10 dezembro, 2011

Lisboa + o Resto = a Portugal. Afinal, quantos países somos?


Descubra as diferenças
Hoje, não tenho bem a certeza se valeu a pena o 25 de Abril. Sendo certo que a Liberdade reprimida só pode ser conquistada lutando por ela, é inconcebível que haja no Mundo quem não a considere um direito inalienável da Humanidade.

Nada está garantido. A imprevisibilidade dos Governos, mesmo dos que foram eleitos pelos povos, obriga-nos a manter-nos vigilantes. Mas, usar a Liberdade como trunfo supremo de uma revolução, já só faz sentido nos regimes ditatoriais.

Num país verdadeiramente evoluído, a Liberdade de expressão e de opinião, seria apenas a meninice da Democracia. Em Portugal, a Liberdade ainda não deu o passo seguinte, que é deixar amadurecer a Democracia, blindá-la dos abusos, das tentações absolutistas, dos oportunistas, e apetrechá-la com ferramentas funcionais que permitam aos eleitores controlar os eleitos, de modo a exonerá-los, em tempo útil,  sempre que se desviem das rotas programadas.  Mas não esperemos que sejam os detentores do poder a ditar essas regras, eles não se levam a sério a esse ponto.

Liberdade, não é compatível com pobreza. Juntá-las, é como lançar para o espaço um pássaro sem asas. Liberdade, em termos políticos, só fará sentido quando caminhar a par com o pleno emprego e a saúde. E disse emprego, não trabalho. Porque, ao contrário do que dizem os políticos, é tempo de saberem que há por aí muita gente que trabalha, sem receber nada por isso. As pessoas precisam é de emprego para ganhar a vida trabalhando, não de trabalho sem emprego.

É pensando nisto, e em todas as discriminações infligidas pelo centralismo ao Porto e ao Norte, que não sei se valeu a pena o 25 de Abril. O que sei, é que nunca me senti tão ofendido enquanto cidadão deste país como agora. Portugal foi dividido, o centralismo conseguiu separá-lo mais do que o antigo regime. Agora, temos, para já dois países: um, chama-se Lisboa, o outro, o Resto. Embora eufemisticamente continuem a chamar-lhe Portugal, eles [os centralistas] sabem que isso não é verdade. E nós também. E no entanto, limitámo-nos a constatá-lo.

Por cá, vão-se ouvindo algumas vozes discretas dizendo e repetindo o que já sabemos, que ninguém abdica do poder pacificamente, que a Regionalização nunca irá avançar, etc. E  no entanto ... nada.  As elites deixam cair as máscaras, os líderes não lideram, e ao povo impingem-lhe o fado.

Como estaríamos hoje, se em 25 de Abril de 1974, os jovens capitães não nos tivessem ajudado a fazer aquilo que devia ter sido feito por todos nós?

Provavelmente, incomodados, mas seguramente submissos. Como agora.

  

08 dezembro, 2011

Soares, o bochechas...


Mário Soares
Descansem aqueles que pesam o valor dos políticos pelas simpatias partidárias, porque não serei eu quem tenciona imitá-los. Por mais infantil que pareça a comparação, sou mais clubista do que partidarista, e posso explicar em poucas palavras a razão desta afirmação. Os partidos políticos, desde Abril de 1974 para cá, só me trouxeram decepções e motivos para desconfiar das suas capacidades, enquanto que o meu clube, o FCPorto, mesmo discriminado por sucessivos governos, em igual  período de tempo, deu-me muitas mais alegrias que desgostos, razões de sobra bastantes para continuar a confiar em quem o dirige.

Talvez ainda não tenham atingido o sentido da primeira frase do anterior parágrafo, mas tentarei explicá-lo. Vou-vos falar de um "bicho sagrado" da política pós revolução chamado Mário Soares. Esse mesmo. Aquele àcerca do qual, decorridos 37 anos, ainda não consegui compreender a razão de ser tão "idolatrado" pela comunicação social. Pensando bem, se calhar, até encontro algumas afinidades que explicam o fenómeno. É que, Mário Soares, em matéria de rigor e de flexibilidade, é tão volátil e oportunista como todos os órgão de informação juntos.

Já agora, confidencio-vos que o Partido Socialista foi o primeiro partido político em que votei. Portanto, será simples deduzir que simpatizei com o programa de governo da época, e sobretudo com o reforço de Liberdade que Mário Soares lhe soube aditar, detalhe relevante para a projecção e a credibilidade da sua própria imagem, da qual, aliás, ainda hoje continua a colher frutos. Será importante registar, que vínhamos de 47 anos de uma ditadura cinzentona e repressiva, e de cujos efeitos, ainda hoje, muitos portugueses não se refizeram. O medo, ainda predomina na mente de milhares de anónimos que comentam nos blogues e nas redes sociais. Mas, de Mário Soares, só esse detalhe me infunde ainda algum respeito. E agora, também, a idade. 

Contudo, os 87 anos de Mário Soares não podem servir de atenuante para a inaptidão e demagogia com que desempenhou as funções de 1º. Ministro ainda com a lucidez da juventude,  nem tão pouco podem conferir-lhe autoridade moral e política, para censurar as más opções governativas de agora, que apesar de merecerem crítica, ditas pela sua boca, soam a um enfadonho déjà vu.

A um político, mesmo a um pseudo dinossauro [e com boa imprensa], como ele é, não basta apregoar revoluções em fóruns ou conferências, sem assumir responsabilidades. Durante os seus mandatos, enquanto Ministro e depois Presidente da República, não foram poucas as vezes que incumpriu com o que prometera nas campanhas eleitorais. Nalguns sectores da população mais idosa, ainda há quem não lhe perdoe o facto de ter "metido o socialismo na gaveta", que era à época para muitos a opção política ideal, entre os partidos conservadores [CDS e PPD] com ligações ao regime anterior, e o comunismo [PCP] que definitivamente a maioria do povo rejeitara.

Entre outras incongruências, Mário Soares obcecado com a garantia da Liberdade, esqueceu-se de consolidar a autoridade democrática, levando a que as gerações de políticos que lhe sucederam perdessem progressivamente a noção do dever e do respeito pelos eleitores. Não espanta pois, que sejamos permanentemente confrontados com escândalos, escabrosos onde os políticos são os principais protagonistas influenciando negativamente o resto da sociedade. Nem tão pouco se aceita por que é que Mário Soares nunca se opôs frontal e oportunamente à política suicída de Sócrates que acelerou o caos governativo a que hoje chegamos. Já para não falar das mais recentes declarações de Sócrates, que sintetizam a baixa elevação dos políticos contemporâneos.  Qualquer que tenha sido o contexto dessas declarações - supostamente sustentadas nos seus conhecimentos de economia -, as dívidas, são para se pagar, sob pena de se estar a assassinar o direito ao crédito a quem dele carece. Só um caloteiro pode fazer tais afirmações. Tipicamente político, Mário Soares não se incomoda com as asneiras, desde que tenham origem na bandeira do PS. 

