25 junho, 2011

A traição do mestre André


Depois das públicas juras de eterno amor de André Villas Boas ao FCPorto, e da abrupta - ou brutal, também serve -, fuga para o Chelsea do russo Abramovich, a nação portista foi célere e implacável a proferir a sentença: traidor! Foi a palavra mais lida. Quem tiver dúvidas da quase unanimidade da sentença, só tem que consultar a caixa de comentários da blogosfera portista e retirar as suas próprias conclusões. Eu não tenho.

Também eu me incluo nesse respeitável grupo de enganados e repudio a tese daqueles que procurando dar-se ares de tolerantes, ou se quiserem, de gente esperta e muito realista, não hesitam em nos assegurar de que qualquer um, no lugar do André tomaria a mesma decisão que ele tomou.

Se há coisa que pessoalmente não me falta é o cepticismo. Cepticismo assente no realismo, mas mesmo assim cepticismo, de facto. Por isso, também compreendo aqueles que já não acreditam que haja no planeta alguém capaz de um acto de grande nobreza. Na realidade, as coisas caminham mais nesse sentido do que no sentido contrário, e este exemplo de André Villas Boas vai contribuir, e muito, para aumentar a lista dos cépticos  sobre o carácter humano.

As questões de carácter são impossíveis de dissociar das coisas mais simples da nossa vida. É o carácter que nos serve de freio aos instintos mais perversos, e é o refinamento da consciência entre o que é correcto e incorrecto que o consolida. Por isso, os portistas se sentem enganados. Sentem-se quase tão traídos por Villas Boas, como se de uma traição conjugal se tratasse. E por quê? Porque Villas Boas se identificou com eles, afirmou muitas vezes o seu portismo, nasceu no Porto e conhece, como eles, o que significa o FCPorto, sobretudo no contexto actual, onde à excepção de Pinto da Costa, a cidade vive orfã de líderes que a saibam defender. Villas Boas fez questão de se afirmar não apenas como mais um treinador, mas como um treinador portista.

Ora, no futebol, como em quase tudo, de resto, não se pode querer estar no melhor de dois mundos sem se perceber que o mais certo é termos de abandonar um deles. Foi o que aconteceu. Villas Boas era portista, teve sucesso, mas foi incapaz de continuar a colaborar com o seu clube apenas por mais uma época, quando tudo já estava planeado por si e para si. Um treinador confiante e adepto, só teria a ganhar se aceitasse cumprir o que tinha prometido, e ficasse. Mesmo não ganhando tudo o que ganhou na época que passou [isso seria quase impossível], ia ter a mesma equipa reforçada com novos e talentosos elementos, e as mesmas condições para vencer, e se calhar até reforçar o seu prestígio internacional com óbvias vantagens financeiras, quer para si, quer para o clube da cadeira de sonho...

Assim, a decisão que tomou pode dar ensejo a duas interpretações. A mais imediata: ao oportunismo e à desconsideração face ao afecto que angariou junto dos adeptos. A interpretação futura [a confirmar]: arriscar sair do Chelsea sem sucesso, mas com os bolsos cheios de dinheiro. Desportivamente, Mourinho, não foi capaz de ganhar no Chelsea, num clube que lhe deu os jogadores  que quis [caríssimos] tanto como ganhou no FCPorto, e acabou despedido por Abramovich [isto são só louros para Pinto da Costa]. Será Villas Boas homem para se reafirmar em Londres? O tempo o dirá.

Como quer que seja, por muitos méritos que um homem tenha, há um que nenhuma montanha de petrodólares permite acrescentar, quando não existe: o carácter. Mesmo que se mantenha curta a memória do povo.

Lembram-se do jogador peseteiro, não lembram? Eu também. Chama-se: Luís Figo. Terá ele carácter? Eu acho que não, que o que tem mais é dinheiro. Mas também sei que se está a marimbar para a minha opinião. Que o dinheiro é o mais poderoso travesti do carácter dos homens, isso também eu sei.  É a vida, dirão os mais conformistas. Mas o curioso, é que há sempre um momento em que até os mais afortunados gostam de evocar as questões de carácter. Será o peso da consciência?

23 junho, 2011

Um "esquecimento" habitual

Não tenho sido eleitor fixo em nenhum dos partidos políticos. Voto naquele que, em dado momento, me parece o mais próximo dos meus ideais. Também me acontece não votar, por descrédito de todos eles.

Desta vez, acolhi com alegria a derrota da quadrilha de malfeitores socráticos que nos governou durante demasiado tempo. Demasiado tempo porque foram eles que deram o poderoso impulso final para o buraco em que o país está (atenção, buraco que outros começaram, aqui não há inocentes...) e que conseguiram criar aquele ambiente tóxico e malsão que envolvia a política nacional, testemunhado por todos aqueles que não andam a dormir e que pensam pela sua própria cabeça.

Um novo governo foi empossado, com promessa de arrepio dos caminhos tortuosos que a política seguia. Parte dos portugueses acreditará nas promessas, outros não, outros ainda ficarão pelo wait and see.

Pessoalmente, uma coisa deixa-me de pé atrás em tudo o que o novo governo proclama. É que não há uma única menção a condenar o centralismo exacerbado em que este país está mergulhado há demasiados anos. Não vi manifestada uma única intenção de eliminar da Constituição os preceitos que fazem com que a Assembleia da República não seja representativa de coisa nenhuma, a não ser das máquinas partidárias que a dominam a seu bel-prazer e que se borrifam nos eleitores a partir do momento em que eles depositam o "papelinho" nas urnas. Também os preceitos constitucionais que limitam a liberdade da criação de partidos de cariz regional, são indignos de uma democracia e no entanto tudo indica que irão manter-se. A criação de um verdadeiro poder intermediário entre o Estado central e os municípios, com a respectiva autonomia financeira, é considerada brincadeira de rapazes e afastada com um simples gesto que significa " agora não, não chateiem porque não temos tempo para brincadeiras". Aliás nunca é tempo para discutir a sério a Regionalização, há sempre um "poderoso" motivo que impõe o seu adiamento.

Deste modo, infelizmente, este governo parece ser mais do mesmo, ao não reconhecer o impulso que as autonomias regionais dariam a este país. Ou então, se o reconhece, dá precedência à conservação do poder total - diria mesmo ditatorial- que o actual sistema partidário ( partidos e respectivas clientelas) guarda ciosamente nas suas mãos.

Desiludido, eu? Não, apenas mais convencido que o fim do centralismo nunca será um fenómeno endógeno e que deste modo a sua permanência parece assegurada. Desgostoso apenas pela apatia bovina dos meus concidadãos que permite a manutenção do status quo.

21 junho, 2011

Vítor Pereira é o novo treinador dos “dragões”

Vítor Pereira é o novo treinador do FC Porto, tendo assinado um contrato válido por duas épocas, iniciando funções de imediato.

O presidente Pinto da Costa fará o anúncio oficial às 18:00, em conferência de imprensa no Estádio do Dragão.

Paralelamente, já foi depositado o montante relativo à cláusula de rescisão do contrato de trabalho de André Villas-Boas.

[fonte: O JOGO]

No FCPorto, o «special one» é: Pinto da Costa. O resto, é efémero.

Pinto da Costa
F. C. Porto confirmou rescisão "sem justa causa" de André Villas-Boas. Ler o resto da notícia, aqui.

Muita água ainda vai correr  debaixo das pontes em torno das contratações relâmpago de treinadores ou jogadores que, ao arrepio da ética, decidam dar o salto para o clube que lhes acenar com o maço de notas mais gordo.

