11 junho, 2013
O Porto Canal, as cassetes repetidas, e o silêncio...
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| Juca Magalhães |
Não sei o que estará a passar-se na cabeça dos "notáveis" deste país, que anda a bloquear-lhes o bom senso, tanto nos momentos em que são chamados a fazer declarações públicas, como naqueles em que deviam tomar decisões, e não tomam.
Já nos habituamos a ouvir os maiores disparates, da boca das pessoas mais improváveis [Passos Coelho, Cavaco, Victor Gaspar, Isabel Jonet, Carlos Abreu Amorim, etc.], não precisamos é que Júlio Magalhães lhes siga o (mau) exemplo... Não porque diga disparates, mas porque anda a querer silenciar o que não dá mais para silenciar.
O estranho, é que a imprudência, parece começar a fazer escola com determinadas figuras públicas que até aqui nos vinham transmitindo a imagem de pessoas moderadas e pouco dadas a cometer asneiras grosseiras. Parece ser esse o caso de Júlio Magalhães, o actual director geral do Porto Canal, agora sob a tutela do FCPorto.
Não faz qualquer sentido, depois de tanto se andar a apregoar a missão de âmbito regional [e nacional] da estação da Senhora da Hora, depois de procurar "agarrar" audiências com promessas de uma televisão pronta a servir o Norte e a cidade do Porto, que os fins de semana, e mesmo algumas horas durante a semana, os espaços sejam ocupados com gravações e programação ultra-repetidas, sem haver sequer o cuidado de apresentar uma simples explicação para o facto. Não me parece sério, nem de bom auguro.
Se porventura tal desleixo assentar na ideia de que as audiências estão garantidas por se tratar de um canal ligado a um clube com o prestígio do FCPorto, então ainda é pior, porque o prejuízo é duplo. Não creio mesmo, que a repetição excessiva de programas eminentemente desportivos relacionados com o FCPorto, possa atenuar a situação. As pessoas gostam demais de futebol, mas não andam a dormir, nem gostam que as intoxiquem com cassetes usadas. Nem o bem disposto Futre pode servir de engodo. As pessoas - o público, se entenderem melhor -, precisa acima de tudo de ser respeitado, e não é isso que Júlio Magalhães está a fazer.
Ressalvo que, o melhor que o Porto Canal tem, descontando a área desportiva, já vinha de trás, quando ainda era dirigido por Bruno Carvalho, por ironia, um ex-candidato vencido à presidência do Benfica... O FCPorto, o programa "Caminhos da História", de Joel Cleto, e a irreverência de Maria Cerqueira Gomes, são a alma do canal. O resto, continua assim, assim... Prometeu, mas deixou-se estagnar. O que se passa?
Tem a palavra Júlio Magalhães.
Nota de RoP:
De pouco deve valer, mas não resisti de enviar a carta a Garcia, e dei conhecimento deste desabafo ao Porto Canal.
08 junho, 2013
Paulo Fonseca, o mais recente exemplo da aposta do FC Porto em jovens treinadores
Técnico que levou o Paços de Ferreira à Liga dos Campeões estará perto de assinar um contrato de duas épocas
André Villas-Boas, Vítor Pereira e agora Paulo Fonseca. O primeiro
tinha 32 anos quando assinou pelo FC Porto (2010), o segundo 42 quando
passou a treinador principal (2011) e o terceiro tem 40, às portas de
embarcar naquela que será apenas a segunda aventura na principal divisão
do futebol português. É o fruto de uma aposta recente de Pinto da Costa
em técnicos jovens e ainda à procura de títulos.
Tem sido uma ascensão meteórica, a de Paulo Fonseca. Começou a carreira
de treinador nos juniores do Estrela da Amadora (2005-07) e passou pelo
1.º Dezembro (2007-08), pelo Odivelas (2008-09), pelo Pinhalnovense
(2009-11) e pelo Desportivo das Aves (2011-12), antes de, na temporada
passada, ter assinado pelo Paços de Ferreira. A época de estreia na I
Liga não poderia ter corrido melhor: com um inédito terceiro lugar,
suplantou o Sp. Braga e garantiu uma qualificação histórica para a Liga
dos Campeões.
Foi à custa deste brilharete que despertou a atenção dos principais
emblemas. De tal forma que, ainda com a época a decorrer, nas várias
entrevistas que concedeu, Paulo Fonseca nunca fechou a porta a uma saída
no final da temporada, embora tivesse com o Paços de Ferreira um
contrato válido até 2014. Na altura, o estrangeiro parecia ser a
hipótese mais forte, mas o FC Porto apressou--se a garantir o seu
concurso.
Por enquanto, não há ainda confirmação oficial do negócio, mas tudo
aponta para um vínculo de duas temporadas (à imagem do que sucedeu com
Vítor Pereira e com muitos dos técnicos que já passaram pelo banco do
campeão nacional), devendo o valor a pagar pelo FC Porto ao Paços rondar
um milhão de euros, relativos à cláusula de rescisão do técnico.
A confirmar-se o negócio, que está a ser intermediado pelo empresário
Jorge Mendes (representante do treinador desde Março), Paulo Fonseca
será o 12.º treinador português da era Pinto da Costa, juntando-se a um
grupo composto por Pedroto, Artur Jorge, Quinito, António Oliveira,
Fernando Santos, Octávio Machado, José Mourinho, José Couceiro, Jesualdo
Ferreira, André Villas-Boas e Vítor Pereira.
A renovação contratual do treinador que recentemente se sagrou
bicampeão nacional precisamente no terreno do Paços de Ferreira ficou
pelo caminho. Pinto da Costa, em entrevista à RTP1, tinha remetido para
esta semana uma nova reunião com Vítor Pereira, que terá servido para
lhe apontar a porta de saída, obstando a que pudesse aproximar--se de
Jesualdo Ferreira como o técnico de maior longevidade no banco dos
"dragões" (quatro temporadas consecutivas) sob a direcção do actual
presidente.
Agora, abre-se um novo ciclo na equipa de futebol do FC Porto e António
Oliveira, presidente do Estrela da Amadora na altura da estreia como
técnico de Paulo Fonseca (precipitada por uma lesão grave), não tem
dúvidas. "Se o FC Porto o escolher, acerta em cheio", disse ontem à
Rádio Renascença.
[Nuno Sousa/Público]
05 junho, 2013
De Lisboa, nem bons ventos, nem bons casamentos
As fronteiras são o melhor testemunho de afirmação, e simultaneamente de discórdia na história dos países. Se as fronteiras foram criadas, não foi seguramente por motivos pacíficos, ou por amor recíproco entre povos vizinhos. Localizado na periferia ocidental da Europa, e com o flanco maior da sua costa marítima virada para o Atlântico, era inevitável para Portugal ter como principal inimigo a Espanha. De momento, não importa saber se a entrada na União Europeia, com o consequente desmantelamento das fronteiras, foi uma decisão positiva, ou não, o que releva mesmo é que, desde então, os atritos entre os dois países parecem ter serenado.
O certo é, que as relações entre Portugal e Espanha, principalmente o Norte nacional e a Galiza, só não estão melhores, quer em termos culturais, quer económicos, porque os governos centrais não quiseram nem querem. Mas os governos centrais, na simples acepção do termo, não foram, de per si, um obstáculo, o obstáculo foi o hiper-centralismo das suas práticas governativas, que levaram o resto do país a uma profunda desigualdade social e económica, que dificilmente será superada nos próximos anos, mesmo com a Regionalização.
O curioso, no meio de tudo isto, é chegarmos à triste conclusão, que a maior fronteira, a mais hostil e agressiva, vem sendo traçada dentro de portas, pelo Terreiro do Paço, baluarte simbólico do divisionismo do país. E é inútil revitalizar o velho fantasma do complexo do Porto em relação à capital, porque essa não é mais do que uma desculpa idiota para eternizar o problema cujas consequências podem ser uma desgraça.
Folguei em saber que um grupo de notáveis decidiram finalmente juntar-se para discutir o Norte, e subscrevo a ideia de Rui Moreira de combater a portofobia, evitando os erros de Lisboa. Só que, observando, um a um, o perfil dos intervenientes, parte dos quais viveram de costas voltadas para o Norte, interrogo-me se a iniciativa [louvável], terá pernas para andar.
Gostava de me enganar [gostava mesmo], mas tenho a certeza que, chegada a hora das grandes decisões [se lá chegarem], alguns destes protagonistas abandonam o barco. Não detecto ali, pelo menos, nalguns dos participantes, a mínima vocação para seguir em frente, custe o que custar, até que o Terreiro do Paço perceba que não se trata apenas de um inofensivo processo de intenções, para provinciano alegrar. Isto de dizer que o Norte tem importantes agentes económicos, e um empresariado qualificado, soa bem, mas de pouco serve se não se decidir o que fazer com eles. Diz o JN que existe consenso sobre como deve actuar-se para o Norte e o Porto se afirmarem, concluindo que apenas nos falta o poder político... Faltará? Então, não há, e não houve sempre, nos variados governos e no Parlamento, gente do Porto e de outras cidades nortenhas? Os que ainda lá estão, servem, ou não, para este projecto intitulado pelo JN de "revolucionário"? Se não servem, como pensam lá chegar [ao poder político]?
Sinceramente, gostava muito de ser optimista, mas como sê-lo, conhecendo como conheço esta tendência mórbida de alguns "notáveis" nortenhos [não só do Porto, sublinhe-se], para o beija-mão reverencial ao Terreiro do Paço, e à sua mais poderosa arma, chamada comunicação social?
Não querendo meter o futebol na política [mas onde é que ela não está?], é importante que o usemos sem complexos para nos defendermos do centralismo, como os centralistas o usam contra nós e sem cerimónias, para nos silenciar e enfraquecer. E como nós só agora temos o Porto Canal, ainda em modo de estágio, a réplica é inofensiva. Dou-vos só este singelo exemplo. No jogo de andebol para a Taça de Portugal, disputado sintomaticamente em Tavira, houve uma arbitragem incompetente e tendenciosa que fez tombar a Taça para o lado do Sporting. Por que é que um jogo de final tinha de ser em Tavira, tão distante dos portistas, 300 Kms. mais distantes que os do Sporting? Faz algum sentido?