Mas, também não são Paulo Portas, nem Freitas do Amaral , que podem atirar pedras ao telhado de outros. A índole é parecida, mas há uma diferença não dispicienda, que consiste no facto de Mário Soares ter combatido o Estado Novo e ter sido preso por isso, ainda que à posteriori, tão nobre luta esteja hoje reduzida a discursos de ciscunstância e à banalidade de continuarmos a ser um pobre país.

      

A revolução, amanhã


Daniel Deusdado [no JN]
1 Mário Soares, 1983. Uma campanha eleitoral épica. Um mote: salvar o país da bancarrota, através da austeridade. No final, os portugueses escolheram uma minoria de 36%. Nasce o governo do bloco central com o PSD. A história é bem conhecida: Portugal chamou o FMI, Ernâni Lopes cortou 28% do subsídio de Natal de todos os portugueses, desvalorizou a moeda fortemente e a economia afundou. O valor dos salários caiu, e muito.

2. Sem surpresa, Cavaco Silva tirou o tapete a um governo que colocou Portugal na CEE e o fez sair da bancarrota. Apenas dois anos depois. Do ponto vista histórico, o trabalho de Soares não foi coisa pouca, mas revela até que ponto austeridade e lealdade são coisas que não rimam nem dão votos.

3. O actual presidente governou o país durante quase 10 anos no momento mais extraordinário da história recente: dinheiro da Europa, baixo preço do petróleo, crescimento económico mundial e europeu ímpar (até 1993). A pergunta é sempre esta: que modelo era o de Cavaco Silva? O da mudança das infra-estruturas do país: desde estradas a novas universidades, um novo sistema financeiro e o legado do "mercado". E, em simultâneo, melhores serviços públicos - o chamado Estado Social.

4. Como discutimos o presente, parece que tudo começou hoje. Que foi com Guterres, Durão Barroso e Sócrates que o caos surgiu. O problema da bola de neve no topo da montanha... Mas é difícil esquecer os 100 mil funcionários públicos precários do tempo do cavaquismo admitidos por Guterres - "não existiam" estatisticamente. Ou lembrar também a política do escudo forte iniciada em 1992 que condicionou fortemente a balança comercial. E ainda as baixas taxas de juro resultado desse escudo forte que potenciou o 'boom' do crédito à habitação, consumo, etc..

5. Guterres chegou com um sonho: diminuir as desigualdades do cavaquismo. Criou dependências difíceis de curar. Durão Barroso (através de Ferreira Leite) tentou começar a travar a espiral de endividamento do Estado, mas foi-se embora a meio do processo e deixou uma solução política sem sentido - Santana Lopes. Veio depois Sócrates e insistiu na opção do crescimento pelo investimento público, além do orgulho no aumento da despesa social em 4% do PIB... Naturalmente chegamos aqui, ao dia de amanhã, à cimeira do caos do euro. Não dependemos de nós.

6. E agora? Se Portugal cumprisse o défice de 2012 e crescesse mais que o previsto, talvez aspirasse a alguma independência, a médio prazo. Mas esse caminho não é o da revolução de Mário Soares - a revolução dos que têm dívida e não têm culpa. Tal como em 1983, a melhor revolução é sair da zona de dependência dos mercados financeiros através de uma maior credibilidade económica. Estamos sob uma ameaça de "guerra soberana" que nos empobrecerá caso fiquemos sem financiamento nem moeda (minimamente forte) para comprar coisas essenciais - petróleo, alimentação e tecnologia. A maior revolução é conseguirmos fazer crescer o valor do que produzimos e aumentar a qualificação dos estudantes, trabalhadores e empresários portugueses. Coisas quase impossíveis neste contexto de desânimo.

7. Para já, a revolução poderia começar contra estes mercados: - os do dinheiro, contraindo menos dívida. Contra as multinacionais da alimentação e consumo industrial, pelas consequências tóxicas que têm na saúde das pessoas. Contra as grandes empresas que destroem o território fingindo criar emprego. E contra o mercado da doença, que encharca os portugueses de medicamentos e desânimo. Ou o mercado da conflitualidade, que cria uma espiral monstruosa de advogados e juízes em redor do negócio da justiça. Mas disto pouca gente quer saber, apesar de poder ter efeitos práticos, imediatos. Contra "os mercados".

8. Deveríamos continuar a comemorar o dia 1 de Dezembro de 1640 em vez de um 10 de Junho salazarento. Há coisas que uma geração não tem o direito de apagar. Até porque vamos sobreviver ao euro. Só não sabemos como.

07 dezembro, 2011

Foz Tua, a próxima vítima da ingovernabilidade



APOIEMOS ESTA GENTE, É IRRESPONSABILIDADE CIVIL PERMITIR QUE O PAIS PERMANEÇA NAS MÃOS DE CANALHA!


clique sobre o título do post e veja o vídeo!


06 dezembro, 2011

Se eu fosse...


... um patriota, devia andar babado com a elevação do fado a património da humanidade, apesar de viver numa cidade onde o fado ainda não conseguiu superar em popularidade as tripas à portuguesa e o FCPorto.

Se eu fosse um patriota, fazia da movida portuense o dia-a-dia dos tripeiros no desemprego.

Se eu fosse um patriota, transformava os prémios Pritzker de arquitectura, atribuídos a Ávaro ZizaSouto Moura,  na fase terminal da reabilitação urbana do Porto.

Se eu fosse um patriota, acreditava que a Lonely Planet - a melhor editora em guias de viagem -, que nomeou o Porto como o 4º. melhor destino do mundo, irá beneficiar muito o sector da restauração e da hotelaria, apesar do aumento do iva para 23%.

Se eu fosse patriota, tornava a loja do melhor chocolate do Mundo [como é pequeno o Mundo para nós], na suprema realização dos "poucos" sem-abrigo que vagueiam pelo burgo.

Se eu fosse patriota [dos bons], com tanta coisa positiva, jurava a pés juntos, ser redondamente falso  que Portugal é o país europeu com o maior fosso entre ricos e pobres, "orgulhosamente", à frente de Israel e EUA...

05 dezembro, 2011

Porto, só meio optimismo

A "movida" do Porto chegou às páginas do New York Times, através de uma reportagem do jornalista de viagens Seth Sherwood que elogia a nova oferta cultural, turística e de lazer da cidade.

"Um novo quarteirão 'à pinha' de vida nocturna está a ganhar forma, e uma florescente cena criativa que tem de tudo, desde um emergente centro de design a uma vanguardista Casa da Música desenhada por Rem Koolhaas, um espaço de concertos deslumbrante", descreve Sherwood.

O jornalista, baseado em Paris, afirma que a "segunda maior metrópole de Portugal" já não precisa de se "encostar" à reputação do famoso vinho digestivo com o mesmo nome.