Não tardará muito, até que os papeis se invertam e sejam os treinadores a chamarem à baila as questões de ética, ou de incumprimentos contratuais da parte dos clubes, quando acharem haver motivos para tal. Aliás, em muitos clubes, isso é recorrente, apesar de no FCPorto, tal ser raríssimo acontecer. Aguardemos pois, mantendo bem viva a memória...

É claro que a ruptura inesperada de Villas Boas  não deve ser vista como uma catástrofe, mas não pode deixar de ser analisada sem considerar as consequências que poderá ter para a preparação da próxima época, com as inerentes contratações e dispensas de jogadores. A saída polémica de José Mourinho só não teve consequências mais graves porque o FCPorto tem a comandá-lo um homem como Pinto da Costa, um Presidente que é líder, um estratega como não há igual no mundo do futebol. Esse, é o grande trunfo do FCPorto, o grande, o verdadeiro «special one» é: Pinto da Costa. Mas, como qualquer líder que se preze, precisa de tempo para se reorganizar, sobretudo depois desse tempo ter sido queimado pela fuga incontrolável de gente demasiado ambiciosa, como foi Mourinho e agora é Villas Boas. Pinto da Costa é competente, não é bruxo. Por isso, quando Mourinho fugiu [o termo é esse] não pôde preparar-se convenientemente para a época seguinte, e o resultado foi a perda desse campeonato.

Dir-me-ão: ninguém é insubstituível. Está bem. Mas, se perguntarmos à grande maioria dos portistas se querem ver Pinto da Costa substituído nos próximos tempos, é fácil adivinhar a resposta. Se Mourinhos e Villas Boas não se encontram aos pontapés, Pintos da Costa nem com um telescópio. Além de que, foi através de um FCPorto superiormente gerido por PC, que estes, e outros treinadores, se projectaram no palco do futebol mundial, e em mais nenhum outro clube. Essa medalha, essa honra, é pertença exclusiva de um grupo homogéneo: Pinto da Costa, directores, equipa de treinadores e jogadores. De mais ninguém. 

Por esta altura, o chinfrim que as televisões e os jornais estão a fazer com a milionária contratação de Villas Boas pelo Chelsea de Abramovich, devia naturalmente incidir sobre a fantástica capacidade do FCPorto multiplicar rapidamente os seus activos, valorizando extraordinariamente jogadores e treinadores, coisa que nenhum outro clube nacional sabe fazer com a mesma eficiência e regularidade . Mas não, o líder Pinto da Costa nunca será elogiado em tempo útil e sem reticências pelos media centralistas, porque para eles representa o espelho do fracasso dos clubes do regime e ele... nunca abandonará o FCPorto! Por isso, num país com resquícios ditatoriais como este, jamais terá boa imprensa.

Do sangue azul de Villas Boas, resta agora um tom mais prosaico, quase avermelhado... e os inimigos do FCPorto agradecem-lhe. Não tarda muito, vão ver, de miúdo inexperiente, vai passar a treinador fantástico. Outro, «special qualquer coisa».

20 junho, 2011

É o mercado, ó burro! Pois é. Mas, ó André, eu não gostei.



Sem dó nem piedade, o JN que, nos últimos anos não se tem propriamente distinguido pela fidelidade às raízes que lhe deram vida, rodeou a imagem de André Villas Boas de balões de texto com declarações recentes do [até esta hora, que sei eu?] ainda técnico do FCPorto, que rezavam assim:

  • O FCPorto está presente em mim desde muito cedo, desde que tenho memória
  • Cresci adepto do FCPorto e vivi o clube das mais variadas formas
  • Estou sentado na minha cadeira de sonho e não abdico dela por nada
  • Já fui membro dos Super Dragões
  • O meu futuro está completamente ligado ao FCPorto
Depois, com cruel sadismo rematou este título: "André é o último brinquedo de Roman"

Sei bem, que nos tempos que correm é cada vez mais difícil investir no carácter das pessoas. Também sei, a inutilidade que é, a profusão de pareceres que por aí vemos, sobre as causas da crise, quando na origem de todas elas há uma só explicação: o capitalismo. E que por detrás do capitalismo, existem pessoas, especuladores e banqueiros - todos elas com nome próprio -, que deviam ser responsabilizadas pela crise, mas que, pelo contrário, surgem [FMI] aos olhos do povo como salvadoras da pátria. Contudo, tem de haver limites.

A ser verdade, repito, a ser verdade, que André Villas Boas vai mesmo para o Chelsea, e que a cláusula de rescisão de 15 Milhões de euros, foi, ou irá ser paga ao FCPorto, uma  única ilação daqui se pode extrair: o dinheiro reduz a pó o carácter  de algumas pessoas, o que pode querer significar que não é sensato fazerem-se promessas de amor ao clube, como fez o André, sem antes pesar muito bem o preço do carácter e de prever a força dominante do dinheiro dos magnatas mundiais. Eles existem, estão atentos às mercadorias, e quem como André Villas Boas, acabou de fazer uma época notável à frente do FCPorto, devia sabê-lo e, por conseguinte, poupar-se a sentimentalismos clubístas, do modo apaixonado como o fez. 

Assim sendo, no futuro, qualquer treinador que tenha o mesmo tipo de declarações, poderá criar um sentimento de desconfiança nos adeptos sem retorno, o que me parece dispensável, já que, ninguém pode prever o futuro... Se a saída extemporânea de José Mourinho - que tanto chocou os portistas -, se tolera, tendo em conta o facto de ele não ser portista, a de André Villas Boas já custa muito a digerir [pelo menos a mim], depois de ele se ter comprometido a ficar mais uma época no FCPorto.

O clube, precisa de fazer receitas, todos sabemos disso. Mas, é preciso não esquecer o papel afectivo dos adeptos, que face a estes golpes de teatro  podem sentir-se traídos e decepcionados. Não é o fim do mundo, o clube saberá contornar o desfalque, mas será sem dúvida muito mais difícil e arriscado  reprogramar a época que se avizinha. Depois, o campeonato é uma prova de resistência, com altos e baixos. Caso na próxima época acontecam momentos mais baixos que altos, é bem possível que  venha a ser solicitado o apoio dos adeptos pelo futuro treinador, e aí, não se poderá levar a mal se os sócios decidirem devolver o pedido de apoio ao remetente, ou então, aos cofres do Roman Abramovich...     

17 junho, 2011

Oeiras

Numa carta de 1890, escrevia Eça de Queirós: «Um país, no fundo, é sempre uma coisa muito pequena: compõe-se de um grupo de homens de letras, homens de estado, homens de negócio, e homens de clube, que vivem de frequentar o centro da capital. O resto é paisagem (...)» E adiantava: «A direcção de um país é dada justamente por essa minoria da capital.»

Este ano de ouro, prata, cristal, diamante, safira, pão de ló e vinho do Porto (que para mim são jóias) com que o FCP nos brindou, não podia deixar de ser rematado com mais uma imposição da minoria da capital: a final da Taça teria, em nome dos cânones do Estado Novo (que, em matéria de colonização das províncias, está cada vez mais presente), de ser disputado no Wembley de trazer por casa, no «altar da Pátria» (como ouvi a um exaltado centralista): o Estádio mussoliniano de Oeiras, chamado - pelos patriotas de Sacavém - «Nacional».

Um velho pescador da Ilha do Pico ensinou-me máxima adequada aos tempos que correm: «Não acredito em nada daquilo que ouço e só acredito em metade daquilo que vejo». Talvez por isso, estou sempre de pé atrás, desconfiado, em relação aos ventos que nos vêm, não de Espanha, mas do Terreiro do Paço. Dali, como nos últimos 30 anos, vem asneira de quem não percebe nada do país e trata dos seus interesses e dos dos «homens do clube» - os centralistas militantes. Olhando a Taça de Portugal, vemos um lindo serviço: 64 finais foram disputadas na Capital e 4 no Porto! A primeira, no Campo das Salésias (em 1939), do Belenenses, que alternou, até 1946, com os estádios do Sporting. A partir daqui, o salazarismo impôs «urbi et orbi» o santuário do regime, em Oeiras. Mesmo assim, em golpe de compaixão pela província, aceitaram, em 09.07.61, a final nas Antas. Ou se distraíram, ou sofreram crise de inteligência, porque o jogo era Porto-Leixões.