Segundo o jornal desportivo O JOGO, Adelino Caldeira recusou-se a cumprimentar o presidente do Sporting antes do jogo, devido a declarações sobre fruta, por altura da venda de J. Moutinho ao Mónaco.. Hoje, em todas as estações de tv lisboetas a notícia era contada assim: "Sporting corta relações institucionais com o FCPorto". E a seguir, sem ouvirem a outra parte, prosseguiram com a declaração do dirigente leonino com pompa e circunstância, como se tratasse de uma verdadeira declaração de guerra.
Segundo o jornal desportivo O JOGO, Adelino Caldeira recusou-se a cumprimentar o presidente do Sporting antes do jogo, devido a declarações sobre fruta, por altura da venda de J. Moutinho ao Mónaco.. Hoje, em todas as estações de tv lisboetas a notícia era contada assim: "Sporting corta relações institucionais com o FCPorto". E a seguir, sem ouvirem a outra parte, prosseguiram com a declaração do dirigente leonino com pompa e circunstância, como se tratasse de uma verdadeira declaração de guerra.
Significativo também, é que essas mesmas televisões, incluindo a que se diz pública [RTP], que se fartaram de cheirar o rabo ao Mourinho em Madrid, acompanhando todas as conferências de imprensa do treinador, como se o Real Madrid fosse um clube português, ignoraram por completo o artigo do jornal MARCA abaixo publicado, só porque não suportaram ter de reproduzir o que os nossos «inimigos» espanhóis escreveram do Presidente Pinto da Costa. Nem os comentários venenosos de Octávio Machado mancharam o artigo, onde era reconhecida a competência do líder portista. É caso para dizer que nuestros hermanos de Espanha são mais patriotas que os lisboetas...
Escusado se torna prever as explicações dos media para tanto desrespeito, porque ele assenta no facto de o FCPorto ter perdido, há muito, e com razão, a confiança na isenção dos media lisboetas, e como tal, prefere não lhes falar. Sim, porque, dissesse o que dissesse o dirigente portista, é certo e seguro que só serviria para ser manipulado e gerar ainda mais confusão. Como já escrevi em post anterior, este é o panorama de um país governado por gente sem qualificações intelectuais, cívicas e honoríficas. E depois, o futebol é quem gera a violência. Não, não é! São estes governantes de merda!
PS-Acho muito bem que Adelino Caldeira não tenha cumprimentado o aprendiz de feiticeiro do Sporting, um rapazinho de voz grossa com mente de ervilha, que também se deixou seduzir pelo síndroma anti-pintista, iludido que assim sobe ao reino dos céus mais depressa.
Spotinguistas, desconfiem, lembrem-se que foi assim que Vale e Azevedo virou a cabeça aos benfiquistas, e depois foi o que se viu... Ah, e Vale e Azevedo está na cadeia.
Spotinguistas, desconfiem, lembrem-se que foi assim que Vale e Azevedo virou a cabeça aos benfiquistas, e depois foi o que se viu... Ah, e Vale e Azevedo está na cadeia.
04 junho, 2013
Parte de um artigo do jornal MARCA, sobre Pinto da Costa
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| PINTO DA COSTA |
Quem conhece bem Pinto da Costa [Porto 1937], acredita que o desencontro público protagonizado esta temporada por Mourinho e algumas figuras do Real Madrid, nunca teria ocorrido no FCPorto. O argumento é simples: nada está acima do Presidente, que acaba de iniciar o seu 13º.mandato sem que ninguém ouse enfrentá-lo.
Durante o verão de 2002, na sua 1ª.temporada completa no banco, Mourinho decidiu sentar Victor Baía. O guarda-redes e capitão, consciente da sua enorme popularidade junto dos adeptos, retaliou ao treinador através dos media. Quando o Presidente interveio, a ruptura parecia irreparável. No entanto, em poucas semanas, todas as partes estavam satisfeitas. Baía foi sancionado, mas recuperou a titularidade. Dois anos mais tarde, treinador e guarda-redes tinham somado duas ligas, uma taça UEFA e uma Champions, ao seu palmarés.
Hoje Mourinho concede ao seu descobridor o qualificativo de TOP, a mais alta distinção do escalão mourinhista. "Tal como há um grupo de eleição para jogadores e para técnicos, também os há para presidentes. Nesse grupo Pinto da Costa, está no top", assegurou na revista oficial do FCPorto, na qual revelou como o presidente o convenceu a continuar no clube depois de ganhar a taça UEFA. "Por acaso não te sentes capaz de ganhar a Champions com o FCPorto?", desafiou-o, quando o técnico já tinha as malas feitas. "Acertou, porque me tocou no orgulho. "Estou-lhe grato pela inteligência e pela persuasão", recorda Mourinho.
Quem conviveu com ele, distingue duas pessoas. Jorge Nuno, um homem próximo, amável, culto e amigo de recitar poesia. E Pinto da Costa, um presidente - profissional desde 1998 - que dedica 24 horas por dia ao FCPorto e que não se detém perante nada nem ninguém na hora de defender os seus interesses, capaz de desentender-se até com o seu filho, por assuntos relacionados com o clube. Um dirigente que em três décadas acumulou um palmarés mais amplo do que o de importantes clubes europeus e cuja gestão levou o Presidente da República portuguesa a dizer que o país devia reger-se "à imagem do FCPorto"
Pinto da Costa construiu a sua imagem a partir de um excepcional olho para os bastidores e uma mão de ferro para os negócios. Por detrás da primeira qualidade há uma inquestionável sabedoria futebolística. O caso de Ricardo Carvalho ilustra-o bem. Os técnicos achavam-no demasiado frágil para ser central. O presidente exigiu que fosse recuperado do Alverca, onde fora cedido. Três anos, duas Ligas, e uma Champions depois, era transferido para o Chelsea por 30 milhões.
A sua intuição não se limita só a futebolistas, lançou para o estrelato treinadores, como Mourinho e Villas Boas, incluindo directores. Antero Henrique, director desportivo desde 2005, que muitos responsabilizam pelas últimas operações do FCPorto, era o dirigente da revista do clube e agora é o delfim do presidente.
Atrás da sabedoria ocultam-se muitas horas de trabalho e uma ampla rede de olheiros, especialmente na América do Sul. "Dedica 24 horas do dia ao clube e sempre vai ver pessoalmente os jogadores antes de contratá-los. Vê como jogam, mas também com que gente se envolvem. É muito criterioso com os aspectos pessoais", conta o periodista Bruno Prata. Quando se equivoca, e já lhe aconteceu, especialmente com os técnicos, reconhece o seu erro e corta o mal pela raíz. O italiano Luigi del Neri sentiu-o na pele. Foi demitido antes de dirigir a primeira partida. Levava mês e meio, mas as informações que chegaram aos ouvidos do presidente sentenciaram-no. Quando toma a decisão não volta atrás, mas a partir daí respeita a independência dos técnicos. É pelo menos isso que garantem os treinadores consultados pela MARCA. "Nunca tive conhecimento que tenha tentado interferir no trabalho de um treinador. Pelo contrário, dá muita confiança", afirma Domingos Paciência, que foi jogador do FCPorto.
Os que se sentaram com ele a uma mesa sabem até que ponto pode ser duro a negociar. Richard Moar, director desportivo do SuperDepor, passou 2 noites na sua residência negociando uma operação que não foi concluída. "É muito duro, se a oferta inicial não chega aos 85% nem sequer te recebe. Marca sempre os tempos, conhece muito bem o comprador, joga com a pressa com que os grandes se dispõem a ir com os jogadores importantes e puxa a corda até ao limite em alterar o gesto". Os amigos explicam essa sua frieza com o seu excessivo sentimentalismo. "Ele realmente afeiçoa-se pelos seus jogadores, por issolhe custa tanto vendê-los", assegura Paulo Futre, com quem protagonizou um dos seus primeiros romances. O temperamento namoradeiro de Pinto da Costa não se limita ao futebol. O presidente casou-se por 4 ocasiões, duas delas com a mesma mulher. A 28 de Julho celebrará o seu 1º aniversário com a brasileira Fernada Miranda, de 26 anos.
Disse não à política
Mas os 31 anos que leva à frente do clube não se explicam apenas com essa dupla faceta de caçador de talentos e negociador. De facto, há quem assegure que a sua habilidade não é tanto a de descobrir talentos como de as forjar. "Soube investir bem no mercado, mas sobretudo criar as condições para que o jogador possa render o máximo. Criou uma estrutura de gente unida e que trabalha 24 h por dia para o clube e para que o jogador se sinta protegido", assegura Octávio Machado, segundo de Artur Jorge, durante quase uma década, e 1º.treinador na de 2001/2002. Machado* sustenta que parte do mérito de Pinto da Costa consiste em ter sabido aproveitar a "excessiva fragilidade" dos seus adversários.
Futre valoriza essa protecção, mas também destaca o respeito que a sua figura infunde e o extraordinário controle em tudo o que respeita ao clube. "Se um jogador toma um copo a 50 Kms da cidade, ele tem conhecimento". E se algo assim ocorre, as consequências são imediatas: "é muito carinhoso com os futebolistas e dá-lhes tudo o que querem, mas não o podes decepcionar". Isso sim, a roupa suja, lava-se sempre em casa. "No FCPorto nunca há escândalos. O presidente lida muito bem com os media, e os problemas nunca saem cá para fora", conta Futre.
O presidente do FCPorto gosta de ter tudo sob o seu controle. Conta-se que quebrou um contrato com Carlos Alberto Parreira porque suspeitava que alguém das suas relações tinha filtrado para um jornal a notícia da sua contratação...
Nota de RoP:
Este artigo, que extraí e tive a paciência de traduzir, do jornal desportivo MARCA, não termina aqui, embora pouco falte. A parte que resta, e que me recuso reproduzir, mais não é que o resultado do venêno expandido pela campanha de má lingua e conspiração levado a cabo pelos media lisboetas, com a cumplicidade de ex-colaboradores, e ex-amantes ressabiadas de Pinto da Costa.
Para esse peditório eu não dou. Fica a parte mais credível, e a mais importante.
* Machado, o Octávio, é um dos testas de ferro preferidos dos conspiradores para mal-dizer sobre Pinto da Costa. Mas, já ninguém o leva a sério.
* Machado, o Octávio, é um dos testas de ferro preferidos dos conspiradores para mal-dizer sobre Pinto da Costa. Mas, já ninguém o leva a sério.
