06 julho, 2011
05 julho, 2011
Os vira-casacas
Está nos livros: onde existe uma grande dependência do Estado, mudanças no poder trazem consigo mudanças na opinião de muitos. Não antes, mas depois ou, pelo menos, a partir do momento em que se torna óbvia a derrota da "situação", como se dizia antigamente. O povo crismou-os: "vira-casacas". Os mesmos que até aí aplaudiam, servilmente, o poder descobrem, subitamente, o seu engano. Coerentes na sua vocação de bajuladores, continuam a aplaudir o poder. O novo. Encontramo-los entre os empresários, grandes ou pequenos, os gestores, públicos ou privados, os comentadores. Por toda a parte. Representam o pior da espécie humana, se é legítimo atribuir-lhes essa pertença pois falta-lhes coluna vertebral. Governo que se deixe rodear por eles, lhes dê ouvidos ou se deslumbre com os encómios em que se especializaram, está a meio caminho do autismo. A outra metade será da responsabilidade dos que vêem a política como se de um jogo de futebol se tratasse. Em conjunto, actuam sobre a componente narcisista que há em quase todos os homens públicos. Falam-lhes da história e de como esta os verá. São piores do que as sereias o eram para Ulisses. Alguma dessa gente já apareceu, ou reapareceu, em força, nestas duas semanas.
2. As medidas simbólicas que o Governo tomou foram erigidas, por eles, quase em reformas estruturais. Vai-se a ver e parece que os membros do Governo não pagam quando viajam pela TAP (vá-se lá saber a razão!) pelo que, para além do bom exemplo, a medida apenas granjeou a simpatia das tripulações da transportadora área nacional que, nesses voos, terão mais lugares em executiva para usufruírem das suas mordomias. A extinção dos cargos de governador civil e director-adjunto dos centros distritais de Segurança Social vão na direcção certa, conquanto o impacto nas contas seja diminuto. Quanto às poupanças decorrentes de um menor número de ministros e secretários de Estado, não são certas (depende de quanto vierem a custar os assessores) e podem ser pírricas se, com a constituição de superministérios, o Governo perder em eficácia numa altura em que era decisivo que funcionassem bem. Numa sociedade em que o simbólico tem importância, estas decisões são acertadas. Dão um sinal e apontam um sentido de mudança. Porém, se o Governo se deslumbrar com a amplificação que os seus zelotes lhe deram, corre o risco de repetir o percurso do anterior executivo.
3. Mesmo perante uma medida intrinsecamente má - o aumento de impostos associado à retenção do equivalente a metade do 14.º mês, isto é, cerca de 3,5% do rendimento - muitos não tiveram pejo em a elogiar. Como se uma medida pudesse ser boa ou má consoante a cor de quem a toma. A medida é má. Ponto final. Não há benefício da dúvida ou estado de graça que lhe valham. Porventura a menos má, em comparação com outras. Não sabemos, nada nos foi dito. Talvez se tenha tornado inevitável perante o propósito, que subscrevo, de dar um sinal de garantido empenhamento no cumprimento dos objectivos estabelecidos. Em excesso de zelo, alguns escribas e comentaristas invocaram como justificação a eventual derrapagem das contas públicas cujo estado teria sido ocultado. O Governo não o fez, não sabemos se para manter a promessa de Passos Coelho, se por saber não ser seguro que os resultados no 1.º trimestre comprometessem o objectivo de 5,9% para o défice anual. Saúda-se a honestidade intelectual, bem como se aceita que, por precaução, tenha posto mais peso nestas medidas (isto é, aumentado a percentagem e o âmbito da tributação).
4. Mais receita é uma forma de combater o défice. Errada - Portugal já tem uma carga fiscal excessiva. Inevitável - no curto prazo, não é fácil cortar significativamente nas despesas. Palpita-me que não ficaremos por aqui, nas receitas, e anseio por saber o que se vai fazer do lado da despesa e, em especial, no que toca ao estímulo à competitividade e emprego. Só então se poderá fazer uma análise séria.
[No JN]
04 julho, 2011
Manifestação no Porto pela reabertura da linha Pocinho/Barca de Alva
| Clicar aqui para ler a notícia completa |
01 julho, 2011
A direita não tem emenda...
...sofre de um crónico desprezo pela cultura profunda. O grande "defeito" da cultura, é tornar as pessoas um pedacinho mais lúcidas. É o que a direita pensa, mas nunca o irá confessar.
Há quem acredite não existirem diferenças entre esquerda e direita. Politicamente, e se acreditarmos que o PS é um partido de esquerda, talvez não. Intelectualmente ainda há muitas diferenças. Este Governo acaba de o provar, e o anterior, nem com o charme da Gabriela Canavilhas conseguiu provar o contrário.
Abrunhosa diz que "o Porto está a competir com a Rechousa" em termos culturais
F.C Porto assume gestão do Porto Canal em Agosto
Adiou-se por um mês. O F.C Porto começa dia 1 de Agosto a tomar conta da grelha do Porto Canal. Numa primeira fase, está prevista a inclusão de espaços informativos acerca das actividades desportivas.
Só em Janeiro se apresentará uma antena completamente renovada e também se reserva para essa altura um contributo regular ou pontual em antena, ainda a definir, de Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do F.C. Porto.
O clube adquiriu a parte detida pela Media Luso (97%), pertencente ao grupo espanhol Mediapro, mediante um acordo que prevê uma aquisição completa de capital em três anos e o compromisso de fornecimento de programas durante quatro anos, cujo tecto mínimo é de 60%.
"O compromisso é o da qualidade e não o da rapidez", justifica fonte ligada ao processo. Durante Agosto, será visível a pincelada azul e branca transversal a alguns programas focados no clube, ainda que a ideia seja sempre adaptar esse grafismo ao existente, para que não destoe.
Um ponto forte será a transmissão desde o estúdio criado no estádio do Dragão. Garante-se ainda o manutenção do carácter generalista da estação e a cobertura da região Norte, como tem sido estratégico.
A direcção do canal foi confiada a Rui Cerqueira, director de comunicação do clube. Nos próximos dias, será fechada a contratação do director de Informação.
[Dina Margato/JN]
30 junho, 2011
O Metro e os fundos que não tem
Amo-te metro
O metro do Porto demorou anos de luta, exigiu muito dinheiro europeu e nacional, mas é a maior conquista do Porto do início do século XXI. Quando arrancou, em 2002, tivemos a esperança de ter conseguido algo absolutamente essencial para a nossa sobrevivência como área metropolitana produtiva, capaz de ajudar o comércio de rua, a produtividade laboral, a cultura, a presença dos estudantes na cidade, a manutenção dos consultórios médicos, profissões liberais, etc..
A vida da cidade, de facto, mudou e trouxe-nos esse ícone - o metro a passar na ponte D. Luiz, como se fosse um sonho pintado a amarelo e cinzento sobre o ferro centenário, em tons de castanho, e o Douro e a Foz ao fundo... Dentro das carruagens, as nossas pessoas, ricas ou pobres, a poderem usufruir de um transporte digno, que as deixa organizar a vida com mais qualidade. Mas estamos a meio deste sonho, que pode tornar-se num pesadelo.
Infelizmente, a extensão da rede está altamente ameaçada pela falta de dinheiro do país. Ainda por cima o JN avançava que os fundos comunitários previstos para o (erradamente intitulado) "TGV" não vêm para o metro do Porto. Mas não há razões para se desistir: a União Europeia vai querer que Portugal aproveite os fundos e mantenha algumas obras. Ora, o metro enquadra-se na política que é a menina dos olhos de Bruxelas - o uso mais eficiente da energia e o fomento de melhor mobilidade urbana. Isto significa maior produtividade e menos CO2. Com persistência, talvez o Governo recupere o dinheiro que esteve previsto para a alta velocidade Porto-Vigo.
Para se justificarem novos investimentos precisa-se, em primeiro lugar, de garantir que o número de passageiros do metro continue a crescer. É fundamental que cada cidadão olhe para a utilização do transporte público da sua cidade como se estivesse a marcar um golo pela sua equipa.
Além disso, há que escolher: estender mais a rede ou dar-lhe densidade de passageiros? Seria importante reanalisar-se bem a nova fase planeada. Por exemplo, a engavetada "linha circular", no miolo da cidade (o projecto inicial apontava para as ruas de Fernão de Magalhães, Costa Cabral, Rotunda da Boavista, Campo Alegre, Palácio de Cristal e a Praça dos Leões). Ela ajudaria muito à essencial revitalização da Baixa do Porto - importante para garantir novas indústrias culturais, melhor turismo, mais reabilitação urbana. Esta linha pode muito bem ser o ovo de Colombo de uma maior capitação de passageiros no metro.
É preciso também dar solução ao problema da Avenida da Boavista. É inacreditável que a maior artéria da cidade, com elevada concentração de serviços, hotéis e pólos de turismo, esteja desintegrada da rede. Rui Rio tinha razão ao insistir com o desastroso ministro Mário Lino na necessidade de se executar a linha Matosinhos Sul-Boavista - mais barata porque está à superfície, e rápida de construir. Ainda é possível voltar atrás?
Convém, a este propósito, não esquecer o que tem dito Souto de Moura sobre a alternativa entretanto aprovada, a linha Matosinhos Sul-São Bento: "O metro não cabe" no troço Campo Alegre-Praça da Galiza. Ora, se o 'Prémio Nobel' da Arquitectura diz isto - ele que conhece tão bem o metro do Porto, - vale a pena, pelo menos, perceber porquê. Desde o princípio que fica a ideia de que o 'bom negócio' seria levar o metro pela futura Avenida Nun'Álvares (junto à Foz) e com isso potenciar-se-ia a valorização imobiliária (de luxo) da nova artéria. É em momentos de crise que as decisões públicas têm de ser ainda mais criteriosas. Quem tem razão? Souto de Moura ou os estudos da Metro do Porto?
