-no.
A reabilitação urbana tem de ser a prioridade das prioridades e deve ser levada a cabo sem mais perdas de tempo. Os valores do arrendamento têm de ser equilibrados e atractivos, sob pena de se abortar o melhor dos projectos de reabilitação. Só seguindo esse rumo se poderá evitar que os hotéis e o comércio em geral percam clientela.
O Porto está a tornar-se uma cidade deprimente. Por favor, salvem-no.
11 janeiro, 2011
Embuste nacional
10 janeiro, 2011
A culpa é nossa
Lá fora, ninguém acredita que Portugal consiga sair sozinho do buraco em que se meteu. Os responsáveis políticos e financeiros dos países mais representativos da Europa deixaram de fingir confiar num Governo cujas demonstrações de incompetência já constituem um exemplo universal e escolar daquilo que não deve fazer perante uma crise: negá-la, jurar a todos os ventos que esta não chegaria aqui, adiar os remédios óbvios, proclamar austeridade para todos mas negociar excepções para os interesses da corte, desmotivar as pessoas de cumprirem um fim que deveria ser comum, actuar sempre tarde e a más horas e persistir em não alterar a lógica perniciosa que nos conduziu à actual desgraça. Até a Espanha, igualmente assolada pela mediocridade governativa, já não esconde o mal-estar com a fortíssima possibilidade de se afundar por "efeito português". A presente descrença no nosso país é muito mais do que a clássica e desgastada lenda infantil que descreve os "mercados" como entidades tenebrosas e sinistras, supostamente ao serviço de interesses inconfessáveis e que, por pura crueldade, intentariam devorar os inocentes países apanhados de supetão pela ganância internacional - só os excessivamente incautos é que ainda admitirão esta versão cor-de-rosa da crise em que estamos e onde permaneceremos.
Portugal está assim por culpa nossa. Ninguém acredita em nós porque não o merecemos. Somos um país toxicodependente da despesa pública e ameigado à tradição do mau Governo, que está sempre a prometer corrigir os erros mas que constantemente neles volta a recair. Perante o resto do Mundo civilizado, somos como aquele parente ou amigo (quem não os tem?) que insiste em ensaiar historietas e desculpas esfrangalhadas para que sustentemos os seus vícios, nos quais, claro, querem permanecer, e que estão sempre a culpar os outros pelas falhas que são essencialmente suas. Somos um país que, há muito, consente ser dirigido por gente desprovida de rudimentos de qualidade, que social e culturalmente desdenha o mérito, e que se converteu numa arena imensamente fértil para os trapaceiros vivificarem e ditarem as suas regras levianas.
Só conseguiremos iniciar a saída da fossa financeira, política e ética em que estamos quando interiorizarmos que não chegamos até aqui por obra dos "mercados", de Merkel, de Sarkozy, de Jean-Claude Trichet ou dos financeiros norte-americanos, ingleses, japoneses ou da República de Nauru! Não foram os ministros alemães que tomaram as decisões ruinosas que agora nos empobrecem. Nem os políticos franceses que nos forçaram a erigir auto-estradas de forma compulsiva e onerosamente inútil (recordemos que, não há muito tempo, o Governo Sócrates ainda acalentava o projecto de construir uma terceira auto-estrada entre Lisboa e Porto). Não foi o BCE que andou a agigantar a nossa Administração até aos presentes níveis de irracionalidade, nem os norte-americanos que nos impuseram a sandice de sobrepormos o mesmo fim público em várias entidades idênticas para as quais inventámos nomes diferentes e, irresponsavelmente, atulhámos com o dinheiro dos contribuintes.
Quando Portugal passar a ser governado de facto por entidades estrangeiras - última esperança de não nos tornarmos num lugar com carências de Terceiro Mundo -, ou seja, após a entrada do Fundo Europeu de Estabilidade (FEE) e do FMI, seria bom que não desconversássemos, arte em que somos peritos, e que assumíssemos de uma vez que se trata de um resultado que a nossa ineptidão como país prenuncia e apronta há muito tempo. E que os culpados têm rostos e têm nomes: são todos os presidentes da República, todos os primeiros-ministros, os ministros e os demais titulares de cargos políticos que tiveram altas responsabilidades de decisão nos últimos 25 anos e que tão mal agiram por acção ou por omissão. Quem nos condenou aos tempos difíceis que estão iminentes foram os políticos que nos desgovernaram. E nós, que os escolhemos e que reincidimos nessas trágicas opções por diversas vezes, mesmo depois de a incompetência de quem nos tem dirigido ter sido comprovada até ao ponto de não retorno.
Carlos Abreu Amorim
[Fonte: JN]
07 janeiro, 2011
E agora, de quem é a culpa?
Do currículo de Rui Rio e segundo os seus acólitos, um rigoroso gestor, mais dado a factos que a espalhafatos, não faltam malogros e promessas por cumprir. A manifesta ausência de um projecto para cidade resumiria em poucas palavras a dimensão liliputiana do autarca do Porto. No entanto, por uma questão de objectividade, será sempre bom lembrar aos eleitores algumas das obras e problemas que ao fim de dois mandatos ainda estão por resolver.