03 junho, 2013
Um país sem rei, nem roque
A "mui-nacionalista" RTP, a tal estação televisiva que se auto-proclama de serviço público, mas que mais não passa, de um órgão de comunicação do Estado ao serviço do Benfica, foi [como sempre], muito lesta a anunciar a não comparência do clube na final da Liga Europeia de Hóquei em Patins, disputada no Dragão Caixa, alegando falta de segurança e de condições para os adeptos.
Ao melhor estilo nazi, a querida RTP nem sequer se preocupou em deixar maturar a consistência da notícia, transmitida na noite da véspera do jogo, de forma a não perturbar a estabilidade dos jogadores, até porque, na manhã seguinte o clube de Benfica, decidiu voltar atrás com a decisão... O que interessa à RTP, sempre que o clube do regime tem de defrontar o FCPorto, é criar um clima de suspeição permanente, para se as coisas não correrem de feição ao Benfica, terem logo ali à mão um pretexto para se lançarem aos árbitros, aos adeptos, ou a Pinto da Costa [principal responsável das suas agruras].
A quem vive arredado destas coisas, e pensa não passarem de futilidades próprias de gente da bola, bastaria observar o que se passou no jogo de andebol, em Tavira, onde o FCPorto disputava com o Sporting a final da Taça de Portugal, em que o árbitro foi altamente responsável pelo resultado final, beneficiando de uma forma por demais evidente o Sporting, para perceber que aqueles que tanto se queixam do FCPorto, são afinal os mais protegidos em todos os aspectos e em todas as modalidades. Isto significa, como aliás é do conhecimento geral, que para o FCPorto ganhar em Portugal qualquer competição, não basta ser melhor que os adversários no terreno, tem de ser também melhor que os adversários do regime [políticos, governantes, comunicação social, árbitros, facínoras, incendiários, etc., etc.].
Mas, tudo isto já é velho, como diz o ditado, já tem barbas. Apenas acontece, porque tal como Miguel Sousa Tavares disse há dias, nós não temos na Presidência da República nem no Governo, homens com perfil de estadistas, mas sim - digo eu -, de bobos e impostores. E, para que não haja confusões, ou pretextos para me abrirem também a mim um processo, declaro desde já o meu maior respeito pelas instituições atrás referidas, não obstante a vacuidade do mesmo, quando - como é o caso -, não existem funcionários com mérito para as ocupar...
Toda esta gente, mais do que assobiar para o lado, é cúmplice das poucas vergonhas que acontecem não apenas no desporto, como em toda a sociedade.
Toda esta gente, mais do que assobiar para o lado, é cúmplice das poucas vergonhas que acontecem não apenas no desporto, como em toda a sociedade.
Acho, que esta escumalha só mesmo à porrada, lá vai!
30 maio, 2013
29 maio, 2013
E o Eça, tão dramaticamente actual
Alguém, que um dia decidiu criar um blogue, concerteza que o fez para ser lido, para transmitir e partilhar com outros a sua opinião sobre determinado(s) assunto(s). Depois, terá de perceber que, a partir desse momento hipotecará um pouco da sua privacidade. Para não ficar decepcionado, convirá também saber, que para ser muito lido, e comentado, deverá escolher um tema que agrade de preferência a toda a gente, que seja simpático, politicamente correcto, e que não obrigue o leitor a pensar muito. E, se mesmo assim, não conseguir ter um grande número de leitores, sempre pode procurar outras "montras", como registar-se no Facebook, ou no Twitter, como aliás, fazem o Presidente da República e o Primeiro Ministro...
Como não sou fã das redes sociais, por considerá-las algo invasivas e muito folclóricas para o meu gosto, tenho desde logo comprometidas as audiências do Renovar o Porto, e o leque de "amigos" condicionado [o que não é o caso das figuras públicas atrás mencionadas]. Mesmo assim, intriga-me, o que é que poderá levar o P.R. e o P.M., a frequentarem as redes sociais, quando tanto mal têm feito à sociedade. A menos que sejam masoquistas e gostem realmente de ser insultados.
Se para um blogue ter muita visibilidade só conta o futebol, os lugares comuns vazios dos políticos, e a superficialidade da comunicação social, então o Renovar o Porto não terá grande futuro, mas o país também não. Se repararem bem [e seria espantoso que não tivessem reparado], tanto os jornais, como os governos não passam de clones uns dos outros. Nada de verdadeiramente inovador podemos esperar deles. Podem ouvir as pessoas que quiserem, os peritos que entenderem, ninguém se distingue de ninguém. Da esquerda à direita, há oposição, mas não há solução, nem uma verdadeira vontade de mudança.
O Renovar o Porto nasceu com o intuito de se constituir um pouco a voz que o Porto perdeu com a chegada de Rui Rio à Câmara. Sem presunção, procurou alertar os portuenses e nortenhos para esse cancro chamado centralismo, chegando mesmo a influenciar a criação de um Movimento [Movimento do Partido do Norte] a favor da regionalização, que lamentavelmente acabou por não ter o êxito que se esperava, quer por falta de meios, quer pela tradicional pasmaceira da população. Entretanto, à crise política nacional, juntou-se a crise financeira, dita global, cujas consequências estamos agora a pagar, sem termos a menor ideia de quando terá fim. E quem nos governa, também não...
Aqui chegados, não perco tempo a discutir os detalhes, a ouvir quem quer ser ouvido, mas nada diz. A mim, que estou cansado desta política suja, praticada por gente de carácter obscuro, só me interessa a discussão dos problemas a montante, na fonte. Não nesta foz lamacenta, de fedor e lixo, e pactuar com ela. Essa política, para mim está morta e não é de agora. Há criminosos [e não me refiro apenas aos crimes mais mediáticos], e se há crime, tem de haver castigo. Depois, então sim, haverá que gerar novos paradigmas para a democracia, torná-la mais sólida e respeitável. Cavalgar por cima disto, não estou disposto a cavalgar.
O problema chama-se Portugal, e é antigo. Já Eça de Queiroz o denunciava no século XIX. Senão leia-se esta pequena "amostra" retirada de OS MAIAS ao João da Ega, amigo de Carlos Maia, principal protagonista do romance: "-É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos «têm imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um «talento de primeira ordem»! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de «robustíssimos talentos»! De resto todo o mundo concorda que este país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país é governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!».
Ainda gostava de saber se os actuais políticos, lendo Eça, se acham muito diferentes dos daquele tempo... Se não acham, também nunca o vão dizer.
Se para um blogue ter muita visibilidade só conta o futebol, os lugares comuns vazios dos políticos, e a superficialidade da comunicação social, então o Renovar o Porto não terá grande futuro, mas o país também não. Se repararem bem [e seria espantoso que não tivessem reparado], tanto os jornais, como os governos não passam de clones uns dos outros. Nada de verdadeiramente inovador podemos esperar deles. Podem ouvir as pessoas que quiserem, os peritos que entenderem, ninguém se distingue de ninguém. Da esquerda à direita, há oposição, mas não há solução, nem uma verdadeira vontade de mudança.
O Renovar o Porto nasceu com o intuito de se constituir um pouco a voz que o Porto perdeu com a chegada de Rui Rio à Câmara. Sem presunção, procurou alertar os portuenses e nortenhos para esse cancro chamado centralismo, chegando mesmo a influenciar a criação de um Movimento [Movimento do Partido do Norte] a favor da regionalização, que lamentavelmente acabou por não ter o êxito que se esperava, quer por falta de meios, quer pela tradicional pasmaceira da população. Entretanto, à crise política nacional, juntou-se a crise financeira, dita global, cujas consequências estamos agora a pagar, sem termos a menor ideia de quando terá fim. E quem nos governa, também não...
Aqui chegados, não perco tempo a discutir os detalhes, a ouvir quem quer ser ouvido, mas nada diz. A mim, que estou cansado desta política suja, praticada por gente de carácter obscuro, só me interessa a discussão dos problemas a montante, na fonte. Não nesta foz lamacenta, de fedor e lixo, e pactuar com ela. Essa política, para mim está morta e não é de agora. Há criminosos [e não me refiro apenas aos crimes mais mediáticos], e se há crime, tem de haver castigo. Depois, então sim, haverá que gerar novos paradigmas para a democracia, torná-la mais sólida e respeitável. Cavalgar por cima disto, não estou disposto a cavalgar.
O problema chama-se Portugal, e é antigo. Já Eça de Queiroz o denunciava no século XIX. Senão leia-se esta pequena "amostra" retirada de OS MAIAS ao João da Ega, amigo de Carlos Maia, principal protagonista do romance: "-É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos «têm imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um «talento de primeira ordem»! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de «robustíssimos talentos»! De resto todo o mundo concorda que este país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país é governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!».
Ainda gostava de saber se os actuais políticos, lendo Eça, se acham muito diferentes dos daquele tempo... Se não acham, também nunca o vão dizer.
27 maio, 2013
Se eu fosse 1º.Ministro
| 1º.Ministro por fora. E por dentro? |
Chamem-me bota de elástico, anti-democrata, o que quiserem, que a minha opinião não muda. Os 39 anos vividos em democracia bastam-me para concluir que é preciso fazer muito mais do que se fez até agora, para a credibilizar e aperfeiçoar. Não sou dos que fazem profissão de fé das palavras de Churchill, quando disse que "a democracia era o pior dos regimes à excepção de todos os outros", porque se o fizesse, seria o mesmo que renunciar ao progresso. Há quem use a citação desse notável estadista exactamente para se aproveitar das debilidades da nossa democracia, que são muitas.
Se fosse 1º. Ministro/Presidente Partidário - cargo para o qual, declaro não ter aptidões, nem vocação -, punha fim a certas liberdades, confusamente consideradas democráticas... A primeira decisão que tomaria, era perguntar aos putativos candidatos a governantes [militantes partidários] se estavam profundamente conscientes das responsabilidades inerentes aos respectivos cargos, e pedia-lhes para as descreverem. A partir daí, e em conformidade com as respostas, faria uma selecção primária dos candidatos, descartando desde logo os que tivessem respondido com fraca convicção. Àqueles que passassem com distinção o rastreio prévio [calculo que muito poucos], colocava-lhes uma segunda questão, que consistia em saber se estariam disponíveis para desempenhar funções governativas e políticas, em regime de exclusividade. Os que respondessem afirmativamente manter-se-iam na corrida a um hipotético elenco, mas seriam imediatamente confrontados com um pequeno grupo de Regras Estatutárias, entre as quais constaria a obrigatoriedade de renunciarem à participação em programas de debate e opinião desportivos, na qualidade de adeptos, fossem eles televisivos, radiofónicos, ou apenas jornalísticos. Esse impedimento estatutário manter-se-ia em vigor, enquanto estivessem ligados ao partido e a cargos públicos. Quem infringisse as regras, ou as recusasse, seria imediatamente irradiado do partido e impossibilitado de lá voltar, porque não faria falta.
