26 março, 2010

Phil Collins



Bom fim de semana

Air Race Porto/Gaia/Lisboa - Partilhar o que nos roubaram

Decorridos vários anos de sucessivas tentativas de decresdibilização e de aniquilação do FCPorto pela parte do Poder Central de Lisboa - que entretanto ajudou a empurrar o Boavista e o Salgueiros para os escalões secundários -, os portuenses foram confrontados com outro tipo de assalto, desta feita, menos subtil: a usurpação e consequente desvio do evento da Red Bull Air Race, do Porto para Lisboa. Naturalmente, que esta patriótica decisão veio gerar muitos protestos entre os portuenses e aumentar a revolta com as vilanias de que continuam a ser vítimas pelas hostes centralistas. Muito se falou e escreveu sobre o assunto.
Entretanto, por razões ainda pouco claras [que o futuro se encarregará de explicar], o Presidente da Câmara de Lisboa, autor da malandrice, estabeleceu um acordo de cavalheiros com os Presidentes das Câmaras saqueadas [do Porto e Gaia] de onde resultou a alternância da realização da prova entre Porto/Gaia e Lisboa. Por aquilo que me apercebi, a notícia aparentemente positiva, não gerou o entusiasmo que se esperaria junto dos portuenses. Soube-lhes a refeição requentada...
Por seu lado, o edil portuense, homem de vistas curtas e com imensos complexos centralistas, aceitou o acordo com a mesma humildade que o pedinte aceita a esmola, convencido de ter retirado da cartola um rechonchudo coelho para tripeiro consolar. Alguns, ao que parece, ficaram mesmo consolados, o que é um péssimo sinal.
Para mim, isto é estranho. Quer dizer, sempre que nós chamámos a atenção para a discriminação que se continua a fazer com o Porto e o Norte do país, vendo verbas comunitárias [QREN] que nos estavam destinadas a serem desviadas para Lisboa, somos imediatamente tratados como calimeros, agora, quando fomos roubados como fomos com a Red Bull Air Race, ainda temos de negociar com os larápios e dar pulos de contentes? Mas, que gente é esta que agora vive entre nós? Serão tripeiros mesmo, ou simples imigrantes?
Honra terão de me prestar por não me deixar embarcar em modas. Aqui, sempre me opus a slogans politicamente correctos. Nunca augurei nada de bom com aquelas lindas frases como, "do Porto para o Mundo", que nos andaram a impingir como se fossemos tontos, ou com os discursos castradores da nossa identidade. Cada vez me convenço mais que o Povo do Porto, o mais castiço, o povo da rua, é o menos culpado pela situação decadente da cidade.
Se há classe social a quem devemos pedir responsabilidades, é à da alta burguesia. Foi essa classe que mais concessões fez ao centralismo e que permitiu a espoliação dos sectores mais fortes da nossa economia. Sedes de Bancos, de Jornais, de Seguros, de Empresas, de Televisão, organismos do Estado e empresariais que em tempos de Ditadura se impunham no Porto, em Democracia já não existem! Como é possível? Será que os ignorantes dos nossos políticos desconhecem que foi pela degradação social e económica da Democracia que Adolfo Hitler implantou a Ditadura e acusou os judeus de todos os males da Alemanha? Imaginam porventura estes cavalheiros a quantidade de inocentes que morreram acusados por crimes que não cometeram? Não, estou convencido que esta geração de políticos não leu nada sobre o assunto.
Por isso, talvez só mesmo a ignorância explique por que é que 90,3% de um painel de entrevistados respondeu SIM a um inquérito promovido pelo semanário Grande Porto à pergunta: «É boa a solução encontrada para que a Red Bull Air Race se dispute alternadamente entre Porto e Lisboa?». Entre eles, contam-se personalidades bem conhecidas dos portuenses, como o Manuel Serrão, o Carlos Abreu Amorim e o actor António Reis. Só três, votaram NÃO, sendo o socialista Pedro Baptista o mais conhecido.
Mas que raio está a acontecer com os portuenses? Onde pára o orgulho tripeiro, para além das portas do Estadio do Dragão?
Pessoalmente, preferia mil vezes ver completamente reabilitados dois ou três quarteirões do centro urbano do Porto, do que as corridas de aviões da Red Bull, mas, já que Rui Rio [e quem nele votou], não tem capacidade para tanto, pedia-se-lhe, no mínimo, que soubesse presevar o que foi de sua lavra [e de L.Filipe Menêzes]. A Air Race foi um evento a que os tripeiros e todos os portugueses aderiram entusiásticamente, dinamizou durante uns dias o turismo e o comércio locais. O espectáculo impressionou favoravelmente e a economia mexeu, ainda que por poucos dias.
Então, porque é que Rui Rio e L.F.Menêzes, não subiram a parada uma vez aberto o precedente pelo Presidente da Câmara de Lisboa de desviar para a capital um evento do Porto e não incluíram no pacote negocial uma outra contra partida em regime de alternância? Por que é que não negociaram também o Rock in Rio alternadamente? Aí sim, toda a gente saía bem na fotografia - incluindo o Presidente da Câmara de Lisboa -, e Porto e Gaia teriam revertido a situação. Agora, regozijarmo-nos por repartirem connosco aquilo que antes nos usurparam, parece-me próprio de atrasados mentais, de coitadinhos.

