21 outubro, 2011

Lima abandonado há 40 anos e sem solução à vista

Campo do Lima
Paredes-meias com o pavilhão e a sede do Académico, que comemora em 2011 o seu centenário, estão as ruínas daquele que foi um dos maiores símbolos desportivos do desporto nacional. O Estádio do Lima começou a ser construído em 1923 e até inícios da década de 60 foi a casa do Académico, que o cedia a uma série de outros clubes da cidade, bem como palco de vários campeonatos de atletismo e de inícios e finais da Volta a Portugal em ciclismo.

O FC Porto jogou lá nos anos 30 e 40 os seus jogos grandes, inclusivamente aquela partida frente ao Sporting que ficou imortalizada pelo filme “O Leão da Estrela” (1947). O Boavista fez dele sua casa no campeonato de 1971/72, naquela que foi a última época de utilização do estádio, que então já havia sido perdido em tribunal pelo Académico. “O Boavista fez a sua última partida a um domingo e na segunda-feira a Santa Casa da Misericórdia, que era proprietária dos terrenos, meteu lá retroescavadoras e partiu aquilo tudo, para que ninguém mais tivesse a pretensão de usar o estádio”, explica Eduardo Rego, vice-presidente do Académico, que lamenta o estado a que o Estádio do Lima chegou: “É inacreditável como está aquele terreno ali há quase quarenta anos. Tudo abandonado e à mercê das ratazanas. Em minha opinião, a Câmara podia expropriar e fazer um parque desportivo.”

Essa hipótese até chegou a ser defendida recentemente nas comemorações do centenário do clube. No entanto, a intenção nem sequer chegou a ser proposta concreta e não motivou mais do que um sorriso do presidente da Câmara, Rui Rio, como resposta.

Actualmente, o velho Lima, que é recordado pelo historiador Hélder Pacheco como o melhor estádio da Península Ibérica nos anos 20 e 30 (com duas bancadas de madeira a circundarem um relvado com pista de atletismo e de ciclismo) é apenas um terreno baldio propriedade de uma empresa de construção civil insolvente. Foi vendido pela Santa Casa da Misericórdia à Vidor, que entretanto passou a ser Habiserve, mas nunca se avançou com qualquer projecto para aquele local, que viveu tardes de glória do desporto portuense.

[Fonte: GP/Sérgio Pires]

20 outubro, 2011

O Alto Douro Vinhateiro pode vir a perder a qualificação de Património da Humanidade, atribuída pela UNESCO.


O alerta parte de Manuela Cunha, cabeça de lista da CDU pelo distrito de Bragança às próximas legislativas.

Ontem, o partido Os Verdes entregou na Assembleia da República uma pergunta dirigida aos Ministérios do Ambiente e da Cultura, no sentido de saber se o Estado já tinha informado a UNESCO da construção da barragem. Segundo os Verdes, esta albufeira vai afectar o Douro Património da Humanidade.

Manuela Cunha revela mesmo que em reuniões já mantidas entre Os Verdes e aquela organização das Nações Unidas, surgiu a ameaça.

“Na reunião que tive em Paris com a representante mais importante para a Europa e com a senhora que acompanha o processo no terreno elas confessaram que estavam chocadas com esta atitude do Governo português. Inclusive, informaram-me que não era a primeira vez que a UNESCO ameaçava de desclassificação quando uma atitude destas acontecia.”

Manuela Cunha alerta ainda para os danos que uma desclassificação causaria na imagem do Douro.

“As implicações são enormes, em termos de imagem turística”, sublinhou, adiantando que essa “não é” a pretensão dos Verdes. “O que Os Verdes pretendem é que o Estado cumpra com as obrigações que essa classificação implica. O Governo ficou perante a UNESCO como “guardião do templo”. É obrigado a preservar aquilo que levou à classificação, a paisagem, a sua humanização, mas através das vinhas e socalcos e não com barragens.”

Esta questão surge na sequência dos Verdes pela linha do Tua.

“Os Verdes estão empenhados em defender a linha do Tua e a sua submersão. Uma das questões que isso levanta é que viola o compromisso que Portugal assumiu no quadro da UNESCO. Por isso, o Estado estava obrigado, antes de iniciar a construção da barragem, em consultar a UNESCO. O que queremos saber é se hoje, já o fez.”

"Os Verdes" querem que o Governo esclareça se comunicou à UNESCO a intenção de construir a barragem nesta área e, em caso afirmativo, quando ocorreu tal comunicação e qual foi a reacção da UNESCO.

[Fonte: Rádio Brigantia]

Crise no FCPorto? Ou ainda há remédio?


Para dourar o pessimismo aos portuenses, o FCPorto parece querer fazer companhia aos maus governos, coisa a que, felizmente, nós portistas não estamos habituados.

Algo de errado se passa no reino do Dragão. Curiosamente, a atribulada fase da pré-época, com a saída extemporânea e inesperada de André Villas Boas, pela primeira vez em muitos anos, gerou em mim alguma intranquilidade.

Foi a excessiva demora com as saidas dos jogadores, gerando na cabeça de alguns falsas expectativas em relação ao futuro. Foi algum azar  nas novas contratações, com alguns atletas a chegarem tardiamente [Iturbe] e lesionados [Alex Sandro] e outros que só cá chegam em Janeiro [Danilo]. Foi a saida de Falcao, não propriamente por ter saido, mas por a partir de determinada altura tudo ter levado a crer que acabaria por ficar mais uma época. E mais recentemente também o atraso do Atlético de Madrid no pagamento de Falcao que baralhou as contas à Tesouraria do clube gerando, por efeito de dominó, o atraso no pagamento de Defour e Mangala. Se juntarmos a isto, o problema familiar de Walter, a lesão de Kléber e agora também a do jovem Iturbe, é caso para ir à bruxa.

Mas, bruxarias à parte, o azar não explica tudo. Pinto da Costa, sendo o Líder incontestado do clube devia ser o primeiro a ser responsabilizado. Contudo, à luz de tudo o que aconteceu, seria injusto fazê-lo sem levar em conta os condicionalismos/contratempos acima apontados e aquele que para mim foi o principal motivo da actual instabilidade: André Villas Boas.

A saída abrupta de Villas Boas, mesmo aceitando a tese do efeito hipnótico dos milhões de Abramovich, foi algo com que Pinto da Costa não estaria a contar e que nenhum Presidente do Mundo teria o dom de adivinhar, depois das juras do treinador de amor eterno ao clube, razão pela qual decidiu apostar na prata da casa num daqueles golpes de asa em que é mestre. Só que, os mestres acertam mais vezes do que falham, mas também falham. Tudo indica por isso, que com o decorrer do tempo e pela forma como Victor Pereira está a treinar a equipa, Pinto da Costa tenha desta vez tomado a decisão errada. Acontece. 

