15 março, 2013

O que falta para eles poderem falar seriamente de responsabilidades



«Apurar a identidade do responsável por este lastimável estado de coisas só não é fácil porque não se trata de uma só pessoa, mas sim uma longa lista de criminosos, onde constam Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates e Passos Coelho, isto é, todos os primeiros-ministros (e respetivos ministros das Finanças e da Defesa) que inscreveram nos seus programas de Governo a privatização do Estaleiros de Viana e não só não cumpriram essa promessa como não conseguiram evitar a sua decadência».  

É bem verdade o que  vem escrito no JN de hoje, numa parte do artigo de Jorge Fiel que pode ser lido na íntegra aqui. Mas é curto. 

Em Portugal, habituamo-nos a discutir a floresta, sem nunca querer cuidar da árvore. Eu sei, e milhares de portugueses sabem-no também, que os piores criminosos não são aqueles que arrombam as caixas de multibanco, ou os que recorrem às armas para assaltar ourivesarias.  Não quero com isto dizer que este género de facínoras não sejam perigosos,  que não devam ser detidos, julgados e condenados. Quero sim dizer, que comparativamente aos citados na crónica de Jorge Fiel, os bandidos de rua, apesar de andarem armados arriscam muito mais e assassinam muito menos, que os bandidos que tomaram conta do país mascarados de governantes. 

Aliás, os anos que se seguiram ao 25 de Abril, contrariamente ao expectado, não foram de democracia, mas sim o tempo de aprendizagem necessário para os políticos se habituarem a exercer a ditadura num clima de aparente paz e liberdade, sem repressão aparente. Se houve cedências do actual  regime em relação ao Estado Novo, foi na criação de partidos políticos e na liberdade de votar. A partir daí,  com a entrada de Portugal numa Comunidade Europeia em processo de falência ascensional  os políticos que tiveram acesso ao Governo pouco mais fizeram do que zelar pelas suas carreiras pessoais e destruir o espírito mais puro da Democracia [que é representar, agir, falar e decidir, em nome do povo, e para o povo].  Como, já referi várias vezes, os nossos governantes não têm maturidade cívica para poderem ser confiáveis com as leis que temos, precisam de ser controlados pelos cidadãos, e esse controlo não pode estar condicionado por mandatos tão longos e com a simples alteração do voto. 

Os governantes, além de controlados, precisam também de pagar pelos seus actos irresponsáveis,  e essa é a parte que falta à Democracia. Por isso, é que disse anteriormente que não discutimos a árvore. Os debates nos media provam-no. Discute-se sempre a política a jusante e não a montante, como devia. Hoje, os portugueses foram indecentemente "convencidos" que viveram TODOS acima das suas possibilidades, que andaram TODOS a gastar demais, e nem sequer ousam contestá-lo. Os governantes, e também alguns comentadores avençados, conseguiram impingir esta treta na cabeça do povo, e nem sequer se coíbem de o repetir, mesmo depois das asneiras incessantes,  das acções homicidas do Governo... Os jornalistas multiplicam as entrevistas, mas não vão ao fundo da questão, que era obrigar os entrevistados com responsabilidades políticas a responder às perguntas que de facto mais os incomodam, isto é, perguntar-lhes o que pensam do facto de não serem responsabilizados pelas suas acções criminosas contra o Estado, como nos escândalos na Banca [BPN/BCP, e outros] e, pelo contrário, beneficiarem as carreiras em termos promocionais e financeiros, mesmo depois de não cumprirem capazmente com os seus deveres [o actual Presidente da República e o vice-governador do Banco Central Europeu, que o digam...].

Por todas estas razões, ouvir Cavaco, Sócrates e Passos Coelho soa aos meus ouvidos como uma bomba. É insuportavelmente torturante, é um vómito! Há presidiários a cumprir castigo muito mais decentes e honestos que eles, não tenho a mínima dúvida. E no entanto, estes assassinos, os principais responsáveis pelo aumento de suicídios e homicídios do país, mandam em nós! Como podemos nós almejar FUTURO para um país nas mãos de gente desta natureza? Só se emigrarmos, como, aliás, eles gostam muito de "aconselhar"...            

14 março, 2013

Um FCPorto, sem alma nem milhões

Não era este o tema com que imaginava retomar a actividade no Renovar o Porto, nem com este estado de espírito. O FCPorto, tem sido estes últimos anos o oásis que os portuenses de gema não tiveram através da política, e é também por isso que se torna mais doloroso lidar com o afastamento inglório da Champions, de mais a mais com uma equipa que lhe era [e é] inferior.

Não sou, nem gosto, dos que à mais ligeira brisa começam logo a desancar no treinador, mas também não alinho no discurso politicamente correcto de defender o treinador quando ele não merece ser defendido. Se Mourinho hoje goza da reputação, talvez megalómana e exagerada, de "melhor treinador do Mundo", deve-o a si mesmo, aos seus êxitos, dentro e fora de portas, à sua grande capacidade de liderança, e ninguém  parece incomodar-se com isso, inclusivé o próprio. Então, pela razão inversa, também me parece normal que quando as coisas não lhe correrem tão bem, encontre poder de encaixe para aceitar as críticas, porque a vida não é sempre côr de rosa, embora felizmente para ele se mantenha mais tempo nesse tom, do que para maioria dos portugueses...  Mas, ontem, não era Mourinho o treinador, era Victor Pereira, e sem querer estabelecer comparações, se o primeiro como Homem me parece pouco fiável, o outro, nesse capítulo aparenta maior solidez, mas isto são meras aparências, porque o André Vilas Boas também dizia estar na cadeira de sonho, e no entanto, trocou-a sem pestanejar, assim que do Tottenham lhe acenaram com a cadeira dos milhões. 

Ora, se Victor Pereira me parece uma pessoa bem formada, como treinador, sabendo embora muito de futebol, falta-lhe um detalhe, que tenho como fundamental para se ser um treinador de top: a capacidade de liderança. Sem querer entrar nas incidências do jogo de ontem, que só teve Porto, durante os primeiros 10/ 15 minutos, houve um momento, quando a equipa resolveu recuar (vá-se lá saber porquê) e oferecer a batuta do jogo ao adversário, que pensei cá para mim "isto vai dar asneira", porque logo associei o mau pressentimento à habitual incapacidade de Victor Pereira intervir em tempo útil, enquanto o jogo decorre, e quando os jogadores subitamente resolvem "ausentar-se" do jogo, como aliás aconteceu demasiadas vezes no campeonato nacional em jogos cruciais e que já nos afastou 2 pontos do nosso principal adversário.

Para além da tristeza pelo fim do "oásis europeu", agora, vamos viver no fio da navalha até ao fim do campeonato, angustiados com o futebol intermitente do FCPorto, sem aquela confiança que sempre caracterizou o nosso grande clube. Nós não estamos habituados a fados, isso é lá mais para baixo, para a terra dos calimeros e incendiários. A "eterna mocidade", de Amélia Canossa, é um hino maravilhoso, não é  (e ainda bem) um fado...

Por isso, Victor, ao contrário do que possas pensar, às vezes é preciso dar uns puxões de orelhas, é preciso  dizer o que se quer, e principalmente o que se não quer, aos jogadores. Mas tu, precisas de ter a certeza que eles te ouvem, e se não a tiveres, tens de aprender a dizer-lhes "não" quando fõr caso disso.

Sabes, ao contrário do que muitos pensam, dizer "sim" é sempre mais cómodo. Vá lá, fá-los comer a relva se necessário fôr, mas ganha-me este campeonato! Não te deixes dominar pela equipa, domina-a tu!

Allez!


11 março, 2013

Esclarecimento devido

Caros amigos e leitores,

Convencido que alguns afazeres de ordem particular não me obrigariam a tão longa ausência, dispensei-me a dar-vos uma prévia explicação. Como afinal as coisas se estão a arrastar mais tempo que o previsto, aqui fica o meu pedido de desculpas, com a promessa que tudo farei para voltar de novo "à luta", porque infelizmente esta canalhada, a quem alguns decidiram entregar as rédeas do poder, vai de mal a pior...

Até breve, pois.

E um abraço

26 fevereiro, 2013

“O Porto é uma cidade incrível”. Palavra de Clo e Clem

Por

O site Un Tour sur Terre, de “um jovem casal francês” que viaja pelo mundo de mochila às costas e faz vídeos bem dispostos das cidades por onde passa para outros backpackers, acaba de publicar este vídeo de 3 minutos sobre o Porto.

