19 janeiro, 2010

Batalhas risíveis?

Se há profissão que neste momento não gostaria de desempenhar, é a de Jornalista. Antes de explicar porquê, peço a atenção do leitor para o pormenor de ter escrito jornalista com maiúscula, porque é só a esses que agora me estou a referir. Aos outros, aos criadores de boatos, aos legionários da comunicação, prefiro nem falar para não vos pôr mal dispostos...
O Jornalismo, se desempenhado com seriedade e independência, é uma profissão de importância fundamental para a Humanidade que pode contribuir para o desenvolvimento dos países e para a qualidade de vida dos povos. Actualmente, jornalistas com J grande há poucos, como poucos começa a haver Homens com H maior.
Como ia dizendo, por esta altura deve ser uma seca para os Jornalistas de J grande escrever sobre política. O que é que eles têm para escrever sobre política e políticos que já não tenham escrito e repetido até à naúsea? Dizia-me hoje o Rui Farinas, naquele seu jeito inconformado que o caracteriza, que se sentia colonizado, sentimento que também partilho e me recuso - tal como ele - a aceitar. Mas, que mais podemos nós fazer com as "armas" que dispomos, que não são nenhumas? Escrever, escrever, escrever. É tudo. Porque armas, no sentido bélico do termo, por enquanto não temos, e se calhar já só através delas é que seremos capazes de nos fazer respeitar.
Contudo, há pequenas batalhas que podemos ir vencendo se mudarmos um pouco alguns dos nossos hábitos. Essas batalhas, tanto eu como o Rui Farinas já começámos a travá-las, embora sem dispormos ainda de dados que nos informem da erosão que poderá provocar no "inimigo". O "inimigo" é Lisboa, não tenham dúvidas, incluindo os que lá vivem conformados e até satisfeitos com o que o Centralismo nos está a fazer. Até hoje, ainda não vi, a partir de Lisboa ou das suas fontes e filiais, nenhum programa televisivo a debater com determinação, objectividade e continuidade, os nossos problemas. Ouvem-se, isso sim e bem, uns assobios "simpáticos" das plateias sempre que se fala do Porto ou do FCPorto. Por aqui, já podemos imaginar quanto podemos contar com a sua solidariedade e "patriotismo"...
As pequenas batalhas de que vos falo poderão parecer ridículas, por quem as avalia à luz do voluntarismo individual, mas podem tornar-se num pequeno grande problema para a megalomania centralista se conseguirmos dar o passo seguinte e que consiste em transformá-lo numa iniciativa colectiva. O segredo dessas pequenas batalhas estará nos nossos hábitos de consumo e na nossa força de vontade pessoal e familiar. Eu, e o Farinas já fazemos isso há muito, e nunca combinámos nada, foi uma iniciativa espontânea. Quando vamos a um supermercado temos o cuidado de observar a origem dos produtos e de os rejeitar se no rótulo do produtor ou do fabricante constar um nome de origem sulista. Vinhos, por exemplo, só os maduros do Douro e do Dão, ou os verdes/alvarinho do Minho os frisantes da Bairrada. Alentejo acabou! De Colares nem pensar!
Quem diz vinhos diz outros bens ou produtos, o que é preciso, é que cada um de nós passe a usar estes critérios selectivos de consumo e os transmita a todos os amigos que partilham do mal do Centralismo. É importante persuadir [se fôr preciso] as nossas mulheres e filhos. É importante convencê-los dos pontos fracos do Centralismo. Eles empobrecem-nos e impingem-nos os seus produtos para os enriquecer, mas nós podemos rejeitá-los, ninguém nos pode obrigar a comprá-los. Isto só será risível se nós quisermos, se não acreditarmos, ou se não resistirmos às cenouras que nos colocam frente ao nariz. Nós somos mais do equídeos, não é...
Sim, sim, já sei que com o tempo o centralismo poderá sempre arranjar forma de bloquear a cadeia do boicote que é, aliás a única coisa que sabem fazer. Quem boicota a Constituição boicota tudo. Mas, enquanto não derem por isso, sempre poderemos causar alguns estragos. Quem sabe? Não custa muito, apenas um olhar atento para as fontes daquilo que consumimos. Além de mais, talvez possamos convencer as empresas beneficiadas do Norte a investir melhor por aqui, noutros projectos, além dos telemóveis e dos Hipermercados.
Talvez lhes consigamos transmitir a coragem que lhes tem faltado para investir em projectos autónomos e ambiciosos de comunicação social, nomeadamente numa operadora de Televisão.
Por que não? Talvez com estas pequenas batalhas aparentemente risíveis possamos vencer uma guerra que não pedimos. Não sei é se temos Povo para tanto.

18 janeiro, 2010

Caçar com gato

Se não estou em erro, foi o químico francês Lavoisier que enunciou o princípio que "a Natureza tem horror ao vácuo". Plagiando, pode dizer-se que " os governos portugueses têm horror às verdadeiras mudanças". Limitam-se às mudanças cosméticas. A última grande reforma de divisão administrativa data de meados do século XIX. Depois disso apenas ocorreram alterações pontuais. A demografia portuguesa sofreu grandes mudanças nos últimos 200 anos, mas a divisão administrativa permaneceu praticamente inalterada. Pior do que isso, criaram legislação para dificultar o aparecimento de novas unidades, mesmo em casos em que se tratava de elementar justiça. Tudo o que foi feito neste campo, reduziu-se a duas iniciativas. Uma foi a chamada reforma Relvas, que não reformou coisa nenhuma porque não funciona, e que aparentemente foi decretada como uma contra-medida estratégica de combate à pretensão da criação das Regiões. A outra, foi a proliferação de passagens de vilas a cidades e de aldeias a vilas. Nada se alterou na vida dos respectivos habitantes, pois trata-se de mais uma manifestação de um velho vício nacional que os últimos governos elevaram à condição de estratégia governativa : dar prioridade ao "aspecto" em detrimento da" substância". "Parecer" é mais importante do que "ser".