25 março, 2010

Outra pérola jornalística

Dizem que Hugo Gilberto, o pivôt do programa Trio de Ataque, é simpatizante do FCPorto. Não sei se é verdade, mas se é, preferia que não fosse, porque a simpatia que revela pelo clube é do tamanho de um feijão, comparada com a que denuncia pelo seu chefe/editor, o benfiquista que diz ser paredista, Carlos Daliel. Futebol é futebol, tacho é tacho. A propósito, aqui vai uma boa dica para fundar um clube com um nome pragmático para este tipo de adeptos: Futebol Clube dos Tachistas.
Se Hugo Gilberto é portista, esta frase que deixou hoje plasmada no JN, depois de mais um programa emitido a partir de Newark, desmente-o. Leiam só isto: « Neste mundo português o benfiquismo é uma religião cheia de incansáveis praticantes. Milhões de emigrantes e luso descendentes que não perderam a fé nos últimos 20 anos - terríveis na história do clube. Convenço-me que vale e Azevedo se enganou naquela conversa dos 6 milhões. Mas por defeito. São muitos mais...»
Eu percebo que Hugo Gilberto queira passar a mão pelo pêlo ao chefe para ter garantida e atalhada a promoçãozinha da praxe. Eu percebo os miolos fedorentos dos lambe-botas e percebo os dos oportunistas, mas não os suporto mesmo que saiba que dormem com o cachecol do Dragão ao pescoço todas as noites. E ainda percebo melhor a superficialidade das suas declarações e o manifesto desinteresse em as fundamentar. Como é timbre na TV pública [já nem falo das outras], a palavra de ordem, é sobrevalorizar o Benfica inferiorizando o FCPorto.
Nos recentes desacatos no Algarve, foi por demais evidente a intenção de colocar o odioso para cima do FCPorto. As câmaras da tv só apontavam para os adeptos portistas insinuando o lugar do eixo do mal, ignorando os adeptos benfiquistas. Estes, só foram contactados, para "neutralmente" darem opiniões sobre o que estava a acontecer... Como devem calcular as respostas foram "esclarecedoras".
Eu tenho a certeza que o Benfica ainda é o clube com mais adeptos no país, mas tenho também a certeza que o número de 6 milhões é, além de abusivo, anedótico. Fontes credíveis, já se fartaram de desmentir estes dados, mas como quem gosta de viver de fraudes pouco se importa com o rigor das coisas, não é de surpreender que amanhã nos estejam a impingir números mais ambiciosos e nos vendam a ideia de que, afinal, já não sou 6, são 10 ou 11 milhões de benfiquistas que nem sequer totalizam o número de portugueses espalhados pelo Mundo.
Ao Hugo Gilberto, à sua massa cinzenta, não lhe ocorreu indagar quantos adeptos teria hoje o FCPorto se os órgão de comunicação lhe tivessem dado a cobertura promocional correspondente ao número e à importância dos troféus conquistados estes últimos 30 anos. E desinteressou-se ainda por referir que tendo o Benfica ficado estes últimos anos em 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares no Campeonato nacional e nada tendo conquistado a nível internacional, lhe foi dado tratamento de campeão. Com a mesma promoção, até o Alguidares de Baixo tinha mais sócios.

Por favor, não se riam. Isto é benfiquês, mas eu traduzo.

O lamento benfiquista pela demissão de Hermínio Loureiro:

"Hermínio Loureiro e os Órgãos da Liga vêm desenvolvendo um trabalho de credibilização do futebol português que merece o reconhecimento de todos aqueles que durante anos sentiram a falta de transparência, independência e isenção destes mesmos órgãos. O Benfica compreende a frustração que Hermínio Loureiro deve sentir em função dos obstáculos que permanentemente tem enfrentado na batalha pela moralização da Liga portuguesa". [in JN]

TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS
«Hermínio Loureiro e o nosso contratado Ricardo Costa, encarregado especial para zelar pelos interesses do Benfica na Liga, merecem o reconhecimento da nação benfiquista que durante anos se sentiu impotente com a superioridade do FCPorto em campo e, como tal, tentaram vencê-lo, com sujos jogos de bastidores e com Processos forjados para o aniquilar, agradecendo ainda assim, toda a colaboração prestada com fantásticos resultados. O Benfica, compreende ainda, a frustração que Hermínio Loureiro deve sentir em função do atestado de incompetência que a Federação lhe passou, e agradece, do coração, por ser o nosso pau mandado que desmoralizou completamente a Liga Portuguesa»

24 março, 2010

Foi você que pediu um grande f.d.p.?

Não? Não sabe o que é? Eu explico, assim como quem trepa por uma parede, querendo trepar por outro género de "paredes" ...

Um grande f.d.p. é um benfiquista, Presidente de uma [arbitrária] Comissão Disciplinar da Liga de Futebol, que é cumplíce silencioso de uma cilada armada dentro de um túnel do estádio do seu clube, contra 2 atletas de um clube adversário, que os pune, tarde e a más horas, sem provas consistentes das infracções cometidas com 4 e 6 mêses de suspensão, que espera sadicamente pelos respectivos efeitos colaterais e que, depois de os conseguir, vê a Federação Potuguesa de Futebol a ter o "desplante" de reduzir a pena para 4 e 6 jogos. O que é que a FPF vai fazer com este palhaço? Rifá-lo, ou lançá-lo no meio da claque dos super-dragões?

Salazar, eu nunca te gramei [o cardeal Cerejeira ainda menos], mas regressa, estás perdoado!
É um pesadelo viver nesta pocilaga.
PS-Qualquer semelhança com a imagem da foto, é pura coincidência...
PS2-Gostava de ver alguns adeptos "portistas" incomodados com estas coisas, mas estranhamente, isto parece não os incomodar.

