10 outubro, 2012

Media insistem em dar status aos medíocres

Prós e contras & família
Há uma tecla, sobre a qual não me vou cansar de tocar enquanto os pianistas encartados, pagos para o desempenho do ofício, se recusarem a fazer o seu trabalho. A 'tecla', é um jeito metafórico de dizer que devem "pressionar os governantes [e ex-governantes], de forma a obrigá-los a assumir a sua falta de sentido das responsabilidades". Os pianistas encartados são, evidentemente, os jornalistas, porque enquanto profissionais independentes [são eles que o dizem] da comunicação, tinham o dever de arrancar da boca dos políticos aquilo que eles não gostam de dizer.

Não deixa de ser embaraçoso para um jornalista que se preze, aparentemente pago para informar com isenção, que a blogosfera esteja gratuitamente a ultrapassá-los em termos de objectividade e pertinência. E é pena, porque podiam aproveitar este vazio de competências institucionais e políticas, para mostrar o que valem, espremendo até ao tutano os dirigentes e ex-dirigentes governativos até eles explodirem de raiva [ou de vergonha]. Mas não. Em vez disso, seguem o caminho mais fácil, que é: "se não podes vencê-los, junta-te a eles". Mas são tão estúpidos que nem o despedimento de 48 trabalhadores hoje anunciado pelo Público os convence que o filão do conformismo com que foram vendendo jornais está-se a esgotar e que, se querem destacar-se da blogosfera e vender mais jornais, têm de escrever mais para o grande público e menos para clientelas políticas.

Se estes tempos de pré-anarquia inconstitucional nos têm trazido dissabores de toda a ordem, também trazem com eles evidências que andaram muitos anos camufladas. Até aqui, os cidadãos mais ingénuos, ainda se davam à bondade [e à paciência] de ouvir os políticos. Para isso, muito contribuíram as televisões, promovendo ao longo dos anos debates e fóruns com aparente qualidade democrática e alguma irreverência,  para dar um tom mais genuíno ao espectáculo. Só que o mais importante ficou sempre por dizer:  uma resposta séria sobre a dimensão da responsabilidade política... Os tempos mudaram, entretanto. Redes sociais e blogues constituíram-se  rapidamente numa verdadeira força comunitária, quase um poder. Os órgãos de comunicação social, amarrados aos patrocínios comerciais, e à clientela política, começam agora a perceber [embora sem o assumir] que a corda do faz de conta está quase a rebentar e justificam a dispensa de pessoal com a crise económica. A crise conta para o caso, mas a perda de credibilidade também.

As estações de tv são quem sai pior nesta paisagem. Estão em perda vertiginosa e no entanto insistem em querer enganar-nos com os pareceres dos Mendes e dos Marcelos. Mas o que é que esperam deles? Opiniões, ou soluções? Por acaso os jornalistas não saberão que eles já tiveram a sua oportunidade e também não provaram grandes aptidões? Sendo assim, que interesse haverá para nós saber o que eles pensam? É impressionante o número de convidados que enchem diariamente os estúdios de televisão de manhã à noite para falar do governo e da crise, com repetições durante a madrugada. Grande parte deles, foram [e são] incompetentes, pouco honestos e trapaceiros. Também foram parte activa do drama porque hoje estamos a passar, e não há um único jornalista que se lembre disso e se sinta incomodado com a situação. Limitam-se a fazer o que lhes ordenam como se fossem trabalhadores desqualificados e acéfalos, reles paus mandados. Têm diante deles os aldrabões, os criminosos, aqueles que juraram respeitar a Constituição e que mais não fizeram do que a descaracterizar, e no entanto, tratam-nos como se fossem autênticos sábios!

Cá para mim que ninguém nos ouve, jornalistas e políticos, são farinha do mesmo saco. A menos que comecem a seleccionar melhor quem convidam para falar de coisas sérias. O que não é o caso.

Mas, serão eles assim tão tacanhos que ainda não tenham percebido o triste papel a que se estão a prestar? Ou estarão a fazer de nós parvos? Será por este caminho que querem restaurar a credibilidade perdida?   

09 outubro, 2012

Não sei se vou ter dinheiro para lhe pagar...


 

Imagine que é um recente proprietário de uma fábrica de tijolos [por exemplo] devidamente equipada, e que para esta  produzir a quantia necessária para atingir os objectivos previamente traçados, precisa de xis número de operários.  Sendo o leitor uma pessoa de bem, e de contas, o que terá de fazer para avançar com o negócio? 

Admitindo que já tenha viabilizado o estudo de mercado e montado uma boa estratégia para conquistar clientela, a primeira coisa que deverá fazer, é saber se tem capital suficiente para as despesas correntes, à cabeça das quais terá de constar uma verba para salários, de modo a apurar se o dinheiro de que dispõe para o efeito chega para pagar a todos os trabalhadores. No caso de não chegar, tem duas alternativas: reduzir ao pessoal, sacrificando o volume de vendas inicialmente previsto, ou então, procurar financiamento para completar o projecto.

Será esse o procedimento habitual do empresariado médio em Portugal? Não tenho grandes dúvidas. Inspirado por um Estado caloteiro e mau pagador - é bom especificar que nós só somos Estado para contribuir, porque quem nele manda são os Governos -, uma grande parte dos empresários não faz as contas assim, prefere seguir a linha do que foi durante muitos anos estimulado pela banca com  a cobertura de vários governos, como seja: "compre agora, pague depois".  Depois, o que é que observamos? Coisas brilhantes como, dizer a empregados recentemente admitidos pérolas do género: "não sei se terei dinheiro para lhes pagar". Deste modo, procuram logo à entrada mentalizá-los para situações semelhantes no futuro, ao mesmo tempo que os mantém assustados com o espectro do despedimento.  Não é muito inteligente, diga-se, mas o chico-espertismo é assim mesmo, nunca foi prova de inteligência. De mau carácter e oportunismo, seguramente.  

Mesmo assim, nada impede os mais incautos que eventualmente se deparem com cenários desta natureza, de responder da mesma moeda aos donos do negócio qualquer coisa assim: "se o senhor não sabe se tem dinheiro para me pagar, então também não sei se me apresentarei ao trabalho quando você quiser".

Aparentemente, a chico-espertice do patrão pilantra seria logo abortada à nascença com efeitos retroactivos altamente significativos, caso as pessoas se levassem um pouco mais a sério e deixassem de parte medos antigos, partindo sempre do cómodo princípio que só terão a perder, porque haverá sempre alguém disposto ao triste papel de se deixar explorar.   

08 outubro, 2012

Foi bom, mas podia ter sido melhor

OBRAJACKSON!
  • Depois queixem-se dos "generalismos", senhores jornalistas [se os há honestos, por que permitem isto?].

Nunca tive dúvidas, mas eles tratam de as reforçar: a RTP tem nos seus quadros, talvez o maior número de vigaristas por metro quadrado da comunicação social portuguesa, embora não esteja sozinha nesta maratona, como é público.

Apesar de saberem que os golos sofridos e marcados contam para a classificação geral, ontem, em vez de dizerem que o FCPorto liderava o campeonato [como aliás fizeram quando o Benfica estava na mesma situação], disseram que o FCPorto se "colou" ao Benfica na classificação, o que não é a mesma coisa.  O FCPorto passou para a frente. Mas, é assim que anda este país, os escroques são mais que as galinhas, mas menos prestáveis...

  • Apesar de merecer ganhar o jogo contra o Sporting [que ainda não percebeu que as queixinhas não ganham troféus], o FCPorto voltou a acomodar-se ao 1-0. Sobre isto apenas tenho a dizer o seguinte: se o treinador não percebe porque é que isto continua a acontecer, é porque não sabe lidar com o problema, o que é preocupante, não só para a equipa, como para os adeptos. No meu conceito sobre o que deve ser um treinador completo, cabe também a liderança dos aspectos psicológicos. Como adeptos, devemos apoiar o treinador, mas não é escondendo o que pensamos [e tememos] que o faremos melhor. É preciso dar o alerta antes que seja tarde. É que se os jogadores são quem decide, então talvez seja mais coerente - e fique mais em conta - abdicar do treinador.