A este propósito pergunto-me porque razão, a não ser por conservadorismo retrógado e inibidor, o Porto e partes de Matosinhos, de Gaia, de Valongo, de Gondomar, e talvez da Maia, não constituem uma única cidade, uma espécie de super-concelho (à falta de melhor designação). Sendo certo que qualquer sistema tem vantagens e inconvenientes, penso que a unificação teria um saldo positivo, contrariamernte à actual situação. Por vários e óbvios motivos, essa unificação não poderia tomar a forma de "anexação" feita por um dos actuais concelhos (presumivelmente o Porto) sobre os seus actuais vizinhos. Novas designações seriam necessárias, a orgânica e o funcionamento administrativo teriam de ser alterados. Haveria que utilizar a imaginação e haveria também que estudar o que se fez no estrangeiro em situações similares.

Esta alteração, vantajosa para nós, faria imediatamente nascer uma oposição tenaz do governo centralista. É que o princípio maquiavélico de "dividir para reinar" é bem eficaz, o que o poder central não ignora, até por experiência própria, mas em última instância talvez aceitassem, porque Lisboa teria a possibilidade de responder de forma semelhante, mantendo-se assim como a mais populosa cidade portuguesa, o que para a presunção deles é muito importante.

Seja como for, este aumento de tamanho (700, 800 mil habitantes ?) permitiria uma maior representatividade e força de persuasão junto do poder central. Uma Região administrativa (mesmo sem uma desejavel autonomia) seria certamente mais eficiente para esse efeito, mas penso que regionalização...só daqui a algumas dezenas de anos. Entretanto porque não aplicar o velho ditado "quem não tem cão caça com gato?".

17 janeiro, 2010

Futebol e Centralismo

Não é de agora que o FCPorto para vencer jogos e campeonatos nacionais é «obrigado» a jogar em silmultâneo contra 3 adversários: com o clube adversário/equipa de futebol, com a comunicação social e com a equipa de arbitragem. Se, apesar destes factos [ e por causa deles] os sucessos do FCPorto terminam na sua sublimação, reconhecidos pelos seus imensos adeptos e pela insuspeita opinião pública internacional, também é verdade que lhe têm provocado um desgaste acrescido em relação aos demais adversários.
Não obstante a saga persecutória que lhe vem sendo movida desde há longos anos, através das mais abjectas campanhas de difamação, o clube acaba, melhor ou pior, por resistir e chegar ao fim na frente das competições com menos problemas a nível internacional do que dentro do país.
Internacionalmente, o FCPorto chega até onde os seus recursos financeiros o permitem, superando quase sempre as expectativas, porque não tem de se confrontar com a inveja, o ódio e a profunda desonestidade dos clubes centralistas. Ganha quando tem de ganhar, e perde quando tem de perder, mesmo que, aqui e além, prejudicado por uma má arbitragem, mas sem manobras escabrosas de bastidores, como acontece neste país onde parece reinar a anarquia.
Só não é um país assumidamente anárquico, porque nem a anarquia é capaz de assumir, bastando para tanto alegar-se que dispomos de uma Assembleia Constitucional, um Presidente da República e um 1º. Ministro... Mas, todas estas personagens são de retórica, não servem para absolutamente nada, excepto para si próprios. Como cidadão, sinto que não me fazem a mínima falta. São inoperantes, meras figuras contemplativas de um país imaginário. Se assim não fôra, seria impensável assistirmos às autênticas acções mafiosas infligidas ao FCPorto [e não estou só a reportar-me ao futebol]com toda esta gentinha do governo a assobiar para o ar como se nada de grave se estivesse a passar.
É neste ponto que se atinge o limite do tolerável. Numa sociedade assente em critérios de cidadania minimamente decentes, é também aqui que a Justiça não se faz notar, ou se faz, é pela negativa [que vale o mesmo que dizer, Injustiça], que somos levados a pensar na origem da violência, das guerras e da intolerância. Falámos aterrorizados nos atentados homicídas no país basco, e condenámo-los, porque rejeitamos pura e emocionalmente a violência, mas desprezamos tudo o que possa estar por detrás dela. Nestes casos, somos cínicos, porque nos esquecemos de um detalhe basilar que está sempre na origem e na afirmação de uma nação: uma guerra, uma revolução e a perda de vidas. Não há independências pacíficas. Nós «gostamos» de nos esquecer, quando falámos da luta dos outros, que também por várias vezes tivemos de defender com sangue e armas a nossa soberania. Sobre essa violência, colocámos um manto branco de elevação e exclusividade, como se a dos outros povos fosse diferente e não resistindo ao politicamente correcto, chamamos-lhe terrorismo. É uma forma hipócrita de nos acharmos mais humanos que todos os outros.
O que é que isto tem a ver com o futebol, estarão alguns leitores a perguntar-se neste momento.Tem tanto a ver com o futebol como com qualquer outra coisa. Tem a ver com tudo.
O Porto e o Norte do país, não estão apenas a ser desprezados no desporto/futebol, são-no também na economia e em tudo o resto. O Governo Central não se tem limitado a esquecer-nos, vai mais além, humilha-nos e provoca-nos [o Red Bull é o paradigma mais recente].
O Porto e o Norte não pode contar com as regras democráticas para nada, nem com a Justiça, porque simplesmente não funcionam. O que nos resta, então? Se o diálogo não gera consensos nem soluções, se nem sequer existe, o que nos resta? Lutarmos pela nossa independência? Como? Com palavras, com actos de caridade ou com armas? Se não temos exército, como nos vamos defender? Haverá alguém que acredite que por este andar as coisas terão uma saída sensata? Será que nos querem obrigar a inventar uma Etarra à portuguesa?
Se não querem, se a simples ideia de ver um Portugal minado por Movimentos deste tipo perturba [o que duvido] porventura os responsáveis governativos, porque não começam a mostrar-se ao nível das suas responsabilidades e a arrumar a casa, que é como quem diz, governar com verdadeiro sentido de Estado, e elevação?
O que têm produzido até ao momento, pouco menos é do que semear a desintergração do país, e isso não é próprio de governantes dignos desse nome, mas sim de terroristas no pior sentido da palavra.
PPs.- Há dias, lendo um interessantíssimo artigo no JN sobre a 1ª. tentativa [1891] frustrada da implantação da República e das expectativas ideológicas dos seus mentores, não pude deixar de a relacionar com a fraude do 25 de Abril. Seguramente que, não era este Portugal que os verdadeiros republicanos esperavam quando derrubaram a Monarquia. Seguramente também não seria esta coisa indefinida que o povo esperaria da Democracia...