"E há grandes notícias para os enófilos também. Com a emergência da região do Douro como berço de vinhos tintos premiados -- não apenas o Porto --, o Porto (conhecido também como Oporto) pode agora inebriá-lo com uma miríade de 'vintages', novos restaurantes ambiciosos e até hotéis vínicos temáticos", realça o repórter.

No artigo "36 Horas no Porto, Portugal", já disponível online e a ser publicado na edição de domingo do New York Times em papel, são apresentados 11 pontos de passagem/paragem de um percurso pela cidade que começa às 18 horas de uma sexta-feira e termina ao meio-dia de domingo.

Um "passeio barato (2,50 euros)" de eléctrico entre a Praça do Infante e a Foz marca o início da viagem, que é seguida de uma Super Bock saboreada numa explanada à beira rio e de um jantar de Francesinha, "a sanduíche local não aprovada por cardiologistas". 

[Fonte: Porto24]

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Concordo totalmente com Germano Silva quando diz que o Porto perdeu muita da sua identidade. Apesar do fluxo crescente de turistas, devido, principalmente, às óptimas funcionalidades do aeroporto Sá Carneiro, que proporcionou todas as condições para a instalação da base de companhias de vôos low-cost, e do Metro do Porto, que lhe deu complementaridade, a cidade do Porto continua a viver de fogachos de alguma iniciativa privada, e pouco mais. É preciso esclarecer que, nada deste aparente progresso se deve a iniciativas da responsabilidade da actual CMPorto. Pelo contrário. Uma das razões, para o atraso económico e social do Porto, é a falta de um autarca dinâmico e de vistas largas para a cidade. A outra razão, é o centralismo e a sua sofreguidão de eucalipto que tudo seca em redor. 

Tal como o Douro, com os seus cada vez mais prestigiados vinhos, tem cada vez menos gente, o Porto vem perdendo habitantes de ano para ano, e ao contrário do que para aí se diz, não será a movida que irá  fazer regressar habitantes à cidade, assim como não é o excelente vinho do Porto, que vai repovoar o Alto Douro. Todas estas notícias, aparentemente contraditórias, deviam obrigar governantes e empresários a repensar a ideia de progresso. O progresso, ou o bem estar [se preferirem], das populações não está directamente ligado ao sucesso das iniciativas empresariais. É preciso começar a falar claro e não ocultar os factos. E se os factos nos têm ensinado que por cada máquina inventada há dezenas, se não centenas e milhares, de pessoas desempregadas, isto diz-nos que uma empresa que produz muito não é propriamente uma empresa que emprega mais gente. Portanto, acabe-se com a demagogia de relacionar o empreendedorismo com a prosperidade dos povos. Empreender é necessário, mas sustentar a prosperidade de um negócio com benefício para todos não é bem o que tem acontecido. 

Por vezes, dou comigo a pensar se não será uma criancice entusiasmarmo-nos demais com certos sucessos momentâneos,  ou mesmo com algumas distinções que nos chegam de fora e suavizam a chaga que é, continuarmos a ser um dos países mais pobres, e pior governados da Europa. 

Para mim, o problema vai muito para além da má construção da nossa Democracia e da baixíssima qualidade dos nossos políticos. O capitalismo, definitivamente, tal como está, não é regime para levar a sério. A crise global está aí, a berrar, para quem a quiser ouvir.  
 

Tristezas não pagam dívidas


Os meus amigos já o sabem há muito tempo, mas agora tenho de o dizer em voz alta para a mobília ouvir: não vou à bola com o fado e está a fazer-me um nervoso miudinho a histeria, disfarçada de consenso nacional, gerada pela gentileza da UNESCO em incluir a canção de Lisboa na lista de 90 obras-primas consideradas património oral e imaterial da Humanidade, em que figuram as festas funerárias dos indígenas mexicanos, o teatro de marionetas siciliano e os tambores da aflição, uma dança de cura popular entre os tumbuka, uma tribo do Norte do Malawi.

O fado, que bebe a alma e mergulha as raízes na indolência dos cânticos mouros, veste-se de negro para cantar o luto, o sofrimento, a dor, a desgraça, o amor perdido, o ciúme doentio, a miséria e a saudade, ou seja, é uma canção em permanente marcha atrás, uma antologia de valores que detesto e de sentimentos perniciosos que abomino.

Ao apregoar a submissão aos ditames do destino, o fado foi, de braço dado com Fátima e o futebol, uma das fundações do aparelho ideológico do Estado Novo, que reabilitou e integrou um género musical que medrou nas casas de prostituição dos bairros pobres da Mouraria e Alfama.

No tempo em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses, o fado era a peça fundamental da doutrina da resignação de um povo anestesiado pelo religião e que, na sua doce e alimentada ignorância, rejubilava com as vitórias internacionais da nossa selecção no hóquei em patins, modalidade a que mais ninguém ligava pevas.

Sei que o fado se renovou, com a transfusão de vozes novas como as de Camané, Aldina Duarte, Ana Moura, Mariza ou, mais recentemente, de Carminho. Sei que mesmo nos tempos da Outra Senhora o choro da guitarra acompanhou belíssimos poemas do Ary dos Santos, do David Mourão Ferreira ou do O'Neil. Não me atrevo a beliscar sequer o tremendo talento de Amália. E se me oferecerem o Fado, do Malhoa, vou logo a correr pendurá-lo na parede da sala. Mas isso não chega para me fazer gostar do fado, uma canção triste que não rima comigo.

Não gosto do fado, como também não gosto do Benfica - clube cujo fado, desde a maldição de Bella Gutman, é não ter imagens a cores dos seus êxitos europeus para mostrar aos adeptos que não os puderam viver por terem 50 anos ou menos. Mas isso não me impede de reconhecer o talento de Eusébio, elogiar a liderança de Borges Coutinho ou admirar a resistência dos seus adeptos às adversidades.

Tenho um enorme pó à fatal e indolente resignação face ao destino que é o programa de vida do fado. Em vez de nos agarrarmos ao passado e de fazermos uma festa com a bondade da UNESCO em acolher o fado numa lista étnica (uma distinção de importância equivalente à vitória do Benfica na Taça Latina), devemos olhar para o futuro. O povo está coberto de razão quando diz que tristezas não pagam dívidas. E nós temos uma data delas para pagar.

Nota de RoP:

Outro portuense e português, que [como eu] não vai à missa  do fado. Se a distinção da UNESCO fosse pela negativa, no sentido de considerar o fado como símbolo do centralismo português ainda fazia sentido. Mas tratá-lo com honrarias imateriais da humanidade, só mesmo em Lisboa. 

02 dezembro, 2011

Bom fim de semana

Rui Rio, já tem perfil de líder? Ou, mudaram-se os "ventos"?

