09 abril, 2010

O fenómeno futebol

Curioso, o fenómeno futebol! Cada vez que resolvo escrever sobre o tema, o nível de comentários sobe de forma vertiginosa. Isto, vale o que vale, mas pode querer dizer alguma coisa.
Quando criei este espaço de opinião, fiz questão de não o emparedar dentro de uma temática específica, tendo embora a cidade do Porto e tudo o que a envolve, como ponto nuclear. A abertura descomplexada ao debate sobre futebol foi intencional, uma espécie de teste, procurando estabelecer a ponte entre os afectos clubísticos dos leitores [que são dos mais fortes] e os interesses económico-sociais.
Noutros espaços do género, há quem discuta os assuntos com propostas vestidas de soluções consoante a área académica ou profissional de quem as apresenta. É uma opção válida, mas um tanto inócua, considerando as minúsculas oportunidades de execução das mesmas. Nós cidadãos, podemos teorizar, apresentar esquemas cientificamente válidos, mas ainda não vivemos numa sociedade devidamente estruturada para os aproveitar. Contudo, interiorizamos a ideia reconfortante para o ego de estarmos a fazer algo mais do que simplesmente criticar. Pura ilusão. Por mais sérios e rebuscados que sejam os nossos planos ou ideias, são outros, quiçá os mais incompetentes, quem os executa [quando executa].
Naturalmente, seria demagógico indignarmo-nos com os métodos distorcidos de premiar financeiramente o mérito de gestores de empresas publico-privadas e fechar os olhos aos dos directores desportivos do nosso clube, apenas porque se trata do nosso clube. O amor ao nosso clube não deve superar a exigência do rigor. Mas há um pequeno/grande detalhe a separar as mesmas águas: é que as vitórias do nosso clube funcionam como lenitivo para todas as frustrações, e por isso, consciente ou inconscientemente, nos dispomos a irrelevar a obscuridade das contabilidades e das grandes negociatas. Mas o futebol não é pior do que o resto. É igual. A diferença está no tipo de compensações, no feed-back do desperdício.
Ao gestor de uma grande empresa não toleramos que beneficie de sumptuosos vencimentos, porque não nos contentamos em saber dos lucros [objectivos] dessa empresa sem conhecer o destino que tiveram, de como, quem e quantos, deles beneficiaram. E com razão. Porque esse é o mistério que, curiosamente, nem os próprios jornalistas se interessam em desvendar... Ao dirigente desportivo, só pedimos é que vença, caso contrário, as contas terão então de ser feitas.
Com isto, não se deve extrapolar para o preconceito espalhado que diz que o futebol aliena. Não, a sociedade, tal como está esquematizada[mal, quanto a mim] é que aliena e mitifica. O futebol, limita-se a ser um ramo de uma gigantesca árvore com uma vantagem sobre todos os outros: distribui a "riqueza" dos afectos e encobre secretas frustrações com mais democracia. Por isso, agrada a uma maioria.

08 abril, 2010

Derrota épica!

E, como diria Jorge Jesus, vamos ganhar por quatro a um! Ah, ah, ah!

Hoje, fui patrioticamente inglês! Viva o Liverpool!

Lugar de Pinto da Costa gera formigueiro pandémico

Ando tão enojado com a política e com quem dela se aproveita para fazer fortuna que, à falta de um bom pau de marmeleiro para os meter na ordem, prefiro falar de outros assuntos. Ainda me incomoda mais quem defende as chamadas elites de colarinho branco que mais não são do que criminosos credenciados pelo poder para exercerem as suas lucrativas actividades ao abrigo de uma investigação policial que se preze. São as chamadas elites de merda [perdoem-me o grosseiro desabafo]!
Apesar de tudo, não sendo o futebol um mundo de virtudes, prefiro falar sobre ele. Ora, vamos a isso.

Paira no ar, mais propriamente na blogosfera portista, um clima de agitação àcerca da continuidade de Pinto da Costa na Presidência do FCPorto que me começa a preocupar. Não conheço o senhor Pinto da Costa a não ser enquanto dirigente do FCPorto, portanto, não é na qualidade de amigo ou conhecido que falo dele. Estou portanto à vontade para dizer que me preocupam sim, as vozes que, pressentindo o desaire da época futebolística decidiram vestir a roupa dos nossos adversários desatando a reclamar a sua substituição. Gente vulnerável esta. Bastou uma época menos conseguida para logo colocarem em causa a saúde mental de PdCosta.
Num ápice, ficaram para os confins da memória os ainda recentes anos de glórias, que nem o mais optimista alguma vez sonharia! Esqueceram-se que só no futebol e sem os mesmos recursos dos grandes clubes europeus, o FCPorto, pelas mãos de PdCosta, foi campeão europeu e mundial, duas vezes! Esqueceram-se de que, em mais nenhuma área, Portugal consegue equiparar-se com igual projecção aos melhores da Europa. Esqueceram-se das medíocres prestações governativas, do subdesenvolvimento económico e social do país, dos salários terceiro mundistas, do desemprego galopante, das vigarices escandalosas praticadas por homens ligados ao Poder, da lazarenta gestão camarária, das conspirações centralistas, dos cineastas viperinos, das escutas, dos apitos, dos processos nos tribunais, da ignomínia justiceira da Liga, das arbitrariedades, das injustiças. De tudo se esqueceram estes portistas de ocasião.
É claro, todos sabemos que ninguém é insubstituível, que um dia chegará que PdCosta terá inevitavelmente que dar o lugar a outro, mas por quê tanta ansiedade? Eu também não gostei do futebol praticado este ano, mas o treinador é o mesmo que ganhou 3 campeonatos seguidos, e no entanto, nunca apreciei o futebol de Jesualdo, e foi a ele que dirigi as minhas críticas. Não por ser mais fácil, mas porque no campo, é ele quem decide. Disse-o aqui este ano que não me importaria de "engolir" outro sapo se o FCPorto fosse campeão, mas reconheci-lhe o mérito por ter alcançado os objectivos. Todos percebem o que quero dizer, não vale a pena contra argumentar. Há êxitos que convencem e outros não. Foi o caso.
Palpita-me que no FCPorto já se perfilam putativos candidatos a qualquer coisa. O que lhes interessa agora é sacudir a água do capote para marcar posições. Palpita-me que, para desgosto dos portistas forever, um dia destes [que espero esteja longe] ainda vamos assistir à versão portista dos Vales e Azevedos* e Filipes Vieiras.

*Este vigarista continua a brincar às escondidas com a "Justiça" portuguesa e todos continuam a assobiar para o lado, incluindo os sempre atentos jornalistas. Já imaginaram o que seria se ele se chamasse Pinto da Costa?