Lamento dizê-lo, e não me quero armar em visionário, mas com esta alternância na postura e no rendimento da equipa, com esta instabilidade exibicional, não acredito que haja um único portista que se sinta confortável nesta situação e não fique em cada desafio com um travo amargo de insegurança em relação ao futuro. Mas, descansem os mais puristas que não serei eu que me servirei dum eventual fracasso para dizer: eu não disse, eu não avisei? Não! O que eu gostava apenas, era de ver corrigidas algumas debilidades, antes que seja tarde. 

Como diria o saudoso Robson: depois de conseguir o 1º. golo, é preciso partir logo à procura do 2º, e se possível controlar o jogo, depois do 3º... Ele dizia-o, mas não se contentava com isso, obrigava os jogadores a obedecer-lhe, nem que para isso tivesse de os mandar dar umas voltas ao relvado, depois dos jogos!

PS-Antes que algum "perfeccionista" me lembre que o FCPorto ganhou por 2-0, lembro eu que só conseguiu chegar ao 2-0 através de um penalti, que apesar de justo, até podia nem ter sido marcado, caso o árbitro fechasse os olhos, como é habitual no Jorge de Sousa... Já sabemos: nós não podemos contar com os humores favoráveis dos árbitros...

Governo de salvação nacional




No início dos anos 80 Portugal vivia uma crise semelhante, na sua natureza, à atual. Foi necessária a intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) para equilibrar as nossas contas públicas, o que se fez à custa de duros sacrifícios impostos ao povo português, nomeadamente aos que tinham como única fonte de rendimento a sua capacidade de trabalho. Quem não se lembra das falências e dos salários em atraso, incluindo em empresas pertencentes ao próprio Estado?

O país, porém, era outro: estávamos a caminhar, lenta mas decididamente, para a integração na Comunidade Económica Europeia (CEE) o que aconteceu em 1 de janeiro de 1986, e, apesar de pobres, os portugueses não estavam tão endividados como estão hoje. Os dois principais partidos, PS e PSD, puseram de lado as suas divergências partidárias e aliaram-se num gigantesco esforço patriótico para ultrapassar a situação. Os seus dirigentes máximos, Mário Soares e Carlos Mota Pinto, souberam colocar o interesse nacional acima dos interesses imediatos dos respetivos partidos.

É claro que houve muita contestação entre as clientelas partidárias, insatisfeitas com a divisão de lugares no aparelho Estado feitas por António Campos e Ângelo Correia, então promovidos a uma espécie de prebostes para repartir as sinecuras públicas. Da parte do PSD os principais franco-atiradores eram o recém-falecido Eurico de Melo e o ex--ministro das Finanças do Governo da Aliança Democrática, Aníbal Cavaco Silva, o qual acabaria por derrubar a coligação logo a seguir à sua entronização (com a bênção do «motapintista» Fernando Nogueira) durante um tumulto público que o PSD organizara na Figueira da Foz. Cavaco Silva foi eleito presidente do PSD e logo a seguir primeiro-ministro, Mário Soares foi eleito presidente da República (depois de uma estrondosa derrota do PS nas eleições legislativas) e Mota Pinto faleceu subitamente, em Coimbra, em 1985. Apesar de todas as dificuldades, a crise foi vencida e o país iniciou em 1986 um período de prosperidade e também de esbanjamento de recursos sem precedentes na nossa história coletiva.

Se evoco esse período da nossa vida política é para me interrogar por que é que, hoje, perante uma crise de dimensões muito maiores, os dois maiores partidos da nossa democracia não põem de lado as suas divergências partidárias e até ideológicas para mobilizar as vontades e recursos nacionais para a combater. Por que é que o atual presidente da República não promove, através do seu magistério de influência, uma tal via.

É claro que as clientelas partidárias, sobretudo as dos partidos que estão no Governo, iriam sentir-se prejudicadas, pois teria de haver uma redistribuição de lugares e cargos nos órgãos centrais da administração pública, nas fundações dependentes do Estado, nos institutos e nas empresas públicas. Mas, a dimensão e natureza da crise que vivemos não justifica esse esforço adicional de patriotismo? Não justifica que os partidos ponham, uma segunda vez, o interesse nacional acima dos seus próprios interesses egoístas?
Os custos que o povo português terá de suportar ao não se enveredar por esse caminho serão muito maiores do que os que suportaria se o combate à crise fosse feito com o esforço conjunto do PS e do PSD. Não há boas soluções, muito menos duradouras, geradas no quadro de visões unilaterais e ideologicamente fanáticas como está a acontecer agora. Além disso, numa coligação entre os dois maiores partidos da democracia portuguesa nenhum deles teria força suficiente para fazer ao outro enxovalhos públicos semelhantes aos que o PSD está a fazer ao seu atual parceiro de Governo. Na verdade só um partido que põe decididamente os interesses da sua clientela acima do interesse nacional (e até da sua própria dignidade política) é que suportaria o que a dupla Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar têm vindo a fazer ao CDS. O PS, por seu turno, não pode nem deve limitar-se a esperar, na zona de conforto que é a Oposição, a "pasokização" do PSD.

Quando o sistema político não é capaz de gerar soluções consensuais e duradouras para uma das maiores crises da nossa história, então a verdadeira solução terá de ser encontrada fora do próprio sistema.

Nota de RoP: 
Só o facto de nos habituarmos a comentar a clientela política instalada nos partidos, sem uma reacção à altura da sua gravidade, constitui de per si um outro problema, que é a "naturalidade" como o absorvemos. 

É por estas razões que a corrupção não pára de subir na política. E é por isso também que os políticos não se livram tão cedo da fama de crápulas e de gente de má fama. 

Comecem a exigir o castigo à medida do crime e vão ver como esta bandalheira acaba. 

07 outubro, 2012

TEORIA DE MARC FABER

Curiosa teoria económica anunciada nos Estados Unidos. O tipo chama-se Marc  Faber. É analista e empresário. Em Junho de 2008, quando a Administração Bush estudava o lançamento de um projecto de ajuda à economia americana, Marc Faber escrevia na sua crónica mensal um comentário com muito humor:

"O Governo Federal está a estudar conceder a cada um de nós a soma de 600,00$. Se gastamos esse dinheiro no Walt-Mart, esse dinheiro vai para a China. Se gastamos o dinheiro em gasolina, vai para os árabes. Se compramos um computador o dinheiro vai para a India. Se compramos frutas, irá para o México, Honduras ou Guatemala. Se compramos um bom carro, o dinheiro irá para a Alemanha ou Japão. Se compramos bagatelas, vai para Taiwan, e nem um centavo desse dinheiro ajudará a economia americana

O único meio de manter esse dinheiro nos USA é gastando-o com putas ou cerveja, considerando que são os únicos bens realmente produzidos aqui.

Eu já estou a fazer a minha parte..."

RESPOSTA DE UM ECONOMISTA PORTUGUÊS, IGUALMENTE DE BOM HUMOR:

"Estimado Marc: Realmente a situação dos americanos é cada vez pior.Lamento no entanto informá-lo que a cervejeira Budweiser foi recentemente comprada pela brasileira AmBev. Portanto ficam somente as putas.

Agora, se elas (as putas), decidirem mandar o seu dinheiro para os seus filhos, ele viria directamente para a Assembleia da República de Portugal aqui em Lisboa, onde existe a maior concentração de fdp do mundo".

02 outubro, 2012

O teatro da real politique

Que me desculpem a imodéstia, mas podem estar certos que nenhum jornal diz coisas mais verdadeiras que o Renovar o Porto. Calma, não saltem já da cadeira, que não me estou a imaginar o Mourinho da blogosfera... Sendo a relatividade a mãe de todas as desculpas, só a consciência dos leitores poderá avalizar o tamanho da relatividade do que escrevo.

