25 setembro, 2014

Passos que a vida tece

Don Pinóquio II

O secretário-geral do Parlamento, Albino Azevedo Soares, insistiu, na segunda e na terça-feira, nas suas duas únicas declarações públicas sobre o subsídio de reintegração atribuído a Pedro Passos Coelho em 2000, que “não existe uma declaração de exclusividade relativa ao período que medeia entre Novembro de 1995 e 1999” em nome do actual primeiro-ministro.
O documento que o PÚBLICO revelou esta quarta-feira, no qual Passos Coelho declara, em Fevereiro de 2000, com a sua assinatura por baixo, que se encontrava em exclusividade na VI e na VII legislaturas, evidencia que tal documento existia de facto, ainda que tendo sido subscrito no fim do mandato e não no seu início, como era habitual.
O facto de o ex-deputado ter estado em exclusividade é particularmente incómodo, face às suspeitas existentes de que recebeu 150 mil euros entre 1997 e 1999, pagos pela Tecnoforma para presidir ao Centro Português para a Cooperação, uma ONG criada para servir aquela empresa.
A pergunta que o PÚBLICO enviou a Albino Soares, e que este demorou 24 horas a responder, era muito concreta: “O deputado Pedro Passos Coelho exerceu o mandato na VII legislatura [1995-1999] em regime de exclusividade?” Não se perguntava pela forma como tinha sido declarada ou comunicada a exclusividade, nem pela data em que isso sucedeu, mas pelos efeitos práticos de tal declaração. Nomeadamente, o de saber se era possível ao então deputado acumular outros vencimentos com o seu salário de parlamentar.
Para sublinhar a questão formal de a declaração ser posterior ao fim do mandato, Albino Soares acrescentou que “não foi pago o complemento de 10% que corresponde a essa declaração”. Aqui, o secretário-geral refere-se ao facto de qualquer deputado em exclusividade ter direito, à luz da lei em vigor desde 1995, a um complemento salarial correspondente a 10% do vencimento base. Acontece, porém, que Pedro Passos Coelho não era um deputado qualquer.
Era um dos vice-presidentes da bancada do PSD, liderada na altura por Luís Marques Mendes, e tinha, por essa via, direito a um acréscimo ainda maior de salário: 15%, não acumuláveis com qualquer outro benefício que resultasse da exclusividade.
Vice-presidentes recebiam mais
Os vice-presidentes não eram, sequer, obrigados a declarar que exerciam o mandato em dedicação exclusiva para terem direito a este abono. Ou seja, Passos Coelho não abdicou de uma verba a que teria direito ao não declarar inicialmente a sua exclusividade. O que fez foi simplesmente prescindir de uma verba menor, que não poderia acumular com o bónus que lhe era devido por ser vice-presidente do seu grupo parlamentar.

Nenhum destes factos consta de nenhuma das explicações de Albino Azevedo Soares, nem dos documentos cuja consulta foi facultada ao PÚBLICO esta quarta-feira.
A VII legislatura, que decorreu entre 27 de Outubro de 1995 e 24 de Outubro de 1999, já tinha sido iniciada quando Passos Coelho foi eleito para uma das vice-presidências da bancada do PSD. A eleição decorreu na Primavera de 1996. Ou seja, houve um hiato de quatro ou cinco meses em que Passos não recebeu qualquer acréscimo ao seu vencimento-base de deputado. Nem os 10% da exclusividade, nem os 15% da vice-presidência.
A prática corrente, à época, consistia na entrega de uma informação aos serviços do Parlamento, na abertura da sessão legislativa, redigida numa folha A4, assinada sob “compromisso de honra” (hoje existe um formulário online para esse efeito), de que o parlamentar cumpria as suas funções em regime de exclusividade. Quem o fizesse passaria a contar, automaticamente, com o suplemento de 10%.
É possível que Passos não o tenha feito, na altura, por já saber que iria beneficiar de um regime diferente e mais vantajoso. E que só tenha sentido a necessidade de informar o Parlamento que estivera em exclusividade quando os serviços o questionaram, já terminada a legislatura.
Mas isso não explica a forma como o actual secretário-geral da Assembleia da República respondeu às questões dos jornalistas. A primeira resposta foi dada à Lusa, que escreveu “Passos não tinha regime de exclusividade, garante a AR”. E essa era, factualmente, uma informação falsa.
Se Passos não tivesse declarado estar em exclusividade, nunca lhe teria sido pago o valor de cerca de 60 mil euros de subsídio de reintegração, em 2000. Teria apenas direito a cerca de metade, referente à VI legislatura, quando a lei nem sequer impunha a dedicação exclusiva como condição do pagamento do subsídio. E, como o PÚBLICO confirmou agora, essa informação existia no acervo documental do Parlamento, era do conhecimento do secretário-geral Albino Soares e tinha a assinatura de Passos Coelho.

24 setembro, 2014

Links de interesse para o Porto, e mais uns "bitaites"...

Câmara do Porto vai "certamente condicionar" concessão da STCP



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Nota do RoP: 

Outra decepção, já não se pode acreditar em ninguém! Depois, ainda lhes sobra lata para acusarem os cidadãos de populistas. Ainda é cedo para concluir, mas os indícios de culpabilidade são por demais evidentes. Que mundo este, God!

23 setembro, 2014

Ainda sobre arbitragem...


... e o silêncio estrondoso da direcção do FC Porto, quero acrescentar o seguinte: não acredito que o peso desse silêncio indicie uma estratégia. Não acredito sequer nessa hipótese, porque não encontro maneira de a imaginar, de lhe encontrar um  ponto de partida racional para a conceber. Assim como não acredito que a estrutura directiva do clube, nomeadamente Pinto da Costa, se mantenha passiva e calada por muito mais tempo. Mais dia, menos dia, ou mêses, não faço ideia (será sempre tarde), vão acabar por falar. E é isso que me custa prever, esse pegar de empurrão tão impróprio do FC Porto de Pinto da Costa. A quebra do silêncio surgirá pois por pressão, não por imperativo de consciência, não por precaução. Surgirá no pior momento, numa altura propícia às piores especulações, que é aquilo de que se alimentam os inimigos do FC Porto. Nessa altura, será tarde para lamentar, e muito mais tarde para intervir.  

É certo que já passamos por vicissitudes similares, já fomos perseguidos, agredidos, injuriados, e sempre (quase) demos a volta por cima, ganhando no campo, mas não soubemos matar à nascença o monstro nem evitar a exposição pública ao mais vil dos processos "desportivos": o Apito Dourado. Permitimos, com alguma sobranceria, que ele ganhasse forma, que evoluísse e que deixasse na opinião pública menos atenta a impressão de culpa. Nós ( FC Porto) contribuímos para deixar essa imagem e ainda não aprendemos. Por quê, pergunto eu? E os nossos inimigos (dizer adversários, é puro snobismo), como imaginam que conjecturarão? Acaso já pensaram na intriguice que um silêncio tão despropositado pode suscitar, principalmente quando temos razões evidentes, até para gritar? A que ocorre logo, é esta: «se, nem mesmo a serem publicamente tratados  abaixo de cão, manipulados pelos árbitros, os portistas não reagem, é porque têm rabos de palha, estão com medo...». A superioridade moral no futebol é pior que marcar um golo na própria baliza, é determinar o fim de um percurso vencedor, de um clube campeão. Abdicar, nem que seja apenas do direito de resposta, é abdicar da própria dignidade. 

O aviso à navegação está feito. Outra vez.  Hoje, foi só mais um. Logo veremos se na próxima sexta-feira o árbitro terá, ou não, capacidade  para resistir aos primeiros contactos entre jogadores que (como é costume), da parte dos lagartos, serão aproveitados para transformar em dramáticas cenas de vitimização. Veremos durante quanto tempo o árbitro* resistirá ao convite para expulsar um, ou mais jogadores do FC Porto. E depois veremos também como reagirá o FC Porto se o árbitro fôr um desavergonhado igual aos que o antecederam. É que, por melhor que uma equipa seja, por mais moralizada que jogue, nada resiste num ambiente (país) de absoluta impunidade.

*E respectiva equipa...


22 setembro, 2014

Um breve comentário sobre o FCPorto-BoavistaFC

Isto de comentar, ou deixar de comentar as arbitragens, presta-se a muitas especulações. Se os comentários não forem sustentados pela seriedade de quem os faz e com o rigor possível, considerando que a clubite aguda tolda sempre um pouco a imparcialidade do adepto, corremos o risco de passar por "calimeros" e de perder a razão. 

Ontem, por exemplo, aquela entrada aparatosa de Maicon sobre o adversário sugere imediatamente ao espectador que cometeu falta. Se era para cartão amarelo ou vermelho, é discutível, agora quem acompanha o futebol há muito tempo sabe que nas condições em que o terreno se encontrava é dever dos árbitros agirem em conformidade com essas condições, ou seja, terem mais moderação na mostragem dos cartões, uma vez que o piso ensopado leva os jogadores a entrarem mais duro por não poderem controlar devidamente os tempos de entrada. Aliás, se bem se recordam, pouco antes houve uma entrada semelhante à do Maicon sobre um jogador do FCPorto (não me lembro agora qual) com 3 adversários em cima e o árbitro limitou-se a marcar falta. Em circunstâncias normais, podia justificar-se a mostragem do cartão vermelho, portanto não condeno a decisão. Agora, o que é censurável, além da dualidade óbvia de critérios, é a recorrência factual dessa dualidade de critérios em quase todos os jogos do FCPorto. 

