Ponto 1
Da política
Já ouvimos Cavaco queixar-se da sua parca reforma, que mal lhe chega para as despesas, e ouvímo-lo a aconselhar os portugueses a emigrar [que grande estadista!]. Vimos também Passos Coelho mandar "lixar" a Democracia [que grande democrata!]. Agora, é o "regionalista assumido" Carlos Abreu Amorim, que chamou magrebinos aos benfiquistas [que grande regionalista!]... Decididamente, esta gente da política tem muita classe!
Como venho dizendo nos últimos tempos, parece que quanto maior é o estatuto das pessoas, maior é a leviandade das suas declarações.
Que diabo, se fosse um cidadão comum, que anda farto de ser enganado, e sem as responsabilidades desta gente, podia-se entender a linguagem. Até porque nós não dispomos de meios legais para nos livrarmos deles em tempo útil, e temos "vastas" razões para os maltratar. Agora, esta gentinha, com as responsabilidades que, em má hora, lhes atribuiram?
Não é que simpatize com magrebinos, mouros, ou benfiquistas. De todo! Às vezes, eles merecem mesmo ser tratados abaixo de cão. Mas que raio, nós não temos as responsabilidades dos políticos. Estão a ver por que é que não engulo essa de ter de contribuir para o pagamento de dívidas que gente desta laia, que exerceu funções governativas e administrativas no Banco de Portugal foi incapaz de evitar? Afinal, em que poleiro se colocam eles? No nosso? Querem-se "popularizar", descer à plebe desta maneira, dando estes tristes exemplos? Se sim, então retire-se-lhes imediatamente o poder, as mordomias e os vencimentos principescos, para a igualdade ser mais completa. Ou então, deixem-nos governar a nós, com as mesmas regalias deles, que pior é impossível fazer. Esta gente anda toda louca.
Ponto 2
Do futebol
Também não percebo as bruscas inversões no trajecto da opinião de certos adeptos. Em alguns blogues portistas, onde parece imperar a reflexão aprofundada do fenómeno futebolístico, alguns que antes quase crucificaram o treinador do FCPorto, andam agora a suplicar a sua permanência sem admitir que outros não pensem como eles. Mas, será assim tão complicado compreender o que se passa?
Pessoalmente, o que gostaria de ver reimplantado no FCPorto, além da cultura de sucesso [que essa está bem e recomenda-se], era o bom futebol. Quando digo bom futebol, naturalmente quero dizer o bom futebol possível a um clube com os recursos do FCPorto, que como sabemos não pertence a nenhum potentado alemão ou espanhol.
O sistema de jogo de Victor Pereira privilegia a posse de bola, rouba-a ao adversário, mas nem sempre sabe o que fazer com ela. Este ano e o ano passado resultou, mas haverá alguém capaz de apostar no mesmo sistema e com os mesmos defeitos para a próxima época? Não há dúvida que Victor Pereira saiu outra vez vencedor em relação ao jogo mais corrido e espectacular do Benfica, e por isso deve ser considerado e respeitado, mas a pergunta que deixo no ar é a seguinte: não seria possível desenvolver o mesmo sistema com os mesmos resultados, mas com um futebol mais atractivo? Eu acho que sim.
À excepção de determinados jogos, com o PSG, e com o Málaga, em casa, o FCPorto produziu um futebol chato, de pára e arranca, com passes errados, para trás, não só em movimentos defensivos como de ataque [contras as normas], com força a mais ou a menos, o que só não nos causou amargos de boca porque o sector defensivo foi chegando para as encomendas. Não acredito que ninguém possa contrariar esta realidade sem o recurso à negação teimosa dos factos.
É também verdade que Victor Pereira não dispôs de um plantel muito equilibrado. Treinou praticamente com um único ponta de lança [Jackson], não teve um extremo à altura de Hulk, nem pôde contar com um Varela a 100%, que só reapareceu praticamente nas 3/4 últimas jornadas. Por isso, V. Pereira teve mérito, o seu trabalho tem sido sério. Mas, insisto, e o resto? Que razões estranhas podem explicar os defeitos atrás apontados? Serão irrelevantes em alta competição? Seria uma má condição física geral? E por quê, se o clube até foi afastado prematuramente da Taça da Liga, de Portugal e das Champions, e teve mais tempo para recuperar o grupo?
É também verdade que Victor Pereira não dispôs de um plantel muito equilibrado. Treinou praticamente com um único ponta de lança [Jackson], não teve um extremo à altura de Hulk, nem pôde contar com um Varela a 100%, que só reapareceu praticamente nas 3/4 últimas jornadas. Por isso, V. Pereira teve mérito, o seu trabalho tem sido sério. Mas, insisto, e o resto? Que razões estranhas podem explicar os defeitos atrás apontados? Serão irrelevantes em alta competição? Seria uma má condição física geral? E por quê, se o clube até foi afastado prematuramente da Taça da Liga, de Portugal e das Champions, e teve mais tempo para recuperar o grupo?
Tudo está bem, quando acaba bem, diz o ditado. Foi o que sucedeu esta época, com a conquista do título principal, mesmo sobre a meta. Mas, e se não fosse assim, o que diriam os agora apoiantes de Victor Pereira? Por tudo isto, gostaria de ser formiguinha para poder assistir aos treinos, e ser mais conclusivo. É que, tanto este ano, como na época transacta, passei-os na expectativa que essas deficiências tècnicas acabassem por ser corrigidas, mas não foram...
Todas estas situações me levam a concluir o seguinte: se os jogadores, o plantel enfim, é bom [ainda que algo desequilibrado], é porque, colectiva e individualmente, é competente. Então o que explicará aquela maldita tendência para parar, e passar para trás, em vez de progredir aplicando a técnica [finta] nas chamadas transacções ofensivas? Cá para mim, a explicação é a seguinte: é porque os jogadores têm medo de falhar, de fugir à rigidez do sistema de posse de bola implantado, que não privilegia muito a criatividade dos jogadores para criar rupturas. A equipa só se tornava atrevida já muito próximo da grande área adversária, mas ultimamente já só era capaz de o fazer de modo lento e previsível, facilitando assim a defesa dos oponentes.
Esta é apenas a minha opinião, mas não encontro outra explicação. O que não quer dizer que não acredite no sistema de jogo de Victor Pereira, mas suponho que, tarde ou cedo, terá de correr sérios riscos, caso nele não contemple a rapidez, os movimentos de ataque bem definidos, com os jogadores a saberem para onde ir, e chutar com boa direcção à baliza.
Ah, vou-me repetir, mas é melhor prevenir... Gosto de ópera, mas no sítio certo. Agora, o que não sou é um adepto exclusivamente resultadista. Se o futebol se resumisse a um simples 1X2, jogava no totoloto, e deixava se calhar de o ver.
Ah, vou-me repetir, mas é melhor prevenir... Gosto de ópera, mas no sítio certo. Agora, o que não sou é um adepto exclusivamente resultadista. Se o futebol se resumisse a um simples 1X2, jogava no totoloto, e deixava se calhar de o ver.