07 abril, 2010

A CMP e a praça dos Poveiros

Embora não concordando com aqueles que afirmam que as obras efectuadas pela Porto Capital da Cultura 2001 foram um total desastre, reconheço que houve muita coisa mal feita. Um dos exemplos é a praça dos Poveiros, que se transformou num dos locais mais desagradaveis da zona central da nossa cidade. Não sei o que pensam os teóricos e os técnicos urbanistas sobre aquela versão minimalista do que seja uma praça, mas para mim aquilo é um desastre estético, agravado pela fraca qualidade dos edifícios que a rodeiam e que aliás se estendem para parte do jardim de S. Lázaro,alguns dos quais nem lugar teriam nas piores cidades do 3º mundo. (No blogue "As casas do Porto", com data de 18 de Agosto último, podem ver-se fotos daquela miséria)

Para piorar a situação, e de acordo com a queixa do proprietário de um estabelecimento local (PUBLICO de domingo passado) o espelho de água é actualmente um depósito de água estagnada, a praça é poiso de vadios frequentemente embriagados, e a escadaria de acesso ao estacionamento espalha odores nauseabundos por se ter tornado casa de banho improvisada.
Em resposta a esta queixa, a CMP parece reconhecer os factos e informa que a fonte é lavada semanalmente para retirar do fundo as porcarias que lá se acumulam, que os motores (supõe-se que sirvam para fazer circular a água) serão reparados (o que significa que a CMP conhce a anomalia mas tem estado a assobiar para o lado) e que a escadaria será limpa semanalmente,o que pressupõe que tem ignorado até agora a imundície que por lá vai. O resto da queixa, diz a informação da CMP, é assunto de polícia. Efectivamente assim será, mas cheira um bocado a "sacudir a água do capote". Podem assim os serviços camarários regressar ao abrigo tranquilo da sua burocracia, onde não há stress nem grandes preocupações.

Este pequeno episódio retrata o que se vai passando na nossa cidade e ajuda a explicar a falta de amor-próprio de que os portuenses sofrem. Temos um presidente da câmara que mantem a cidade em imobilismo desde o dia da sua posse, mas que poderia ao menos dinamizar os serviços camarários e pô-los ao serviço efectivo da cidade. Nem isso consegue.

Mas, em boa verdade, quem sou eu para assim querer contestar o resultado das eleições? Se foi esta a decisão soberana da maioria dos portuenses, pois que assim seja! Resta-nos esperar por melhores dias.

06 abril, 2010

"Por mim, a EDP até pode propor Balões a Ar Quente para o Tua"


… E transformar o Vale do Tua numa nova Capadoccia. E dizer que isso é a sua responsabilidade social, promovendo o turismo na região. Como o fez com a campanha publicitária de propagação dos seus valores ambientais, que acredito que tenha, mas que foi paga pelos próprios Fundos destinados à compensação da população afectada. Está bem, um cantor, uma empresa de audiovisuais de Belém e uma qualquer agência de publicidade sediada na capital, mais uns quantos jornais, rádios, tv’s e salas de cinema foram devidamente compensados pelo desaparecimento de uma linha ferroviária e de um património algures em Douro e Trás-os-Montes. Uma política de casinos ao contrário. Destrói-se lá para o Norte e compensam-se os meios artísticos cá da capital. Esta estratégia é da exclusiva responsabilidade da EDP, dos seus gestores e accionistas. Mas quem a fiscaliza? Porque o problema do atentado patrimonial, ambiental e populacional é dos poderes públicos que não existem ou se omitem na defesa da causa e do interesse público. É um bom exemplo da falta de um poder regional, criando-se vazios de silêncios e omissões. Será a meia dúzia de autarcas da região, os únicos responsáveis pela sua defesa política? E os outros aqui da capital do Norte Litoral, ficam-se só pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, porque aquilo já não é da sua responsabilidade, nem têm lá votantes seus? A CCDRN, cujo PROT foi elaborado de forma a ser aprovado num dado prazo legal, logo desenvolvido de acordo com prévias indicações centrais, e de empresas públicas e privadas conforme confidenciado publicamente pelos seus técnicos, bem pode dizer que defende a Regionalização, porque não passa de discurso subordinado a outras directrizes. As coisas querem-se para situações concretas, para se ser, não para formalismos.
Há outras pessoas mais capazes de descrever o que se está a destruir no Vale do Tua. A nossa própria consciência, se a ouvirmos, não nos oferecerá dúvidas. Porque acima de tudo há uma questão de valores e princípios éticos, do que é certo e errado, do que é bem e o que é mal. E a destruição do Vale do Tua está clara até na consciência de quem a promove. É bom não perder muito tempo a pensar e passar antes a ridicularizar os que têm opinião diferente quanto aos efeitos de um ideia, que é boa, de redução da dependência energética do país, mas que não pode fazer tábua rasa de outros valores que se perderão para sempre.
Deixo aqui um pequeno raciocínio: se uma via alternativa para os 16 kms submersos custa 130 a 140 milhões de euros e se a linha são 54 kms, quanto pode a população local aspirar como indemnização compensatória a deixar pela EDP nesta Região? Uma regra de três simples, cerca de 500 milhões de euros. Eu aconselho as populações locais a pedir já este valor a sua região, criando um Fundo para o Desenvolvimento do Vale do Tua e dinamizar as termas, o Cachão, a agro-indústria, a criar um museu para a Região, e construir um reservatório de gás para os balões...
Há uns meses atrás, propus a criação de uma plataforma denominada Rede Norte, com a intenção de juntar os diferentes movimentos de cidadãos no apoio a causas cruzadas, porque senti que só assim teriam a força de ser ouvidos. E pessoas do Porto a defender o Tua não é o exactamente o que tenho lido pelos analistas da EDP antecipando as críticas das populações locais ao Plano de Barragens. O que está em causa são algumas das barragens, que destroem, por desconhecimento. Essa plataforma terá agora visibilidade no Movimento Norte Sim.
O Dr. António Mexia terá oportunidade na próxima 4ªfeira à noite, nos Olhares Cruzados sobre o Porto, na Universidade Católica, de nos instruir sobre os destinos do Norte, enquanto o Dr. Jorge Pelicano estreia na 5ªfeira num cinema do Porto o seu “Pare, Escute, Olhe” sobre o impacto da perda da linha do Tua nas populações locais. Curioso este mundo, em que existem associações ambientais e ecológicas para quase tudo, excepto para a espécie humana. Podem todos estar de consciência tranquila e defender legitimamente os seus interesses, mas que destruir uma linha ferroviária que é a coluna vertebral, não só para o turismo, de uma região que tanto tem sofrido por políticas idênticas é um daqueles erros que ficará para julgamento da História. Se continuam a dormir de consciência tranquila, bons sonhos. Eu prefiro pedir 500 milhões de euros para a Região, de acordo com os cálculos da EDP.
José Ferraz AlvesRede Norte
[extraído do blogue A Baixa do Porto ]

As manhas das televisões centralistas

Alberto Castro escreve regularmente para o JN. Pertence ao estrito grupo de colaboradores deste jornal que gosto de ler. Hoje, o tema escolhido foi Valença e o sistema de saúde aí imposto pelo Governo que correu os utentes locais para uns confortáveis quilómetros de distância. Para Monção... Não admira vê-los hoje a hastear orgulhosamente a bandeira espanhola do país que lhes abriu as portas do sistema de saude que Portugal agora decidiu fechar.