“Feitos para viajar”, Clo e Clem convidam os seguidores a descobrir “a bela cidade do Porto”, para já num vídeo a que chamaram “Porto em 3 minutos”. Na próxima semana, publicarão no blogue a história da viagem ao Porto. À Praça, acederam a antecipar um bocadinho desse relato.

No artigo que vão partilhar com os seguidores, dizem que “o Porto é uma cidade incrível e multifacetada” e que falar da cidade é falar do “famoso vinho fortificado e doce” que lhe rouba o nome, dos restaurantes, onde não falta o bacalhau – “cozinhado de várias formas, este peixe é um deleite para o paladar”, apontam –, e da “grande renovação” pela qual a cidade tem passado nos últimos anos.

A Clo e Clem não escaparam os edifícios “abandonados” e as “fachadas em ruínas” do centro histórico, mas o casal francês diz “o Porto é acima de tudo uma cidade encantadora”, que “merece” ser visto para além destas vicissitudes.

“O Porto é uma cidade incrível. O que poderia ser mais agradável do que passear pelas ruas estreitas e íngremes da cidade velha, caminhar ao longo do rio Douro, ir para o outro lado do rio, atravessando a Ponte D. Luís I, construída por um discípulo de Gustave Eiffel, e finalmente beber uma sangria bem fresca e comer sardinhas assadas?”.

No texto que vão partilhar com outros backpackers, Clo e Clem descrevem como se deslocaram de metro do aeroporto até ao centro da cidade, gabam umas sardinhas assadas “nota 10″ que comeram no Mercado do Bolhão e falam do Canastra Azul, na Rua das Taipas, onde os clientes são convidados a pagar o que acham justo pela refeição, e mencionam ainda os vinhos, a estadia e a cama king size na Almada Guesthouse, os azujelos da Estação de S. Bento, o teleférico no Cais de Gaia e a “vista maravilhosa para a cidade velha” e a Ponte D. Luís I iluminada.

“O que é óptimo é que no Porto é possível comer bem e barato, se se evitar as zonas turísticas”, sublinham.
“Somos um jovem casal francês e adoramos filmar as nossas viagens”, dizem Clo e Clem, por email, à Praça. Estiveram  no Porto “no fim-de-semana de 19 de Janeiro”, fugidos da tempestade de neve que atingiu a França e “em busca do sol” – rumar ao “Sul da Europa” parecia ser uma aposta segura, mas chegados ao Porto, chovia… chovia, mas “não estava frio” – e, “no próximo mês de Setembro”, vão iniciar “uma viagem de 2 anos à volta do mundo”.

“O projecto Clo & Clem surgiu em 2010, quando nos conhecemos. Como ambos gostamos de viajar e de cinema, não tardou muito até decidirmos reunir as nossas paixões”, contam Clo e Clem.

A música que acompanha o “Porto em 3 minutos” (“New Slang”) é da banda norte-americana de indie rock The Shins.

[do jornal Porto24]


25 fevereiro, 2013

Porto Canal está a fugir da rota...

Quem segue com regularidade o Renovar o Porto, sabe que não sou propriamente do tipo que se preocupa em escrever para agradar aos cavalheiros influentes, como políticos, juízes e jornalistas. Bem pelo contrário, não os poupo, nem pouparei nas críticas, sempre que entender ter motivos para o fazer. Infelizmente para eles, os motivos não páram de aumentar. Podia aqui incluir também alguns membros da Igreja, mas por respeito a alguns sacerdotes, como o ex-bispo de Setúbal e o bispo da Forças Armadas [só para dar dois bons exemplos], vou fazer de conta que não li, nem ouvi, as miseráveis declarações desse execrável e abjecto ser, que dá pelo nome de Policarpo, que, ironicamente, chegou a Bispo de Lisboa, a capital mais centralista e anti-democrática da Europa [mas qu' órgulho!]...

Não consigo é deixar de pensar que talvez não tenha sido ainda suficentemente caustico com toda esse pessoal, porque cada vez que abrem a boca, me surpreendem com os seus elevados coeficentes de insanidade mental. Eles vão para o Facebook e portam-se como os sujeitos mais vulgares, eles vão à televisão, e capricham em dizer só asneiras, cada qual a mais básica, eles mentem com o mesmo à vontade com que respiram, eles insultam-se e acusam-se mutuamente, sem nunca desistirem de enganar povo, procurando convencê-lo que são sérios, sem nada fazerem de relevante para o provar. O Relvas, o Gaspar, essas tristes figuras do governo, não estão sós neste quadro de desavergonhados. Há muitos mais.

Mas é do papel da comunicação social que mais temos razões de queixa. Os media fingem que nos informam, mas não passam de meros cumplíces "antipáticos" do poder. Quando todos esperávamos que o Porto Canal viesse fazer a diferença, decorrido poucos mêses após a tomada de posse como Director Geral, de Júlio Magalhães, o que vemos é pouco mais do mesmo: os mesmos convidados, os mesmos políticos, muito beija-mão a Lisboa e pouca galhardia para defender o Porto e o próprio Futebol Clube do Porto da informação centralista e sectária que se faz na capital.

Acho extraordinário e triste, como é que uma estação de televisão que pretendia querer fazer a diferença para se impor, começa a dar sinais visíveis de abdicar aos poucos da sua política descentralizadora, persistindo em convidar para falar sobre o assunto muitos dos seus responsáveis, ou regionalistas "asssumidos"de capoeiro. Ainda se fosse para os confrontar com as suas demagogias, com as suas  constantes traições, vá que não vá, agora para os ouvirmos repetir coisas que já cansamos de ouvir e que não valem nada, só mesmo para brincar connôsco.

Se o Júlio Magalhães não arrepiar caminho, não tarda, vai ter os próprios portistas contra ele. Para isso, basta o FCPorto perder este campeonato, deixando à vontade  o Luís Filipe Vieira  a fazer as coisas pelo outro lado, com a preciosa ajuda da comunicação social. Depois, cá estaremos para conversar... 

19 fevereiro, 2013

FCPorto, a chama que resta do Norte



Em dia de jogo para a Champions, nada mais pertinente do que falar de futebol, mais precisamente do meu clube, o FCPorto, e da utilidade que um órgão de comunicação social como o Porto Canal, podia e devia ter, para acabar, ou pelo menos minimizar, as campanhas caluniadoras e desestabilizadoras de que o clube é alvo, há demasiado tempo.

Há uma estratégia clara e objectiva, da parte dos media centralistas [praticamente todos associados ao Benfica], em desprestigiar as conquistas do FCPorto, tanto dentro como fora de portas. Por essa razão, não deixa de me causar perplexibilidade que possa haver um só portista, ou melhor, um qualquer cidadão atento às coisas do futebol, que ainda não tenha dado conta dessa situação, porque ela é tão descaradamente óbvia, que nem a um retardado mental passa despercebida. Daí, que me faça ainda mais confusão que hajam adeptos, aparentemente resignados com a apatia que o Porto Canal tem revelado, perante esse fenómeno de desinformação e maldizer, levado a cabo pela concorrência e seus pares.

Li hoje mesmo, num blogue portista - a propósito de um post do administrador* -, um comentador dizer que discordava da ideia da criação de um programa desportivo que comportasse a defesa do FCPorto dos ataques que atrás falei, porque não queria ver o Porto Canal transformado numa Benfica TV. Ora, conhecendo eu, como conheço o autor do post, e sabendo o que ele, e eu próprio pensamos, e já escrevemos sobre o assunto, rejeitando ferozmente qualquer coisa parecida com a Benfica Tv para o Porto Canal, a impressão que estes tipo de comentaristas deixam é que, ou andam drogados e perderam a lucidez, ou [o que é pior] têm medo de ser criticados pelos fazedores de opinião centralistas que enxameiam os media da capital do império da nossa [e também da deles, presumo] desgraça.