23 março, 2010

O futuro próximo de Jesualdo Ferreira

Mesmo sabendo que às terças-feiras o jornal A Bola publica excelentes crónicas do Miguel Sousa Tavares, que defende em terra hostil [como poucos], as cores do FCPorto, só através da Net é que sou capaz de as ler, já que, gastar o meu dinheiro com esse jornal, para mim, é o mesmo que fazer Hara-Kiri. É excessivo? Pois será, talvez, mas que querem, chateia-me só de pensar que estou a dar pérolas a porcos, nem que seja uma vez por semana. Chateia-me este hábito muito portuguesinho e permissivo de deixar o crime sem castigo. Vale-me a blogosfera portista, que se encarrega de me fazer chegar, de borla, as suas crónicas.
Apreciei o artigo desta semana do Miguel, naturalmente, por ser honesto e por me rever em quase tudo o que lá vem escrito. No entanto, resolvi retirar-lhe alguns excertos, dado ter ficado com a impressão de lhes descobrir algumas contradições. Comecemos pelos primeiros:
«Pinto da Costa e Adelino Caldeira eram a imagem exuberante da derrota.»
«O que eles vão fazer, porém, já todos sabemos: apresentar aos sócios a cabeça de Jesualdo Ferreira, para assim tentarem desviar as atenções dos erros próprios de que são responsáveis.»
Miguel Sousa Tavares até poderá ter razão para apontar erros a PdCosta e a Adelino Caldeira, pela política de contratações seguida esta época, mas não concordo com as suas profecias quando diz que eles [PdC e AC] "se preparam para apresentar aos sócios a cabeça de Jesualdo"... Já sei que o que vou dizer não é muito ortodoxo, mas se há alguém dentro da estrutura de um clube que pode influenciar a política de contratações, esse alguém é o treinador! Mas para isso, é preciso ousar, ser afirmativo, exigir,ter coragem para dizer não!
Vejamos. Jesualdo Ferreira foi convidado para trabalhar com o FCPorto, estabeleceu um contrato. Provavelmente, é de admitir, foram-lhe apresentadas condições. Além das remunerações, de prémios e objectivos, foi-lhe transmitida uma lista de jogadores para a constituição do plantel, ou então, exigiu-a, ele mesmo. Em qualquer dos casos, Jesualdo foi bem sucedido nas 3 primeiras épocas, o que não é coisa pouca, mas também em qualquer dos casos [bem sucedidos] continua a ser responsável pelos resultados desportivos. Porém, por alguma razão objectiva os adeptos [salvo raras excepções] nunca se convenceram totalmente desse sucesso. E, não me venham com estas análises simplistas que dão muito jeito à comunicação social anti-portista, que é por causa do seu benfiquismo. O José Mourinho também não era, nem é portista, e os adeptos adoravam-no! Boby Robson, idem, idem.
Às vezes, fico com a impressão que alguns adeptos seguem o raciocínio corporativista dos comentadores desportivos e de outros treinadores que tende sempre a proteger a imagem dos treinadores transferindo as responsabilidades do foro desportivo para cima das Direcções dos Clubes. Se há coisa que raramente faço, é proteger os mais poderosos, bem pelo contrário, mas no caso do FCPorto, manda a justiça dizer, que se o clube não foi gerido na perfeição, foi, pelo menos, muito melhor gerido que os clubes adversários, e neste caso, alguns adeptos parecem esquecer-se de contabilizar os muitos anos de sucesso que, com SAD ou sem ela, o clube conquistou. Ninguém está acima da crítica, nem mesmo Pinto da Costa, mas convém não soltar os cães todos ao mesmo tempo, num ano em que as coisas correm mal. Pergunto-me o que diriam alguns comentadores se Lisandro e Lucho estivessem ainda no plantel e os resultados fossem os que temos agora...
Além do mais, quando se trata de apontar espingardas, os ataques ao FCPorto vão preferencialmente para PdCosta, já se sabe, é por demais previsível. Mesmo quando ganha, continua a ser atacado pela comunicação social. Mas, os adeptos ainda não perceberam o veneno que por sistema os media anexam às notícias que envolvem o nosso clube. Sem darem por ela, são apanhados na ratoeira adoptando o discurso dos nossos adversários, e isso é deplorável. Depois, esquecem-se que, apesar da sua grande competência profissional, José Mourinho foi catapultado para a ribalta do futebol mundial no FCPorto, não no Sporting, no Benfica ou no União de Leiria! Há uma dívida de gratidão do FCPorto para com Mourinho, mas há-a também no sentido contrário.
Voltando à crónica do Miguel. Acrescenta: «O FCPorto não teve atitude nem futebol. Nem crença nem ciência.» Depois prossegue: «Jorge Jesus teve qualquer coisa de Mourinho, na confiança que soube dar aos jogadores, na coragem durante o jogo e no conhecimento perfeito do adversário que revelou ter.» Ora, aqui estou perfeitamente de acordo com o Miguel, mas é exactamente isso que falta ao Jesualdo, e até era desnecessário citar Mourinho, porque essas características num treinador são fundamentais para o futebol moderno. Se faltam jogadores, se a equipa está desfalcada, é nestas ocasiões difíceis que se descobrem os grandes líderes sem que contudo lhes deva exigir milagres. Numa época há a sorte e o azar, mas também há a boa gestão dos recursos humanos, ou então são os recursos humanos que não prestam. Não prestarão mesmo? Todos? Então porque os contrataram? Porque os aceitou Jesualdo? Falta uma 2ª. equipa ao plantel, e a primeira, deixou de jogar futebol só porque perdeu Lucho e Lisandro? Este diagnóstico não será demasiado cruel e injusto para os restantes 9 jogadores?
Nada tenho de pessoal contra JFerreira, estou-lhe grato porque atingiu excelentes objectivos em 3 épocas seguidas, por isso quero imediatamente afastada a ideia do crucifixo. Poupem-me por favor! Mas, bolas, temos de admitir [incluindo ele próprio] que este ano ele não esteve bem. Acontece, mas é assim. Porque também não custa nada inverter o sentido convencional da crítica. Se o treinador é elogiado quando é bem sucedido, se os epítetos de glória recaem sobre ele guindando-o para a fama e para a fortuna, porque razão nunca são reconhecidos na mesma proporção os méritos às direcções dos clubes? Nós já sabemos que não vivemos num país sério e democrático, e que o centralismo tem contribuído para desvirtuar os méritos do nosso clube, e isso é gravíssimo, mas não podemos é deixar-nos enganar pelos seus cantos de sereia. É de nossa obrigação, estarmos sempre alerta!
Agora, colocando-me no lugar de JFerreira, depois do descalabro no Algarve, o que eu faria era colocar o meu lugar à disposição deixando à SAD o peso da decisão de o manter até à Taça [se chegar à final]. A partir daí, acontecesse o que acontecesse, saía do FCPorto de cabeça levantada. Não o fazendo e se tiver o azar de perder a Taça, não só prejudicará o clube como afectará profundamente o prestígio até aqui conquistado e merecido. Ah, e a sua imagem de homem sério será inevitavelmente afectada.