Com os três Dês do 25 de Abril (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver – que são a essência da descentralização), as coisas mudaram. Em 12.06.76, jogaram, nas Antas, Boavista e Guimarães, em 18.05.77, Porto e Braga. Havia esperança. Mas foi sol de pouca dura. Em 21.08.83, ainda aqui se disputou a final Porto-Benfica (que milagre! – a capital deslocou-se ao Porto). A partir daí, esqueceram-se os Dês e como, provavelmente, o país está mais centralizado do que em monarquia, república e ditadura, as finais voltaram ao Wembley de Oeiras, que está para um estádio digno do séc. XXI como um carro de bois para o último Airbus.

Enfim, obrigar, em época de crise e quase bancarrota, milhares de flavienses, vimaranenses (no ano passado e neste) e portistas a consumirem recursos para se deslocarem a Oeiras, não lembra ao diabo. Que tristeza: além de gastador, temos o centralismo mais estúpido da Europa! Glória ao FCP por ter conquistado mais uma, e hurra! pelo Vitória, que foi à final jogar futebol e tentar ganhar (e não para impedir o adversário de jogar, como sucedeu em Dublin). Glória, sim, porque as vitórias portistas são da cidade contra o Terreiro do Paço. Do país contra o anti-país.

[Hélder Pacheco / Semanário Grande Porto]


Comentário do RoP

Ao mesmo tempo que funcionários públicos da RTP, em desespero de causa,vergam e ajoelham submissos aos pés do centralismo, com notório medo de perderem o emprego, no Porto, há ainda alguns resistentes dispostos a manter intacta a génese tripeira. Um desses velhos resistentes, chama-se: Hélder Pacheco, o autor da belíssima crónica aqui publicada. Só mesmo alguém profundamente ligado ao Porto, pode descrever tão bem o pulsar da nossa cidade. Lê-lo, provoca-nos sentimentos difusos. Tanto podemos sorrir intimamente, como conter algumas lágrimas de alegria, tantas são as afinidades e os sentimentos que o autor nos desperta. O Porto, é o Douro, é o granito, o azul intenso do céu, a bruma da ribeira, mas também...  pessoas como ele.

O contraste entre portuenses desta solidez, desta estirpe [Germano Silva, é outro], e outros residentes ocasionais que por cá fazem vida, e por aqui deixaram prole, sem nunca se fundirem com a cidade,  é mais do que flagrante, é um antípoda. 

Enquanto os paus mandados da RTP*, aproveitam a silly season para causticarem a reputação do FCPorto, inventando tudo o que é notícia feia, para colar ao único baluarte da resistência nortenha, há Homens que continuam a investir no carácter das coisas, sem aderirem à ditadura das verdades lisbonárias.

Se por acaso me leres, Hélder, fica ciente que estou contigo. E com todos aqueles que rejeitam a domesticação do intelecto. Mais do que liberal, o Porto tem de ser uma cidade LIVRE! Nem que para isso seja preciso recorrer às armas.

*Não sou muito tolerante com os fracos, mas por vezes, causa-me dó ver o rosto constrangido de alguns empregaditos públicos, do tipo caniche, lambe-botas, transmitirem notícias carregadas de venêno, que lhes foram encomendadas pelos chefes. Ai, crise, crise, a quanto obrigas.

16 junho, 2011

A RTP odeia o FCPorto, já nem finge...

É um facto, que dispensa o contraditório, que a blogosfera teve [e continua a ter] o grande mérito de permitir a imensos cidadãos, expressarem as suas opiniões sobre o mais variado tipo de assuntos, de forma muita mais democrática e livre, do que qualquer órgão de comunicação social. A web, através dos sites, blogues e redes socias, é sem dúvida uma ferramenta preciosa para as populações que  nela encontram a janela de liberdade que  jornais e  televisões apenas reservam a uns quantos, e mesmo assim, obedecendo a um sofisticado crivo de censura a que eufemisticamente chamam, critérios editoriais. 

Apesar disso, a Net ainda não entra na casa de muitos portugueses, sendo o grupo etário dos mais idosos, aquele que menos familiaridade tem com o uso das novas tecnologias, independentemente dos recursos materiais de cada um. Não sei se existem dados fiáveis sobre esta realidade, mas a percentagem de pessoas sem acesso à Net deve ser ainda muito elevada.  Suponho que esta situação pode explicar, em parte, a leviandade com que alguns media continuam a fazer notícia, dando prioridade às audiências, em prejuízo da qualidade informativa que, por respeito ao público deviam sempre preservar.

Este assunto da Comunicação, é a par da Justiça, aquele que mais me preocupa enquanto cidadão, e que mais gosto tenho em abordar. E, por quê? Porque não tenho dúvidas em afirmar que na génese de muitos problemas do país - alguns até, que acabam, desnecessariamente, nos tribunais -, está um péssimo trabalho jornalístico. Ressalvando aqueles casos pontuais, muito respeitáveis, onde certos jornalistas arriscam a vida em plenos palcos de guerra para desenvolver o seu trabalho, o jornalismo de estúdio contém uma componente excessiva de sensacionalismo, não raras vezes, distorcida da realidade.

Continuo na minha, sem perceber o papel efectivo das entidades reguladoras para a comunicação, que, com tanto trabalho sério por fazer, resumem a sua actividade a casos irrelevantes e praticamente não se fazem ouvir. Quem é, afinal, que decide sobre o destino a dar aos organismos [há imensos] reguladores quando estes são ineficientes? O Governo? E se o Governo segue o mesmo caminho? Quem tem legitimidade para obrigar o Governo a cumprir o seu dever? O Povo, seu representado? Quando, e em que condições? Cada quatro anos, nas eleições? Pois, meus caros, são estas "normalidades" que estão a transformar a Democracia numa caricatura, e a contribuir para, pouco a pouco, moralizar os amigos do antigo regime. Estranhamente, não vejo estes temas serem tratados com a frequência desejável, noutros espaços de cidadania, mesmo que extrapolando o âmbito específico da respectiva linhagem. Por que será?

Foi por, pela enésima vez, ter assistido a mais um lamentável acto de mau jornalismo que voltei a este tema. Hoje, a RTP, sim a estação do Estado, aquela que devia representar-nos, sem arbitrariedade,  voltou logo pela manhã a dar destaque a um não assunto, retomando a história de um suposto jantar de Pinto da Costa com  os árbitros [quem mais havia de ser] que apitaram o jogo do FCP com o Villareal para a Liga Europa, mesmo depois de este ter desmentido veementemente o rumor e de  indicar testemunhas.

Estes métodos pidescos seguidos pela RTP, são recorrentes e, continua a não haver uma entidade, ou personalidade, que se digne vir a público pôr fim a esta pouca vergonha, antes que as consequências degenerem para a violência. O Presidente da República, faz como o macaco: não vê, não lê, nem ouve. O Procurador da República, também não. De que estão estes cavalheiros à espera para actuarem? Quanto mais não fosse, uma palavra, um simples apelo à moderação, sempre podia servir de travão a estes constantes impulsos de ódio por parte da Direcção da RTP, cujo comportamento se assemelha em muito à máquina de propaganda nazi.

Era nestes momentos que gostava de me encontrar cara a cara com algumas figuras públicas para lhes perguntar se em casa não vêm televisão, e se é com base nestes repugnantes exemplos de mau jornalismo que defendem a manutenção da RTP no Estado, por [cito] garantirem qualidade ao serviço público.