Em Guimarães, o FCPorto  ganhou de facto (não foi moralmente), repito, ganhou, o árbitro marcou erradamente fora de jogo e "anulou" um golo matemático, transformando uma victória legal num empate arbitral, sacando-nos os respectivos 3 pontos. Coincidências? E com o principal adversário da 2ª. circular, será também coincidência que os árbitros na dúvida o beneficiem e por conseguinte prejudiquem os seus adevrsários? É claro que esta é uma discussão antiga que, tal como está o país, cujo poder continua a ser ocupado por gente inferior, com queda para a corrupção, muito dificilmente será moderada. Portanto, é impossível contar com o bom senso dos Governantes porque eles simplesmente não existem. Portanto é ingénuo pensar que a estratégia do tipo "o calado é o melhor" seguida pelo FCPorto nos poderá levar a algum lado.

Este FCPorto de agora anda a estranhar-me, não o reconheço, não mostra qualquer afinidade com o FCPorto guerreiro, irreverente, inconformado que tanta fama gerou no país e no mundo. Por isso, receio que se não disser presente, se não mostrar aos adversários que a tolerância tem limites, se não se defender nem que seja nas instâncias europeias - dado não podermos contar com as nossas -, repito, vamos ter problemas e não há treinador nem Brahimis que nos possam valer.

Não admito, não admito mesmo, que aqui alguém ouse sequer insinuar que o que acabo de dizer é qualquer coisa semelhante à calimerice. Se quiserem tirar as dúvidas leiam os posts que quiserem neste blogue e vejam se o tema da arbitragem prepondera. O que prevalece, isso sim, é o meu repúdio pelas consequências de um centralismo pior que o de Salazar, e este nacional benfiquismo que me faz vergonha de ser português. E não sou de facto. Agora, sou primeiro portuense, embora também muito decepcionado com muitos dos meus conterrâneos. Estivesse eu no lugar de comentador dum qualquer Guedes ou Serrão, dizia-lhes como se mostra ao mundo o portismo. Abandonava a inebriante "bandeira"  da avença, deixava os interlocutores a comentar sozinhos e levantava a bandeira do FCPorto. Mas isso para alguns, é algo transcendental nos tempos que correm...    

21 setembro, 2014

Compromisso Serralves


Ir a Serralves é sempre um prazer. Pelos jardins, pelo museu, pela qualidade da coleção de arte contemporânea, pelas pessoas, enfim, não faltam boas razões. Mas participar num jantar de Fundadores por ocasião dos 25 anos de Fundação e dos 15 anos de Museu é especial. Assim foi na última sexta-feira, em que, num magnífico serão, se celebrou o reconhecimento dos Fundadores, se homenageou o seu primeiro presidente, João Marques Pinto, e por fim se realizou o jantar de angariação de fundos, em benefício da Fundação e do seu programa cultural.

Sentado ao meu lado, um dos fundadores e beneméritos, homem das empresas, explicava-me que não é já possível conceber o Porto sem Serralves ou sem a Casa da Música. Estas duas instituições, com o seu programa cultural, mudaram a paisagem social da cidade e catapultaram a Invicta para um estatuto de que a região e o país se podem orgulhar. Por muita população, economia e futebol que a cidade possa federar, sem esta dimensão simbólica e imaterial, da arte e da cultura, não passaria de uma mera urbe sem caráter. E no caso de Serralves é extraordinária a forma como a Fundação e o Museu se integraram no ADN do Porto, moldando a sua própria personalidade.

O comprometimento da sociedade portuense e regional com Serralves esteve bem patente na sexta-feira com a presença de seiscentas pessoas, representando um extenso e variado mosaico institucional e empresarial disponível para contribuir para um projeto ímpar. Ao contrário de tantos que, em Portugal, vivem da subsidiodependência e adotam o registo do queixume sem muito fazerem pela sua própria sobrevivência, Serralves apresentou ao país uma proposta de valor irrecusável. E para que esta visão se tornasse realidade, convocou a sociedade para contribuir e, dessa forma, mostrou ao Estado que este é um projeto onde podem e devem ser aplicados também recursos públicos oriundos dos impostos de todos nós. A aliança virtuosa público-privada de Serralves tornou-se assim um caso de estudo. Em que projeto cultural se consegue, neste país, congregar governo, universidades, empresas públicas, empresas privadas, câmaras municipais, bancos, artistas e por aí fora?

No fim do dia, não deixa de ser relevante olhar para os números e esses são, de facto, impressionantes. O impacto económico de Serralves no PIB está avaliado em cerca de 40 milhões de euros. Criou neste primeiro ciclo de 25 anos perto de 1300 postos de trabalho, pagou mais de 20 milhões em remunerações e gerou quase 11 milhões de receitas fiscais. Grandes números.

Mas o que me fascina é o que Serralves fez com este dinheiro. Só em 2013, o número de visitantes ascendeu a 423 mil pessoas, das quais 85 mil estrangeiros. Este nível de exposição ao público estrangeiro, cada um dos quais embaixador do Museu e do Parque, junta-se a mais de 4500 notícias nos diferentes órgãos de Comunicação Social contribuindo para uma marca de excelência do país. Os números dos visitantes mostram, por outro lado, que Serralves não é só do Porto. É de toda a área metropolitana, é de Braga, Guimarães, Viana, Vila Real, Bragança... Uma infraestrutura destas é de todos nós.
Serralves entrou também na era digital, e em força. No ano passado, um milhão e meio de pessoas foram visitantes virtuais. É seguido por 150 mil fãs no Facebook, 7500 no Twitter e teve 148 mil visualizações no YouTube.

A joia da coroa é a magnífica coleção, que procura representar a história da arte contemporânea nacional e internacional desde a década de 1960. A importância deste espólio reside no facto de corresponder a um período em que emergiram novos paradigmas na criação artística, algo que ficou admiravelmente patente na exposição inaugural de 1999 "Circa 1968", onde se expuseram mais de 600 obras.

De todo o plano de atividades, o que mais me entusiasma são os programas dirigidos à população e às escolas. O "Serralves em Festa" atrai 90 mil pessoas, e quem lá vai quer voltar. Trata-se do maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal e, seguramente um dos maiores ao nível internacional. Este ano foram 40 horas sem interrupção, ainda por cima com entrada gratuita. As visitas escolares, por seu lado, puseram no ano passado 81 mil jovens em contacto com a arte e a cultura.
Quando se fala de Serralves, fala-se de serviço público. Pago pela sociedade e também pelo Estado. Que ambos continuem comprometidos, porque é também assim que se faz o país que todos desejamos.

19 setembro, 2014

FCPorto. Tapar o sol com a peneira não leva a nada

A consideração que Pinto da Costa me merece enquanto presidente do FCPorto assenta em dois pilares fundamentais: na sua obra, repleta de sucessos, dentro e fora de portas, e no contributo que esta deu para a notoriedade da cidade do Porto num país com poucos motivos para se orgulhar por coisas mais importantes, como a prosperidade e o bem estar da população. Para o conseguir, teve literalmente que lutar contra tudo e contra todos, devido a uma discriminação feroz levada a cabo pelos dois princiais clubes de Lisboa, com a cumplicidade dos media e de vários governos, desde o momento em que perceberam que o FCPorto tinha passado de clube simpático, de victórias morais, a um clube conquistador de campeonatos. Essa perseguição, digna de fazer inveja à Santa Inquisição, quase jihadista,  não só se mantém (impune) como se intensificou. Só Pinto da Costa parece ter mudado a estratégia guerreira de outrora, mas ainda não consegui descobrir porquê e para quê. A idade será um factor a considerar, mas cá para mim inclino-me mais para condicionalismos resultantes da constituição da SAD que estatutariamente o obrigaram a uma maior contenção e a seguir as sugestões de terceiros, o que lhe retira alguma liberdade de acção e autenticidade.  

Seja como for, na minha opinião era muito importante dar sinais para o exterior - principalmente para os adeptos -, que essa estratégia existe, sobretudo no que diz respeito à defesa e boa imagem do clube, já que no plano meramente desportivo as coisas parecem bem encaminhadas. A diferença entre o passado e o presente do FCPorto é que agora não tem só um clube para gerir, tem também um canal de televisão que, quer se queira, ou não, tudo terá de fazer para atingir os patamares de excelência do clube. Ora, não é isso que está a acontecer com o Porto Canal, já o denunciei aqui várias vezes e expliquei porquê, uma vez que o canal parece ter entrado num estranho processo de regressão, portanto não me vou repetir.

O que não posso deixar passar em claro é o impacto negativo que esta situação pode  ter (já está e ter), não só na opinião pública em geral, como nos simpatizantes e sobretudo com os investidores (publicidade). Qualquer pessoa entende que quando se entra num negócio, seja ele qual for, é para ganhar dinheiro. Um investimento sem retorno apenas pode ter como destino certo a falência. Só investe em publicidade quem tiver garantias que vale a pena, isto é, que o destinatário (Porto Canal) oferece qualidade e inovação, logo audiências. Sobre isto estamos conversados, a direcção do Porto Canal não tem grelha programática digna desse nome, nem parece estar incomodada com isso, portanto não estou a ver como poderá atrair investidores. Estranho, e não acredito é que Pinto da Costa e a SAD do FCPorto ignorem o que se está a passar e não percebam que esta situação não pode manter-se por muito mais tempo sem risco de colapsar, e mesmo gerar uma onda de indignação nos espectadores que mais almejam o seu sucesso, precisamente os portistas e regionalistas mais determinados.

Aconteça o que acontecer nos próximos tempos no Porto Canal, já muitas etapas se queimaram em vão e muitos espectadores se afugentaram, quando tudo se podia remediar com um pouquinho mais de cuidado, vontade e imaginação. Desta forma é que não. Já me senti muitas vezes corrido para outros canais por não ter no Porto Canal aquilo que seria expectável, mesmo conteúdos desportivos, e isso já quer dizer muito.

