07 abril, 2009
A Galiza em São Paulo
http://www.crtvg.es/reproductor/inicio.asp?canal=tele&hora=07/04/2009 21:38:08&fecha=31/03/2009&arquivo=1&programa=ALALÁ&id_programa=7
(Fonte: Blogue Etnografando com letras)
(Fonte: Blogue Etnografando com letras)
O futebol é útil, para lá do golo e da bola...
... serve para:
descobrirmos a falta de coluna vertebral, de idoneidade, de higiene intelectual de alguns políticos, como Sílvio Cervan e Hermínio Loureiro (só para dar 2 exemplos). Nenhum deles me servia, nem para me abrirem a porta do carro. Eram despedidos antes de aquecerem o lugar.
No entanto, é esta canalhada que temos a querer «governar» o país... Perante este animado panorama, que podemos nós esperar do futuro?
O futebol não aliena, distrai. Mas, não ao ponto de não vermos as manobras de bastidores que se fabricam através dele. O Apito Dourado foi só um cheirinho.
"Os vencidos do apito encarnado"
NORTADA
Por Miguel Sousa Tavares
1 Como seria de esperar, Luís Filipe Vieira não perdeu tempo a dizer o que pensa sobre a consumação total da derrota que ele e o Ministério Público (MP) encaixaram nos três processos do Apito Dourado instaurados contra Pinto da Costa. E o que ele pensa é aquilo que era de prever: que uma justiça que absolve Pinto da Costa não presta, por natureza. Para o presidente do Benfica, não há que ter qualquer pudor: tanto lhe faz que alguém tenha sido sistematicamente absolvido ou nem sequer pronunciado em vários processos, tanto lhe faz a opinião unânime de todos os juízes chamados a pronunciar-se, tanto lhe faz a própria ideia de Justiça ou de Estado de Direito. Só lhe interessa o seu isento critério: haveria justiça se Pinto da Costa tivesse sido condenado; como não foi, tudo isto vale zero e é uma fantochada. Nos próximos tempos, vamos ver Vieira a percorrer as chafaricas do País insinuando que Pinto da Costa subornou cinco tribunais e nove juízes para ser declarado inocente. Mas que outra coisa seria de esperar de quem montou, de fio a pavio, a mais transparente campanha de manipulação contra um clube jamais vista?O Apito Dourado foi a Alfarrobeira do futebol português (perguntem ao João Gabriel o que foi isso). Com a diferença de que terminou melhor que Alfarrobeira: desta vez, a inveja dos medíocres não triunfou, apesar da disparidade de meios em confronto. Mercê de um extraordinário despacho do sr. Procurador-Geral, ordenando ao MP que recorra em todos os processos que Pinto da Costa ganhasse (o dr. Pinto Monteiro não paga as custas nem os custos do seu bolso...), a sentença de Gaia vai ainda ser objecto de apreciação pela Relação, mas apenas para satisfazer o despeito do dr. Pinto Monteiro e da dr.ª Maria José Morgado.
Mas o Apito está morto — como eu sempre previ que aconteceria a um processo cuja única fundamentação assentava na credibilidade de uma testemunha como Carolina Salgado, a par do desejo de, por esta via, tentar justificar a incompetência com que o Sport Lisboa e Benfica é gerido há vários anos, permitindo ao sr. Vieira manter-se no trono que tanto prazer lhe dá.Chegou a hora de passar ao contra-ataque — que eu espero que o FC Porto não perdoe — e para o qual dou aqui a minha contribuição, lembrando apenas quem são os principais vencidos desta suja querela. Ei-los.
LUIS FILIPE VIEIRA — O presidente do SL Benfica foi, como disse, o mentor principal de todo este embuste. Os objectivos eram desacreditar o mérito dos êxitos do FC Porto — cuja justiça é visível por qualquer um de boa-fé —, e dar ao próprio, na secretaria, as vitórias que se revelou incapaz de conquistar em campo, tentando levar à Europa, pela porta dos fundos e em prejuízo do Porto, a indigente equipe de futebol do Benfica que por aí se exibe à vista de todos (domingo, na Reboleira, não fosse mais uma arbitragem amiga a atrapalhar as contas do dr. Cervan, e lá teriam ficado, muito merecidamente, mais dois ou três pontitos...). Para tal, nem hesitou em lançar mão daquela que, em pleno Estádio da Luz e para vergonha dos portistas, o tinha ido insultar e a quem ele havia destratado como se lembrarão, numa declaração que fez na altura. Mostrou quais eram os seus métodos, os seus princípios e a «moralidade» que por aí anda a apregoar. O episódio da tentativa de entrar à força na Champions, marimbando-se para a tal verdade desportiva (e contando, para tal, com a prestimosa colaboração do dr. Ricardo Costa), foi o momento mais negro da história de um clube que tem inúmeras páginas de reconhecida e justa glória. Vieira foi o autor moral de três derrotas judiciais exemplares, o frustrado líder de uma conspiração ditada pela inveja e pela mediocridade. Se tivesse alguma humildade, que manifestamente não tem, meditava na lição.