Ultimamente, paira como nunca nas bocas do mundo, esta pergunta: "Andará tudo doido?". A verdade é que, se não está tudo doido, parece.  Doido varrido está de certeza o Governo. Saiu Sócrates, entrou Passos. Notam algumas diferenças? Um mentia, e o outro mente porque diz que o outro mentiu. E é melhor não dar-mos importância ao que dizem os amiguinhos de ambos, porque para questões de política e de criminalidade, os amigos são as últimas pessoas a quem devemos dar  ouvidos. Ainda ontem ouvi um General dizer que "achava Pedro Passos Coelho um homem honesto, mas imaturo para 1º Ministro", e não relevei por aí além essas palavras, apesar de até lhes poder encontrar alguns pingos de bom senso. Pela mesma ordem de razões que a presumida [mas não provada] seriedade de Rui Rio não faz dele um bom autarca, a de Passos Coelho, e a sua imaturidade, nunca se recomendaria para chefe do Governo.

Mesmo sendo pouco democráticos, os jornais ainda têm alguma utilidade, porque sempre informam do que se vai passando pelo mundo, ainda que sem nos dispensar de uma prévia filtragem aos exageros, às mentiras e omissões, consoante o alinhamento económico-político em que se encaixam. Não devemos portanto confundir informação com transparência e liberdade. Nesse capítulo, os bloggers sempre estão uns degraus mais acima.

Estamos a viver talvez a maior crise de sempre. Global. Esta crise ultrapassou as nossas fronteiras, não é só governativa, nem financeira, é sobretudo política. É todo o regime do mundo capitalista [agora convenientemente baptizado de neo-liberalista] que está em causa. E o dinheiro é cego, sabemos, não tem, nem nunca terá pruridos de cariz social. O dinheiro procura mais e mais dinheiro. Só os países nórdicos mais desenvolvidos, através de políticas de gestão rigorosas, com Estados bem estruturados e mentalidades sérias, têm capacidade para  controlar a ganância   da banca internacional. 

Portugal, continua a provar ao Mundo que não tem gente com perfil para o governar. E o que é que continuamos a ver? Vemos políticos no activo, ex-políticos, empresários, jornalistas, economistas, numa autêntica maratona a esgotarem os estúdios das estações de rádio e televisão, para darem pareceres sobre aquilo que menos percebem: governar.  No entanto, e ao que parece, é desses protagonistas, que já deram provas de incompetência [e muitos, até de desonestidade], que os jornalistas esperam a solução para o país. O palco pertence-lhes, porque o crime compensa. Se os media fossem realmente amigos do povo, ouviam mais o povo e desprezavam a opinião dos incompetentes e dos reais responsáveis pelo estado a que o país chegou. Mas, é nesta hipocrisia que eles se dão bem, o paradigma não pode ser outro. Os criminosos mandam os inocentes pagar a crise que eles geraram e nem sequer lhes passa pela cabeça provar do venêno que lançam para a vida de outros: transferir alguma austeridade para as suas contas pessoais e salários. Tão medíocres, e tão revoltantemente cínicos que eles são.

Quanto aos jornalistas, são meros cúmplices do regime e actores contratados para fazer de conta que são uma força de oposição ao poder. Não. Eles são a ala secreta de qualquer poder, apenas variam de acordo com as oportunidades político-partidárias. 

30 setembro, 2012

FCPorto, outra réplica do ano passado?

Conhecendo como funciona a cabeça de certos adeptos quando as coisas começam a correr contra o previsto, compreende-se a opção de outros por um discurso mais contido e paciente.

O mal do fanatismo, além demonstrar uma clara incapacidade para dar tempo ao treinador para se adaptar ao clube e ao conjunto de jogadores com o qual terá de construir a equipa, é o radicalismo verbal que emana das suas críticas. Os fanáticos, não perdem tempo para pedir a expulsão do treinador e acompanham a exigência quase sempre com os insultos mais torpes, colocando em dúvida o amor que dizem ter pelo clube. Curiosamente, tais adeptos são muito pacíficos e subservientes com a classe política que lhes tem despedaçado as vidas e as dos seus filhos. Se lhes falarem em Regionalização, muitos, não fazem ideia do que é...

Há no entanto algo em comum entre as diferentes maneiras de viver o futebol: todos os adeptos [fanáticos e tolerantes] querem ver o clube ganhar. Reportando-me agora ao FCPorto, podia garantir, sem correr o risco de me enganar, que a segunda coisa em comum dos portistas da era Victor Pereira, é a expectativa. E que expectativa será essa? É muito simples: consiste em saber em definitivo se Victor Pereira é ou não, o treinador que o FCPorto precisa.

Os últimos jogos do FCPorto pareciam dar a entender que este ano, tanto o treinador como os jogadores estavam bem mais confiantes. Ora, depois de termos ouvido o discurso preventivo de Victor Pereira, antes do jogo de ontem com o Rio Ave, ficamos todos convencidos que os jogadores iam entrar no jogo concentrados e dispostos a resolvê-lo logo na 1ª. parte. Pura ilusão! A posse de bola por si só, não explica nada, nem resolve os jogos, e o FCPorto sabe-o bem. Então, o que é que falhou? Falharam todos? O papel e a responsabilidade dos jogadores e do treinador serão iguais? Eu acho que não! E é aqui que eu quero chegar. A responsabilidade técnico-táctica e psicológica de um grupo de atletas é do treinador. A ideia que pessoalmente tenho, e não é de agora, é que Victor Pereira falha redundantemente na comunicação, tanto antes, como depois dos jogos. Pode até estar ali um bom treinador, mas faltando-lhe o dom de comunicar, nunca estará ali um excelente treinador.

Ontem, a primeira coisa que me irritou foi verificar que Jackson Martinez era um jogador desaproveitado [inutilizado], e só,  porque o jogo não lhe chegava, sem um único cruzamento ou passe que lhe fosse parar à cabeça, ou aos pés. Nada! A minha outra irritação, chegou quando, depois de obtido o primeiro golo - de recarga e por um defesa [Miguel Lopes] -, Victor Pereira e respectiva  equipa se ter(em) acomodado ao resultado mais traiçoeiro que pode haver para a equipa que ganha, que é  o 1-0.

Mas, a equipa não se limitou a acomodar-se ao 1-0, começou inclusivé a dar  mais espaços ao adversário que se tornava mais e mais ameaçador. O que fez Victor Pereira? Refrescou a equipa, fazendo descansar Lucho e Atsu, entrando para os seus lugares Fernando e Varela. Por aí, tudo bem. Mas, e depois? Terá havido uma mudança na atitude dos jogadores? Pressionaram mais, atacaram melhor? Não! Continuaram a jogar pousadamente, convictos que "aquilo" acabaria por se resolver a contento, e que os  3 pontos não escapariam. Puro engano, e a repetição de um fado que já julgávamos morto no plantel do FCPorto reapareceu. Sofremos o golo do empate, e logo de seguida o 2-1, que daria a victória merecida à equipa da casa, não fosse o golo de Jackson Martinez, já no período de descontos, no único cruzamento de jeito que recebeu em todo o desafio, facto que prova o desperdício de toda a primeira parte e quase toda a segunda.

Digo que o Rio Ave não merecia perder por uma razão muito simples. É taxativo: um jogo de futebol só pode dar-se por terminado depois do apito final do árbitro. Vem nos livros...Fazer a gestão do 1-0 quando ainda faltava tanto tempo para jogar, não é uma decisão inteligente, nem sequer corajosa. Como não é inteligente ficar impassível no banco, não dando sinais de inconformismo para dentro do campo, quando o resultado ainda estava 1-0, e o Rio Ave ameaçava a baliza do FCPorto.

É desta postura passiva, meio medrosa e quase suicída de Victor Pereira que não gosto, e que não me transmite confiança. Mais. Creio mesmo que, se não fosse a falta de confiança, ele não precisava de usar as conferências de imprensa para mandar recados para o plantel, porque era sinal que eles já tinham sido devidamente passados e assimilados dentro do balneário. Por isso, estou preocupado. 