Decididamente, desprezo estes políticos. Querem o meu voto? Está bem, tê-lo-ão. Mas primeiro, e se ainda forem a tempo de se regenerarem, aprendam a ser sérios, e a seguir, competentes. Depois, conversamos.

Nota do autor:
Não sou responsável pela eleição de nenhuma das actuais figuras públicas nacionais, incluindo o Presidente da República. Nem do governo do Sócrates. É só para não ter de ouvir que a responsabilidade pelos maus governos é de todos nós... Minha, não é!

15 junho, 2011

Um mero detalhe, uma casualidade...

Pinto da Costa lidera votação para CEO de 2010


Pinto da Costa lidera a votação dos leitores do "Económico.pt" para a eleição do CEO do ano 2010, em todas as categorias, nas empresas da bolsa com cotação no Eurolist. Seja na estratégia, liderança, responsabilidade social, comunicação, energia e resultados obtidos, o presidente do FC Porto é o preferido de mais de três mil votantes. Pinto da Costa está mesmo à frente de nomes consagrados da economia portuguesa, como Belmiro de Azevedo (Sonae), Zeinal Bava (PT), ou Pedro Soares dos Santos (Jerónimo Martins). 

Aliás, a lista inclui outros concorrentes que exercem a sua actividade no futebol como Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e José Eduardo Bettencourt, ex-presidente do Sporting, que também aqui não conseguem concorrer com Pinto da Costa, cuja gestão no FC Porto dura há 27 anos. A votação está aberta até 24 de Junho e os resultados serão publicados no Diário Económico até ao final do mês de Julho.

O Norte não é nada, Lisboa "é" Portugal...

Como receava, o Movimento Pró Partido do Norte não conseguiu obter os resultados que os maus tratos centralistas infligidos à região, fariam prever. Não sendo especialista em coisa nenhuma, e muito menos em análises sócio-políticas, tenho a minha opinião sobre o assunto, tão credível como a de qualquer opinador encartado, mas bem mais barata. Neste espaço, as opiniões são gratuitas, não oneram o Estado, nem a dramática dívida com o FMI. A consciência não me pesa, portanto.

Uma opinião, é uma opinião, não tem poder decisório, e é apenas como opinião que deve ser avaliada. Como tal, resumo em poucas palavras o aparente insucesso eleitoral do MPPNorte: baixos recursos financeiros, consequente fraca propaganda, e total desinteresse dos media. De destacar, a coragem de Pedro Baptista que, em clara desvantagem competitiva, deu a cara pelo Movimento e ousou fazer o que muitos apenas ousam dizer. Aqui, há já uma grande diferença. Avançou, pegando na bandeira da Regionalização, que outros usam oportunísticamente para logo a arrear, mal expira o prazo de serventia eleitoral. Paradoxalmente, foi para outros partidos, para aqueles que há muitos anos nos desgovernam e prometem sem depois cumprir, que os eleitores decidiram confiar o futuro do país. Contra estas maiorias masoquistas, pouco há a fazer. A "democracia" conservadora aprecia e agradece estas patologias populares.

Curioso, é haver tanto regionalista "convicto" e tão poucos a fazer algo para que a Regionalização aconteça. O MPPartido do Norte, apesar dos recursos limitados, convocou algumas reuniões abertas ao público a explicar o que se propunha, e só agora aparecem [ler aqui], um pouco por todo o lado, alguns a dissertar sobre as causas da sua baixa votação. Ora, alegam que foi por causa do nome "Norte", ora porque é elitista, ora porque promove o separatismo, enfim, não faltam razões. Depois, convertem a insensibilidade com as desfeitas do governo central ao Norte, numa ternurenta solidariedade com Lisboa, como se a capital e os seus habitantes, não fosse a região do país mais beneficiada, tanto em recursos comunitários, como pela dependência do Estado, como pela drenagem [desvios] de fundos europeus destinados ao Norte. A tendência, invariavelmente, é para fraccionar o país à velocidade dos argumentos, até à exaustão. O Norte, não é nada para eles. Por quê o Norte, se há o Sul o Centro e o Interior? Preocupante e injusto, para eles [ler aqui], não é as SCUT's estarem a ser pagas exclusivamente a Norte, são os custos elevadíssimos da centralidade dos lisboetas, esquecendo que é ali onde os ordenados são mais elevados.

Resumindo, esgotam-se em pretextos pueris para nos convencerem do bicho-papão da Regionalização, fazendo da argumentação política verdadeiras aulas de ficção gramatical, chatas, presunçosas e pouco convincentes. Apesar disso, pelo sim, pelo não, deixam no ar uma imagem de regionalistas empenhados, sem contudo se atreverem a lutar por isso. Lisboa divide, é parte integrante de Portugal, é a capital. O Norte defende-se, por estar a ser discriminado, e é separatista! Com noções tão distorcidas da realidade, temos sérias razões para acreditar que alguns centralistas vivem a Norte, embora possam não ser nortenhos.



13 junho, 2011

O Norte não tem elites. Teve


Terreiro do Paço, símbolo do centralismo apátrida
Muito se tem escrito sobre as elites do Norte e do contributo que, por cobardia ou simples oportunismo,  deram para o agravamento das políticas centralistas levadas a cabo pelos governos, alternados por PS e PSD/CDS.

Como diz o povo, quem cala, consente. Foi praticamente em silêncio, ou apenas com tímidos sinais de desagrado, que as elites locais seguiram as políticas de autêntica terra-queimada contra o Norte, levadas a cabo todos estes anos [e já lá vão muitos], por governantes irresponsáveis cujas consequências ultrapassam a própria crise económico-financeira.

Foram os governos mais recentes, através dos seus multi-facetados canais de propaganda e de práticas políticas hiper-centralizadas, que tudo fizeram para criar nos nortenhos um sentimento de discriminação ainda mal assimilado. O feed-back das redes sociais, deste blogue e da própria comunicação social, dizem-me que, por enquanto, é mais no campo clubístico, no desporto, e no futebol em particular, que os nortenhos sentem essa discriminação negativa por parte do Terreiro do Paço.

Infelizmente para o Norte, as massas ainda estão muito afastadas da política e as elites da região, de elites, só têm o nome. Nos tempos que correm, é um perfeito anacronismo continuar a falar-se em elites, e ao mesmo tempo um revés para a Democracia, se pensarmos que as elites eram mais empreendedoras e politicamente mais interventivas, durante a ditadura. O Porto, em Democracia, perdeu quase tudo e pouco ou nada ganhou. A excepção, diga-se, é curiosamente, a instituição que mais tem sido atacada pelo centralismo, e que tem saber e coragem para lhe bater o pé: o FCPorto... O slogan usado por Pinto da Costa, contra tudo e contra todos, nunca foi tão premente como agora.

Bastaria lembrarmo-nos também da quantidade de organismos que, a partir do 25 de Abril de 1974, ou desapareceram, ou foram "desviados" para Lisboa. Isto, é um ultraje, tanto para a própria Democracia, como para as ditas "elites" locais, que abdicaram de reinvindicar politicamente, por obediência a lógicas seguidistas similares às dos políticos nortenhos, que uma vez chegados ao poder, foram incapazes de impor uma política de governação desconcentrada.

Hoje, Rafael Barbosa do JN, descreveu, e muito bem, mais um ataque desavergonhado ao Norte, a todo ele, "elites" incluídas... Dos 600 milhões de euros disponíveis da UE para financiar a linha do TGV, entretanto renegociados, por efeito da troika, não vai haver nada para a Metro do Porto. Nem tão pouco se sabe para onde vão esses milhões.