15 janeiro, 2010

Petição à toa, é Petição inócua

A recente Petição lançada na Net por alguns portistas "Investiguem o Apito Encarnado", mereceu alguns reparos, dada a forma pouco cuidada como foi elaborada, o que me levou a questionar o Site de Petições sobre a sua objectividade.
A resposta aqui vai:
Assunto: Petição Pública

Caro Rui Valente,

O site Petição Pública apenas fornece alojamento gratuito de Petições.

As Petições criadas são da responsabilidade dos seus autores.

No entanto uma Petição para ser entregue aos órgãos de soberania nacional necessita para além do Nome Completo,
também do número de B.I. e a Localidade do signatário. Só após 4000 assinaturas válidas a mesma pode ser entregue.

Neste exemplo que nos remeteu, a Petição não reúne as condições necessárias para ser entregue à Assembleia da República,
no entanto não deixa de ser uma manifestação de descontentamento ou uma chamada de atenção do seu autor, mas a mesma não pode ser considerada válida para a Assembleia.

Caso tenha mais alguma dúvida ou sugestão, não hesite em contactar-nos.

Melhores Cumprimentos,
Petição Pública
www.peticaopublica.com

Nome:Rui Valente
Email:
Descrição:Não é um comentário, é um pedido de esclarecimento.

Apercebi-me só depois de ter assinado a petição "Investiguem o Apito Encarnado" que a mesma é dirigida ao Ministro do Desporto, cargo que pelo que sei não existe no actual Governo. Há sim, um Secretário do Estado para o Desporto (Laurentino Dias). Assim sendo, receio que a referida petição nem sequer reuna as mínimas condições formais para ser devidamente considerada.
Agradeço informação sobre estas dúvidas.

Obrigado e boa tarde
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Tenham um bom fim de semana

Petição online pró Processo Apito Encarnado

Do que é que os bloguistas portistas esperam para assinar a petição para exigir a investigação do processo Apito Encarnado? Querem que lhes levem "o pequeno almoço à cama"?
Eu sou só o Nº.50, e não tenho um blogue exclusivo para o futebol... É muito pouco. Comuniquem uns aos outros a iniciativa. Vamos lá embora, malta. A petição está aqui: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N1050
Observação!
Chamo a atenção para quem tomou a iniciativa de promover esta Petição para os termos em que ela foi colocada, de que não me dei conta em tempo útil, com os quais discordo. É exigida a cadeia para os dirigentes do SLB, que embora a possam vir a merecer, uma petição não pode ser um julgamento público, porque isso foi precisamente o que fizeram com Pinto da Costa.
Quanto a exigir-se uma investigação célere e séria sobre caso Apito Encarnado, estou 100% de acordo. Além disso, a Petição louva-se, mas está muito mal redigida e direccionada. O Ministro dos Desportos, como saberão, não existe mas sim o Secretário de Estado da Juventude e Desporto, que é. Laurentino Dias. De qualquer modo, agora já está.

"DIREITA OU ESQUERDA" ou antes "ESPERANÇA OU DESCRENÇA" ?

As eleições presidenciais ainda estão longe,a quase dois anos de distância,mas parece que políticos e imprensa não têm nada de mais importante a tratar,e então entretêm-se a inventar candidatos. Acentua-se se eles são de "esquerda" ou de "direita". Pessoalmente esta etiquetagem deixa-me menos do que indiferente. Penso que a maioria das pessoas não são etiquetáveis como se fossem uma espécie zoológica que é preciso classificar cientificamente. Quase todos temos convicções diversas que normalmente representam posições políticas híbridas,isto é, que não se enquadram em rigorosas divisões mais ou menos artificiais.

A que propósito vem esta espécie de filosofia barata? Tem apenas a finalidade de destacar quanto me deixa indiferente, no tocante ao meu sentido de voto, que um presidente ou um governo seja rotulado de direita ou de esquerda. Gostaria sim que esta dicotomia fosse outra, que os candidatos em presença se distinguissem entre os que querem manter esta democracia podre e perversa em que vivemos, e os que tivessem em mente dar uma valente vassourada nas teias de aranha que envolvem a vida política do país. Não pediria, por impossivel, que os nossos políticos se transformassem milagrosamente em seres humanos só com virtudes. Pediria apenas que melhorassem os seus niveis de competência, que a noção de serviço público se sobrepusesse aos interesses corporativos, aos interesses do partido a que pertencem, e sobretudo aos seus interesses pessoais. Por outras palavras, políticos que "servissem" em vez de "se servirem". Políticos que passassem de ocas promessa eleitorais, a promessas mais modestas mas exequiveis. Políticos que confessassem claramente aos portugueses que a nossa Justiça é uma vergonha, e que melhorá-la passaria a ser um grande desígnio nacional. Que reconhecessem que o actual ensino teria de passar a produzir jovens preparados para valorizar o país, em vez da actual política educacional de facilitismo que visa apenas trabalhar (enganosamente) para as estatísticas europeias, "fabricando" impreparados jovens, especialmente os que se limitam ao ensino obrigatório. Políticos que - last but not the least- reconhecessem também que o actual modelo de desenvolvimento económico baseado no crescimento de apenas uma região -Lisboa e Vale do Tejo- acompanhado por um sistema político ultra-centralista, além de profundamente injusto, provou já a sua inadequação ao crescimento do país como um todo. Políticos que reconhecessem que não há sistema mais ameaçador da unidade nacional do que aquele em que vivemos actualmente, e que pensassem na Suissa, país mais pequeno que o nosso, e que no entanto é uma confederação de Regiões, que tem conseguido manter integral a sua unidade, a pesar de rodeado por gigantes (França,Itália,Alemanha) que não desdenhariam deitar-lhe a mão se tal fosse possivel.