Sem retirar uma vírgula ao mérito desportivo de André Villas Boas e a respectiva gratidão, sou daqueles que discordam da entrega do Dragão de Ouro ao actual treinador do Chelsea, porque não consigo dissociá-lo dos prejuízos que causou ao clube. Uma coisa é escolher com tempo um treinador, outra coisa é ter de recorrer à pressa ao que está mais à mão. Se Pinto da Costa o fez, a André Villas Boas o deve. Depois, considero que uma distinção é para pessoas distintas, e nisso, pessoalmente, incluo o carácter.  

HOMENS, não há! Que tal experimentarmos canídeos?



Bulldogs ao Poder! Já!


Para além da crise, dos shows de fanfarronice economicista, das intervenções requentadas do Presidente da República, dos vilões transformados em paizinhos do povo, dos pareceres favoráveis à política de austeridade, o cúmulo do mau senso, é não ver suficientemente enfatizada a urgência de responsabilizar criminalmente os delinquentes políticos. 

Esta fuga para a frente, este constante passar por cima do que é essencial, leva-me a pensar que tão cedo, não há dirigente ou partido político que me convença a confiar-lhes o voto. Fosse eu o Povo, e os políticos teriam de mudar de vida. 

Por acaso o leitor já imaginou como estariam os manicómios deste país se víssemos a nossa casa a ser assaltada, e as economias de uma vida, completamente arrazadas, se em vez de chamarmos a Polícia para descobrir o ladrão, fosse o próprio ladrão a mandar-nos devolver o que nos roubou?  Já pensou nisso? Pois é o que nos está a acontecer agora. Apenas com uma pequena/grande diferença: os ladrões, não são ladrões comuns, são ladrões protegidos pela máscara da política! É isso! Pensa porventura que são coisas muito diferentes? Se pensa, agradeço humildemente que me explique porquê, mas peço-lhe encarecidamente que evite o recurso à demagogia, porque para isso já me bastam essas figuras .  

Perante tal cenário, não há criatura no mundo capaz de me convencer a encarar o futuro com optimismo. Não há optimismo que resista à bandalheira da Justiça. Sim, porque, por mais boa vontade que haja para compreender as contradições legais e as armadilhas jurídico-constitucionais, a verdade é que tudo se resume a isto: para os políticos - e amiguinhos de estimação -, o crime compensa mesmo. Muito mais,  do que para o comum cidadão . Rebobinem bem o filme da vossa memória, e vejam quantos daqueles muitos que estiveram perto de ser julgados, é que não escaparam à Justiça e que, pelo contrário, vivem hoje faustosamente. Demagogia diriam eles, se me lessem. Mas o que é que haviam de dizer? Que sim senhor, que é verdade? Que fariam um acto de contrição?

Só no dia em que tudo isto mudar, em que os lugares do Poder forem ocupados por Homens com nível e carácter de genuínos estadistas, é que podemos sonhar com o futuro. A crise para eles é uma brincadeira. Vejam [só] um bocadinho desses mega-programas de pseudo-preocupados, e vão apanhá-los muitas vezes a soltar autênticas gargalhadas. Pudera. Tivesse a população o mesmo conforto das suas múltiplas e grossas pensões, a boa disposição era garantida e o optimismo pagava a crise.  

18 outubro, 2011

Diálogo improvável, com factos reais

Zé Povinho
O  (Zé)Povo encontra o (P.P.C.) Governo, e dispara:                       

-Senhor Governo, o senhor é um aldrabão!

Governo
-Bem, vou fazer de conta que não ouvi. Quer tratar-me como deve de ser?

Povo
-Tá bem, Sr.Governo, então o senhor não é um aldrabão, é um doutor que falta à verdade. Está melhor assim?

Governo
-Se não retirar o aldrabão mando-o já prender, por desrespeito à autoridade!

Povo
-Autoridade? Que autoridade? A sua, ou a dos seus colegas DL's?

Governo
-DL's? Do que é que você está a falar, Povo? De Disk Jokeys?

Povo
-Dos seus amigos Duarte Lima e Dias Loureiro, ambos senhores muito doutores. Foi com eles que aprendeu a arte de exercer a Autoridade?

Governo
-Não misture as coisas nem as pessoas Povo, por favor e... modere-se. Ninguém deve acusar sem  provar.

Povo
-É verdade, Sr. Governo. Mas eu leio os jornais, procuro as fontes, desconto os excessos, avalio os factos e depois concluo. E um desses factos, é o histórico de impunidade de políticos suspeitos por fazerem coisas muito feias... O Sr.Governo terá por acaso consciência do que está a fazer ao país?

Governo
-Estou a salvá-lo da desgraça a que Sócrates e outros Sócrates antes dele, o levaram. São medidas duras, mas inevitáveis, para salvar o país da bancarrota. Agora, temos de fazer sacrifícios, a Troika está aí...

Povo
-Temos? Por que é que se está a incluir nos sacrificados se sou eu quem vou ter de apertar o cinto? Que mania essa que vocês têm de puxar ao altruísmo comunitário quando me querem gamar qualquer coisa.

Governo
-O Sr.Povo não lê os jornais? Não conhece a realidade global? Ignora as medidas draconianas que estamos a  tomar?

Povo
-Sim, sim, e muito justas! Uma delas foi taxar uns milhões à Banca e aos milionários,  que vão ter de abrir os cordões à bolsa. É de Homem! Mas, aonde é que isso está escrito? Já foi decretado?

Governo
-Está a ironizar comigo Sr.Povo, e continua a tratar-me com pouco respeito. Não abuse da sorte...

Povo
-Respeito? Por um aldrabão? Ah...perdão, queria dizer, por um inverdadeiro? Respeito?Lembra-se do que me prometeu e o que dizia do Sócrates? Ainda não lhe disseram que já está a imitá-lo? Lembra-se do que disse sobre o IVA? Sobre os impostos, sobre a tributação à Banca e do 13º mês?

Governo
-Pois, mas eu não fazia ideia da dimensão da dívida, não é...A coisa está muito pior do que imaginava.

Povo
-Se não sabia, não prometia. Quando é que vocês aprendem a ser Homenzinhos, sérios e responsáveis?