22 março, 2010

O benfiquismo socrático

Tantos são os cambalachos a envolver o 1º. Ministro que é realisticamente improvável estar inocente em todos eles. Essa, é a razão pela qual, a discussão técnica das performances governativas deixou de me interessar. Num país completamente virado ao avesso, chega a ser ridículo falar das questões de pormenor da accção governativa, como fazem os jornais com aquela brincadeira das setas para cima ou para baixo... O carácter e a honra, são as primeiras prerrogativas que um governante deve ter, e logo a seguir vem a competência. Sem as duas primeiras, a competência pode ser mal direccionada o que equivale a dizer que pode beneficiar o próprio, mas com prejuízo para o país.
Para mim, repito, até prova em contrário, a política em Portugal é uma fraude, uma aldrabice repetida, e enquanto tal, a minha única preocupação é saber quando é que nos podemos livrar do modelo.
Como se isto não sobrasse, o senhor Sócrates encarregou-se de levantar a fasquia da sua mediocridade, quando disse, com toda a naturalidade do mundo que, era adepto do Benfica e que os portistas não lhe podiam levar a mal por preferir que o Benfica vencesse a Taça da Liga, esse troféu expressamente inventado para o seu clube de coração poder ganhar qualquer coisa.
Pois se assim é, senhor Sócrates, também não me leve a mal por não lhe reconhecer a mínima categoria para ser 1º Ministro. Desculpe, mas se a fortuna me desse o ensejo de necessitar de um motorista, não me leve a mal, mas nunca o escolheria a si. Não é por nada, mas gosto de andar sempre com gasolina no depósito...

Primeiro Ministro dos Portugueses?

“Descobrimos” nós Portugueses que o Sr.Primeiro Ministro é benfiquista desde que nasceu!

Tudo bem, tem todo o direito de o ser! Contudo é inadmissível, na minha opinião, que sendo
O primeiro-ministro de todos os portugueses, venha para a comunicação social afirmar que
quer que o benfica vença os jogos que terá com outros clubes portugueses, alinhando
publicamente por uma facção vermelha, em detrimento de outras cores que deveria resguardar!

E já que ficou muito feliz pela vitória do seu benfica, na taça da liga da cerveja, assuma que
o país merece e precisa de um primeiro-ministro que governe Portugal e que não divida,
ainda mais, os portugueses em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda!

É que desta maneira, sem ser recatado, adensa-se a teia de relações e compromissos pouco
claros, com interesses de diferentes índoles, como se tem provado nas campanhas eleitorais,
onde aparece o dirigente mor daquele clube a dar apoio ao actual primeiro-ministro!

E parafraseando alguém: “Não havia necessidade”!


Renato Oliveira

Porto

19 março, 2010

Bom fim de semana



Esta estava prometida à nossa simpática e talentosa amiga paulista, Neli Araújo.

O PEC E AS CONTAS PÚBLICAS

Página do Leitor


Apresentou este governo o Plano de Estabilidade e Crescimento para os próximos anos de 2010 a 2013, como que um “milagre” para resolução do deficit e da dívida pública!

O que todos nós verificamos é que estamos perante um projecto que só traz desvantagens para todas as classes sendo que a classe média é a mais afectada como sempre, e que obriga a congelar quase tudo desde os rendimentos do trabalho, as pensões, as despesas sociais e as reduções dos benefícios fiscais. Os do costume que paguem a crise, é o lema deste governo!

Por outro lado, congela-se o investimento, na vã esperança que os privados invistam neste país, porque se não sabe como obter esse mesmo investimento, nem se lhes dá condições especiais para eles investir! O mesmo será dizer que não haverá crescimento económico, quando muito umas décimas, para continuar a aumentar o desemprego!

E se é preciso cortar nas despesas, tem este governo uma óptima e soberana oportunidade para privatizar a “nossa querida” RTP (2 canais ???), que é uma autêntica máquina sorvedoura dos dinheiros públicos, com programas de duvidosa qualidade e com profissionais pagos a peso d’ouro, a troco de quê? Utilidade pública? Digam-me por favor qual é a utilidade desta RTP, onde os contribuintes pagam anualmente e em taxas mensais fabulosos milhões de Euros a troco dessa “fábula” que tem por titulo “Serviço de utilidade pública”!

Isto para não falar dos chorudos ordenados e prémios oferecidos aos dirigentes das Empresas Públicas, algumas até dão prejuízo, bem como as chorudas maquias pagas aos “consultores” e empresas de obras públicas, que “prestam” serviços ao Estado! E que dizer das PPP (Parcerias Público-Privadas)?

Só nestes dois items, existe muito onde cortar na despesa do Estado!

Chegou a hora de sermos poupados à “chacina truculenta” de pagar as crises provocadas pelos que nos governam!