Um partido cujo programa andasse à volta destes temas, e de outros igualmente relevantes, despertaria certamente o interesse e o entusiasmo dos portugueses, sem o que continuaremos a vegetar nesta "apagada e vil tristeza" que acompanha a nossa queda num plano inclinado, até profundezas das quais não temos ainda perfeita noção.

Fundamentalmente estúpidos

«Nos anos em que a prova se realizou no Norte a responsabilidade pela angariação de patrocínios ficou a cargo de uma empresa privada. Mas em Lisboa esse risco ficou do lado das autarquias e da ATL»
 «Santana diz que já não pode haver corrida da RedBullno Tejo e acusa Costa de "enorme irresponsabilidade"» - Público.pt

Mas não é esse o padrão? 40% do PIB regional de Lisboa é directamente gerado pelo estado e é a região com a mais desequilibrada balança externa. As oligarquias lisboetas há muito que vivem há custa da "pimenta". Quando falta a "pimenta", parasitam o país. Mas o principal problema deles - e nosso! - nem é sequer serem centralistas. É serem, como li algures, «fundamentalmente estúpidos» porque vão acabar por destruir o país e um dia acordarão isolados numa cidade excêntrica aos eixos populacionais na Ibéria.

13 janeiro, 2010

As sátiras do centralismo

Clicar sobre a imagem para ler
Luís Filipe Vieira [ao telefone com Ricardo Costa, presidente da comichão indisciplinada da liga]:
- Estás lá, Rica? É o Orelhas, o teu patrão. Ouve lá, quero que arranjes rapidamente forma de castigar mais uma meia dúzia de jogadores do Porto. Só dois, é pouco!
Ricardo Costa, responde:
- Porra pá, já não te bastam essas orelhas de abano para pareceres um burro? Tu não sabes que as coisas não podem ser assim, que têm de ser bem feitas, que tenho de fazer de conta que sou sério? Qualquer dia correm comigo da Liga e depois queixa-te.
LFV:
- Já fizeste coisas bem piores e não houve problema. Os gajos ladram mas não mordem. Estás com medo?
RC:
- Um justiceiro nunca tem medo. Enquanto te chegares à frente para fazer as trafulhices que me encomendas arranja-se sempre coragem...
LFV:
-Tens de castigar mais uns quantos do FCP, porque o Hulk e o Sapunaru não chega. Sabes como os gajos são, podem vergar mas não torcem. Olha, escusavas de fazer fitas com essa merdice de nos instaurares um processo. Mil euros são sempre mil euros.
RC:
-Já te disse que tenho de fingir que sou imparcial, os gajos já começam a falar demais. Posso ser minhoca mas tu também não és nenhum santo...Já te esqueceste como ficaste rico? Não foi só com os pneus, não é...
LFV:
-E não foi, seu jurista de meia-tigela?
RC:
-Foi, mas recheados com muita «drogaria» e da pesada, tu sabes! Eh, eh, eh...
LVF:
-Sei, sei. E sei que temos as costinhas bem quentes. Aquilo de apoiar a recandidatura de Sócrates tem de render juros. Nós somos 10 milhões, não é...
RC:
-Já vais nos 10 milhões pá? Isso é o total da população portuguesa, também não precisas de exagerar.
LFV:
-Quem come 6 milhões, come 10. Temos toda a comunicação social na mão, por isso, a peta pega depressa.
RC:
-Deixa-te de tretas e vê mas é se convences os teus jogadores a darem menos cacetada porque assim é complicado continuar com o nosso SLB ao colo. Já não sei que mais inventar para castigar aqueles fdp. Ainda por cima são a equipa mais disciplinada do Campeonato. Temos cá um azar...
LFV:
-Tá bem, mas vê se arranjas forma de na próxima jornada castigar mais alguns. Se pudesses «arrumar» com o Varela, o Falcão, o Bruno Alves, o Fuci...
RC:
-Pára, imbecil! Queres que castigue a equipa toda? Tenho de parecer sério, já te disse!
LFV:
-Tento na língua, menino, o patrão da Liga sou eu! Então, não podias castigar, ao menos, três jogadores?
RC:
-Todos de uma vez? Estás mas é doido.
LFV:
-Tem de ser, inventa uma Lei qualquer, tu és bom nisso.
RC:
-Por exemplo?
LFV:
-Olha, castiga-os pelas cores do equipamento.
RC:
-Como assim?
LFV:
-Tu és muito criativo, inventa.
RC:
-Hum... deixa ver. Posso alegar que as riscas têm de ser encarnadas para se verem melhor...
LFV:
-É isso. Assim, arrumámos de vez com os gajos e o Campeonato está no papo.
RC:
-Espera lá, estamos a esquecer-nos do Braga, pá! Os gajos ainda vão à nossa frente, porra!
LFV:
-Faz-lhes o mesmo.
RC:
-O quê?
LFV:
-Inventa outra Lei.
RC:
-Já sei. Mando pintar-lhes o equipamento de azul e branco. Assim, sempre podemos criar mais confusão. Se fizerem asneiras podemos castigar os dois clubes ao mesmo tempo. Que achas?
LFV:
-Genital, Ricardo, és o mázimo!
RC:
-Não é genital pá, é genial! Além de analfabeto deves estar com os copos... É máximo que se diz, atrasado mental!
LFV:
-Ok, ok, não precisas de insultar...
RC:
-Então, está combinado! Agora vou para a Liga tratar de «legalizar» o nosso Campeonato. Chau!
Nota do RoP
Humor com humor se paga.

12 janeiro, 2010

Pinto da Costa. O guerreiro estará de volta?