Governo
-Já percebi que consigo é impossível falar, são sempre os mesmos populistas.

Povo
-Lá vem você com a ladaínha da praxe. Oiça, você não tem vergonha da sua falta de vergonha?

Governo
-É você quem o diz, e a Polícia é já ali...

Povo
-Não aldrabão, sou eu quem acaba de lho provar. Eu sou o Povo, fui eu que o elegi. Em Democracia você está ao meu serviço. Nunca ninguém lhe disse isso? Por que não se demite?

Governo
-Lá está você outra vez a insultar-me. Diga antes, inverdadeiro, soa melhor. Olhe, não me demito porque em Portugal, isso é visto como uma fraqueza, uma palermice, coisas de burros. Além disso, você conhece algum 1º.Ministro que se tenha demitido?

Povo
-Humm! Deixe cá ver. Pensando bem, não me lembro...Faz sentido, vocês de facto são todos iguais na originalidade. Oiça Sr. Governo, quer um conselho?

Governo
-Diga.

Povo
-Não fuja da Troika.

Governo
-Por quê, Povo?

Povo
-Porque me palpita que tanta austeridade e tão mal aplicada, só pode dar em merda (desculpe-me o vernáculo).

Governo
-É a sua opinião. Mas afinal, por que é que me aconselhou a ficar perto da Troika?

Povo
- É para ver, Sr.Governo, se antes da hecatombe atingir o país, os cavalos lhe passam por cima.

17 outubro, 2011

Sem pápas na língua!

E Sócrates mentia

Diz-se que a política é a arte de fazer escolhas. Passos Coelho fez as suas: o assalto fiscal à classe média e aos mais vulneráveis da sociedade. E em breve o veremos a anunciar a capitalização da Banca com os recursos espoliados a pensionistas e trabalhadores. Tem toda a legitimidade para impor as suas escolhas aos portugueses porque os portugueses o elegeram. Só que os portugueses elegeram-no com base em pressupostos e garantias falsos, que ele repetiu à exaustão antes e durante a campanha eleitoral.

Agradecendo a Ricardo Santos Pinto, recordem-se algumas das garantias com que Passos Coelho foi eleito: "Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a [carga fiscal] será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas"; "Dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês é um disparate"; "O PSD acha que não é preciso fazer mais aumentos de impostos, do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir"; "Eu não quero ser primeiro-ministro para proteger os mais ricos"; "Que quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; "Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim"; "Não podem ser os mais modestos a pagar pelos que precisam menos"...

E ainda: "Nós não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra".

[De: Manuel António Pina/Fonte JN]


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Comentário RoP:

Não sei se por medo de represálias, ou se por favorecimentos inconfessados, instalou-se na mente de muitos jornalistas e cronistas, alguma parcimónia com a gramática, nomeadamente quando se trata de qualificar atitudes menos dignas, ou mesmo desonestas, da parte dos poderosos. Palavras como, vigarista, ladrão ou larápio, deixaram de ser usadas indiscriminadamente, e apenas baseadas em factos, para serem previamente seleccionadas, consoante a classe social dos destinatários. Estivéssemos nós habituados a uma comunicação social realmente séria, e respeitadora dos seus próprios códigos deontológicos, até se compreenderia tanta parcimónia. Mas, o facto, é que não estamos. Quando a presa é graúda e parece indefesa, já sabemos que as capas da imprensa e os telejornais se unem, quase expontaneamente, para fazerem autênticos julgamentos públicos, e dessa maneira subirem as audiências. 

Melhor que ninguém, os media conhecem a força das palavras e o impacto positivo ou negativo que elas podem ter sobre os alvos. Dizer que alguém está a faltar à verdade, não tem o mesmo efeito que lhe chamar mentiroso. Acusar alguém de enganar, pode muitas vezes ser um modo subtil de esconder  uma traição. Desviar, percebemos que não choca tanto como roubar. Não será em vão que os políticos preferem usar esta linguagem, embrulhada de sofisma...

Mas, os jornalistas, que tantas vezes evocam [sem razão] a liberdade de expressão, não deviam copiar o vocábulo polítiqueiro, sob pena de poderem ser justamente acusados de lhes estar a dar algum proteccionismo.

Isto para dizer, que da crónica aqui plasmada de Manuel António Pina, em bom português [não confundam com o da RTP, que para mim não conta], só quer dizer uma coisa:

tal como Sócrates, Pedro Passos Coelho, é vigarista, mentiroso e traidor.

Assim se escreve em bom português.    

Ps1-Não acho necessário, nem razoável, pedir dos eleitores, mais prazos de tolerância para as asneiras cometidas por pessoas, a quem legitimaram o poder e deram a sua confiança. Creio já ser tarde para os cidadãos exigirem, antes das próximas eleições, garantias sobre a responsabilização imediata dos políticos, assim que se desviem do rumo prometido em campanhas eleitorais. E a criminalização, desde que haja razões óbvias para tal. Se a Lei não está bem, mude-se a Lei. Se os juízes não servem, seleccionem os bons e livrem-se dos empatas. Continuar a discutir estes assuntos sem resultados práticos, é de per si outro crime.  

Ps2-Talvez seja oportuno fazer uma breve observação (caso ainda não tenham percebido) que é o seguinte: enquanto as minhas "espingardas" apontaram para os políticos, o Renovar o Porto foi referenciado em vários jornais e mais do que uma ocasião. A partir do momento em que dirigi a mira para os jornalistas, esqueceram-no...
  

16 outubro, 2011

Bethania

Movimento global dos indignados. Para político reflectir...

20.000 euros mensais...
Louvam-se estas medidas. Mas serão suficientes?

Ver para crer, é o preceito que há muito impus a mim próprio para regressar - sem cepticismos -, ao mundo do segundo mais importante dever cívico, que é para mim, votar. O primeiro - lamento decepcionar os senhores da política -, é o da minha consciência. Modéstia à parte, acho que terei alguma razão, já que muito do que aqui venho escrevendo é seguido com alguma antecipação pelo que escrevem os jornais.

Sempre defendi a tese da inevitabilidade de uma nova ordem social para o mundo, de outros paradigmas de organização que privilegiassem a condição humana antes da economia, repensando e higienizando prioritariamente a Justiça. Infelizmente, essa hora ainda não chegou, mas começa a dar sinais de si. E são vários os sinais. Pela amplitude que está a ter em quase todo o Mundo, o  Movimento dos Indignados, é talvez o mais promissor dos sinais, porque, ao contrário do que vem acontecendo, não tem conotações de índole partidária ou sindicalista, revelando grande maturidade cívica dos cidadãos e uma desconfiança vincada para com os mercados financeiros, bem como com a passividade e a falta de ideias da classe política.  