E, como disse o cronista, provavelmente, nunca o saberemos. Chama-se a isto, transparência, coisa de que todos os políticos gostam de falar, mas que abominam colocar em prática.
  

10 junho, 2011

Cavaquices

O senhor Cavaco Silva [que heresia tratar uma Exª, por senhor], que ainda hoje deve acordar a perguntar-se como foi possível chegar a Presidente da República, tem, para além dessa íntima angústia, legítimas razões para andar com a auto-estima em alta. Apesar da crise estar finalmente assumida, só um homem com a auto-estima hiper-valorizada é que pode estar - como ele está -,convencido da relevância da sua oratória.

Há poucos anos atrás, num encontro com emigrantes -já não sei bem onde -, o nosso altivo Presidente lembrou-se de lhes "passar a mão pelo pêlo", dizendo-lhes que sentia por eles um enorme orgulho. Mal ouvi estas palavras pensei imediatamente no que lhe diria [se pudesse], caso estivesse no lugar dos adulados emigrantes, mas como não estava [e ainda bem para o Sr.Presidente], a reacção foi pacífica, como é normal, quando se recebe assim de supetão um piropo. Teve sorte Cavaco, por não ter aparecido alguém a fazê-lo olhar bem para a realidade e a ponderar melhor no que acabava de dizer. Isto, porque, salvo raras situações, ninguém emigra por emigrar. Quem o faz, fá-lo quase sempre pelas piores razões, quando, por exemplo, no seu país de origem, o presente é demasiado sombrio para perspectivar o futuro e se esgotou a esperança de poder sustentar a família.

É lamentável que a alguém com a importância de um Chefe de Estado, não ocorra pensar que ao elogiar os emigrantes está implicitamente a elogiar a emigração, e que isso não é propriamente lisonjeiro, não só para ele, como para os governantes do pais. Aos que emigram, só as famílias e os amigos têm legitimidade para louvar a coragem de partir, não a quem tinha o dever de o evitar. E a um Presidente da República só faria nexo manifestar orgulho, se, e quando, o país tivesse conseguido baixar os crescentes níveis de emigração, não o contrário! 

Ontem, para não variar, ouvi Cavaco a soltar outra pérola que me deixou completamente inebriado de eloquencia e sabedoria.  Foi textualmente assim: "Portugal, precisa de mudar de vida!" . Nem mais, nem menos. Só os jornalistas ou os comentadores políticos, terão capacidade para deslindar o lado filosófico de tão inédita expressão. Não eu.

Enquanto digeria a dura realidade de me aperceber quão profunda é a minha ignorância, dei comigo a perguntar-me se com tais protagonistas ainda haveria futuro para os portugueses, ou se teríamos todos de emigrar para rebentar de orgulho o nosso Presidente.

Viva o dia 10 de Junho! Viva Lisboa!

08 junho, 2011

Na Islândia, a Lei é mesmo dura

Por mais que tentem lançar poeira para os olhos do público, o que faz um país próspero, não é, nem nunca será, a opinião suspeita de quem o governa ou governou, mas o resultado de um conjunto de factores e decisões, onde a Justiça tem um papel preponderante. Assim como a Economia isolada, não devia ter o exclusivo para a resolução dos problemas da governação, a Justiça também não, mas é imprescindível que esta tenha credibilidade para que as restantes áreas políticas funcionem melhor.

Por cá, mesmo com a Troika à espreita, a coligação PSD/CDS/PP,  começa a dar pequenos sinais da vaidade pessoal que costuma assolar os candidatos ao poder. Paulo Portas - de quem não espero nada de relevante, diga-se -, já deu a entender que não lhe bastam 3 ministérios, quer mais alguns para o CDS, e prepara-se para ficar com a pasta mais apetecível dos políticos, a  dos Negócios Estrangeiros. Veremos como Passos Coelho vai desatar este nó e o compatibiliza com o desígnio eleitoral de querer reduzir o Governo a 10 ministérios. Talvez a Guarda Troika ajude um pouco ao bom senso que tantas vezes  falta em condições mais "confortáveis". Quem sabe?

Entretanto, no meio da crise-furacão que se avizinha, ninguém parece dar especial importância à questão da Justiça, ao contrário do que sucede na Islândia cujo ex-primeiro ministro foi chamado a prestar contas à dita cuja, em tribunal expressamente constituído para membros do governo.

Cá dentro, como não podia deixar de ser, as opiniões dividem-se, quanto à possibilidade de julgar os titulares de cargos públicos... Enquanto uns [bastonário da Ordem dos Advogados] dizem calmamente que a incompetência não é nenhum crime [mesmo arrastando para a miséria milhares de pessoas], outros [Juízes] defendem que sim, e que há até uma lei para o efeito [Nº.37/87 de 16/07/87], que entretanto já foi alterada quatro vezes . Apesar do Artº.7º. da referida lei prever o crime de traição à pátria provocada também pela perda de independência económica [que é precisamente o que está agora a acontecer]. Só que, a lei, para casos como este, já não é dura [lex sed lex] , é elástica, moldável... Caso contrário, quantos políticos estariam agora a prestar contas à Justiça?

Marinho Pinto, mais uma vez, deixa-me dividido, àcerca da sua coerência. Sobre a aplicabilidade desta lei, disse: "o mais elementar bom senso diz-nos que se trata de 2 dimensões diferentes. Esta crise apesar de ter surgido em 2008 não é culpa de um só ministro. Os últimos 4 ou 5 têm responsabilidades, mas julgá-los criminalmente é fundamentalismo".

Espanta-me a facilidade com que se aplicam determinados "ismos" quando alguém quer baralhar o povo. Fundamentalismos, populismos, radicalismos... palavras mágicas, sempre que a lei ameaça os poderosos. E a argumentária aplicada não me espanta menos. Segundo Marinho Pinto, como a culpa da crise não é de um só ministro [e (ou) governo], então o remédio é fechar os olhos às asneiras [muitas delas criminosas] cometidas pelos senhores governantes. A cadeia, no Portugal dito democrático, também é para os pobres. Perguntem ao Dias Loureiro, ou ao Duarte Lima.

Na Islândia, é que ninguém vai em ismos. Geeir Haarde [ex-1º ministro islandês] já o deve ter entendido. Mas, Sócrates, Portas, Loureiros, Limas e outros que se lhes seguirem, esses, podem continuar a dormir descansados, em Portugal, para o peixe graúdo, o crime compensa mesmo. É quase uma ciência exacta, Eles, sabem-no.
  

06 junho, 2011

Quando...


Serviço... PS /PSD/ CDS
...indicadores económicos da UE colocam Portugal com níveis de pobreza e injustiça social inaceitáveis para um país europeu que integra desde 1986 o "clube dos ricos".

Quando, Portugal detém a produtividade mais baixa da UE, pouca inovação e dinamismo empresarial, formação profissional deficientes, mau uso dos fundos públicos, com excessivos gastos e maus resultados...

foi o país que mais benefícios recebeu por habitante em assistência humanitária nos últimos 18 anos, sem nunca se chegar a saber exactamente onde foram  parar os fundos comunitários.

Quando, Portugal é o país da UE onde os salários médios e mínimos são os mais baixos e a desigualdade social é maior...

os administradores das empresas públicas recebem os salários mais altos da UE, e são os próprios a fixar os seus ordenados [ e não, como defendem, o mercado]...

que sentido fará votar, se os eleitores continuam a apostar nos partidos responsáveis por esta súmula de corrupção e incompetência? Ouviu, senhor Cavaco? É a si, também, que coloco esta questão. Para si, que se acha no direito de entrar pela minha casa [e na de outros] para "me aconselhar" sobre a decisão de votar, como se fosse alguém mais responsável que eu. Não, não é, senhor Cavaco, e sabe por quê? Porque antes da sua vontade, está a minha, antes do seu cérebro, está aquele em que mais confio: o meu.

