![]() |
| Prós e contras & família |
Há uma tecla, sobre a qual não me vou cansar de tocar enquanto os pianistas encartados, pagos para o desempenho do ofício, se recusarem a fazer o seu trabalho. A 'tecla', é um jeito metafórico de dizer que devem "pressionar os governantes [e ex-governantes], de forma a obrigá-los a assumir a sua falta de sentido das responsabilidades". Os pianistas encartados são, evidentemente, os jornalistas, porque enquanto profissionais independentes [são eles que o dizem] da comunicação, tinham o dever de arrancar da boca dos políticos aquilo que eles não gostam de dizer.
Não deixa de ser embaraçoso para um jornalista que se preze, aparentemente pago para informar com isenção, que a blogosfera esteja gratuitamente a ultrapassá-los em termos de objectividade e pertinência. E é pena, porque podiam aproveitar este vazio de competências institucionais e políticas, para mostrar o que valem, espremendo até ao tutano os dirigentes e ex-dirigentes governativos até eles explodirem de raiva [ou de vergonha]. Mas não. Em vez disso, seguem o caminho mais fácil, que é: "se não podes vencê-los, junta-te a eles". Mas são tão estúpidos que nem o despedimento de 48 trabalhadores hoje anunciado pelo Público os convence que o filão do conformismo com que foram vendendo jornais está-se a esgotar e que, se querem destacar-se da blogosfera e vender mais jornais, têm de escrever mais para o grande público e menos para clientelas políticas.
Se estes tempos de pré-anarquia inconstitucional nos têm trazido dissabores de toda a ordem, também trazem com eles evidências que andaram muitos anos camufladas. Até aqui, os cidadãos mais ingénuos, ainda se davam à bondade [e à paciência] de ouvir os políticos. Para isso, muito contribuíram as televisões, promovendo ao longo dos anos debates e fóruns com aparente qualidade democrática e alguma irreverência, para dar um tom mais genuíno ao espectáculo. Só que o mais importante ficou sempre por dizer: uma resposta séria sobre a dimensão da responsabilidade política... Os tempos mudaram, entretanto. Redes sociais e blogues constituíram-se rapidamente numa verdadeira força comunitária, quase um poder. Os órgãos de comunicação social, amarrados aos patrocínios comerciais, e à clientela política, começam agora a perceber [embora sem o assumir] que a corda do faz de conta está quase a rebentar e justificam a dispensa de pessoal com a crise económica. A crise conta para o caso, mas a perda de credibilidade também.
As estações de tv são quem sai pior nesta paisagem. Estão em perda vertiginosa e no entanto insistem em querer enganar-nos com os pareceres dos Mendes e dos Marcelos. Mas o que é que esperam deles? Opiniões, ou soluções? Por acaso os jornalistas não saberão que eles já tiveram a sua oportunidade e também não provaram grandes aptidões? Sendo assim, que interesse haverá para nós saber o que eles pensam? É impressionante o número de convidados que enchem diariamente os estúdios de televisão de manhã à noite para falar do governo e da crise, com repetições durante a madrugada. Grande parte deles, foram [e são] incompetentes, pouco honestos e trapaceiros. Também foram parte activa do drama porque hoje estamos a passar, e não há um único jornalista que se lembre disso e se sinta incomodado com a situação. Limitam-se a fazer o que lhes ordenam como se fossem trabalhadores desqualificados e acéfalos, reles paus mandados. Têm diante deles os aldrabões, os criminosos, aqueles que juraram respeitar a Constituição e que mais não fizeram do que a descaracterizar, e no entanto, tratam-nos como se fossem autênticos sábios!
Cá para mim que ninguém nos ouve, jornalistas e políticos, são farinha do mesmo saco. A menos que comecem a seleccionar melhor quem convidam para falar de coisas sérias. O que não é o caso.
Mas, serão eles assim tão tacanhos que ainda não tenham percebido o triste papel a que se estão a prestar? Ou estarão a fazer de nós parvos? Será por este caminho que querem restaurar a credibilidade perdida?