600 euros por palrar
Se disse "ver para crer", no início deste post, foi porque a [boa] notícia da intenção do governo de reduzir os ordenados pornográficos de cargos directivos da RTP e de acabar com as avenças para intervenções de titulares de cargos públicos, não é garantia da sua execução. Portanto, há que ter cautelas, porque estamos habituados a que as promessas dos agentes políticos fiquem cronicamente pela metade, ou se anulem mesmo pouco tempo depois de serem anunciadas... Por isso, é preciso ver para crer. Mas não deixa de ser uma louvável decisão. Ontem mesmo, falei sobre o assunto aqui mais abaixo. 

Sobre a inimputabilidade que tem protegido os políticos de prestarem contas à Justiça por actos criminosos, também se vai falando com mais frequência. Manuel da Costa Andrade, professor de Direito Penal, apesar de dizer que a incompetência política não constitui ilícito penal, e que, mesmo que constituísse, só teria efeitos futuros, e não retroactivos, também lamenta que os governantes acusados de corrupção ou de gestão danosa raramente sejam condenados e que abusem das garantias de defesa. Tal como nós defendemos, Costa Andrade acredita que, se os crimes cometidos por políticos fossem devidamente punidos, seria uma vantagem para a Democracia. Agora, todas estas sensatas opiniões de gente qualificada, pouca valia terão se o Governo fizer ouvidos moucos da realidade e continuar a dar cobertura a um sistema de Justiça decrépito e disfuncional, como é o nosso.

Este devia ser despedido
Por mais competentes que sejam alguns directores da RTP [e alguns, não só não o são, como são desonestos], é inaceitável numa época de feroz crise global, que haja quem esteja a roubar ao Estado qualquer coisa como 15.000 euros mensais,  e leve 600 euros de avença por sessão [analistas políticos e comentadores].

Seria do interesse público, que isto terminasse de vez, ou então, esta gente que fala muito da crise, mas que dorme bem com ela, terá um dia de se confrontar com problemas mais graves do que o da privação de benesses imerecidas, como ter de lidar com a revolta popular que se avizinha.

D. JANUÁRIO SEM PAPAS NA LINGUA. MAIS UM "POPULISTA"...


14 outubro, 2011

Carpenters - Close to you

Os "papás" que não pedimos, nem queremos


Se me perguntassem, há trinta e sete anos, quando a Democracia em Portugal dava ainda os primeiros passos, se imaginava que ela fosse a palhaçada que é hoje, respondia logo que não, e que nesse caso, preferia que a Revolução dos cravos não tivesse acontecido. No entanto, como a grande maioria dos portugueses, rejubilei de alegria com o 25 de Abril.

Com vinte e poucos anos vividos no Estado Novo, repartidos entre Salazar e Caetano, supus que, com maior ou menor dificuldade, Portugal, exaurido com inúteis guerras coloniais [em que voluntária e ingenuamente participei], ia finalmente livrar-se do isolamento político internacional e avançar para um modelo de Democracia semelhante ao dos países escandinavos, que, tal como agora, continuam a ser mestres na matéria. Ainda era cedo para descobrir que os novos líderes políticos que então foram tomando conta do poder transportavam consigo o vírus do oportunismo e da falta de rigor dos que os antecederam. Com uma agravante: tal como agora, sem ponderar as consequências malignas que decisões apressadas normalmente trazem, entenderam [mal], que em Democracia a Liberdade dispensava a Autoridade. Ora, como sem um sistema de Justiça limpo, livre de velhos resíduos ditatoriais, a Autoridade colapsa, o resultado é o que sabemos.

É claro que, agora, a crise global vem mesmo a calhar, é o perfeito bode expiatório da irresponsabilidade de todos aqueles que até hoje participaram em sucessivas governações, sem qualquer sucesso. No entanto, como líderes incompetentes geram povos frouxos, nunca lhes é cobrada a responsabilidade que, por norma, são obrigados a jurar nas solenes tomadas de posse. Caso contrário, seria impensável assistirmos a este espectáculo aviltante e despudorado que é vê-los enxamear os estúdios de vários canais de televisão para darem pareceres sobre aquilo que já deram provas cabais de não perceber. E... são pagos por isso!  Isto, note-se, na fase mais difícil e austera da história recente portuguesa!

Que posso eu mais dizer? Que me intriga ignorar o que cada cidadão pensará, cada vez que assiste a estes espectáculos? Que conclusão extrai da verborreia de todos esses 'especialistas'? Que mais valia advirá para o país das suas opiniões? O que é que aquela gente [muito concorrida] vai fazer, dia após dia, aos estúdios de televisão, que não seja dar um péssimo exemplo daquilo que não deve ser feito?  Por que é que as televisões não optam por ouvir gente credível, em vez de continuar a ouvir quem já provou incompetência e em muitos casos até, desonestidade? Porque não ouvem o povo e incitam os políticos a ocupar o tempo a trabalhar nos seus próprios gabinetes? Será este o paradigma da tão apregoada meritocracia? Eu acho que as estações de televisão, não só estão a prestar um péssimo serviço ao pais, como estão a ser cumplíces de quem contribuiu para o levar ao estado de pré-falência a que hoje chegou.

Os "nossos" políticos e ex-políticos, antes de irem à televisão, deviam ser obrigados a ensaiar tanto a postura como o verbo. Qualquer espectador minimamente instruído tem dificuldade em conter-se face àquilo que é "obrigado" a ouvir, e ver. Além de se copiarem uns aos outros, falam para nós com preocupantes requintes de sadismo, como se fossemos criancinhas ou atrasados mentais. Só falta mesmo, é vê-los de dedo em riste, dizer que levamos tau-tau se não comermos a sopinha... Raios! Não precisavam de nos torturar todos os dias,  a toda a hora, para nos dizer que a crise ainda nem começou, que vai piorar, que em 2012 é que vai doer, etc., porque afinal de contas, foram eles que se portaram mal, foram eles que disseram que sabiam fazer, e fizeram mal. Eram eles que deviam pagar a crise. A menos que, além da miséria que se avizinha, queiram transformar o país num hospício a céu aberto. Ou estarão eles a procurar "amansar-nos"?

Pois se estão, pela parte que me toca, podem ter a certeza que os efeitos/resultados, são enganadores. É que, quanto mais falam da crise, mais vontade sinto de ir para a rua, imitar os gregos...