Se o FCPorto entende que pode transferir para o negócio televisão os critérios de gestão do clube, de se fechar, como se estivesse a negociar a contratação de um jogador, está a cometer um erro grosseiro e a ir contra aquilo que foi prometido, que era a garantia de que o Porto Canal teria uma vocação generalista com ampla cobertura regional e nacional que incluía conteúdos desportivos. Aliás, o slogan que se continua a ouvir é "Porto Canal, um canal com clube".  Acresce que a televisão é, antes de tudo, um negócio de comunicação e entretenimento, não de clube de futebol cobiçado como o FCPorto, que tem de se blindar para se proteger de toda a espécie de concorrência. A televisão, pelo contrário, pode ser uma excelente ferramenta de defesa e servir de barreira  a esse tipo de ataques e até estancá-los, haja coragem e vontade para a utilizar...

Não havendo mais que cassetes com programação gravada para nos oferecer, então, contra a minha vontade o digo, que enverede por um canal com exclusividade temática para o desporto.    

18 setembro, 2014

Um FCPorto tranquilizador

Não sei o que o futuro nos reserva, nem eu, nem ninguém. O que sei é que ontem gostei do que vi no jogo entre o FCPorto e o Bate Borisov para Champions Ligue. Gostei dos golos, cada qual o mais bonito, gostei da exibição colectiva (incluindo o Quaresma, que se tiver percebido a mensagem do treinador só terá a lucrar com isso), e gostei do espectáculo, sobretudo na segunda parte. No primeiro tempo a equipa não esteve mal, mas quem brilhou, porque sabe como jogar para ela, foi Brahimi, um potento de souplesse e inteligência, como o FCPorto já não via há alguns anos. Perdoem-me, mas salvo uma hectombe, não tenho dúvidas sobre isso (o que não significa que esteja à espera que marque sempre 3 golos. Haja bom senso)

Também gostei da postura de Lopetegui, quer antes, quer após uma victória colorida com 6 belos golos sem resposta. Foi tudo perfeito? Não, não foi. Mas quando o tempo de bom futebol é recheado de bons golos e é bem superior ao tempo de algumas asneiritas, o melhor é calar, porque como já tenho dito quando o FCPorto joga mal, o bom futebol nada tem a ver com ópera, que tem lugar próprio para ser apreciado que não um campo de futebol.

Como acima dizia, Lopetegui, mais que um bom treinador, está a revelar-se um grande líder, um comunicador inteligente, já preparado para não se deixar seduzir pelos elogios envenenados da comunicação social centralista sempre à espera de adormecer a vítima para logo desferir a facada. Lopetegui disse (e eu subscrevo) que a victória de ontem o alegrava... mas moderadamente. Esta descoordenação intelectual com a mediocridade instalada no país pelos agentes do regime (jornalistas, comentadores, etc.), habituados a ditar verdades feitas à medida, é uma imensa bofetada, quase um atestado de imbecilidade passado elegantemente aos jornalistas, que só o enobrece. Escusado será dizer que nos próximos tempos vai andar nas bocas do mundo, ser acusado do que faz, e sobretudo do que não faz, mas isso é o habitual, já sabemos do que a casa gasta: lixo em forma de debate desportivo que nem Governos nem Presidentes da República tiveram a coragem de repudiar, o que só os vulgariza.  

16 setembro, 2014

Mas que raio de portistas temos nos debates televisivos?

Hugo Gilberto, um gondomarense vendido ao centralismo

Por razões de afinidade clubista, custa-me dizê-lo, mas considero miserável o papel a que se prestam os portistas que participam nos debates televisivos transmitidos nas televisões privadas, e principalmente na RTP, pelas responsabilidade acrescida de se tratar de um canal do Estado. Mas há muitas outras razões. Porque são programas maus, porque não discutem verdadeiramente o futebol jogado, porque não são sérios, e principalmente porque são um incitamento à violência. Por fim, porque todos eles foram deliberadamente formatados para prejudicar e ridicularizar o FCPorto, e já nem sequer o escondem.

Não precisava dizer isto, mas é importante entender que para avaliarmos devidamente alguma coisa precisamos de saber como funciona, de observar, estudar até... Por essa razão, assisti, até onde a minha tolerância o permitiu, a alguns desses programas, embora agora já só lá vá para saber até onde chega a capacidade dos portistas para continuarem a ser humilhados e ridicularizados, por mais resilientes que pensem ser. 

Como não consigo descobrir nenhuma dignidade na participação em debates cujos dados estão à partida viciados, não sei se o adjectivo resiliência terá aqui algum cabimento. O que me parece é que, tanto o M. Serrão como M. Guedes e o Guilherme Aguiar (o mais servil de todos), estão acima de tudo a lançar para a opinião pública (não apenas portista) uma ideia doentia de masoquismo ou, em última análise, de sedução escrava pelas respectivas avenças.

Só motivações desta índole podem explicar a contenção excessiva que todos demonstram face às provocações mais torpes, aos insultos mesmo (o Barroso do Sporting é especialista na matéria), que os transforma em perfeitos capachos da arrogância centralista dos clubes de Lisboa. Os nossos nem sequer parecem incomodar-se com o facciosismo dos moderadores, sempre proteccionistas com os clubes de Lisboa e notoriamente contra os pontos favoráveis ao FCPorto.  Basta olhar atentamente para as expressões dos moderadores em certos momentos para se perceber que ali não há moderação nenhuma, há um clara intenção de remeter para um canto toda a argumentação que possa deixar a ideia que o FCPorto é prejudicado. Pelo contrário, se puderem procuram de todas as maneiras possíveis e imagináveis lançar a imagem de que é sempre beneficiado.

Não sei se algum dos visados chegará a ler o que atrás escrevi, mas não acredito que qualquer deles tenha coragem para negar que não sabem que o jogo em que decidiram entrar está mesmo viciado e que participam nele sabendo que os árbitros são caseiros, e que por mais golos que marquem na baliza adversária, eles serão sempre anulados, mesmo que sejam marcados com a transparência e a elegância do 2ª golo do Brahimi contra o Victória de Guimarães. O FCPorto ganhou de facto esse jogo porque não foi Brahimi quem errou. Errou, e roubou, sim, a equipa de arbitragem. Será que vai arbitrar na próxima jornada?

Por tudo isto, preferia não ver nenhum portista em programas desta natureza. Por que não seguem o exemplo de Rui Moreira? O dinheirinho faz falta? Então, não se lembrem de um dia destes abrir a boca ou escrever sobre a história recente de Marinho e Pinto... Haja coerência e um pouco de desprendimento pelos euros...   

15 setembro, 2014

RTP indecorosa, o Porto Canal a dormir e o FCPorto a permitir...


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Como adepto do FCPorto estou preocupado com o que poderá acontecer nos campos de futebol caso as autoridades do Estado continuem a assobiar para o lado ignorando os sinais de manipulação que já se fazem notar, e deixar para os organismos desportivos a resolução de assuntos que lhes cabem, mas que manifestamente nunca mostraram competência e probidade para levar a cabo. 

Não me chamo Cavaco Silva, nem posso exercer a magistratura de influência que o cargo de Presidente da República legitima, pelo que só me é permitido sugerir que reserve um pouco mais de tempo (se é que reserva algum) ao que está a acontecer em vários programas de televisão dedicados ao futebol com especial enfoque para a RTP, cujos funcionários não estão à altura de desempenhar os respectivos cargos com a imparcialidade que é exigida a um funcionário do Estado. 

O frustante em tudo isto, é não podermos esperar que Cavaco tome iniciativas relativamente simples - ainda que importantes -, quando também ele não tem mostrado capacidade para exercer a contento as próprias obrigações de PR. Contudo, nada me impede que diga o que penso. Se fosse PR,  não permitia que programas como o Trio da Ataque, e outros de teor semelhante, fossem para o ar com o perfil sectário, manipulador e conspirativo que  apresentam. Chamava a administração da RTP e respectivo corpo directivo, e procurava sensibilizá-la, como se impõe, para os seu deveres de representante do Estado, lembrando a taxa de audiovisual que cada português - de todas as latitudes -paga para a manutenção de muitos postos de trabalho da empresa e para o DEVER de prestarem um verdadeiro serviço público, isento e criterioso. Antes porém, passava-lhes uma grande reprimenda pelo trabalho indecoroso que têm estado a realizar com a notificação de propor a quem de direito a exoneração dos responsáveis (sem direito a indemnização) caso não fossem seguidas as minhas recomendações ...

Lamentavelmente, as coisas não são assim tão simples. É que as decisões simples requerem acção, não é... Há leis, e sindicatos, que não distinguem o funcionário crápula, do funcionário honesto, que logo colocariam um monte de entraves, de direitos e burocracias jurídicas para boicotar a "minha" magistratura de influência.  Mas isto é a democracia que temos, e que os oportunistas deste país não querem ver alterada, embora se queixem dela...  

Prevejo por isso grandes polémicas para esta época, com os mesmos do costume, os homensinhos dos túneis, dos sistemas, dos apitos, dos programas intriguistas (de resto facilmente identificáveis), a tentarem minar o caminho do FCPorto na conquista de novos êxitos desportivos, sem que o facto de agora dispor de um canal de televisão me sirva de consolo. É que o Porto Canal continua à deriva, com o nome e o prestígio do FCPorto a ele associados.


14 setembro, 2014

Também tu Marinho?!