Há, além disso, um curioso apontamento off-topic, um PScriptum, nesse artigo que vale a pena ler aqui.

PS, PSD, PS, PSD, PS, PSD. Irra, só há isto?

Admito que o problema seja meu, mas tenho alguma dificuldade em compreender o conservadorismo ideológico das populações, a sua incapacidade para experimentar novos desafios. O fenómeno, infelizmente, não é só português, estende-se ao resto da Europa e a todo o Mundo.
Politica e partidariamente, o eleitorado parece psicologicamente entalado entre a social democracia e o socialismo capitalista [como é o do actual regime]. Nem o PSD/PPD durante o seu tempo de vida, conseguiu afirmar-se como cópia do modelo nórdico, nem o PS soube capitalizar o fracasso ideológico dos sociais democratas portugueses. Ao longo dos anos de alternância governativa, tanto um partido como o outro, falharam em toda a linha. Restam o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, mas esses, continuam perdidos nas suas contradições doutrinárias sem conseguirem sair do espartilho conformista de pequenos partidos de oposição. Parece terem assumido interiormente, que só podem sobreviver enquanto os partidos da esfera do poder o permitirem. Ou então - o que é mau sinal -, não estão dispostos a apresentar-se ao eleitorado com propostas governativas, por não as terem, ou por não quererem a responsabilidade de governar o país. É a partir desta apatia política que as ideias cristalizam.
Só mentes centralistas, é que podem continuar a defender conceitos assentes em utopias. Hoje, Paulo Ferreira, subdirector do JN, vem a terreiro defender a suspeitíssima tese de que uma sociedade pode sobreviver ao valor paranóico dos prémios de competências segundo pontos de vista meramente mercantilistas. Paulo Ferreira, considera justo, por exemplo, que o Presidente da EDP, António Mexia receba de remunerações 3,1 milhões de euros, só porque foram os accionistas a estabelecer as metas para as "merecer". E que tal, ir um pouco além deste argumento estritamente economicista e explicar quais os benefícios para a sociedade para um administrador merecer tão gordo e imoral prémio? Os resultados de uma empresa nem sempre são bons para a comunidade. Em muitos e muitos casos [talvez para a maioria], os bons resultados económicos e financeiros reflectem-se de modo evidente bem mais para quem administra, do que para quem contribui para os alcançar. E, é para este objectivo individual que se premeia o mérito? Será que as pessoas já pensaram bem nesta aberração social? Não será altura de mudar o paradigma? Depois, admira-se o jornalista, que casos destes suscitem aquilo a que ele chama de "atávica inveja social". E como não? A transmissão desse sentimento de inveja para a sociedade não é de ordem genética, faz-se e reproduz-se tanto mais intensamente quanto mais aberrante e injusta for a distribuição da riqueza produzida. Ora, estes ordenados milionários atribuídos aos gestores de grandes empresas publico-privadas, são tudo, menos justas e moralmente aceitáveis.
Um raciocínio como o de PFerreira, só pode espelhar uma mente preparada para aproveitar a 1ª oportunidade que o patrão Joaquim Oliveira lhe possa colocar à disposição na Controlinveste. Não será por aqui, seguramente, que o público que lhes paga os vencimentos terá novos paradigmas sociais, posto que, como para qualquer banal homenzinho, o dinheiro e só o dinheiro, comanda a vida.
Boa sorte, Paulo Ferreira, um destes dias terás a justa recompensa pelos teus "méritos" extra terrestres.

05 abril, 2010

Caruncho democrático

Folheando o JN de hoje, deparei nas páginas 10 e 11, com um artigo em memória de Artur Santos Silva, um destemido lutador republicano pela Liberdade.
Nas duas páginas seguintes vinham estampadas quatro colunas com artigos de diferentes pessoas, incluindo um do filho com o mesmo nome, figura destacada de um dos poucos bancos que resistiram ao devorador saque centralista. Naturalmente, todos eles teciam os mais altos elogios à ilustre personagem.
O elitista e liberal advogado Miguel Veiga dedicou-lhe este piropo: «O tempo esse grande escultor, esculpiu em bronze o carácter, a vida, o caminho da aventura humana de Artur Santos Silva, que ele fez caminhando pelo seu pé, amiúde contra ventos e marés, com obstinado rigor, solidária tolerância, recta e honrada intransigência, decência da cidadania e postura erecta, vertical e orgulhosa de quem nunca foi ao Paço pedir a baga e a paga de uma tença.»
Com todo o respeito pela intenção do autor, perdoaría tão rebuscada frase de consideração ao homenageado caso conseguisse descortinar qualquer afinidade entre um e outro. Louvar alguém, entre densos e pedantes elogios, por nunca ter ido ao Paço [Terreiro] é justo, mas não condiz com o actual percurso político de quem o faz. Miguel Veiga tem-se celebrizado nestes últimos anos por ser rico, e por estar sempre ao lado do Terreiro do Paço, com Rui Rio e Mários Soares...
Este louvor, é uma perfeita hipocrisia. Talvez, Artur Santos Silva [pai], mereceesse mais respeito. Digo eu. Há aqui um qualquer complexo queiroziano mal resolvido.

01 abril, 2010

Uma feliz Páscoa

E o Filho do Homem
Entristeceu-se,
Angustiou-se
E temeu...
Bebeu do cálice
Da traição
Do sofrimento
Da vergonha
E do embaraço...
Despiram-lhe as vestes
Cuspiram-lhe nas faces
Desnudaram-lhe a alma...
Naquela hora
Houve trevas...
E clamando,
Entregou o espírito...
Partiu-se então o véu
E a terra tremeu...
.
neli araujo
2010
.

O cartoon do ano


[Extraído do jornal Público]
Falando em mentiras, é obviamente mentira que a história dos submarinos não envolve nenhum político português. Garanto-vos, estão todos inocentes. Pobres, mas honestos...

31 março, 2010

As entrevistas, e o resto

Como ontem escrevi, as entrevistas silmultâneas do Presidente do FCPorto e do Orelhas em estações diferentes [RTP1 e SIC], apenas serviram para dividir audiências e para as comparar. Mesmo assim, Pinto da Costa levou larga vantagem sobre o seu rasca imitador da 2ª. circular. Imaginem o que seria se as entrevistas fossem em separado!