O que vou dizer é pouco simpático para a classe política e para todos aqueles que se governam na sua sombra, mas, para mim é um facto: não há nenhuma figura pública a nível nacional que admire tanto como Pinto da Costa. Isto, dito assim, é perfeito para encontrar na caixa de comentários um rol de "piropos" da parte dos inimigos de PC e mesmo daqueles que não o sendo se auto-convenceram de uma relevância que não possuem.
O apreço que tenho por PC está directamente ligado à total ausência de gente empenhada, aguerrida e defensora de causas. Só tenho pena é que PC, não possa ter vocação para outras "artes" que não a de dirigente de futebol, porque não lhe falta talento e capacidade de liderança para meter num bolso a colossal montanha de dirigentes políticos incompetentes que o 25 de Abril pariu. Nem um se aproveita! Nem sequer um Governo que tenha feito - ainda que episodicamente - pelo país o que PC fez pelo FCPorto, apesar da preciosa colaboração de José Maria Pedroto e de toda a gente de quem se rodeou.
Mas, será que [como alguns parecem espectar] Pinto da Costa só merecerá o reconhecimento das suas qualidades específicas se carregar consigo as virtudes que nem ele, nem nenhum outro homem do Mundo possui? É claro que não, porque estamos a falar de surrealismo. Não há ninguém [com o mínimo de saúde] completamente bom em todas as áreas, nem ninguém absolutamente incapaz. Há, sim, uns que são melhores do que outros. Por isso, quando falo em PC, e digo que o admiro, não estou necessariamente a afirmar que não hajam pessoas avulsas altamente qualificadas nas suas actividades profissionais, porque conhecemos alguns casos - nomeadamente na ciência, literatura e no desporto -, estou a referir-me a alguém que comanda tão só um clube de futebol, que é por coincidência a modalidade desportiva mais apreciada do Mundo e a que mais paixões [e ódios] suscita.
Se compararmos PC com qualquer político contemporâneo, não conseguimos descobrir um único que tenha sido capaz de constituir um governo suficientemente sólido e competente com reflexos imediatos na qualidade de vida do país. Nem antes, nem depois do 25 de Abril. Em Portugal, na história contemporânea, ainda não tivemos o orgulho de poder reconhecer que, do ano X ao ano Y, a maioria da população portuguesa viveu bem. Sempre vivemos com a maldita "crise" às cavalitas para servir de lixívia à inoperância dos governantes.
Pinto da Costa, conseguiu fazer aquilo que nenhum Governo fez: ombrear e mesmo superar países mais ricos e desenvolvidos. Se compararmos os orçamentos das equipas espanholas, inglesas ou italianas mais pobres com as do FCPorto, verificamos que têm quase todas muito mais dinheiro e no entanto o FCPorto já conseguiu vencer competições às mais ricas!
Alguma vez teremos a alegria de poder dizer o mesmo do nosso país e dos nossos governantes? Tenho a certeza que não! Contudo, o Luxemburgo, um minúsculo país com 2. 586 km2 e 500.000 habitantes, é "simplesmente" o país com o maior PIB do Mundo! Nós, temos 10 milhões de habitantes, uma área 92.090 km2 [quase 40 vezes maior], e o registo "glorioso" do país com o PIB mais baixo da Europa Ocidental...
Habitualmente, os governantes desculpam as suas incapacidades com o poderio económico dos outros países [o melhor paradigma é o da vizinha Espanha], mas esquecem-se do Luxemburgo... Já estamos habituados, ou não fossem "eles" do país do fado.
Ontem, Pinto da Costa, fez um convite público às autoridades "nacionais" para investigarem o Apito Encarnado. Veremos se vão continuar a fazer como o macaco da lenda: a não ouvir, não ver, nem comentar...
Benvindo à luta Pinto da Costa. Estamos contigo.

11 janeiro, 2010

Eu sou patriota...

Caros portuenses,

Numa época de profunda crise económico-financeira, de desemprego,em que a região Norte em geral e o Porto em particular, têm gozado à tripa fôrra de todo o tipo de apoios e fundos comunitários solidariamente concedidos pela parte do Governo Central, sinto-me no dever de, como patriota dos sete costados, retransmitir a notícia veículada pelo JN de hoje numa das páginas dedicadas à cultura: o festival de música Rock in Rio, faz hoje 25 anos e regressa em Maio, a Lisboa!
Revelando um elevado senso de equidade e coesão nacional [como «delira» o Miguel Sousa Tavares], a próxima edição do evento será realizada em Lisboa! A 1ª. foi em 2004, em Lisboa, a 2ª. foi em 2006, em Lisboa, a 3ª. foi em 2008, em Lisboa, e a deste ano vai realizar-se em Lisboa... Se juntarmos a este evento - que mobiliza centenas de milhares de pessoas e que gera dez mil empregos directos e 15 mil indirectos -, o Air Race R. B., em Lisboa, teremos fortes razões para rejubilarmos com o sentido patriótico dos nossos governantes.
Por essa razão, queria pedir-vos que se unissem em torno deste nobre acontecimento e que, juntamente com as vossas mulheres e família, começassem a fazer algumas economias para poderem assistir a este galáctico espectáculo sem se esquecerem do dinheirinho para a viagem e estadia...
Por favor, não faltem. O Jornal de Notícias recomenda e a cidade do Porto também...
Ps-Não se esqueçam p.f. de levar o cãozinho e o piriquito. Quantos mais, melhor. Lisboa agradece e os Gatos Fedorentos também.

O Twitt de um tipo de baixo carácter e mentalidade preconceituosa e ressabiada





Fiz questão de lembrar a este senhor que há quem seja mais especialista em incendiar autocarros.



Deste meu post não se depreenda que sou defensor dos actos abjectos que os chamados super dragões variadas vezes têm protagonizado. Só não posso é com crápulas de mentalidade preconceituosa e selectiva.

08 janeiro, 2010

Há por aí quem se lembre da Diana?