Não estou certo que a prova final decorresse sem contestação, e nesse caso, teria de repetir o recrutamento, pois era sinal que as respostas tinham sido dadas com oportunismo, e não com a convicção que se impunha. Ter de explicar aos contestários as razões daquelas regras, significaria de per si, que eles não atingiam a dimensão e a dignidade do cargo que se propunham desempenhar. Teria de gastar tempo a explicar-lhes que um político deve ter uma postura acima da clubite. Que não pode convencer o povo a acreditar nas suas propostas e ao mesmo tempo ir para a televisão trair esse mesmo povo, apenas porque tem de "defender" o clube da sua simpatia. Sobretudo, quando o fair-play não faz parte da programação das régies, deixando passar uma imagem de pessoas vulgares, de fraca rectidão... Teria de lhes dizer, que não é desse tipo de políticos que o povo precisa, e que essa não é tarefa que compita ao líder do partido resolver, mas sim aos paizinhos, desde pequeninos, administrando-lhes uma educação exemplar. Portanto, teria de os excluir, e escolher outros protagonistas. Tarefa árdua, a minha, eu sei...
O mais provável, é que se sentissem vitimizados, como aliás, agora está na moda vitimizarem-se os próprios criminosos. É natural, mas não é digno. Decerto me teriam como uma "ave rara", uma espécie de ovni, mas teria de ser mesmo assim. Eu só avançaria, com essas condições, quem não aceitasse as regras, ser-lhe-ia indicada a porta de saída, simplesmente.
E se quisessem saber os porquês de tanta austeridade, pedia-lhes que tentassem descobrir por que é que hoje, ninguém respeita ninguém. Nem a figura institucional do Presidente da República... É que para vestir certos fatos, não é o corpo que tem de encaixar, é o que vem lá dentro.
25 maio, 2013
Rui Rio já grita, e até promove "revoluções"
Não vou dizer que os jornais não servem para nada, porque se assim fosse não comprava o JN regularmente. Por respeito a mim próprio, e a milhares de leitores, com algum sentido crítico, não posso afirmar que os jornais são criteriosos na informação que nos prestam. A razão, poderá dever-se ao facto de terem ao seu serviço, directores e jornalistas, de qualidade duvidosa, que a espaços se prestam a publicar notícias e artigos de opinião altamente irreflectidos.
A capa de hoje do JN, espelha bem essa ideia. Senão, reparemos primeiro no título, manifestamente sensacionalista, "Grito de Revolta no Porto". Depois, se avaliarmos os protagonistas da suposta "revolta", depressa chegaremos à conclusão que a notícia não pode ser para levar a sério, porque independentemente do real prestígio individual de cada um, todos estão a léguas de ser revolucionários, ou sequer simpatizantes desse tipo de manifestações. Pelo contrário, são quase todos conservadores, havendo alguns entre eles, que até ao momento, foram incapazes de colocar o poder pessoal e financeiro ao serviço, e em defesa do Norte, e são de certa maneira também responsáveis pelo declínio da região.
Mas, o que é realmente patético, é o JN tentar lançar areia para os olhos dos leitores, tentando fazer de Rui Rio aquilo que ele nunca foi, nem soube ser: um líder capaz de mobilizar, o quer que seja. O que Rui Rio agora procura, com a estranha colaboração do JN, é limpar a péssima imagem que deixou aos portuenses, talvez na vã esperança de ainda poder alcançar um espaço simpático e menos baço, na história da cidade do Porto.
Se tivesse a mesma pontaria ao jogo, como tive, desde cedo, na avaliação das competências de Rui Rio, estava multimilionário. Nunca, mas nunca, me esquecerei do que ele disse, quando de paraquedas cá veio pousar: "Não é por berrar contra Lisboa que o Porto se afirma". Pois, não... Hoje, aí o temos desesperado, a querer lançar os holofotes sobre si. Mas será que alguém ainda o ouve, mesmo tentando gritar?
Of toppic:
Na terça-feira passada, escrevi que os notáveis deste país de fadistas, pareciam apostados em sobressair através de declarações disparatadas. Ontem, foi a vez de Miguel Sousa Tavares se exceder. Que Cavaco Silva não tem perfil para o cargo que exerce, disso parece não haver dúvidas, é um zero. Eu não gosto dele nem um pouco [espero que o Ministério Público não me processe por isso...]. Agora, eu não me chamo Miguel, não tenho Sousa Tavares na família, nem sou um "notável". De notável tenho o nome do meu avô, e a honra de ser seu neto, e já é muito. Mas se eu fosse notável, ou vivesse para a política e não dela, teria seguramente outra postura. E não precisava de me transformar num hipócrita.
Of toppic:
Na terça-feira passada, escrevi que os notáveis deste país de fadistas, pareciam apostados em sobressair através de declarações disparatadas. Ontem, foi a vez de Miguel Sousa Tavares se exceder. Que Cavaco Silva não tem perfil para o cargo que exerce, disso parece não haver dúvidas, é um zero. Eu não gosto dele nem um pouco [espero que o Ministério Público não me processe por isso...]. Agora, eu não me chamo Miguel, não tenho Sousa Tavares na família, nem sou um "notável". De notável tenho o nome do meu avô, e a honra de ser seu neto, e já é muito. Mas se eu fosse notável, ou vivesse para a política e não dela, teria seguramente outra postura. E não precisava de me transformar num hipócrita.
23 maio, 2013
21 maio, 2013
Política, ou futebol? Prefiro o segundo.
Ponto 1
Da política
Já ouvimos Cavaco queixar-se da sua parca reforma, que mal lhe chega para as despesas, e ouvímo-lo a aconselhar os portugueses a emigrar [que grande estadista!]. Vimos também Passos Coelho mandar "lixar" a Democracia [que grande democrata!]. Agora, é o "regionalista assumido" Carlos Abreu Amorim, que chamou magrebinos aos benfiquistas [que grande regionalista!]... Decididamente, esta gente da política tem muita classe!
Como venho dizendo nos últimos tempos, parece que quanto maior é o estatuto das pessoas, maior é a leviandade das suas declarações.
Que diabo, se fosse um cidadão comum, que anda farto de ser enganado, e sem as responsabilidades desta gente, podia-se entender a linguagem. Até porque nós não dispomos de meios legais para nos livrarmos deles em tempo útil, e temos "vastas" razões para os maltratar. Agora, esta gentinha, com as responsabilidades que, em má hora, lhes atribuiram?
Não é que simpatize com magrebinos, mouros, ou benfiquistas. De todo! Às vezes, eles merecem mesmo ser tratados abaixo de cão. Mas que raio, nós não temos as responsabilidades dos políticos. Estão a ver por que é que não engulo essa de ter de contribuir para o pagamento de dívidas que gente desta laia, que exerceu funções governativas e administrativas no Banco de Portugal foi incapaz de evitar? Afinal, em que poleiro se colocam eles? No nosso? Querem-se "popularizar", descer à plebe desta maneira, dando estes tristes exemplos? Se sim, então retire-se-lhes imediatamente o poder, as mordomias e os vencimentos principescos, para a igualdade ser mais completa. Ou então, deixem-nos governar a nós, com as mesmas regalias deles, que pior é impossível fazer. Esta gente anda toda louca.
Ponto 2
Do futebol
Também não percebo as bruscas inversões no trajecto da opinião de certos adeptos. Em alguns blogues portistas, onde parece imperar a reflexão aprofundada do fenómeno futebolístico, alguns que antes quase crucificaram o treinador do FCPorto, andam agora a suplicar a sua permanência sem admitir que outros não pensem como eles. Mas, será assim tão complicado compreender o que se passa?
Pessoalmente, o que gostaria de ver reimplantado no FCPorto, além da cultura de sucesso [que essa está bem e recomenda-se], era o bom futebol. Quando digo bom futebol, naturalmente quero dizer o bom futebol possível a um clube com os recursos do FCPorto, que como sabemos não pertence a nenhum potentado alemão ou espanhol.
O sistema de jogo de Victor Pereira privilegia a posse de bola, rouba-a ao adversário, mas nem sempre sabe o que fazer com ela. Este ano e o ano passado resultou, mas haverá alguém capaz de apostar no mesmo sistema e com os mesmos defeitos para a próxima época? Não há dúvida que Victor Pereira saiu outra vez vencedor em relação ao jogo mais corrido e espectacular do Benfica, e por isso deve ser considerado e respeitado, mas a pergunta que deixo no ar é a seguinte: não seria possível desenvolver o mesmo sistema com os mesmos resultados, mas com um futebol mais atractivo? Eu acho que sim.
À excepção de determinados jogos, com o PSG, e com o Málaga, em casa, o FCPorto produziu um futebol chato, de pára e arranca, com passes errados, para trás, não só em movimentos defensivos como de ataque [contras as normas], com força a mais ou a menos, o que só não nos causou amargos de boca porque o sector defensivo foi chegando para as encomendas. Não acredito que ninguém possa contrariar esta realidade sem o recurso à negação teimosa dos factos.
É também verdade que Victor Pereira não dispôs de um plantel muito equilibrado. Treinou praticamente com um único ponta de lança [Jackson], não teve um extremo à altura de Hulk, nem pôde contar com um Varela a 100%, que só reapareceu praticamente nas 3/4 últimas jornadas. Por isso, V. Pereira teve mérito, o seu trabalho tem sido sério. Mas, insisto, e o resto? Que razões estranhas podem explicar os defeitos atrás apontados? Serão irrelevantes em alta competição? Seria uma má condição física geral? E por quê, se o clube até foi afastado prematuramente da Taça da Liga, de Portugal e das Champions, e teve mais tempo para recuperar o grupo?