A saber:
- Falta de projectos para o Parque da Cidade
- Impasse no projecto do centro de Congressos e requalificação do Pavilhão Rosa Mota
- Trabalho avulso e pouco estruturado de Reabilitação Urbana
- Obras do Mercado do Bolhão sem princípio à vista
- Indefinição sobre o Mercado de Bom Sucesso
- Fim e desvio das Corridas de Aviões Red Bull para Lisboa
- Abandono do Rivoli depois de o confiar às mãos do lisboeta La Féria
- Perda acentuada da população do centro do Porto [inferior à do princípio do século XX].
Mas, a menina dos olhos de Rui Rio, que tanto protagonismo [e votos] lhe deu, todo o ruído em torno do Plano de Pormenor das Antas, ao qual a anterior Presidente da Associação de Comerciantes oportunisticamente se colou, dando origem ao gabinete Comércio Vivo para justificar os 5 milhões de euros que recebeu do Grupo Amorim como compensação ao pequeno comércio pela construção do Dolce Vita, está agora a despir a verdadeira face de tão grande polémica!
Afinal de contas, a Comércio Vivo, responsável pela gestão do cinema Batalha, agora já não pode queixar-se da influência "nefasta" do Shopping nem da falta de dinheiro [porque já o recebeu], para justificar o encerramento do histórico cinema portuense.
Não tarda, vão dizer que a culpa é do Estádio do Dragão... Será, Dr. Rui Rio? Pense nisso.
Afinal de contas, a Comércio Vivo, responsável pela gestão do cinema Batalha, agora já não pode queixar-se da influência "nefasta" do Shopping nem da falta de dinheiro [porque já o recebeu], para justificar o encerramento do histórico cinema portuense.
Não tarda, vão dizer que a culpa é do Estádio do Dragão... Será, Dr. Rui Rio? Pense nisso.
05 janeiro, 2011
Para refrescar memórias
A INAUGURAÇÃO DA SEDE DO PARTIDO DO NORTE JÁ FOI HÁ ALGUMAS SEMANAS, MAS NUNCA É DEMAIS LEMBRAR OS NORTENHOS QUE, APESAR DE TUDO, PODE ESTAR AQUI A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL, DO NOSSO DESCONTENTAMENTO.
Seriedade à moda de Cavaco Silva
[por CARLOS ABREU AMORIM, in DN] 1. Num dos debates televisivos da pré-campanha, Cavaco Silva, com a modéstia que habitualmente lhe é reconhecida quando se avalia a si mesmo, garantiu aos portugueses que "para serem mais honestos do que eu, têm que nascer duas vezes". A frase é sintomaticamente interessante - revela-nos o quanto Cavaco Silva se deleita com as qualidades que imagina exclusivamente suas, e, especialmente, levanta o véu a um dos maiores equívocos da portugalidade: o conceito de honestidade.
A ideia de verdade e de honestidade separa diametralmente as culturas do Norte e do Sul na Europa e nas Américas. Os significados variam consoante os pontos cardeais, acabando a geografia por reflectir concepções completamente distintas. A ética prevalecente nos países de tradição cultural católica fez medrar a noção de mentira piedosa exaltando o carácter instrumental e compromissório da verdade quando em risco de aparente colisão com um fim que se julga principal - donde, faltar à verdade, consoante as circunstâncias, pode ser permitido, aconselhável e, demasiadas vezes, louvável.
De forma transversal na sociedade portuguesa, a verdade, qualquer uma, converteu-se numa impressão plástica, moldável, quase sempre condescendente. Talvez exista, mas não conheço, qualquer outro lugar onde subsista um antigo ditado popular que sentencie o infeliz que ensaie cingir-se à exactidão dos factos deste modo tão emblemático: "Dizer a verdade como os malucos". Em Portugal, falar verdade sem rebuço constitui um acto de irrecuperável falta de etiqueta apenas tolerada aos incapacitados ou às crianças (muito) pequenas.
2. A paredes-meias com a verdade está a honestidade. Cavaco jura, em voz muito alta, que é honesto, mais do que qualquer outro. Acontece que a honestidade dos homens públicos é muito ardilosa, entre nós.
Para um político, o seu paradigma sempre clamado ainda é Salazar. O ditador viveu sobriamente, embora dominasse o País com mão de ferro. Nem os seus inimigos mais jurados alguma vez sugeriram que Salazar tivesse adquirido bens de modo ilícito. No entanto, permitiu que um banqueiro mobilasse para sempre o palácio onde a rainha da Inglaterra iria pernoitar. E, à sua volta, admitiu um rodopio de tráfico de influências, favorecimentos e o condicionamento industrial que enriqueceu alguns, os seus amigos, em detrimento do País. Salazar, ele mesmo, não o fazia mas era culpado: fingia não saber aquilo que os outros compunham em seu nome.
Cavaco, provavelmente sem o suspeitar, trata a honestidade como o tirano beirão: ele próprio não lucrou com a vigarice do BPN nem com os inúmeros desmandos que tantos dos seus protegidos têm perpetrado mas é impossível que não percebesse o que acontecia em seu redor e nem sequer deduzisse o calibre da corja que transportou consigo para os lugares mais decisivos do poder. Só que nunca se incomodou: centrado em si, julga que nada daquilo que excede a sua conduta pessoal lhe pode ser assacado, mesmo politicamente. Assim, fecha os olhos ao resto. Nisso, afinal, é excessivamente igual a todos nós...