Renato Oliveira
Porto
[Carta enviada ao JN]

Se a minha avó fosse viva

Artur Santos Silva é [pelo menos, goza dessa reputação], um homem prestigiado da vida pública portuense. Administrador do BPI e descendente de uma família de adeptos republicanos [seja lá qual fôr a importância do facto], tem conseguido manter uma saudável distância das polémicas politiqueiras e dos deploráveis esquemas financeiros de alguns dos seus pares, o que tendo em conta a sem vergonhice actual, só abona em seu favor.
Hoje, o ASSilva disse ao semanário Grande Porto que não defende o TGV, nem a Regionalização. Quanto ao TGV, tudo bem, é uma opinião quase consensual que só não tem o aval do Governo e de alguns seguidistas do Partido Socialista. Já sobre a Regionalização, limita-se a repeli-la como se de um praga se tratasse, preferindo optar pela versão política da lenda da avózinha que não devia ter morrido. Se o Governo fôr descentralizado, se forem concedidas mais competências às Câmaras, se fôr reduzida a máquina centralista, se a minha avó não tivesse morrido... Ses.
É com estes 'ses' de esperança infantil, como os de ASantos Silva, que grande parte das pessoas com o seu estatuto e fortuna encaram a situação miserável em que se encontra o Porto e o Norte. Mas, não admira, porque para estas pessoas o Porto, mesmo que visivelmente abandonado e em acelerada decadência social e urbana, tem nichos de oásis onde se movem, como os das suas residências, as dos seus amigos, e dos locais onde a higt society se reúne, que lhes distorce a noção da realidade dos problemas e os timings em que devem ser resolvidos. Artur Santos Silva é um homem que se pode dar ao luxo de ter tempo, mas as populações não.
Mas, a culpa não é dele. Se o Homem é a sua realidade, ASantosSilva, está na realidade dele, e como tal, não é capaz de sair do seu status para ter uma visão mais pragmática do país. A responsabilidade, é de quem escrutina tais personagens para obter respostas sobre problemas que pouco ou nada lhes dizem, como está bem patente na resposta que ASSilva deu sobre o bicho-papão da Regionalização. Porque a Regionalização pode esperar, ou então, é perigosa e fracturante para o país... A descentralização também pode esperar, porque o povo é sereno.
Há gente, que se obstina em percorrer caminhos que não levam a lado nenhum, e que em vez de procurar outro para chegar ao destino, prefere fechar os olhos e esperar que o destino aconteça.
Mesmo assim, espanta-me, como pessoas com carreiras tão pragmáticas com é a de ASSilva, não possam servir-se delas como bitola para lhes abrir os olhos para pragmatismos bem mais nobres. Mas, repito, a culpa não é apenas dele. É, sobretudo dos jornalistas que persistem em querer convencer o público que são aqueles que mais dele se afastam que têm a solução para os seus problemas.
Que querem, ainda há quem goste de ser tratado como animais domésticos.

18 março, 2010

Silêncios cumplíces e o PEC

Presumo, que quando falamos de Liberdade - nessa importante conquista do 25 de Abril -, ficamos frequentemente com uma ideia sobrevalorizada da coisa. A blogosfera, entre muitas vantagens, como sejam, a comunicação, o conhecimento e a própria amizade entre gente de todo o Mundo, teve outra virtude, que foi a de pôr a nu a liberdade limitada dos jornalistas.
Até prova em contrário, a blogosfera usufrui de uma Liberdade muito mais ampla e descomprometida que a comunicação social. Nós, escrevemos e opinamos gratuitamente, os jornalistas, não. Só este pormenor faz toda a diferença, e só ele justifica que possamos ter alguma compreensão com certos silêncios ou omissões em relação a muitos casos. Em última análise, um jornalista mediano, reprime as suas opiniões receando que, no íntimo, a entidade patronal o possa despedir. A história está cheia de jornalistas «corajosos», particularmente, quando se trata de atacar algo [ou alguém], que possa ameaçar o seu lugar, mas é sóbria se tiver de falar directa ou indirectamente contra quem lhe paga. E por vezes, quem lhes paga, são patrões muito pouco recomendáveis...
Só estes argumentos podem explicar esses silêncios, essas perguntas que ficam por fazer. Por exemplo, nunca ouvi, ou li, um jornalista questionar com profundidade um grande empresário ou governante, sobre os critérios para avaliação dos méritos. O PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento], seria um precioso pretexto para o fazer. Porque o PEC, a que eu prefiro chamar Programa para um Estado Caótico, por ser mais realista, é o mote perfeito que desmascara de vez certos conceitos abstractamente induzidos. Um programa cuja própria nomenclatura é de per si uma mentira pegada, não merece sequer discussão. Mas valia sempre a pena "apertar" certos protagonistas.
Senão, vejamos. Quais são os padrões, as referências de conhecimento, com consequências claras de benefício público, que justificam a atribuição a um só homem, dezenas ou centenas de milhar de euros de vencimento? Que mais valias têm tais indivíduos para a sociedade que expliquem tamanha disparidade, entre eles e um simples jardineiro? Qual é a sustentação moral e objectiva desta aberração? Serão génios? Deuses? Gente generosa? Filantropos? Terão provocado com a acção do seu trabalho nos Governos ou Empresas onde o desempenham o bem estar social e económico efectivo para a população?
A nível governativo, o que temos estado a assistir já ultrapassou todos os limites do descaramento, do vazio de carácter, da dignidade, já passou a uma provocação, a uma declaração de ordem para a desobediência civil. Então, se o balanço das acções dos sucessivos governos é declaradamente pautado pela incompetência, pela degradação de vida do povo, qual é a autoridade moral para estes homens insistirem em pedir aos governados os maiores sacrifícios continuando a proteger os mais ricos, os oportunistas? Qual é a moral? Esta gente, é respeitável? Faz algum sentido que continuem a desgovernar-nos e a r-e-p-r-e-s-e-n-t-a-r - n-o-s? Devemos então mantê-los no Poder como prémio pelas suas péssimas prestações governativas? Alguém lhes pediu ou obrigou a candidatarem-se ao Poder, ou foram eles que nos andaram a garantir que eram capazes de governar o país? E foram capazes? Não, está claro! Se não são, porque permitimos que decidam barbaridades, que arruínem o país em nosso nome?
O PEC deles, só poderia parecer um programa sério se estes cavalheiros começassem por dar o exemplo e a abdicar das muitas mordomias de que gozam, sem as merecer. Esta corja de oportunistas, não só não merece a centésima parte do que ganha, como devia há já muito tempo estar num único lugar: na cadeia! Muitos e exemplares anos!