É também verdade que Victor Pereira não dispôs de um plantel muito equilibrado. Treinou praticamente com um único ponta de lança [Jackson], não teve um extremo à altura de Hulk, nem pôde contar com um Varela a 100%, que só reapareceu praticamente nas 3/4 últimas jornadas. Por isso, V. Pereira teve mérito, o seu trabalho tem sido sério. Mas, insisto, e o resto? Que razões estranhas podem explicar os defeitos atrás apontados? Serão irrelevantes em alta competição? Seria uma má condição física geral? E por quê, se o clube até foi afastado prematuramente da Taça da Liga, de Portugal e das Champions, e teve mais tempo para recuperar o grupo?
Tudo está bem, quando acaba bem, diz o ditado. Foi o que sucedeu esta época, com a conquista do título principal, mesmo sobre a meta. Mas, e se não fosse assim, o que diriam os agora apoiantes de Victor Pereira? Por tudo isto, gostaria de ser formiguinha para poder assistir aos treinos, e ser mais conclusivo. É que, tanto este ano, como na época transacta, passei-os na expectativa que essas deficiências tècnicas acabassem por ser corrigidas, mas não foram...
Todas estas situações me levam a concluir o seguinte: se os jogadores, o plantel enfim, é bom [ainda que algo desequilibrado], é porque, colectiva e individualmente, é competente. Então o que explicará aquela maldita tendência para parar, e passar para trás, em vez de progredir aplicando a técnica [finta] nas chamadas transacções ofensivas? Cá para mim, a explicação é a seguinte: é porque os jogadores têm medo de falhar, de fugir à rigidez do sistema de posse de bola implantado, que não privilegia muito a criatividade dos jogadores para criar rupturas. A equipa só se tornava atrevida já muito próximo da grande área adversária, mas ultimamente já só era capaz de o fazer de modo lento e previsível, facilitando assim a defesa dos oponentes.
Esta é apenas a minha opinião, mas não encontro outra explicação. O que não quer dizer que não acredite no sistema de jogo de Victor Pereira, mas suponho que, tarde ou cedo, terá de correr sérios riscos, caso nele não contemple a rapidez, os movimentos de ataque bem definidos, com os jogadores a saberem para onde ir, e chutar com boa direcção à baliza.
Ah, vou-me repetir, mas é melhor prevenir... Gosto de ópera, mas no sítio certo. Agora, o que não sou é um adepto exclusivamente resultadista. Se o futebol se resumisse a um simples 1X2, jogava no totoloto, e deixava se calhar de o ver.
Ah, vou-me repetir, mas é melhor prevenir... Gosto de ópera, mas no sítio certo. Agora, o que não sou é um adepto exclusivamente resultadista. Se o futebol se resumisse a um simples 1X2, jogava no totoloto, e deixava se calhar de o ver.
19 maio, 2013
Ao que chegamos...
Já o disse, e repito, para que não restem dúvidas, que me recuso a aceitar como legítimos os pagamentos ao Estado de dívidas que não contraí, nem pedi. Se, lucidamente, tivermos de responsabilizar alguém, então, só devemos apontar o nome de vários governantes e banqueiros. Motivos e razões factuais, não faltam [BPN's e seus derivantes, etc.].
Outro dos inconvenientes, além da troika, talvez possa atribuir-se ao facto de estarmos "integrados" na União Europeia. Tenho para mim, que esses dois factores podem estar a inibir a capacidade de indignação do povo, e sobretudo das próprias instituições militarizadas [forças armadas e polícia]. Só assim se entende a "tolerância" do país para tanta malfeitoria.
Observe-se também, que desde que a troika caiu em Portugal, nunca mais se ouviu falar de regionalização. Se dúvidas houvera da falsidade de alguns dos seus defensores "assumidos" [Carlos Abreu Amorim, é o melhor paradigma], elas foram logo dissipadas. Agora, ninguém quer saber da Regionalização para nada. A reorganização administrativa do território, deve ser das poucas reinvindicações políticas menos urgentes que se conhecem, não faltando argumentos para eternizar a sua inoportunidade... A Regionalização para os políticos tem uma única serventia: conquistar votos. Uma vez atingido o objectivo, não tocam mais no assunto. É sistemático, além de vergonhoso. Por isso, não lhes tenho respeito, por isso, me recuso a acreditar no que dizem. Agora, nem consigo ouví-los. Enojam-me!
É claro que se vivêssemos num país de hábitos nobres, onde a justiça, a seriedade e o bom senso fizessem escola, talvez pudessemos dispensar a Regionalização, mas como não vivemos, a melhor maneira para atalhar o refinamento da Democracia é aproximar o poder do povo, logo, regionalizar. Sobre isso, nunca tive a menor dúvida.
Mas, vamos ao que interessa. Tudo o que atrás referi tem consequências terríveis na mentalidade do povo. Cada um giza as suas regras e as molda conforme o que lhe convém. Foram muitos anos de uma democracia amputada de valores, e a importação de modas e culturas decadentes, que deram origem à actual anarquia.
A este propósito, pude ouvir ontem um antigo jogador do Benfica, de seu nome Tony, dizer perante as câmaras de televisão que achava normal incentivar com dinheiro os jogadores do Paços de Ferreira para dificultar a victória e a provável conquista do título de Campeão Nacional ao FCPorto, e fiquei abismado. Não tanto como ficaria há uns anos atrás, porque também já "habituei" os meus ouvidos a suportar o ruído produzido por um Presidente da República e um 1º Ministro a aconselharem o povo a emigrar. Portanto já nada me pode surpreender, nem mesmo as citações de Cavaco à veia católica da sua mulher e os apelos a Nossa Senhoa de Fátima... Se um dia der com eles num bacanal, terei de me conformar, em nome desta Democracia e dos novos conceitos de normalidade...
Dentro da mesma lógica, estou por perceber o que terá levado a GNR a recrutar para o jogo em Paços de Ferreira entre a equipa local e o FCPorto - estranhamente considerado de alto risco -, 100 homens da Unidade de Intervenção de Lisboa, quando o jogo vai ser disputado no Norte... Das duas, uma: ou o Comando Nacional da GNR, não confia na capacidade e nos dispositivos das forças de segurança instaladas no Norte, e está a revelar para o exterior uma vulnerabilidade perigosa, ou então, está de má fé! Mas, estamos a falar de quê? De um jogo de futebol, entre clubes da mesma região, sem rivalidades extremas, ou de uma guerra? As forças de Lisboa serão mais fiáveis e competentes que as locais? Ou, não haverá mesmo outras? E os custos, senhores governantes da cáca, seremos nós que os temos de pagar também? Esta lógica, importada das arbitragens, onde a nomeação de um árbitro portuense para um jogo do FCPorto é considerada uma heresia, e um de Lisboa [e benfiquista] para um jogo do Benfica uma "normalidade", é outra aberração, só aceitável num país onde as elites e a Lei se transformaram num autêntico lodaçal.
Cinco razões para vir ao Primavera, pela icónica Les Inrockuptibles
Primeiro foi o jornal italiano Il Manifesto, agora é o Les inRocks quem convida os seus leitores a virem até ao Porto por ocasião do Optimus Primavera Sound.
“O Primavera instala-se em Portugal para uma segunda edição. De
Barcelona para o Porto, um pequeno desvio de horizonte de um festival
que se advinha bom como a Primavera”, começa assim o artigo da versão online da revista Les Inrockuptibles.
A publicação francesa, dedicada a cultura e cuja edição em papel
remonta a 1986, destaca os cabeças-de-cartaz do Optimus Primavera Sound,
um punhado de bandas a descobrir e os grupos musicais locais. E, como
quarta e quinta razões para vir ao festival, diz: “O Porto está super” e
“Aprender português”.
O site destaca na programação do festival o regresso dos
britânicos Blur, o psicadelismo de Grizzly Bear, o compositor de música
electrónica James Blake, “os magníficos” Local Natives, e “alguns
gigantes” como Dinosaur Jr., My Bloody Valentine ou até mesmo Nick Cave
& The Bad Seeds. “Ufa”, diz o Les inRocks, que elogia, para além da
música, “o sol, a praia e as descobertas”.
A publicação recorda o “compromisso [do Primavera] com a descoberta” e recomenda ir ouvindo no leitor de MP3 o songwriter Daughn Gibson, os neo-punk de
Metz, os selvagens Savages, os românticos Wild Nothing, o house de
Julio Bashmore ou a música “de perder a razão” dos Headbirds.
Sobre o Porto, o Les inRocks chama a atenção “para os prazeres da
boca e dos olhos”. A região, diz o site, é “rica em vinhas que produzem o
renomado vinho do Porto vinho” e na cidade vale a pena provar a
francesinha e as tripas à moda do Porto. “Para os olhos”, é sugerido um
passeio no centro da cidade ou ao longo do rio Douro, uma visita à
“impressionante Casa da Música” ou a travessia da “magnífica Ponte D.
Luís”.
A música feita em Portugal tem destaque na forma de elogio ao som
dos Dear Telephone, dos Glockenwise, dos PAUS ou dos Memória de Peixe.
Finalmente, sobre a língua portuguesa, chama-se à atenção para o
facto de, com Angola, Moçambique e Brasil entre as economias emergentes,
“o nosso pequeno planeta começa a descobrir a importância de aprender a
língua de Fernando Pessoa”.
O artigo do site Les inRocks termina ensinando aos leitores como
dizer ou perguntar determinadas coisas em português, como “bom dia”, “se
faz favor”, “obrigado(a)”, “uma cerveja” e “duas, três, quatro”… até
“dez cervejas”, “estou perdido(a)”, “O Damon Albarn não envelheceu um
bocado?” e “beijo”.
É tomar atenção a alguns dos franceses que vão andar por aí…
[do jornal Porto24]
16 maio, 2013
Unanimidade no Parlamento Galego para que Galicia "aproveite" a lusofonía
"Este é o día en que Galiza en rompemos unha fenda histórica
ou volvemos unir o que a historia separou", así celebrou Xosé Morell,
voceiro dos promotores da ILP Valentín Paz Andrade, a toma en consideración por
unanimidade no Parlamento da proposta para o aproveitamento da lingua
portuguesa e vínculos coa lusofonía, que pide a implantación dese idioma nos
currículos escolares.
Os catro grupos da Cámara deron o seu apoio a unha iniciativa que
se compromete "co aproveitamento das potencialidades" da lingua do
país e que agora debe levar as autoridades a "valorizar o galego como unha
lingua con utilidade internacional", tendo en conta que o achegamento ao
portugués implica facelo a un "idioma de traballo de vinte organizacións
internacionais, incluída a UE, e lingua oficial de nove países" entre os
que figuran "potencias económicas como o Brasil".