O que fazer quando queremos ser equilibrados, olhar para as pessoas com alguma boa vontade, respeitá-las, acreditar que nem tudo é mau,  que ainda há gente válida, e depois chegar à conclusão que o melhor é duvidar para não nos sentirmos defraudados? Tantas decepções, senhores!

Eu que até admirava a coragem e frontalidade de Marinho e Pinto, porque sei que muito do que ele diz é realmente verdade, fiquei completamente decepcionado com as últimas declarações do ex-bastonário da O.A. Quando alguém como ele diz que ficou escandalizado com o que viu no Parlamento Europeu, com os ordenados auferidos pelos deputados (incluindo o seu) e depois não se demite, alegando que precisa do dinheiro por razões domésticas, corre o risco de hipotecar para sempre a credibilidade que conseguiu granjear junto de muitos portugueses, entre os quais me incluo. Há erros e erros!

Não me interpretem mal, porque nem esta decisão fará mudar a minha opinião sobre aqueles que o acusam de populismo porque são tão ou mais populistas que ele, e ainda mais hipócritas. Populismo não é tanto o que se diz, mas o que se faz. Entre um demagogo politicamente correcto e alguém que não renega os erros de um sistema judicial caduco como o nosso, não aprovo nenhum, mas prefiro o último. Marinho foi demagogo, sim, mas agora. E infantil,diga-se.

Mas o que Marinho e Pinto acaba de fazer, além do abandono abrupto do Partido da Terra que o catapultou para o Parlamento Europeu, não deixa de ser um acto de baixa política semelhante ao que Costa cometeu com Seguro, independentemente das razões evocadas. Já não há respeito por nada nem por ninguém, é o que é.

A propósito, o artigo de José Mendes diz o resto.




O triplo salto de Marinho

Os números gordos aguçam a ambição. É assim na vida e não são poucos aqueles que, bafejados por um qualquer jackpot, se desgraçam na aventura dos passos mais longos que a perna. Marinho e Pinto (MeP), com os seus 240 mil votos, é um desses personagens. Não satisfeito com o primeiro salto, exige a Lua e, qual aspirante a campeão olímpico, ensaia o triplo salto de sonho: Bruxelas, São Bento e Belém.
O problema do triplo salto, e aqui reivindico a minha experiência de ex-praticante, é que se exige equilíbrio em cada um dos passos (designados hop, step & jump), de forma a não comprometer o resultado conjunto. E o erro mais comum do principiante é arriscar tudo no hop (o primeiro), o que significa que a perna pode não aguentar o impacto para voltar a levantar o peso do corpo para os dois passos sucessivos. Ora MeP fez justamente isso. E arrisca-se a que o mundo o esmague, muito embora seja provável que os seus truques de marketing lhe possam ainda render dividendos por algum tempo.
Quando, logo no primeiro mês de deputado europeu, MeP acordou chocado com o seu salário, de que no entanto não admite abdicar pois a vida custa a todos, ficou claro ao que vinha. O triplo salto é assim mesmo, vive da velocidade e brevidade do contato com o solo. Vai daí, apraza o seu abandono de Bruxelas, que acredito não ficará especialmente triste ou pobre pela sua deserção. No mesmo movimento, deserta também do seu affaire com o MPT, assim, de repente, sem um telefonema, nem uma carta manchada de lágrimas, nem mesmo um post-it no vidro do carro.
John Baker, o líder do MPT, está destroçado, classificando mesmo a situação de "maçadora". Então o homem, a quem emprestou o prestigiado nome do partido para representar a nação na distante Bruxelas, não ia ser presidente do partido, cabeça de lista às legislativas, quiçá ministro (pode ser mesmo da Saúde porque a Justiça entrou em estado de Citius) e, por fim, candidato às presidenciais?
MeP, homem de justiça e de consensos, já avisou que não é seu costume alimentar peixeiradas. "Como advogado fiz dezenas de divórcios e sempre defendi que os casamentos devem terminar com elevação", terá dito, pelo que li no "Expresso". O problema é que há quem pense que esta história está mais perto do conto do vigário do que do divórcio.
Vamos então ao passo seguinte do triplo salto olímpico de MeP. A súbita criação de um novo partido. Para princípio de conversa, o novel político deixa claro que sai porque na sua barriga de aluguer se defendiam interesses pessoais e familiares. Ora, justamente por repudiar este tipo de agendas, bate com a porta e lança um novo projeto político, esse sim, democrático, abrangente e plural. E rasga horizontes com os inovadores princípios da "liberdade, solidariedade e justiça", prometendo defender "idosos, crianças e deficientes". Espantoso!
Aqui está, preto no branco, a delimitação do público que MeP endereça: os mais vulneráveis e, entre estes, seguramente os menos letrados. É um clássico dos nossos tempos. Por essa Europa, face às insuficiências das respostas dos partidos tradicionais, surgem os movimentos que capitalizam sobre o descontentamento do exército de descamisados. E são de dois tipos, ambos perigosos: aqueles que têm base ideológica mas que são extremistas e aqueles que são apologistas do "Eu", mais comummente designados por oportunistas. E aqui convém recordar que MeP não descurou a corrida de balanço do seu triplo salto, pois desdobra-se, desde há muito, nos programas televisivos do horário da manhã, justamente a faixa que congrega em frente ao pequeno ecrã os não ativos, muitos dos quais anseiam alguém que lhes fale ao coração, seja verdade ou mentira.
É um regalo ver MeP por estes dias na televisão, entre o surpreendido e o indignado, queixando-se dos críticos e, sobretudo, dos jornalistas. De um homem que passou os últimos anos a criticar tantos, com a legitimidade que o Estado democrático lhe confere, esperar-se-ia, no mínimo, algum poder de encaixe quando é ele o objeto da crítica.
Sabem os atletas que um saltador em comprimento dificilmente tem sucesso no triplo salto. É outra a exigência. Requer um certo golpe de asa quando se encadeia a sequência hop, step & jump. A energia de um passo tem de ser catapultada para o seguinte. Assim, a minha sugestão é que MeP não desperdice os tempos do MPT e batize o seu novo partido justamente com a mesma sigla. O novo MPT seria agora o Marinho Pinto Total, já que não há cargo a que não ambicione

10 setembro, 2014

Costa encostado e Seguro inseguro

Seguro obriga Costa a jogar à defesa
Não dispondo de mais tempo para falar de outros assuntos, como a absolvição da inspectora da PJ, acusada de assassinar a avó do marido, da triste figura da selecção do centralismo, ou das recentes acusações de Mário Figueiredo sobre a nomeação dos árbitros com a tradicional colagem do sistema ao FCPorto, optei pela incontornável demagogia dos nossos políticos.

Devo entretanto referir que aquilo que a seguir vou dizer não me compromete a favor de nenhum dos protagonistas. Se tivesse de escolher um deles para governar Portugal não escolhia nenhum. Já terão percebido que estou a falar do debate de ontem na TVI, entre Seguro e Costa. O JN diz que "Seguro entalou Costa", o que só pode ser mais uma daquelas fantasias mediáticas para povo entreter. Não senhor. Para mim, que não vou em fantasias, entalados estão os dois há muito tempo. Mas não ignoro que, tal como dizia o Eça de Queiroz e o luso-holandês Rentes de Carvalhohaverá sempre alguém a votar neles, enquanto os portugueses não se cansarem da sua condição de povo fadista e submisso.

O que quero dizer é simples e muito breve. Ontem, quando ouvia Seguro discursar, sem saber onde, intuí imediatamente que não podia estar em Lisboa. Por quê? Porque o ouvi usar o termo Terreiro do Paço, e algo parecido com isto: "não podem ser sempre os mesmos a decidir". Fez-se-me logo luz e disse cá para mim: "estás no Norte (em Valongo, soube depois). Se o ouvisse usar o mesmo discurso em Lisboa com a regularidade exigida, dava-lhe provisóriamente os parabéns". Provisoriamente sim, porque depois, caso chegasse a 1ª. Ministro, ficaria a ver, para crer...

Vem isto a propósito da conversa de ontem de Seguro dizer a Costa (com razão) que os portugueses estavam cansados de ver os políticos dizer uma coisa e depois a fazer outra.  Para bom entendedor...

05 setembro, 2014

Porto Canal, a mancha negra do FCPorto

A rapidez com que os media do futebol montaram a telenovela "Quaresma" já não me surpreende, era expectável. Não fazia ideia é que lhe iam chamar "Quaresma". Também podia chamar-se Lopetegui, Antero, ou Pinto da Costa, ainda que com o nome do presidente já muitas tenham sido feitas - sem grande sucesso -, mas que não deixaram de gerar algum incómodo a Pinto da Costa e despesas ao FCPorto com processos judiciais... Há falta de mais imaginação, os mesmos do costume, desta vez e até ver, ficaram-se, pelo nome (Quaresma, até soa bem, lembra a Páscoa), tal como nos filmes americanos, onde os enredos se repetem e só mudam os títulos...

Existe porém uma situação no FCPorto, que não é nenhuma telenovela mas pode vir a tornar-se polémica potencialmente mais grave que uma quaresmada, um grande problema, ou mesmo um grande buraco financeiro, chamado Porto Canal. Pela parte que me toca, não me podem acusar de não ter chamado a atenção para o assunto, bem pelo contrário, quase pareço o gravador do Porto Canal... 

Para já, sócios e adeptos só têm olhos para as performances desportivas da época que agora começou. O plantel foi reforçado como nunca, em qualidade e quantidade, o novo treinador parece inspirar confiança, assim como os primeiros resultados fazem subir a pique as expectativas. Pessoalmente, também me incluo na lista desses optimistas.