Pelo pouco que à posteriori pude ver, o Miguel Sousa Tavares não foi o entrevistador corrosivo que se impunha. Parecia um cordeiro, quase um lambe-botas. Como portista, não gostei do seu papel de entrevistador, muito permissivo e tolerante. Não se lhe pedia que imitasse a Manuela Moura Guedes, mas, nem oito nem oitenta, não precisava de ser tão delicado. Como entrevistador, definitivamente, não é grande coisa. Neste momento a SIC deve estar a repensar a gananciosa estratégia de imitar à pressa a concorrência. Quanto a Pinto da Costa, pareceu-me menos solto que noutras alturas. Tal já era de prever, tanta tem sido a mordaça que um débil mental - convencido que é jurista -, lhe tem tentado colocar na bôca. Mesmo assim, pareceu confiante e creio que transmitiu essa imagem aos adeptos. De resto, nada de novo.

Mudando de assunto. Fui ao velhinho dicionário de Augusto Moreno vasculhar o que lá se dizia sobre élites, e dizia assim: alta roda; sociedade elegante; os melhores elementos de uma sociedade ou grupo; o escol, a fina flor. Presunções ou mariquices à parte, o adjectivo que actualmente alguns tentam fazer prevalecer, é o terceiro: os melhores elementos de uma sociedade. E o que é que se pode entender por élites no melhor sentido da palavra? Para mim, é simples. Os melhores elementos da sociedade são todos aqueles, que através da sua inteligência, determinação e voluntariedade, contribuem de algum modo para a melhorar, quer em termos humanos e científicos como tecnológicos. A economica e as finanças também se incluem no pacote elitista, desde que a criação de riqueza seja distribuída pela comunidade de forma justa e séria. Não pertence a uma elite o assambarcador, o rico improdutivo. Portugal está saturado de ricos vigaristas. A este grupo pertencem, entre outros parasitas, muitos, demasiados políticos. É preciso acabar com esta peçonha, e depressa. Mão pesada, e cadeia com eles, tem de ser a palavra de ordem do futuro próximo.

É por ouvir falar demais das élites portuenses e por não as vislumbrar em lado nenhum que vos preguei este sermão. Neste momento, gostava de me entusiasmar com notícias positivas das obras que estão por fazer, mas já não sou capaz. No Porto, andámos há tempo de mais a discutir projectos, alterações de projectos, e alterações às alterações dos projectos. É enfadonho, deprimente mesmo. É o mercado do Bolhão que não há meio de ser reabilitado, é o Pólo de Serralves na Senhora da Hora que nunca mais começa, é a ampliação das linhas de Metro para Gondomar , é a linha do Campo Alegre, ora à superfície, ora enterrada, é o bairro do Aleixo, é a reabilitação urbana do Porto [não só o centro histórico]. Tanta coisa para fazer e por fazer, há tanto tempo! Optimismo? Vão brincar com o S. Pedro! Ou, com Rui Rio...

Se há cidade onde o célebre efeito difusor [o tal de spill-over] já está a ser aplicado é no Porto, só que no sentido contrário ao que seria de prever. Deve ser por causa dele que a Via Porto [não se impressionem, o "Porto" é mesmo para disfarçar], pertencente ao consórcio da Barraqueiro, de Lisboa, venceu o concurso para a concessão de exploração do Metro do Porto, afastando a portuense Transdeve [Efacec]. Apesar de esta ter interposto uma acção em Tribunal contra a Barraqueiro, os argumentos que apresenta parecem pouco convincentes para alterar a decisão. Por isso, não se admirem se nos próximos tempos virem nas costas dos casacos dos homens da Metro do Porto a lisboeta Barraqueiro bem escarrapachada! Até ao momento, não tínhamos motivos de queixa dos serviços da Transdeve, mas futuramente, só podemos melhorar, está-se a ver...

Ó élites do Porto, adonde estaindes, que ninguém vos vê? Ah, já sei, talvez em Saint Moritz numa estância de ski a dessenferrujar as pernas. Há que disfrutar das férias da Páscoa, e é preciso fazer sacrifícios, apertar o cinto, não é assim ... Ou então, aproveitar para fazer a rodagem do último tôpo de gama da BMW, e ir comer umas ostras da Bretanha, a Cancale.
Por falar em férias e em élites, consta que o candidato a líder do PSD, Aguiar Branco, não se encontra no país. Não, não pode ser, estamos em crise. A esta hora deve é estar a pensar numa alternativa credível ao PEC.

30 março, 2010

Gain oblige [Ganância obriga]!

Qual Liberdade, qual carapuça! Qual amor clubista, qual treta! É o pilim, o cacau, a guita, o caroço, a massa, o carcanhol, a pasta, em suma, o dinheiro, quem mais ordena.
Bastou saber-se que a entrevista* de Pinto da Costa na RTP 1 estava agendada para hoje, para o portista Miguel Sousa Tavares ceder aos superiores interesses da SIC, permitindo que o seu habitual programa de 2ª.feira [Sinais de Fogo] fosse alterado para o mesmo dia e hora em que Pinto da Costa vai ao canal público. É o mercado, vão dizer. Nada melhor do que atirar para cima do povão com uma abstracção como é esta coisa do mercado, para calar as bôcas e todos engolirem a "pastilha".
Outrora, nos tempos em que a ética ainda se podia detectar pelas atitudes dos Homens, onde não se usava apenas como mera maquilhagem para retocar a dignidade de quem dela precisa porque não sabe o que é, dizia-se quando a consciência cívica falava mais alto: noblesse oblige [nobreza obriga]. Hoje, esta expressão tem uma utilidade cosmética, deu uma volta de 180º em termos práticos e foi substituída por outra, bem mais material: gain oblige [ ganância obriga]!
Miguel Sousa Tavares é um homem controverso. Tem tanto de lúcido, como de distraído. Às vezes parece que não é a mesma pessoa. Ao anuir às directrizes da Direcção da SIC que deliberou alterar o horário habitual do seu programa para competir com o da RTP, permitiu que a estação de Carnaxide matasse dois coelhos de uma só cajadada prejudicando implicitamente o impacto da entrevista de Pinto da Costa. Ou seja, dividiu o público em duas audiências, impedindo-o de assistir tranquilamente em directo a cada um deles, ao mesmo tempo que deu um bom pretexto para as comparar. Senão, é só aguardar umas horas e logo veremos se os gráficos de audiências não serão usados para tornar redutora a entrevista de PdCosta.
Os portistas mais radicais dirão que não lhes interessa ouvir o Orelhas, e aí, até os posso compreender [e como compreendo!], mas já não sei se diriam o mesmo se lhes perguntassem se não estariam interessados em ouvir as perguntas do Miguel a L.F. Vieira... O mesmo, por razões clubisticamente antagónicas, vai acontecer com a entrevista de Judite de Sousa. Ela, é uma portista apagada, domesticada, lisboetizada. O seu portismo nem se vai notar [aqui, o profissionalismo irá funcionar, vão ver]. É casada com um benfiquista pouco dado a rigores [e estou a ser simpático], e isso deve ter as suas consequências.
Por isso, as duas entrevistas têm igual interesse para públicos diferentes. Por isso, só um Miguel Sousa Tavares demolidor, pertinente e destemido, poderá remendar a asneira de ter concordado em passar o seu programa em simultâneo com o da RTP. Comercialmente falando, o grande público de uma e outra cor clubística nada tem a ganhar com a esperteza. Só perde. E Miguel S. Tavares, quer queira, quer não, estará a dar um contributo precioso para quebrar audiência à entrevista do líder do seu clube que conviria ser vista não só por adeptos como por adversários. Critérios.
Deixemo-nos de conversas. A ética é como o bom vinho, para preservar a qualidade intacta, não deve ser misturado, senão já não é vinho, é outra coisa qualquer. Na comunicação social a ética não se compadece com estes aforismos, é uma espécie de goma de mascar que se molda quando convém. É um mito. E o dinheiro, é o supremo dos valores [até para o Miguel].
Logo veremos se é ou não como eu digo.
* Entretanto, recebi a informação de um leitor através da caixa de comentários que esta entrevista não foi integrada no programa Sinais de Fogo, como erradamente os jornais noticiaram. Hoje, haverá um programa especial para a entrevista. De qualquer modo, a questão nuclear - que se prende com a data e hora da entrevista -, mantém-se.