17 março, 2010

Rever a Constituição

Alberto João Jardim é normalmente vilipendiado e até insultado pela generalidade da comunicação social e por grande parte dos políticos continentais. É certo que o homem tem um feitio truculento e por vezes comporta-se para além do limite das conveniências. É no entanto um governante que tem dedicado a vida à sua Região, tendo sempre em vista não só o engrandecimento e o prestígio da Madeira, como também a melhoria das condições de vida dos seus habitantes.

Vem isto a propósito do Congresso do PSD, que segui à distância e sem grande interesse, tão baixa anda a reputação da generalidade dos nossos políticos. Mas pelo que li, AJJ teve uma intervenção que considero a única coisa com interesse que lá se disse. AJJ defendeu uma profunda revisão constitucional que refunde o regime e crie a quarta República. A notícia que li nada dizia quanto aos detalhes do seu pensamento. A mim vieram-me logo à cabeça , para além dos pontos tradicionais - justiça,educação,etc. - uma série de outros pontos sem a alteração dos quais penso que não sairemos do estado comatoso em que vivemos. Entre eles:

- A proibição dos partidos regionais.

- A imposição de que os deputados, apesar de eleitos em base distrital, sejam nacionais e não regionais, deixando de fora a legitimidade da defesa dos interesses específicos da sua área eleitoral.

- A reforma do sistema eleitoral, principalmente a recusa dos círculos uninominais.

- A imposição de que a instituição da regionalização esteja dependente da aprovação em referendo, juntamente com a imposição que todas as Regiões tenham de se instituir em simultâneo.

- O exagerado número de deputados à AR.

Enquanto não houver vontade política de proceder a uma significativa revisão da Constituição, continuarei a considerar todos os políticos como farinha do mesmo saco, e a dar razão a Medina Carreira quando ele diz que em Portugal os mais poderosos grupos de interesse -definidos como grupos que estão basicamente concentrados nos interesses próprios, com desprezo pelo bem comum - são os dois principais partidos: PSD e PS.

Enquanto assim for, isto é, enquanto os partidos tiverem este tipo de lógica funcional, a nossa democracia estará em perigo e, pior que isso, o nosso bem estar continuará a degradação que, tudo indica, começou a morder o nivel de vida da esmagadora maioria dos portugueses.

16 março, 2010

A política é porca, ou são os políticos?

Quem se deu à curiosidade de acompanhar o 32º. Congresso do PSD não deve ter dado como perdido o seu tempo. Isto, apreciado, como é óbvio, num contexto meramente anedótico, porque se for encarado com a seriedade devida, a conclusão será completamente oposta. Foi um espectáculo confrangedor, que enterra a classe política nas profundezas da lama mais pestilenta.

Depois de ouvirmos um Presidente da Câmara [das Caldas da Raínha] fazer declarações públicas - com duvidoso sentido de humor -, quando alguém lhe estende um copo de água, dizer "dá-me antes um copo de vinho", ou "se eu não fosse mentiroso não era Presidente de Câmara", ficamos com a Certidão Factual de Qualidade [a tautologia é propositada] dos nossos representantes políticos, sejam eles da oposição [como foi o caso], sejam do Governo. Não têm nível, educação, nem ideias, nem ideologias. Têm uma única meta: o Poder.

Não esperem portanto, da minha parte, que realce [como fazem muitos jornalistas] as bocas fúteis dos políticos, como hoje, por exemplo, fez o Público, que, não resistindo à banalidade do costume, lá colocou a setinha apontada para o "céu" sobre a imagem de Mário Soares, só por ele ter dito que há falta de debate político no PS.
É preciso ser-se ideologicamente muito pobre e profissionalmente conservador para realçar frases de circunstância, vazias e subjectivas, sobretudo vindas de um homem que [vá-se lá saber porquê] tem mais fama do que merecido prestígio . A história de Mário Soares vai surpreender muita gente quando forem do conhecimento público muitas e estranhas situações em que se envolveu e das quais saiu praticamente impune.

Aliás, pessoalmente, considero-o coresponsável pela degradação da democracia em Portugal, onde se passou a confundir a anarquia com a Liberdade. Aliás, também, é muito suspeita a defesa que faz de José Sócrates depois de saber das sucessivas embrulhadas em que ele se "deixa" envolver.
Não, meus senhores, que ninguém me queira convencer que no Processo Casa Pia, só os "tubarões" estão inocentes, e as crianças abusadas, as culpadas. Que ninguém me queira convencer que dos casos Melancia/Macau, Moderna, Freeport, Face Oculta, BPP, o BPN, BCP, e tantos outros, não haja um único político enterrado até ao pescoço em esquemas objectivamente criminosos, porque simplesmente não acredito. Olho para os políticos com o olhar certeiro de quem olha para potenciais vigaristas, e esse sentimento, por mais injusto que possa ser para alguns, só daqui a muito tempo, depois de invertida esta reputação por empenho dos próprios, é que o conseguirei alterar. Não me impressiono com a verborreia cínica dos governantes, ou se me impressiono é apenas com sentimentos de nojo e de desprezo.