Acresce que o Porto talvez necessite mais de reabilitação do que fomentar construção hipervalorizada pelo metro à porta. Precisamos de mais prédios a entrar no mercado? Ou a reabilitação da baixa exige que se concentre ali o dinheiro que resta? Um miolo de cidade recuperado é a melhor alavanca para o crescimento dos serviços e do turismo em toda a Área Metropolitana, e isso cria emprego. A mobilidade urbana inteligente, fiável, e sem poluição, é o que vai distinguir as cidades do futuro onde valerá a pena viver e investir. O metro, e uma visão integrada de transportes ao seu redor, é a chave desse futuro.
Nota de RoP:
Espero não se tratar de uma mera ilusão óptica, ou cosmética, mas noto uma ligeira melhoria no JN, nomeadamente em matéria de colaboradores. Gostava de não me estar a precipitar...
Dêem-lhe tempo, ou, se não podes vencê-los...
Dêem-lhe tempo
A apresentação do Programa de Governo funcionou como tiro de partida para que vários "lobbies", habitualmente discretos, saltassem alvoroçadamente da toca vendo os seus interesses na iminência de ser beliscados.
Para Pais do Amaral e para Balsemão, não existe, no actual panorama televisivo, lugar para outro concorrente (e que raio terão os contribuintes com isso?). Com a hipotética privatização de um dos canais da RTP passaria desta vez a haver, para alguns voluntariosos críticos do "excesso de Estado", "concorrência em excesso". Ou seja: pensando melhor, talvez afinal o Estado não seja mau, principalmente se somos nós quem está debaixo do seu guarda-chuva proteccionista.
Também a notícia da suspensão do TGV parece ter posto os cabelos em pé a muita gente, do consórcio ELOS, liderado pela Soares da Costa e pela Brisa (que se preparava para cobrar 1,359 mil milhões de euros, sem IVA, pela construção, mais 12,2 milhões por ano pela manutenção dos 167 quilómetros do troço Poceirão-Caia, ameaçando agora reclamar 150 milhões de indemnização ao Estado, ao... ministro espanhol do Fomento, para quem suspender o TGV é uma "má decisão" pela qual poderão vir ser pedidas explicações a Portugal (que é como quem diz aos contribuintes portugueses).
Passos Coelho não sabe onde se meteu. Dêem-lhe tempo. Acabará, como Sócrates, por descobrir, os "lobbies" regressarão a penates e tudo voltará à normalidade.
[Do JN]
Também a notícia da suspensão do TGV parece ter posto os cabelos em pé a muita gente, do consórcio ELOS, liderado pela Soares da Costa e pela Brisa (que se preparava para cobrar 1,359 mil milhões de euros, sem IVA, pela construção, mais 12,2 milhões por ano pela manutenção dos 167 quilómetros do troço Poceirão-Caia, ameaçando agora reclamar 150 milhões de indemnização ao Estado, ao... ministro espanhol do Fomento, para quem suspender o TGV é uma "má decisão" pela qual poderão vir ser pedidas explicações a Portugal (que é como quem diz aos contribuintes portugueses).
Passos Coelho não sabe onde se meteu. Dêem-lhe tempo. Acabará, como Sócrates, por descobrir, os "lobbies" regressarão a penates e tudo voltará à normalidade.
[Do JN]
29 junho, 2011
Povo-enigma
O leitor não levará a mal se começar por dizer uma redundância. Que tudo aquilo que aqui escrevo, não é mais do que uma súmula de opiniões. Das minhas opiniões, claro. Compreenderá, espero, que por mais fortes que sejam as minhas convicções [e pode crer que são], não tenciono impô-las a ninguém. Deixo ao critério de cada um, retirar as conclusões que entender melhor. É que, de vez em quando, gosto de fazer breves exames à consciência, tal é a frequência com que censuro o meu povo, sentindo-me apesar disso, sua parte integrante.
Fiz esta breve introdução, porque tenciono continuar a falar do povo, e no grande mistério que ele constitui para mim. Mais do que o enigma chamado políticos, preocupa-me aquele que se chama povo.
Vi com muito estranheza, a reeleição de Rui Rio como Presidente da Câmara do Porto, mais exactamente, a do 2º. e 3º. mandato, já que o 1º., houve quem o visse como um castigo ao PS pelo abandono de Fernando Gomes da chefia do município, a troco de uma vaidadezinha carreirista. Outro mistério, foi o eleitorado ter permitido a José Sócrates a manutenção do Governo durante tanto tempo, depois de tantas e repetidas asneiras. Enfim, foram verdadeiros fenómenos sem qualquer explicação racional que os justifiquem.
A realidade, é que a soberana vox populi, que apenas se faz ouvir através do voto, e sem conhecer minimamente os eleitos, não teve sabedoria bastante, tanto para evitar a intervenção do FMI no país, como para correr com o pior, e mais abulíco Presidente de Câmara que a cidade do Porto jamais conheceu, o que, contraria, em parte, a ideia ,de que o povo tem sempre razão. Antes tivesse.
A entrada da Troika em Portugal, não serve apenas para alimentar centenas de debates televisivos, com a bafienta colaboração de muitos co-autores de descalabros antigos, serve também para a população (se para tal estiver disponível), estabelecer contrastes entre o que se disse, e se fez, em anteriores tomadas de posse, e o que se diz, e sobretudo o que se terá mesmo de fazer, na presença do FMI. Se assim entender, se o povo não se distrair demasiado com telenovelas e futebol [e eu gosto de futebol], então irá talvez estranhar quando ler títulos noticiosos como o que hoje vinha no JN : "Ministros que falhem orçamento são penalizados". Depois de lidos tais títulos, o que é que nos ocorrerá imediatamente concluir? Que, antes, ministro que apresentasse derrapagens orçamentais nunca era penalizado? Pois, não era, não. Talvez com a polícia Troika por perto as coisas melhorem...
Há uma outra curiosidade que vale a pena observar. São visíveis, da parte de alguns membros do novo governo, alguns sinais, ou vontade, de mostrar depressa serviço, principalmente os mais novos, o que é de louvar, mas receio que tal não passe de uma euforia momentânea e que cedo tudo volte à histórica (a)normalidade, quando, e se, a Troika deixar de os "policiar".
Duvido que o FMI, tão cedo, dê rédea-solta ao governo e que este se possa dar ao luxo de cometer as asneiras de governos do passado recente, e remoto. Por enquanto, está obrigado a fazer bem o trabalho de casa, e não tem margem de manobra para errar. Mas cuidado, que não se estique demais a corda da austeridade, porque aquilo que está a acontecer na Grécia, pode repetir-se aqui, se o bom senso não acompanhar as medidas que devem ser tomadas. Os gregos revoltosos, a quem Judite de Sousa se lembrou de chamar anarquistas, dizem [e ela parece não ter ouvido], preto no branco, que não estão mais dispostos a fazer sacrifícios por uma crise extremada pelo comportamento corrupto dos seus políticos, e isso é que devia preocupar a jornalista e o nosso Governo.
Duvido que o FMI, tão cedo, dê rédea-solta ao governo e que este se possa dar ao luxo de cometer as asneiras de governos do passado recente, e remoto. Por enquanto, está obrigado a fazer bem o trabalho de casa, e não tem margem de manobra para errar. Mas cuidado, que não se estique demais a corda da austeridade, porque aquilo que está a acontecer na Grécia, pode repetir-se aqui, se o bom senso não acompanhar as medidas que devem ser tomadas. Os gregos revoltosos, a quem Judite de Sousa se lembrou de chamar anarquistas, dizem [e ela parece não ter ouvido], preto no branco, que não estão mais dispostos a fazer sacrifícios por uma crise extremada pelo comportamento corrupto dos seus políticos, e isso é que devia preocupar a jornalista e o nosso Governo.
Palpita-me portanto, que a ideia lançada por Paulo Portas de tratar todos os subsídio-dependentes comprovadamente pobres, como um bando de oportunistas preguiçosos, e obrigá-los a trabalho comunitário, parece-me, além de ofensiva, discriminadora, demagogo e uma pura aberração política. Pode até ser a primeira bomba a explodir nas mãos de Passos Coelho. Será uma medida que pode virar-se contra o objectivo pretendido, pois configura o aproveitamento de mão d'obra miserável em beneficio do Estado, não sendo por aí que o país irá progredir.
Há que ser realista, não tratar as pessoas como mentecaptas, sem esquecer as centenas que todos os dias aumentam a longa lista de desempregados, com o mercado trabalho sem nada de concreto para lhes oferecer. A livre iniciativa não é para todos, custa dinheiro. Salvadores Caetanos, não abundam, políticos sérios e competentes também não.
Será que o povo, o enigma povo, tem consciência disso? Cá por mim, tudo indica que o povo continua a votar orientado por um único critério: o das aparências. Será? Sinceramente, não sei responder. O enigma permanece.
Há que ser realista, não tratar as pessoas como mentecaptas, sem esquecer as centenas que todos os dias aumentam a longa lista de desempregados, com o mercado trabalho sem nada de concreto para lhes oferecer. A livre iniciativa não é para todos, custa dinheiro. Salvadores Caetanos, não abundam, políticos sérios e competentes também não.
Será que o povo, o enigma povo, tem consciência disso? Cá por mim, tudo indica que o povo continua a votar orientado por um único critério: o das aparências. Será? Sinceramente, não sei responder. O enigma permanece.
28 junho, 2011
Marcelices e antípodas
Se o ex-político, Marcelo Rebelo de Sousa e o empresário recém falecido Salvador Caetano, fossem territórios ou oceanos, sem dúvida formariam, dois pontos completamente antipodais. Enquanto Salvador Caetano fez do trabalho duro e da sua 4ª. classe, um império de sabedoria, traduzido em cerca de 2,4 mil milhões de euros e em 6.500 "irrisórios" postos de trabalho distribuídos por vários países do Mundo, Marcelo Rebelo de Sousa, com a sua licenciatura em direito, e enquanto político, pouco fez de relevante pelo país...