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Nota de RoP: Mais populismo?...
Populismo
A 5ª. edição [de 1948] do prestigiado dicionário Augusto Moreno ainda não constava do termo populismo. Deste substantivo, agora muito em voga, o mais próximo que encontrámos são os adjectivos popular e populista cujo significado é praticamente o mesmo e traduzem algo ou alguém que é amigo do Povo. Nas enciclopédias ou dicionários mais modernos é fácil encontrarmos tradução para populismo. No Wikicionário, por exemplo, diz o seguinte: estilo de fazer política, que consiste no uso de promessas demagogas, insuflações regionalistas, e atribuição de rótulos aos adversários eleitorais, com vistas a criar um clima de messianismo e segregacionismo político, de modo a beneficiar o seu praticante.
A questão que me sugere levantar e que devia obrigar certas pessoas - como políticos e empresários - , a reformular as suas intervenções públicas antes de aplicarem tão estafada palavra, é saber se alguém em consciência se pode dar à honra suprema de afirmar que nunca usou de argumentação populista para atingir os seus objectivos. Além de que, para o mesmo efeito, e salvo melhor explicação, seria talvez mais simples e eficaz falar apenas de falsidade, ou de hipocrisia.
Se quisermos registar as declarações dos políticos, antes e depois de serem Governo, depressa concluiremos pelas gritantes contradições que não há gente mais falsa e oportunista do que eles próprios. Diria mesmo que a expressão populismo terá sido criada à medida das suas tradicionais tendências, onde o cumprimento das promessas é o último dos desígnios a atingir. A preguiça e o profundo desprezo pelo serviço público está-lhes na massa do sangue. O oportunismo, esse, é o único "combustível" que conhecem.
Podemos aqui e além discordar das ideias e decisões de terceiros, mas não podemos por isso partir do princípio que nunca iremos um dia concordar com eles. Quando o Bastonário da Ordem dos Advogados afirma que [cito] "não há nenhum partido político verdadeiramente interessado no combate à corrupção" e diz que "o financiamento dos partidos é uma das principais causas de corrupção em Portugal", alguém de bom senso e sem rabos de palha será capaz de dizer que ele está a ser populista? Quando o polémico e pouco convincente candidato presidencial José Manuel Coelho declara que "o povo está farto dos partidos que só metem no Poder senhores engravatados que roubam o erário público", estará a falar de uma abstracção, de algo distante da realidade? Será populista? E que dizer de Paulo Morais, que denuncia como iníqua e suja a nova legislação para o financiamento das campanhas eleitorais? Teremos de discordar dele só para não parecermos populistas?
Até prova em contrário, continuo convencido que o maior defeito do regime Democrático, é a incapacidade para se aperfeiçoar em termos selectivos, tanto na escôlha como no controle de quem exerce o Poder. Temos um Governo constituído por gente incompetente e desonesta, e no entanto, esta infantil Democracia obriga-nos a mantê-los no Poder e, pior do que isso, a continuar a assistir impotentes à destruição económica e social do país, e da própria integridade territorial.
03 janeiro, 2011
Grande entrevista de Pedro Baptista a jornal da Galiza
Novas da Galiza - Pode falar-nos um pouco dos seus antecedentes em termos políticos? Sei que o seu percurso começou durante o fascismo.
Pedro Baptista – Aos sessenta e alguns anos é a segunda vez que estou metido no projeto de criação de um partido. Na primeira vez tinha 21 anos. E às vezes dou por mim a fazer comparações entre uma coisa e a outra. As comparações não as faço muito em torno de mim mas em torno do mundo que me rodeia. E de facto são mundos diferentes.
NGZ - E qual foi esse primeiro primeiro partido?
PB – Foi o Grito do Povo, um jornal-movimento que deu origem à OCMLP, que era uma organização comunista, como eram todas, com uma orientação maoísta, como eram quase todas, que ultrapassou e abafou um pouco o PC, como também todas, no fim dos anos 60. E essa foi a minha primeira experiência política organizada, como um dos fundadores desse movimento.
NGZ - E esse segundo momento?