Seria no entanto importante que os adeptos, sobretudo os sócios, podendo participar nas Assembleias Gerais do clube, se preparassem para questionar a SAD na próxima reunião sobre a situação do Porto Canal, uma vez que da Direcção de Júlio Magalhães a comunicação com os espectadores é praticamente nula. Não é com auto-elogios, por se dizer que o Porto Canal está a crescer (palavras de Júlio Magalhães) que ele efectivamente cresce. Não sei como se pode fazer uma afirmação desta natureza, quando o que continua a ver-se são gravações sobre gravações de programas, ruidosas, cansativas, exasperantes mesmo, potenciadas com o desaparecimento abrupto dos poucos programas com alguma qualidade, como o "Pólo Norte" e o "Pena Capital", cujo efeito aumentou o vazio de conteúdos e consequentemente o recurso a mais gravações.

Não é preciso ser perito em televisão para se perceber o retorno negativo que esta forma amadora, desleixada, quase anárquica, de "dirigir" uma empresa desta natureza pode provocar nos espectadores, sobretudo naqueles (como eu) que mais desejam o seu sucesso. Já quase não suporto sintonizá-lo. Só Júlio Magalhães (e não só) parece não querer perceber isto! Prefere atirar-nos areia para os olhos.

Há outra coisa que o director do Porto Canal ainda não se dignou explicar aos portuenses (sim, porque antes de ser portistas são portuenses), que é dizer-lhes por que é que ainda não convidou Rui Moreira o Presidente da Câmara em exercício para uma entrevista, ou programa, ao contrário do que fez e continua a fazer com Luís Filipe Menezes, o candidato derrotado. Não vale a pena esconder, salta à vista, que ali à qualquer ressabiamento mal resolvido. Será um erro crasso pensar que se pode blindar uma estação de televisão como se blinda um clube. O negócio da televisão, é diametralmente oposto. Como o próprio nome diz, televisão é comunicar, atrair público para vender, gerar receitas em publicidade, nunca omitir, e ainda menos repelir espectadores (que é o que se está a fazer de modo irresponsável).

No passado recente, dada a tradicional inveja da concorrência dos clubes de Lisboa, o FCPorto, teve necessidade de se fechar devido ao sectarismo dos media centralistas e para se poder concentrar no essencial que era zelar pela conquista de campeonatos e troféus. Actualmente, como proprietário do Porto Canal essa blindagem já não faz qualquer sentido é um paradoxo, uma futilidade que fica cara.

Tenho tentado compreender o que poderá estar a passar-se entre o FCPorto e o Porto Canal que explique esta aparente dissintonia entre ambos, mas só posso mesmo imaginar. Aliás, custa-me a acreditar que o amadorismo do actual Porto Canal  passe despercebido ao Presidente Pinto da Costa. Por isso, pergunto: se o presidente sabe  que se está a passar, porque não reage, não giza uma estratégia para o canal mesmo que provisória, para acabar com aquele triste espectáculo de amadorismo? Serão intruções suas, este deixar andar? Custa a crer. Por outro lado, interrogo-me: e o Júlio Magalhães, com as responsabilidades que tem, aceita esta política absurda de esconde-esconde que lhe pode valer um atestado enorme de incompetência? Pensarão ambos que as pessoas são todas um bando de imbecis? Que raio de consideração pelo público será esta?  É verdade que em Portugal ainda há muitos imbecis por m2, mas que diabo, há também quem saiba distinguir o verdadeiro valor das coisas e não adormeça ao som do hino da Amélia Canossas.

Bem pode o FCPorto vencer muitos campeonatos que, se não começar a olhar com seriedade para o que se está a (não) fazer no Porto Canal e permitir que a imagem de amadorismo que está a deixar passar se cole ao clube, será também ele levado por arrastamento. Mais: não me parece que os sponsors estejam muito entusiasmados em investir numa estação de tv que se transformou num entediante estúdio de gravações repetidas.

Quem ver e não souber, não acredita que o Porto Canal pertença ao FCPorto. Em boa verdade, ninguém ousará dizer que o Porto Canal é o espelho do FCPorto, mas o facto é que (segundo afirmam) é pertença do clube. Ninguém pode negá-lo.

03 setembro, 2014

Un jour vous allez regressar de vez


Por incrível que pareça reparei hoje que tínhamos chegado ao fim oficial da "silly season" sem que tivesse aproveitado esse período para escrever uma crónica adequada ao estilo reinante nesta época. Se é verdade que os acontecimentos à volta do BES e do GES "estragaram" as férias a muita gente, a começar pelo batalhão de advogados que foi obrigado a fazer horas extraordinárias e a acabar nos acionistas que viram as suas poupanças reduzidas a cacos, também não é menos verdade que muitos outros setores da vida nacional (e até internacional) foram afetados por estas estórias, vendo-se obrigados a quebrar rotinas de muitos anos.

Do meu lado, vou salvar a rotina e assim sendo aqui vão três pequenas e inocentes estórias.
Primeira estória. Um motard americano meu amigo, passeando pelo nosso belo território, tomou contacto pela primeira vez com a necessidade de pagar portagens numa ex-scut no Sul do país. Uma vez que não estava familiarizado com a metodologia, foi alertado para a necessidade de ter de pagar a quantia em dívida por ter circulado nessa via sem estar devidamente habilitado para o fazer. Como é uma pessoa de boas contas, dirigiu-se a um dos locais que lhe indicaram para efetuar o pagamento, mas voltou de lá de mãos a abanar porque lhe disseram que nestes casos o pagamento só pode ser efetuado 48 horas depois e ele tinha lá ido logo no dia seguinte. Escravo da legalidade, adiou a saída do país por 24 horas e voltou, confiante, a tentar pagar depois de passadas as tais 48 horas. Verificou então que o pagamento continuava a não ser possível e a justificação que lhe deram foi que "tratando-se de motas, às vezes, demora mais, não se sabe quanto". Como é evidente, este meu amigo lá seguiu viagem, contrafeito e escusado será dizer que em relação ao pagamento, nada feito. Será que nos tais 300 mil espanhóis que viajaram em Portugal pelas scuts sem pagar não estarão muitos que só cá vieram um dia ou dois e tentaram pagar sem sucesso menos de 48 horas depois da "infração"? O meu amigo americano saiu de cá a achar que somos uns cromos. Já os espanhóis, provavelmente pensarão outra coisa bem pior.

Segunda estória. Outro amigo meu inscreveu o filho numa faculdade da Universidade Nova de Lisboa, com a antecedência que era possível ou exigida, referindo nessa altura o facto dessa matrícula estar condicionada à admissão do aluno numa outra universidade europeia a que se tinha candidatado. Veio a verificar-se algum tempo depois que o rapaz em questão foi admitido no estabelecimento que desejava, por sinal em Paris, pelo que nunca retificou a inscrição provisória efetuada em Lisboa e como é evidente não frequentou um único dia essa faculdade da capital. O pai, que por acaso até é professor universitário na mesma universidade, está a ser confrontado agora, mais de um ano depois, com a exigência de pagamento de um montante superior a mil euros que lhe é exigido como pagamento de propina, mais a multa, que é uma parte significativa, aplicada exatamente pela falta de pagamento da propina inicial. O pai do aluno já tentou várias vezes, dirigindo-se aos serviços pessoalmente e por escrito, perceber a razão de tal exigência e conhecer a legislação em que se suporta esta tentativa de enriquecimento, que ele julga sem causa, da universidade, sem nenhum sucesso. Será que é mais um corolário da política ainda agora evidenciada no último Orçamento Retificativo, de aumento de multas por tudo e por nada? No caso vertente, a informação que tem para um assunto a que não lhe dão resposta é que quanto mais tempo demorar a pagar, maior será o valor da multa a liquidar.

Terceira estória. A última e a mais curta. Ainda ontem vi, pela terceira ou quarta vez, um outdoor gigante que está no aeroporto Sá Carneiro, no piso das partidas, visível por todos os milhares de pessoas que lá embarcam ou lá se despedem de quem vai embarcar. No outdoor, obviamente feito a pensar nos nossos emigrantes que nos visitam por esta altura, pode ler-se: "Un jour vous allez regressar de vez. Fale com o BES para preparar esse dia". Será que é preciso acrescentar mais alguma coisa?

[do JN]

Nota de RoP:
Comigo passou-se algo semelhante. Este verão furtaram-me o carro. Como ainda faltavam cerca de 3 dias para prescrever o prazo de validade do IUC, entrei em contacto com a prestimosa Autoridade Tributária para comunicar o ocorrido e para enviar o comprovativo da participação que fiz num posto de comando da GNR. A resposta chegou, com o pragmatismo que se segue: 

«A Autoridade Tributária e Aduaneira apenas liquida o imposto de acordo com os elementos fornecidos por outras entidades, nomeadamente IRN e IMTT. Verifica-se que a viatura em apreço consta ainda como sua propriedade e, enquanto tal, o Imposto Único de Circulação é devido».

Respondi  para perguntar como era, no caso da viatura não ser recuperada (foi, passado 3 semanas), isto é, se me devolviam o valor do IUC, questão que ficou sem resposta. Voltei à carga, informando-os que iria pagar sob protesto, o que fiz, dois ou três dias depois do prazo expirado. Decorrido, mais ou menos um mês, recebi no correio uma notificação da AT para pagar uma coima "COM REDUÇÂO" de 25,00 euros  com um simpático prazo de tolerância de 15 dias a contar da data da mesma. 