Até porque, não foi minha, a [ir]responsabilidade de ter nomeado Dias Loureiro para Conselheiro de Estado...

Rescaldo eleitoral

Tem absoluta razão  Pedro Baptista, em afirmar que se "se vivêssemos numa democracia   real, derrotaria com facilidade Aguiar-Branco do PSD, Assis do PS, Ribeiro e Castro do CDS, João Semedo do BE e Honório do PCP, porque todos eles, tendo descoberto nas últimas semanas os encantos do Porto eleitoral, nunca abriram a boca no parlamento, nem quanto ao roubo dos fundos do QREN desviados para Lisboa, nem quanto à situação de ser o Norte Litoral a única região a pagar as SCUT..."  E como não havia de ter razão, se o que ele diz corresponde a uma realidade concreta, orfã das "muletas" de uma comunicação social oportunista e desonesta, que consegue esta coisa paradoxal, que é manter próximo do poder os três partidos [PSD, PS e CDS] mais responsáveis pela gravíssima crise que o país atravessa?

Pois é. Mas, apesar disso, inexplicavelmente, continuará a haver quem olhe de soslaio para os pequenos partidos, sobretudo para aqueles que não conseguiram votos suficientes para terem direito a um lugar no Parlamento... Logo, estas declarações de Pedro Baptista, sendo correctas e factuais, nem sequer vão ser reproduzidas nos jornais gratuitos, porque a máquina de propaganda centralista não o permite, abafando assim as vozes incómodas ao regime. Foi a fórmula que o regime encontrou de praticar actos pidescos, prescindindo dos métodos demasiado grosseiros da polícia política de Salazar, passando assim por democrático... 

Segundo o jornal "i", o PDA/MPPNorte, obteve 4601 votos, colocando-o à frente do POUS com 4531 [o Público inverteu estas posições], o que é manifestamente inexpressivo, embora um bocadinho melhor do que muitos esperariam, tendo em conta a abissal desigualdade de meios comparados com os outros partidos.

A "classificação" por cidades do Movimento que ousou fazer despertar da "amnésia geral" político-partidária o tema da Regionalização, ficou assim ordenada:


  1.  Porto .................     com    2217 votos 
  2.   Braga.................      com     592 votos
  3. Aveiro..................    com     397 votos
  4. Açores.................     com    371 votos
  5. Viana do Castelo.....  com    195 votos
  6. Guarda .................    com    200 votos
  7. Bragança.................  com    143 votos 
  8. Vila Real................   com     122 votos
Total......................    4237 votos

De destacar, os cerca 41% de abstencionistas que, contrariamente às opiniões de certas autoridades [para mim pouco credíveis], são para respeitar e reflectir... Foi "apenas"  o "partido" mais votado!

Considero um direito, tão legítimo como qualquer outro, rejeitar pura e simplesmente o acto eleitoral. A incapacidade para um novo partido se afirmar no actual cenário político nacional, por mais meritórios que sejam os seus projectos, justifica-o plenamente.

Que o diga, o Movimento Pró Partido do Norte. Intelectualmente, isto, não é democracia, é sim, uma tentativa de encaminhar gente adulta de regresso ao estado infantil, .

03 junho, 2011

Ballet(Swan Lake) by Kirove Ballet

Regionalização e os Partidos

PDA/MPPNORTE
Posição enviada pelo PDA ao blogue «Regionalização»


O PDA, pela voz de Ricardo Fonseca, escreveu no nosso blogue a sua posição sobre a Regionalização e reforma administrativa, que passo a transcrever:

«Caros senhores,

como membro do Movimento Partido do Norte, cujos elementos oriundos de todos os cantos do Norte integram como independentes as listas do PDA nos círculos do Norte do País, deixo aqui o endereço para 10 medidas que consideramos urgentes para o País mudar o seu rumo.

Pela leitura que faço desta pré-campanha e agora campanha eleitoral, nenhum dos outros partidos pretende regionalizar o continente, por outro lado, nós abertamente defendemos as autonomias regionais, esta é a nossa bandeira! Por outro lado e pela manifesta negação da classe política para avançar com a Regionalização, na minha modesta opinião, este não é propriamente o período para levantar questões de pormenor, mas sim de juntar esforços para que uma força política possa definitivamente colocar na agenda política nacional o tema.

Gostaria também de os informar que o bloqueio à nossa mensagem é gritante, todos os outros partidos sem expressão parlamentar já tiveram várias aparições na imprensa nacional, por outro lado nós somente temos visibilidade na imprensa regional, o que também deixa transparecer o incómodo que é este assunto para o País, pois em termos noticiosos sempre é alguma coisa diferente para passar no telejornal.»

Ricardo Fonseca

02 junho, 2011

Prosperidade à portuguesa

"Há falta de mão de obra, na indústria do calçado". Foi com este título que o JN abriu a página de economia do passado dia 30. Como podem imaginar, esta originalidade motivou logo a minha curiosidade, até porque abordava um assunto que já me se serviu de inspiração para vários artigos. Fiquei então a saber, que as indústrias de calçado não têm pessoal suficiente para satisfazer as encomendas internacionais, tendo por isso sido obrigadas a adiar encomendas do Verão para o fim do ano. Pela mesma razão, algumas empresas tiveram de assinar um protocolo com o Governo para dar formação ao pessoal e assim lhes facultar condições para serem admitidas. Até aqui, tudo bem.

Segundo o Secretário de Estado do Emprego, há falta de gente no sector inscrita nos centros de Emprego, e a formação é morosa e complexa. Ora, a ser verdade isto, não se consegue compreender o outro lado do problema, ou seja, que o salário máximo de um trabalhador não ultrapasse os 600 euros! O médio, anda pelos 475 euros, que é o valor do salário mínimo nacional! Se cada trabalhador tiver de pagar de renda de casa 300 ou 400 euros, é só fazer as contas para saber quando é que lhes sobra para o resto.

E é assim, entre contrastes desta natureza, que o leitor atento tem grande dificuldade em entender determinado tipo de perguntas, como aquelas que a jornalista do JN fez a um professor de Direito do Trabalho e que começava assim: como observa a prosperidade da indústria do calçado? O inquirido, lá foi dizendo que nem todas as fábricas precisavam de mão de obra, e que essa questão era apenas um sentimento, porque [cito] quando se contratam pessoas para cargos mais altos não se dá o problema dos salários, e o emprego já é interessante. Agora, se falarmos de um operário certamente que não vai ganhar sequer mil euros. [o sublinhado é meu].

Continua, lamentavelmente, a ser esta - medieval e exploradora -, a mentalidade do empresariado português. Fanfarrões, exibicionistas e novos-ricos, e sem qualquer respeito por quem para eles trabalha! A ideia de prosperidade é unipessoal, não admite partilha. Boas casas, bons Ferraris, e vida de sultão, em regime de exclusividade, é essa a sua noção da sociedade e da justiça! Ninguém os convence que um trabalhador mal pago, é potencialmente um trabalhador improdutivo, e alguém cujo poder de compra o impossibilita de contribuir para a prosperidade de outras empresas, logo, para o crescimento da economia nacional. Mas estas, são questões que os senhores jornalistas raramente se lembram de colocar aos sultões. PS e PSD, sabem-no, mas preferem as peixeiradas eleitorais do costume. 
Eles sabem muito bem, o povo que têm...

PS-Resumindo: sempre que ouvirem políticos a atribuir aos subsidiários do Rendimento Mínimo as culpas de todos os males do país, risquem-nos imediatamente da lista de candidatos ao poleiro. 

O mesmo se aplica aos "empresários" que andam para aí a convencer a plebe que as pessoas não querem é trabalhar. Não aceitem trabalhos mal remunerados, porque isso é aquilo que não devem fazer.  