PB – Não tem nada a ver. Num caso e noutro, resulta de uma indignação pessoal e de sentir a nível social essa mesma indignação. Neste caso eu era militante do PS, na oposição já há muito tempo, principalmente neste período do [Governo de] Sócrates, nos últimos anos, estava completamente na oposição interna. Fui verificando a impossibilidade de fazer qualquer alteração interna dentro do PS, as coisas estavam montadas em termos de um aparelho e de uma oligarquia, que corresponde no fundo à oligarquia financeiro-política que domina o país. Senti na sociedade e várias pessoas falaram comigo no sentido de se avançar com uma iniciativa como esta. Se quer que lhe conte a estória específica, isto surgiu de uma conversa num canal de televisão daqui do Norte, num debate, em que eu, que sou que sou um homem de esquerda, convergi com alguém vindo da direita, dos setores conservadores, como é o Anacoreta Correia. Concordámos que havia uma situação que implicava a criação de uma força autónoma, aqui no Norte, para defender os interesse da Região. Este é o ponto essencial de tudo, uma vez que isto não se tratava de nenhum processo de desenvolvimento, tratava-se simplesmente de uma situação dramática que era a decadência, em particular dos últimos dez anos, em que o Norte foi a única região do país a regredir em todos os indicadores: económicos, sociais, culturais, etc. Então colocámo-nos de acordo sobre a necessidade de criar uma força autónoma. Porquê? Porque as pessoas do Norte têm consciência social e económica de que estão a ser espoliadas pelo Governo Central. Têm também consciência de que não conhecem os deputados que elegem de sítio nenhum, que vão tratar da vidinha deles e em momento nenhum pensar nos interesses do Norte. Aqui é que está o clique da questão: temos de perceber que cada um de nós como cidadão, contribuinte e como eleitor, como participante da democracia, tem direito a um voto, e esse voto é tão precioso como numa revolução uma espingarda. E portanto cada cidadão do Norte deve perceber que tem uma arma poderosíssima, que é o seu voto, mas que não deve ir para o inimigo, deve ficar consigo, deve ir para uma força que defenda o eleitorado – esta parte de Portugal – e ao defender esta parte de Portugal defende Portugal. Porque os votos que têm sido utilizados até agora pelo Norte têm ido diretamente para os partidos que dizem que estão organizados por todo o país mas que na verdade são completamente dominados pelos diretórios nacionais, que estão sediados em Lisboa. A lista do Porto, de Braga ou de Viana ou de Vila Real ou de Bragança do PS, do PSD, do CDS ou do PCP – mesmo do Bloco de Esquerda – é tudo gente de confiança da direção nacional dos respetivos partidos – ou seja, direção de Lisboa – que lhes dá garantias que eles em momento nenhum colocarão a defesa do seu eleitorado acima da defesa da estratégia desses partidos. E qual a estratégia desses partidos, sediados em Lisboa? É a defesa dos interesses da região de Lisboa, a defesa dos interesses do centralismo, a defesa dos interesses de uma corte onde vão colocando pessoal – seja como assessores, seja como secretários de Estado – em todos os lugares da administração e da política central. O necessário é que os cidadãos façam o clique. E esse clique é organizar uma força autónoma do Norte para defender os interesses do Norte, votando em peso neles. Nesse caso tudo estremecerá e tudo mudará. Nesse caso, se os partidos que são dirigidos por Lisboa forem derrotados por um partido que é dirigido pela região que representa, então tudo mudará. É este o projeto do Partido do Norte – um projeto talvez com alguma loucura – mas em 1969, 70 e 71, quando decidimos derrubar a ditadura, também houve gente a dizer que era um projeto louco, e no entanto passados três anos a ditadura estava derrubada. E foi derrubada pelo exército porque se criou um movimento de opinião a nível popular que influenciou o próprio exército. O próprio 25 de Abril foi o resultado do trabalho de revolta e de contestação que foi criado pelas ideias. As ideias é que se transformam em factos.
NGZ – Quais os objetivos imediatos do partido? Os princípios e os objetivos misturam-se um pouco. Um dos objetivos primaciais e primordiais do Partido do Norte é criar em Portugal Autonomias Regionais. As Autonomias Regionais dos Açores e da Madeira têm sido um sucesso absoluto – para eles. Se nós tivermos Autonomias Regionais em todo o país que sejam um sucesso para essas regiões são um sucesso para o país. Nós temos de perceber que o país é um todo que é constituído por partes. Um todo não é uma coisa abstrata, uma coisa que só existe no céu – o todo existe aqui na Terra, e é constituído por partes. Ora se as partes funcionam, se as partes se desenvolvem, o todo desenvolve-se. Se as partes não se desenvolvem, o todo não se desenvolve. Nós temos como objetivo…
NGZ – Quais os objetivos imediatos do partido? Os princípios e os objetivos misturam-se um pouco. Um dos objetivos primaciais e primordiais do Partido do Norte é criar em Portugal Autonomias Regionais. As Autonomias Regionais dos Açores e da Madeira têm sido um sucesso absoluto – para eles. Se nós tivermos Autonomias Regionais em todo o país que sejam um sucesso para essas regiões são um sucesso para o país. Nós temos de perceber que o país é um todo que é constituído por partes. Um todo não é uma coisa abstrata, uma coisa que só existe no céu – o todo existe aqui na Terra, e é constituído por partes. Ora se as partes funcionam, se as partes se desenvolvem, o todo desenvolve-se. Se as partes não se desenvolvem, o todo não se desenvolve. Nós temos como objetivo…
NGZ - A regionalização, talvez?