Como percebi que isto não podia ser resolvido pela net, ou pelo correio, desloquei-me às Finanças para lhes "agradecer a deferência" e dar-lhes uns recadinhos que, calculo, não terão apreciado muito...  Pedi-lhes também que me explicassem como era possível darem-me  apenas 15 dias de "tolerância" quando a data da notificação indicava o dia 10 de Agosto e o carteiro só ma entregou no dia 1 de Setembro! Não me perguntem como, nem porquê, porque eu também não sei, o fulano que me atendeu depois de olhar para o computador chegou à conclusão que afinal a data era a da recepção e não a constante da notificação. Então, digam-me como é que eu, ou os senhores mesmo, podem provar a data da recepção se não tenho como fazê-lo? Surprise! Afinal eles (da AT) sabiam a data de entrega do documento, porque o carteiro a transmitia, mas nós contribuintes é que não, temos de confiar no que o carteiro diz! Fantástico, não é? Ainda insisti e perguntei-lhes como é que eu podia provar a recepção se nada assinei, mas eles ficaram a olhar uns para os outros com cara de parvos sem saberem o que dizer... O funcionalismo público é assim.

O facto é que, compreensão pelo que me ocorreu não houve nenhuma, e eu tive mesmo que pagar os 25,00 de multa. O Estado português "é tolerante" mas não tanto como se supõe... A tolerância está reservada a certos espíritos santos. Além de que, estas coisas de o Estado brincar com a vida de cidadãos honestos não são para tolerar. O Serrão olha para tudo com um fair play incompatível com a indignação que estes casos justificam. Por mim, continuo na minha: que se f.....a o Estado! 

01 setembro, 2014

Ó FCPorto, acorda! Para que queres o Porto Canal?

Desde que me fiz homem e comecei a pensar pela minha própria cabeça, ouvi frequentemente estas palavras: "até tens razão Rui, mas não vale a pena chateares-te, porque não vais mudar o mundo". A estes "sábios conselhos", às vezes dados por gente amiga, respondia invariavelmente que a questão nada tinha a ver com a megalómana pretensão de querer mudar o mundo, e sim com a coerência, com a seriedade intelectual, com uma forma equilibrada de estar na vida. Contudo, cheguei à conclusão que para um grande número de pessoas é mais cómodo fingir que a sensatez é sua exclusiva propriedade e mais fácil verem-me como uma espécie de extra-terrestre. Compreendo-as, mas não me convencem a mudar para os seus padrões de civilidade.

Reconheço ser bastante crítico, porque é verdade, mas também não é menos verdade que o português medio é demasiado complacente (tolerância é outra coisa) com quase tudo e por isso muito pouco exigente, nomeadamente com a qualidade dos seus governantes. Portanto, não me parece que seja eu quem precisa de mudar, até porque, por não lhes reconhecer valor, não votei em nenhum dos ministros e presidentes da República das últimas décadas, o que me dá alguma superioridade moral em relação àqueles que o fizeram. Parece soberba minha, mas não é, são factos. Que conste, ainda ninguém nos obrigou a votar, e se um dia esta garotada feita gente importante o ditar, eu não obedeço, nem que me prendam.

O enredo que os media lisbonários andam a fazer em torno da figura do Quaresma e os argumentos patéticos que deixam no ar para os fundamentar, são a prova acabada que, para eles, coerência e seriedade, tem horário flexível, consoante as conveniências de cada um (como a Constitução da República). É claro que este comportamento não é novo em Portugal, porque entretanto nunca tivemos verdadeiros líderes nas altas instituições do Estado para o moderar - por sofrerem da mesma doença - o problema talvez só possa ter solução no dia em que morrer um considerável número de pessoas...

E não se despreze o fenómeno, porque é muito grave e tem antecedentes. O campeonato nacional ainda agora começou, e como o FCPorto este ano está bem apetrechado de jogadores, tem um treinador personalizado que sabe bem o que quer e já está na frente, sem derrotas, a orquestração já foi montada para criar "casos" e desestabilizar. À falta de melhor, lembraram-se do Quaresma para dividir o Dragão, apostando na infantilidade de alguns adeptos incapazes de distinguir a árvore da floresta, incapazes de olhar para o futebol como ele é (um desporto de equipa), afinal um jogo em que o valor individual tem de casar com o colectivo e nunca separar.

Ora, sabemos que os garotitos comentadores (de cá, e de lá), que colaboram com as televisões de Lisboa são estruturalmente corruptos, mas não são burros, porque perceberam que no FCPorto há dois elos mais fracos. Um, é o próprio Quaresma que não consegue perceber que tem de mudar de comportamento se quiser ser feliz, e o outro, são aqueles "portistas" de trazer por casa, que assobiam por tudo e por nada, que se mostram incapazes de identificar os verdadeiros inimigos e de os combater.

Para já, conseguiram que um não caso pareça um caso, o que já não é pouco, para quem anda a repetir esta cassete há tantos anos. Futuramente, veremos. Receio bem que o FCPorto ainda não tenha percebido o que podia fazer para minorar eventuais estragos que destas canalhices possam advir se souber dar alguma utilidade ao Porto Canal, além de fazer gravações de gravações...

27 agosto, 2014

Há portistas que parecem certos "regionalistas convictos"

Desde que a política centralista se intensificou deixei de me interessar pelo que acontece na capital.

Se a memória não me falha, em trinta anos, só me desloquei a Lisboa duas ou três vezes, e assim mesmo de passagem e obrigado por razões burocráticas. A partir daí, procuro não fazer nada que possa beneficiar directamente a capital. Não gasto o meu dinheiro em viagens e em ingressos para assistir a qualquer tipo de evento que lá se realize por mais fantástico que seja. Não me interesso por telenovelas, nem consumo produtos daquela região. Bem pelo contrário, nas garrafeiras dos supermercados, se puder, viro ao contrário os rótulos que me querem impingir os vinhos do Tejo, que até a patente da casta Alvarinho minhota procuram usurpar...  É o mínimo que posso fazer para contrariar o nacional-lisboetismo que há muitos anos tentam impor-nos. É pouco, mas faço-o com muito prazer e orgulho.

Vale isto por dizer que prefiro proceder assim, que fazer o triste papel de determinados portuenses (e nortenhos) de se deixarem comprar, só para manterem o empreguinho, ou a avença certinha, a ponto de esquecerem as mais elementares regras da decência.

Ontem, ao ouvir Manuel Queiroz, um dos comentadores do jogo da TVi do jogo entre o FCPorto e o Lille, fiquei muito mal impressionado  com a subserviência bajuladora das suas palavras. Já não é a primeira vez, aliás.

O homenzinho que, segundo consta, se diz portista, só sabia fazer comentários depreciativos ao jogo do FCPorto. Eu, que até sou razoavelmente exigente, estava calmo e confiante com o desenrolar do jogo e não conseguia perceber o porquê das sucessivas críticas. O jornalista só via defeitos. Tantos preciosismos, e detalhes! Até aquele remate à queima, de um jogador do Lille que podia ter dardo golo e que Danilo barrou intencionalmente com o corpo mereceu o epíteto de "sortudo", alegando que tinha sido a bola a ir contra ele. É desesperante o que aquele invertido, homenzinho servil e oportunista, faz para agradar às hostes lisboetas. Não é capaz de fazer um comentário positivo quando se trata do FCPorto, só quando está no Porto, ou sente as costas quentes ousa fazê-lo. Dá a impressão que lhe dão ordens para isso. É de uma cobardia vomitante! Simplesmente, repugnante!

Mas, não é só ele, infelizmente. O Porto tem muitos "adeptos" destes, muita desta escumalha co-responsável pela situação de atraso económico e social em que nos encontramos. São os mesmos que assobiam à mais leve brisa de vento, como ontem se ouviu no Dragão. É esta gente inferior quem dá lastro às mais torpes teorias nazis, porque se comporta ao mais baixo nível da condição humana.  Só eles explicam porque nos deixamos subjugar por Lisboa. O resto é conversa.

25 agosto, 2014

Nós, e o vocabulário importado d' America




Sobre o percurso demolidor do Governo na arte de destruir o pouco de positivo que o país ainda podia aproveitar, já nem me dá grande vontade de comentar. Se as palavras bastassem para o derrubar do poder, talvez só me calasse quando visse todo o elenco por detrás das grades, pagando pelo desgoverno total a que chegamos. Por minha vontade, banqueiros, políticos, jornalistas e outros profissionais "colunáveis" com provas evidentes de envolvimento em actividades criminais teriam lugar garantido numa cela, e não seria por pouco tempo, nem em domicílios  de luxo privados... Isto, para aprenderem de uma vez que, num país respeitável o crime não compensa, e também para dissuadir os candidatos vindouros  de repetirem a gracinha, como vem recorrentemente sucedendo.

Penso inclusivé, que falar desta gente imoral, mesmo que para os humilhar, é conferir-lhes uma importância imerecida. Dizer coisas, como: o governo, o ministro, o presidente, é algo inadequado e insultuoso para a própria nomenclatura das instituições constitucionais, que não têm culpa nenhuma que os eleitores as deixem ocupar por crápulas sem pingo de credibilidade. Falar de Cavaco, enquanto Presidente da República, ou de Passos, como 1º. Ministro, na minha óptica, é o pior que se pode fazer para esvaziar de dignidade cargos que deviam manter-se obrigatoriamente dignos. Mas, não nos iludamos, a bagunça e o divórcio com as mais elementares regras sociais é um problema de dimensão global. 