29 março, 2010

Os nossos bravos deputados

Muita da diarreia legislativa de que sofre o país, é devida à quantidade de gente que está incrustada no aparelho administrativo do Estado, sobretudo no aparelho central, e que têm de justificar de qualquer modo o ordenado que recebem ao fim do mês, caso contrário poderia alguém reparar que não fazem falta nenhuma. Os deputados padecem do mesmo síndrome, o que nem é de admirar, visto que normalmente limitam-se a votar conforme o lider do partido manda. Mesmo quando pertencem a qualquer uma das Comissões que o parlamento cria, como a maior parte deles está calado, limitando-se a ouvir, a vida de deputado deve ser fatigantemente monótona. É por isso que cada vez há mais gente convicta de que 230 deputados é um número exagerado que poderia ser reduzido a metade, e também que se fossem adoptados os círculos uninominais, se aumentaria a utilidade dos deputados e que a sua responsabilização política e até cívica atingiria um patamar superior ao actual. Uma das consequências deste estado de enfado de tantos deputados, e uma das maneiras de se convencerem a eles próprios - e aos outros - que são indispensáveis, é propor Leis por mais descabidas que sejam.

Vem isto a propósito da iniciativa de um grupo de deputados que vai apresentar um projecto de lei que proibe a atribuição de nomes de pessoas vivas a todos os espaços públicos. O que me choca neste caso, nem é tanto o princípio em si mesmo. O que me repugna é a pulsão doentiamente centralista que leva os nossos bravos deputados a estabelecer princípios, decretados no Terreiro do Paço e como tal extensivos a todo o país, sobre matérias que a meu ver deveriam ser da exclusiva competência das autarquias locais. Trata-se de um abuso.

Há outros exemplos da mania que o poder central tem de se imiscuir indevidamente na vida dos cidadãos e na autonomia dos poderes locais. Um daqueles com que mais embirro é a obrigatoriedade dos taxis do continente terem todos a mesma cor, que aliás nem sei se é creme ou preto/verde, pois coexistem as duas modalidades. Se cada município determinasse a pintura dos seus taxis, como sucede em todo o lado, será que se perderia aquilo que gostam de chamar a "coesão nacional"? A República vai fazer 100 anos, mas não se perderam ainda tiques centralistas que eram apanágio das monarquias absolutistas.

Qualquer dia, quando outro grupo de deputados estiver enfastiado com a monotonia da sua rotina, são capazes de querer decidir, com aplicação em todo o país, o que deveremos obrigatoriamente fazer primeiro na nossa toilete matinal: se fazer a barba, se escovar os dentes!

28 março, 2010

Rui Veloso

Aos senhores jornalistas

Só terá ficado admirado com a demissão do Presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis da presidencia da Liga Portuguesa de Futebol, quem ainda não lhe teria visto o "rabinho". Sectário, cobardola e oportunista, como foi durante todo o tempo que esteve à frente da Liga, a decisão só podia ser esta. Fugir. Fiz questão de lembrar os mais distraídos da acumulação de cargos de Presidente de Câmara, com a de de Presidente da Liga, para procurarem descobrir, porque é que o colega de partido Rui Rio ainda não se pronunciou publicamente sobre esta promiscuidade, tendo em conta o alarido que causou a respeito de promiscuidades similares assim que foi eleito Presidente da Câmara Municipal do Porto... São os seus adeptos que estão sempre a dizer que ele é um homem sério, mas quem cala consente...
Portanto, fazendo fé na alta estima que os fãs/eleitores de Rui Rio lhe dedicam, só posso imaginar que foram as rudes recriminações que este fez ao colega Hermínio Loureiro, que o levaram a demitir-se... Portanto, a versão que por aí corre de que convidou o patético presidente da Comissão Disciplinar da Liga para se demitir com ele, não deve passar de boato... Sim, até porque esse, é completammente diferente... É um bocadinho mais alto. Como diz, o especialista em Direito, José Manuel Meirim[no Público], se Hermínio apelou a todos os órgãos da liga para a manutenção dos seus lugares a fim de garantir o bom funcionamento das competições, é porque ele não faz lá falta nenhuma. E, de facto, não faz.
Como também Meirim recorda, foi Laurentino Dias quem afirmou pretender erradicar a violência nos recintos desportivos, através da Lei 9 para restaurar a ética e incentivar as famílias a frequentar os estádios de futebol. A verdade, é que nenhum desses desideratos foi conseguido por H.Loureiro e respectiva equipa. O seu mandato só piorou as coisas, sendo que o responsável pela Comissão Disciplinar foi a maior nódoa de incompetência e facciosismo da história daquele organismo. Ambos, aliás, comungam das mesmas limitações intelectuais e de carácter. Foi para ter gente com estas características na Liga que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, tanto se bateu, e os resultados são bons de ver: humilhantes.
Mas, se se continua a pedir a moralização dos costumes e do bom convívio dentro dos próprios clubes, há ainda um hiato sagrado quase enigmático que escapa a esta exigência de renovação de valores. Chama-se: Comunicação Social. Até os governantes parecem temer exigí-la, e não se percebe porquê. É que, a Comunicação Social tem sido, sem sombra de dúvida, um dos mais influentes responsáveis pela falta de fair-play, pela intensificação do facciosismo e pelas profundíssimas injustiças do nosso futebol.
O discurso da moralização e da ética devia ter a Comunicação Social como principal destinatário, porque é parte interessada e interveniente. Só que, num país de clones, sem homens de Lei, não há quem meta os media na ordem. Eles, mais do que qualquer outra instituição deviam saber conviver com a ética. Reclamam-na de todos para todos, mas desprezam-na de si para os outros.