Talvez por detrás destas reacções, estranhas, aparvalhadas e atávicas, se esconda uma das razões, quiçá a principal, que explicam a quase total descaracterização do Norte em geral e de muitos portuenses, que levaram a nossa região, outrora orgulhosa e combativa, a ser constantemente humilhada pelo Terreiro do Paço, inclusivé, com a colaboração e cumplicidade de muitos nortenhos e portuenses. Talvez, também por isso, não se estranhe que Hélder Pacheco, um dos poucos portuenses indígenas que têm paixão à terra, ainda não foi convidado para ir ao Porto Canal, presumidamente, digo eu, porque tem o espaço ocupado por certas figurinhas de Lisboa que ainda há pouco tempo andavam a satirizar nos media lisboetas com o FCPorto e com os portuenses.

Sempre desconfiei daqueles que andaram a queixar-se do Porto ser uma cidade fechada, pouco cosmopolita, e as razões estão bem à vista. Quando abres indiscriminadamente as portas da tua casa, sem saber quem lá metes, o mais certo é arriscares-te a ficar sem ela... Depois, queixam-se que no Norte não há líderes. Cada povo (não) tem os líderes que merece.

Enfim, ao menos, que seja o FCPorto a lavar-nos a honra.

*O blogue é o Dragão até à Morte, e o bloguista, o Vila Pouca

18 fevereiro, 2013

Limites da indecência



O Conselho Superior da Ordem dos Advogados instaurou-me um processo disciplinar com base numa participação de um advogado de Coimbra chamado Orlando Maçarico. Aparentemente nada de anormal nisso. Este é o sétimo ou oitavo processo disciplinar de que sou alvo desde que assumi o cargo de bastonário.

Esta é também a sétima ou a oitava vez, desde 2008, que esse advogado faz participações disciplinares contra mim. E, tal como esta, nenhuma das anteriores se referiu a factos que tenham a ver com o próprio participante, pois nunca sequer me referi a ele direta ou indiretamente. Todas as participações que ele fez contra mim relacionavam-se com outras pessoas. O que tem de espantoso (mais) este processo disciplinar é ter sido instaurado por eu ter criticado a ministra da Justiça num programa de televisão, chamando-lhe barata tonta. Os aliados da ministra dentro da Ordem dos Advogados são, de facto, incansáveis e, incentivados pelo aparente marasmo de uma classe que tudo parece disposta a suportar, julgam não haver quaisquer limites para a indecência. Vejamos.

O advogado delator começa por dizer que as minhas críticas à ministra revelam "pobreza de espírito". Depois, afirma que essas críticas permitem perscrutar o âmago da minha alma, onde só se vê - garante - "lodo e lama e orgulho jactancioso". Seguidamente afirma que eu sou um "reincidente na incivilidade" e que, com as minhas críticas, fiz o que não faria um qualquer "pífio e latrinário jornaleiro". Acusa-me ainda de ausência de "qualquer escrúpulo de decência e de elegância moral". Devo precisar, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, o sentido das palavras "pífio" ("desprezível", "vil", "reles") e "latrinário" ("que se cria nas latrinas", "imundo", "repugnante", "sórdido"). Não sei se a palavra "jornaleiro" foi usada com o significado de "trabalhador a quem se paga o jornal" ou a quem se paga à jorna ou ainda como referência ambiguamente achincalhante ao facto de eu ter sido jornalista.

Seja como for, o advogado delator permitiu-se bolçar essas injúrias para - pasme-se - impedir que o (meu?) "egotismo", enquanto "sintoma ominoso das piores loucuras individuais", "conspurque, ainda mais, a advocacia e o que resta de advogados portugueses" (sic). Afirmou ainda que fez a delação porque as minhas críticas à ministra da Justiça e o local onde foram produzidas constituem "representação de um uso do poder fáctico de acesso a auditórios como instrumento de humilhação, mas também impressão digital de caráter". Curiosamente, nem o advogado delator nem o órgão que acolheu a infâmia da delação indicaram a norma do Estatuto da Ordem dos Advogados alegadamente violada com as minhas críticas.

Não me espanta que haja advogados que digam que o bastonário da OA é pior do que um "pífio e latrinário jornaleiro" e que afirmem que só veem "lodo e lama e orgulho jactancioso" na alma do presidente da OA. Também não me espanta que o escrevam em peças dirigidas ao supremo órgão jurisdicional da OA. O que espanta é que este órgão aceite essas injúrias sem a mais leve hesitação, como se de factos se tratassem e instaure procedimento disciplinar contra o injuriado.

Nunca participei criminal ou disciplinarmente, em nome próprio, contra qualquer advogado e manterei, mesmo agora, esse princípio, porque acredito que há um efeito regenerador e pedagógico no exercício da liberdade. Por isso, mesmo perante a dimensão da dupla infâmia de que sou alvo - a das ofensas do advogado delator e a da decisão dos inquisidores que as coonestaram -, limito-me a proclamar publicamente a superioridade moral e cívica da liberdade de expressão sobre as mentalidades enrugadas dos zelotas, dos bufos e dos delatores profissionais, bem como dos inquisidores morais e dos pina maniques do espírito, mesmo que uns e outros vistam a toga de advogado. Contra todos eles, contra todos os que odeiam a liberdade e quem a pratica, eu ergo esta serena e inabalável determinação de ser um homem livre e de continuar a sê-lo - como cidadão, como advogado e como bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses.

Nota de RoP:

É impossível ficar indiferente a esta crónica. Se algum vestígio de honorabilidade houver nos advogados que se revêm no comportamento de Orlando Maçarico, o advogado que processou o bastonário Marinho Pinto, então, é porque alguém lhes transmitiu uma ideia errada do que isso realmente significa. Mas, sinceramente, eu inclino-me mais para a versão da cumplicidade entre padrinhos... 

14 fevereiro, 2013

Vergonha na política internacional

"Os números são preocupantes, mas estão razoavelmente em linha com as previsões do Governo." Assim reagiu Passos Coelho aos 248.000 desempregados desde que a Troika substituiu o Governo e os aproximou do milhão de desgraçados deste país.

Quem fala assim, além de negar os dados do INE, que provam novo falhanço da projecção apresentada pelo Governo, mostra aquilo que Passos Coelho e os seus meninos de coro são: uns tecnocratas incompetentes, sem pingo de sensibilidade, que se limitam a orientar-se por previsões e números, onde o  desprezo pelas condições de vida miseráveis de milhares de pessoas é a imagem de marca.  

Assim vai o Mundo. 




10 fevereiro, 2013

A inveja tolda a lucidez dos benfiquistas

Há uns anormais, cobardes e mal-educados, que de vez em quando se atrevem a deixar na caixa de comentários apreciações suezes e bem condizentes com o seu baixo nível, que não vão digerir a notícia veículada pelo Jornal Notícias de ontem, que era a seguinte:

COMISSÃO EUROPEIA elogia o FCPorto

SEDUNDO UM ESTUDO da Comissão Europeia, o FCPorto é um exemplo a seguir no que diz respeito à gestão e valorização dos activos. O relatório, que se debruça sobre "aspectos económicos e legais de transferências de jogadores", destaca a sagacidade dos dragões no mercado futebolístico, salientando que, nas últimas oito épocas, a SAD portista transferiu 38 jogadores, com os quais encaixou 379 milhões de euros. "A estratégia do clube é comprar talento no mercado secundário, promovê-lo a nível nacional e internacional para, depois, vender com lucros confortáveis", indica o relatório da entidade presidida por Durão Barroso.

Como exemplos, a Comissão Europeia sublinha o de Radamel Falcao, que chegou ao Dragão em 2009, por 3,9 milhões de euros e, em 2011, saiu para o Atlético de Madrid por 40 milhões, bem como de Lisandro Lopez, contratado pelo FCPorto em 2005, por 2,3 milhões, e transferido para o Lyon, quatro anos depois, a troco de 24 milhões de euros.

No mesmo estudo, o emblema azul e branco é definido como "um dos maiores fornecedores de jogadores para os principais clubes europeus".  

Claro que, para esses atrasados mentais, que destilam ódio e inveja por todo o lado, custa-lhes a digerir estas realidades, porque não correspondem, em nada, ao espírito conspirativo que lhes incutiram naquelas coisas pequeninas parecidas com cérebros...

PS-Mas, não vale a pena comentarem aqui, porque o lixo tem um só destino: a lixeira. 

06 fevereiro, 2013

Há que ter cuidado com os slogans, ó Jorge Fiel!

Pior do que os políticos, é o modo conformista, e muitas vezes até, lisonjeiro, como alguns de nós reagem à forma como eles desempenham a política.