Hoje, a vulgaridade, ou a ordinarice, ganharam estatuto em todo o Mundo. Os nossos "amigos" americanos, detentores do monopólio cultural da indústria cinematográfica, não são os únicos responsáveis por este fenómeno, mas são os principais. Os outros, são todos os países do planeta (incluindo Portugal) que lhes consomem tudo o que de melhor, e sobretudo de pior, exportam. A linguagem da juventude contemporânea ocidental está completamente dominada pelos excessos vindos do outro lado do Atlântico, onde se tornou quase obrigatória a inclusão de palavrões (grosseiros) numa proporção de um, em cada frase com seis palavras. Mesmos nas cenas de filmes "românticos" entre jovens casais, a ordinarice verbal campeia como um ícone de vanguardismo, e o fuck you (ou me) é tão previsível como os tiros, as cirenes da polícia, ou as cenas de sexo.  Uma história que não seja relatada com palavras e gestos ordinários, é uma história má, antiquada, porque evoca alguma polidez do passado. Quem não adoptar para si este estilo "cultural"  de inspiração gringa arrisca-se a ser tratado como um ser decadente e hipócrita, o que é terrívelmente grave...

Houve um tempo, logo a seguir ao 25 de Abril, e que ainda durou uns anos, que certos jornais tinham o cuidado de incluir nos seus quadros, críticos de cinema e de televisão. Hoje, ao contrário do que seria natural, esses analistas em vez de terem aumentado, já quase não existem. No cinema, a função dos críticos limita-se a apresentar uma avaliação meramente tecnológica, virtual ou de desempenho artístico individual. Até porque a aposta continua a ser privlegiar os filmes de acção (leia-se, violência) e de ficção, o que, como é natural, quase dispensa a crítica. Na televisão, desapareceram homens como o já falecido Mário Castrim, do Diário de Lisboa, que com a corrosão implacável que o caracterizava deixava o mais desavergonhado dos directores de programas de hoje com medo de sair à rua, ajudando os espectadores mais simplórios a refinar o gosto e o sentido crítico. 

Afinal, o tempo passou, viemos do passado para o futuro, e, em que é que evoluímos? Haverá alguém capaz de dizer onde, e por quê? Será a isto que chamamos progresso? Não é concerteza, asseguro eu. O país está moribundo, já nos habituamos a vê-lo sempre doente. Mas o Mundo não está muito melhor, apesar do nosso salário mínimo ser dos mais miseráveis da União Europeia (União?).   

21 agosto, 2014

A justiça popular versus quaresmismo

É um facto que nem sempre se confirma a tão afamada sabedoria popular. Só de vez em quando mesmo.  Talvez por isso, nunca fui grande simpatizante de grandes concentrações de massas. A única que tolero é no futebol para ver o FCPorto jogar, e no Dragão, por amor ao clube. 

Ainda ontem fiquei completamente siderado com a reacção do povo de Carrazeda de Anciães à detenção de um pastor por suspeita de esfaquear duas mulheres provocando a morte a uma delas. Declarações do género: "ele não fez mal a ninguém e tem muita gente aqui a apoiá-lo". Ou, "ele não se metia com ninguém, era muito calmo", como se só as pessoas nervosas fossem capazes de um acto de loucura ou as calmas tivessem, à priori, um lugar reservado no céu.

A subjectividade a que as emoções muitas vezes conduzem justificariam a frieza da Justiça se ela fosse, como diz o ditado, cega. O drama é que a Justiça vê e olha demais para o estatuto dos julgados, e é a partir daí que muitos preferem fazê-la pelas próprias mãos. Não sei se terá sido o caso. Seja como for, ninguém de bom senso devia apoiar um assassino excepto possuindo provas claras da sua inocência, e por aquilo que ouvi do povo ninguém parecia saber ao certo o que terá gerado a tragédia.

Tenho portanto dificuldade em entender tanto a atitude do criminoso como a do povo que o apoia. Não creio que o que aquelas duas vítimas fizeram ao pastor (se é que fizeram), tenha sido mais grave que os crimes colossais e recorrentes que os governantes do passado recente e da actualidade têm cometido com os portugueses, jovens e reformados, retirando-lhes o direito ao emprego (não disse trabalho propositadamente, porque aqui trabalha-se práticamente de borla) e saquendo-lhes as reformas, e contudo ainda ninguém se lembrou de lhes dar um tiro... (merecido, acharia eu). A "coragem" do povo apenas se faz notar nas causas "domésticas", de proximidade, mas encolhe-se nas verdadeiramente importantes.

Não posso deixar de fazer uma analogia entre estas reacções emocionais com a postura de certos jornalistas e de alguns adeptos portistas, com o estatuto de intocável de Ricardo Quaresma no plantel do FCPorto. Tal como querer o sol na eira e a chuva no nabal são uma utopia, há quem acredite na possibilidade de existir um treinador líder abdicando da sua autoridade em prol de um jogador "intocável" e ao mesmo tempo controlar toda uma equipa. Impossível. Um líder não pode ser pressionável. Se o fôr, é porque não é líder.

Se Ricardo Quaresma for inteligente, se souber aproveitar a oportunidade que o FCPorto lhe deu para se impor como jogador e sobretudo como homem, o benefício será de todos. Em primeiro lugar dele próprio que se revalorizará  se jogar mais para equipa, e depois para o clube e os adeptos. Agora, se não o fizer, se entender continuar no caminho caprichoso do individualismo inconsequente e se deixar fintar pelas perguntas armadilhadas dos pasquineiros, estará a dar um tiro nos pés e a deixar a imagem de um jogador eternamente inacabado. Por sua culpa exclusiva.

Por todas estas razões, espero que o actual treinador Julen Lopetegui não abdique nunca de lierar. É ele o treinador, quem não estiver disposto a aceitar as suas decisões, só tem um caminho: a porta de saída. Mas não é isso que eu desejo. Quero um Quaresma que entenda que o futebol não é o ténis, o futebol é jogado com 11 jogadores contra outros 11 adversários, por isso se chamam equipas. Se assim fôr todos terão a ganhar, inclusivé o Quaresma. Além de que aceitar os factos pela ordem correcta da hierarquia é também um sinal de inteligência...
    

L. F. Menezes, mais um regionalista de oposição...

"O Porto, o Norte e o país estão sedentos de encontrar quem os conduza com tranquilidade e firmeza nesse caminho. A coragem de ressuscitar com elevação o debate sobre a regionalização poderá vir a ser um bom recomeço.

Desse modo, com a consciência que tal não é o mais importante, talvez venhamos a ter um dia destes um primeiro-ministro ou um presidente da República nascido nas Fontainhas ou na Ribeira."

(Luís Filipe Menezes, no JN)

O ex-autarca de Vila Nova de Gaia e candidato derrotado à Câmara do Porto, a quem reconheci o trabalho produzido enquanto autarca sem imaginar que deixasse um buraco tão grande nas finanças da Câmara, não pára de me decpcionar.

Sugiro a quem ainda não o tenha feito, a leitura completa da sua crónica para avaliar até onde chega o desplante da maioria dos políticos quando vão para a oposição, ou para a reforma.

No mais absoluto desdém e desrespeito pela memória do povo, assumem-se defensores indefectíveis da regionalização com o mesmo à vontade com que ignoram o tema quando atingem os seus principais objectivos pessoais, ou seja, o topo do poder. Aliás, foi por essa reviravolta circense e traiçoeira que coloquei uma cruz sobre a índole do personagem. Para mim morreu. 

Só o incompetente e desleixado Júlio Magalhães é que não percebeu isso, e continua a convidá-lo (agora não, porque o Porto Canal parece ter fechado para férias prolongadas...), como se não soubesse o que ele vale como político. 

Se o FCPorto não arrepiar caminho e acompanhar com atenção redobrada o que se está a passar no Porto Canal, corre o risco de viver outra vez um despertar tardio, à imagem do que aconteceu a época passada no futebol e perder também esta aposta...  


20 agosto, 2014

Info FM : Aboubakar proche du FC Porto ! Será?

Alors qu'il était annoncé proche de Benfica puis du Sporting Portugal, c'est vers le FC Porto que Vincent Aboubakar se dirige. Les Dragões se sont mis d'accord avec Lorient sur le montant du transfert selon nos informations.


Aboubakar vers un avenir au Portugal
Aboubakar vers un avenir au Portugal
©Maxppp

Les supporters de Lorient ont peut-être eu l’espoir de voir Vincent Aboubakar rester la saison entière en Bretagne, mais après deux matches disputés, l’international camerounais va bel et bien quitter les Merlus. Selon une source proche du joueur, Lorient a trouvé un accord financier avec le FC Porto, aux alentours de 10 M€, soit le plus grand transfert jamais réalisé par le club breton !
D’abord annoncé à Benfica, puis tout proche du Sporting, c’est bien au Portugal que l’attaquant de 22 ans va filer, mais du côté du FC Porto. Les Dragões ont négocié discrètement avec les dirigeants lorientais et ont accepté de payer la somme réclamée pour Aboubakar, auteur de 16 buts la saison passée en Ligue 1. Ce dernier se serait déjà mis d’accord avec Porto au sujet d’un contrat.
Le Camerounais devrait donc découvrir la Liga ZON Sagres au sein d’une équipe particulièrement compétitive, qui a beaucoup recruté cet été après la déconvenue de la saison précédente (3e du championnat derrière Benfica et le Sporting). Avec Aboubakar, Porto dispose d’une alternative crédible à Jackson Martinez, qui pourrait bien partir dans les derniers instants du mercato, malgré sa récente prolongation de contrat (Valence garde un œil sur lui). Ajoutons à cela l’Espagnol Adrian Lopez et Porto peut s’appuyer sur un beau secteur offensif.
(Fonte: Foot Mercato)

Nota de RoP:
Parece que já estou a ver a capa de amanhã dos pasquins lisbonários (Bola e Record):

"FCPorto ROUBA Aboubakar ao Benfica!"

Sérios, eles nunca foram, mas originais podiam ser de vez em quando. Quanto mais não seja para disfarçar a azia, não é... Isto, saliente-se, a confirmar-se esta notícia.