Medina Carreira tem posto a boca no trombone, toda a gente sabe que ele está a dizer a pura verdade, e todavia, há sempre alguém que resiste à verdade, com receio de perder privilégios de duvidoso mérito e cair do pedestal onde se colocou [ou ajudaram a colocar]. Não me venham cá dizer que Medina também lá esteve e que não fez nada, porque ter saído do Partido Socialista em total desacordo com a política imposta pelo 1º. Ministro de então, o benquisto Mário Soares, faz a diferença, e dá-lhe o direito legítimo para hoje dizer o que diz...
Irónica, ou apenas fortuitamente, o Ministro das Finanças de então era o ex-Governador do Banco de Portugal, o Sr. Dr. Victor Constâncio, hoje o "homem de sucesso" que saltou para a vice-Presidência do Banco Central Europeu... Se isto é tudo fruto da casualidade, é caso para dizer que há homens com sorte, mas o facto é que não acredito nessa versão simplista. Tudo se parece mais com um polvo à siciliana do que com uma Governação, mesmo que desastrada e desastrosa para o país.

15 março, 2010

Um pouco mais sobre o grande Ferrat

nous dormirons ensemble



Minha homenagem a um cantor que me ensinou como ninguém a ouvir a poesia cantada.

Um abraço, Jean Ferrat! Até qualquer dia.E, obrigado.


PS
Esta canção [nós dormiremos juntos], é para mim, a par de La Montagne [A Montanha], uma das mais tocantes.

Morreu Jean Ferrat



Jean Ferrat era comunista por convicção ideológica mas nunca se filiou no Partido Comunista por discordar com o que a organização dizia e fazia. O pai, um judeu russo, foi deportado para o campo de concentração nazi de Auschwitz, onde faleceu, e ele foi salvo pela resisteência comunista, facto que o ligou ideologicamente ao comunismo. Cantava poemas de Louis Aragon e interpretava-os ainda melhor. Era um dos meus cantores de eleição da música vanguardista francesa. E continuará a sê-lo, até chegar a minha vez de partir.

12 março, 2010

As tristes voltas que o PSD/Porto dá

Não sou grande coisa a fazer prognósticos para o Euromilhões, mas parece-me que vou tendo algum feeling para acertar em alguns resultados políticos. Ainda é cedo para cantar a "vitória", porém tudo parece apontar para o desfecho que previ aqui há uns dias.

Pedro Passos Coelho, segundo o Grande Porto, dá ideia de estar a ganhar vantagem aos seus adversários de partido para o poleiro do PSD, contrariando aparentemente [por agora] a estratégia da lebre defendida aqui pelo amigo António Alves. É que o clima já ultrapassou o âmbito corporativista dos interesses partidários para passar para o das guerrinhas pessoais pelo assalto ao Poder, o que ainda abala mais a paupérrima imagem das pindéricas elites regionais.

Agora, Miguel Veiga decidiu virar o bico ao prego e já não apoia Paula Rangel. Se assim for, a lebre já não pode ser o Rangel... O Aguiar, ao que parece, como lebre deve ser mais rápido...
Isto, se é que há mesmo "galgo" para a perseguir.

Cantou a semana passada na Casa da Música, no Porto



É uma das vozes femininas mais límpidas que ouvi até hoje!

Bom fim de semana!

Nota:
Se há casos em que certos ditos populares são pertinentes o que se aplica da Joan Baez é um deles. O termo, «é como o vinho do Porto, quanto mais velho melhor», encaixa-lhe que nem uma luva. Se não reparem como ela era em 1965, e como é agora, uma respeitável, finíssima e bela mulher.

The Manhattan Transfer/Chanson d'amour

Glorioso até no ridículo

Clicar sobre a imagem para ler
Peço as minhas humildes desculpas pelo tauromáquico tom da imagem. A responsabilidade não é minha, é do jornal Público que, coerentemente, tratou de ligar o "artigo" com as cores do respectivo clube. Sei que fica piroso aqui, mas não se preocupem, fica piroso em qualquer lugar...
BENFICA CRIA CLÁUSULA NO CONTRATO DE JORGE JESUS QUE APENAS O AUTORIZA A ASSINAR POR OUTRO CLUBE QUANDO APRENDER A FALAR PORTUGUÊS
A excelente campanha do Benfica motivou a cobiça de grandes clubes europeus em Jorge Jesus, pelo que o Benfica pretende blindar o técnico com uma clásula milionária. Porém, como o que não falta aos grandes clubes na Europa é dinheiro, o Benfica pretende ainda que Jorge Jesus se comprometa por escrito* a que apenas abandonará o clube quando adquirir um vocabulário com mais de 20 palavras e aprender a usar frases com sujeito, verbo e complemento directo, o que equivaleria a um contrato vitalício com os encarnados [José Veiga teve unm contrato semelhante e apenas saiu do Benfica quando conseguiu deixar de falar, como previa a cláusula, no dialecto que os descendentes de Afonso de Albuquerque falariam se tivessem ficado isolados, durante 500 anos, nas ilhas Molucas]. Jorge Jesus já assinou o contrato, com o dedo, após molhá-lo na tinta cinzenta que usa no cabelo para se assemelhar ao José Mourinho. VE [Público]
*Sugeria que o mesmo compromisso se estendesse ao Orelhas