Posso dar-vos um exemplo, com algumas frases do jornalista Jorge Fiel, extraídas da coluna de opinião do JN de hoje. Escreve ele, entre parênteses, acerca dos políticos, que "um dos atributos essenciais a um bom político, para além da hipocrisia, são as omissões". Isto, a propósito da polémica nomeação de Franquelim Alves para Secretário de Estado, como é bom de entender. Mais adiante, Fiel faz uma citação a Maquiavel, para dizer que "apenas um mentiroso ousado e muito capaz pode aspirar a singrar na política e garantir o poder".

Antes de prosseguir, devo dizer que até gosto do estilo brincalhão e bem humorado de Jorge Fiel de escrever sobre coisas sérias, mas como em tudo na vida, é conveniente não abusar. Sendo certo que ninguém duvida do que ele diz, não me parece lá muito pedagógico para a avaliação de uma actividade pública, tão importante como é [ou devia ser] a política, que se misturem adjectivos com qualificativos tão opostos.  Dizendo que um bom político, para ser "bom", tem de ser hipócrita, mesmo fazendo-o com sarcasmo, estamos inconscientemente a alimentar uma ideia completamente contrária à mais sagrada regra exigível a um bom político, que é a seriedade, associada à competência e ao bom senso. É precisamente na falta de seriedade dos políticos que muitos cidadãos se inspiram para contornar as leis, e vencer na vida, e não é continuando a dar lastro a este tipo de discurso que as coisas podem mudar.

É verdade o que diz Jorge Fiel, todos sabemos, mas é uma verdade muito triste, vergonhosa mesmo, que urge inverter, sob pena de não termos moral para nos continuarmos a queixar dos exércitos de jotas e jotinhas que enxameiam os partidos políticos do arco do poder, e que [como constatamos], chegam aos partidos com a "escola" da hipocrisia toda feita. E não me parece ser isso que precisamos, nem nós, nem o Jorge Fiel [acho eu].

04 fevereiro, 2013

O Porto que dá o corpo ao manifesto de Rui Moreira

Centena e meia de personalidades do Porto subscreveram já um manifesto lançado esta quinta-feira associado a uma eventual candidatura de Rui Moreira à presidência da Câmara.

Miguel Veiga, Arlindo Cunha e Hélio Loureiro são algumas das pessoas que se revêem em Rui Moreira no Porto.

Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto e autor de inúmeros artigos sobre o Porto e o Norte, disse a 19 de Janeiro que estava a construir uma “candidatura independente” à Câmara do Porto.
Na mesma entrevista, à agência Lusa, o empresário disse ainda que só não se assumia já como candidato por estar a equacionar as possibilidades de vitória, mesmo avançando “livre da lógica dos directórios partidários”.

O documento tornado público esta quinta-feira é um apelo aos portuenses para aderirem ao “Dar o Porto ao Manifesto”, um “movimento de pessoas que reconhecem e assumem a sua responsabilidade. Com garra e com vontade. A vontade de afirmar o Porto como metrópole influente, em rede com a região, projectando o pólo mais dinâmico do país”.

“Vem fazer parte deste grupo, desta vontade, deste movimento! Manifesta-te, dá um manifesto ao Porto, dá o Porto ao Manifesto”, apela ainda o documento, que começou já a ser distribuído junto da população.
Trazer os cidadãos para a cidade
O texto remete os portuenses para o blogue Dar o Porto ao Manifesto, no qual podem aderir ao movimento que pretende vir a apoiar a eventual candidatura de Rui Moreira.

O manifesto, de apenas uma página, inclui vários tópicos para debate, nomeadamente sobre a necessidade de a cidade ter “contas certas, à moda do Porto”, no âmbito da qual considera que se deve “consolidar a prática de boas contas (…), respeitando os contribuintes, honrando o bom nome, viabilizando o futuro”.
Defende ainda um “Porto porta-voz”, que dê “voz firme, exigente e sensata à defesa das valências da cidade e da região frente ao poder central, sempre em nome da coesão nacional”.

O movimento pretende promover uma “Geração Cidadania”, um conceito que visa “trazer os cidadãos para a cidade, recriar a cidade para todos, juntando a regeneração urbana às políticas sociais e combatendo sem tréguas os focos de pobreza”.

Sob o lema “O Porto Moda. O Porto Muda”, o movimento de apoio à eventual candidatura de Rui Moreira – que remete uma decisão sobre o assunto para finais de Fevereiro – defende a necessidade de “atrair investimento, chamar negócios, gerar emprego. Promover a cidade, fora e dentro, como espaço de negócios, iniciativa e concorrência, até porque o investimento estatal é cada vez mais escasso e injusto”.
Valorizar a marca Porto
O manifesto defende ainda a valorização da “marca Porto em todas as dimensões, pondo em rede e criando uma aliança estratégica das instituições universitárias, religiosas, culturais, associativas, desportivas e recreativas.

“Somos nós quem faz o Porto”, lembra o movimento, salientando a importância de “fomentar as boas práticas cívicas, melhorar a qualidade de vida e combater a insegurança”, assim como de “reforçar o Porto intergeracional, aberto e cosmopolita, confortável para os mais velhos e interessante para os mais novos”.

[do Porto24]

A governamentalização das associações profissionais


 
O actual Governo pretende controlar administrativamente as associações públicas profissionais, equiparando-as às autarquias locais e colocando cada uma delas sob a tutela direta de um membro do Executivo. Este objetivo é tanto mais anacrónico quanto é certo que, simultaneamente com esse controlo político-administrativo, se pretende também desregular o exercício das profissões respetivas, nomeadamente, considerando-as quase como meras atividades económicas, sujeitas apenas às leis do mercado. Além disso, não deixa de ser estranho ou sintomático que umgoverno que aplica na economia um ultraliberalismo desbragado, sobretudo na atividade financeira, pretenda agora colocar sob a sua tutela política as entidades que regulam as profissões liberais. O que o Governo diz é que no exercício concreto das profissões liberais quem manda é o mercado, mas quem passa a mandar nas entidades que regulam as profissões liberais é ele próprio.

Esse controlo administrativo está previsto na nova Lei das Associações Públicas Profissionais (lei n.oº 2/2013, publicada em 10 de janeiro), nomeadamente nos artigos 45º e seguintes. Aí se estatui que as associações públicas profissionais estão sujeitas a tutela de legalidade idêntica à exercida pelo Governo sobre a administração autónoma territorial, acrescentando logo de seguida que a lei da sua criação ou os respetivos estatutos das já existentes "estabelecem qual o membro do Governo que exerce os poderes de tutela sobre cada uma" delas.

A lei equipara as associações públicas (que representam as várias profissões liberais) às autarquias locais e especifica que a tutela administrativa se concretizará através de inspeções. Assim, no futuro, qualquer governo poderá inspecionar qualquer ordem profissional, independentemente das respetivas motivações e mesmo com fins de manipulação e/ou de perseguição políticas. Ou seja, os governos passarão a ter a possibilidade de controlar diretamente a regulação das profissões liberais e, indiretamente, de condicionar o próprio exercício dessas profissões e a atividade dos respetivos profissionais.

Mas não é só através do mecanismo das inspeções que o Governo pretende mandar nas ordens profissionais. A nova lei estabelece também que os principais regulamentos das ordens tenham de ser homologados pelo Governo, ou seja, tenham de estar em consonância com o seu programa político. Também aqui facilmente se vislumbra que será o Governo a determinar o sentido normativo dos mais importantes regulamentos das ordens profissionais, só homologando aqueles que estejam em conformidade com os seus objetivos políticos e partidários.

A lei estabelece ainda que se aplicará às ordens profissionais o regime jurídico da tutela administrativa das autarquias locais estabelecido na Lei n.oº 27/96, de 1 de agosto, que prevê, nomeadamente, a perda de mandato dos eleitos, a dissolução dos órgãos das ordens e a criação de deveres especiais de informação e de cooperação com o Governo. Enfim, tal como aconteceu com as autarquias locais, está em marcha a partidarização das ordens profissionais.