PB - Exatamente. A criação de Autonomias Regionais, com Governos Regionais eleitos, que são necessárias para o desenvolvimento e são necessárias também no contexto de uma reforma imediata global do Estado para fazer frente à situação de défice público que resulta das políticas centralistas e do regabofe explorador em que o centralismo tem vivido de ter um aparelho de Estado a nível central absolutamente colossal, enquanto que ao nível da ligação com as populações, ao nível regional, é completamente deficitário. Isso provoca um terrível défice das Finanças Públicas e também uma grande ineficiência do aparelho de Estado. É essa a situação que se pretende inverter. Nós temos que lutar contra a cabeça do polvo para eles manterem e reforçarem as ligações do Estado às regiões e às pessoas – porque juntas de freguesias, câmaras municipais, tudo isso é Estado – e quando nós falamos de regionalização é uma regionalização para diminuir a despesa central do Estado e para diminuir o défice público. Para diminuir a despesa do Estado, para aumentar a eficiência do Estado e para aumentar o desenvolvimento económico. E nós somos contra a ideia de roubar a capacidade de investimento ao país para concentrar nos três A, os três Abortos: o Caia-Poceirão [Alta Velocidade], o Novo Aeroporto de Lisboa e a Terceira Travessia [do Tejo]. Somos contra isso. Achamos que é preciso manter o investimento, mas o investimento junto da malha produtiva, onde se criam produtos transacionáveis e onde se criam produtos de exportação. Hoje toda a gente fala disto mas nós [MPN] dissemos isto há sete meses e foi um escândalo na altura. Este é o caminho. Mas isso implica cortar com os investimentos faraónicos. Este Governo tem uma vantagem incrível – que é uma desgraça para o país – que é o apoio do PSD e do CDS ao corte nas bases do aparelho de Estado para manter os clubes de cortesãos no Terreiro do Paço, e para manter o esbulho do país (em relação ao investimento público), para a deslocação das verbas da linha Porto-Vigo, e a deslocação de todos esses investimentos para o Caia-Poceirão, Novo Aeroporto de Lisboa e Terceira Travessia tem o apoio do Bloco de Esquerda e do PCP. Chegamos à conclusão que os deputados dos cinco partidos estão completamente alienados do país. Portanto nós queremos a regionalização para que as regiões do país tenham auto-governo e voz, legal e autónoma, gastando menos dinheiro ao país. Para que o Estado sirva para ajudar as pessoas no ponto de vista social e sobretudo ajudando-as no ponto de vista económico dinamizando o tecido que existe em Portugal, de pequenas e médias empresas, dinamizando-as, seja através de incentivos, seja através das mil e uma propostas que temos plasmadas nas nossas Linhas Programáticas que temos disponíveis no nosso site, abertas à discussão pública, e mais aquelas que se seguirão no período de debate que estamos agora a abrir com a sociedade para colher novas ideias e para auscultar mais pessoas. Os objetivos da regionalização, que se misturam um pouco com os objetivos do MPN, são estes. Em relação à questão concreta de como fazer a regionalização, ela só será feita na medida em que haja um grande clamor popular na sua defesa, nomeadamente na nossa Região. Desde que haja uma grande exigência popular para que ela seja feita. Em democracia as coisas são assim. Foi assim que foi feita nos Açores e na Madeira. E na medida em que haja deputados na Assembleia da República que sejam porta-vozes desta bandeira, essencial e não aqueles que utilizam a regionalização quando estão na oposição e se esquecem quando estão no poder, como tem acontecido com o PSD e o PS. Sempre que estão na oposição agitam a bandeira da regionalização e sempre que vão para o poder colocam-na na gaveta.
NGZ – Então o objetivo primeiro será serem eleitos para a Assembleia?
PB - O objetivo imediato e primeiro será elegermos um grupo parlamentar para a Assembleia da República, porque são as próximas eleições que temos.
NGZ - A Constituição de 1976 fala da instituição de Regiões Administrativas no país. Isso foi feito na Madeira e nos Açores. Portanto, a Madeira e os Açores já tiveram a sua regionalização. O que falhou no referendo de 1998?