11 março, 2010

Confrangedora fraqueza regional

É impressionante a incapacidade de afirmação dos responsáveis pela CCDRN [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento para a Região Norte] e da Junta Metropolitana do Porto. Mesmo com uns ligados ao PS, e os outros ao PSD, o conformismo piegas como expressam o seu descontentamento perante os sucessivos actos de desconsideração do Poder Central para com a Região Norte, é irritante e confrangedor. Só sabem lamentar-se!
Ora, é o Rio que "chora" baixinho para ninguém o ouvir, ora é o Lage que se limita a lamentar. Nem um, nem outro, revelam a mínima capacidade de luta, de reinvindicação e liderança. Ambos, representam a antítese do que é o princípio do mérito pelas competências. São, tão só, aquilo a que o Povo chama gente com sorte. Mas o Povo também tem a que merece, por continuar a eleger os seus representantes em função da "gracinha" que lhes descobrem e não pelas suas capacidades. Cair em graça é uma benção, como é o caso.
O Presidente do Governo Regional da Galiza, ao que consta, disse a Carlos Lage que pretende acelerar a construção da linha ferroviária de alta velocidade do lado da Galiza e Carlos Lage limita-se a discutir o sexo dos anjos. Isto é, convenceu-se que só pelo facto de dizer coisas promove uma atitude.
O Governo ainda há dias anunciou o adiamento por 2 anos das linhas Porto-Lisboa, Porto-Vigo, e Carlos Lage limita-se a "defender" a aceleração da linha do lado português. Pronto. É assim que os PQT's [os políticos que temos] olham pelos interesses da região e concluem o trabalho de casa. Ou seja, contrariando com palavras de circunstância as decisões do Governo.
Continuem assim, doces e politicamente correctos, O futuro pertence-vos.

10 março, 2010

O galgo...

Feita a desnatação, o galgo aquece para se aproveitar do trabalho da lebre...

Post aberto ao Prof. Jesualdo Ferreira

No rescaldo de uma jornada europeia [que me dispenso qualificar], ainda mal digerida, quero dizer-lhe o seguinte, caro professor: obrigado! Sinceramente, obrigado. Pelo pragmatismo inquestionável de 3 campeonatos ganhos a fio, e pela seriedade com que desempenhou as suas funções como treinador do FCPorto. Obrigado outrossim, por ter de lidar com corpos estranhos ao bom desempenho do seu trabalho, como os processos dos apitos, os filmes e as escutas, mas esses, foram obstáculos externos ao FCPorto criados por gente de um clube que o senhor muito bem conhece... Será pois irrelevante , lembrar que o Presidente do FCP também se pôs a jeito, porque se formos por aí, podíamos fazer milhares de telenovelas só com a devassa da vida privada de alguns protagonistas do Mundo do futebol...
A minha gratidão começa e termina aqui, Professor. Por quê? Porque não gosto do futebol que dos seus conhecimentos técnico-tácticos é produzido. É pouco empolgante e demasiado medroso. Como já aqui tenho dito, vence mas não convence. Ontem, no final de um jogo importante, na maior montra do futebol mundial, o senhor perdeu créditos pessoais e comprometeu os do meu clube.
De quem é a culpa? Não. A questão não deve ser colocada assim, porque nem o senhor cometeu nenhum crime, nem eu sou juiz, para falarmos em culpa. Sou apenas um adepto, com opiniões próprias. Para sermos correctos, a questão que tem de ser formulada é: de quem é a responsabilidade.
Ora, vamos a ver se consigo explicar-me com algum rigor para me livrar de comentários apressados de alguns furiosos, semelhantes às heresias da Santa Inquisição. Num grupo de homens, neste caso, numa equipa de futebol, há um treinador a equipa técnica e os jogadores. Este é o universo restrito do foro desportivo de um clube. Antes de um treinador se engajar com um clube e fechar o contrato com a respectiva Administração, devem ser colocadas de parte a parte as condições de trabalho. A saber: remunerações, e quem tem a responsabilidade da escôlha dos jogadores e da equipa técnica para as futuras épocas. Se o treinador, se qualquer departamento do clube. Aqui, só há duas vias possíveis, mas seja ela qual for, a partir do momento em que são aceites, a responsabilidade pela decisão continua a caber exclusivamente ao treinador. Porque, na eventualidade de ser atribuída a outra pessoa que não ao treinador a função de programar o grupo de trabalho [jogadores incluídos], se o treinador discordar, só tem é de renunciar ao contrato, ou então, persuadir a entidade patronal a oferecer-lhe dentro de uma lógica de racionalidade económica e financeira sensata, os jogadores que ele quer para fazer o seu trabalho com eficiencia.
Por isso, se os jogadores que tem são os que o Professor quis ou se lhe foram «impostos», só você pode responder, se aceitou trabalhar nessas condições. Agora, caso venha a sair do clube a bem, faço votos para que preserve a imagem de seriedade que deixou aos adeptos e à Administração do FCPorto e não enverede por justificar os seus erros em programas de televisão como alguns costumam fazer. No seu caso, apresentava a minha demissão e deixava ao clube o ónus de o preservar ou dispensar. Ficava-lhe bem esse gesto.
O problema de alguns adeptos do FCPorto, caro JFerreira, é recearem dizer o que pensam para não melindrarem o Presidente Pinto da Costa, porque já sabem qual é a reacção dele nestas situações. Mas não confundamos as coisas. Pinto da Costa faz o seu papel. Como grande líder que é, nunca cairá na tentação de se associar às críticas dos adeptos [como eu e outros] mesmo que intimamente lhes reconheça alguma razão.
Mas nós, Professor, não somos o Presidente Pinto da Costa nem temos que pensar e reagir como ele porque não temos a responsabilidade de tomar decisões, por isso, podemos divergir à vontade da previsível reacção de PdC porque, no fim, é ele quem decide [pelo menos, continuo a acreditar nisso].
Não obstante, temos todo o direito de fazer críticas como o de tecer elogios, desde que estruturados com ideias sérias, sinceras e decentes. E fazê-lo, deixemo-nos de dramas, não é colocá-lo numa cruz. Que exagero!