Esta lei foi aprovada no Parlamento sem votos contra, com os votos favoráveis do PSD, do PS e do CDS e com as abstenções dos partidos de esquerda. Trata-se de um ataque sem precedentes à independência das entidades que representam as profissões liberais em Portugal, algumas das quais têm precisamente como principal atribuição a defesa dos direitos e interesses legítimos dos cidadãos. Um ataque levado a cabo por ultraliberais que, assim, demonstram a sua incapacidade em conviver com as estruturas sociais independentes. Nem Salazar ousou ir tão longe nos tempos do Estado Novo.
 
A Ordem dos Advogados, a que presido, tem como primeira atribuição legal a defesa do Estado de direito e dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Ora, sabendo que muitas vezes são os próprios governos a atentar contra o Estado de direito e contra os direitos das pessoas, como é que a OA poderá cumprir essa obrigação se passará a ficar na dependência do Governo? A esta pergunta os advogados irão responder em congresso extraordinário da classe.
[do JN]

Nota: O sublinhado a negrito é da iniciativa do RoP.

01 fevereiro, 2013

"O capitalismo na reabilitação do Bolhão"

No mesmo dia, no mesmo jornal – Público 29 de Janeiro de 2013 –, duas notícias que podem tudo ter a ver uma com a outra: “Reabilitação do Bolhão só terá verbas do QREN, se houver sobras” e “Se o Estado não tem dinheiro para a cultura, é preciso inventar saídas”. Na indisponibilidade de verbas do QREN, tudo indica que a Câmara do Porto irá seguir o seu “plano de lavagem da cara ao Bolhão”, com os 735 mil euros inscritos no Orçamento Camarário. A habitual política nortenha do “caldo verde”. Mas não há mesmo outras opções?

Num dos artigos acima referidos, das conclusões dos encontros internacionais de gestão cultural realizados a semana passada em Madrid, por não ser possível depender apenas do Estado para a criação artísticas: “… não há dinheiro mas existem ideias, fulcrais para que se inventem novas formas de financiamento, é possível continuar a criar, é possível ganhar dinheiro com a cultura, só é preciso descobrir como. Às vezes das formas mais inesperadas. Não existem fórmulas, há que arriscar” e um apelo à colaboração entre o Estado e o sector privado.

Esperar que o Estado seja a solução para os problemas começa a ser uma questão do passado, sendo a crise uma oportunidade de transição de um modelo obsoleto de financiamento para um modelo de colaboração. John Holden, professor de Política Cultural na City University of London, destaca a importância da revolução tecnológica, que deve ser vista como uma oportunidade: “… cada vez surgem meios alternativos para angariar fundos, como as plataformas de crowdfounding…, dado que as pessoas dão valor à cultura, como se pode ver pelos grandes museus, que estão sempre cheios, e os espectáculos e concertos tantas vezes esgotados”.

Regressando à nossa telenovela da reabilitação do Mercado do Bolhão, na falha da resposta pública, porque não a sua entrega directa aos cidadãos do Porto, em vez desta intermediação que não tem sabido dar respostas aos problemas? Os 20 milhões de euros poderiam ser objecto de uma oferta pública de subscrição de acções destinadas aos privados, aos cidadãos do Porto: 100 mil habitantes, investindo 20 euros cada, ou uma qualquer outra combinação, seriam suficientes. Isto mesmo, o mal amado capitalismo também pode dar boas respostas, como modelo popular de intervenção no financiamento de projectos, neste caso a reabilitação do imóvel.

Proponho a criação de uma sociedade municipal que integre o edifício do Mercado do Bolhão, que seria objecto de avaliação, e que depois proceda à entrada de novos pequenos accionistas, minoritários. Os resultados das rendas do espaço, definidas a partir de um valor fixo e de uma percentagem das vendas, tal como nos modelos de gestão dos centros comerciais, seriam afectos à remuneração dos capitais investidos, pela Câmara e pelos cidadãos. Uma parte substancial, afecta a programas de promoção e de animação turística da cidade, dado que a importância e a rentabilização de uma cidade passa pela sua promoção. E para isso é necessário que se aposte mais numa estratégia de marketing cultural e turístico.

“Não se pode esperar que nos resolvam os problemas, nós fazemos parte da solução”. É preciso renovar e inovar, os modelos antigos não são mais rentáveis nem fazem sentido.

José Ferraz Alves, Movimento Partido do Norte
(Extraído do blogue A Baixa do Porto]

31 janeiro, 2013

Se não há democracia, que haja um tsunami!

Terramoto de 1755
Pelo andar da carruagem, ainda veremos no supremo trono do poder, um assassino, ou mesmo um actor de filmes pornográficos. Se a memória para alguma coisa serve, não é caso para nos escandalizarmos, até porque há um vigarista e potencial assassino, em "prisão domicilária", que já foi deputado, que privou com o actual Presidente da República, mais toda a corja de deputados do PSD/CDS e ninguém parece incomodar-se com isso. 

Eles, os compagnons de route, não tugem nem mugem sobre estes exemplos de suprema elevação da nossa política. Deve ser por causa da velha "solidariedade" partidária, não é... Então, porque haviam eles de comprometer os amigos de carreira, mesmo tratando-se de escumalha humana da mais repelente, se podem pregar sermões moralistas ao povo, como se fossem meninos de coro, sem que o povo os possa impedir e repelir? É nesta "democracia" que eles acreditam, pudera! Dá-lhes jeito, claro...

Talvez, num remoto dia, tenhámos o prazer de ver chegar ao poder um Homem de outros tempos, íntegro, despojado de complexos populistas, avesso a modernidades decadentes, que consiga pôr em ordem esta lixeira em que se transformou a política. Mas, vai ter muitos obstáculos, porque os interesses instalados nas instituições mais poderosas do Estado e da sociedade, tratarão logo de o ridicularizar como procuram fazer com o bastonário Marinho e Pinto. Se as pessoas não fossem tão ingénuas, percebiam que não é Marinho Pinto o populista, o demagogo, mas sim os que o criticam. Só teme a verdade quem tem rabos de palha e está comprometido com este regime fétido. Pela parte que me toca, desconfio da honorabilidade de quem critica Marinho e Pinto, seja lá ele empresário, político ou magistrado. Ponho-me logo a pensar aonde terão eles rapinado o Estado e enriquecido? Não me ocorre pensar mais nada a seu respeito. Só desconfiança.

Talvez chegue esse dia, quem sabe? O dia em que o Líder reuna o plenário do partido para lhes dizer aquilo que eles não vão gostar de ouvir. De os obrigar a fazer opções. De não permitir que para além da política se dediquem a outros afazeres contrários aos interesses da própria política. De lhes dizer: ou política, ou actividade privada, ou política ou futebol. Só têm uma opção, as misturas não serão permitidas. 

Estão a ver algum político da actualidade com carácter e dimensão humana para tanto? Não estão, pois não? Eu também. Mas, sejamos optimistas, se não formos nós a livrarmo-nos desta escória, talvez um terramoto como o de 1755 os leve para longe de nós e possamos reconstruir uma nova sociedade. Quem me dera uma tragédia que os vitimasse a todos. Acho que ficava feliz.

Como os desprezo!

27 janeiro, 2013

Treta

Nunca imaginei que a transição do Estado Novo para a democracia implicasse um percurso tão longo, incerto, repleto de armadilhas e decepções. E ainda menos imaginei que decorridos 39 anos após o 25 de Abril, ia experimentar um sentimento misto de traição e ironia, sempre que pronuncio e escrevo a palavra democracia. Da mesma maneira calculei, que como nortenho e portuense, por alguma vez deixaria de acreditar na génese libertadora e combativa dos meus conterrâneos, se alguém ousasse pô-la em causa, com provocações e faltas de respeito. 

Pois foi exactamente isso que aconteceu, e, desta feita, as humilhações, os abusos à dignidade e à soberania nortenha, não vieram dos nossos vizinhos espanhóis, ou de uma nova réplica napoleónica invasora, vieram e continuam a vir, de Lisboa, da capital de um país que é o mesmo aonde o Norte pertence, e o viu nascer... Irónico, não é ? E tremendamente humilhante, também, para os nortenhos. Para todos, é verdade, mas com responsabilidade acrescida para os políticos e grandes empresários da região, que são os únicos que têm poder e capacidade de intervenção para impedirem os excessos e as discriminações com que nos têm "brindado". Acontece, é que alguns desses nortenhos influentes, além de co-responsáveis pelo surto hiper-centralista do Terreiro do Paço, são cumplíces, e desprezivelmente complacentes com o que se está a passar. 