(Blogue Regionalização)
Adeptos do FC Porto pernoitaram à porta do estádio do Paços de Ferreira
Cerca de duas centenas de pessoas, algumas delas concentradas desde a
noite passada, aguardaram pela abertura das bilheteiras em Paços de
Ferreira, para o jogo que poderá consagrar o FC Porto tricampeão da I
Liga de futebol.
As bilheteiras no Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira,
abriram às 09:00 de quarta-feira, altura em que começaram a ser
disponibilizados entre 600 e 800 ingressos, numa operação que está a ser
acompanhada pela GNR local.
Os bilhetes para o público em geral variam entre os 12 (bancada topo
norte), os 24 (bancada lateral) e os 30 euros (bancada central).
As imediações do Estádio Capital do Móvel fazem lembrar dias de jogos
grandes, com dezenas de viaturas e um movimento pouco habitual, numa
romaria que teve início na noite de terça-feira.
Foram vários os adeptos do FC Porto que passaram a noite à porta do estádio, para garantirem um bilhete para o jogo de domingo.
Os sócios do Paços de Ferreira vão poder assistir ao jogo da decisão
do título 2012/13 com a quota número quatro e um bilhete suplementar de
três euros.
O FC Porto, que passou a liderar o campeonato depois da vitória de
sábado sobre o Benfica (2-1), entra domingo na última jornada com mais
um ponto que os “encarnados”, que recebem no mesmo dia o “aflito”
Moreirense.
Todos os jogos da 30.ª e última jornada estão marcados para as 18h30 de domingo.
[de Porto 24]
[de Porto 24]
15 maio, 2013
Viva o Chelsea!
Tal como assume aqui o Manuel Serrão, com a frontalidade que o caracteriza, eu logo vou querer que o Benfica perca com o Chelsea. E não se iludam aqueles que, como diz Serrão, são muito portistas em privado, e porreirinhos da silva à frente de um microfone, ou de uma camara de televisão, porque no que me diz respeito, não sinto minimamente beliscado o meu patriotismo por não rever no Benfica o símbolo da portugalidade. Mais. Se a avaliação do meu portuguesismo tivesse o Benfica como barómetro, talvez muitos portuenses e nortenhos ficassem a saber, de uma vez, o quanto esse clube está ligado ao centralismo, que tanto nos tem discriminado negativamente. Sei, quão inútil é fazer-lhes ver a realidade, pois as doses maciças de benfiquismo já vêm do antigo regime, e continuam a ser-lhes injectadas precisamente com a intenção de os dividir. Se perguntarem à maioria dos benfiquistas se querem a regionalização, podem ter a certeza que respondem não. Mas, infelizmente, há também portistas que não se mostram muito interessados na regionalização, e ainda hoje não perceberam que os "Apitos Dourados" não foram apenas processos criminais de índole desportiva. Benfica e centralismo são símbolos paralelos, com significado semelhante e representam o mesmo: dividem o país, e discriminam-no.
Alguém acreditará que os próprios benfiquistas não se dão conta do proteccionismo que é dado ao seu clube pela maioria da comunicação social? Ainda hoje, pela manhã, ouvi uma mulherzinha que entrava no café onde me encontrava, a queixar-se pela televisão não parar um segundo de falar no Benfica! Com o FCPorto, as notícias e reportagens são bem mais sóbrias, não há dúvidas! E contudo, o Benfica passa o tempo a pressionar toda a gente: árbitros, jornalistas, políticos, tribunais, tudo!
Nasci no Porto, amo o Porto como nenhuma outra cidade do Mundo, e podem crer que já conheço algumas magníficas lá fora e cá dentro, mas nenhuma me apaixona tanto como o Porto. Porque para se amar o Porto como deve de ser, é importante sair e conhecer um pouco de mundo...No entanto, houve um tempo - estava eu a viver no estrangeiro -, curiosamente ainda em plena ditadura, que apesar de portista, senti alegria pelas victórias do Benfica na antiga Taça dos Campeões Europeus.
Agora, apesar de nos dizerem que estamos numa Democracia [e não estamos, estamos sim num regime liberal semelhante ao da Alemanha pré-nazi onde havia liberdade para votar], só apoiaria o Benfica se tivesse enlouquecido, ou me tivesse transformado num masoquista doente. Eu não me esqueço do que se tem passado estes últimos 20/30 anos em Portugal, e das sacanices com que o fanatismo benfiquista/centralismo nos vem brindando! Tem sido mau e frequente de mais para ser esquecido. Eu detesto o Benfica e tudo o que ele representa.
Agora, apesar de nos dizerem que estamos numa Democracia [e não estamos, estamos sim num regime liberal semelhante ao da Alemanha pré-nazi onde havia liberdade para votar], só apoiaria o Benfica se tivesse enlouquecido, ou me tivesse transformado num masoquista doente. Eu não me esqueço do que se tem passado estes últimos 20/30 anos em Portugal, e das sacanices com que o fanatismo benfiquista/centralismo nos vem brindando! Tem sido mau e frequente de mais para ser esquecido. Eu detesto o Benfica e tudo o que ele representa.
Mas gostava de um dia de me orgulhar do país. Por enquanto, não posso afirmar uma coisa dessas. Só se fosse, como dissa o Manel Serrão, para dar uma imagem de bonzinho e agradar à dita nação vermelha. Estou-me nas tintas para essa nação. Ah, oxalá perca. Assim espero, ao menos. Viva o Chelsea!
13 maio, 2013
A falência da democracia
Estará a democracia representativa em falência? Estarão os alicerces da
democracia política corroídos por degenerescências que ameaçam a sua
própria sustentação? Seja qual for a resposta uma coisa é certa: a
democracia representativa está doente, muito doente - pelo menos em
Portugal.
O que, verdadeiramente, distingue um sistema democrático de
qualquer outro regime político é o respeito pela vontade popular. Por
isso, nunca será verdadeiramente democrático um sistema político cujos
titulares se desvinculam da vontade dos que dizem representar. As piores
ameaças à democracia política são protagonizadas por aqueles que se
acham superiores ao comum dos cidadãos ou então que se julgam portadores
de verdades inquestionáveis. Os exemplos mais recentes são os
totalitarismos da primeira metade do século XX, alguns dos quais ainda
hoje persistem como fósseis de um passado de terror, enquanto outros só
desapareceram depois de cataclismos bélicos cuja memória nos interpela
como a terrível pergunta: "Como foi possível?".
Os ditadores
suprimem a auscultação da vontade popular através da imposição dos seus
axiomas políticos e exploraram com desbragado oportunismo as
imperfeições dos regimes democráticos.
Aproveitam-se inescrupulosamente
das suas fragilidades e transformam algumas das virtudes das democracias
em defeitos tenebrosos. Para qualquer ditador, real ou em potência, o
povo nunca está preparado para exercer em plenitude as liberdades ou
para escolher em consciência os seus próprios dirigentes. O povo deve
apenas obedecer porque mandar é tão difícil que só homens superiores
estão aptos a fazê-lo. As liberdades - dizem - conduzem à anarquia
social e, por isso, o povo não deve ser chamado a decidir o seu próprio
destino, antes deve ser conduzido pelas suas elites, sejam elas
iluminadas vanguardas políticas ou simplesmente um caudilho de ocasião.
Para eles, o conjunto dos cidadãos constitui uma massa ignara que serve
apenas para aplaudir e aclamar as decisões dos seus dirigentes mas nunca
para as questionar e muito menos para pôr em causa quem está nas
ingratas funções do mando. Os ditadores garantem sempre que as suas
medidas são as melhores ou as únicas viáveis, mas como o povo quase
nunca percebe isso elas têm de ser impostas.
Esta "cultura" está
hoje subjacente à atuação de muitos dirigentes políticos das democracias
formais, os quais se consideram, igualmente, portadores de verdades que
o povo não aceitaria se fosse consultado. Por isso é que as suas
verdades ou os benefícios que nos oferecem têm de nos ser impostos para o
nosso próprio bem ou para o bem geral.
Nas democracias formais já
não é o uso da força que garante a emergência e subsistência desses
iluminados, mas antes o ardil, o engano, o logro e a mentira. Esses
criptoditadores recuperaram um dos mais emblemáticos paradigmas das
tiranias, ou seja, a distinção entre a vontade e o interesse do povo ou,
se se preferir, entre o interesse geral da governação (a que também
chamam nação) e os interesses dos governados. E, tal como qualquer
ditador, dizem que a sua ação é sempre em favor do interesse geral ainda
que contra a vontade dos seus beneficiários, ou seja, de quem os
elegeu. E porque o povo raramente aceitaria a preponderância do
interesse geral é que surge essa casta de esclarecidos sempre com a
missão de cumprir um grande desígnio patriótico.
Por isso é que o
mais importante para eles é a conquista do poder, pois sabem que a
seguir tudo é permitido, tudo se legitima por si próprio sem qualquer
responsabilização. Os benefícios do poder são tão grandes para os seus
titulares (e para as suas clientelas) que vale tudo para o alcançar e
para o manter. Depois, perde-se todo o sentido da honradez e da ética
política, bem como todo o respeito pela verdade e pela vontade dos
eleitores. Aliás, para eles, a ética política está exclusivamente nas
leis que eles próprios fazem à medida dos seus interesses. São estas
situações que levam ao apodrecimento da democracia e à descrença de
muitos cidadãos nas suas virtudes. É neste ambiente de degradação ética
da política e de degenerescência moral da democracia que as serpentes
costumam pôr os seus ovos.
Nota de RoP:
Em Portugal, pessoas com a coragem e a seriedade de Marinho e Pinto, são uma minoria, o que traduz o baixo nível moral e intelectual das nossas elites. Quando ele fala, saem logo da toca, quais lobos em alcateia, os situacionistas do regime, tentando descredibilizá-lo, pensando que dessa forma regeneram a sua própria credibilidade. É mentira! Assim, apenas permitem que a máscara lhes caia.
12 maio, 2013
E Victor Pereira pôs-se fino [Acto I]. Vamos ao II Acto!