PS-Que fenómeno científico, cívico, ou psicológico poderá explicar a crónica amnésia que assola os cérebros dos nossos políticos para não seguirem exemplos destes?

Será por que a Suécia é um país do terceiro mundo, ou porque Portugal é do primeiro ?  

13 outubro, 2011

Código de cores para daltónicos ColorAdd chega ao metro do Porto


Miguel Neiva
O ColorAdd, um código de cores universal para daltónicos inventado pelo designer portuense Miguel Neiva, vai ser implementado pela primeira vez na rede de metro do Porto.

O código será testado na estação de Santo Ovídio, em Gaia, que será inaugurada sábado, mas a intenção é alargar a todas as linhas do metropolitano.

O projecto-piloto “é de grande importância, pois vai permitir a centenas de pessoas daltónicas identificarem mais facilmente as linhas que pretendem utilizar”, explica Miguel Neiva, em comunicado.

O que Miguel Neiva, de 42 anos, tem apresentado ao mundo desde 2008 é uma daquelas ideias “ovo de Colombo”: um código universal que identifique as cores, através de um conjunto de símbolos compreensível em Portugal ou no Japão. O P24 esteve recentemente à conversa com o designer.Segundo a Metro do Porto, o ColorAdd vai ser implantado na estação de metro de Santo Ovídio (Linha Amarela), mas as intenções são de alargar a todas as estações do metropolitano do Porto.

“No futuro, confirmando-se o alargamento a toda a rede do Metro do Porto, serão milhares aqueles que beneficiarão da aplicação do ColorAdd”, conta Miguel Neiva.

A estação de metro escolhida, a de Santo Ovídio, tem a particularidade de ser a primeira subterrânea da cidade de Vila Nova de Gaia e vai ser também a primeira a ter um mapa em formato ColorAdd ao lado do mapa habitual.

O alargamento do projecto só será executado após a Metro do Porto realizar um inquérito aos utilizadores daltónicos, com o objectivo de conhecer as mais-valias da aplicação daquele código de cores.

O daltonismo, normalmente de origem genética, é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho.

12 outubro, 2011

Contrastes

Político com provas dadas, a imagem da probidade
Jogador de futebol, o terror do centralismo


Procura-se um Procurador


Sábias reflexões para nobres decisões
É mentira afirmar que a Procuradoria Geral da República representada pelo reverendíssimo  Doutor Pinto Monteiro, não tem desempenhado um notável trabalho institucional,  no sentido de colocar atrás das grades o vigarista-falsificador, ex-Presidente do Benfica, João Vale e Azevedo. É mentira! Ele está preso e bem preso, só que ninguém sabe aonde. 

É igualmente mentira negar que o Dr. Pinto Monteiro tem revelado um inesgotável dinamismo  na investigação dos casos relacionados com "Exas" como: Duarte Lima, Dias Loureiro, João Rendeiro, Isaltino Morais, Ricardo Costa, Carlos Cruz, Paulo Pedroso , Luís Filipe Vieira=Benfica=Jorge Jesus=Agressões=Túneis=Aeroportos=Scolari... Todos estes casos, não foram bem casos,  foram assobios no espaço.

O senhor Procurador é uma pessoa muito dinâmica, muito competente, e muito honesta. Podemos estar seguros de que todos os suspeitos atrás enunciados, continuam em liberdade, pela simples razão de pautarem as suas carreiras por uma integridade à prova de míssil. Tanto na aparência como na atitude.

É mentira pois que, Hulk, Fucile, Sapunaru, Helton e Cristian Rodrigues, sejam simples jogadores de futebol. São sim, potenciais criminosos, porque jogam no FCPorto [uma organização mafiosa], e o senhor Procurador não brinca com coisas sérias. O que são Duarte Lima, Vale e Azevedo & Companhia, comparados com os gangsters do FCP?

Prisão para eles, já! E cadeira eléctrica, a seguir! 

Pinto Monteiro: é mentira.

11 outubro, 2011

Quanto mais te baixas...

É patente que a selecção portuguesa de futebol já não é " o clube de todos nós" , na frase criada pelo há muito falecido jornalista Ricardo Ornelas. Já foi , mas a sanha centralista e anti- portista de Lisboa acabou com isso.

Scolari foi o ponta de lança de que a comunicação social se serviu, sob a complacência cúmplice da FPF, Gilberto Madail à cabeça. O sargentão foi o pateta útil de serviço.

Inutil relembrar as ofensas e desconsiderações cometidas contra o Norte e contra o seu clube mais representativo, que por acaso até é o mais importante de Portugal. A actividade da selecção centra-se a sul. Lembram-se que foi "inventado" um centro de estágio em Évora para receber a selecção, quando tantos havia de Coimbra para cima? Os jogos principais sempre se disputam em Lisboa. Ao Norte, onde está a verdadeira aficcion, destinam os jogos secundários, aos quais provavelmente Lisboa viraria as costas porque estão de barriga cheia com os jogos mais importantes. Nessa altura, para safar a bilheteira, a Federação lembra-se de nós. As reacções dos nortenhos, ou melhor dizendo, a falta de reacções, encoraja essa corja centralista a cada vez abusar mais. Desta vez a selecção treinou no Algarve(!!) e deu uma breve fugida ao Porto para disputar o jogo. Imagino que terão ido embora logo após o apito final, não fosse os senhores da federação apanhar alguma doença contagiosa nestas terras bárbaras onde a civilização e a higiene pública ainda não chegaram.

É pensando nisto tudo que me pergunto quem seriam aquelas quase 40 mil pessoas que estavam no Dragão. Portuenses e outros nortenhos? Aquelas bandeirinhas e aqueles endereços a dizer Portugal, incentivavam quem? Portugal? Mas que Portugal? Não aquele que foi uma Nação com mais de oito séculos de História, porque esse já não existe, liquidado por um centralismo que tem feito mais contra a coesão nacional do que uma eventual Regionalização. Qual, então?

Seremos só meia-dúzia a pensar que as desconsiderações de que somos alvo há tantos anos, mereciam um boicote, um gesto de repúdio por simbólico que fosse? O que pensam a este respeito os 40 mil? Será que pensam mesmo alguma coisa? Provavelmente, nada, e esse é o mal. Pensem pelo menos no velho ditado que diz que " quanto mais te baixas, mais se vê o teu cu"...

Os ataques continuam, e a República dorme...