01 junho, 2011

Estranho

Confesso a minha perplexidade, o que pode levar alguém ao voto contra os seus mais elementares interesses?
Que motivo terá um pensionista para votar no congelamento da sua pensão durante três anos? Uma medida que, descontada a inflação previsível, representa uma perda de pelo menos 10 por cento da remuneração, medida em poder de compra... Só consigo encontrar uma explicação. Se a referida reforma for como a de António Vara, talvez a consciência cívica fale mais alto do que a volúpia do dinhero infinito. Mas isso é se o referido pensionista for mesmo da classe dos eleitos. A minha perplexidade paira é sobre o reformado de mil euros, ou o de 500 euros ou o de 291 euros, que se encontra exactamente na média das pensões deste país.

Pergunto-me também sobre o que poderá levar uma funcionária pública, seja ela a mulher de limpeza de uma autarquia, ou uma enfermeira de hospital, ou mesmo uma professora, a poder votar em quem lhe quer congelar o salário e aumentar brutalmente a conta da electricidade?

Nestes casos, os vencimentos oscilam entre os 485 euros de salário mínimo e os 1200 de um salário bem mais alto do que médio, embora longe do auferido por gestores do sector empresarial do Estado. É, confesso, a minha perplexidade.

Uma perplexidade que volta a estar presente quando vejo um jovem, precário como todos os da sua idade, pensar que a abstenção ou o voto nos partidos das jotas pode ser uma saída para a sua condição de adulto condenado à adolescência até aos 40 na casa dos pais. De facto, o que pode levar alguém ao voto contra os seus mais elementares interesses?

A condição material não é tudo. As pessoas preocupam-se, com razão, sobre o modo como o Estado é gerido. E quando votam, fazem-no em nome de uma certa ideia de Estado. Por exemplo, porque votará um eleitor socialista no seu partido quando este, explicitamente, quer que o PSD também vá para o seu governo? Isto seria normal... não se desse o caso do PS dizer cobras e lagartos do PSD. Por outro lado, porque votará uma eleitora social-democrata em Passos Coelho se já se percebeu que o problema deste não é com o PS mas com José Sócrates? Também esta seria uma dificuldade menor, não se desse o caso do discurso oficial ser o de que os laranjas só governarão com os azuis do CDS.

Quer-me bem parecer que, nestes casos, o voto só é útil para quem o recebe. Ou alguém acredita que as virtudes chegam quando se metem todos os despesistas à mesa do orçamento? Mas isto sou eu a conversar com os meus botões e a duvidar de todas as sondagens, salvo no ponto em que dizem que são muitos os que não sabem ou não querem responder...

Miguel Portas

[Jornal SOL] 

31 maio, 2011

O FCPorto e Rui Rio

A estratégia comunicacional do FC Porto e de Rui Rio vem mudando, embora não tenham enterrado o “machado de guerra”. Rio prefere, na câmara, o “CM” ao “JN” (mas não morre de amores pelos media).

O FC Porto identifica o “CM”, “A Bola” e o “Record” com as referências da capital, como elementos dos “inimigos”, representantes (ainda) de uma parte do país que quer dominar o resto. E o espírito do dragão precisa desse tónus, dessa tensão, dessa energia para se revivificar, para ir mais longe e mais alto.

O estratego Pinto da Costa (que estudou latim e as sua locuções) sabe que de gustibus et coloribus non disputandum, por isso não discute gostos e cores, e segue, sem vacilar, o provérbio dos escolásticos da Idade Média, admitindo, sim, que cada um deve pensar e agir como entende. Mas não se for presidente da câmara e ignorar olimpicamente a instituição mais representativa da cidade. Frisa o líder dos dragões que algo semelhante não aconteceria nunca em Lisboa. Claro que não. Mas, na verdade, Rio não se deixa atormentar pelo pensamento de Horácio (“Sátiras”, I, 1, 106): est modus in rebus. Ele não considera que em todas as coisas haja uma medida e evita mesmo tal conselho de moderação, porque há muito decidiu construir a imagem de “político nacional” (como lhe chama Marcelo) e não prestar atenção a um símbolo do burgo que ganhou expressão global. Incomoda-o Pinto da Costa, mas sobretudo relacionar-se “afectivamente” com o azul-branco. Por causa do vermelho e do verde. E devido ao seu futuro. Que ficará mais transparente ou opaco domingo à noite. Feitas as contas aos votos em Sócrates e Passos.

Alfredo Barbosa]
Docente da Universidade Fernando Pessoa

[Jornal "i"]

Nota do RoP
Pela parte que me toca, o futuro de Rui Rio nunca será transparente, como não é o presente e não foi o passado. Rui Rio, é a expressão viva do conflito, inconsequente e estéril. Que o digam, os comerciantes do Bom Sucesso e do Bolhão.

30 maio, 2011

Metro sem dinheiro para pagar as dívidas

De saída da Metro do Porto - acaba por cumprir só um mandato - Ricardo Fonseca confessa decepção pelo congelamento da segunda fase da rede e reitera a gravidade das deficiências do financiamento da empresa. O Governo ainda não deu garantias para pagar a dívida de 200 milhões que vence em Julho. E o metro corre o risco de parar.

Já assumiu que não vai continuar à frente da Metro. Por quê?

São razões pessoais. Quando o Governo manifestou intenção de criar um modelo de gestão articulada entre a Metro e a STCP, disponibilizei-me para participar no grupo de trabalho para definir o novo modelo. Mas disse que não faria um novo mandato na Metro.

Esse modelo é para avançar já?

Não. Embora tenha sido anunciado no final de 2010, o grupo de trabalho ainda não foi criado. É muito provável e desejável que o novo Governo pegue no projecto.
[JN]

Nota do RoP
Não era preciso, mas depois de ler esta notícia, ouvir Sócrates dizer, no meio de uma multidão de carneiros,  "Não há como o povo do Porto", é como se me cravassem um punhal no estômago... Onde pára o povo do Norte? É isto? Porca miséria!



Santuário de Nossa Senhora do Alívio [Vila Verde/Braga]



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29 maio, 2011

Porto e Barcelona, as "aldeias gaulesas" da Ibéria?

O terrível fantasma da abstenção

Tento compreender, sem contudo evitar alguma estupefacção, com a ideia, quase obsessiva, que certa gente continua a ter  contra a abstenção. E não se pense que se trata de  quaisquer pessoas, são pessoas com alguma notoriedade social, e até política, como aquelas que hoje no JN deram a sua opinião sobre a evolução abstencionista em Portugal, desde o 25 de Abril.

Antes de explicar a minha estranheza, interessa revelar o ponto em que concordo com essas pessoas. Tem a ver com a importância de manter bem vivo o hábito de votar, e de o transmitir às novas gerações, lembrando-lhes pedagogicamente os  50 anos de ditadura em que o povo foi impedido de o fazer livremente. Partindo deste "preâmbulo", depois, caberá a cada um, decidir o timing em que deve, ou não, votar. E essa decisão, incluirá, naturalmente, o voto em branco e... a abstenção. E por quê? Porque, o voto em branco, para constituir um efectivo sinal  de protesto, do género "eu quero votar, mas não me revejo nos partidos concorrentes", teria de ser consequente. Isto é, teria de desencadear uma série de acções/reacções conducentes a uma outra iniciativa, a um resultado concreto. Ora, não é nada disso que acontece. O voto em branco, é apenas um gesto, um registo, bem menos dissuasor que um sinal de sentido proibido no trânsito rodoviário ! Nestes casos, quando o infractor é apanhado pelas autoridades, ainda arrisca uma coima, agora votar em branco não tem qualquer consequência para os maus governantes.  