PB - O que falhou não foi em 98, foi logo em 76. Foram criadas as Regiões Administrativas nos Açores e na Madeira e não foram criadas no Continente. E quer que lhe diga porquê? Porque nos Açores tinham medo de uma coisa chamada FLA [Frente de Libertação dos Açores], que era um grupo separatista e na Madeira de um grupo semelhante que era a Frente de Libertação da Madeira, FLAMA. Portanto foi o aparecimento de grupos, que aliás entabularam relações com os Estados Unidos nessa altura, dizendo que se em Portugal prevalecesse a esquerda e se a bandeira vermelha do PC flutuasse sobre Lisboa, proclamariam a independência dos Açores e da Madeira, que surgiu o contexto em que Mário Soares e o Partido Socialista acederam a cumprir a Constituição. Mas como no Continente não houve a mesma reivindicação, como os líderes regionais de Portugal Continental esqueceram rapidamente o que tinham aprovado na Assembleia Constituinte para a Constituição de 76, isso não aconteceu aqui. É uma situação vergonhosa, é um escarro da nossa história jurídica e da nossa história constitucional. Porque foram anos e anos de inconstitucionalidade por omissão. Agora repara, as regiões estão lá desde 76, não é desde 98. De 76 a 98 vão 22 anos. Em 97-98 o que aconteceu foi: vamos para a frente com a regionalização. Eu, que era deputado do Partido Socialista entre 95 e 99, acho que tive algum peso nisso. Sinto-me honrado de saber o peso que tive nisso e acho que outras pessoas que hoje estão no Partido Socialista também tiveram algum peso nisso. Ao mesmo tempo outras pessoas, também do Partido Socialista, e também de outros partidos, como o PSD e o CDS, fizeram tudo para impedir essa concretização. Aliás, deixe-me voltar atrás um bocadinho, porque logo em 91 foi aprovada a Lei-Quadro da Regionalização com Cavaco Silva, que logo a seguir decidiu rasgar todo esse capítulo da Constituição. A regionalização ia ser feita em 91, havia um ministro que estava concentrado nisso, que era um homem daqui do Porto, Valente de Oliveira, e até era bom perguntar-lhe a ele o que aconteceu, porque de repente, da manhã para a noite o primeiro-ministro decidiu rasgar um capítulo inteiro da Constituição e hoje até é Presidente da República, veja lá o absurdo deste país. Isto em 91. Em 97-98 tentou-se avançar finalmente e o que é que aconteceu? Mais uma vez, houve um acordo, uma conspiração, que incluiu o estado-maior do PS e do PSD – Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres cozinharam ali uma coisa com Jorge Lacão, que hoje é ministro do Partido Socialista, veja lá como estão as coisas, no sentido de que a regionalização só se podia fazer se houvesse um referendo. Foi então introduzido um aborto na Constituição – uma Constituição que nunca foi referendada passa a ter uma parte que tem de ser referendada. E a partir daí surgiu um referendo. Convenhamos que a Lei-Quadro das Regiões Administrativas não era uma grande lei-quadro, não garantia que a regionalização não aumentasse a despesa e a verdade é que com a campanha feita contra a regionalização pela direita e a extrema-direita, onde pontificou o Paulo Portas, com apoio de muita gente do PS, são naturais os resultados que se verificaram.
NGZ – O mapa das regiões também era diferente.
PB - A questão do mapa diferente serviu de pretexto a muita gente para dizer que era contra a regionalização. Enquanto que nós temos um mapa consensualizado, que é o das cinco regiões, nessa altura foi criado um mapa muito esquisito que parecia mais ao sabor dos interesses de cada uma das personalidades influentes do que propriamente duma tradição que já tínhamos que vinha dos anos 60. Hoje, com as cinco regiões-plano parece que tudo é mais fácil. Convém não esquecer que são as regiões-plano considerados em termos europeus, consideradas aqui na nossa tradição desde os anos 60. Correspondem às NUTS II e existem depois as NUTS III, que são as sub-regiões. Às vezes em Trás-os-Montes dizem, “nós não queremos pertencer a uma única região”. Ora o Norte tem vários Nortes. É por isso que o Norte é uma NUTS II, é uma região, e depois há oito sub-regiões no Norte, e todas elas têm uma palavra e têm os seus instrumentos de influência e de poder democrático dentro da Região Norte.
NGZ - Como é que se pode ser regionalista e nortenho vendo que foi no Norte que houve mais votos contra a regionalização, em 98?
PB – A situação de 98 não tem nada a ver com a situação atual. Eu até nem sei se foi assim, na Área Metropolitana do Porto a regionalização venceu numa série de grandes concelhos, como Matosinhos, na Maia e no Porto. O que se notou é que os partidos da direita, PSD e CDS, fizeram uma campanha muito forte contra a regionalização. O PS não fez campanha nenhuma, e portanto isso teve influência na votação das pessoas, que foi uma votação mínima. Convém não esquecer que o referendo à regionalização não foi vinculativo, mais de 50% das pessoas inscritas não votaram.
NGZ – O modelo que o Movimento Partido do Norte defende é semelhante ao modelo do Estado espanhol?
PB - Sim. Nós achamos que não tem que haver homogeneidade no desenvolvimento das regiões. Ou seja, a sua dinâmica depende das próprias características económicas, sociais, culturais e políticas de cada região. E portanto achamos que só deve existir a segunda pergunta no referendo e não a primeira. Ou seja, não deve haver uma pergunta a nível nacional a perguntar se querem ou não a regionalização. A única pergunta a ser feita deverá ser: “quer ou não quer a sua Região? Só a segunda pergunta tem algum sentido. Ainda bem que o PSD apareceu com a proposta das regiões-piloto, porque isso permite justificar este ponto de vista. Pode haver uma região que não queira [a regionalização], e se não quiser não tem, mas passado um ano ou dois já a vai querer. Não há ninguém no mundo que diga mal da regionalização.
NGZ - Depois de a ter.