CAROLINA SALGADO — A raiva de ter perdido o estatuto de Primeira Dama do FC Porto, levou-a a um exercício de vingança em que não olhou a meios e em que não se revelou diferente do que já se sabia que era. Intitulou-se escritora (do livro de cabeceira do Barbas, que nem sequer escreveu!), inspirou um filme, posou como ícone sexual para a Maxmen, imaginou-se figura do jet seis e uma mártir da justiça protegida pelos seguranças da dr.ª Morgado — e acabou indiciada como perjura. Como disse o advogado de Pinto da Costa, foi usada, utilizada, abusada. E agora a má notícia: como deixou de ter utilidade, vai ser deitada fora. Até porque nunca se sabe se alguém não resolve investigar a fundo as suas motivações outras e não acaba por se tornar perigosa para quem a inventou.
LEONOR PINHÃO — Felícia Cabrita escreveu no SOL (sem nunca ter sido desmentida) que, nos primórdios do Apito, Leonor Pinhão se reuniu num hotel de Lisboa com Carolina Salgado, Luís Filipe Vieira e dois agentes da PJ que tinham o processo a cargo — uma eloquente reunião que desde logo fazia prever o tipo de investigação que aí vinha. Desde o início, que a minha distinta colega de opinião neste jornal assumiu entusiasticamente o papel de criadora da criatura, indo ao ponto de escrever o guião de um filme baseado nas verdades da d.ª Carolina que não se preocupou minimamente em confirmar. O ódio ao FC Porto cegou-a, chegando a escrever aqui que «detalhes» como o «nexo de causalidade» num suposto crime de corrupção não interessavam nada. E onde estão as vitórias do Benfica, desde o Apito?
PINTO MONTEIRO — Um dia depois de ter tomado posse como Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro declarou que ia ler o livro de Carolina e abrir investigações com base no que lá estaria — como se fosse o caso mais importante que tinha encontrado. Depois, nomeou um dream-team com a missão única de caçar Pinto da Costa, sem olhar a meios ou despesas. Enfim, na iminência da derrota total, teve ainda o desplante de declarar que nada ficaria na mesma depois do Apito, pois tinha conseguido incomodar e assustar... os inocentes. Nada deveria ficar na mesma, de facto. E, atendendo não só ao desfecho do Apito, mas ao desastre absoluto que tem sido a sua gestão à frente do MP em tudo o resto, há uma coisa pelo menos que, houvesse pudor, deveria mudar: ele próprio.
MARIA JOSÉ MORGADO — A estrela do MP nem por um instante se deu ao incómodo de fingir que o objectivo do Apito era apurar se havia corrupção no futebol português. Fixou-se num único alvo e conduziu, contra todas as evidências e contra todos os deveres da função, uma campanha ad hominem, na qual gastou milhões de euros aos contribuintes, ancorando-se unicamente no testemunho de alguém que não lhe poderia merecer credibilidade alguma. E, quando tanto se fala em pressões e independência dos magistrados do MP, ela obrigou-os a reabrir processos arquivados, a acusar sem convicção, a recorrer sem fundamento. No limite, por sua ordem ou não, permitiu que o MP lançasse mão do mais indecoroso expediente que jamais vi num tribunal criminal, aliciando uma testemunha da defesa durante o próprio julgamento e arrancando-lhe, altas horas da madrugada, uma declaração escrita em que dizia que tinha andado a mentir durante dois anos. Para mim, o prestígio da senhora, conquistado a duras penas, morreu aqui e com ele afundou-se ainda mais no abismo onde hoje vegeta o prestígio do próprio MP.