17 agosto, 2014

Lopetegui e Rúben Neves, o duo de trunfos

Li hoje, no JN, uma notícia - com a qual estou completamente de acordo -, o anúncio da contratação de um espanhol (de nome, Pablo), para coordenar o sector de formação do FCPorto. Segundo a mesma notícia a contratação teve o dedo de Lopetegui, que tem acompanhado o trabalho da formação...

Apesar da minha concordância não ter nada a ver com o conhecimento específico das qualidades técnicas e humanas do treinador em apreço, tenho como um facto adquirido que, salvo raríssimas excepções, falta aos treinadores nacionais aquela ponta de objectividade que pode tornar o talento dos nossos jovens jogadores em atletas de alto gabarito com capacidade para ultrapassar defesas fechadas e para marcar golos com rapidez e eficácia. Que me desculpem os treinadores que porventura me estejam a ler, mas se a minha avaliação não é tão habilitada como devia, é porque não posso orientar-me melhor devido a ser-me vedada a mim, como ao público em geral, a observação dos treinos de rotina. Por isso, só posso valer-me pelo que me é dado observar nos jogos.

Embora o louvável 2º lugar na 2ª Liga, obtido pelo FCPorto B  na época passada o possa contrariar, a verdade é que, pelos jogos que pude acompanhar no Porto Canal, foram visíveis essas referidas dificuldades e este ano voltam a notar-se. No Campeonato Europeu de juniores, baqueamos frente aos alemães pelas mesmíssimas razões...

Grosso modo, aquilo que mais me impressionou pela negativa, foi a incapacidade da equipa B do FCPorto em ultrapassar adversários que se fechavam muito na defesa quando vinham jogar ao Olival. Este ano o filme é o mesmo e já vamos com 2 derrotas seguidas... O que me parece, na minha qualidade de leigo, mas que sabe minimamente o que é dar uns pontapés numa bola, é que na situações que acabei de citar os treinadores portugueses preferem instruir os jogadores para passarem a bola para trás e para o lado, para a guardar, à espera de uma aberta  para atacar, do que desafiá-los a explorar as suas capacidades técnicas individuais para quebrarem essas barreiras de forma racional. Aliás, pessoalmente, não vejo em que outras situações podem ser úteis as fintas, senão quando elas são necessárias, ou seja, quando há pela frente obstáculos. Fintar, não é simular uma intenção inconsequente, fintar é usar a habilidade e a técnica para enganar o adversário retirando objectivamente daí dividendos. Se há lances que nunca aplaudo num jogador são as habilidades fiteiras daqueles jogadores que fingem que sabem fintar mas não fintam nada que seja verdadeiramente útil para o grupo. 
















É por essa razão que sou a favor da ideia de incluir treinadores espanhóis na formação, desde que sejam credenciados, porque têm uma garra, um sentido pragmático do jogo mais desenvolvido que os nossos. Senão, é só memorizar o que tem acontecido nas finais em conseguimos participar em todas as modalidades para perceber quem realmente tem mostrado capacidade para as ganhar, se nós, ou eles...

No Hokey em patins, por exemplo, o problema é o mesmo. Nos últimos anos sempre que deparámos com espanhóis ou italianos quase sempre falhámos, e não é por termos jogadores de qualidade inferior, é porque não lhes sabemos "extrair" todas as suas potencialidades nem incutir-lhes uma mentalidade vencedora nos momentos decisivos.

Talvez tenham sido estas debilidades que Lopetegui viu nos nossos juniores que explicam a aposta em técnicos espanhóis. Oxalá tenha acertado na escolha...

De resto, como explicar que um jogador com o potencial de Rúben Neves só agora esteja a ser falado e especialmente, a ser lançado na equipa principal? Afinal, ele "já" tem 17 anos, e está no FCPorto há 10... Agora, não falta gente a reconhecer-lhe a maturidade e o talento. Então, porque será que só um treinador espanhol teve coragem para o lançar logo no jogo inaugural na equipa principal? E por que será que a aposta de Lopetegui em Rúben Neves valeu um golo do mesmo como prémio logo no primeiro jogo? Terá sido o acaso? Não, não foi. Como reza o ditado, a sorte protege os audazes. Benvindos ao FCPorto meus senhores! Precisam-se de jogadores e treinadores assim, com as vossas características. De resto (leiam-me bem por favor), o futuro ainda é uma incógnita, mas que isto transmite uma grande confiança, isso transmite.

De lamentar, que o princípio, a linha de rumo escolhida agora pelo FCPorto, não se estenda ao Porto Canal de Júlio Magalhães. Aí, o sentido é completamente oposto ao de Lopetegui, a coragem e a criatividade não moram por ali. É uma parolice pregada.

PS-Se a leitura deste post não for desvirtuada, a minha ideia pode passar, mas para que não haja equívocos, declaro que ainda não ganhámos nada, que só estou é cheio de confiança.

15 agosto, 2014

FCPorto, 2 - Marítimo, 0

Bom jogo do FCPorto para início de época. De positivo a qualidade do passe e a circulação de bola. Para uma equipa praticamente renovada, já se viram boas movimentações, embora ainda sem a correspondente objectividade. A nível particular o destaque vai todo para o jovem Ruben Neves, não só pela maturidade revelada dentro do campo como pelo golo que marcou (à germânico). 

Quaresma agradou-me na primeira parte por ter jogado mais para a equipa que para ele. Aborreceu-me na segunda,justamente por se ter esquecido do que fez bem na primeira. Brahimi foi o jogador que mais me agradou, a par de Oliver pela soberba visão de jogo, e finalmente pela classe denunciada por Tello. 

Na defesa, nada de significativo a observar. Bom começo, portanto.


14 agosto, 2014

Cuidado com os simplórios



Experimente o leitor dar uma espreitadela no Google Earth no modo vista de pássaro  e compare o ordenamento territorial do nosso país com o da França ou da Alemanha, por exemplo. O que irá ver, é o mais sério e conclusivo testemunho do nosso constante atraso em relação a todos os outros países da União Europeia comunitária, e mesmo de muitos da Europa extra-comunitária. 

Contrariando de modo arrasador a tese dos nossos optimistas de serviço, em Portugal as zonas insdustriais invadiram um pouco por todo o lado as zonas urbanas e rurais, provando ad aeternum a nossa atracção pela bagunça. Para os portugueses, a Lei só é respeitável se for para nos beneficiar, se a mesma Lei beneficiar outrem, é porque não presta. E porque haviam de ser os portugueses diferentes se são os próprios governantes quem lhes ensina a missa? Quantas vezes, desde o 25 de Abril, quiseram os governos sucessivos alterar a Constituição de1976? Inúmeras! Desde então, já conseguiram alterá-la sete vezes, e não foi - como se vai confirmando - para melhor.

Em teoria, rever 7 vezes em 40 anos a Constituição, não é muito, até porque a Assembleia da República foi constitucionalmente dotada de poderes para o fazer, o que se torna chocante, é vermos o caminho que lhe querem dar, ou seja, o regresso ao passado, à lei do mais "forte" (traduza-se: endinheirado). E o certo é que vão-no conseguindo...

Por ser assim, é que não sou muito adepto dos unanimismos, porque pensar como a maioria, num país como o nosso, pode querer significar pensar errado, pensar de forma a deixar tudo como está. Pensar para trás.

11 agosto, 2014

De volta ao país do faz de conta

De volta à realidade nacional, onde os poderosos e gangsters da banca e da política, continuam a ser tratados pela Justiça como se fossem pessoas altamente respeitáveis, confesso que já me cansa esta inutilidade que é ser "livre" e dizer o que penso, só para fingir que vivo numa democracia.  A verdade é que há muito que percebi que esta "liberdade" é a única maneira confortável de exercer a ditadura na Europa comunitária do século XXI, até porque de comunitária já tem pouco... Se a isto juntarmos a vergonha genocida de dois países recém libertos da cortina de ferro, entre a Ucrânia e os separatistas pró Moscovo, é caso para mandarmos definitivamente à merda todos os optimistas do planeta e perguntarmos se não serão eles também um pouco responsáveis pelo que de pior está a acontecer à humanidade. 

Então, o que nos resta dizer? Se tudo isto ao menos servisse para despertar os portugueses da longa letargia de maturidade cívica em que mergulharam, do mal o menos. Mas não. Apesar de continuar a ser enganado, a ser despojado dos seus bens mais básicos, este povo continua pateticamente a manifestar-se orgulhoso com a vida cor de rosa de Ronaldo e Mourinho, como se incorporasse em si o cérebro de uma criança de 5 anos de baixo coeficiente intelectual.

Como dar a volta a isto, se nem o futebol, ou melhor, o amor ao clube, os ajuda a perceber a discriminação com que a sua região ou cidade é tratada em relação aos clubes da capital? Como é possível transmitir "miolo" a um cérebro que abdica de o usar para seu próprio bem?  Alguém duvida que se perguntássemos agora a alguns portuenses portistas, que dos clubes grandes, são seguramente os adeptos que mais razão de queixa têm para se sentirem discriminados, se eram a favor da regionalização ainda havíamos de ver muitos a repetir - tais papagaios desmiolados - a lengalenga dos centralistas, que eram contra por não querem "dividir" o país?  E outros, nem sequer respondiam, por desprezível ignorância. 

Um país onde prevalecem os gostos por programas do tipo "Portugal no coração",  por Gouchas e Teresas Guilhermes, um país que não "dá" tempo ao povo para se divertir pensando, é um país formatado para gerar a imbecilidade. E desengane-se quem pensa que isso é por acaso. Não é.