26 março, 2010

Phil Collins



Bom fim de semana

Air Race Porto/Gaia/Lisboa - Partilhar o que nos roubaram

Decorridos vários anos de sucessivas tentativas de decresdibilização e de aniquilação do FCPorto pela parte do Poder Central de Lisboa - que entretanto ajudou a empurrar o Boavista e o Salgueiros para os escalões secundários -, os portuenses foram confrontados com outro tipo de assalto, desta feita, menos subtil: a usurpação e consequente desvio do evento da Red Bull Air Race, do Porto para Lisboa. Naturalmente, que esta patriótica decisão veio gerar muitos protestos entre os portuenses e aumentar a revolta com as vilanias de que continuam a ser vítimas pelas hostes centralistas. Muito se falou e escreveu sobre o assunto.
Entretanto, por razões ainda pouco claras [que o futuro se encarregará de explicar], o Presidente da Câmara de Lisboa, autor da malandrice, estabeleceu um acordo de cavalheiros com os Presidentes das Câmaras saqueadas [do Porto e Gaia] de onde resultou a alternância da realização da prova entre Porto/Gaia e Lisboa. Por aquilo que me apercebi, a notícia aparentemente positiva, não gerou o entusiasmo que se esperaria junto dos portuenses. Soube-lhes a refeição requentada...
Por seu lado, o edil portuense, homem de vistas curtas e com imensos complexos centralistas, aceitou o acordo com a mesma humildade que o pedinte aceita a esmola, convencido de ter retirado da cartola um rechonchudo coelho para tripeiro consolar. Alguns, ao que parece, ficaram mesmo consolados, o que é um péssimo sinal.
Para mim, isto é estranho. Quer dizer, sempre que nós chamámos a atenção para a discriminação que se continua a fazer com o Porto e o Norte do país, vendo verbas comunitárias [QREN] que nos estavam destinadas a serem desviadas para Lisboa, somos imediatamente tratados como calimeros, agora, quando fomos roubados como fomos com a Red Bull Air Race, ainda temos de negociar com os larápios e dar pulos de contentes? Mas, que gente é esta que agora vive entre nós? Serão tripeiros mesmo, ou simples imigrantes?
Honra terão de me prestar por não me deixar embarcar em modas. Aqui, sempre me opus a slogans politicamente correctos. Nunca augurei nada de bom com aquelas lindas frases como, "do Porto para o Mundo", que nos andaram a impingir como se fossemos tontos, ou com os discursos castradores da nossa identidade. Cada vez me convenço mais que o Povo do Porto, o mais castiço, o povo da rua, é o menos culpado pela situação decadente da cidade.
Se há classe social a quem devemos pedir responsabilidades, é à da alta burguesia. Foi essa classe que mais concessões fez ao centralismo e que permitiu a espoliação dos sectores mais fortes da nossa economia. Sedes de Bancos, de Jornais, de Seguros, de Empresas, de Televisão, organismos do Estado e empresariais que em tempos de Ditadura se impunham no Porto, em Democracia já não existem! Como é possível? Será que os ignorantes dos nossos políticos desconhecem que foi pela degradação social e económica da Democracia que Adolfo Hitler implantou a Ditadura e acusou os judeus de todos os males da Alemanha? Imaginam porventura estes cavalheiros a quantidade de inocentes que morreram acusados por crimes que não cometeram? Não, estou convencido que esta geração de políticos não leu nada sobre o assunto.
Por isso, talvez só mesmo a ignorância explique por que é que 90,3% de um painel de entrevistados respondeu SIM a um inquérito promovido pelo semanário Grande Porto à pergunta: «É boa a solução encontrada para que a Red Bull Air Race se dispute alternadamente entre Porto e Lisboa?». Entre eles, contam-se personalidades bem conhecidas dos portuenses, como o Manuel Serrão, o Carlos Abreu Amorim e o actor António Reis. Só três, votaram NÃO, sendo o socialista Pedro Baptista o mais conhecido.
Mas que raio está a acontecer com os portuenses? Onde pára o orgulho tripeiro, para além das portas do Estadio do Dragão?
Pessoalmente, preferia mil vezes ver completamente reabilitados dois ou três quarteirões do centro urbano do Porto, do que as corridas de aviões da Red Bull, mas, já que Rui Rio [e quem nele votou], não tem capacidade para tanto, pedia-se-lhe, no mínimo, que soubesse presevar o que foi de sua lavra [e de L.Filipe Menêzes]. A Air Race foi um evento a que os tripeiros e todos os portugueses aderiram entusiásticamente, dinamizou durante uns dias o turismo e o comércio locais. O espectáculo impressionou favoravelmente e a economia mexeu, ainda que por poucos dias.
Então, porque é que Rui Rio e L.F.Menêzes, não subiram a parada uma vez aberto o precedente pelo Presidente da Câmara de Lisboa de desviar para a capital um evento do Porto e não incluíram no pacote negocial uma outra contra partida em regime de alternância? Por que é que não negociaram também o Rock in Rio alternadamente? Aí sim, toda a gente saía bem na fotografia - incluindo o Presidente da Câmara de Lisboa -, e Porto e Gaia teriam revertido a situação. Agora, regozijarmo-nos por repartirem connosco aquilo que antes nos usurparam, parece-me próprio de atrasados mentais, de coitadinhos.

25 março, 2010

Outra pérola jornalística

Dizem que Hugo Gilberto, o pivôt do programa Trio de Ataque, é simpatizante do FCPorto. Não sei se é verdade, mas se é, preferia que não fosse, porque a simpatia que revela pelo clube é do tamanho de um feijão, comparada com a que denuncia pelo seu chefe/editor, o benfiquista que diz ser paredista, Carlos Daliel. Futebol é futebol, tacho é tacho. A propósito, aqui vai uma boa dica para fundar um clube com um nome pragmático para este tipo de adeptos: Futebol Clube dos Tachistas.
Se Hugo Gilberto é portista, esta frase que deixou hoje plasmada no JN, depois de mais um programa emitido a partir de Newark, desmente-o. Leiam só isto: « Neste mundo português o benfiquismo é uma religião cheia de incansáveis praticantes. Milhões de emigrantes e luso descendentes que não perderam a fé nos últimos 20 anos - terríveis na história do clube. Convenço-me que vale e Azevedo se enganou naquela conversa dos 6 milhões. Mas por defeito. São muitos mais...»
Eu percebo que Hugo Gilberto queira passar a mão pelo pêlo ao chefe para ter garantida e atalhada a promoçãozinha da praxe. Eu percebo os miolos fedorentos dos lambe-botas e percebo os dos oportunistas, mas não os suporto mesmo que saiba que dormem com o cachecol do Dragão ao pescoço todas as noites. E ainda percebo melhor a superficialidade das suas declarações e o manifesto desinteresse em as fundamentar. Como é timbre na TV pública [já nem falo das outras], a palavra de ordem, é sobrevalorizar o Benfica inferiorizando o FCPorto.
Nos recentes desacatos no Algarve, foi por demais evidente a intenção de colocar o odioso para cima do FCPorto. As câmaras da tv só apontavam para os adeptos portistas insinuando o lugar do eixo do mal, ignorando os adeptos benfiquistas. Estes, só foram contactados, para "neutralmente" darem opiniões sobre o que estava a acontecer... Como devem calcular as respostas foram "esclarecedoras".
Eu tenho a certeza que o Benfica ainda é o clube com mais adeptos no país, mas tenho também a certeza que o número de 6 milhões é, além de abusivo, anedótico. Fontes credíveis, já se fartaram de desmentir estes dados, mas como quem gosta de viver de fraudes pouco se importa com o rigor das coisas, não é de surpreender que amanhã nos estejam a impingir números mais ambiciosos e nos vendam a ideia de que, afinal, já não sou 6, são 10 ou 11 milhões de benfiquistas que nem sequer totalizam o número de portugueses espalhados pelo Mundo.
Ao Hugo Gilberto, à sua massa cinzenta, não lhe ocorreu indagar quantos adeptos teria hoje o FCPorto se os órgão de comunicação lhe tivessem dado a cobertura promocional correspondente ao número e à importância dos troféus conquistados estes últimos 30 anos. E desinteressou-se ainda por referir que tendo o Benfica ficado estes últimos anos em 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares no Campeonato nacional e nada tendo conquistado a nível internacional, lhe foi dado tratamento de campeão. Com a mesma promoção, até o Alguidares de Baixo tinha mais sócios.