Face ao currículo de Rui Rio, avaliado à distância de quem nada lhe deve, tanto no sentido lato como de portuense,  acredito mais depressa nas opiniões dos seus opositores camarários do que nas dele. E não é por uma questão de má fé, é porque o que leio e oiço das vozes do ex-vereador Rui Sá, e do Arqº. Gomes Fernandes [por exemplo], sobre os muitos problemas que envolvem a cidade, são argumentos mais condizentes com a realidade do que os apresentados pelo Presidente da Câmara.

Se tivesse que inventar um adjectivo curto e sintético para qualificar Rui Rio, chamar-lhe-ia o presidente Nim. Nunca conheci homem tão inseguro àcerca de tudo e de nada como Rui Rio. Se prestarmos bem atenção ao seu discurso depressa descobriremos essa faceta do seu carácter. Aliás, pode estar aí a explicação para nunca dar andamento às tarefas sob sua responsabilidade. O Mercado do Bolhão não ata nem desata, o do Bom Sucesso, idem aspas. Com a piscina do Fluvial tudo se encaminha para ter o mesmo fim. Não se lhe descortina uma ideia, um plano para tirar a cidade do marasmo em que se atolou desde que é Presidente. Tudo para ele é uma dúvida. A desconfiança é a sua imagem de marca.

Não admira pois que sobre a Regionalização, ele que foi, e continua a ser, um tímido centralista, se mantenha "dividido" na matéria. Surpreendentemente, ou talvez não, descobriu agora a peregrina ideia de lançar mais confusão para a já polémica divisão territorial com a criação de uma região para o Porto e outra para Lisboa. Mas, como não podia deixar de ser, também sobre isto não está muito seguro...

Mais estranha do que as hesitações de Rui Rio, foi a ideia do semanário Grande Porto convidar Rui Rio para a tertúlia no café Astória, dadas as suas conhecidas posições pró-centralistas e a sua inconfessável ambição noutras cadeiras de poder. Acresce, que o actual Presidente da CMPorto, além de não ser homem de grandes convicções, não gosta muito de ser convencido, razão pela qual me parece um tanto oportunista esta aproximação de um jornal que tanto o tem criticado. Estas mudanças súbitas de comportamento costumam ser um mau sinal para o público, porque normalmente trazem consigo uma viragem na linha editorial, ou, na pior das hipóteses, uma intenção velada de colagem ao poder local. Se a ideia fôr preparar o terreno para a candidatura de Rui Rio a líder de uma eventual região do Norte [ou do Porto], o mínimo que me ocorre dizer é que muito mal acerta quem tão mal escolhe. Rui Rio, é co-responsável pelo processo de aceleração de empobrecimento e da redução de protagonismo da cidade do Porto. Votar nele para líderar uma região, seja ela do Norte ou do Porto, é engrossar a fileira de cidadãos responsáveis pela discriminação a que a cidade tem sido sujeita, esses sim [e não todos] cumplíces por más decisões eleitorais. 

Por este caminho o jornal Grande Porto vai acabar por perder leitores, e eu serei seguramente dos primeiros.  

30 novembro, 2011

Lusíadas, versão século XXI


I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

[IN ]JUSTIÇA

[IN] JUSTIÇA

Nunca como agora, houve tanta abundância de assuntos para debater na blogosfera. Desde a corrupção de políticos e empresários, de homicídas políticos, desemprego, países com economias falidas, discriminação política, social, e regional, até o aumento da criminalidade de rua, a oferta é fértil. É só escolher.

Na perspectiva dos media, que preferem as más notícias às boas, esta devia ser uma época de "ouro". Esta tese não fui eu quem a inventou, foram os próprios media que, durante anos, tentaram vender a ideia que só as más notícias eram dignas desse nome, e que até podiam, se quisessem, eleger, ou depôr, Presidentes da República. Sinceramente, nunca percebi muito bem tamanha presunção, excepto do ponto de vista desviante - seja na ética, seja na deontologia -, pela simples razão, de que, quem semeia ventos acaba por colher tempestades. Ora, as tempestades aí estão a bater-lhes à porta: já se anunciam [na RTP e no Público] despedimentos de jornalistas [seus canídeos serventuários]. A arrogância acaba sempre nisto...

Sucede que, muitos de nós, na blogosfera, trabalhámos de borla, e somos, em muitos casos, mais rigorosos e respeitadores do que a própria comunicação social. Por isso, temos reacções mais naturais e saudáveis, como é o cansaço que eu próprio sinto por viver num país quase anárquico,  onde pouco se aproveita e tudo anda à deriva. A política de per si, repugna-me bem menos que os políticos. Aos políticos, já não tenho paciência para os ouvir. E isso é pior para eles do que para mim, porque no dia em que decidirem fazer aquilo que dizem, eu vou pensar que eles vão continuar a fazer o que sempre têm feito, isto é,  faltar ao prometido, e essa,  é a única bitola pela qual os devo avaliar se não quiser perpetuar o embuste.

Antes de qualquer revolução económica e social, aquilo que mais gostaria de ver realizado, era o bom saneamento da Justiça. É impossível construir uma democracia credível com um sistema de justiça minado. Marinho e Pinto está sob a mira de muitos [juristas,magistrados e advogados], que anseiam pelo fim do seu mandato como bastonário para lá colocarem um outro, mais "dócil", para os beneficiários do status quo. 

A Justiça portuguesa, os seus principais representantes, deviam sentir vergonha de ter um falsificador vigarista como Vale e Azevedo*, foragido há anos a gozar na sua cara, e principalmente, na cara dos portugueses. Mas não tem, porque não dispõe de gente suficientemente digna e inconformada para corrigir esta falha inaceitável que mais não serve que para dar razão ao povo quando diz que há uma justiça para ricos e outra para pobres. Aqui, de facto,  é o povo o único soberano, é o povo quem fala verdade, os juízes não têm desculpa. Os juízes deviam demitir-se em bloco. Mas quem imagina que isso possa acontecer?

Enquanto a Justiça continuar como está, Portugal não tem futuro. Assim, eu não acredito. 

*Vale e Azevedo é o exemplo mais caricato, provocador e chocante para a imagem da Justiça. Mas não faltam outros exemplos, alguns dos quais tenho vindo a abordar neste blogue.    

29 novembro, 2011

Alteração ao contrato para projecto da avenida Nun’ Álvares foi aprovada

Via vai ligar Praça do Império à Avenida da Boavista.
A Câmara do Porto aprovou esta terça-feira, com a abstenção do PS, a alteração do contrato para o desenvolvimento e conclusão do projecto para o loteamento urbano e projectos de Urbanização da avenida Nun´Álvares.

A proposta surgiu no seguimento de uma recomendação do Tribunal de Contas sobre a concretização das datas do acordo.

De acordo com o documento agora aprovado, o prazo de execução das obras de urbanização “não poderá, em circunstância alguma, ser superior a 3 anos”, contados a partir da data da respectiva licença ou aprovação.

Caso a obra não seja iniciada nos 3 anos seguintes à aprovação dos projectos, o prestador de serviços fica “liberado da acessória técnica em fase de execução das obras”, acrescenta-se no documento.