Quarta-feira, o teste será doutra dimensão. Há uns milhões de euros para dar a ganhar ao clube, além, claro está, do prestígio e dos pontos. E compete ao treinador e aos jogadores trabalhar para rentabilizar o clube. Veremos se chega termos um treinador competente, sem essa capacidade de ler, sentir e reagir aos jogos e aos jogadores, em tempo útil.

Repito: se  o sofrimento for a imagem de marca deste Porto de VP, então vou passar a ligar o rádio no fim dos jogos apenas para me inteirar do resultado. Gosto de futebol, mas masoquista, eu não sou.

28 setembro, 2012

Visca Catalunya lliure




No sábado, primeiro dia de dezembro de 1640, quarenta fidalgos levaram a cabo um bem sucedido golpe palaciano, defenestrando Miguel de Vasconcelos, o representante em Lisboa do governo de Madrid, chefiado pelo conde-duque de Olivares, e aclamando rei D. João duque de Bragança.

Esta versão resumida da Restauração tem, de acordo com os historiadores, uma pequena incorreção (os conjurados seriam 107, não apenas 40), mas todos eles sublinham que o sucesso do golpe se ficou a dever ao facto de na primavera desse ano de 1640 ter rebentado uma rebelião da Catalunha, cujo esmagamento os conselheiros de Filipe IV consideraram prioritário sobre uma intervenção em Portugal.

Ou seja, se não fossem os catalães, muito provavelmente Portugal seria agora mais uma das autonomias de Espanha, tal como a Galiza ou o País Basco, em tensão permanente com o centralismo castelhano.

Apesar de não ter a certeza de que estejamos melhor a ser explorados por Lisboa em vez de por Madrid, sempre senti uma enorme simpatia pelos catalães que involuntariamente favoreceram a nossa libertação. Torço pelo Barça, que é o meu segundo clube. O Viatge a Itaca, de Lluis Llach, está no meu top ten dos melhores álbuns de sempre. Sou viciado nos policiais de Vásquez Montalbán. E, sim, Madrid é uma bela cidade, mas Barcelona, bem Barcelona é outra coisa.

Fartos de Madrid, os catalães iniciaram o caminho que os levará à independência. Faz sentido porque a Catalunha é uma nação, com cultura e língua próprias. Faz sentido, porque tudo leva a crer que a maioria dos seus habitantes querem ser independentes. Faz sentido porque os ventos da História sopram na direção de uma Europa federal e multipolar.

Para sobreviverem, as empresas souberam adaptar-se à mudança, substituindo o modelo de governo centralizado, vertical e fortemente hierarquizado - fonte de desperdício de recursos e pai de muitas decisões erradas - por outro concêntrico, mais eficaz e onde o poder está distribuído (empowerment).

Para sobreviverem, os aparelhos de Estado têm de imitar as empresas, o que implica a destruição de estados artificiais (como o espanhol) e pôr em marcha um processo irreversível que combine federalismo e desconcentração de poder.

A Noruega tornou-se independente da Suécia. A Eslováquia separou-se da República Checa. A Jugoslávia explodiu, dando lugar a Eslovénia, Croácia, Sérvia, etc.. É um erro estúpido pensar que o mapa da Europa é um desenho acabado.

A Catalunha quer e vai ser independente. Será o rastilho do fim do Estado espanhol tal como o conhecemos. A seguir será a vez dos bascos se emanciparem de Madrid . Depois, talvez os galegos. Todos os povos peninsulares ganharão com uma Ibéria multipolar. É nesta direção que sopram os ventos da História, Visca Catalunya lliure! (Viva a Catalunha livre!)

[do JN]

Pinto da Costa iniciou comemorações do 119.º aniversário do F.C. Porto



(Em atualização) O F.C. Porto iniciou, esta sexta-feira, as comemorações do 119.º aniversário com o hastear da bandeira no Estádio do Dragão, numa cerimónia marcada pelo reaparecimento público de Pinto da Costa, que recupera de uma intervenção cardiovascular.

Pinto da Costa iniciou comemorações do 119.º aniversário do F.C. Porto


                                 Pinto da Costa em público após operação a 4 de setembro
A sessão foi ainda marcada por uma homenagem aos atletas, dirigentes e associados do F.C. Porto já falecidos, com o depositar de flores nos monumentos erigidos em memória de Pavão e Rui Filipe.

A cerimónia dos "dragões", e já depois de Pinto da Costa ter hasteado a bandeira do F.C. Porto ao som do hino do clube, contou ainda com a atuação extraprograma de um adepto cuspidor de fogo.

Durante o fim de semana, numa iniciativa integrada no programa de aniversário, o Estádio do Dragão estará aberto a visitas, com 119 dos troféus conquistados pelo clube colocados ao longo do percurso.

Ainda a pensar nos adeptos "azuis e brancos", as lojas do F.C. Porto também estão em festa com promoções especiais até domingo, nomeadamente a oferta de estampagens a quem comprar camisolas.

O presidente do F.C. Porto foi submetido a uma intervenção cardiovascular a 4 de setembro, anteriormente planeada, no Hospital de S. João, no Porto.

[Extraído do JN]

27 setembro, 2012

Depuração política, precisa-se!

 Rui Gomes da Selva
Como diria Lucky Luke, para alguém se tornar num político medíocre, só precisa de ter "a manha da da raposa e a astúcia do coiote", tudo o resto, pode esperar. Quando falo de resto, falo de coisas às quais a maioria dos políticos não liga patavina [como  honra, coerência, respeito e competência], porque, com está bom de ver, não são esses os valores que lhes incutem nos partidos para poderem singrar na carreira. E nem precisam de os ler numa cartilha, basta o contágio com os mais antigos, e... intuir.

Se aprendi a ter esta concepção dos políticos devo-a, apenas e só, a eles, os políticos, porque, este saber não se instalou em mim abruptamente. Começou por volta de 1974, com o advento daquilo que pensava ser uma Democracia e me levou a imaginar o futuro de Portugal como o presente dos países nórdicos. Aos poucos, essa percepção foi crescendo, governo após governo, e amadurecendo durante quase quatro décadas, adensada  pela saturação de promessas não cumpridas, de programas repetidamente falhados, de mentiras repetidas [e consentidas],  de crimes sem castigo, até chegarmos aos dias de hoje, onde a miséria e o baixo nível de vida continua a ser o habitat natural do povo, e a corrupção o abc dos governantes. Exactamente, a corrupção. E creio que o simples facto de haver uma Procuradora Adjunta que não a reconhece e até a refuta, é uma confirmação do autismo a que também chegou o nosso sistema judicial e do alheamento que continua a ter da realidade.

Seria impossível para mim manter-me engajado num partido-político [atenção, não estou a falar de clubes nocturnos!] e ter como companheiros figuras como o da foto sem me sentir envergonhado. Só de imaginar que me podiam confundir com ele era razão suficiente para me afastar do partido. Do dele, ou de qualquer outro que abrigasse no seu seio gente tão mal formada como ele. Já sei o que alguns dos que se sentem atingidos estarão a pensar. Deve ser qualquer coisa do género: "será que tu nunca conheceste ninguém assim no teu lugar de trabalho e também te despediste?"

O que se me oferece dizer é apenas isto: para ser sincero, não me lembro de ter conhecido ninguém tão abjecto como o exemplificado, mas conheci uns pulhazitos, é inevitável. Sucede que, o local onde trabalhámos não nos pertence, é propriedade de outrem a quem compete seleccionar o perfil dos colaboradores de que precisa. Além disso, a partir do momento em que o trabalho termina não somos mais obrigados a partilhar o espaço físico com essa gente, e podemos depurár-nos no regresso a casa.

Só que um partido político não pode, nem deve, ser comparável com uma empresa*. Um partido é uma instituição democrática com pretensões governativas, com deveres específicos, sendo o saber rodear-se dos melhores elementos talvez dos mais relevantes, até porque passam a ser figuras públicas.

Não sendo assim, mais grave do que deixar cair a máscara, é provar inexoravelmente ao povo que a original mancha de vergonha toda a classe política. Como é o caso.