Se o povo fosse como esses traidores dizem, se tivesse culpas directas no cartório pela situação miserável a que se chegou, era  sinal que o governo estava na rua, que era exactamente aquilo que eles tanto criticaram no PREC [Período Revolucuonário em Curso], com a esquerda mais extremista. Mas não foi isso que se passou. As eleições foram democráticas e os governos que desde então sempre tivemos, foram sempre partilhados alternadamente entre o PS e o PSD/CDS. É nestes grupos que se podem encontrar os traidores. O resto, é conversa.

23 janeiro, 2013

Os famosos independentes


 

Estamos numa boa semana para atacar este tema dos famosos independentes que também admite que se incluam no mesmo "barco" os independentes famosos. Historicamente, esta saga dos independentes na política portuguesa (ou talvez melhor, na política à portuguesa) começou no dia em que um deputado de um determinado partido, prevendo que a sua inclusão nas listas para as eleições próximas estava em perigo, resolve tratar da sua vida noutra agremiação, aproveitando para lhe começar a fazer o jogo ainda durante o mandato que lhe tinha sido conferido na sua candidatura pelo partido que passa a renegar. Que é um termo mais suave que trair, embora seja de traição que se trata.

Dos famosos deputados independentes passamos aos famosos independentes da política, que são aquelas "almas" que se desfiliaram de um partido, ou que até nunca militaram em nenhum, mas estão sempre a postos para se juntarem a um partido qualquer, tentando preencher a sua quota de independentes. Reclamando sempre os direitos e esquecendo frequentemente os deveres.

Num sistema político e eleitoral como o português, o independente é uma figura aberrante que não faz qualquer sentido. Numa candidatura às legislativas, um independente no meio de uma lista de militantes filiados é um corpo estranho. Mesmo para aqueles que julgam ver nessa excrescência uma mais-valia, ela normalmente só dura até ao momento da eleição, desvanecendo-se de seguida. Abundam os exemplos, de Vasco Pulido Valente a Manuela Moura Guedes ou Rosário Carneiro. Ou, pior, transformando-se numa menos valia, se o independente é um profissional e começa a preparar a sua próxima eleição, na mesma categoria, mas por outra lista, logo no day after das eleições.

Já nas autárquicas o caso muda um pouco de figura, invertendo- se um pouco as situações. Numa candidatura autárquica independente já não é o candidato que faz a figura aberrante, mas sim, não raro, os seus apoiantes militantes de um qualquer partido que se juntam ao comboio independente, sem terem a decência mínima de se desfiliarem primeiro.

Na versão candidatos ou na versão apoiantes, o que os independentes gostam de dizer é que pensam pela sua cabeça e que a verdadeira democracia tem de garantir a todos liberdade de pensamento, opinião e expressão.

Contra isto nada, o problema é que não é isto que está em jogo. Porque se estivesse, não estaríamos a viver numa democracia. Quem quer intervir na política e se filia num partido, como é normal no nosso sistema pluripartidário, pode e deve continuar a pensar pela sua cabeça e a expressar livremente a sua opinião. Mas a democracia sem regras passaria a bandalheira no dia em que todas as opiniões dentro de um partido tivessem igual peso e legitimidade, independentemente do seu sufrágio maioritário ou minoritário.

Como sócio (mais do que adepto) do F. C. Porto, nem sempre concordei com todas as decisões dos dirigentes ou treinadores do meu clube. Sinto-me até à-vontade para exercer publicamente o meu direito de crítica, ainda que em função da audiência, pública ou privada, voluntariamente decida o tom e alcance dessas críticas. Mas em caso algum, por maior e mais estrutural que possa ser a minha discordância, admito dizer a mais pequena coisa, ou fazer o mais pequeno gesto, em apoio de qualquer dos adversários do meu clube.

Aliás, se algum dia o fizer (o que só admito por doença...) fica aqui dito que espero que o meu clube me expulse de imediato.

É por isso que se Rui Moreira se candidatar à Câmara do Porto e algum militante de outro partido com candidato o apoiar e não for expulso no mesmo dia, vou começar a temer que a nossa democracia pluripartidária está a caminho da maior bandalheira. [do JN]

21 janeiro, 2013

Menezes versus Rui Moreira

Com uns dias ocupado a resolver alguns assuntos de carácter pessoal, não sobrou tempo nenhum para o Renovar o Porto, e para ser franco, a disposição também não tem sido a melhor. Começa a faltar-me a paciência para lidar com tanta irresponsabilidade e vazio de carácter. 

Portugal é próspero em gente vaidosa, convencida de saberes e de honrarias que na realidade não tem, nem nunca terá, porque lhe falta o barro que molda as grandes pessoas: a têmpera. E não é só no mundo da política que falta decência, é em quase tudo. É a clonagem da mediocridade que está na moda.

A avaliar pelos apoios que tem vindo a angariar - uns, mais respeitáveis que outros -, Luís Filipe Menezes conseguiu, sem dúvida,  deixar uma imagem de força, quase consensual, na apresentação da sua candidatura à Câmara Municipal do Porto, sábado passado. Ideias não lhe faltam, e palavras ainda menos... Por isso, não lhe fica mal dizer que quer fazer do Porto "o farol do Noroeste peninsular", nem relativizar a perda da gestão do Aeroporto Sá Carneiro, desde que este integre "uma rede de aerogares internacionais com massa crítica globalmente poderosa", o problema está em saber como é que ele tenciona contornar as barreiras que o governo [que é do seu partido] lhe colocar. Sim, porque se o governo de Sócrates era centralista, o de Passos Coelho abusa.

Em abono da verdade, Menezes revolucionou Gaia completamente, e para melhor, o que é mais relevante. Acusam-no de ser despesista, mas eu pergunto, haverá alguma entidade neste país que possa atirar a primeira pedra sem esta lhe cair em cima? A começar pelo Governo, ou se preferirmos, pelo próprio Estado? Desde quando o Estado em Portugal, é bom pagador? Brincámos? Por isso, descubram lá outro argumento porque esse do despesismo tem muito que se lhe diga. Já dizia o falecido Vieira de Carvalho ex-Presidente da Câmara da Maia, que se estivesse à espera do dinheiro do Governo para dinamizar a cidade, a Maia nunca teria dado o salto de qualidade que deu. E tinha razão. No Porto, ao invés, temos um presidente poupadinho, mas não consegue fazer nada de jeito, a não ser emperrar as coisas e queixar-se.

É por isso que me custa ver Rui Moreira metido no espartilho que Rui Rio lhe colocou, quando este decidiu usá-lo como arma de arremesso, na expectativa de abortar a candidatura de Menezes à Câmara do Porto, coisa que não vai conseguir, porque Rui Rio além de estar politicamente moribundo já não tem a margem de apoio que teve no passado. Mas, Rui Moreira também não tem sabido gerir astutamente a sua imagem, porque entre muitas qualidades, tem um grave defeito, que em política não dá bons resultados: quer, como o povo diz, dar-se com Deus e com o Diabo... O estilo diplomático de Rui Moreira não se coaduna com as rupturas necessárias em política, com a definição de rumos claros, assumidos, sem hesitações. Ao deixar para o final de Fevereiro a decisão sobre a sua candidatura à Câmara, Rui Moreira está a dar ainda mais tempo a Menezes, que já lhe roubou o apoio de uma significativa parcela de figuras da vida pública nacional. Nos momentos pré-eleitorais não se pode ser esquisito, o que é preciso é conseguir-se o maior número de apoiantes, que é o que Menezes está a fazer.  

Posso estar enganado, mas o problema maior de Rui Moreira é que as suas simpatias direitistas não se enquadram lá muito muito bem no seu perfil de pessoa. Creio que a esquerda lhe ficava melhor, até porque a esquerda, a verdadeira esquerda, precisa de pessoas como ele. A não ser que eu esteja mesmo enganado... Ah, e quando falo de esquerda não estou a dizer que esse seja o lado virtuoso da política, e dos políticos. Estou apenas a dizer que, ideologicamente, a esquerda é muito mais respeitável que a direita. Ou seja, nem uma sigla chega para fazer um partido de esquerda, nem um militante de esquerda é garantia de ser homem de esquerda... Cuidado.