Por favor, não se riam. Isto é benfiquês, mas eu traduzo.

O lamento benfiquista pela demissão de Hermínio Loureiro:

"Hermínio Loureiro e os Órgãos da Liga vêm desenvolvendo um trabalho de credibilização do futebol português que merece o reconhecimento de todos aqueles que durante anos sentiram a falta de transparência, independência e isenção destes mesmos órgãos. O Benfica compreende a frustração que Hermínio Loureiro deve sentir em função dos obstáculos que permanentemente tem enfrentado na batalha pela moralização da Liga portuguesa". [in JN]

TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS
«Hermínio Loureiro e o nosso contratado Ricardo Costa, encarregado especial para zelar pelos interesses do Benfica na Liga, merecem o reconhecimento da nação benfiquista que durante anos se sentiu impotente com a superioridade do FCPorto em campo e, como tal, tentaram vencê-lo, com sujos jogos de bastidores e com Processos forjados para o aniquilar, agradecendo ainda assim, toda a colaboração prestada com fantásticos resultados. O Benfica, compreende ainda, a frustração que Hermínio Loureiro deve sentir em função do atestado de incompetência que a Federação lhe passou, e agradece, do coração, por ser o nosso pau mandado que desmoralizou completamente a Liga Portuguesa»

24 março, 2010

Foi você que pediu um grande f.d.p.?

Não? Não sabe o que é? Eu explico, assim como quem trepa por uma parede, querendo trepar por outro género de "paredes" ...

Um grande f.d.p. é um benfiquista, Presidente de uma [arbitrária] Comissão Disciplinar da Liga de Futebol, que é cumplíce silencioso de uma cilada armada dentro de um túnel do estádio do seu clube, contra 2 atletas de um clube adversário, que os pune, tarde e a más horas, sem provas consistentes das infracções cometidas com 4 e 6 mêses de suspensão, que espera sadicamente pelos respectivos efeitos colaterais e que, depois de os conseguir, vê a Federação Potuguesa de Futebol a ter o "desplante" de reduzir a pena para 4 e 6 jogos. O que é que a FPF vai fazer com este palhaço? Rifá-lo, ou lançá-lo no meio da claque dos super-dragões?

Salazar, eu nunca te gramei [o cardeal Cerejeira ainda menos], mas regressa, estás perdoado!
É um pesadelo viver nesta pocilaga.
PS-Qualquer semelhança com a imagem da foto, é pura coincidência...
PS2-Gostava de ver alguns adeptos "portistas" incomodados com estas coisas, mas estranhamente, isto parece não os incomodar.