* Com ligeiras nuances, o grau de elevação exigível aos políticos governantes [e não só], aplica-se também às empresas públicas [como a RTP].

Políticos inspiram anedotário do futebol

26 setembro, 2012

Adoro o Porto!


Há muito tempo que não ouvia tanta gente a dizer-me que adora o Porto, como nestes últimos dias do mês de setembro. Para quem já descobriu que o Porto é adorável há mais de cinquenta anos, saber que existem hoje tantos adoradores da cidade e da Região no resto de Portugal e no resto do Mundo não é uma enorme surpresa, mas é uma excelente notícia.


Logo agora que tanto andamos a precisar delas porque, ou eu me engano muito, ou o que vem aí em vez da queda da TSU caída em desgraça, são outra vez notícias muito más para os bolsos e as bolsas dos contribuintes portugueses.

Começando a ronda das boas notícias pelo nosso querido Portugal, há que dizer "ab initio" que as notícias são boas para o Porto, mas emanam de maldades sentidas noutros pontos do território, "maxime" Lisboa. De uma forma indireta já tinha dado por ela em outras conversas com outra gente, mas o diretor-geral do Porto Canal, o meu amigo e portuense indefetível Júlio Magalhães, confirmou-me um destes dias que nunca teve tanta gente a pedir-lhe emprego ou, pelo menos, trabalho.

Isto dito assim não parece nada de extraordinário na conjuntura atual, mas tenho de explicar aos leitores que aquilo de que o Júlio fala é de colegas seus da Comunicação Social de Lisboa que querem vir trabalhar para o Porto. Assim consigam arranjar uma porta aberta.

Tratando-se de gente que foi dispensada ou despedida recentemente da Imprensa, das televisões ou das revistas, já surpreende alguma coisa este súbito desejo de rumar ao Porto, mas ainda não pode ser considerado extraordinário, extraordinário.

O que realmente é mesmo extraordinário é que esta paixão de querer ver o Porto quando se vem de Gaia e se atravessa o rio (podendo fazê-lo facilmente todos os dias) é hoje partilhada por um vasto número de pessoas que estão ainda ao serviço de vários órgãos de Comunicação Social da capital. O que até há pouco tempo era considerado quase como um paraíso na terra e o que mais havia era jornalistas do Norte a quererem emigrar para Lisboa.

Dir-me-ão os mais céticos ou mais pessimistas que se trata de gente que prevê a borrasca e quer antecipar-se a um eventual despedimento. Até posso admitir alguma verdade nisto, mas por um lado não vejo por que razão a "borrasca" nesses meios se ficaria apenas por Lisboa, e por outro, aquilo que o meu amigo me contou tem outra substância. Muitas das pessoas com quem ele tem falado estão fartas do tipo de vida que levam na capital, tanto em termos profissionais como em termos pessoais e sociais. Falam de querer viver num meio mais convivial e mais autêntico, dizem maravilhas da noite do Porto, da sua gastronomia e, acima de tudo, das suas pessoas. Da sua maneira de ser e estar.

Deixemos de ser hipócritas ou distraídos! Para quem se alimenta ou vive dos corredores do Poder, Lisboa continua a ser insubstituível. Pelo menos até ao dia em que nos decidirmos a seguir os caminhos mais recentes da Catalunha. Para quem desenvolve a sua vida fora deste círculo privilegiado tem muito mais qualidade de vida na região do Porto do que na capital e concelhos limítrofes. Sobretudo agora que as diferenças climáticas já não são tão significativas como eram.

Mas chamo a vossa particular atenção para quem tem dito que adora o Porto e não vive cá. Ou nunca cá tinha vindo. Estes relatos tenho-os eu em primeira mão, ao vivo. Começou ontem e estende-se até quinta-feira uma Convenção Mundial Têxtil (do IAF, International Apparel Federation) que reúne quase duzentos líderes e agentes do setor, vindos de 4 continentes.

Gente importante e com bom gosto tradicional que veio da Austrália, Japão, Paquistão, Canadá, Estados Unidos, México, Colômbia, China, Rússia e também de outros países europeus para um encontro mundial que nunca se tinha feito em Portugal e que há cinco anos que não era feito na Europa. O Porto foi a cidade sugerida pela ATP, mas foi escrutinada ao longo de várias visitas dos responsáveis internacionais pela organização destas Convenções. Por muitas e boas razões foi a cidade escolhida e de toda a gente temos ouvido louvores à escolha. Não se cansando de afirmar que estão a adorar o Porto.

Simultaneamente abre hoje no edifício da Alfândega a edição 40 do Modtissimo, que também vai bater o recorde de compradores estrangeiros já confirmados, num trabalho que é preciso agradecer ao AICEP e às suas delegações no estrangeiro, aos expositores do salão, mas também à cidade e região do Porto, que é cada vez mais adorável para combinar negócios com outros prazeres.

Ter tido a felicidade de poder ter adorado o Porto mesmo sem ter de o vir conhecer é uma graça que já ninguém será capaz de me roubar.

25 setembro, 2012

Dirigente da Fed duvida da eficácia da austeridade na Europa

 
Um dos dirigentes da Reserva Federal dos Estados Unidos (o seu banco central, conhecido por “Fed”), John Williams, considerou esta segunda-feira que os planos de austeridade exigidos a certos Estados da zona euro se arriscam a “travar” o crescimento económico e a complicar ainda mais a redução dos défices públicos.

“As autoridades europeias tomaram medidas importantes para conter a crise”, disse o presidente da Reserva Federal de São Francisco num discurso nesta cidade da Califórnia, saudando especificamente o novo programa de compra de obrigações anunciado no início de Setembro pelo Banco Central Europeu (BCE).

“Esse plano pode dar tempo aos governos europeus para porem em prática soluções mais globais para o sistema bancário e a sua dívida”, explicou. “Mas estamos longe de ter assegurado que os governos conseguirão fazê-lo, acrescentou, inquieto com o impacto da “onda de choque” da crise nos EUA.

Para beneficiarem da ajuda do BCE, os Estados da zona euro deverão pedir previamente apoio ao fundo europeu de estabilidade. Mas, alerta John Williams, em troca ser-lhes-á exigida “a aplicação de planos de austeridade”, incluindo aumentos de impostos e cortes na despesa pública.

Este dirigente da Fed considera que estas medidas são necessárias a longo prazo para colocar o orçamento desses governos numa “rota de viabilidade”, num momento em que vários estariam, segundo ele, “ameaçados” de terem de incumprir o reembolso da sua dívida. Mas diz também que os efeitos imediatos serão nefastos para a economia desses países.

“A curto prazo, a austeridade travou ainda mais o crescimento, prolongou o recuo da actividade económica e complicou ainda mais a redução dos défices”, observou Williams.

[do Público]

21 setembro, 2012

Cenas dos próximos capítulos

Caia ou não caia o Governo, é uma questão de tempo, novas - e pouco promissoras - eleições se desfilam neste cinzento horizonte português. A menos que, entretanto, haja o bom senso de se formar um governo de salvação nacional com os restos que sobram [sobrarão?] de gente capaz e sensata para defender o país dos aprendizes de feiticeiro que ainda nele mandam, dando-lhe um rumo sem ter de recorrer ao extermínio do povo.

Caso se realizem eleições antecipadas, lá teremos de aturar outra vez os feirantes da política a prometer-nos mundos e fundos, rodeados dos tios e das tias, e mais toda aquela prole de lambe-cus que costumam acompanhar as comitivas partidárias em almoçaradas e arraiais. E o mais certo, é que tal não passe da repetição de filmes antigos, para povo enganar, correndo o risco de tudo ficar na mesma [ou pior] uns mêses depois, sem que esta santa democracia nos poupe a um novo ciclo de vilanagem. 