Ou me engano muito, ou foi mesmo por Marcelo ter a língua comprida, que Passos Coelho travou a ida do administrador da TVI, Bernardo Bairrão para Secretário de Estado da Administração Interna. E se foi de facto essa a causa da súbita mudança de ideias de PPC, só tenho é de o elogiar. Primeiro, porque deu um claro sinal de querer blindar o novo governo das prodigiosas boatices de governos anteriores. E segundo, porque sem entrar em explicações estéreis, disse claramente quem manda no partido e no Governo. Espero que esta atitude seja seguida de outras semelhantes sempre que achar imperativo fazê-lo. Se tiver arcaboiço para suster as pressões internas e dos media, pode ser que este seja o princípio de uma nova forma de fazer política. Não tenho lá muita fezada, mas quem sabe?
Não vejo pois, como populistas [longe disso] estas recentes notícias que dão conta da fuga de alguns membros do Governo às futilidades protocolares. O que é preciso é continuar, não abrandar, nem dar sinais de que estes actos não passam de romanticos e voláteis processos de intenções. Acho bem, didáctico até, que alguns deputados e membros do governo, passem a ir [sempre que possível, claro] de bicicleta para o parlamento ou para os ministérios. Acho correcto que tentem evitar tanto quanto possível o recurso a luxos e mordomias num momento como o actual, onde o desemprego sobe vertiginosamente e o custo de vida também. A isso chama-se, bom senso. Ao contrário do professor Marcelo, que até sobre futebol gosta de dar pareceres, não penso que o actual Ministro da Economia tenha deixado cair os parentes na lama por gostar que o tratem pelo nome. Afinal, é pelo nome que todos nos devemos tratar. O senhor Ministro Álvaro Santos Pereira viveu alguns anos num país moderno e evoluído, como o Canadá, limpou a cabeça de preconceitos. Não será portanto Portugal o país mais indicado para lhe dar conselhos, e muito menos o senhor Marcelo.
O uso extemporâneo do título académico antes do nome, mais não é do que uma manifestação bacôca de provincianismo e pedantice que só agrada às pessoas que não confiam nas suas capacidades e na sua honra pessoal. Marcelo, até neste comentário foi ridículo, deixando bem visível os laços que ainda o prendem ao Estado Novo...
Gostava, era de ver Marcelo preocupado com outras situações, essas sim, graves e indignas de quem ascendeu a lugares políticos de relevo, como os seus ex-colegas de partido, Dias Loureiro e Duarte Lima [só para citar alguns]. Presumo que falar destes políticos «exemplares», e da pouca vergonha que os envolve, seja proibido, assunto tabu, acto populista, mas diga-se de passagem, tanto cinismo, já começa a agoniar.
Bem tinha as minhas razões em desconfiar das palavras de Ludgero Marques, proferidas aqui há uns anos, quando pretendia acabar com o tratamento de engenheiro nos círculos empresariais. O português-tipo não alinha em pragmatismos, gosta da - desculpem-me a grosseria - cagança. Põe sempre o parecer à frente do ser.
Talvez seja esta vacuidade mental que continua a dar lastro a futuros Marcelos Rebelos de Sousa. Convencidos e hipócritas.
Talvez seja esta vacuidade mental que continua a dar lastro a futuros Marcelos Rebelos de Sousa. Convencidos e hipócritas.
27 junho, 2011
Um buraco chamado Lisboa
Olhado de cima e visto em perspectiva, Portugal é como um bilhar snooker que descai sempre para um buraco chamado Lisboa, que absorve, bulímico, os recursos humanos e materiais do resto do país.
O problema não é novo. Quem leu a "Queda de um anjo", de Camilo, sabe que este maléfico magnetismo já era poderoso mesmo num século como o XIX onde o Porto liberal, invicto e vitorioso da Guerra Civil, viveu um dos períodos de maior esplendor da sua história.
Ao nacionalizar os grupos económicos que viviam à sombra da protecção do Estado Novo, o 25 de Abril abriu o espaço para a emergência, a Norte, de uma nova geração de empresários, de que Belmiro de Azevedo e Américo Amorim são as cabeças de proa, que mudaram a face do país.
O poder económico deslocou--se para Norte, onde uma impressionante multidão de PME produtoras de bens transaccionáveis salvaram, com as suas exportações, o país da bancarrota.
Os empresários do Norte não ficaram à espera das privatizações e aventuraram-se a criar os primeiros bancos privados (BPI e BCP) após a revolução, numa altura em que os velhos capitalistas ainda mantinham bens e famílias na Suíça e no Brasil.
Cavaco pôs um ponto final a esta fase de desenvolvimento harmonioso e liberal da economia do país ao usar o programa de privatizações para fazer renascer os grupos engordados à mesa do salazarismo. Nenhum analista político e económico honesto deixará de identificar a década cavaquista como o período em que os portugueses, anestesiados pela chuva torrencial de dinheiro vindo de Bruxelas, consentiram na construção de um estado ultracentralista e fecharam os olhos ao nascimento de dois monstros (o do défice e o da Função Pública).
Fernando Gomes foi o líder que capitalizou a nível político o poder económico da região, que já se deslocava para o buraco negro lisboeta. A proclamação pela UNESCO do Centro Histórico do Porto como Património da Humanidade, o metro do Porto, o Parque da Cidade, o Porto Capital Europeia da Cultura, a Casa da Música são as marcas deste período áureo da metrópole que, com o seu porto de Leixões e aeroporto Sá Carneiro, é a cabeça natural da mais empreendedora região do nosso país.
Apesar de ser o líder respeitado de uma região e de estar informado das desventuras na capital do fidalgo minhoto Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda (o herói da novela camiliana), Fernando Gomes não resistiu ao cântico das sereias lisboetas e na primeira oportunidade trocou a vista da Avenida dos Aliados pela do Terreiro do Paço, com o resultado conhecido (o suicídio político).
A contínua migração para Lisboa de líderes e massa cinzenta tem de deixar de ser uma fatalidade.
Para ressurgir, a Região Norte precisa de políticos que olhem para o Porto, Aveiro, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Bragança, Viseu, Guarda e Vila Real como pontos de chegada - e não como pontos de partida.
[Jorge Fiel/JN]
Nota de RoP:
Esta crónica já tem alguns dias, mas como os factos mostram, não perde na oportunidade. Nem irá perder, no futuro.
Razia idêntica à do fim dos anos de 1980
Estudo entregue à troika propõe fecho de 800 km de linha férrea
A concretizar-se, será uma razia idêntica à do fim dos anos de 1980, quando Portugal encerrou 800 quilómetros de linhas de caminho-de-ferro, sobretudo no Alentejo e em Trás-os-Montes. O Governo de José Sócrates propôs à troika o encerramento de 794 quilómetros de vias-férreas, também com particular incidência no Norte e no Alentejo, mas desta vez incluindo algumas linhas do litoral, como a própria Linha do Oeste, que seria encerrada entre Louriçal e Torres Vedras (127 quilómetros).
O estudo foi realizado, à revelia da Refer, por uma equipa conjunta do Ministério das Finanças e do Ministério das Obras Públicas e Transportes. E consolida o fim das linhas que até agora estavam encerradas "provisoriamente" à espera de obras de modernização (Corgo, Tâmega, Tua e troços Figueira da Foz-Pampilhosa e Guarda-Covilhã, num total de 192 quilómetros). Inclui também a Linha do Douro, entre Régua e Pocinho (68 quilómetros), a Linha do Leste entre Abrantes e Elvas (130 quilómetros), a Linha do Vouga (96 quilómetros), o ramal de Cáceres (65 quilómetros), a Linha do Alentejo entre Casa Branca e Ourique (116 quilómetros). Esta última deixaria Beja sem comboios, apesar de, neste momento, a CP estar a preparar uma oferta especial desta cidade aos Intercidades de Évora.
O documento foi apresentado à troika como uma medida eficaz de redução da despesa pública, uma vez que tem um forte impacto simultâneo nas contas da Refer e da CP. Na primeira empresa reduz custos de manutenção e de exploração e na segunda permite-lhe acabar com o serviço regional onde este é mais deficitário (embora nalgumas linhas a abater exista um significativo tráfego de mercadorias).
O impacto deste eventual encerramento deixa a rede ferroviária circunscrita basicamente ao eixo Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa, desaparecendo as restantes linhas, sendo amputadas outras.
O PÚBLICO apurou que a administração da Refer não subscreve esta visão sobre a ferrovia portuguesa e que tem em cima da mesa um documento de trabalho - ainda não terminado - com uma proposta de cortes mais modesta.
Nela se mantém o fecho das linhas já encerradas (com excepção da ligação Guarda-Covilhã) e se estuda o encerramento do ramal de Cáceres (Torres das Vargens-Marvão), a Linha do Vouga apenas entre Albergaria e Águeda (14 quilómetros) e a Linha do Alentejo entre Beja e Ourique (36 quilómetros). No total, são 240 quilómetros, contra os 800 preconizados no documento elaborado pela equipa mista das Obras Públicas e das Finanças do Governo anterior, liderado pelo PS.
Técnicos da Refer contactados pelo PÚBLICO dizem que esta é uma proposta "cega" e que ignora a importância das redundâncias do sistema. Por exemplo, a Linha do Oeste serve de alternativa à Linha do Norte e a do Alentejo à do Sul. O encerramento conjunto do ramal de Cáceres e da Linha do Leste privaria Portugal de qualquer ligação ferroviária a Espanha a sul de Vilar Formoso, aumentando a distância dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa a Madrid e à Estremadura espanhola.
No Douro, o encerramento da linha a jusante da Régua compromete o desenvolvimento turístico da região, que é património mundial. Paradoxalmente, o que os autarcas da região têm vindo a pedir é a reabertura do troço Pocinho-Barca de Alva para fins turísticos e para aproximar a região do mercado espanhol.
Outro paradoxo é a linha entre Guarda e Covilhã, na qual a Refer tem investido, nos últimos sete anos, dezenas de milhões de euros e onde decorrem presentemente investimentos de 7,7 milhões de euros para reparação de túneis. Este troço arrisca-se a não reabrir depois deste dinheiro gasto.