Tudo indica para que a Sede do Benfica seja aqui
Ainda ontem escrevi sobre a Justiça, e logo pela manhã sou confrontado com a sua alegre decadência.

Escondida atrás do rosto de uma suposta jornalista que se presta a exercer tarefas impróprias de uma pessoa de bem, a decadência manifestou-se - como não podia deixar de ser -, abrindo o noticiário de desporto para anunciar a aquisição de um novo jogador para o Benfica. Esta, é uma das rotinas da RTP, começar sempre, sempre, por falar do Benfica, roubando esse privilégio ao FCPorto, que é o verdadeiro campeão e o clube português com mais títulos conquistados. Outra rotina da RTP, é conceder essa primazia, excepcionalmente, apenas e quando é para anunciar algo que possa denegrir a imagem do FCPorto. Foi o que aconteceu [mais uma vez], hoje.

Logo a seguir à notícia sobre o Benfica, uma menina de vestido amarelo - espelho perfeito de uma moça de recados-, "informou" o país profundo, através do Correio da Manhã [fonte credibilíssima], que o Ministério Público quer cinco [cinco, imaginem!], jogadores do FCPorto na prisão!  

Apesar dos nortenhos, em geral, e os portistas por maioria de razão, estarem [MAL] habituados a ser discriminados, e claramente provocados, notícias destas são inadmissíveis, sobretudo agora, numa altura em que os responsáveis pela crise [a classe política] andam a pagá-la com o dinheiro dos contribuintes, com belos apelos patrióticos à austeridade. Então, é com este tipo de "notícias", mentirosas e infundamentadas que se dão exemplos de poupança? 

Onde está então a autoridade neste país? Será mesmo que, até a Presidencia da República, a Assembleia  e a Procuradoria Geral, e quem as representa, acham que em Democracia está proibido o exercício da real autoridade? Qual é, afinal, a diferença entre a autoridade oficial, e essa outra, hoje anunciada pela RTP via pasquim, Correio da Manhã?  Qual é, se não reagem a estas poucas vergonhas? Eu penso que nenhuma!

Saiba pois, senhor Cavaco, que eu vou continuar a borrifar-me para os seus apelos patrioteiros, especialmente para aqueles que convidam os portugueses a votar. Votarei sim, no dia em que puder expulsá-los do poleiro, onde nunca teriam pousado os pés, se vivessemos num país a sério e de dirigentes sérios. 




10 outubro, 2011

Lavar democraticamente a Justiça, é viável ou utópico?


Ia começar por dizer que sou um leigo em Direito, mas pensando melhor, achei desnecessário o preâmbulo, pois pareceu-me modéstia a mais face à incompetência evidenciada por todos aqueles que deviam dominar o assunto, preferindo queimar o tempo em querelas, a esgrimir argumentos sem dar sinais de se querem entender. 

Por exemplo, hoje, Marinho e Pinto fála-nos no JN de duas espécies de criminosos, segundo uma teoria de um professor de Direito Penal alemão [Gunther Jakobs],  aqui , devidamente explanada.

Como já o afirmei em várias ocasiões, nutro alguma simpatia solidária e intelectual por Marinho e Pinto, por saber quão perigosa e desigual é a luta que vem travando com os velhos [e novos] acomodados do regime, sejam eles colegas de profissão, magistrados ou juízes.

Como é de Justiça que se trata [ou da falta dela], procuro que essa simpatia não me turve a lucidez e se mantenha racional, sem nunca descurar as opiniões dos seus adversários. A verdade, é que estes últimos, por aquilo que até ao momento consegui saber através da imprensa e da televisão, não têm apresentado argumentário à altura do "incómodo" bastonário. Também, não ignoro a dificuldade que deve ser desenrolar este complicado novelo em que se tornou [ou sempre foi] a Justiça portuguesa.

Independentemente de se apreciar ou não o estilo de Marinho e Pinto, não acredito que haja alguém de boa fé, que não veja nele um homem com uma forte determinação em levar alguma ordem e eficiência ao sistema de Justiça, mesmo quando parece defender causas que os media e a opinião pública já condenaram por antecipação aos Tribunais. Outra das suas preocupações, é querer levar ao extremo o cumprimento rigoroso da Lei, mostrando-se quase sempre mais empenhado em defender do que acusar, o que, diga-se em abono da verdade, o iliba do pretenso populismo de que é acusado pelos seus adversários, pois todos sabemos que é muito mais simpático e mediático acusar, do que proteger. Depois, quando vemos juízes, como Rui Rangel, prestarem-se à humilhação pública de  "saltar" da cadeira do tribunal para a de comentador desportivo [mesmo que em regime de part time], percebemos finalmente quem é vulnerável a populismos [ou benfiquismos, é igual]...

Há, contudo, um senão. Sou eu quem o diz, e vale o que vale, mas é a minha convicção profunda. A Justiça, - tal como todo o regime político do país -, precisa urgentemente de ir à "lavandaria", desinfectar-se dos parasitas que estão a atrofiá-la. Antes porém, há que detectar os parasitas e... eliminá-los. Só que, tenho dúvidas que os pergaminhos legalistas de Marinho Pinto resistam à força corporativista dos sindicatos da Justiça, que além de prepotentes, continuam a ignorar o fundamental em benefício do acessório.

Acima dos direitos, ou dos interesses pessoais dos magistrados, impera a Justiça, e acima das corporações estão os seus bons elementos. Sem bons elementos, não há boas corporações, nem boa Justiça. Deviam portanto, tais corporações, ser necessariamente constituídas por bons juízes, purgando-se, com critério e justiça, das ovelhas tresmalhadas, sem tardança, mas com firmeza democrática... Aqui chegado, retomo o início do parágrafo anterior e os legalismos exacerbados de Marinho Pinto:  saberá a democracia portuguesa [e já agora, Marinho Pinto], que a firmeza é uma componente indissociável da autoridade?

09 outubro, 2011

"Austeridade e coerência"... Deixa-me rir


Para se ser sério, e merecer tal reputação, não bastam o estatuto, as poses estudadas, ou o discurso enfatizado de circunstância. Isso, é apenas um mero e enganador invólucro. A classe política, por aquilo que vamos sabendo,  continua a contentar-se com o invólucro.

Svetlana Zakharova

07 outubro, 2011

Vegetarianos

                                                                                   "O vegetariano, porque tem de sobreviver, acaba por comer. Mas sempre um pouco contrafeito, com a mesma indiferença de quem faz algo porque tem de ser e não porque isso seja, como é de facto o comer, uma das essências do existir. 