A alteração feita ao contrato, celebrado em Agosto de 2011, determina ainda que António Marques, a que o serviço foi adjudicado, passe a ter 135 dias para a conclusão do ante-projecto e elaboração do Estudo de Impacte Ambiental.

Para a elaboração do projecto de loteamento, o adjudicatário fica com 45 dias a contar da data da comunicação da aprovação da fase anterior, seguindo-se o prazo de 120 dias para elaboração dos projectos e obras de urbanização.

A câmara aprovou, a 24 de Maio de 2011, a adjudicação e aquisição de serviços com vista à construção da Via Nun’Álvares.

O processo foi remetido para o Tribunal de Contas, que, “em sede de pedido de esclarecimentos”, solicitou que se fizesse “constar do clausulado, ainda que por adenda, e de forma concreta, a data de início e termo do contrato”.

Na proposta, a autarquia explica que “o conteúdo da adenda solicitada por aquele Tribunal não é mais do que a transcrição da cláusula 9.ª do Caderno de Encargos conjugada com a proposta adjudicada”, em nada alterando, por isso, “o conteúdo dos documentos aprovados”.

Cronologia

Em Maio, a autarquia decidiu entregar o projecto de loteamento e urbanização da futura Via Nun’ Álvares ao arquitecto António Marques, numa adjudicação por 552,5 mil euros e prazo de execução de 10 meses.

António Marques apresentou uma das 5 propostas finalistas do concurso público (selecionadas de um lote de 12 propostas) e terá sido o candidato que melhor se adequou às sugestões do júri.

Foi em Dezembro de 2009 que a Câmara do Porto decidiu abrir um “Concurso de Concepção para a Elaboração do Projecto do Loteamento Urbano e dos Projetos das Obras de Urbanização da Avenida Nun´Álvares”.

O projecto da Via Nun’Álvares e da envolvente abrange uma área superior a 30 hectares nas freguesias de Nevogilde e da Foz.

[Fonte: Porto24]

28 novembro, 2011

Fado, o meu desorgulho*


Há coisas, pelas quais não sinto qualquer tipo de afinidade nacional, como é o caso do fado. Nunca gostei de fado.

Desde miúdo que sempre associei este tipo de canção, choramingas e piegas,  à boémia dos miseráveis e prostitutas dos bairros de Lisboa, e nunca consegui digerir essa imposição centralista de o querer nacionalizar a qualquer preço, como um bom motivo para me orgulhar. Pelo contrário, o fado para mim, representa um passado do que pior [ainda] tem o português: fatalista, arruaceiro e madraço. Esse sentimento de repulsa, hoje em dia,  está muito mais vincado no meu ADN do que no tempo da outra senhora, onde reinando embora a repressão silenciosa de uma ditadura, a coesão nacional era bem mais equilibrada e respeitável do que a actual, em que, "democraticamente", a discriminação regional faz gala em tratar os nortenhos como autênticos filhos de fadistas que só os centralistas são capazes de parir.

Com a ascensão do fado à escala planetária como património imaterial da humanidade pela UNESCO, aumenta em flecha o meu desprezo pela causa da "honraria". Não sei porquê, mas ela faz-me lembrar "doces" como as Scuts, os BPN's, e os muitos DL's [ Duartes Limas e Dias Loureiros] que por aí pululam e abrilhantam o dito fado "nacional".

Que me desculpe a falha, o senhor Presidente da República, mas eu não possuo a sua dimensão estadista.

*Expressão de minha autoria que traduz: indignidade, ausência de brio, bandalhice, desonra, humildade decadente.

27 novembro, 2011

O FCPorto ganhou mas não me acalmou...

Considero perigoso confiar demasiado no rifão que diz que "tudo está bem quando acaba bem", pela simples razão de que, em futebol, o conceito "tudo" só é para levar a sério no fim de cada  época. Ora, como a época de futebol ainda nem sequer chegou a meio, não considero que a victória desta noite do FCPorto contra o Sporting de Braga, possa dar sólidas razões aos adeptos portistas para levar ao espírito da letra o velho adágio popular.

Terminado o jogo, e ainda mal refeito dos 2 golos consentidos praticamente nos descontos do término do jogo, confesso que só os 3 pontos da victória conseguiram atenuar o meu desagrado pela partida que tinha acabado de ver. Na primeira parte continuei a ver sinais muito preocupantes de falta de concentração em alguns jogadores que só não teve consequências desagradáveis porque o Braga não foi a equipa aguerrida do costume. Foi com um Braga abaixo do habitual rendimento que o FCPorto se defrontou em casa, mas o que seria se tivéssemos jogado com uma equipa mais forte e dinâmica? Pois... Reconheço, que aqui já estou a entrar no condicional e muito relativo mundo dos "ses", mas se pensarmos bem o raciocínio não é assim tão descabido nem insensato.

O que quero dizer é que Victor Pereira continua a ser muito lento a recuperar as performances da equipa. Espero vivamente que atalhe caminho, caso contrário, nem o reforçar de confiança que Pinto da Costa lhe transmitiu o pode salvar. A atitude dos jogadores mudou um pouco, é verdade, já não ficam paralisados, mas os movimentos e as desmarcações continuam atabalhoados. Os passes longos e curtos, continuam a levar  força a mais, ou a menos e os passes para o adversário ainda não acabaram.

Na primeira parte, as jogadas principiavam na defesa com os jogadores a lateralizar muito o jogo, mais pela esquerda que pela direita, com o Álvaro Pereira a despachar a bola para a frente onde ninguém estava para a receber, criando um futebol demasiado feio e previsível que arrasava com os nervos a qualquer um.

Sem querer meter a foice em seara alheia, como espectador, ninguém me pode impedir de pensar que um grande jogador como é Hulk tenha já esgotado a sua margem de progressão. Insisto em pensar que ele não está a ser devidamente instruído no sentido de dosear as suas enormes qualidades individuais com o colectivo, o que é uma pena. Já na época passada, houve 2 ou 3 jogos apenas, em que tive a esperança de ver Hulk transformado num jogador mais completo, mas sem sucesso. Paradoxalmente, é ele quem tem resolvido alguns jogos, mas também é por ele que se têm perdido outros lances que podiam dar golo se tivesse a inteligência de entregar a bola a jogadores melhor colocados para finalizar [como foi ontem a jogada em que ofereceu o golo a Kléber]. 

Isto é recorrente, mas eu não estou certo que Victor Pereira o tenha preparado mentalmente para mudar um pouco a sua forma de jogar, porque Hulk só muito pontualmente é que joga para a equipa, embora teime em jogar pela equipa. E o curioso, é que  ficámos com a sensação de não ser difícil convencer o jogador a alterar a sua forma de jogar, até porque Hulk brilha, e marca muitos mais golos, quando dá golos a marcar. A equipa solta-se, aumenta os indíces de confiança e os adversários deixam-no mais liberto de marcações.