Já sobre a Linha do Oeste havia a promessa da sua modernização, dado tratar-se de uma linha que atravessa uma das regiões do país com maior densidade populacional, unindo um corredor que contém Torres Vedras, Caldas da Rainha, Marinha Grande, Leiria, Figueira da Foz e Coimbra. Um corredor, de resto, que tinha tanto potencial em termos de mobilidade que justificou a construção das auto-estradas números 8 e 17."Dizem que a crise é boa para mudarmos hábitos e mudarmos de paradigma. Uma dessas mudanças tem a ver com uma mobilidade mais amiga do ambiente, com o uso do transporte público e o fim do "deus automóvel", mas não é a fechar linhas que isso se consegue. Se se acaba com a infra-estrutura, o comboio, que já hoje é pouco relevante, terá no futuro uma quota ainda mais residual", queixava-se ao PÚBLICO um quadro da Refer que pediu o anonimato.
Se a Refer ficar aliviada destes 800 quilómetros de linhas, os seus quadros ficarão anda mais sobredimensionados, pelo que, em vez dos 500 despedimentos previstos (PÚBLICO, 14/4/2011), este número poderá chegar aos 800. O Governo actual poderá "comprar" este documento e fechar as linhas sem grandes dificuldades, alegando as imposições da troika e com a vantagem acrescida de o trabalho de casa já ter sido feito pelo anterior Governo socialista. Ou poderá mandar estudar tudo de novo, ou ainda aceitar como bom o estudo em curso na Refer.
O actual conselho de administração desta empresa pública (nomeado pelo Governo de Sócrates) termina o mandato no fim do ano, pelo que dificilmente o novo Governo o substituirá - caso contrário, teria de pagar chorudas indemnizações a administradores, em época de crise.
[No Público]
25 junho, 2011
A traição do mestre André
Depois das públicas juras de eterno amor de André Villas Boas ao FCPorto, e da abrupta - ou brutal, também serve -, fuga para o Chelsea do russo Abramovich, a nação portista foi célere e implacável a proferir a sentença: traidor! Foi a palavra mais lida. Quem tiver dúvidas da quase unanimidade da sentença, só tem que consultar a caixa de comentários da blogosfera portista e retirar as suas próprias conclusões. Eu não tenho.
Também eu me incluo nesse respeitável grupo de enganados e repudio a tese daqueles que procurando dar-se ares de tolerantes, ou se quiserem, de gente esperta e muito realista, não hesitam em nos assegurar de que qualquer um, no lugar do André tomaria a mesma decisão que ele tomou.
Se há coisa que pessoalmente não me falta é o cepticismo. Cepticismo assente no realismo, mas mesmo assim cepticismo, de facto. Por isso, também compreendo aqueles que já não acreditam que haja no planeta alguém capaz de um acto de grande nobreza. Na realidade, as coisas caminham mais nesse sentido do que no sentido contrário, e este exemplo de André Villas Boas vai contribuir, e muito, para aumentar a lista dos cépticos sobre o carácter humano.
As questões de carácter são impossíveis de dissociar das coisas mais simples da nossa vida. É o carácter que nos serve de freio aos instintos mais perversos, e é o refinamento da consciência entre o que é correcto e incorrecto que o consolida. Por isso, os portistas se sentem enganados. Sentem-se quase tão traídos por Villas Boas, como se de uma traição conjugal se tratasse. E por quê? Porque Villas Boas se identificou com eles, afirmou muitas vezes o seu portismo, nasceu no Porto e conhece, como eles, o que significa o FCPorto, sobretudo no contexto actual, onde à excepção de Pinto da Costa, a cidade vive orfã de líderes que a saibam defender. Villas Boas fez questão de se afirmar não apenas como mais um treinador, mas como um treinador portista.
Ora, no futebol, como em quase tudo, de resto, não se pode querer estar no melhor de dois mundos sem se perceber que o mais certo é termos de abandonar um deles. Foi o que aconteceu. Villas Boas era portista, teve sucesso, mas foi incapaz de continuar a colaborar com o seu clube apenas por mais uma época, quando tudo já estava planeado por si e para si. Um treinador confiante e adepto, só teria a ganhar se aceitasse cumprir o que tinha prometido, e ficasse. Mesmo não ganhando tudo o que ganhou na época que passou [isso seria quase impossível], ia ter a mesma equipa reforçada com novos e talentosos elementos, e as mesmas condições para vencer, e se calhar até reforçar o seu prestígio internacional com óbvias vantagens financeiras, quer para si, quer para o clube da cadeira de sonho...
Assim, a decisão que tomou pode dar ensejo a duas interpretações. A mais imediata: ao oportunismo e à desconsideração face ao afecto que angariou junto dos adeptos. A interpretação futura [a confirmar]: arriscar sair do Chelsea sem sucesso, mas com os bolsos cheios de dinheiro. Desportivamente, Mourinho, não foi capaz de ganhar no Chelsea, num clube que lhe deu os jogadores que quis [caríssimos] tanto como ganhou no FCPorto, e acabou despedido por Abramovich [isto são só louros para Pinto da Costa]. Será Villas Boas homem para se reafirmar em Londres? O tempo o dirá.
Assim, a decisão que tomou pode dar ensejo a duas interpretações. A mais imediata: ao oportunismo e à desconsideração face ao afecto que angariou junto dos adeptos. A interpretação futura [a confirmar]: arriscar sair do Chelsea sem sucesso, mas com os bolsos cheios de dinheiro. Desportivamente, Mourinho, não foi capaz de ganhar no Chelsea, num clube que lhe deu os jogadores que quis [caríssimos] tanto como ganhou no FCPorto, e acabou despedido por Abramovich [isto são só louros para Pinto da Costa]. Será Villas Boas homem para se reafirmar em Londres? O tempo o dirá.
Como quer que seja, por muitos méritos que um homem tenha, há um que nenhuma montanha de petrodólares permite acrescentar, quando não existe: o carácter. Mesmo que se mantenha curta a memória do povo.
Lembram-se do jogador peseteiro, não lembram? Eu também. Chama-se: Luís Figo. Terá ele carácter? Eu acho que não, que o que tem mais é dinheiro. Mas também sei que se está a marimbar para a minha opinião. Que o dinheiro é o mais poderoso travesti do carácter dos homens, isso também eu sei. É a vida, dirão os mais conformistas. Mas o curioso, é que há sempre um momento em que até os mais afortunados gostam de evocar as questões de carácter. Será o peso da consciência?
Lembram-se do jogador peseteiro, não lembram? Eu também. Chama-se: Luís Figo. Terá ele carácter? Eu acho que não, que o que tem mais é dinheiro. Mas também sei que se está a marimbar para a minha opinião. Que o dinheiro é o mais poderoso travesti do carácter dos homens, isso também eu sei. É a vida, dirão os mais conformistas. Mas o curioso, é que há sempre um momento em que até os mais afortunados gostam de evocar as questões de carácter. Será o peso da consciência?
23 junho, 2011
Um "esquecimento" habitual
Não tenho sido eleitor fixo em nenhum dos partidos políticos. Voto naquele que, em dado momento, me parece o mais próximo dos meus ideais. Também me acontece não votar, por descrédito de todos eles.
Desta vez, acolhi com alegria a derrota da quadrilha de malfeitores socráticos que nos governou durante demasiado tempo. Demasiado tempo porque foram eles que deram o poderoso impulso final para o buraco em que o país está (atenção, buraco que outros começaram, aqui não há inocentes...) e que conseguiram criar aquele ambiente tóxico e malsão que envolvia a política nacional, testemunhado por todos aqueles que não andam a dormir e que pensam pela sua própria cabeça.
Um novo governo foi empossado, com promessa de arrepio dos caminhos tortuosos que a política seguia. Parte dos portugueses acreditará nas promessas, outros não, outros ainda ficarão pelo wait and see.
Pessoalmente, uma coisa deixa-me de pé atrás em tudo o que o novo governo proclama. É que não há uma única menção a condenar o centralismo exacerbado em que este país está mergulhado há demasiados anos. Não vi manifestada uma única intenção de eliminar da Constituição os preceitos que fazem com que a Assembleia da República não seja representativa de coisa nenhuma, a não ser das máquinas partidárias que a dominam a seu bel-prazer e que se borrifam nos eleitores a partir do momento em que eles depositam o "papelinho" nas urnas. Também os preceitos constitucionais que limitam a liberdade da criação de partidos de cariz regional, são indignos de uma democracia e no entanto tudo indica que irão manter-se. A criação de um verdadeiro poder intermediário entre o Estado central e os municípios, com a respectiva autonomia financeira, é considerada brincadeira de rapazes e afastada com um simples gesto que significa " agora não, não chateiem porque não temos tempo para brincadeiras". Aliás nunca é tempo para discutir a sério a Regionalização, há sempre um "poderoso" motivo que impõe o seu adiamento.
Deste modo, infelizmente, este governo parece ser mais do mesmo, ao não reconhecer o impulso que as autonomias regionais dariam a este país. Ou então, se o reconhece, dá precedência à conservação do poder total - diria mesmo ditatorial- que o actual sistema partidário ( partidos e respectivas clientelas) guarda ciosamente nas suas mãos.
Desiludido, eu? Não, apenas mais convencido que o fim do centralismo nunca será um fenómeno endógeno e que deste modo a sua permanência parece assegurada. Desgostoso apenas pela apatia bovina dos meus concidadãos que permite a manutenção do status quo.
21 junho, 2011
Vítor Pereira é o novo treinador dos “dragões”
Vítor Pereira é o novo treinador do FC Porto, tendo assinado um contrato válido por duas épocas, iniciando funções de imediato.
O presidente Pinto da Costa fará o anúncio oficial às 18:00, em conferência de imprensa no Estádio do Dragão.
Paralelamente, já foi depositado o montante relativo à cláusula de rescisão do contrato de trabalho de André Villas-Boas.
[fonte: O JOGO]
O presidente Pinto da Costa fará o anúncio oficial às 18:00, em conferência de imprensa no Estádio do Dragão.
Paralelamente, já foi depositado o montante relativo à cláusula de rescisão do contrato de trabalho de André Villas-Boas.