RICARDO COSTA E O CD DA LIGA — Num último acesso de raiva e num tirar definitivo da máscara, o dr. Ricardo Costa e os seus pares do CD, escolheram a véspera da leitura da sentença que sabiam que só podia absolver Pinto da Costa, para se lembrarem de aplicar a Lisandro o mais vergonhoso castigo que alguma vez saiu da imaginação daquelas descontroladas cabeças. Estiveram à beira de conseguir tirar da Europa o único clube que prestigia Portugal e que merece lá estar, condenaram por invocada tentativa de corrupção o presidente do FC Porto a dois anos de suspensão (e de silêncio!), e tudo com base em fundamentos e provas que cinco tribunais comuns reduziram a pó e a má-fé. E agora, dr. Ricardo Costa, o seu belo palavreado pseudo-juridico também vai decretar que todos os juízes estavam feitos com Pinto da Costa? Saia, homem: a vida não é a feijões!2 E, como o futebol se joga no campo, o FC Porto foi a Guimarães, com tudo contra si (Lisandro castigado pelo dr. Costa pelo crime de ter sofrido um penalty não assinalado, outros ausentes por cansaço, autocarro apedrejado, ambiente de intimidação, festival de pancadaria no Hulk (como táctica dos da casa e perante a complacência criminosa do árbitro), e deu mais um banho de bola e uma lição de verdade desportiva às pretensões justicialistas dos Vieiras, Salgados e Morgados, Costas e demais. Ora, chorem.Hoje à noite, em Old Trafford, a missão é quase impossível, face à maior potência desportiva e financeira do futebol, campeão europeu e mundial em título. Mas estes jogadores têm uma fibra e uma coragem para os grandes momentos que nos levam a acreditar até ao fim. Só espero duas coisas: que o Helton não ofereça um ou dois golos (já em Guimarães voltou a tentar), e que o Cristiano Ronaldo de logo à noite seja o da Selecção e não o do Manchester: aquele que falha golos fáceis, joga pouco ou nada e acha que os colegas é que atrapalham.
Nota RoP:
É fastidioso, eu sei, mas para memória futura, convém acrescentar a esta lista de cobardes e conspiradores, a comunicação social, que foi aparando estas jogadas de modo sectário e cumplíce, como agora disso faz prova a irrelevância que dão à inocência de Pinto da Costa.
A estes, somam-se o senhor Joaquim Oliveira (dono da Controlinveste), todos os políticos ditos portistas e não portistas, que se mantiveram caladinhos como ratos a assistir a este degradante espectáculo de linchamento medieval, sem uma palavra de indignação ou solidariedade para com o (falido) troféu de caça, chamado Pinto da Costa e respectiva coutada, chamada Futebol Clube do Porto, que é o mesmo que dizer: cidade do Porto!
PS-Os nomes dos conspiradores escritos a vermelho, não estão dessa côr por acaso. Quer mesmo afirmar, e não insinuar, que todos eles estão comprometidos com o Benfica.
06 abril, 2009
Três tópicos para o debate sobre a Regionalização
Um primeiro esclarecimento pode muito bem ser o de que a Regionalização não é uma “teimosia” de alguns, mas uma peça fundamental para a construção de um Estado Democrático que garanta a participação dos cidadãos na decisão dos seus interesses locais, regionais e nacionais.
Em termos locais e nacionais já dispomos actualmente de instrumentos de participação (podem não ser os melhores, nem suficientes, mas isso é conversa para outra altura…) mas os assuntos regionais têm andado a ser assumidos por quem não foi democraticamente mandatado para tal.
As “Comissões de Coordenação”, as “Regiões Plano”, as “Comunidades Urbanas”, as “Associações de Municípios”, etc, não têm nada a ver com a instituição das Regiões Administrativas previstas na CRP. Podem andar a servir para escamotear a realidade e dar a impressão de que vivemos num sistema político descentralizado, mas não passam de instrumentos do Poder Central, ou do Poder Municipal, sem a legitimidade democrática concedida pelo voto dos cidadãos.
Já é tempo de dizer isto de forma muito clara e de acabar de uma vez por todas com as tentativas de construir uma regionalização de gabinete que será apresentada como inevitável, mas que, no fundo, é feita “à medida” dos interesses de alguns.
O referendo que se decidiu fazer sobre a Regionalização, mais do que um erro, foi uma estratégia para adiar o processo. A verdade é que o País votou contra a própria Constituição e, no entanto, apesar de já ter sido revista depois desse referendo, ela continua a definir a instituição das Regiões Administrativas como uma peça fundamental para a construção do Poder Local. Não será isto um contra-senso que os políticos e os constitucionalistas deveriam explicar melhor ao País?
Um segundo esclarecimento que se impõe diz respeito às atribuições das Regiões Administrativas previstas na CRP.