PB - Depois de a ter. Não há nenhum país do mundo, muito menos da Europa que diga mal da regionalização. Ora estávamos a falar do modelo que ocorreu em Espanha. A Galiza tem uma dinâmica, a Euskádia tem outra dinâmica, a Catalunha tem outra dinâmica, e em qualquer delas foram criados graus de autonomia diferentes, como aqui com os Açores e a Madeira, isso dependendo das dinâmicas regionais. Mas para que isso exista é preciso uma dinâmica política regional, são precisos partidos regionais, é preciso haver país, porque nós em Portugal não somos um país, neste momento somos um deserto de que vive a capital. Não temos um desenvolvimento policêntrico como tem a Espanha, e é isso que se pretende, que as próprias regionalidades (ou como se diz em Espanha, as nacionalidades e as nações) desenvolvam o policentrismo e o desenvolvimento multipolar. Em Espanha surgem movimentos de independência o que é natural porque têm razões históricas, o que não é o caso daqui, onde não há qualquer reivindicação de independência. Aliás aqui no Norte somos os fundadores da nacionalidade, existimos desde 1143, Lisboa só foi tomada posteriormente, quando procedemos à conquista de Lisboa aos mouros, portanto mal era que quiséssemos agora abandonar esse passado. Aqui não se põe nenhuma questão de independência. Temos uma língua única, uma cultura que tem aspetos unitários mas tem aspetos diferenciados, uma idiossincrasia com aspetos unitários mas também com aspetos diferenciados, temos uma pluralidade. O país só lucra se essa pluralidade se exprimir politicamente. Às vezes perguntam-me: “E se aparecer um Partido do Sul?”. Isso é a melhor coisa que pode acontecer. Se aparecesse um Partido do Sul até podíamos fazer uma coligação pós-eleitoral e governarmos os dois. De certeza que comandávamos melhor do que a oligarquia financeiro-política que tem levado o pais ao estado em que está.
NGZ - Continuando pelo Estado espanhol, como é que vê o estado das relações entre o Norte de Portugal e a Galiza e como augura o futuro?
PB - Oiça, eu acho uma coisa espantosa isso. Na Galiza toda a gente fala de Galiza e Norte de Portugal como uma euro-região, e aqui no Norte de Portugal ninguém sabe que somos uma euro-região. Nós não sabemos, ninguém sabe isto. Os galegos sabem, mas aqui não; os galegos têm um governo regional, nós não temos absolutamente nada. Nós temos perto de 100 Câmaras Municipais no Norte de Portugal, mas não temos nenhuma consciência de que a nível europeu já somos uma euro-região. O que vejo é que é preciso desenvolver o mais possível as relações entre as pessoas, entre as associações, entre os partidos – os partidos que sejam representativos da região – no sentido de estabelecer e estreitar cada vez mais os laços transfronteiriços. Para isso também é necessário romper com o muro que foi criado pelo salazarismo e pelo franquismo – o muro fronteiriço. A fronteira acabou e nós temos agora de desenvolver cada vez mais os meios de comunicação, os meios de ligação entre o Norte de Portugal e a Galiza. Mas o aspeto fundamental no que diz respeito ao Norte de Portugal, embora esteja a falar para um jornal galego, o mais importante é terem consciência de que pertencem a uma euro-região, que na Galiza percebe-se, mas aqui não. Na Galiza percebe-se porque têm um governo regional, e nós ainda não temos nada. Nós no MPN ultimamente temos defendido – para além desta reivindicação política de termos a Região Norte e fazermos a eleição de um governo regional – a necessidade de iniciativas concretas. Mesmo com as Câmaras Municipais e o governo regional [da Galiza]. Por exemplo esta questão da linha Porto-Vigo. Não há razão nenhuma para estarmos à espera. As cerca de 100 Câmaras do Norte de Portugal, ou algumas delas, deviam associar-se no sentido de criarem uma empresa pública, que pode ser feita com a participação do governo regional galego – já tenho a fundamentação jurídica – para eles próprios criarem uma empresa (como a que existe em Portugal, a REFER, mas de caráter regional) para concessionarem a linha e para que o concessionário se candidate aos fundos europeus. Nós por um lado temos de agir no plano da reivindicação, mas por outro lado temos de agir no plano da ação imediata. É bom que os presidentes de Câmara daqui do Norte também deixem de serem apenas peões e percebam que são pelo menos bispos e torres deste xadrez europeu. E que tomem iniciativas. E nesse sentido defendemos, no MPN, se tivéssemos meios para avançar com isso, nós já tínhamos criado uma empresa pública intermunicipal e transfronteiriça para concessionar a linha e para que o concessionário-construtor se candidatasse aos fundos europeus, avançássemos na linha Porto-Vigo e conseguíssemos de facto uma situação que impediria o esbulho de que estamos a ser vítimas – do tipo colonial – pelo governo de Lisboa. Pensamos que é nesta via que devemos seguir no que diz respeito à fronteira norte, com a Galiza, e também, no que diz respeito à fronteira norte-leste, desenvolver relacionamentos com Leão e Castilha, também no que diz respeito a essa zona do nordeste transmontano que também tem a mesma problemática e onde projetos como o avanço da Linha do Douro até Salamanca e outros projetos transfronteiriços têm a maior importância. Mas realmente o que é axial, o que é o eixo do ponto de vista político é esta euro-região Norte de Portugal-Galiza. É bom que os galegos também tomem consciência – os que ainda não têm – que o problema do Norte de Portugal com Lisboa é semelhante ao problema que a Galiza tem em relação a Madrid. São dois problemas paralelos.
NGZ – Já existem duas entidades que trabalham dentro do eixo. Uma é o Eixo Atlântico, uma associação de Câmaras, outro é o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial – a primeira a nível europeu – que, disseram no ato fundacional, poderia movimentar fundos europeus. Antes de termos essa autonomia, é importante agilizar estas entidades?