Regionalização em "strip"

Ainda no Grande Porto, sugiro a leitura de um artigo do economista Daniel Palhares sobre a Regionalização do qual entendo valer a pena reproduzir 2 alíneas [são 10 ao todo]:

Ponto V-Quem é contra
É sobretudo nas cúpulas das elites (políticas, económicas, financeiras, culturais e outras) que se concentram aqueles que,ainda hoje, combatem e atrasam a Regionalização. Isso entende-se. Essas cúpulas têm o Poder na mão, centralizado e próximo. Gostam dele e dele beneficiam. As suas carreiras e interesses estão vitalmente centrados em Lisboa, por onde passa tudo que é importante. Estas são as posições por mero interesse próprio. Outros há que combatem a R. invocando razões aceitáveis e sectorialmente válidas, no plano intelectual e dos afectos. Contudo, na maioria dos casos, é possível sentir, por trás da argumentação, que a situação pessoal convive confortavelmente com o centralismo vigente. Existem ainda - e merecem todo o respeito - posições contrárias à R. que não cabem nestas caricaturas simplificadas. Mas, infelizmente, elas (as caricaturas) representam o essencial do quadro que é contra. Parece-me ser evidente que a R. é do interesse da maioria dos portugueses, a norte, ao centro e a sul. Mas também parece evidente que não é do interesse das cúpulas dos poderes.
Ponto VI-De onde não pode nascer um bom figurino
Precisamente devido ao conteúdo da ideia precedente, não é provável que das cúpulas lisboetas possa vir a sair o figurino da R. de que o país precisa. Não seria impossível, mas seria excepcional. Porque é próprio da natureza humana que essas cúpulas estejam muito mais interessadas no status quo do que em transformações que em nada lhes interessam.
Nesta súmula de ideias sobre a Regionalização estão incluídas outras com as quais não estou muito de acordo, não obstante aconselhe a leitura total a quem adquirir o jornal. Mesmo os termos realistas dos pontos aqui reproduzidos parecem-me demasiado elitistas e contemporizadores.
Por exemplo: o autor escreve - e nós percebemos - que "é próprio da Natureza humana que as cúpulas estejam mais interessadas no status quo do que em transformações que em nada lhes interessam", mas não coloca uma questão que lhe está inevitavelmente subjacente que é explicar se é este tipo de cúpulas [ou elites] que ele pensa que os eleitores procuram quando vão votar...
É que, vamos lá a ver, se é da natureza humana, atingir "democraticamente" os mais altos cargos do Poder para governar mais para causas próprias do que para as do país, com egoísmo e desrespeito por quem lhes conferiu tal direito, será também próprio da natureza humana defender-se de quem a engana e lhe prejudica a vida mesmo que, em último instância, tenha de recorrer à força! Ou, já não será assim?
Com pragamatismos deste modelo, eu não pactuo e só por isso não deixei de ficar algo desconfiado com a autenticidade do artigo, de que até gostei.

Links que animam... [extraídos do semanário Grande Porto]

Casa da Música é um dos cinco edifícios da década em todo o Mundo

Solverde exige autorização para instalar Casino no Porto

Governo investe 417 milhões em dois novos hospitais no Norte


Cultura


Outras iniciativas de relevo que não foi possível linkar:

Início de actividade (hoje a partir das 6h00) dos veículos Tram-train da Metro do Porto da Trindade para a Póvoa de Varzim (Linha B/Vermelha). Para já, só serão efectuadas viagens expresso [a notícia não esclarece se tem algumas paragens ou se é directo para a Póvoa]. A partir do dia 1 de Fevereiro [veremos, porque já conhecemos o rigor da previsão dos prazos...], serão efectuadas viagens de serviço regular. São 30 estes novos veículos, mais cómodos e rápidos do que os eurotrans. Com os actuais 72 passaremos a dispôr de um total de 102 "metros".
  • A Solverde exige autorização para instalar casino no Porto e financiar a região Norte

  • Porto em busca de uma alternartiva ao Red Bull Air Race [se é para depois voltarmos a ser espoliados por Lisboa, é melhor deixar como está, porque já chega de tanta humilhação!]

Outra notícia de que já se fala há muito e que nunca mais sai do papel [projecto], é sobre o Centro de Ciências do Mar que será integrado no novo e belíssimo Terminal de Passageiros de Cruzeiros em Leixões [na foto]. Veremos quantos anos ainda teremos de esperar até que esta obra nasça [se chegar a nascer...]

07 janeiro, 2010

Os 22 projectos de Hélder Pacheco

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Esta crónica é da autoria do escritor Hélder Pacheco. À imagem de poucos mais, como o historiador Germano Silva, são o must do abastardado JN . São o que resta da têmpera e da dignidade portuense daquele jornal.

José Maria Pedroto



Alguns excêntricos da cultura umbilical procuraram ao longo de décadas desacreditar o futebol e quem o aprecia. Sobrepõem sempre a arrogância pessoal aos gostos de uma grande e heterogénea parte da população mundial. Resulta daqui, o desprezo analfabético para com Homens com a dimensão de José Maria Pedroto.

Ele não era político nem doutor, era um simples treinador de futebol, mas fez mais pela emancipação do Porto contra o velho e ainda vivo centralismo do que qualquer político contemporâneo.

Só mais uns "pózinhos" sobre MST e o jornal A Bola

Evito alongar-me demasiado nos posts que escrevo a fim de evitar o cansaço e perdas de tempo aos leitores, mas em certas ocasiões fico com a sensação que ficou algo por dizer.
O que escrevi ontem mas devia ter enfatizado, foi que o MSTavares, quer ele queira ou não, está, através das suas crónicas semanais que publica n' A Bola, a fazer com que os portistas o comprem, que contribuam para a saúde económica de um jornal hostil ao FCPorto, dada a qualidade dos seus textos e a sua combatividade em solo inimigo.
Há portistas [e eu conheço alguns], que por razões de vária ordem, entre as quais o facto de agora as crónicas do MST só terem acesso na Net a subscritores, às terças-feiras compram mesmo A Bola. Ora, dizendo que, sim senhor, que ele faz muito bem em defender o nosso clube num ambiente de tubarões, é sustentar a ilusão de que os benfiquistas e sportinguistas levam à letra o que ele escreve, e mesmo que isso seja verdade, eles jamais se deixarão convencer da valia dos argumentos expostos, porque simplesmente não querem! Basta assistir aos programas de debate desportivos para perceber que nem com imagens aquela gente é capaz de ser séria!
Além do mais, a própria opção anti-regionalista do Miguel, prova à saciedade que ele não tem a mínima noção do impacto que o anti-portismo tem na cidade do Porto e em grande parte do Norte do "país"! Eles só valorizam o Miguel quando critica o Pinto da Costa, e aí sim, aproveitam a embalagem para aumentar as "dioptrias" sobre o que escreveu para diabolizar Pinto da Costa. Além disso, também, ter o Miguel a colaborar com A Bola é uma estratégia inteligente da parte do jornal, porque vai comer o milho [vender mais jornais] à mão de quem, naturalmente, lho devia recusar.
Nas televisões é a mesma farsa. Um programa como O Trio de Ataque, que quando começou parecia prometer porque só se falava do futebol jogado, passado pouco tempo descambou para o lado que interessa aos defensores do centralismo e respectivos clubes: as arbitragens. Nos outros canais, vejam quem nos está a representar. O Pôncio Monteiro, seja por questões de saúde ou não, já não é o que era, perdeu totalmente a combatividade. Praticamente não fala nem o deixam falar. O Guilherme Aguiar, gagueja mais do que argumenta e o Rui Moreira está num ambiente demasiado rasca para a diplomacia que ele dificilmente tenta conservar.
Mas, quando é que nós começamos a ambicionar estações de televisão nossas, jornais nossos e rádios nossas? Não será por aí que as coisas poderão começar a compor-se? Por favor, não me falem mais de associações, falem da comunicação social que nós precisamos de criar aqui, no Porto, e com gente séria. Se não existe gente séria, então é porque merecemos o papel de colonizados que nos estão a impingir.
Ps.
Falta dinheiro, já sei, mas não será mesmo possível encontrar alguém que o tenha e seja ao mesmo tempo íntegro?