[fonte: O JOGO]
No FCPorto, o «special one» é: Pinto da Costa. O resto, é efémero.
| Pinto da Costa |
F. C. Porto confirmou rescisão "sem justa causa" de André Villas-Boas. Ler o resto da notícia, aqui.
Muita água ainda vai correr debaixo das pontes em torno das contratações relâmpago de treinadores ou jogadores que, ao arrepio da ética, decidam dar o salto para o clube que lhes acenar com o maço de notas mais gordo.
Não tardará muito, até que os papeis se invertam e sejam os treinadores a chamarem à baila as questões de ética, ou de incumprimentos contratuais da parte dos clubes, quando acharem haver motivos para tal. Aliás, em muitos clubes, isso é recorrente, apesar de no FCPorto, tal ser raríssimo acontecer. Aguardemos pois, mantendo bem viva a memória...
É claro que a ruptura inesperada de Villas Boas não deve ser vista como uma catástrofe, mas não pode deixar de ser analisada sem considerar as consequências que poderá ter para a preparação da próxima época, com as inerentes contratações e dispensas de jogadores. A saída polémica de José Mourinho só não teve consequências mais graves porque o FCPorto tem a comandá-lo um homem como Pinto da Costa, um Presidente que é líder, um estratega como não há igual no mundo do futebol. Esse, é o grande trunfo do FCPorto, o grande, o verdadeiro «special one» é: Pinto da Costa. Mas, como qualquer líder que se preze, precisa de tempo para se reorganizar, sobretudo depois desse tempo ter sido queimado pela fuga incontrolável de gente demasiado ambiciosa, como foi Mourinho e agora é Villas Boas. Pinto da Costa é competente, não é bruxo. Por isso, quando Mourinho fugiu [o termo é esse] não pôde preparar-se convenientemente para a época seguinte, e o resultado foi a perda desse campeonato.
Dir-me-ão: ninguém é insubstituível. Está bem. Mas, se perguntarmos à grande maioria dos portistas se querem ver Pinto da Costa substituído nos próximos tempos, é fácil adivinhar a resposta. Se Mourinhos e Villas Boas não se encontram aos pontapés, Pintos da Costa nem com um telescópio. Além de que, foi através de um FCPorto superiormente gerido por PC, que estes, e outros treinadores, se projectaram no palco do futebol mundial, e em mais nenhum outro clube. Essa medalha, essa honra, é pertença exclusiva de um grupo homogéneo: Pinto da Costa, directores, equipa de treinadores e jogadores. De mais ninguém.
Por esta altura, o chinfrim que as televisões e os jornais estão a fazer com a milionária contratação de Villas Boas pelo Chelsea de Abramovich, devia naturalmente incidir sobre a fantástica capacidade do FCPorto multiplicar rapidamente os seus activos, valorizando extraordinariamente jogadores e treinadores, coisa que nenhum outro clube nacional sabe fazer com a mesma eficiência e regularidade . Mas não, o líder Pinto da Costa nunca será elogiado em tempo útil e sem reticências pelos media centralistas, porque para eles representa o espelho do fracasso dos clubes do regime e ele... nunca abandonará o FCPorto! Por isso, num país com resquícios ditatoriais como este, jamais terá boa imprensa.
Do sangue azul de Villas Boas, resta agora um tom mais prosaico, quase avermelhado... e os inimigos do FCPorto agradecem-lhe. Não tarda muito, vão ver, de miúdo inexperiente, vai passar a treinador fantástico. Outro, «special qualquer coisa».
20 junho, 2011
É o mercado, ó burro! Pois é. Mas, ó André, eu não gostei.
Sem dó nem piedade, o JN que, nos últimos anos não se tem propriamente distinguido pela fidelidade às raízes que lhe deram vida, rodeou a imagem de André Villas Boas de balões de texto com declarações recentes do [até esta hora, que sei eu?] ainda técnico do FCPorto, que rezavam assim:
- O FCPorto está presente em mim desde muito cedo, desde que tenho memória
- Cresci adepto do FCPorto e vivi o clube das mais variadas formas
- Estou sentado na minha cadeira de sonho e não abdico dela por nada
- Já fui membro dos Super Dragões
- O meu futuro está completamente ligado ao FCPorto
Depois, com cruel sadismo rematou este título: "André é o último brinquedo de Roman"
Sei bem, que nos tempos que correm é cada vez mais difícil investir no carácter das pessoas. Também sei, a inutilidade que é, a profusão de pareceres que por aí vemos, sobre as causas da crise, quando na origem de todas elas há uma só explicação: o capitalismo. E que por detrás do capitalismo, existem pessoas, especuladores e banqueiros - todos elas com nome próprio -, que deviam ser responsabilizadas pela crise, mas que, pelo contrário, surgem [FMI] aos olhos do povo como salvadoras da pátria. Contudo, tem de haver limites.
A ser verdade, repito, a ser verdade, que André Villas Boas vai mesmo para o Chelsea, e que a cláusula de rescisão de 15 Milhões de euros, foi, ou irá ser paga ao FCPorto, uma única ilação daqui se pode extrair: o dinheiro reduz a pó o carácter de algumas pessoas, o que pode querer significar que não é sensato fazerem-se promessas de amor ao clube, como fez o André, sem antes pesar muito bem o preço do carácter e de prever a força dominante do dinheiro dos magnatas mundiais. Eles existem, estão atentos às mercadorias, e quem como André Villas Boas, acabou de fazer uma época notável à frente do FCPorto, devia sabê-lo e, por conseguinte, poupar-se a sentimentalismos clubístas, do modo apaixonado como o fez.
Assim sendo, no futuro, qualquer treinador que tenha o mesmo tipo de declarações, poderá criar um sentimento de desconfiança nos adeptos sem retorno, o que me parece dispensável, já que, ninguém pode prever o futuro... Se a saída extemporânea de José Mourinho - que tanto chocou os portistas -, se tolera, tendo em conta o facto de ele não ser portista, a de André Villas Boas já custa muito a digerir [pelo menos a mim], depois de ele se ter comprometido a ficar mais uma época no FCPorto.
O clube, precisa de fazer receitas, todos sabemos disso. Mas, é preciso não esquecer o papel afectivo dos adeptos, que face a estes golpes de teatro podem sentir-se traídos e decepcionados. Não é o fim do mundo, o clube saberá contornar o desfalque, mas será sem dúvida muito mais difícil e arriscado reprogramar a época que se avizinha. Depois, o campeonato é uma prova de resistência, com altos e baixos. Caso na próxima época acontecam momentos mais baixos que altos, é bem possível que venha a ser solicitado o apoio dos adeptos pelo futuro treinador, e aí, não se poderá levar a mal se os sócios decidirem devolver o pedido de apoio ao remetente, ou então, aos cofres do Roman Abramovich...
17 junho, 2011
Oeiras
Numa carta de 1890, escrevia Eça de Queirós: «Um país, no fundo, é sempre uma coisa muito pequena: compõe-se de um grupo de homens de letras, homens de estado, homens de negócio, e homens de clube, que vivem de frequentar o centro da capital. O resto é paisagem (...)» E adiantava: «A direcção de um país é dada justamente por essa minoria da capital.»
Este ano de ouro, prata, cristal, diamante, safira, pão de ló e vinho do Porto (que para mim são jóias) com que o FCP nos brindou, não podia deixar de ser rematado com mais uma imposição da minoria da capital: a final da Taça teria, em nome dos cânones do Estado Novo (que, em matéria de colonização das províncias, está cada vez mais presente), de ser disputado no Wembley de trazer por casa, no «altar da Pátria» (como ouvi a um exaltado centralista): o Estádio mussoliniano de Oeiras, chamado - pelos patriotas de Sacavém - «Nacional».
Um velho pescador da Ilha do Pico ensinou-me máxima adequada aos tempos que correm: «Não acredito em nada daquilo que ouço e só acredito em metade daquilo que vejo». Talvez por isso, estou sempre de pé atrás, desconfiado, em relação aos ventos que nos vêm, não de Espanha, mas do Terreiro do Paço. Dali, como nos últimos 30 anos, vem asneira de quem não percebe nada do país e trata dos seus interesses e dos dos «homens do clube» - os centralistas militantes. Olhando a Taça de Portugal, vemos um lindo serviço: 64 finais foram disputadas na Capital e 4 no Porto! A primeira, no Campo das Salésias (em 1939), do Belenenses, que alternou, até 1946, com os estádios do Sporting. A partir daqui, o salazarismo impôs «urbi et orbi» o santuário do regime, em Oeiras. Mesmo assim, em golpe de compaixão pela província, aceitaram, em 09.07.61, a final nas Antas. Ou se distraíram, ou sofreram crise de inteligência, porque o jogo era Porto-Leixões.
Com os três Dês do 25 de Abril (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver – que são a essência da descentralização), as coisas mudaram. Em 12.06.76, jogaram, nas Antas, Boavista e Guimarães, em 18.05.77, Porto e Braga. Havia esperança. Mas foi sol de pouca dura. Em 21.08.83, ainda aqui se disputou a final Porto-Benfica (que milagre! – a capital deslocou-se ao Porto). A partir daí, esqueceram-se os Dês e como, provavelmente, o país está mais centralizado do que em monarquia, república e ditadura, as finais voltaram ao Wembley de Oeiras, que está para um estádio digno do séc. XXI como um carro de bois para o último Airbus.
Enfim, obrigar, em época de crise e quase bancarrota, milhares de flavienses, vimaranenses (no ano passado e neste) e portistas a consumirem recursos para se deslocarem a Oeiras, não lembra ao diabo. Que tristeza: além de gastador, temos o centralismo mais estúpido da Europa! Glória ao FCP por ter conquistado mais uma, e hurra! pelo Vitória, que foi à final jogar futebol e tentar ganhar (e não para impedir o adversário de jogar, como sucedeu em Dublin). Glória, sim, porque as vitórias portistas são da cidade contra o Terreiro do Paço. Do país contra o anti-país.