16 janeiro, 2013

António Costa - Quadratura do círculo



 Aqui está textualmente o que disse António Costa (transcrito manualmente):
(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil. Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.
E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.
Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer que somos todos culpados. Podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!
A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.
Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção.
Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público.
Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.
Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.
Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

15 janeiro, 2013

O spillover Rui Rio

Não, não tenciono enveredar pela demagogia dos comentadores políticos, e dizer que a culpa pela perda de protagonismo do Porto, e do Norte, é de todos nós, porque isso seria faltar ao respeito àqueles nortenhos que votaram conscientemente, sobretudo aos que não votaram em qualquer dos partidos do chamado arco do poder. Não enjeito contudo a oportunidade de apontar Rui Rio como o principal obreiro do esvaziamento político e demográfico da cidade do Porto, dos últimos 11 anos.

Curiosamente, essa orfandade de liderança foi precedida da prematura e infeliz saída de Fernando Gomes da C.M.do Porto, para  ocupar o lugar de Ministro da Administração Interna, em Lisboa, ele que até aí tinha sido o melhor autarca desta cidade depois do 25 de Abril de 1974.. Politicamente, Fernando Gomes pagou cara a desfeita que fez aos portuenses, ao perder para Rui Rio, em 2001, uma Câmara que noutras circunstâncias seria sempre sua, permitindo com a sua derrota, que Rio deixasse o Porto no estado em que está: mais pobre, e mais deserto.

Rui Rio, como sabemos, entrou no Porto da pior maneira, hostilizando gratuitamente um dos maiores baluartes da resistência ao centralismo lisboeta, o FCPorto, e o seu Presidente Pinto da Costa. Desta forma, mesquinha e inglória, Rui Rio com os seus conhecidos complexos de inferioridade, contribuiu para que o poder central fosse paulatinamente perdendo o respeito à nossa cidade e região, contagiando toda a sociedade civil, incluindo políticos e empresários, que passaram a olhar para o Porto como uma cidade descartável, onde já nada se decide. Para azar dos nortenhos, seguiu-se a famigerada crise económica global, facto que ainda por cima serviu que nem uma luva para o acentuar do centralismo, e para justificar o marasmo e a incompetência do próprio Rui Rio.

Tenho como certa esta convicção, mas mesmo assim continuo sem encontrar uma resposta compreensível para a indiferença generalizada que se instalou na sociedade nortenha, no seu grupo de empresários e políticos, que são os que mais influencia e poder têm para tomar iniciativas, limitando-se a fazer comentários nos órgãos de comunicação social, os quais já ninguém leva a sério. 

Mesmo assim, custa-me a acreditar que a apatia em que o Norte vive se deva apenas ao efeito difusor de Rui Rio.

12 janeiro, 2013

A televisão que o Norte precisa...

...não deve pactuar com a trapaça generalizada que se faz na concorrência, caso contrário, nunca se imporá como a televisão que ousou dar o salto por cima, de fazer a diferença pela superioridade em relação às outras. 

Falando em televisão para o Norte, não posso deixar de falar no Porto Canal, primeiro porque já existe, e depois porque já  descentraliza, já difunde [e bem] informação e  coopera com muitas cidades e povoações do Norte do país. Para vingar, será fundamental não apenas evitar a concentração excessiva no Porto, como também desenvolver uma filosofia editorial crítica e selectiva, quer com colaboradores residentes, quer com os convidados que escolher para debater todo o tipo de temas, com especial realce para as questões relacionadas com a política e o desporto.Não ser criterioso, será abrir portas à vulgaridade.

Tenho sérias reservas para pensar que este meu desiderato venha algum dia a concretizar-se, e explico porquê. A comunicação social padece do mesmo mal que afecta a maioria dos portugueses: o medo. O medo é inimigo da liberdade, e é a ausência desta que está a afectar de morte a boa informação. Os media vivem de patrocínios e audiências, mas não podem deles depender demasiado nem se subjugar a elites, ou pseudo-elites, sob pena de se auto-anularem e defraudarem as expectativas do grande público nortenho. As elites não são fiáveis, enganam. De mais a mais, agora que ninguém sabe bem quem são, e onde estão. 

Belmiro de Azevedo podia ser uma grande elite do Norte, mas já mostrou não ter perfil para isso. Belmiro quer vender, ponto. Se é Lisboa que manda, muda-se para Lisboa e faz-se-lhe a vontade. Mesmo que por cá deixe ficar a fachada e as sedes das  empresas, as decisões tomam-se na capital. Belmiro não é político, é um negociante muito "prático"... Como ele, são a maioria das pessoas do Norte com poder suficiente para se afirmarem nacionalmente. E os políticos do Norte são iguais, medianamente iguais. Mas, que diabo, ainda não andam camuflados, são simples de identificar.

Não se compreende por isso, que o Porto Canal tenha convidado recentemente para debater a orfandade de líderes no Norte um lambe-rabos, chamado Hermínio Loureiro. Custa-me a acreditar que ninguém no Porto Canal, a começar pelos quadros dirigentes, não conheça o perfil camaleónico e vincadamente centralista do autarca de Oliveira de Azemeis, para tomar a triste decisão de convidar protagonista tão imprestável para discutir um assunto tão caro aos nortenhos. Outro dia, foi Marcelo Rebelo de Sousa [outro centralista manhoso], não tarda nada, vamos ter de apanhar com o sósia menor, Marques Mendes, e o Norte só tem a perder com tais escolhas*.

Não se pode criticar no vazio. A política não é uma ciência abstracta, é uma actividade com executores, que são os políticos. A crise tem responsáveis, esses não são o povo, são quem ele elegeu para o governar. As televisões estão cheias de "politólogos" que tiveram responsabilidades políticas fracassadas, e só isso é por si mesmo, uma aberração, uma tautologia, uma deformação. O que pode o público ganhar ouvindo um, ou muitos incompetentes?  À medida que este critério editorial absurdo se repete transmite-se para a opinião pública a ideia [erradíssima] de que a importância das pessoas vem do estatuto e não do uso que se lhe dá.

Gostava imenso que o Porto Canal fosse o canal pioneiro a perceber que o caminho para o sucesso não pode ser esse e que por vezes é preciso mesmo aceitar grandes desafios e fazer rupturas. Romper com a mesmice, diga-se, nem sequer é grande revolução, mas que urge fazê-lo, urge. 

* Há que dar oportunidade a quem não tem currículo governativo, a gente respeitável, e com bom "cadastro"... Sim, porque a esse nível [governativo], poucos se podem dar à vaidade de imaginar que governaram bem, que sabiam o que estavam a fazer. Para si próprios, talvez soubessem, para o país, seguramente que não. 

10 janeiro, 2013

O bom ditador

Charlie Chaplin























Penso não me enganar se disser que nos últimos 50 anos nunca o nosso país passou por uma crise tão violenta como a actual. Também não imagino que alguém com idade suficiente para isso, possa desmentir esta forte convicçao. Mas, aquilo que para mim é realmente dramático, é não aparecer, no meio desta grande confusão, ninguém capaz de fazer a diferença pela positiva. Gente para dar pareceres sobre o que sabe, e o que não sabe, não falta, basta carregar nos botões do comando da tv nas horas de maior audiência e vêmo-los às dezenas, em todos os canais. É só escolher. Mas, intelectualmente, são todos iguais. Alguns deles [muitos], até foram responsáveis pela actual situação económica e social, que é o que me tira mais fora do sensato...

Pois se isto é uma Democracia, então eu não a quero para nada. Mas, também não quero o regresso ao passado, para satisfazer os apetites secretos de muitos que nunca chegaram a digerir a revolução de Abril e que andaram todos estes anos a engolir sapos, boiando consoante o sabor das correntes, sem contudo deixarem de tirar partido do regime. De certa forma, hoje até se sentem mais confortáveis, porque fazem agora com a prosápia da democracia, aquilo que faziam outrora pela repressão da PIDE. 

Não acredito em Messias para reconstruir Portugal, mas quando um país inteiro não é capaz de gerar um grupo de Homens eticamente superiores e de grande visão política para o Governar a sério, dá-me vontade de sonhar que é possível acreditar em bons ditadores. Não porque seja contra a repressão aos falsários e aos traidores que nos têm desgraçado a vida, porque essa repressão defendo-a sem piedade, mas porque atrás de um bom ditador pode sempre estar um ditador absoluto. 