06 janeiro, 2010

Miguel Sousa Tavares

Há poucos dias atrás, tinha na caixa de comentários um anónimo recomendando a leitura de um artigo de Miguel Sousa Tavares no jornal a Bola sobre as pulhices que os tios e afilhados do centralismo continuam a fazer ao FCPorto. Compreendi muito bem a intenção do comentador. Tratava-se de mais um dos excelentes artigos do MSTavares sobre mais umas tantas provocações execráveis daquela gentalha lá de baixo que é sempre importante denunciar e que o Miguel sabe fazer como poucos.
Apesar disso, respondi instintivamente que não iria comprar a Bola para ler o artigo do Miguel, porque me recuso sempre a fazer publicidade [e, gratuita] a produtos que abomino. Sei também que a Internet e as vias de acesso que ela nos faculta, quase nos permite ler jornais sem os adquirir, mas a minha rejeição por aquele pasquim é tão vincada que não suporto a ideia de imaginar que haja um portista no planeta que gaste o seu dinheiro com ele sem perceber que está a sustentar quem tem contribuído ferozmente para o depauperamento económico e social da cidade do Porto e move montanhas para destruir o seu clube mais representativo.
Quando, em 1998, o jornal O Jogo ainda não se tinha vendido ao Centralismo [quando digo jornal, digo os donos do jornal], enviei uma carta ao Miguel Sousa Tavares reprovando o facto de, sendo ele portista, não prestar a sua colaboração neste jornal em vez de o fazer num outro [ A Bola] que, além de ser de Lisboa é declaradamente anti-portista. Mal sabia eu, quão ingénuo era por pensar que o jornal O Jogo nunca iria passar-se para o lado de lá, porque, apesar dessa submissão oportunista, naquela época era um jornal mais digno, razão pela qual aconselhava o Miguel a colaborar com ele.
Sabem qual foi a resposta? No ponto 6 da sua carta [porque abordei também o facto de ele ser contra a Regionalização], justificava assim a sua preferência pela "Bola":
"A Bola não é o Record nem é a SIC. É substancialmente diferente e é uma leitura onde, quer se queira quer não, a nossa voz chega a milhões de portugueses, até a emigrados no mundo inteiro. É assim que eu lhes farei chegar as razões de ver portista [que não é o mesmo, necessáriamente, que as razões de Pinto da Costa - e nisso consiste a minha "independência"]
Sobre a Regionalização, escreveu o seguinte: "Sou contra a Regionalização não por preconceito contra as minhas raízes, mas por uma questão de patriotismo e bom-senso, Várias vezes tenho explicado já essas razões mas, se as quiser resumir, é isto: eu, antes de ser do Porto ou de Lisboa ou do Algarve, sou português. E o único trunfo que Portugal tem no Mundo de hoje é a sua unidade nacional*, que supera a sua pequena dimensão. Juntos, teremos tanta força como a Catalunha, a Baviera ou o Piemonte. Regionalizados, valemos o que vale o Norte ou o Alentejo, ou o Algarve por si sós: isto é, nada."
A carta era relativamente longa, e não merece a pena enfadar os leitores com os detalhes, porque o que lá vinha escrito de substancial foi isto.
Há muitas coisas com as quais concordo com Miguel Sousa Tavares, mas há outras tantas com as quais estamos nas antípodas. Uma delas, são as touradas. Ele gosta, eu detesto. A outra, quiça mais relevante, é a Regionalização e o reconhecimento dos méritos do jornal A Bola... Há pessoas cuja inteligência parece ganhar mais brilho quando abordam determinados temas, e se torna mortiça com outros, mesmo com a experiência que o tempo as obrigaria a adquirir.
Eu, também já fui patriota, e por essa razão prestei-me a ir combater para Moçambique, quando podia deixar-me ficar em França, onde me encontrava, antes do serviço militar e quando outros fugiam do país e da guerra colonial em nome da Democracia...
Hoje não faria o mesmo, porque não reconheço a minha pátria. Por qualquer estranha razão, ainda estou ligado à minha cidade do Porto, e por essa sim, ao contrário do Miguel, estaria disposto a combater. Os tempos mudaram, eu mudei, mas decorridos 18 anos, o Miguel deve continuar a pensar que está numa pátria una e economicamente forte, como a Catalunha...
OBS.
Tenho ainda comigo a carta do Miguel Sousa Tavares, da qual assumo toda a responsabilidade pelo que dela reproduzi.
*O negrito é meu.