[Hélder Pacheco / Semanário Grande Porto]
Comentário do RoP
Ao mesmo tempo que funcionários públicos da RTP, em desespero de causa,vergam e ajoelham submissos aos pés do centralismo, com notório medo de perderem o emprego, no Porto, há ainda alguns resistentes dispostos a manter intacta a génese tripeira. Um desses velhos resistentes, chama-se: Hélder Pacheco, o autor da belíssima crónica aqui publicada. Só mesmo alguém profundamente ligado ao Porto, pode descrever tão bem o pulsar da nossa cidade. Lê-lo, provoca-nos sentimentos difusos. Tanto podemos sorrir intimamente, como conter algumas lágrimas de alegria, tantas são as afinidades e os sentimentos que o autor nos desperta. O Porto, é o Douro, é o granito, o azul intenso do céu, a bruma da ribeira, mas também... pessoas como ele.
O contraste entre portuenses desta solidez, desta estirpe [Germano Silva, é outro], e outros residentes ocasionais que por cá fazem vida, e por aqui deixaram prole, sem nunca se fundirem com a cidade, é mais do que flagrante, é um antípoda.
Enquanto os paus mandados da RTP*, aproveitam a silly season para causticarem a reputação do FCPorto, inventando tudo o que é notícia feia, para colar ao único baluarte da resistência nortenha, há Homens que continuam a investir no carácter das coisas, sem aderirem à ditadura das verdades lisbonárias.
Se por acaso me leres, Hélder, fica ciente que estou contigo. E com todos aqueles que rejeitam a domesticação do intelecto. Mais do que liberal, o Porto tem de ser uma cidade LIVRE! Nem que para isso seja preciso recorrer às armas.
*Não sou muito tolerante com os fracos, mas por vezes, causa-me dó ver o rosto constrangido de alguns empregaditos públicos, do tipo caniche, lambe-botas, transmitirem notícias carregadas de venêno, que lhes foram encomendadas pelos chefes. Ai, crise, crise, a quanto obrigas.
16 junho, 2011
A RTP odeia o FCPorto, já nem finge...
É um facto, que dispensa o contraditório, que a blogosfera teve [e continua a ter] o grande mérito de permitir a imensos cidadãos, expressarem as suas opiniões sobre o mais variado tipo de assuntos, de forma muita mais democrática e livre, do que qualquer órgão de comunicação social. A web, através dos sites, blogues e redes socias, é sem dúvida uma ferramenta preciosa para as populações que nela encontram a janela de liberdade que jornais e televisões apenas reservam a uns quantos, e mesmo assim, obedecendo a um sofisticado crivo de censura a que eufemisticamente chamam, critérios editoriais.
Apesar disso, a Net ainda não entra na casa de muitos portugueses, sendo o grupo etário dos mais idosos, aquele que menos familiaridade tem com o uso das novas tecnologias, independentemente dos recursos materiais de cada um. Não sei se existem dados fiáveis sobre esta realidade, mas a percentagem de pessoas sem acesso à Net deve ser ainda muito elevada. Suponho que esta situação pode explicar, em parte, a leviandade com que alguns media continuam a fazer notícia, dando prioridade às audiências, em prejuízo da qualidade informativa que, por respeito ao público deviam sempre preservar.
Este assunto da Comunicação, é a par da Justiça, aquele que mais me preocupa enquanto cidadão, e que mais gosto tenho em abordar. E, por quê? Porque não tenho dúvidas em afirmar que na génese de muitos problemas do país - alguns até, que acabam, desnecessariamente, nos tribunais -, está um péssimo trabalho jornalístico. Ressalvando aqueles casos pontuais, muito respeitáveis, onde certos jornalistas arriscam a vida em plenos palcos de guerra para desenvolver o seu trabalho, o jornalismo de estúdio contém uma componente excessiva de sensacionalismo, não raras vezes, distorcida da realidade.
Continuo na minha, sem perceber o papel efectivo das entidades reguladoras para a comunicação, que, com tanto trabalho sério por fazer, resumem a sua actividade a casos irrelevantes e praticamente não se fazem ouvir. Quem é, afinal, que decide sobre o destino a dar aos organismos [há imensos] reguladores quando estes são ineficientes? O Governo? E se o Governo segue o mesmo caminho? Quem tem legitimidade para obrigar o Governo a cumprir o seu dever? O Povo, seu representado? Quando, e em que condições? Cada quatro anos, nas eleições? Pois, meus caros, são estas "normalidades" que estão a transformar a Democracia numa caricatura, e a contribuir para, pouco a pouco, moralizar os amigos do antigo regime. Estranhamente, não vejo estes temas serem tratados com a frequência desejável, noutros espaços de cidadania, mesmo que extrapolando o âmbito específico da respectiva linhagem. Por que será?
Foi por, pela enésima vez, ter assistido a mais um lamentável acto de mau jornalismo que voltei a este tema. Hoje, a RTP, sim a estação do Estado, aquela que devia representar-nos, sem arbitrariedade, voltou logo pela manhã a dar destaque a um não assunto, retomando a história de um suposto jantar de Pinto da Costa com os árbitros [quem mais havia de ser] que apitaram o jogo do FCP com o Villareal para a Liga Europa, mesmo depois de este ter desmentido veementemente o rumor e de indicar testemunhas.
Estes métodos pidescos seguidos pela RTP, são recorrentes e, continua a não haver uma entidade, ou personalidade, que se digne vir a público pôr fim a esta pouca vergonha, antes que as consequências degenerem para a violência. O Presidente da República, faz como o macaco: não vê, não lê, nem ouve. O Procurador da República, também não. De que estão estes cavalheiros à espera para actuarem? Quanto mais não fosse, uma palavra, um simples apelo à moderação, sempre podia servir de travão a estes constantes impulsos de ódio por parte da Direcção da RTP, cujo comportamento se assemelha em muito à máquina de propaganda nazi.
Estes métodos pidescos seguidos pela RTP, são recorrentes e, continua a não haver uma entidade, ou personalidade, que se digne vir a público pôr fim a esta pouca vergonha, antes que as consequências degenerem para a violência. O Presidente da República, faz como o macaco: não vê, não lê, nem ouve. O Procurador da República, também não. De que estão estes cavalheiros à espera para actuarem? Quanto mais não fosse, uma palavra, um simples apelo à moderação, sempre podia servir de travão a estes constantes impulsos de ódio por parte da Direcção da RTP, cujo comportamento se assemelha em muito à máquina de propaganda nazi.
Era nestes momentos que gostava de me encontrar cara a cara com algumas figuras públicas para lhes perguntar se em casa não vêm televisão, e se é com base nestes repugnantes exemplos de mau jornalismo que defendem a manutenção da RTP no Estado, por [cito] garantirem qualidade ao serviço público.
Decididamente, desprezo estes políticos. Querem o meu voto? Está bem, tê-lo-ão. Mas primeiro, e se ainda forem a tempo de se regenerarem, aprendam a ser sérios, e a seguir, competentes. Depois, conversamos.
Nota do autor:
Não sou responsável pela eleição de nenhuma das actuais figuras públicas nacionais, incluindo o Presidente da República. Nem do governo do Sócrates. É só para não ter de ouvir que a responsabilidade pelos maus governos é de todos nós... Minha, não é!
Decididamente, desprezo estes políticos. Querem o meu voto? Está bem, tê-lo-ão. Mas primeiro, e se ainda forem a tempo de se regenerarem, aprendam a ser sérios, e a seguir, competentes. Depois, conversamos.
Nota do autor:
Não sou responsável pela eleição de nenhuma das actuais figuras públicas nacionais, incluindo o Presidente da República. Nem do governo do Sócrates. É só para não ter de ouvir que a responsabilidade pelos maus governos é de todos nós... Minha, não é!
15 junho, 2011
Um mero detalhe, uma casualidade...
Pinto da Costa lidera votação para CEO de 2010
Pinto da Costa lidera a votação dos leitores do "Económico.pt" para a eleição do CEO do ano 2010, em todas as categorias, nas empresas da bolsa com cotação no Eurolist. Seja na estratégia, liderança, responsabilidade social, comunicação, energia e resultados obtidos, o presidente do FC Porto é o preferido de mais de três mil votantes. Pinto da Costa está mesmo à frente de nomes consagrados da economia portuguesa, como Belmiro de Azevedo (Sonae), Zeinal Bava (PT), ou Pedro Soares dos Santos (Jerónimo Martins).
Aliás, a lista inclui outros concorrentes que exercem a sua actividade no futebol como Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, e José Eduardo Bettencourt, ex-presidente do Sporting, que também aqui não conseguem concorrer com Pinto da Costa, cuja gestão no FC Porto dura há 27 anos. A votação está aberta até 24 de Junho e os resultados serão publicados no Diário Económico até ao final do mês de Julho.
O Norte não é nada, Lisboa "é" Portugal...
Como receava, o Movimento Pró Partido do Norte não conseguiu obter os resultados que os maus tratos centralistas infligidos à região, fariam prever. Não sendo especialista em coisa nenhuma, e muito menos em análises sócio-políticas, tenho a minha opinião sobre o assunto, tão credível como a de qualquer opinador encartado, mas bem mais barata. Neste espaço, as opiniões são gratuitas, não oneram o Estado, nem a dramática dívida com o FMI. A consciência não me pesa, portanto.
Uma opinião, é uma opinião, não tem poder decisório, e é apenas como opinião que deve ser avaliada. Como tal, resumo em poucas palavras o aparente insucesso eleitoral do MPPNorte: baixos recursos financeiros, consequente fraca propaganda, e total desinteresse dos media. De destacar, a coragem de Pedro Baptista que, em clara desvantagem competitiva, deu a cara pelo Movimento e ousou fazer o que muitos apenas ousam dizer. Aqui, há já uma grande diferença. Avançou, pegando na bandeira da Regionalização, que outros usam oportunísticamente para logo a arrear, mal expira o prazo de serventia eleitoral. Paradoxalmente, foi para outros partidos, para aqueles que há muitos anos nos desgovernam e prometem sem depois cumprir, que os eleitores decidiram confiar o futuro do país. Contra estas maiorias masoquistas, pouco há a fazer. A "democracia" conservadora aprecia e agradece estas patologias populares.