Os banqueiros, esses, são bem mais espertos que o povo, se assim não fosse dispensavam as garantias que nos exigem quando precisamos que nos emprestem dinheiro. Não fazem por menos, só nos financiam se dispusermos de bens patrimoniais de valor igual ou superior ao montante requerido, caso contrário, nicles! E até faz algum sentido. Isto de fiar, já foi tempo. Agora com os eleitores já não é assim.. Mesmo estando vacinados contra o regabofe das campanhas, mesmo que não levem a sério as promessas dos candidatos ao trono da República, se os cidadãos quiserem ainda assim votar nalgum programa que lhes pareça convincente, não podem exigir qualquer tipo de garantias, apesar de terem imensas razões para desconfiar das promessas. E as razões abundam,  não são ficcionais... 

Mas, palpita-me que o povo se quiser votar, terá de o fazer [como de costume] às cegas, por intuição, ou então, simplesmente renunciar ao voto. E como assim tem sido noutras ocasiões, confesso que não compreendo de que se podem os cidadãos queixar se deixarem mais uma vez o país nas mãos de novos irresponsáveis. De garantias, repito, é o que mais precisam os portugueses. Se os Bancos não fiam, por que havemos de fiar nós? 

A propósito, hoje havia uma reunião do Conselho de Estado. Ter-se-à Cavaco esquecido de convidar Dias Loureiro e Duarte Lima? É que a presença desses cavalheiros seria uma verdadeira certidão de credibilidade para a classe política...   

Defenestremos pois

O(s) senhor(es) que se segue(m)!

  
A defenestração, no caso concreto da aplicação a pessoas, foi uma prática corrente no século XVII (embora já viesse do século anterior, tendo sido usada na matança de São Bartolomeu), nomeadamente na Guerra dos Trinta Anos.

Ficou famoso o episódio das "Defenestrações de Praga" (1619), tendo os nobres protestantes da Boémia invadido o castelo da capital e arremessando representantes do Governo Imperial* pelas janelas. Este foi, a par da demolição de duas Igrejas Luteranas na Boémia por parte das forças católicas do Sacro Império Romano-Germânico, um dos episódios determinantes na deflagração do conflito no continente.

Outra defenestração célebre ocorreu em Portugal, no contexto da Restauração da Independência. A vítima foi o Secretário de Estado Miguel de Vasconcelos, personagem odioso aos olhos dos portugueses por colaborar com a Dinastia Filipina, na manhã do dia 1 de dezembro de 1640, atirado das janelas do Paço da Ribeira para o Terreiro do Paço.

[Retirado da Wikipédia]

* Mais imperial(ista)  que a Troika, só mesmo o Governo.




20 setembro, 2012

Serviço público, será isto?


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Olho a página 12 do JN, para a foto do pai da juíza da Anadia que assassinou o genro quando tinha a filha  deste último [e sua neta] ao colo, e pergunto-me que futuro terá a Justiça portuguesa se o presente nos dá exemplos tão cruéis e vergonhosos como este? Só de olhar para o sorriso cínico da besta, ficamos com a sensação de estar na presença - não de uma pessoa -, mas de qualquer coisa capaz de matar a sangue frio, só porque se sente protegido por um sistema de justiça corrupto, como nem no tempo de Salazar existiu. E a vontade que dá ao ver isto, é retribuirmos na mesma moeda, fazendo aquilo que os tribunais, em casos como este, tardam em fazer, ou não fazem mesmo. É demais, porra!

Mas que Democracia é esta, senhores? Tanta farsa, tanta gente a brincar ao sério, usando o país como um imenso palco de teatro, para nos oferecer espectáculos de gosto macabro, sem sequer os termos pedido? Socialmente, continuamos a valorizar demais [eu, nem por isso] o papel dos media, talvez porque somos incapazes de perceber como somos ludibriados com o que lemos na página, ou no programa seguinte, sujeitando-nos a ser tratados por mentecaptos e persistindo em viver com esta absurda contradição.

Se a hipocrisia não fosse tão óbvia e crónica, como mostrarei a seguir, talvez pudéssemos confiar um pouco mais no que os jornais dizem, mas ela existe, está lá escarrapachada. A título de exemplo, reproduzamos então o que vem  na página 10 do mesmo JN:  

"Dupla sacou dinheiro a desempregados que queriam vida melhor". "Cobraram por seguros, vistos e consultas médicas a fingir". E, em letras garrafais: "BURLAM CENTENAS COM FALSOS EMPREGOS NO ESTRANGEIRO" . O autor da notícia, convém citá-lo, é Nuno Miguel Maia, o mesmo jornalista que acompanhou com obsessão inusitada o processo Apito Dourado, particularmente centrado em Pinto da Costa...

Caso a referida notícia não comportasse de facto doses maciças de cinismo, até podia ser considerada  um louvável serviço de prevenção pública. O problema, é que folheando as páginas dos anúncios, verificamos que o JN usa a regra do Frei Tomás, ["olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"], hipotecando a autenticidade da notícia anterior, visto não abdicar de publicitar anúncios de oferta de emprego sem a mínima credibilidade [como os acima exemplificados],  passíveis de contribuir para a propagação de fraudes idênticas àquelas que noticiara, empurrando assim muita gente para ratoeiras que a pode até desgraçar. Isto, só para não falar do dinheiro que o JN recebe com os anúncios dedicados à prostituição [só hoje, dedicou-lhe 5 páginas!], que ainda por cima é uma actividade "proibida" em Portugal [tal como foi o aborto]. 

Se estes comportamentos obedecem à ética, ou ao zelo pela segurança dos cidadãos, então estamos conversados... 

PS-Remeti hoje mesmo este artigo para o JN , Semanário Grande Porto, e Porto Canal. A Bem da Nação! 

19 setembro, 2012

É de Mulher!

Maria Teresa Horta
O Ronaldo, ficou triste por ser multimilionário e por não o deixarem ser multibilionário. Ficou triste, por ele próprio ter cultivado a imagem de rapaz arrogante, invejoso até  [é só rever a forma como reagiu à entrega do prémio de melhor jogador do mundo a Iniesta], e por saber que há quem não aprecie o seu hábito patético de olhar para as câmaras de televisão.

Eu não peço tanto. Pela parte que me cabe, o que me entristece é viver num país onde poucas pessoas se aproveitam, muitas das quais gozando de previlégios e de estatutos da mais alta importância [imerecidos], quando eu, conhecendo-os como os conheço, nem sequer lhes confiava o meu cãozinho [se o tivesse].

Entristece-me [e muito], é que seja preciso tanta afronta, tanto derreter de salários, tanto saque às pensões de reforma, aos subsídios, ao aumento de impostos, para que o povo se tenha decidido a reagir. E mesmo assim com mansidão... 

Já me conforta um pouco saber que ainda há gente que dá algum valor, ao valor de ser pessoa. Como Homem, envergonha-me de certa maneira que seja uma mulher a ter a honra de dar um sinal de dignidade à sua existência. Essa mulher, é escritora, e chama-se Maria Teresa Horta. Foi distinguida com o prémio D. Dinis por um romance que escreveu, cabendo a entrega do prémio ao 1º.ministro Passos Coelho, mas recusou-se a recebê-lo...

«Não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto - cujo júri é formado por poetas, meus pares mais próximos - das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país».  «Sempre fui uma mulher coerente, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores»


18 setembro, 2012

Ai Jesus!

José M. Meirim [jurista, benfiquista, mas... honesto]
1. No dia 4, a secção profissional do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tomou uma decisão disciplinar relativa ao treinador Jorge Jesus, por declarações proferidas, dirigidas a um árbitro assistente, em Março deste ano, no final de um jogo que opôs o Benfica e o FC Porto. O treinador foi sancionado com 15 dias de suspensão e multa de € 1500.Esta decisão foi muito glosada por comentadores desportivos e ainda por alguns juristas, entre os quais eu numa rádio nacional.