Nunca escondi o meu desagrado pelos métodos técnico-tácticos de Victor Pereira, mas sempre tive
o cuidado de salvaguardar a seriedade que faz parte integrante do seu carácter. Mais. Se me perguntassem o que aprecio mais nas pessoas, sejam elas homens ou mulheres, é o carácter. Só a seguir é que considero as aptidões e respectivas competências profissionais. Dito isto, não é por hoje estar ainda debaixo do efeito da victória do FCPorto sobre o Benfica [que nos pode revalidar o título de Campeões Nacionais], que vou mudar a minha opinião. Já escrevi sobre isso e expliquei porquê, mas para que não hajam dúvidas sobre a justiça das minhas críticas vou fazê-lo de novo, esperando que desta feita não deixe dúvidas a ninguém, inclusivé a pessoas minhas amigas que possam ainda tê-las.
A comunicação pode não ser o aspecto mais importante de um treinador de futebol, mas para se realizar enquanto tal, suponho não ser despiciendo. Há coisas que só podem ser bem explicadas com um vocabulário expressivo, e se a este incluirmos alguma alma, ainda melhor. Regra geral, os jogadores não só apreciam, como precisam disso. Ora, este é um dos problemas de Victor Pereira. Comunica mal. Por outro lado, acreditando que o seu trabalho e a sua ideia de jogo possam ser bem estruturados e eficientes, falta-lhe acrescentar a qualidade técnica. E é aqui que levanto uma questão, porque não sei se haverá alguém capaz de lhe dar uma resposta categórica, e que é a seguinte: além dos aspectos físicos e técnico-tácticos do grupo de trabalho, não caberá ao treinador optimizar as qualidades individuais dos jogadores, principalmente dos mais jovens? Se sim, por que será que na comunidade portista é quase consensual as dificuldades dos jogadores portistas no controlo da bola, na qualidade do passe e na execução do remate? Se alguns chegaram ao FCPorto conotados de craques, por que razão terão perdido essas faculdades?
Na minha modesta opinião de treinador de bancada, a explicação, pode ser a seguinte: sendo fiel à concepção muito portista de que uma equipa se começa a construir de trás para a frente, tal como Jesualdo Ferreira fazia, Victor Pereira privelegia a defesa e aí ele é bom, pois não é essa a zona de jogo onde a técnica individual dos atletas é mais necessária, dado ser mais vocacionada para tarefas defensiivas. Nesse sector, o posicionamento e a capacidade física dos jogadores são fundamentais, e se a isso acrescentarem valias técnicas individuais, tanto melhor. Por outro lado, o rigor do posicionamento a que o sistema de jogo de Victor Pereira obriga, com o tempo, pode inibir a qualidade técnica inata dos jogadores e levá-los a cometer erros que noutro sistema poderiam não acontecer. Se não for bem gerida, a criatividade natural dos jogadores pode ser hipotecada e os aspectos físicos tornam-se mais exigentes. Daí pensar que para o sistema de jogo de Victor Pereira ser mais agradável e produtivo, seria também necessário recuperar e, se possível, reforçar os aspectos técnicos individuais.
No jogo de ontem, imperou [e ainda bem que assim foi], a vontade, a garra dos jogadores que acreditaram até ao fim, embora, salteado de momentos menos bons, mas a victória foi justíssima. Os imediatistas dirão: ah, é? então Victor Pereira não foi brilhante nas substituições [Liedson passou a bola a Kelvin que viria a marcar o golo da victória]? Correu bem, e se correu, já podemos dizer categoricamente que foi brilhante? Terá isso sido suficiente para, mesmo no rescaldo da fantástica noite de ontem, esquecermos as muitas jornadas de angústia, onde aquilo que acabei de referir atrás saltou à vista, e nos podia custar o campeonato? Para tudo, é preciso ter sorte, e se houve mérito, também não nos fica mal admitir que ontem também houve uns pingos de sorte.
Mas, atenção! Por tudo o que antes foi feito e dito pelos media centralistas, que já davam como garantido o Campeonato ao Benfica, o prazer da victória saiu redobrado para todos os portistas, e por isso se tolera a alegria efusiva de ontem. Mas, convirá não entrarmos em euforias e festejos prematuros, porque foi também por isso, que os benfiquistas ontem saíram com a "beiça" caída, e a fazer contas à vida...
Ó Victor, está ganho o 1º acto. Os meus parabéns. Agora, por favor, não me deixes fugir o 2º. e derradeiro. É que esse, vale mesmo um campeonato, é definitivo.
PS-A propósito de Victor Pereira, a comunicação social cita-o muitas vezes, como sendo um treinador mal amado. Nada mais errado. O facto de um treinador não colher a unanimidade dos afectos desportivos dos adeptos, não obriga a concluir que seja "um mal amado". O "desamor" é outro. Os jornalistas, é que precisam de criar melodramas para vender papel ou audiências. Em futebol, o amor, o desamor e o ódio, estão ligados a uma série de factores nem sempre objectivos.
Continuo convicto, independentemente do modo fanático de ver futebol de alguns adeptos, que não deva haver um só, que não goste de assistir a um bom espectáculo de futebol. Naturalmente que os resultados são importantes, mas alguém terá dúvidas que o que todos querem são as duas coisas juntas?
No jogo de ontem, imperou [e ainda bem que assim foi], a vontade, a garra dos jogadores que acreditaram até ao fim, embora, salteado de momentos menos bons, mas a victória foi justíssima. Os imediatistas dirão: ah, é? então Victor Pereira não foi brilhante nas substituições [Liedson passou a bola a Kelvin que viria a marcar o golo da victória]? Correu bem, e se correu, já podemos dizer categoricamente que foi brilhante? Terá isso sido suficiente para, mesmo no rescaldo da fantástica noite de ontem, esquecermos as muitas jornadas de angústia, onde aquilo que acabei de referir atrás saltou à vista, e nos podia custar o campeonato? Para tudo, é preciso ter sorte, e se houve mérito, também não nos fica mal admitir que ontem também houve uns pingos de sorte.
Mas, atenção! Por tudo o que antes foi feito e dito pelos media centralistas, que já davam como garantido o Campeonato ao Benfica, o prazer da victória saiu redobrado para todos os portistas, e por isso se tolera a alegria efusiva de ontem. Mas, convirá não entrarmos em euforias e festejos prematuros, porque foi também por isso, que os benfiquistas ontem saíram com a "beiça" caída, e a fazer contas à vida...
Ó Victor, está ganho o 1º acto. Os meus parabéns. Agora, por favor, não me deixes fugir o 2º. e derradeiro. É que esse, vale mesmo um campeonato, é definitivo.
PS-A propósito de Victor Pereira, a comunicação social cita-o muitas vezes, como sendo um treinador mal amado. Nada mais errado. O facto de um treinador não colher a unanimidade dos afectos desportivos dos adeptos, não obriga a concluir que seja "um mal amado". O "desamor" é outro. Os jornalistas, é que precisam de criar melodramas para vender papel ou audiências. Em futebol, o amor, o desamor e o ódio, estão ligados a uma série de factores nem sempre objectivos.
Continuo convicto, independentemente do modo fanático de ver futebol de alguns adeptos, que não deva haver um só, que não goste de assistir a um bom espectáculo de futebol. Naturalmente que os resultados são importantes, mas alguém terá dúvidas que o que todos querem são as duas coisas juntas?
07 maio, 2013
Ó Victor Pereira, põe-te fino, e conquista de vez o Campeonato
A perda absoluta de confiança nos nossos políticos surtiu em mim um efeito ambivalente. Se por um lado me acicatou a vontade de lutar contra eles, porque já perderam há muito o prazo de validade em concessão de oportunidades, e porque daquele lado, só aguardo por factos que atestem a sua seriedade e competência, por outro, deixou-me indiferente a tudo o que possam dizer, porque já nada de bom espero deles. Suponho não me enganar se disser que muitos outros cidadãos partilharão neste momento dos meus sentimentos. Este país é uma seca!
Para contrastar, e apesar de este ano o FCPorto não estar a jogar ao seu melhor nível, o rival de Lisboa continua a fazer-nos o favor de lançar foguetes extemporaneamente, dando mais uma vez uma grande alegria aos portistas, ou seja, a oportunidade [quiçá a última], para o nosso clube lutar pelo título, porque com o empate de ontem, na Luz com o Estoril, o FCPorto voltou a depender de si.
Quem viu os benfiquistas depois do jogo que os apurou para a final da Liga Europa, pelo entusiasmo e a fanfarronice que os seus aliados da comunicação social puderam mostrar, pensaria que a Taça já estava no papo. Compreendendo-se embora que o jejum de troféus provoque esta euforia exagerada nos centralistas, não ficaria mal aos adeptos de um clube com o passado do Benfica [nem sempre de glória imaculada, registe-se], outra sobriedade, outra contenção. Só que, o Benfica, ao contrário do que muitos julgam, é useiro e vezeiro na soberba e no trauliteirismo. O Benfica é inquestionavelmente o clube onde há mais parolos por metro quadrado do mundo! Causa repulsa, mesmo. Só aquelas cores, aquele vermelho berrante e feio, diz tudo. E se falarmos dos seus "ilustres representantes", dos mais mediáticos, então a certidão de boçalidade fica passada. Rui Gomes da Silva, é a vergonha dos adeptos, e, é político... Foi ministro, acreditam? É verdade, eles não prestam, mas aquele, é um autentico presidiário em liberdade. Aquela alheira rançosa, montanha de pus, que vai ao Trio de Ataque, é o "orgulho" dos jornalistas, vigarista até dizer basta. São tantos, que nem vale a pena enumerá-los. O único que merece respeito chama-se Júlio Machado Vaz, e é do Porto...
Mas, eu não quero aqui entrar em contradições e, sem querer, cair na patranha de os imitar, pensando que esta escorregadela fará de nós Campeões. Não. Mas, ajuda. Agora, cabe aos jogadores, e sobretudo ao seu treinador saber aproveitar a oportunidade. Que diabo, afinal só faltam dois jogos, e cada um deles é uma final, para ganhar. Conseguindo-o, seremos outra vez Campeões. Vamos lá malta!
Não podemos dar-lhes o prazer de sequer empatar no Dragão. Ali, somos nós e só nós que mandamos.