23 março, 2010

O futuro próximo de Jesualdo Ferreira

Mesmo sabendo que às terças-feiras o jornal A Bola publica excelentes crónicas do Miguel Sousa Tavares, que defende em terra hostil [como poucos], as cores do FCPorto, só através da Net é que sou capaz de as ler, já que, gastar o meu dinheiro com esse jornal, para mim, é o mesmo que fazer Hara-Kiri. É excessivo? Pois será, talvez, mas que querem, chateia-me só de pensar que estou a dar pérolas a porcos, nem que seja uma vez por semana. Chateia-me este hábito muito portuguesinho e permissivo de deixar o crime sem castigo. Vale-me a blogosfera portista, que se encarrega de me fazer chegar, de borla, as suas crónicas.
Apreciei o artigo desta semana do Miguel, naturalmente, por ser honesto e por me rever em quase tudo o que lá vem escrito. No entanto, resolvi retirar-lhe alguns excertos, dado ter ficado com a impressão de lhes descobrir algumas contradições. Comecemos pelos primeiros:
«Pinto da Costa e Adelino Caldeira eram a imagem exuberante da derrota.»
«O que eles vão fazer, porém, já todos sabemos: apresentar aos sócios a cabeça de Jesualdo Ferreira, para assim tentarem desviar as atenções dos erros próprios de que são responsáveis.»
Miguel Sousa Tavares até poderá ter razão para apontar erros a PdCosta e a Adelino Caldeira, pela política de contratações seguida esta época, mas não concordo com as suas profecias quando diz que eles [PdC e AC] "se preparam para apresentar aos sócios a cabeça de Jesualdo"... Já sei que o que vou dizer não é muito ortodoxo, mas se há alguém dentro da estrutura de um clube que pode influenciar a política de contratações, esse alguém é o treinador! Mas para isso, é preciso ousar, ser afirmativo, exigir,ter coragem para dizer não!
Vejamos. Jesualdo Ferreira foi convidado para trabalhar com o FCPorto, estabeleceu um contrato. Provavelmente, é de admitir, foram-lhe apresentadas condições. Além das remunerações, de prémios e objectivos, foi-lhe transmitida uma lista de jogadores para a constituição do plantel, ou então, exigiu-a, ele mesmo. Em qualquer dos casos, Jesualdo foi bem sucedido nas 3 primeiras épocas, o que não é coisa pouca, mas também em qualquer dos casos [bem sucedidos] continua a ser responsável pelos resultados desportivos. Porém, por alguma razão objectiva os adeptos [salvo raras excepções] nunca se convenceram totalmente desse sucesso. E, não me venham com estas análises simplistas que dão muito jeito à comunicação social anti-portista, que é por causa do seu benfiquismo. O José Mourinho também não era, nem é portista, e os adeptos adoravam-no! Boby Robson, idem, idem.
Às vezes, fico com a impressão que alguns adeptos seguem o raciocínio corporativista dos comentadores desportivos e de outros treinadores que tende sempre a proteger a imagem dos treinadores transferindo as responsabilidades do foro desportivo para cima das Direcções dos Clubes. Se há coisa que raramente faço, é proteger os mais poderosos, bem pelo contrário, mas no caso do FCPorto, manda a justiça dizer, que se o clube não foi gerido na perfeição, foi, pelo menos, muito melhor gerido que os clubes adversários, e neste caso, alguns adeptos parecem esquecer-se de contabilizar os muitos anos de sucesso que, com SAD ou sem ela, o clube conquistou. Ninguém está acima da crítica, nem mesmo Pinto da Costa, mas convém não soltar os cães todos ao mesmo tempo, num ano em que as coisas correm mal. Pergunto-me o que diriam alguns comentadores se Lisandro e Lucho estivessem ainda no plantel e os resultados fossem os que temos agora...
Além do mais, quando se trata de apontar espingardas, os ataques ao FCPorto vão preferencialmente para PdCosta, já se sabe, é por demais previsível. Mesmo quando ganha, continua a ser atacado pela comunicação social. Mas, os adeptos ainda não perceberam o veneno que por sistema os media anexam às notícias que envolvem o nosso clube. Sem darem por ela, são apanhados na ratoeira adoptando o discurso dos nossos adversários, e isso é deplorável. Depois, esquecem-se que, apesar da sua grande competência profissional, José Mourinho foi catapultado para a ribalta do futebol mundial no FCPorto, não no Sporting, no Benfica ou no União de Leiria! Há uma dívida de gratidão do FCPorto para com Mourinho, mas há-a também no sentido contrário.
Voltando à crónica do Miguel. Acrescenta: «O FCPorto não teve atitude nem futebol. Nem crença nem ciência.» Depois prossegue: «Jorge Jesus teve qualquer coisa de Mourinho, na confiança que soube dar aos jogadores, na coragem durante o jogo e no conhecimento perfeito do adversário que revelou ter.» Ora, aqui estou perfeitamente de acordo com o Miguel, mas é exactamente isso que falta ao Jesualdo, e até era desnecessário citar Mourinho, porque essas características num treinador são fundamentais para o futebol moderno. Se faltam jogadores, se a equipa está desfalcada, é nestas ocasiões difíceis que se descobrem os grandes líderes sem que contudo lhes deva exigir milagres. Numa época há a sorte e o azar, mas também há a boa gestão dos recursos humanos, ou então são os recursos humanos que não prestam. Não prestarão mesmo? Todos? Então porque os contrataram? Porque os aceitou Jesualdo? Falta uma 2ª. equipa ao plantel, e a primeira, deixou de jogar futebol só porque perdeu Lucho e Lisandro? Este diagnóstico não será demasiado cruel e injusto para os restantes 9 jogadores?
Nada tenho de pessoal contra JFerreira, estou-lhe grato porque atingiu excelentes objectivos em 3 épocas seguidas, por isso quero imediatamente afastada a ideia do crucifixo. Poupem-me por favor! Mas, bolas, temos de admitir [incluindo ele próprio] que este ano ele não esteve bem. Acontece, mas é assim. Porque também não custa nada inverter o sentido convencional da crítica. Se o treinador é elogiado quando é bem sucedido, se os epítetos de glória recaem sobre ele guindando-o para a fama e para a fortuna, porque razão nunca são reconhecidos na mesma proporção os méritos às direcções dos clubes? Nós já sabemos que não vivemos num país sério e democrático, e que o centralismo tem contribuído para desvirtuar os méritos do nosso clube, e isso é gravíssimo, mas não podemos é deixar-nos enganar pelos seus cantos de sereia. É de nossa obrigação, estarmos sempre alerta!
Agora, colocando-me no lugar de JFerreira, depois do descalabro no Algarve, o que eu faria era colocar o meu lugar à disposição deixando à SAD o peso da decisão de o manter até à Taça [se chegar à final]. A partir daí, acontecesse o que acontecesse, saía do FCPorto de cabeça levantada. Não o fazendo e se tiver o azar de perder a Taça, não só prejudicará o clube como afectará profundamente o prestígio até aqui conquistado e merecido. Ah, e a sua imagem de homem sério será inevitavelmente afectada.

22 março, 2010

O benfiquismo socrático

Tantos são os cambalachos a envolver o 1º. Ministro que é realisticamente improvável estar inocente em todos eles. Essa, é a razão pela qual, a discussão técnica das performances governativas deixou de me interessar. Num país completamente virado ao avesso, chega a ser ridículo falar das questões de pormenor da accção governativa, como fazem os jornais com aquela brincadeira das setas para cima ou para baixo... O carácter e a honra, são as primeiras prerrogativas que um governante deve ter, e logo a seguir vem a competência. Sem as duas primeiras, a competência pode ser mal direccionada o que equivale a dizer que pode beneficiar o próprio, mas com prejuízo para o país.
Para mim, repito, até prova em contrário, a política em Portugal é uma fraude, uma aldrabice repetida, e enquanto tal, a minha única preocupação é saber quando é que nos podemos livrar do modelo.
Como se isto não sobrasse, o senhor Sócrates encarregou-se de levantar a fasquia da sua mediocridade, quando disse, com toda a naturalidade do mundo que, era adepto do Benfica e que os portistas não lhe podiam levar a mal por preferir que o Benfica vencesse a Taça da Liga, esse troféu expressamente inventado para o seu clube de coração poder ganhar qualquer coisa.
Pois se assim é, senhor Sócrates, também não me leve a mal por não lhe reconhecer a mínima categoria para ser 1º Ministro. Desculpe, mas se a fortuna me desse o ensejo de necessitar de um motorista, não me leve a mal, mas nunca o escolheria a si. Não é por nada, mas gosto de andar sempre com gasolina no depósito...

Primeiro Ministro dos Portugueses?

“Descobrimos” nós Portugueses que o Sr.Primeiro Ministro é benfiquista desde que nasceu!

Tudo bem, tem todo o direito de o ser! Contudo é inadmissível, na minha opinião, que sendo
O primeiro-ministro de todos os portugueses, venha para a comunicação social afirmar que
quer que o benfica vença os jogos que terá com outros clubes portugueses, alinhando
publicamente por uma facção vermelha, em detrimento de outras cores que deveria resguardar!

E já que ficou muito feliz pela vitória do seu benfica, na taça da liga da cerveja, assuma que
o país merece e precisa de um primeiro-ministro que governe Portugal e que não divida,
ainda mais, os portugueses em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda!

É que desta maneira, sem ser recatado, adensa-se a teia de relações e compromissos pouco
claros, com interesses de diferentes índoles, como se tem provado nas campanhas eleitorais,
onde aparece o dirigente mor daquele clube a dar apoio ao actual primeiro-ministro!

E parafraseando alguém: “Não havia necessidade”!


Renato Oliveira

Porto