Podia ir por aí fora e falar de outros jogadores que precisam urgentemente de ser corrigidos, mas fico-me só pelo mais preponderante, exactamente porque tudo leva a crer que Hulk já interiorizou demais a responsabilidade de carregar a equipa às costas, o que em certos casos tem sido negativo e o leva a exagerar. Apesar de tudo, ontem, foi o melhor jogador em campo, juntamente com Defour, James, Fernando e Maicon.

Resumindo: não gostei do jogo, apenas do resultado. É imperioso que o treinador trabalhe mais célere e melhore a qualidade de jogo, da qual são indissociáveis o bom passe, o controle de bola, o poder de antecipação, a sintonia dos movimentos de desmarcação, a concentração e a garra. Podia colocar este item [o da garra] em primeiro lugar, mas sinceramente não acredito que uns tolinhos a correr atrás de uma bola, sem saber o que fazer com ela do princípio ao fim do jogo, seja suficiente para fazer deles campeões. Além disso, gosto de bom futebol num estádio, porque para ver ópera o recinto chama-se teatro, e porque é só mesmo no teatro que a ópera existe.

Porto dos rabelos

Rio Douro/Porto

25 novembro, 2011

Quase metade do empréstimo da troika é para juros e comissões


Portugal vai pagar um total de 34400 milhões de euros em juros pelo empréstimo de 78 mil milhões do programa de ajuda da "troika". Segundo dados do Governo, quase metade do que é emprestado pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional é para pagar à "troika".

Quase metade do empréstimo da troika é para juros e comissões
         Victor Gaspar,Ministro das Finanças

O total do crédito oferecido a Portugal no âmbito do programa de assistência da "troika" é 78 mil milhões de euros. Deste valor, quase metade, 34400 mil milhões são para pagar juros e comissões à troika, segundo o valor apresentado pelo Ministério das Finanças em resposta a uma questão de Honório Novo, deputado do PCP.

Durante o debate parlamentar do Orçamento Retificativo para 2011, no final de Outubro, o deputado comunista pelo Porto perguntou: "Quanto é que serão os juros globais desta ajuda? Quanto é que Portugal pagará só em juros para nos levarem pelo mesmo caminho que a Grécia, ao empobrecimento generalizado do país?".

A resposta do Ministério das Finanças, 34400 milhões de euros, corresponde ao valor total a pagar ao longo do prazo dos empréstimos.

Isto presumindo que Portugal recorre integralmente ao crédito disponível. Ou seja, que "é utilizado na totalidade" o montante destinado às empresas do sector financeiro - os 12 mil milhões de euros reservados para a recapitalização da banca.

Na resposta do Ministério das Finanças a Honório Novo nota-se ainda que as condições dos empréstimos concedidos por instituições europeias são bastante mais favoráveis que as dos créditos do FMI.
[Fonte: JN]

24 novembro, 2011

Que seja o início de um ciclo triunfal

A sorte não cai do céu, de onde ontem desceram as estrelas do FC Porto para uma exibição terrena, honesta, solidária. Com o orgulho de quem tem um nome a defender, o dragão agigantou-se, mostrou a outra face e deu uma bofetada de luva branca na palidez com que se vinha arrastando pelos campos nos últimos jogos. 
[Jornal O Jogo] 

Nota de RoP:
Concordando com o teor do texto de O Jogo, tem de haver uma explicação objectiva para o desnorte que assolou progressivamente toda a equipa, a ponto de ter perdido quase todas as qualidades que a caracterizaram a época passada com os brilhantes  resultados que se conhecem. 

Se o problema principal tiver sido sanado, é possível que o treinador possa recuperar a confiança dos adeptos mais cépticos, mas nada resolverá se ele próprio não der provas cabais de ter capacidades técnicas e psicológicas para liderar uma equipa de um clube com as ambições do Futebol Clube do Porto.

23 novembro, 2011

Tráfego transfronteiriço


Em relação ao tráfego transfronteiriço o melhor é ver os números do Observatório Transfronteiriço Portugal-Espanha. Valença-Tui é claramente a fronteira mais utilizada seguida a sul pela de Ayamonte e depois Vilar Formoso.

No tráfego de passageiros a mais importante é novamente Valença-Tui e no de mercadorias é Vilar Formoso. Caia-Badajoz fica bastante abaixo de qualquer das citadas qualquer que seja o ângulo de análise.

Percebe-se pouco, na realidade, a prioridade dada ao TGV Lisboa-Badajoz-Madrid a não ser por razões de umbiguismo e parvoíce centralista.
 
[António Alves]

22 novembro, 2011

Para "anti" - populista glozar...A não perder.

Informamos, por respeito à hiper-sensibildade de certos cavalheiros, que o programa aqui linkado não é aconselhável a criancinhas e a "anti" - populistas [assim mesmo, com aspas]...

21 novembro, 2011

Explicações para a improdutividade do FCPorto

Em abono da verdade, no FCPorto as crises, não chegam a ser crises. Felizmente para os adeptos do clube, infelizmente para os inimigos, como o mal afamado jornalista, conhecido por   benfiquista de Paredes. No FCPorto dos últimos 20/30 anos, as fases negativas não ultrapassaram a perda de um ou outro  campeonato, e mesmo assim sempre com uns troféus ganhos pelo meio. Claro que, num país governado por gente de baixo quilate como é o nosso, a comunicação social permite-se ao luxo indecente de tentar humilhar o FCPorto sempre que pode, como é agora o caso.  De um simples espirro, prefere chamar-lhe crise profunda, partindo daí para uma ficção capaz de fazer inveja às novelas de Corin Tellado.

Não estou pois muito preocupado com o futuro do FCPorto, embora deteste pressentir que a breve prazo [espero], o regresso à normalidade lhe vai trazer algumas decepções.

Enquanto houver uma competição para ganhar, e enquanto for conveniente para o clube, os adeptos vão ter de ser pacientes e aguardar os próximos tempos, torcendo para que o ciclo negativo que estamos a atravessar se inverta, ainda com Victor Pereira ao leme, aproveitando [se for capaz] os derradeiros cartuchos que ainda tiver para dar a volta ao texto.

Vai ser um período difícil para os portistas, mas lá terá de ser. Entretanto, descendo à terra do futebol do século XXI, onde os milhões tomaram de assalto o amor à camisola de jogadores e treinadores, gostava de colocar algumas questões que me parecem pertinentes.

Já foram escalpelizadas quase todas as conjecturas sobre o mau momento da equipa senior do FCPorto [os outros escalões, e as modalidades, continuam bem], mas permanece uma que me parece estar a escapar à própria estrutura directiva, que consiste em  lidar eficientemente com a fobia dos mercados, e o impacto desestabilizador que ela pode exercer nas prestações dos atletas ao serviço do clube.