2. Luís Sobral - no site MaisFutebol - referia a brandura do castigo, a demora e a ineficácia da decisão. Falou do CD como uma aldeia do futebol e aditou um juízo negativo aos termos do voto de vencido do presidente do CD. Para Bruno Prata o castigo é um escândalo e o presidente do CD devia demitir-se, visto o tal voto de vencido ser entendido como um "ataque" ao árbitro assistente. Ricardo Costa - ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga - concordou com o comunicado do FCP, quanto à demora e ineficácia da decisão. Mas foi mais longe. Enfatizou o escândalo que representa o facto de a FPF - bem como outras federações, aditamos - não tornar públicas as decisões dos seus órgãos jurisdicionais, como impõe a lei. Escândalo, só talvez superado pela inacção do Estado em fiscalizar esta matéria e repor a legalidade. Não é uma birra, uma mera formalidade que se deixa de cumprir. Publicitar as decisões e seus fundamentos, tem a ver com o Estado de direito, com a protecção da confiança dos agentes desportivos, com a transparência do agir de tais órgãos no exercício de poderes públicos. Obrigado Bola Branca. Obrigado Rádio Renascença por ter permitido o acesso à decisão, coisa que a FPF e o Estado não deixam.

3. Muitos dos leitores sabem que o meu mundo é cinzento. Posso ter ou não razão, pode a minha opinião merecer ou não crédito. Certo é que ela não é encarnada, verde ou azul. E também não é laranja ou cor-de-rosa. É cinzenta como o Direito. Dito isto, esta decisão - podia ser Ai Pereira ou Ai Pinto -, merece ser vivamente criticada, em particular o voto de vencido do presidente do CD. Alguma cautela se impõe - embora não sejamos ingénuos -, nas críticas quanto à medida da pena e ao tempo da decisão. Impõe-se celeridade na justiça. Desportiva ou outra. Decidir devagar só pode conduzir a situações como esta.

4. O que nos deixa atónitos são os termos e o conteúdo do voto de vencido do presidente do CD. Com o devido respeito - não exageremos aqui -, parece que estamos perante uma painel daqueles que as televisões nos oferecem para discutir - cada um com a sua camisola de clube - se houve ou não grande penalidade ou fora de jogo, e não a ler um texto de um presidente de um órgão disciplinar de uma federação. Há expressões totalmente inadmissíveis: "Dessa falta, muito grave e indiscutível [do árbitro assistente], resultou a vitória do clube visitante e a consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou daquele erro." Como é que é? Um resultado alcançado à 21.ª jornada, de 30, em que o FC Porto passou a ter três pontos de avanço? Como é possível afirmar isto, não sendo um mero adepto em discussão de café? Mais: "O árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e tinha a obrigação funcional de o fazer, e não fez, por motivações que só ele sabe." Mais ainda: "Isto é, o treinador, que era um dos grandes ofendidos do erro cometido, passou, por artes mágicas, a arguido e, nessa qualidade, punido disciplinarmente..." E o abuso das reticências ao longo do texto.

5. A "coisa" não vai acabar bem. Não pode acabar bem, independentemente da nossa vontade. Toda e qualquer decisão deste CD - profissional - está, a partir de agora, coberta por um indelével manto de suspeita. 


josemeirim@gmail.com

16 setembro, 2012

Manifestação e orgulho pífio

Multidão na Avenida dos Aliados, no Porto
Não sei se as manifestações contra o Governo [e a Troika] ultrapassaram as expectativas ou se ficaram muito aquém, o que sei, é que finalmente o povo decidiu sair à rua, mostrando que até os brandos costumes de que padece, tem limites. Gostava era de acreditar que toda esta súbita coesão popular não seja uma espécie de fogo fátuo, típico da decomposição de cadáveres, porque me parece que alguns só lá foram porque talvez pela primeira vez sentiram na pele o desconforto que outros andam a sentir há muito. Adiante...Vale mais tarde, que nunca.

Agora, teremos de ver se o impacto da manifestação terá repercussões significativas em futuras iniciativas do governo, ou se vai continuar tudo na mesma, e se o povo vai ter de recorrer a métodos menos civilizados para se fazer respeitar. Veremos.

Muito ainda há a mudar no nosso país, e não passa apenas pela requalificação dos políticos, passa por uma revolução de mentalidades.

Ontem, ao fim da tarde, quando assistia à final do campeonato da Europa de Hóquei em Patins, passei por sentimentos diferentes. Confiante, numa primeira fase em que a selecção nacional entrou destemida e muito concentrada, trocando a bola com rapidez, com desmarcações rápidas e sempre na direcção da baliza, que lhe renderam naturalmente uma vantagem de 2 golos, e uma outra, expectante, onde, pela enésima vez, não soubemos superar os nossos ancestrais complexos de inferioridade com os espanhóis, deitando a perder um campeonato que tivemos nas mãos, em mais do que uma ocasião.

E por que é que apresento o Hóquei para dizer que precisamos de alterar a mentalidade? Porque este foi o exemplo mais recente que tinha mais à mão para mostrar, mas bastava recuar um bocadinho no tempo para apresentar muitos outros. E não é difícil explicá-lo.

Comecemos pelo jogo. Enquanto nós, nos acomodamos à parca vantagem de 2 golos, naquele tradicional fazer render de peixe que nos tem sido fatal noutros momentos, os espanhóis continuaram a acelerar sempre com ataques perigosos na direcção da nossa baliza até chegarem ao empate [2-2]. Isto, acompanhado pelos comentários conformistas dos repórteres e convidados de serviço, que não se cansavam de elogiar a equipa nacional, aplaudindo a contenção de bola a segurar o empate, dado este ser "suficiente" para podermos vencer o campeonato.

Enquanto eu me preocupava com a tal contenção de bola dos portugueses, por haver ainda muito jogo pela frente, e por ver os espanhóis sempre perigosos e a acelerar, roubando muitas vezes a bola aos nossos jogadores [coisa que não aconteceu até chegarmos aos 2-0], os comentadores achavam a postura "táctica" dos portugueses correcta e  muito inteligente, e gabavam-se disso. Felizmente para mim, que possuo anti-corpos suficientes para resistir a este patriotismo de sarjeta, previ o que acabou por acontecer duas vezes. Uma, quando estávamos com o resultado em 3-3, que nos era favorável mas extremamente perigoso, e outra, por incrível que pareça, a poucos segundos do fim, incompreensivelmente acomodados a um 4-4 no fio da navalha, resultando a tão louvada estratégia na perda de um campeonato que, por COBARDIA do seleccionador deixámos fugir, e em nossa casa!

Foi este tipo de postura, muito típica dos lisbonários, fanfarrona e prematura [mas pelo que se vê, contagiante] acompanhada pela voz "nacionalista" de um público pobreta mas alegreta, que inexplicavelmente [ou talvez não] esqueceu os objectivos e as razões das manifestações realizadas durante a tarde, pondo-se a cantar o hino nacional, antes do jogo terminar, que me desgostou e fez aplaudir a selecção espanhola no fim do jogo, pois foi de facto a única que lutou e quis ganhar. Como ganhou, tanto o campeonato, como o jogo.

Só espero, embora me enoje tal comportamento, é que estes comentadores se associem àqueles que abrem os nossos telejornais publicitando o Benfica, tratando-o sempre como campeão e remetendo o verdadeiro ao silêncio, continuem no activo, porque chegada a hora da verdade, que é o fim do campeonato, o campeão da verdade desportiva e do campo, será muito provavelmente, outro. Como de costume, aliás.

Ontem, teria orgulho, se fosse espanhol.


14 setembro, 2012

Mentir, é defeito ou virtude?

Este, está inocente


Qualquer dia, vou ter de fazer um teste à minha inteligência, ou em última hipótese, submeter-me mesmo a uma consulta psiquiátrica, para procurar descobrir a razão pela qual insisto em querer encontrar um sentido para as coisas que não fazem sentido, quando ninguém parece dar importância a isso.

É que, enquanto outros - provavelmente, mais esclarecidos e inteligentes que eu - fecham os olhos à hierarquia das responsabilidades e à própria responsabilidade, eu acho que elas devem ser imputadas em conformidade com o período e a importância do cargo de quem as tem de assumir.