PB - É importante por um lado ir avançando nestas entidades cooperacionais que a União Europeia propicia, mas temos de saber que o mais importante é conquistar uma bandeira. Para nós, no Norte, conquistar a bandeira Norte, e depois conquistarmos a bandeira da euro-região Norte de Portugal-Galiza. Mas que ninguém pense que isto é uma luta fácil – é uma luta muito difícil. Porque Lisboa, infelizmente – não é Lisboa, são algumas pessoas de Lisboa-, nomeadamente do Governo atual, e falo em particular do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, que é praticamente um fanático em relação a isto, vêem com maus olhos o desenvolvimento do Noroeste Peninsular, e na sua mente, que me parece até um pouco psicótica, vêem nisto um fator de desestabilização. Ora se há alguma coisa que a Espanha dos últimos 30 anos ganhou foi exatamente o desenvolvimento dos diversos pólos, foi o crescimento das suas regiões, foi um sucesso absoluto. Aqui em Portugal o centralismo é um centralismo mesquinho que nem sequer consegue compreender a dialética entre uma unidade nacional e o desenvolvimento regional.
NGZ – O Movimento Partido do Norte, e futuramente o Partido do Norte têm como objetivo principal a regionalização. Depois de a conseguir, o Partido desaparece ou muda?
PB – O objetivo principal não é a regionalização, o objetivo principal é a defesa dos interesses do Norte. A regionalização é uma das muitas medidas que interessam à defesa dos interesses do Norte. O Partido do Norte é para defender os interesses do Norte, com regionalização ou sem ela. Defende antes da regionalização e defenderá depois. É para defender esta parte de Portugal. Agora é a defender esta parte de Portugal que se está a defender Portugal. É um Partido do Norte, é um partido regional e é um partido nacional. Porque tem consciência que ao ser um partido regional e ao defender a região está a defender o país. E de que maneira nós defendemos o país? Até fomos nós que fundámos o país. Nos momentos mais difíceis da história tem sido o Norte o elemento essencial para a consolidação nacional do país. A regionalização é o objetivo primeiro? O objetivo primeiro é a defesa dos interesses da Região Norte. A regionalização defende os interesses da Região Norte? Defende, assim como defende os interesses das outras regiões. O que nós pensamos é que a defesa da Região Norte através de um Partido do Norte é a defesa do país inteiro e é a defesa do sistema democrático, também. Porque os nossos deputados vão ser deputados com um compromisso direto em relação à defesa da Região Norte. Vão fazer um juramento, que estamos a preparar, sobre a defesa do eleitorado da Região Norte, e assim defenderem o país. Se o traírem, acontecer-lhes-á o que acontece aos traidores. Trata-se também aqui de aproximar os eleitores dos eleitos. Enquanto atualmente, com este sistema, as pessoas não sabem em que é que estão a votar. Quem votar nas próximas legislativas no Partido do Norte sabem que vão votar em pessoas que defenderão sempre a Região e nunca votarão um orçamento que prejudique o Norte. A sua forma de defenderem o país é defenderem a região. E terão toda a consideração pelos deputados das outras regiões que defendam as outras regiões.
NGZ - Pode dar algum exemplo do mal que o centralismo nos tem feito?
PB - Basta ver, nos últimos dias, esta tentativa de assaltar o Porto de Leixões, por exemplo. Queriam tomar o Porto de Leixões e passá-lo para uma gestão nacional, da mesma forma que não querem que o Aeroporto Sá Carneiro se autonomize, querem mantê-lo dominado pelo centralismo para que se possa fazer a gestão que interessa a Lisboa. Já que estamos a falar com os nossos companheiros e compatriotas galegos, basta ver o assalto às verbas da via férrea Porto-Vigo lá para baixo, para o Caia-Poceirão. É uma vergonha que demore tanto tempo uma viagem entre o Vigo e o Porto, de 120 km. Não precisamos de TGV, de grandes velocidades. Mas precisamos um meio de transporte que faça esses 120 km numa hora, como fazemos Porto-Coimbra. Mais coisas? Constantemente! Ainda agora o assalto ao Teatro de São João. Isto é todos os dias. Ou no turismo quando querem acabar com as direções regionais. Esses estúpidos, em vez de perceberem que é preciso cortar na administração central, que é a que gasta o dinheiro, querem cortar nos órgãos que têm o contacto direto com os cidadãos, que são as Direções Regionais de Turismo. Em vez de cortarem lá em cima querem cortar cá em baixo. Em vez de descentralizarem para reduzir os custos, não, querem centralizar para reduzir os custos. Isto é um erro completo, porque não só não reduzem os custos como impedem o desenvolvimento. E ao impedirem o desenvolvimento impedem a criação de riqueza e portanto a criação de massa tributável e portanto os próprios impostos para os sustentar.
[Fonte: Blogue Movimento Pró Partido do Norte]
Nota do RoP
Não deixa de ser elucidativo o facto de a Galiza dedicar mais atenção aos problemas do Norte que o próprio Norte. Os jornais do Norte, JN e Público, não parecem muito interessados em desenvolver e discutir as questões regionais. Por que será?
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