Não nos iludemos, hoje, no futebol de alta competição, terminaram os atletas-paixão-clube, já só resta um género, que são os atletas-cifrão-patrão. Sobre isto, suponho não haver dúvidas. Assim sendo, parece-me ter chegado o momento de reconhecer, que o que sobra de verdadeiramente genuíno no futebol de alta competição entre administração, jogadores e público, com todos os seus excessos, são os adeptos, precisamente os únicos que saem a perder desta triologia, em termos económicos e financeiros. Gastam dinheiro em quotas, nos bilhetes e nas deslocações, pedindo apenas em troca o...sucesso.  Bem vistas as coisas,  há aqui assimetrias um tanto injustas, que só podem ser colmatadas pelo clube de uma única maneira:  vencendo.  E produzindo melhor futebol. 

Dentro das explicações conhecidas para o mau momento do clube, há algumas que na minha opinião tiveram preponderante impacto negativo nos atletas e nas suas prestações, tais como:
  • Indefinição excessivamente longa das saídas e permanências [Rolando, Fernando, Álvaro Pereira, Fucile e Moutinho]. Recorde-se que até Falcao era para ficar, depois de se ter especulado a saída várias vezes.
  • Saída extemporânea do treinador, provocando a solução de recurso Victor Pereira
  • Inadaptação da SAD à agressividade e especulação do mercado
Os dois primeiros pontos já são conhecidos, mas não tanto o último. Recordo-me bem do incómodo que pessoalmente me causou o constante ruído feito em torno das saídas durante todo o defeso e de me interrogar como estaria a Direcção a lidar com este "bailado" de supostas transferências. Não especificamente por causa da Direcção, mas pelo efeito que isso podia produzir no espírito dos jogadores no caso das supostas saídas abortarem [como sucedeu] e terem de continuar no clube...contrariados.

É aqui que pretendo chegar. Estará a SAD devidamente preparada para lidar com esta nova realidade dos mercados? É que, talvez não nos tenhámos apercebido, mas as coisas mudaram mais do que parecem nos últimos anos. Os jogadores hoje estão sujeitos a uma desregrada pressão mediática pouco tempo depois de assinarem contrato, visando o "salto" para outros clubes onde eventualmente poderão ganhar mais dinheiro. Veja-se o que aconteceu com o Falcao, com o Hulk e até com o James Rodriguez, este último que mal tempo teve para se afirmar como titular no clube e já está a ser cobiçado por outros economicamente mais poderosos.

O que era preciso saber, é se há [ou vai haver] alguma estratégia do clube para conviver com isto, ou se consideram simplesmente que nada há a fazer para minorar os estragos. Na minha modesta opinião, o mínimo que devia ser feito em situações como estas, era [o Presidente], reunir com o plantel e a equipa técnica logo no início da época, enfatizando a mística do clube, sensibilizando os atletas novos para essa realidade, lembrando-lhes que a partir daquele momento são sua pertença exclusiva, sendo pagos para o representar com o maior empenho e dedicação, não admitindo desconcentrações ou desmotivações* enquanto a ele vinculados contratualmente. 

Reuniões dessas deveriam ter lugar, sempre que se justificassem, sobretudo quando os jogadores denunciassem sintomas de instabilidade com efeitos nefastos nas prestações desportivas. Como já escrevi anteriormente, considero que este papel cabe, em primeira instância, ao treinador [e é também neste capítulo que me parece falhar Victor Pereira], até porque é quem está em contacto permanente com os jogadores, e em casos extremos à Direcção.  

Poder-se-à dizer que estas reuniões perdem qualquer eficácia frente a uma pipa de euros, mas para isso é que existem prazos contratuais, e uma vez que os empresários não os respeitam, que sejam obrigados a fazê-lo os jogadores.
  

*James Rodriguez deu, recentemente, sinais de não estar devidamente 'instruído' para responder às perguntas armadilhadas dos jornalistas. Inquirido se pensava ser transferido para um grande clube, não soube responder como seria suposto a um jogador que ainda mal 'cheirou' o balneário da casa, que era dizer: "mas eu já estou num grande clube!" . Não o fez.

Sendo improvável restaurar o amor à camisola dos velhos tempos aos jogadores, e já que se lhes paga tão bem, então que se lhes exija uma total dedicação profissional ao clube enquanto nele permanecerem.


Os melhores nem sempre são os mais colunáveis


Mário de Almeida


Na política, deviam servir de exemplo a alguns patifes que por lá andam, figuras como Mário de Almeida e Bragança Fernandes, respectivamente, Presidentes das Câmaras Municipais de Vila do Conde e da Maia.

Dois homens de quem [até ao momento] não se lhes conhece  obscuridades, e que têm prestado verdadeiro serviço publico, fecundo e dedicado, às populações. 







Bragança Fernandes
Em flagrante contraposição com bandalhos como Duartes Limas e Loureiros,devia pertencer àqueles as honrarias de Conselheiros de Estado, porque nem os estatutos, nem as hierarquias convencionais,  têm revelado competências para escolher, com justiça e rigor, os melhores  representantes para lugares de Honra. 

O Conselho de Estado não pode, nem deve nunca, confundir-se com uma associação de malfeitores.  

A ministra da Justiça


Depois de andar a acusar-me de lhe dirigir ataques pessoais, a sra. ministra da Justiça veio agora responder à denúncia que eu fiz de ter usado o cargo para favorecer o seu cunhado, Dr. João Correia. Diz ela que não tem cunhado nenhum e que isso até se pode demonstrar com uma certidão do registo civil. Já antes, com o mesmo fito, membros do seu gabinete haviam dito à imprensa que ela é divorciada.

Podia explicar as coisas recorrendo à explícita linguagem popular ou até à fria terminologia jurídica que têm termos bem rigorosos para caracterizar a situação. Vou fazê-lo, porém, com a linguagem própria dos meus princípios e convicções sem deslizar para os terrenos eticamente movediços em que a sra. ministra se refugia.

A base moral da família não está no casamento, seja enquanto sacramento ministrado por um sacerdote, seja enquanto contrato jurídico homologado por um funcionário público. A base moral da família está na força dos sentimentos que unem os seus membros. Está na intensidade dos afectos recíprocos que levam duas pessoas a darem as mãos para procurarem juntas a felicidade; que levam duas pessoas a estabelecerem entre si um pacto de vida comum, ou seja, uma comunhão de propósitos existenciais através da qual, juntos, se realizam como seres humanos. Através dessa comunhão elas buscam em conjunto a felicidade, partilhando os momentos mais marcantes das suas vidas, nomeadamente, as adversidades, as tristezas, as alegrias, os triunfos, os fracassos, os prazeres e, naturalmente, a sexualidade.

O casamento, quando existe, agrega tudo isso numa síntese institucional que, muitas vezes, já nada tem a ver com sentimentos, mas tão só com meras conveniências sociais, morais, económicas ou políticas. Por isso, para mim, cunhados são os irmãos das pessoas que, por força de afectos recíprocos, partilham entre si, de forma duradoura, dimensões relevantes das suas vidas.