03 maio, 2013
QUANDO A MÁSCARA CAI, A HONRA CHAFURDA NA LAMA
Não gosto de palco, nem de holofotes. Estou fora de moda nesse capítulo. E é assim que me quero manter. Nestes tempos tenebrosos, de "Casas de Segredos" e de voyerismo, em que a discrição passou a ser defeito, e a exposição da privacidade uma virtude, considero-me um verdadeiro desalinhado. Mas, há uma coisa que momentaneamente gostaria de fazer, que era entrar em certos estúdios da televisão para dizer aquilo que penso de certos "jornalistas". Frontalmente...
Quem estiver minimamente atento, for honesto, e tiver um pouquinho de bom senso, e comparar o comentários dos jornalistas desportivos nos jogos do FCPorto, ou de outro clube qualquer português, com os do Benfica, é impossível não me dar razão, nem concluir que se trata talvez dos profissionias mais ordinários da nossa sociedade. Piores mesmo que os políticos! Aliás, talvez se encontre nestas afinidades genéticas a explicação para a absoluta inutilidade pública das suas entrevistas.
Ontem, quem se atreveu a ligar para a SIC, onde se transmitia o jogo entre o Benfica e uma equipa turca, ficou a saber do que estou a falar. O fanatismo daquela gente, e a falta de seriedade são por demais evidentes. Mais que um caso de polícia, é um caso de psiquiatria! O desprezo com que esses seres desprezíveis tratam as equipas adversárias, o desrespeito constante pelas regras do jogo, sempre e sempre branqueando o Benfica nas jogadas faltosas [houve um adversário que foi brutalmente pontapeado e ficou a sangrar pela boca], traduzem bem o sectarismo e a crónica falta de seriedade com que tratam o FCPorto.
Esta escumalha, passa o tempo a fazer apelos ao fair play, ao futebol nas 4 linhas, à transparência, mas fazem e corroboram exactamente com o seu contrário. São corruptíveis até à medula, fáceis de comprar, e no entanto não perdem oportunidade para achincalhar o FCPorto e o seu Presidente. Foram estes mesmo sacaninhas, que deram cobertura e tudo fizeram [sem sucesso, note-se], a soldo do clube regimentar, para prejudicar a imagem do FCPorto e do seu líder. Mas, não se pense que é só na SIC que moram estes dejectos palradores, é na TVI e na própria RTP, a tal [dá-me vontade de rir] que afirma fazer serviço público!
Mas, e o que faz agora o Porto Canal para defender o clube e a própria sociedade destes abutres? Nada! E aqui, não posso deixar de responsabilizar o FCPorto pela displicencia com que está a reagir a esta situação. É que, num país dominado por corruptos não é com cortesia que se lida com esta gente, é denunciando, obrigando-a a deixar cair a máscara com que andam a enganar o país. Hoje, existem meios e tecnologia audio-visual de fácil manutenção que podem muito bem servir de contraditório às manipulações efectuadas por estes crápulas. Por que não o fazem?
O FCPorto este ano não está a jogar o que devia e podia, e por isso não vou aqui negá-lo, nem vou escrever que foi por causa exclusiva desta cambada de jornalistas sabujos e cobardolas que o FCPorto deixou fugir [espero ainda que não, pouco, mas espero ainda assim] o campeonato , mas que foi uma grande e sujinha ajuda, isso é indescutível. Considero que o treinador não tem as qualidades necessárias para treinar um clube com os pregaminhos e as ambições do FCPorto. A prova de que não sabe liderar, acabou-a de dar em recentes declarações. Disse publicamente aquilo que todos nós sabemos há muito, por isso tardiamente, que o Benfica está a ser protegido e acrescentou, que assim não acredita que o Estoril possa ganhar ao Benfica. Como é possível fazer afirmações desta natureza quando matematicamente tudo é "possível"? Uma coisa é pensar para si isto, faz sentido, outra é dizê-lo numa conferência de imprensa. Com que optimismo irão jogar os derradeiros jogos, tanto a equipa do Estoril como a do próprio FCPorto, depois destas declarações?
Pensará Victor Pereira que os está a "picar"? Sinceramente, eu não acredito nesta estratégia absurda, o que não quer dizer que os jogadores do FCPorto não vão fazer tudo para ganhar ao Benfica, mais que não seja para os impedir de festejar o título no Dragão. A Victor Pereira, não era preferível usar as mesmas "armas" dos vermelhos, pressionar os árbitros, como eles fazem, e de barriga cheia? Se para eles vale tudo, porque teme que não deva valer para nós? Só agora, quase no fim, é que se lembrou de falar feio, e mesmo assim sem grande convicção?
Ah, que saudades tenho do Pinto da Costa corrosivo, inconveniente... Que saudades do Pinto da Costa odiado em Lisboa...
PS-Como sempre digo, quando descasco sem piedade nestes jornalistas de esterco, nem todos são iguais, mas então, por que esperam e não denunciam estes vossos colegas que desprestigiam a vossa classe? Têm medo, também? Nunca ouviram dizer que quem cala, consente?
02 maio, 2013
Umas eleições que não podemos perder 2
Sim, são estas as eleições que não podemos perder. As eleições com
um ex-presidente do PSD, candidato vindo do município vizinho,
debatendo-se com a ameaça de ter de resolver no tribunal a sua quarta
candidatura autárquica. Eleições para um PS tentar inverter o ciclo de
derrotas que teve nas três anteriores autárquicas. E eleições com um
independente com a possibilidade de capitalizar o descontentamento
nacional em relação aos partidos.
É a intricada teia política de que falei aqui,
que faz das autárquicas do Porto uma disputa política intensa. Mas a
verdadeira razão por que estas são umas eleições que a cidade não vai
perder, é que elas representam a partida de Rui Rio ao fim de 12 anos de
governação. Uma bela oportunidade para percebermos afinal no que se
tornou esta cidade e no que queremos votar agora.
E se os candidatos parecem pouco interessados em fazer o balanço
critico da última dúzia de anos – um porque é do PSD, o outro porque
acha que pode perder alguma coisa com isso, o outro porque tem o apoio
do actual presidente - é de lhes exigir que digam quais são as suas
propostas para fazer o Porto recuperar o lugar que lhe pertence. Vamos
querer saber o que se propõem fazer para resolver alguns dos problemas
adiados e algumas das ameaças que podem fazer definhar mais a cidade de
Garrett.
Só com essas respostas o momento das eleições será um momento de
vitória, independentemente do resultado. Pois apesar da crise há muito
que é possível fazer com inteligência e determinação, e se queremos
retirar o melhor da democracia devemos exigir que os candidatos mostrem
que têm propostas de governação e que valem mais do que a disputa
política. As eleições servem para escolher pessoas, mas principalmente
para votar programas.
Eu por mim deixo aqui algumas interrogações que gostava de ver
debatidas durante a campanha eleitoral. Dores, maleitas, encantos,
aspirações, forças e fraquezas, que se não forem encaradas farão destas
eleições uma oportunidade perdida e de Porto um encontro adiado com a
sua história.
Eu gostava de saber como se quer fazer para que a cidade,
especialmente o seu centro, volte a ser uma terra com gente. Quero saber
o que os candidatos pretendem fazer para reabilitar o centro esburacado
de prédios abandonados, para o repovoar, que balanço fazem da Sociedade
Reabilitação Urbana e quais são os seus instrumentos para que cidade
seja, necessariamente por razões diferentes, tão atrativa para viver
como para trabalhar.
Gostava de perceber qual o entendimento que os candidatos têm de
qualidade de vida urbana. Alguém que me explique como se cresce numa
cidade onde rareiam os parques infantis, onde os espaços verdes pararam
de crescer, já quase não há mercados e onde jardins e praças são locais
abandonados à sua sorte. Que ideias têm para a habitação e para a gestão
dos bairros sociais para os próximos 20 anos?
De que forma pensarão a mobilidade os nossos candidato? Somos capazes
de precisar de reparar umas tantas ruas e de mais umas pontes, mas eu
gostava mesmo era de perceber se o metro acaba aqui, ou há alguma coisa
no próximo quadro comunitário que permita pensar que poderemos sonhar
com estender a rede a oeste da cidade e integrar verdadeiramente Gaia.
Nada se faz sem dinheiro é certo e por isso gostaria de perceber
melhor que visão económica têm para a cidade. Não quero que o presidente
da Câmara do Porto dite muitas lições de economia ao país, mas quero
perceber como é que tencionam atrair investimento e que áreas consideram
prioritárias. O turismo? A cultura e animação urbana? O comércio? As
indústrias ligadas às universidades? O imobiliário?
O Porto não resiste ao esvaziar de oportunidades ditado pelo
centralismo se não poder contrapor uma liderança do norte politicamente
forte. Quero perceber, para lá das mecânicas promessas, qual é visão dos
candidatos de um roteiro para a regionalização. Como pretendem, para lá
das próprias fronteiras da cidade, corporizar a ideia de um país mais
equilibrado e, já agora, como vão defender dossiês essenciais como o
centro de produção da RTP, o aeroporto Sá Carneiro, o porto de Leixões
ou as ligações ferroviárias, nomeadamente à Galiza.
E os equipamentos e instituições que são bandeiras da cidade? Como
vão defender a Casa da Música e o Museu de Serralves? Que vão fazer do
Bolhão e do Pavilhão Rosa Mota? O que acham do Soares dos Reis, do
Centro Português de Fotografia, dos grupos de teatro, da produção
audiovisual da cidade, do Boavista? Sempre vamos ter um parque oriental?
Para além disto tudo que está na agenda de qualquer candidato que se
preze, também era bom ouvir algumas ideias novas, alguma coisa “fora da
caixa” que nos permita sonhar com uma cidade mais inclusiva para todos,
mais excitante para viver, mais harmoniosa. Algo que quando abrimos a
porta de manhã e saímos para a rua nos dê orgulho de nos sentirmos parte
de uma comunidade.
Podem achar que são muitas perguntas, mas temos mais de meio ano até
ao momento de fazermos a cruz no boletim de voto. Era bom que não fosse
tempo perdido.
Pois, como David Pontes, eu também queria saber muita coisa... Não só do que tencionam fazer pelo Porto os candidatos à presidência da Câmara, como os actuais, e os futuros governantes do país. O mais difícil para eles, e para nós, nem sequer são as respostas, mas sim saber o que esta bela democracia nos permite fazer, em tempo útil, se as promessas não forem cumpridas, como na maioria das vezes não são.
Sim, porque suportar outro imprestável como Rui Rio, durante 3 mandatos, é crime que os portuenses de gema não merecem, e que ainda por cima ficará decerto sem castigo.
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