Curioso, é haver tanto regionalista "convicto" e tão poucos a fazer algo para que a Regionalização aconteça. O MPPartido do Norte, apesar dos recursos limitados, convocou algumas reuniões abertas ao público a explicar o que se propunha, e só agora aparecem [ler aqui], um pouco por todo o lado, alguns a dissertar sobre as causas da sua baixa votação. Ora, alegam que foi por causa do nome "Norte", ora porque é elitista, ora porque promove o separatismo, enfim, não faltam razões. Depois, convertem a insensibilidade com as desfeitas do governo central ao Norte, numa ternurenta solidariedade com Lisboa, como se a capital e os seus habitantes, não fosse a região do país mais beneficiada, tanto em recursos comunitários, como pela dependência do Estado, como pela drenagem [desvios] de fundos europeus destinados ao Norte. A tendência, invariavelmente, é para fraccionar o país à velocidade dos argumentos, até à exaustão. O Norte, não é nada para eles. Por quê o Norte, se há o Sul o Centro e o Interior? Preocupante e injusto, para eles [ler aqui], não é as SCUT's estarem a ser pagas exclusivamente a Norte, são os custos elevadíssimos da centralidade dos lisboetas, esquecendo que é ali onde os ordenados são mais elevados.
Resumindo, esgotam-se em pretextos pueris para nos convencerem do bicho-papão da Regionalização, fazendo da argumentação política verdadeiras aulas de ficção gramatical, chatas, presunçosas e pouco convincentes. Apesar disso, pelo sim, pelo não, deixam no ar uma imagem de regionalistas empenhados, sem contudo se atreverem a lutar por isso. Lisboa divide, é parte integrante de Portugal, é a capital. O Norte defende-se, por estar a ser discriminado, e é separatista! Com noções tão distorcidas da realidade, temos sérias razões para acreditar que alguns centralistas vivem a Norte, embora possam não ser nortenhos.
Uma opinião, é uma opinião, não tem poder decisório, e é apenas como opinião que deve ser avaliada. Como tal, resumo em poucas palavras o aparente insucesso eleitoral do MPPNorte: baixos recursos financeiros, consequente fraca propaganda, e total desinteresse dos media. De destacar, a coragem de Pedro Baptista que, em clara desvantagem competitiva, deu a cara pelo Movimento e ousou fazer o que muitos apenas ousam dizer. Aqui, há já uma grande diferença. Avançou, pegando na bandeira da Regionalização, que outros usam oportunísticamente para logo a arrear, mal expira o prazo de serventia eleitoral. Paradoxalmente, foi para outros partidos, para aqueles que há muitos anos nos desgovernam e prometem sem depois cumprir, que os eleitores decidiram confiar o futuro do país. Contra estas maiorias masoquistas, pouco há a fazer. A "democracia" conservadora aprecia e agradece estas patologias populares.
Curioso, é haver tanto regionalista "convicto" e tão poucos a fazer algo para que a Regionalização aconteça. O MPPartido do Norte, apesar dos recursos limitados, convocou algumas reuniões abertas ao público a explicar o que se propunha, e só agora aparecem [ler aqui], um pouco por todo o lado, alguns a dissertar sobre as causas da sua baixa votação. Ora, alegam que foi por causa do nome "Norte", ora porque é elitista, ora porque promove o separatismo, enfim, não faltam razões. Depois, convertem a insensibilidade com as desfeitas do governo central ao Norte, numa ternurenta solidariedade com Lisboa, como se a capital e os seus habitantes, não fosse a região do país mais beneficiada, tanto em recursos comunitários, como pela dependência do Estado, como pela drenagem [desvios] de fundos europeus destinados ao Norte. A tendência, invariavelmente, é para fraccionar o país à velocidade dos argumentos, até à exaustão. O Norte, não é nada para eles. Por quê o Norte, se há o Sul o Centro e o Interior? Preocupante e injusto, para eles [ler aqui], não é as SCUT's estarem a ser pagas exclusivamente a Norte, são os custos elevadíssimos da centralidade dos lisboetas, esquecendo que é ali onde os ordenados são mais elevados.
Resumindo, esgotam-se em pretextos pueris para nos convencerem do bicho-papão da Regionalização, fazendo da argumentação política verdadeiras aulas de ficção gramatical, chatas, presunçosas e pouco convincentes. Apesar disso, pelo sim, pelo não, deixam no ar uma imagem de regionalistas empenhados, sem contudo se atreverem a lutar por isso. Lisboa divide, é parte integrante de Portugal, é a capital. O Norte defende-se, por estar a ser discriminado, e é separatista! Com noções tão distorcidas da realidade, temos sérias razões para acreditar que alguns centralistas vivem a Norte, embora possam não ser nortenhos.
13 junho, 2011
O Norte não tem elites. Teve
![]() |
| Terreiro do Paço, símbolo do centralismo apátrida |
Muito se tem escrito sobre as elites do Norte e do contributo que, por cobardia ou simples oportunismo, deram para o agravamento das políticas centralistas levadas a cabo pelos governos, alternados por PS e PSD/CDS.
Como diz o povo, quem cala, consente. Foi praticamente em silêncio, ou apenas com tímidos sinais de desagrado, que as elites locais seguiram as políticas de autêntica terra-queimada contra o Norte, levadas a cabo todos estes anos [e já lá vão muitos], por governantes irresponsáveis cujas consequências ultrapassam a própria crise económico-financeira.
Como diz o povo, quem cala, consente. Foi praticamente em silêncio, ou apenas com tímidos sinais de desagrado, que as elites locais seguiram as políticas de autêntica terra-queimada contra o Norte, levadas a cabo todos estes anos [e já lá vão muitos], por governantes irresponsáveis cujas consequências ultrapassam a própria crise económico-financeira.
Foram os governos mais recentes, através dos seus multi-facetados canais de propaganda e de práticas políticas hiper-centralizadas, que tudo fizeram para criar nos nortenhos um sentimento de discriminação ainda mal assimilado. O feed-back das redes sociais, deste blogue e da própria comunicação social, dizem-me que, por enquanto, é mais no campo clubístico, no desporto, e no futebol em particular, que os nortenhos sentem essa discriminação negativa por parte do Terreiro do Paço.
Infelizmente para o Norte, as massas ainda estão muito afastadas da política e as elites da região, de elites, só têm o nome. Nos tempos que correm, é um perfeito anacronismo continuar a falar-se em elites, e ao mesmo tempo um revés para a Democracia, se pensarmos que as elites eram mais empreendedoras e politicamente mais interventivas, durante a ditadura. O Porto, em Democracia, perdeu quase tudo e pouco ou nada ganhou. A excepção, diga-se, é curiosamente, a instituição que mais tem sido atacada pelo centralismo, e que tem saber e coragem para lhe bater o pé: o FCPorto... O slogan usado por Pinto da Costa, contra tudo e contra todos, nunca foi tão premente como agora.
Bastaria lembrarmo-nos também da quantidade de organismos que, a partir do 25 de Abril de 1974, ou desapareceram, ou foram "desviados" para Lisboa. Isto, é um ultraje, tanto para a própria Democracia, como para as ditas "elites" locais, que abdicaram de reinvindicar politicamente, por obediência a lógicas seguidistas similares às dos políticos nortenhos, que uma vez chegados ao poder, foram incapazes de impor uma política de governação desconcentrada.
Hoje, Rafael Barbosa do JN, descreveu, e muito bem, mais um ataque desavergonhado ao Norte, a todo ele, "elites" incluídas... Dos 600 milhões de euros disponíveis da UE para financiar a linha do TGV, entretanto renegociados, por efeito da troika, não vai haver nada para a Metro do Porto. Nem tão pouco se sabe para onde vão esses milhões.
E, como disse o cronista, provavelmente, nunca o saberemos. Chama-se a isto, transparência, coisa de que todos os políticos gostam de falar, mas que abominam colocar em prática.
E, como disse o cronista, provavelmente, nunca o saberemos. Chama-se a isto, transparência, coisa de que todos os políticos gostam de falar, mas que abominam colocar em prática.
10 junho, 2011
Cavaquices
O senhor Cavaco Silva [que heresia tratar uma Exª, por senhor], que ainda hoje deve acordar a perguntar-se como foi possível chegar a Presidente da República, tem, para além dessa íntima angústia, legítimas razões para andar com a auto-estima em alta. Apesar da crise estar finalmente assumida, só um homem com a auto-estima hiper-valorizada é que pode estar - como ele está -,convencido da relevância da sua oratória.
Há poucos anos atrás, num encontro com emigrantes -já não sei bem onde -, o nosso altivo Presidente lembrou-se de lhes "passar a mão pelo pêlo", dizendo-lhes que sentia por eles um enorme orgulho. Mal ouvi estas palavras pensei imediatamente no que lhe diria [se pudesse], caso estivesse no lugar dos adulados emigrantes, mas como não estava [e ainda bem para o Sr.Presidente], a reacção foi pacífica, como é normal, quando se recebe assim de supetão um piropo. Teve sorte Cavaco, por não ter aparecido alguém a fazê-lo olhar bem para a realidade e a ponderar melhor no que acabava de dizer. Isto, porque, salvo raras situações, ninguém emigra por emigrar. Quem o faz, fá-lo quase sempre pelas piores razões, quando, por exemplo, no seu país de origem, o presente é demasiado sombrio para perspectivar o futuro e se esgotou a esperança de poder sustentar a família.
É lamentável que a alguém com a importância de um Chefe de Estado, não ocorra pensar que ao elogiar os emigrantes está implicitamente a elogiar a emigração, e que isso não é propriamente lisonjeiro, não só para ele, como para os governantes do pais. Aos que emigram, só as famílias e os amigos têm legitimidade para louvar a coragem de partir, não a quem tinha o dever de o evitar. E a um Presidente da República só faria nexo manifestar orgulho, se, e quando, o país tivesse conseguido baixar os crescentes níveis de emigração, não o contrário!
Ontem, para não variar, ouvi Cavaco a soltar outra pérola que me deixou completamente inebriado de eloquencia e sabedoria. Foi textualmente assim: "Portugal, precisa de mudar de vida!" . Nem mais, nem menos. Só os jornalistas ou os comentadores políticos, terão capacidade para deslindar o lado filosófico de tão inédita expressão. Não eu.