É um gesto primário de oportunismo invocar a ausência do casamento para dissimular uma relação afectiva em que se partilham dimensões fundamentais da existência, unicamente porque não se tem coragem para assumir as consequências políticas de opções que permitiram que essa relação pessoal se misturasse com o exercício de funções de estado, chegando, inclusivamente, ao ponto de influenciar decisões de grande relevância política.

Tal como o crime de violência doméstica pode ocorrer entre não casados também não é necessário o casamento para haver nepotismo. Basta utilizarmos os cargos públicos para favorecermos as pessoas com quem temos relações afectivas ou os seus familiares. Aliás, é, justamente, aí que o nepotismo e o compadrio são mais perniciosos, quer porque são mais intensos os afectos que o podem propiciar (diminuindo as resistências morais do autor), quer porque pode ser mais facilmente dissimulado do que no casamento, pois raramente essas relações são conhecidas do público.

Aqui chegados reitero todas as acusações de nepotismo e favorecimento de familiares que fiz à Sra. Ministra da Justiça. Mas acuso-a também de tentar esconder uma relação afectiva, unicamente porque não tem coragem de assumir as consequências políticas de decisões que favoreceram o seu cunhado, ou seja o irmão da pessoa com quem ela estabeleceu essa relação. Acuso publicamente a Sra. Ministra de tentar tapar o sol com a peneira, procurando dissimular uma situação de nepotismo com a invocação de inexistência de casamento, ou seja, refugiando-se nos estereótipos de uma moralidade retrógrada e decadente.

A sra. ministra da Justiça tem o dever republicano de explicar ao país por que é que nomeou o seu cunhado, dr. João Correia, para tarefas no seu ministério, bem como cerca de 15 pessoas mais, todas da confiança exclusiva dele, nomeadamente, amigos, antigos colaboradores e sócios da sua sociedade de advogados. Isso não é uma questão da vida pessoal da Sra. Ministra. É uma questão de estado.

Nota: Desorientada no labirinto das suas contradições, a sra. ministra da Justiça mandou o seu chefe de gabinete atacar-me publicamente, o que ele, obediente, logo fez, mas em termos, no mínimo, institucionalmente incorrectos. É óbvio que não respondo aos subalternos da sra. ministra, por muito que eles se ponham em bicos de pés.
[Fonte: JN]



20 novembro, 2011

E o lago à espera do monstro...

Quase três mandatos depois, o lago que era para ser o Estádio do Salgueiros, continua à espera do seu monstro,  na vã esperança de se tornar um pólo de atracção turística. Mas este monstro não há meio de chegar, tem outro habitat natural:  a Câmara do Porto.

Se há crise no FCPorto, urge sair dela quanto antes

Autocarro do FCPorto à chegada ao Dragão
Ontem, a recepção dos adeptos à comitiva do FCPorto não foi, como tem sido habitual há uns anos a esta parte, de palmas e alegria, foi de descontentamento e alguns insultos.

Pinto da Costa, fez um apelo à calma e conseguiu convencer os portistas a serenar. Não se podia esperar outra coisa de um líder como ele.

Contudo, convirá recordar que foi Pinto da Costa quem apostou [in extremis] em Victor Pereira na sequência da deserção de André Villas Boas para os dólares de Abramobich, provando ao mundo portista que não há cadeira de sonho que resista ao amor pelo dinheiro. Como já aqui escrevi, dadas as circunstâncias, e o facto consumado, poucos dias antes da época começar, pareceu-me [e creio que não estive só nessa opinião] uma aposta sensata de PdC, considerando que foi apanhado de surpresa sem muito tempo para pensar noutras opções de risco.

A diferença entre Pinto da Costa e qualquer outro dirigente, é que quando aposta, ganha mais vezes do que perde, coisa de somenos, mas que é o suficiente para o tornar no mais competente e vencedor dirigente mundial. Com uma atenuante em relação a outros: não é o mais rico. Apesar disso, desta vez, a aposta [in extremis, repito], falhou. Note-se que, não o afirmo hoje, já o pressentia há umas jornadas atrás, só que agora a primeira prova está dada: a Taça de Portugal já voou! Na 4ª. feira tudo pode acontecer, no jogo para a Champions, com o Shakthar Donestk. O futebol tem as suas surpresas, mas tem também as suas previsibilidades consubstanciadas na condição técnica, física e psicológica da equipa e, inevitavelmente, na preparação/liderança do treinador. Ora, de momento, nem os resultados, nem o treinador, nem os jogadores, são garantia para grandes optimismos. A prova dos nove, foi ontem. E falhou, de uma forma clamorosa. Os jogadores não se reconhecem e o futebol produzido é zero!

Como não quero dar-me ares de profeta, porque não é essa a ideia, apenas estou a manifestar a minha sincera opinião fundamentada no que os meus olhos têm visto nos últimos tempos. Pelo contrário, gostava muito era de levar um grande estalo na próxima 4ª feira com uma victória estrondosa sobre os ucranianos, mas receio bem que atletas e treinador me façam essa gostosa afronta.

Victor Pereira pode até nem ser o único responsável pelo retrocesso competitivo da equipa, mas é o principal. No FCPorto, o futebol é a actividade desportiva melhor remunerada, não faltando nada aos jogadores para se dedicarem de corpo e alma à actividade. Com os treinadores [como é costume naquela casa], passa-se a mesma coisa, o Presidente apoia-os até ao limite do possível. Então o que é que estará a falhar desta vez?  Motivação? Mas, não é afinal também para motivar os jogadores que o treinador está lá? É à SAD que compete essa tarefa? Não creio. O que me parece é que Victor Pereira não dá conta do recado pura e simplesmente porque não sabe. Não me atrevo sequer a julgar a sua honestidade profissional e pessoal. Sobre isso, Victor Pereira é intocável. Mas, o seu discurso não motiva nem convence. Para além de que, tácticamente e tecnicamente, tem sido uma decepção.

Valeu-nos as modalidades. Funcionaram como um  tónico para a moral ferida dos simpatizantes portistas. No andebol, a equipa do FCP entrou a jogar em casa ansiosa perante o seu adversário principal, o Benfica, mas depois de uma angustiante dificuldade em passar para a frente do marcador, premiou os espectadores como uma ponta final digna de verdadeiros campeões. No hóquei, foi ainda mais espectacular, visto ter defrontado "apenas" o campeão europeu em título, o Coruña, com uma entrada à dragão fulminante, conseguindo um resultado relativamente folgado para a deslocação à Galiza [7-4]. Para terminar em beleza, o básquete, também logrou uma grande victória, embora sem jogar muito bem. Enfim, um sábado onde tudo correu bem, à excepção do futebol que é a modalidade popularmente mais apreciada.

Resta saber, como vai a SAD, e Pinto da Costa em particular, lidar com este [felizmente]  inabitual problema chamado, neste caso, Victor Pereira. Esperemos, que desta feita a decisão seja a acertada. Para bem do FCPorto e dos adeptos.