A verdura promove-lhe um fácil trânsito intestinal, o que o leva a defecar bastas vezes numa só jornada. Podia isto ser uma mera consequência da sua dieta, mas não: erige-a em virtude, chegando mesmo ao comentário, que tenho ouvido a praticamente todos os vegetarianos, de que o bolo fecal é de melhor qualidade do que o dos comuns comedores de animais. Se bem que não dê, por causa da ascese que é o vegetarianismo, grande importância ao comer, atribui grande centralidade ao cagar: invertendo a hierarquia dos orifícios, valoriza mais o labor que dá ao de baixo do que o prazer que dá ao de cima".

[De: Luís Fernandes/Porto24]

Ler a crónica completa aqui.

le metéque - george moustaki

Marques Mendes anuncia fusão de autocarros e metro em Lisboa e Porto



Marques Mendes anuncia fusão de autocarros e metro em Lisboa e Porto


Marques Mendes, revelou, quinta-feira à noite três fusões em preparação pelo Governo, inseridas numa reestruturação do sector dos transportes.

"A fusão da Carris como Metro de Lisboa. Acho muito positivo. Segundo a fusão dos STCP do Porto com o Metro do Porto, acho na mesma linha de coerência muito positivo. Em terceiro lugar a fusão da Transtejo com a Soflusa, porque temos duas empresas a fazer basicamente a mesma coisa", disse Marques Mendes, em declarações à TVI24.

"Se houver coragem como eu julgo que está previsto, julgo que isto são princípios muito positivos", considerou Marques Mendes.

Revelações que surgem horas depois de o Conselho de Ministros ter aprovado, quinta-feira, "as principais linhas no sector das infra-estruturas e transportes" para os próximos quatro anos. 

 Documento que deverá ser apresentado, esta sexta-feira, no Parlamento pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

 Segundo a informação disponível na página do Parlamento na Internet, a audição, pedida pelo ministro que tutela a área dos transportes, está agendada para as 16 horas, na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas.

Nota de RoP
Consta que esta marionete se reformou com 55 anos, e sabe-se que é remunerado para emitir uns sons num canal de televisão. O  que ainda não sabíamos é que era porta-voz do Governo. Faz todo o sentido, em tempos de austeridade . E faz mais sentido ainda porque este é  um homem de sucesso. Ah! O melro não é nada populista. É muito, mas muito pragmático, e sábio. Um potentado, enfim!














06 outubro, 2011

Quantidade não é qualidade

Sempre que publico neste espaço crónicas dos jornais, é porque as considero interessantes para os leitores, particularmente para aqueles que não tiveram oportunidade de as ler. Nalgumas ocasiões, é também por falta de tempo ou de disposição para fazer os meus próprios artigos. Não tanto por falta de assunto, porque hoje em dia temos tanta informação, sobre tão poucas coisas boas, em contraste com as negativas, que podíamos passar o resto da vida a escrever sobre elas. E é sobre o excesso de informação negativa e aquilo que podemos fazer para a inverter, que começo a ter dúvidas sobre a sua bondade. A propósito, aqui está mais uma que se enquadra naquilo que acabo de dizer. Diz directamente respeito aos portuenses, e à sua saúde.

Embora conscientes que não existe evolução sem efeitos secundários, enquanto Pessoas, seria nosso dever perceber até que ponto estes últimos destroem a própria concepção de progresso. A massificação dos media e os interesses que em seu torno gravitam, têm sido os principais responsáveis pela degradação ideológica e ética da própria sociedade. Os povos ocidentais [e de outras latitudes], paulatinamente, têm vindo a ser formatados para pensar e decidir de acordo com estereótipos ditos globais, essencialmente de origem anglo-saxónica [sobretudo norte-americana]. O cinema e a televisão, os concursos, os reality-shows, e o tipo de programação, como sabemos, são predominantemente de influência norte-americana.  Actualmente, mais do que nos anos 60 e 70, décadas onde a música  e o cinema americanos eram partilhados com a França, Itália, Inglaterra, Brasil e até com a Espanha, a cultura europeia deixou de ter qualquer visibilidade. Podemos mesmo afirmar, sem receio de escandalizar ninguém, que nesses anos, e desse ponto de vista, em Portugal e noutros países, culturalmente, respirava-se muito mais democracia. Nesse aspecto, éramos bem mais ricos. A globalização não é propriamente uma fonte de virtudes.

A quantidade e o tamanho sobrepuseram-se à ideia de qualidade. O mais, tomou  conta do melhor. Temos mais canais de televisão, mais agências de notícias e nem assim vivemos bem informados. Se sintonizarmos o canal Odisseia, ou o Discovery e os misturarmos com os noticiários "nacionais"  e internacionais, ficamos com a cabeça cheia de coisas sem saber bem o que fazer com elas. Informação, democracia e liberdade não valem grande coisa se vivermos 50 anos sabendo que na Etiópia e no Quénia morrem por dia milhares de crianças à fome, se passados outros 50 anos continuarem a morrer milhões. Assim como nada vale um belo discurso de um Presidente da República se for, como costuma ser, inconsequente, ou ter um governo que promete e logo a seguir não cumpre [como tem sido a escola seguida]. Isso é pura fraude, sem utilidade pública.

Enfim, contentarmo-nos com o constatar dos factos não enche barriga ao povo, nem é sério. A uma constatação, numa República digna desse nome, deve obrigatoriamente seguir-se uma reacção, mas o que a realidade nos diz é que a acção quando surge atinge sempre o mesmo alvo: o povo. E  quase sempre para o prejudicar.

É de qualidade, em todos os sentidos, que Portugal precisa. A começar pela Humana. E de uma boa vassoura, para varrer o lixo contaminável.

05 outubro, 2011

RTP faz subir a tensão arterial


O meu consumo de televisão em directo resume-se a alguns jogos de futebol e a umas espreitadelas ao que vai passando ao longo do dia de trabalho nos canais de notícias.

Os filmes prefiro vê-los no Arrábida Shopping, que tem as melhores salas do país e onde não fazem intervalos. Mas estou cada vez mais freguês de séries, que ponho a gravar para ver nos tempos livres das minhas folgas.

Agora, enquanto espero pelas novas temporadas de "Lie to Me" e "The Body of Proof" (desde que fez de enfermeira McMurphy, na Praia da China, tenho um fraquinho pela Dana Delany), a minha série dramática preferida é "The Good Wife", que recomendo vivamente.