Enquanto digeria a dura realidade de me aperceber quão profunda é a minha ignorância, dei comigo a perguntar-me se com tais protagonistas ainda haveria futuro para os portugueses, ou se teríamos todos de emigrar para rebentar de orgulho o nosso Presidente.
Viva o dia 10 de Junho! Viva Lisboa!
08 junho, 2011
Na Islândia, a Lei é mesmo dura
Por mais que tentem lançar poeira para os olhos do público, o que faz um país próspero, não é, nem nunca será, a opinião suspeita de quem o governa ou governou, mas o resultado de um conjunto de factores e decisões, onde a Justiça tem um papel preponderante. Assim como a Economia isolada, não devia ter o exclusivo para a resolução dos problemas da governação, a Justiça também não, mas é imprescindível que esta tenha credibilidade para que as restantes áreas políticas funcionem melhor.
Por cá, mesmo com a Troika à espreita, a coligação PSD/CDS/PP, começa a dar pequenos sinais da vaidade pessoal que costuma assolar os candidatos ao poder. Paulo Portas - de quem não espero nada de relevante, diga-se -, já deu a entender que não lhe bastam 3 ministérios, quer mais alguns para o CDS, e prepara-se para ficar com a pasta mais apetecível dos políticos, a dos Negócios Estrangeiros. Veremos como Passos Coelho vai desatar este nó e o compatibiliza com o desígnio eleitoral de querer reduzir o Governo a 10 ministérios. Talvez a Guarda Troika ajude um pouco ao bom senso que tantas vezes falta em condições mais "confortáveis". Quem sabe?
Entretanto, no meio da crise-furacão que se avizinha, ninguém parece dar especial importância à questão da Justiça, ao contrário do que sucede na Islândia cujo ex-primeiro ministro foi chamado a prestar contas à dita cuja, em tribunal expressamente constituído para membros do governo.
Cá dentro, como não podia deixar de ser, as opiniões dividem-se, quanto à possibilidade de julgar os titulares de cargos públicos... Enquanto uns [bastonário da Ordem dos Advogados] dizem calmamente que a incompetência não é nenhum crime [mesmo arrastando para a miséria milhares de pessoas], outros [Juízes] defendem que sim, e que há até uma lei para o efeito [Nº.37/87 de 16/07/87], que entretanto já foi alterada quatro vezes . Apesar do Artº.7º. da referida lei prever o crime de traição à pátria provocada também pela perda de independência económica [que é precisamente o que está agora a acontecer]. Só que, a lei, para casos como este, já não é dura [lex sed lex] , é elástica, moldável... Caso contrário, quantos políticos estariam agora a prestar contas à Justiça?
Cá dentro, como não podia deixar de ser, as opiniões dividem-se, quanto à possibilidade de julgar os titulares de cargos públicos... Enquanto uns [bastonário da Ordem dos Advogados] dizem calmamente que a incompetência não é nenhum crime [mesmo arrastando para a miséria milhares de pessoas], outros [Juízes] defendem que sim, e que há até uma lei para o efeito [Nº.37/87 de 16/07/87], que entretanto já foi alterada quatro vezes . Apesar do Artº.7º. da referida lei prever o crime de traição à pátria provocada também pela perda de independência económica [que é precisamente o que está agora a acontecer]. Só que, a lei, para casos como este, já não é dura [lex sed lex] , é elástica, moldável... Caso contrário, quantos políticos estariam agora a prestar contas à Justiça?
Marinho Pinto, mais uma vez, deixa-me dividido, àcerca da sua coerência. Sobre a aplicabilidade desta lei, disse: "o mais elementar bom senso diz-nos que se trata de 2 dimensões diferentes. Esta crise apesar de ter surgido em 2008 não é culpa de um só ministro. Os últimos 4 ou 5 têm responsabilidades, mas julgá-los criminalmente é fundamentalismo".
Espanta-me a facilidade com que se aplicam determinados "ismos" quando alguém quer baralhar o povo. Fundamentalismos, populismos, radicalismos... palavras mágicas, sempre que a lei ameaça os poderosos. E a argumentária aplicada não me espanta menos. Segundo Marinho Pinto, como a culpa da crise não é de um só ministro [e (ou) governo], então o remédio é fechar os olhos às asneiras [muitas delas criminosas] cometidas pelos senhores governantes. A cadeia, no Portugal dito democrático, também é só para os pobres. Perguntem ao Dias Loureiro, ou ao Duarte Lima.
Espanta-me a facilidade com que se aplicam determinados "ismos" quando alguém quer baralhar o povo. Fundamentalismos, populismos, radicalismos... palavras mágicas, sempre que a lei ameaça os poderosos. E a argumentária aplicada não me espanta menos. Segundo Marinho Pinto, como a culpa da crise não é de um só ministro [e (ou) governo], então o remédio é fechar os olhos às asneiras [muitas delas criminosas] cometidas pelos senhores governantes. A cadeia, no Portugal dito democrático, também é só para os pobres. Perguntem ao Dias Loureiro, ou ao Duarte Lima.
Na Islândia, é que ninguém vai em ismos. Geeir Haarde [ex-1º ministro islandês] já o deve ter entendido. Mas, Sócrates, Portas, Loureiros, Limas e outros que se lhes seguirem, esses, podem continuar a dormir descansados, em Portugal, para o peixe graúdo, o crime compensa mesmo. É quase uma ciência exacta, Eles, sabem-no.
06 junho, 2011
Quando...
![]() |
| Serviço... PS /PSD/ CDS |
...indicadores económicos da UE colocam Portugal com níveis de pobreza e injustiça social inaceitáveis para um país europeu que integra desde 1986 o "clube dos ricos".
Quando, Portugal detém a produtividade mais baixa da UE, pouca inovação e dinamismo empresarial, formação profissional deficientes, mau uso dos fundos públicos, com excessivos gastos e maus resultados...
foi o país que mais benefícios recebeu por habitante em assistência humanitária nos últimos 18 anos, sem nunca se chegar a saber exactamente onde foram parar os fundos comunitários.
Quando, Portugal é o país da UE onde os salários médios e mínimos são os mais baixos e a desigualdade social é maior...
os administradores das empresas públicas recebem os salários mais altos da UE, e são os próprios a fixar os seus ordenados [ e não, como defendem, o mercado]...
que sentido fará votar, se os eleitores continuam a apostar nos partidos responsáveis por esta súmula de corrupção e incompetência? Ouviu, senhor Cavaco? É a si, também, que coloco esta questão. Para si, que se acha no direito de entrar pela minha casa [e na de outros] para "me aconselhar" sobre a decisão de votar, como se fosse alguém mais responsável que eu. Não, não é, senhor Cavaco, e sabe por quê? Porque antes da sua vontade, está a minha, antes do seu cérebro, está aquele em que mais confio: o meu.
Até porque, não foi minha, a [ir]responsabilidade de ter nomeado Dias Loureiro para Conselheiro de Estado...
Até porque, não foi minha, a [ir]responsabilidade de ter nomeado Dias Loureiro para Conselheiro de Estado...
Rescaldo eleitoral
Tem absoluta razão Pedro Baptista, em afirmar que se "se vivêssemos numa democracia real, derrotaria com facilidade Aguiar-Branco do PSD, Assis do PS, Ribeiro e Castro do CDS, João Semedo do BE e Honório do PCP, porque todos eles, tendo descoberto nas últimas semanas os encantos do Porto eleitoral, nunca abriram a boca no parlamento, nem quanto ao roubo dos fundos do QREN desviados para Lisboa, nem quanto à situação de ser o Norte Litoral a única região a pagar as SCUT..." E como não havia de ter razão, se o que ele diz corresponde a uma realidade concreta, orfã das "muletas" de uma comunicação social oportunista e desonesta, que consegue esta coisa paradoxal, que é manter próximo do poder os três partidos [PSD, PS e CDS] mais responsáveis pela gravíssima crise que o país atravessa?
Pois é. Mas, apesar disso, inexplicavelmente, continuará a haver quem olhe de soslaio para os pequenos partidos, sobretudo para aqueles que não conseguiram votos suficientes para terem direito a um lugar no Parlamento... Logo, estas declarações de Pedro Baptista, sendo correctas e factuais, nem sequer vão ser reproduzidas nos jornais gratuitos, porque a máquina de propaganda centralista não o permite, abafando assim as vozes incómodas ao regime. Foi a fórmula que o regime encontrou de praticar actos pidescos, prescindindo dos métodos demasiado grosseiros da polícia política de Salazar, passando assim por democrático...
Segundo o jornal "i", o PDA/MPPNorte, obteve 4601 votos, colocando-o à frente do POUS com 4531 [o Público inverteu estas posições], o que é manifestamente inexpressivo, embora um bocadinho melhor do que muitos esperariam, tendo em conta a abissal desigualdade de meios comparados com os outros partidos.
A "classificação" por cidades do Movimento que ousou fazer despertar da "amnésia geral" político-partidária o tema da Regionalização, ficou assim ordenada:
- Porto ................. com 2217 votos
- Braga................. com 592 votos
- Aveiro.................. com 397 votos
- Açores................. com 371 votos
- Viana do Castelo..... com 195 votos
- Guarda ................. com 200 votos
- Bragança................. com 143 votos
- Vila Real................ com 122 votos
Total...................... 4237 votos
De destacar, os cerca 41% de abstencionistas que, contrariamente às opiniões de certas autoridades [para mim pouco credíveis], são para respeitar e reflectir... Foi "apenas" o "partido" mais votado!
Considero um direito, tão legítimo como qualquer outro, rejeitar pura e simplesmente o acto eleitoral. A incapacidade para um novo partido se afirmar no actual cenário político nacional, por mais meritórios que sejam os seus projectos, justifica-o plenamente.
Que o diga, o Movimento Pró Partido do Norte. Intelectualmente, isto, não é democracia, é sim, uma tentativa de encaminhar gente adulta de regresso ao estado infantil, .
Que o diga, o Movimento Pró Partido do Norte. Intelectualmente, isto, não é democracia, é sim, uma tentativa de encaminhar gente adulta de regresso ao estado infantil, .
Subscrever:
Mensagens (Atom)