A entrevista de ontem de Pedro Passos Coelho não acrescentou nada ao que já sabíamos, e pelo que sei, também aos próprios entrevistadores. Sinceramente, não percebo onde poderá estar a surpresa geral, quando foram [e são sempre] os jornalistas os primeiros a violar a essência e a ordem natural das responsabilidades.

Mais do que saber o que é que Passos Coelhos tinha para dizer, importava perguntar por que é que ele tanto criticou  José Sócrates quando este "governava" o país e o acusou [com razão] de irresponsável, e de conduzir o país para o caos, quando ele está a fazer pior do que fez Sócrates, e a mentir ainda mais.

Pronto. Aqui deixo um excelente pretexto para me acusarem de populista, mas cá o rapaz foi educado a aprender que mentir é uma coisa muito feia e um dos primeiros indicadores de uma má formação intelectual. Ora, tanto Sócrates como Passos Coelho são exímios aldrabões, o que poderia ser um elogio se a mentira não fosse também o primeiro sinal que alguém nos dá para não confiarmos nela.

Ah, só mesmo um detalhe, uma miudeza: os dois aldrabões que citei foram [um ainda é] apenas 1ºs. Ministros de Portugal. Uma banalidade...

Enfim, acho que vou ter mesmo de ir ao médico.

13 setembro, 2012

"O Assalto Final - A destruição do Norte para garantir o futuro de Lisboa"


Outras acções, agora em banho-maria, mas que voltarão logo que surja oportunidade, são as relativas ao Porto de Leixões (o porto de mar que mais exporta, o mais eficiente, a principal porta de saída das exportações) e à Linha do Minho e sua modernização. Acrescenta-se ainda a intenção governamental de construir uma linha ferroviária "para as exportações" a mais de 300 km da Região onde elas são geradas. Esta situação revela-se ainda mais escandalosa, pois segundo um representante da Comissão Europeia "a aposta de Alta Velocidade portuguesa irá servir os portos de Sines, Setúbal e Lisboa, e Aveiro via Salamanca, deixando, pelo menos para já, fora desta rede europeia Leixões e Viana." Não é coincidência. É objectivamente intenção do Governo promover a competitividade dos portos que se têm revelado deficitários, prejudicando e retirando qualquer tipo de competitividade aos portos de Leixões - Viana do Castelo e à Região que servem no escoamento das cargas que recebem ou exportam no contexto nacional, relegando-os para a irrelevância. O objectivo do denominado Governo de Portugal, confesso e não esquecido, é fundir a gestão de todos os portos nacionais, com a desculpa de poupança na gestão. Na realidade é uma forma de retirar a autonomia a Leixões e dessa maneira perturbar e condicionar a sua gestão de forma a que ele deixe de ser um concorrente eficaz, tornando-se irrelevante e submisso aos interesses de outros portos que até agora se têm revelado incapazes de concorrer pelos seus próprios meios. Questionem-se apenas quais serão as prioridades dessa “gestão estratégica conjunta” quando esses gestores estiverem sentados no seu gabinete com vistas para o Porto de Lisboa e com o pensamento em Sines. Uma vez mais sacrifica-se a eficiência e a competência aos clientelismos e centralismos.

O que significam estas decisões? Significam que ao privilegiar os portos, aeroportos e as ferrovias em torno de Lisboa e ao tornar menos competitivos e deficientemente ligados com o exterior as infraestruturas que servem o Norte, que apenas Lisboa será competitiva e atractiva para o investimento industrial e logístico pois terá todas as mais-valias e o Norte em comparação não terá argumentos para competir. Além disso, a médio prazo, as indústrias que se encontram a Norte, neste momento a região mais exportadora do País e a que apresenta balança comercial positiva, serão levadas a deslocar-se para a zona de influência de Lisboa, pois ao terem custos superiores e demorarem mais tempo a escoar os seus produtos a Norte, irão paulatinamente sair do Vale do Ave e Sousa, do Minho, do Entre-Douro-e-Vouga, da AMP e instalar-se em redor das infraestruturas portuárias e ferroviárias que lhes garantam melhores ligações e que se situarão exclusivamente em redor de Lisboa. Esta deslocação do tecido produtivo irá resultar na destruição da economia do Norte e num desemprego ainda mais elevado, pondo em causa o futuro e a sobrevivência da Região mais povoada de Portugal.

Nos últimos dias temos assistido a alguns números de indignação por parte das estruturas regionais dos partidos do arco do poder e com representação parlamentar. É pena que só agora tenham acordado para o problema e alguns tenham mesmo colaborado nesta ignomínia quando eram governo. O assunto já vem de trás, não é de agora. Estes partidos caracterizam-se inclusivamente por fazer eleger pelas listas nos nossos distritos deputados para-quedistas lisboetas que se representam apenas a si próprios e não têm qualquer ligação e interesse para com a Região. Em certos casos são mesmo eleitos como cabeças de lista. É por isso que muita da actual indignação soa a clamores de falsas virgens ofendidas. No entanto, ainda estamos todos a tempo de nos unirmos.

As implicações destas decisões por parte do suposto Governo de Portugal, que de uma forma intencional e concertada, condenam à miséria e ao isolamento o Norte de Portugal, obrigam a que desta vez todas as forças políticas, cívicas e económicas, deixem por uma vez de lado as suas fidelidades aos seus directórios centrais, aos seus egoísmos e inércias de ocasião, e se juntem de uma forma concertada e unida na defesa dos interesses justos e legítimos do Norte, sem quartel e sem compromissos que não sejam a manutenção da autonomia dos aeroportos, portos e iguais ligações ferroviárias. É que desta vez a derrota e a passividade irão significar o destruição e o abandono do Norte e dos seus habitantes, de forma irremediável, com um impacto que se irá repercutir por gerações. Os que têm responsabilidades e poder neste momento serão julgados à luz da história do que fizerem agora e do seu sucesso para evitar este crime de lesa-pátria.

A Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, a segunda de maior importância socioeconómica da Ibéria, que concentra no Norte de Portugal uma das regiões mais industrializadas da Europa, e na Galiza dois gigantes mundiais como a Zara e a Pescanova, precisa dum grande aeroporto internacional que garanta a sua ligação rápida aos grandes nós da rede mundial. Esse papel tem sido feito pelo Aeroporto Sá Carneiro de um modo crescente e eficaz. A chegada das companhias de aviação low-cost alteraram todo o panorama do transporte aéreo na Região com reflexos altamente positivos na sua atracção turística e competitividade económica pois encontra-se agora ligada a todos os grandes centros europeus de um modo rápido, flexível e a preços baixos.

Posto isto o MPN apresenta a sua posição:

1) O MPN considera que a privatização dos aeroportos nacionais é uma perda de soberania;

2) O MPN considera que devem ser mantidos na esfera pública e a sua gestão regionalizada; o que não implica que seja feita directa e exclusivamente pelo Estado podendo encontrar-se formas de contratualizar a sua gestão operacional a entidades privadas e/ou outras;

3) O MPN considera que os Aeroportos nacionais, implementada a Regionalização do território continental, devem ser propriedade das respectivas Regiões;

4) Caso venhamos a encontrar-nos perante o facto consumado da intenção de venda em bloco dos aeroportos nacionais, o MPN endereça desde já o convite a todas as forças vivas, empresários, detentores de capital, mulheres e homens de boa vontade, todos os cidadãos para que nos acompanhem. O MPN propõe-se congregar vontades para juntar capital suficiente, recorrendo inclusivamente à subscrição nas ruas de futuras acções a 1 (um) euro, para formar uma entidade empresarial nortenha que concorra à compra da ANA em bloco e depois venda os restantes aeroportos a quem der mais. O objectivo é o mesmo - salvaguardar a autonomia do Aeroporto Sá Carneiro -, a estratégia é que é inversa.

O MPN tem desde a sua origem em movimentos de cidadãos que lutam pela Autonomia da nossa Região abordado insistentemente estes problemas. Nós dizemos presente. Quem quiser lutar e colaborar em prol da nossa Região sabe onde nos encontrar.

A Direcção do MPN

[do blogue A Baixa do Porto]