05 janeiro, 2010

Regresso à terra

De regresso à "terra", ao 5º dia de 2010, e ao contacto com os leitores, amigos e colaboradores do Renovar o Porto, quero reiterar-lhes os melhores votos de bem estar, preferencialmente, até ao resto das suas vidas.
Vivêssemos nós num país razoavelmente coeso e equilibrado, e não viria mal ao Mundo com as doses industriais de programas recreativos que as televisões nos impingem durante todo o ano e de modo acentuado por esta época. Sucede, que não só não vivemos num país com essas características como já percebemos que não temos um país. Temos literalmente uma capital que, aproveitou a queda do Salazarismo e a Democracia para se transformar num país com o nome travestido do que lhe antecedeu.
Os programas ditos recreativos, que mais não são do que cópias do que se faz lá fora, numa região deprimida e pobre como é o caso do Porto e Norte, tem um efeito perverso nas populações, porque dopa-as deixando a ideia que está a diverti-las, desviando a sua lucidez para eventos onde a "alegria" do espectáculo faz de conta que também é a delas. As longas pernas da esbelta Catarina Furtado não são só apelativas à testosterona masculina, são também um forte estímulo à vaidade feminina, tornando enfadonha qualquer reflexão profunda sobre os problemas reais de quem mais precisa de o fazer...
É também assim que muitos portuguese(a)s se vão deixando iludir por uma vida e uma felicidade que não são as suas, mantendo-os apáticos e indiferentes aos assuntos públicos. Só quando a novela acaba, e vão às compras ao supermercado é que descarregam em lamurias fadistas as suas maleitas e dizem mal dos políticos. Fica-se por aqui a sua intervenção de cidadania. Mas, depois, voltam a repetir o erro, e vão votar...
Hoje, folheando o JN, o que é que vemos? Na página cultural, lemos os nomes de Maria João Pires, de Ana Moura e Rodrigo Leão, dos maestros Cesário Costa, e Álvaro Cassuto. A página "Útil e Fútil informa-nos que Nicolau Breyner é padrinho do Cale-se 24 e que La Féria brilha no Rivoli do Porto. Na folha dedicada à televisão, o JN anuncia a exibição na SIC da reposição diária de uma novela. Nas crónicas desportivas, podemos ler a opinião de Carlos Daniel, um nortenho com sangue sulista e benfiquista. Umas páginas atrás, pode ver-se a cores uma foto a toda a largura do treinador do Benfica e a dos novos reforços. Ao lado, discreta uma foto a preto e branco do treinador adjunto do CAMPEÃO NACIONAL, precedida de uma foto gigantesca do avançado Cardozo do Benfica...
Será necessário acrescentar outros sinais sobre a génese "portuense" deste jornal? Contrariamente a certos iluminados da nossa praça [e da blogosfera] que encontram solução para os problemas regionais olhando para o seu próprio umbigo, é importante identificar os responsáveis por este estado de coisas. Os jornais não são auto-orientados, têm responsáveis e patrões. É deles que temos de começar a exigir outra seriedade. São esses que temos de boicotar e passar a discutir sobre a fundação de um jornal do Porto para o Porto, e deste, para o Mundo, mas dirigido por nós, portuenses.

03 janeiro, 2010

O Beija-flor azul iridescente, e a Neli Araújo

Tempos atrás, houve uma flor cujas pétalas eram macias e sedosas.
Vivia em seu jardim, rodeada por outras flores e animaizinhos de todas as espécies.
Embora tivesse alguns espinhos escondidos, era meiga, dócil e carinhosa.
Havia também um Jardineiro Fiel em quem a flor confiava.Que a regava, adubava, e afofava-lhe a terra;e com quem a flor conversava todos os dias.
E foi então que em certo dia, apareceu não se sabe de onde,
um misterioso e gentil beija-flor...
Ele batia as asas como ninguém, e era muito ágil no voar.
Sua plumagem azul iridescente era agradável aos olhos da flor.
Seu canto era belo, afinado, e ele sempre trinava novidades de outros lugares...
Também cantava bonitos elogios à flor, e esta aos poucos foi se encantando,
e até acreditou que fosse especial para este amiguinho...
E já aguardava as visitas do beija-flor, que vinha com seu bico alongado
alimentar-se do seu néctar e das coisas bonitas que ela falava.
Foi assim, por um bom tempo; Ele cantava, ela falava, ele cantava, ela falava,
e os dois se divertiam muito!
Às vezes, aos domingos pela manhã, quando a flor ainda estava a acordar,
ele soltava seus trinados bem no canteiro favorito da flor,e então conversavam e riam muito...E assim os dois construíram um mundinho especial que era só deles.
Porém aos poucos, o beija-flor começou a ter ciúmes de outros pássaros
com os quais a flor também brincava.E então começou a dar bicadinhas na flor;Criticava quando ela aparecia com uma pétala nova,reclamava dos lugares por onde ela passeava,e até se aborrecia com algumas visitas
que ela recebia em seu canteiro...
Enfim, começou a falar mal das qualidades da flor...Aquelas que o haviam encantado anteriormente.
A flor também sentia ciúmes quando via o beija-flor estufando o peito
e cantando para as outras flores,e na ânsia de se proteger, mostrou todos os seus espinhos, é claro;
Até aquele, letal...
Ela, que sempre fora mansa, acabou arranhando o coração dobeija-flor, que bateu asas e voou!
Assim a flor foi entristecendo...Perdeu a alegria de brincar com as outras flores, com seus
amiguinhos, e até com seus botões.Parecia que lhe faltava água;
suas pétalas murcharam, secaram, e até caíram de tristeza...
A flor afastou-se de todos e isolou-se em um casulo abandonado ondepermaneceu por muito tempo, pensando, pensando, pensando...
O verdadeiro consolo, só encontrava nos seus momentos a sós
com o Jardineiro Fiel.
Até que um dia, percebeu que durante este seu período de introspecção,havia criado asas. Até lembrou de um tempo em que soubera voar,e da maravilhosa sensação de se ter a liberdade de ir e vir...
E foi então que abandonou o casulo e foi experimentar suas novas asas.
Hoje a borboleta voa livremente por todos os jardins, equando se recolhe, volta para as mãos do Jardineiro Fiel!
E o beija-flor continua passeando pelos canteiros, encantando outras flores
com sua plumagem azul iridescente e com seu belo e afinado canto.
Mas lembrem-se, isto foi há muito, muito tempo...
.
(Dedicado a todas as flores que já
se encantaram por um beija-flor...)
Neli Araujo2009

Votos de um óptimo [1º, de 2010] Domingo