Perante tamanha inocuidade democrática, o cidadão [como já tem acontecido comigo], tem todo o direito de se sentir coagido com a prática de uma acção [votar] para a qual frequentemente não vislumbra qualquer sentido, com a agravante de até se sentir usado por preconceitos políticos.

É por estas e muitas outras razões, que discordo completamente de pessoas, como o Arqº. Alcino Soutinho que chegou ao cúmulo de considerar a abstenção "falta de inteligência" e [cito] "um acto estúpido!". Como assim? Não será o contrário?

Enquanto certas figuras falam da Democracia como se de um bicho de estimação se tratasse, procurando assim, parecer mais democratas que os outros, eu não me canso de argumentar sobre a premência de a aperfeiçoar e fortalecer. Mas, para isso, é preciso fazer algo mais que votar. A Democracia não pode ser tratada como o motor de um automóvel que para funcionar basta ligar a ignição. E o que os eleitores têm andado a fazer com a Democracia, votando em pessoas, partidos políticos, ou em branco, é tratá-la como um carro cuja ignição já não trabalha, mas que se insiste em ligar. Digam-me, será isto inteligente? Quantos de nós já não teriam afastado Sócrates [e outros] do poder? E, quem sabe, quantos prejuízos para o país não teriam sido evitados, se isto fosse possível?

Além de mais, se o voto do cidadão é fundamental para o bom funcionamento da democracia, e serve para eleger governos, também devia existir um processo célere e económico de os demitir, sempre que  se revelassem incompetentes ou corruptos. Se o cidadão pode e deve votar, porque acredita num determinado programa de governo confiando ao respectivo líder os destinos do país, devia igualmente poder votar, para lhe retirar confiança, quando e sempre que tal se justificasse. Isso, sim, seria votar democraticamente, e em segurança, com enormes vantagens para a economia do país.

Quando pessoas fazem declarações públicas, apenas porque gostam de ser politicamente correctas, sem pensar devidamente, acabam por dizer futilidades pouco convincentes. A ideia que fazem passar, é que votam porque parece bem votar. No fundo, parecem querer dizer que, apesar de tudo, de todas as crises e más governações, a coisa não os afecta muito. Mas, talvez fosse bom lembrarem-se que a Democracia foi concebida para estar ao serviço de toda a população, e não só de uns poucos...

27 maio, 2011

E porque sou nortenho, a minha alternativa é...


                                                                  ...PDA/MPPartido do Norte!
Que Portugal está de rastos, só não vê, quem não quer. Que Portugal tem um primeiro ministro irresponsável e compulsivamente aldrabão, só quem for ingénuo, ou dever favores ao Partido Socialista, é que não o reconhece. Agora, o que muitos talvez não estariam à espera, é que no seio de todos os  partidos da oposição, não emergisse um único, com um projecto de governo  credível e inovador, capaz de conduzir o país a bom porto. Naturalmente, que esta não é a opinião daqueles que estão habituados a conviver com a hipocrisia, e a ver nela virtudes que por inconfessáveis razões só eles descortinam. Mas, não é a esses oportunistas que me dirijo, é para quem ambiciona mais para o país e o quer governado por pessoas realmente idóneas e com dimensão humana bem mais convincente que aquela que, sistematicamente, nos vem sendo imposta  no cardápio das campanhas eleitorais.   

Se Sócrates não presta, Pedro Passos Coelho não serve. Se Paulo Portas não é apenas uma versão mais sofisticada de Sócrates, então não faço ideia do que seja Paulo Portas. Dos outros partidos, como já aqui escrevi noutros artigos, pouco mais resta que a clássica contestação  ao Governo. Ideias programáticas para se constituirem como alternativa, é que não há meio de apresentarem. Limitam-se a fazer aquilo que o cidadão comum já faz, ou seja, constatar factos. Ainda não perceberam [ou não querem perceber] que têm de fazer muito mais. Nós, comuns cidadãos, fazemos quase o mesmo, ou até melhor, e não recebemos nada por isso, nem temos cadeira na Assembleia da República... 

Mas não se pense que é sob a influência dos media que percepciono a impreparação de Passos Coelho,  - porque os media também não são de fiar -, é pelos sinais que de facto ele vai deixando cada vez que abre a boca. Além disso, Passos Coelho, revelou não estar apto para escolher a entourage necessária a uma nova imagem. Passos Coelho é novo, mas apesar disso, começou a pré-campanha rodeado de velharias e incompetentes, quando foi buscar Eduardo Catroga para debitar sentenças economicistas sobre os PEC's e a entrada do FMI. Um erro crasso, para quem precisava de arrancar bem... Segundo erro: foi ao baú desenterrar um assunto já resolvido, e que ainda por cima serviu [sem grande sucesso, diga-se], de arma política a Paulo Portas, que foi  a questão da legalização do aborto, já referendada. Que diabo, está assim tão estéril de projectos o PSD para ir às velharias levantar este não problema? Não, não serei eu que desperdiçarei o meu voto nestes protagonistas.

Pobrezinho, mas honrado, é no Partido do Norte que eu vou votar. Nem mais. Primeiro, porque é o único cuja programação visa os interesses do Norte, e o único que se propõe colocar na agenda do dia a Regionalização. Segundo, porque é um Movimento novo, sem resquícios do passado. Terceiro, porque me sinto parcialmente responsável por encorajar Pedro Baptista a avançar. E por último, porque não confio nos partidos do arco do poder. Já lá estiveram, e não mostraram nada!

Além de mais, o meu voto no Partido do Norte, não será um simples voto de protesto, será essencialmente, um voto na restauração democrática.

26 maio, 2011

Mudar de Norte

Em tempo de profunda crise global e num contexto de incerteza e de indefinição, impõe-se para a Região Norte um profundo Choque Operacional. Mais do que nunca impõe-se a construção de uma nova plataforma de articulação entre os diferentes actores da Região, destinada a mobilizar as “competências centrais” da sociedade e qualificá-las duma forma estruturante como vias únicas de criação de valor e consolidação da diferença.

Para a Região Norte a oportunidade é única. Impõe-se, de facto, um sentido de Mudança Estratégica neste Novo Norte em que a marca terá que passar por uma Agenda de Convergência. Mudar de Norte é a palavra de ordem.

Para a Região Norte a essência desta nova Mudança Estratégica tem que se centrar num conjunto de novas “ideias de convergência”, a partir das quais se ponham em contacto permanente todos os que têm uma agenda de renovação do futuro. Importa acelerar uma cultura empreendedora na Região.

A matriz comportamental da “população socialmente activa” da Região é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Importa por isso mobilizar as Capacidades Positivas de Criação de Riqueza. Fazer do Empreendedorismo a alavanca duma nova criação de valor que conte no mercado global dos produtos e serviços verdadeiramente transaccionáveis.

A falta de rigor e organização nos processos e nas decisões, sem respeito pelos factores “tempo” e “qualidade” já não é tolerável nos novos tempos globais. Não se poderá a pretexto de uma “lógica secular latina” mais admitir o não cumprimento dos horários, dos cronogramas e dos objectivos. Não cumprir este paradigma é sinónimo de ineficácia e de incapacidade estrutural de poder vir a ser melhor. Importa por isso uma cultura estruturada de dimensão organizacional aplicada de forma sistémica aos actores da sociedade civil. Há que fazer da “capacidade organizacional” o elemento qualificador da “capacidade mobilizadora”.

Pretende-se também um Norte mais equilibrado do ponto de vista de coesão social e territorial. A crescente (e excessiva) metropolização do país torna o diagnóstico ainda mais grave. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Precisamos duma Região com uma identidade colectiva mais conseguida. Precisamos de um Novo Norte!

Francisco Jaime Quesado
[Fonte: Blogue Regionalização]