Apesar de não passar muitas horas por dia em frente ao ecrã, chamou-me a atenção a notícia de um estudo de investigadores universidade de Queensland (Austrália) que concluíram que ver televisão faz mal à saúde.
Estes especialistas quantificaram os perigos de uma forma alarmante: por cada hora em frente a televisão estaríamos a sacrificar 22 minutos de esperança de vida.

Atendendo ao facto de, segundo a Marktest, cada português passar em média 3h29m40s a pastar em frente à televisão, a conjugação destas duas estatísticas seria terrível ,em termos da nossa esperança de vida, mas animadora do ponto de vista da sustentabilidade futura da Segurança Social, que assim evitaria o risco de ruptura face ao previsível crescimento exponencial do contingente de reformados.

Só não fiquei assustado por duas razões. O estudo australiano parte do princípio que o pessoal que vê muita televisão leva um estilo de vida sedentário, o que não é obrigatório. Mais. Não acredito muito nas estatísticas da Marktest, desconfiança partilhada pelos canais de televisão, anunciantes e agências de publicidade que decidiram entregar, a partir de Janeiro, o estudo das audiências à GfK, que vai usar uma metodologia nova e mais fiável.
Mas pensando melhor, conclui que mesmo vendo-a muito pouco, a RTP tem sido muito prejudicial à minha saúde.

Faz-me subir a tensão arterial saber que um administrador da RTP gasta 700 euros/mês em telemóvel, ou seja mais ou menos o salário médio mensal dos contribuintes portugueses que lhe pagam o salário.

Chateia-me saber que o salário anual médio dos trabalhadores da RTP é superior a 40 mil euros, ou seja cada um ganha em média dois mil euros limpos por mês.

Até sinto um aperto no peito ao saber que em oito anos, entre indemnizações compensatórias, dotações de capital e contribuição audovisual, a RTP já nos custou dois mil milhões de euros*, dinheiro que chegava para fazer o TGV para Vigo, e ainda sobravam 500 milhões.

Dói-me na alma saber que este Governo, que prometeu privatizar a RTP, nos vai pôr a abater 520 milhões do passivo desta empresa. Sai a 52 euros por cabeça, bebés de colo incluídos.

A RTP faz -nos mal a saúde e ao bolso. Quanto mais depressa nos livrarmos dela, melhor.

* Nota de RoP
É claro que, na óptica  da anafada prole da RTP, tudo isto não passa de demagogia do autor, todos eles merecem a boa vidinha que levam, mesmo que à custa do proxenetismo infligido  sobre os nortenhos, a quem continuam a tratar abaixo de cão... É tudo gente de bem. E nota-se... Setecentos euros em chamadas telefónicas bate certo com o discurso de contenção e sacrifício, que ouvimos 24 sobre 24 horas. 

Mas que mania esta, de nos quererem dar permanentementes provas de coerência!

03 outubro, 2011

Ligação de Salamanca ao porto de Leixões trará cargas de Castela y Léon



Na sequência de um longo processo de aproximação e conhecimento recíproco e que havia já dado lugar à celebração de um protocolo, o porto de Leixões, através da APDL, e a Zaldesa – Zona de Actividades Logísticas de Salamanca, assinaram ontem, naquela cidade um Acordo visando uma recíproca presença nas respectivas plataformas logísticas. 

Em concreto, a APDL disponibilizará uma área de cerca de 5.000 metros quadrados para instalação da Zaldesa na sua Plataforma portuária e, em contrapartida, Leixões irá dispor de um espaço na Plataforma Logística de Salamanca, incluindo a possibilidade de vir a participar no capital da Zaldesa. 

Sempre numa perspectiva de intercâmbio, incremento comercial e reciprocidade de vantagens, o porto de Leixões pode agora alargar o seu hinterland a uma Comunidade Espanhola com a dimensão de Portugal e Castela y Léon passa a dispor, num porto de mar com a importância de Leixões, de um espaço logístico fundamental para apoio das suas importações e exportações.

O acordo foi firmado pelo engº. João Pedro Matos Fernandes, pela APDL, e por D. Fernando Alonso, pela Zaldesa, na presença do Alcalde de Salamanca e do Director Geral de Transportes de Castela y Léon.

[Fonte: APDL/Porto de Leixões]


Marinho Pinto, um bastonário "populista"...

Descansem os ingénuos, que a zelosa RTP, que tão empenhada anda a ensinar os portugueses a escrever brasileiro, jamais ousará esclarecê-los sobre o actual significado de algumas palavras da língua original, que o tempo, e a acção de homens mal formados, trataram de falsificar. Embora o Prós e Contras tente demonstrar o contrário, hoje, a RTP, representa inquestionavelmente a voz do regime, e só fará aquilo que o regime lhe permitir. 

Mas se a RTP não faz aquilo que lhe compete para informar o público, nós sempre podemos fazer alguma coisa nesse sentido. 

Há um substantivo muito usado pelos políticos, com vários significados, e que seja ele qual for, é invariavelmente distorcido pelos ditos cujos. Querem ver? 

Fui ao dicionário de Augusto Moreno procurar o substantivo "populismo" e só encontrei "populista", que dizia significar: "pessoa amiga do povo".  Já no Wiquicionário, sobre populismo li o seguinte: "estilo de fazer política, que consiste no uso de promessas demagogas, insuflações regionalistas, e atribuição de rótulos aos adversários eleitorais, com vistas a criar um clima de messianismo e segregacionismo político, de modo a beneficiar o seu praticante".

Agora, a título comparativo, façamos o seguinte exercício: quando ouvimos certas figuras públicas ligadas à Justiça, ao Ministério Público, ou à clã de advogados ricos falar [mal]  do bastonário Marinho Pinto, a qual tipo de populismo acham que se estão a referir? Ao indicado no Augusto Moreno, ou no Wiquicionário?

Claro, que já conhecem a resposta. Mas, acham honestamente que a versão do Wiquicionário corresponde à realidade Marinho Pinto? Encaixará ele no quadro de demagogo? Não me parece... Pessoalmente, o meu instinto é inverso. Quando vejo ou leio alguém a atacá-lo com aquela ambiguidade de quem quer dizer muito sem dizer nada, reactivamente, imagino como será o volume de tramóias e cumplicidades proveitosas constante do currículo secreto do acusador...

Em boa verdade, não precisava deste longo preâmbulo para vos convidar a interpretar a palavra populismo pela versão do dicionário Augusto Moreno - que é a que me parece mais correcta -, sobretudo para vos recomendar vivamente a leitura  desta crónica   do bastonário Marinho Pinto.