Há um sentimento evidente de cansaço instalado na população que advem da acumulação de enganos e traições com que os governantes a tem presenteado. Os debates, de tão repetitivos, já não convencem ninguém, nem servem para nada, a não ser para aumentar a revolta contra quem os promove. O país já não existe, resta o romantismo de pensarmos que somos um país. Não temos líderes, a pobreza económica, alastrou-se ao espírito e aos ideais sociais. Temos demasiados fanfarrões, candidatos a mais do mesmo, gente fútil, e os garotos que outros levaram ao Governo, agradecem. Ninguém [nem os próprios governantes] sabe quando e como isto vai terminar, e as expectativas são frouxas, para não  dizer pessimistas. Isto, dizem, é  Democracia...Já não sei no que pensar. O que sei, é que não acredito num país que deixa sem castigo os grandes criminosos e pune severamente os mais desfavorecidos. Olho para o Presidente da República e para o Governo e sinto vergonha de os saber portugueses. Por que será que eles não emigram? 
  

Anticonstitucionalissimamente

1. Esta é, salvo melhor pesquisa, a palavra mais longa do dicionário português. Contém a nossa idiossincrasia lunar: é complexa, rebuscada, negatória, adverbial e única. Está-nos no sangue, na história: chumbar quem, anticonstitucionalissimamente, tentar mudar o paradigma sem uma revolução. Depois é tudo legítimo. Mas, previamente, sem sangue, não se consegue ajustar os meios à realidade.

É verdade que este Governo é uma desmoralização permanente pela falta de ética, rigor e sentido de Estado. Mas não pode ser pela Constituição que os atiramos ao mar. Deveria ser pela incompetência pura e simples e assumida através da única organização que tem poder para alterar a situação: o interior do PSD. O CDS, já sabemos, está de acordo com o fim da tripla Passos/Relvas/Gaspar.

2. A privatização da ANA continua a mexer, sempre na mesma direção. O Governo transferiu 276 milhões de euros para a Câmara de Lisboa de forma a vender a empresa de aeroportos com os terrenos da Portela lá dentro. Questão: as autarquias do Norte, Faro, Açores ou Madeira não tinham quaisquer direitos para serem ressarcidos? Mas mais: numa altura em que não há dinheiro para nada, os 276 milhões foram pagos já a 31 de dezembro, muito embora os franceses da Vinci só paguem a compra da ANA em prestações durante nove meses. Por fim, e cereja no bolo, a Câmara de Lisboa fez o que tinha a fazer: entregou o dinheiro todo à Banca para amortizar dívidas. Mas não é notável que tudo, mas tudo, vá sempre desaguar à Banca?

3. Domingos Azevedo, presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, é há muitos anos o homem que diz, com palavras certeiras e sotaque a condizer, verdades nuas e cruas sobre as decisões das Finanças. E as declarações dos últimos dias são maravilhosas. Vintage.
Domingos disse anteontem a Gaspar e à sua equipa de doutorados, pós-doutorados, MBA e NBA das Finanças que eles só dão "barracada". Mas quem quiser ouvir o vídeo, basta ir a SIC Notícias.pt. "Não é suficiente criar uma lei para obrigar as empresas a pagar os salários com duodécimos quando elas não têm dinheiro para o fazer"... "Barracada".

A equipa de Gaspar fez uma coisa ainda mais perversa neste tema: tem informação privilegiada e vai fazer os cálculos internos para pagar aos funcionários públicos já com os duodécimos. A restante economia privada... que pague agora com valores errados, que depois corrige em duplicado em fevereiro. São milhões de horas extras de trabalho, em todo o país, para desfazer trapalhadas das Finanças - e bastaria que o Governo fizesse as coisas a tempo e horas, como se supõe num país europeu, para evitar este desgaste. A medida dos duodécimos faz surgir também um pequeno monstro contabilístico no horizonte: no final de fevereiro as tesourarias têm de se preparar para mais 20% de encargos salariais, descontos e retenções na fonte. E daí para a frente 10% a mais todos os meses (com exceção dos meses de pagamentos de subsídios).

Sim, são muito bonitos aqueles programas de incentivo ao empreendedorismo de que é moda gostar-se, mas falem com os jovens (ou não jovens) empresários de pequenas empresas e verão o que lhe dizem: o problema não é o negócio, não são as 10 ou 15 horas de trabalho diárias. Às vezes nem é só o pagar-se impostos a perder de vista. O problema é o inferno gerado pelas Finanças nas sistemáticas alterações a tudo e mais alguma coisa: as constantes mudanças nos sistemas de faturação, as exigências com as mais mesquinhas questões, como por exemplo passar-se a informar de véspera as Finanças da necessidade de se transportarem mercadorias - se não se tiver uma guia autorizada é-se multado com possível apreensão de mercadoria. Ou ainda as amortizações que mingam de ano para ano, já para não se falar dos lucros altíssimos a quem tem lucros ou as penalizações fortes a quem tem prejuízos... Esta gente no Terreiro do Paço não faz a mínima ideia como incentiva tantas pessoas a desistir diariamente de continuar com os seus pequenos negócios. E a prova da distância face à realidade é que ninguém, hoje, 10 de janeiro, consegue fazer ideia de qual é realmente o seu salário... Os que ainda o têm.

[do JN]

08 janeiro, 2013

Para memória futura, a querida RTP



Este, foi o momento mais digno do programa Trio de Ataque da RTP, ainda no ar, agora com a participação de Miguel Guedes, Rui Oliveira e Costa e um sabujo qualquer, cujo nome me faz lembrar o Gobern(o): a retirada categórica de Rui Moreira.

Só lastimo que Miguel Guedes não tenha seguido o exemplo de Rui Moreira, porque já lhe deram muitas razões para isso. Na RTP do serviço público é assim, conspira-se, e pouco mais.

RTP, a tal do serviço público...



Cá está ele de novo, o "excelente" jornalismo que se faz em Portugal. Como podem constatar, desta feita é a própria RTP, a tal que eles dizem prestar serviço público, que não perde uma oportunidade para fazer do FCPorto um clube de arruaceiros que destroem tudo por onde passam. Atentem bem como a notícia foi apresentada.

Começaram por dizer que "os adeptos benfiquistas cuspiram sobre o guarda redes dos dragões e o hoquista reagiu" [e quem não reagia em tal situação, depois do histórico de agressões, naquele recinto?*].

Ou seja, A RTP procurou, como é habitual, aliás, enfatizar o facto de Edo Bosch ter reagido, e não a cuspidela que originou a sua reacção, ou até a deficiente protecção da polícia. A seguir, dizem que o guarda-redes terá atingido um adepto, quando as imagens mostram perfeitamente que ele não chega sequer a tocar-lhe e que nada de grave sofreu, até porque voltou a aparecer cheio de "coragem" [ver no vídeo aos 37 segundos]para reatar a provocação. Depois, servem-se do Record - que é a coisa mais ordinária que alguma vez um jornal pariu - como fonte para dizer que o adepto atingido pelo E.Bosch terá sido "assistido" no local, tudo isto para dar uma ideia trágica da ocorrência e fazer do guarda redes portista o mau da fita.

Por fim, de forma acrítica e desleal, transmitiram o comunicado do Benfica, como se fosse algo de respeitável, uma espécie de artigo da Constituição, sem filtrar o facciosismo nele inscrito, ignorando de novo as cuspidelas que levaram à reacção defensiva, mas inofensiva de Edo Bosch.

A intenção - é como já vem sendo tradição da RTP - lançar areia para os olhos dos mais distraídos, e deixar nos espectadores o anátema da violência e do mau comportamento em tudo que cheire a FCPorto. É tudo, menos inocente.

Aqui chegados só me ocorre dizer uma coisa: fdp!

* A este propósito, faço questão de recordar que coisa grave, foi sim a agressão cometida sobre um ex-jogador de hóquei do FCPorto, não vão muitos anos, naquele mesmo recinto, por um adepto benfiquista que o levou ao Hospital com uma fractura no crâneo e isso foi desvalorizado pela RTP. Assim como o comportamento do treinador de Basquéte do Benfica que em pleno Dragãozinho se virou para o público com gestos  simulando um golpe de navalha na garganta, e que a querida RTP, a tal do serviço público de merda, fez vista grossa. Se fossem todos despedidos eu fazia uma festa. Juro!