Isto pode parecer um lugar comum, mas é quase certo que a maioria dos portugueses desconhece essas atribuições e tem no seu imaginário outra realidade, talvez aquela que leva alguns a acenar com o fantasma da unidade nacional, como se a descentralização política e a participação das regiões na elaboração dos planos nacionais constituísse um obstáculo à Democracia.
A História prova que a realidade é bem diferente. Um Estado centralista apresenta mais perigos, pois pode facilmente passar a autoritário e daí a totalitário vai um passo.
Mas as Regiões Administrativas não terão sequer as atribuições das autonomias atlânticas, ou as conhecidas noutros países, como em Espanha. Contudo, serão responsáveis pela elaboração de planos regionais, uma peça fundamental para a diminuição das assimetrias de desenvolvimento com que nos debatemos e prioritária para estabelecer com legitimidade democrática a ponte entre o poder central e o poder municipal.
É este mecanismo que explica, por exemplo, porque é que em termos constitucionais existe uma correlação de organização e atribuições dos órgãos políticos: executivo municipal, junta regional, governo; assembleia municipal, assembleia regional, assembleia da república.
A realidade que vivemos é um verdadeiro paradoxo: defendemos a Democracia, o Pluralismo e a Descentralização, mas vivemos num contexto prático de Centralismo Democrático, ou seja, o Poder Central, personificado no Governo (mas não só…) pode ouvir opiniões, nomeadamente das estruturas representativas dos municípios, mas elabora os planos sem a participação das Regiões Administrativas, pois estas não existem! Na prática, decide sozinho. Os resultados das últimas décadas estão à vista! Veja-se, a este propósito, o que dizem os artigos 91º, 3., 199º, a) e 258º da CRP.
Naturalmente que as ideias aqui apresentadas são apenas uma pequena parte do que se pode retirar de uma análise mais aprofundada da CRP acerca da Regionalização, percebendo-se melhor o que se quer dizer quando se fala de imperativo nacional.
Contudo, parece importante não terminar este modesto contributo sem deixar um último alerta àqueles que estão empenhados em não deixar cair no esquecimento a obrigatoriedade constitucional da Regionalização, relacionado com a discussão das divisões geográficas que determinarão o número de Regiões Administrativas a criar.
Como toda a gente, também nós temos um mapa das regiões na cabeça. Mas a experiência do desaire do referendo mostrou-nos que começar por aí é um grave erro estratégico. O fundamental é que os cidadãos percebam o que são as Regiões Administrativas, como são constituídas, quais as suas atribuições e em que medida a sua existência contribui para o desenvolvimento do País.
A questão das delimitações das Regiões Administrativas é incontornável, mas não será mais fácil criar uma opinião esclarecida sobre esta ou aquela hipótese depois de se perceber o que é que está em causa?
Apresentar vários mapas de divisão regional sem explicar o porquê, as vantagens e as desvantagens, contribuirá para ganhar adeptos da Regionalização, ou levará a generalidade das pessoas, mais uma vez, a considerar que o assunto é para os “especialistas” e lá chegará, na hora certa, quem lhes diga como é que vão votar?
Aqui ficam muitas perguntas e poucas respostas, mas a firme convicção de que a cultura democrática nasce do debate das ideias e das opiniões e será tanto mais transformadora quanto maior for o número de participantes. E como dissemos, nós também temos um mapa e nesse mapa existe uma Região que se chama Trás-os-Montes e Alto Douro. Mas uma coisa é certa: o mapa que está na nossa cabeça não servirá de nada se o País nem sequer aceitar que se criem Regiões Administrativas!
F. Lopes
[do blogue Regionaização]
«Nós, na Europa»
Sou um português típico. Como já devem ter reparado, sou um tipo altamente sugestionável. Basta-me ouvir um qualquer bem falante [daqueles que têm o dom da palavra e se esforçam por parecer as pessoas mais sérias do mundo], que fico logo rendido à prosápia. Tivesse eu o dinheiro que a RTP nos rouba para nos atacar, como ataca a cidade do Porto, o PdC, e o FCP, e pagar-lhes-ia um balúrdio, mais do que já lhes paga, só para os ouvir e aprender qualquer coisa. Como não tenho, contento-me com o supremo prazer de os ouvir.
A propósito, não sei se já repararam nos painéis publicitários que começam a aparecer um pouco por toda a cidade a anunciar a bazófia politiqueira do costume. Se ainda não repararam, recomendo um, que me foi particularmente sensível. Era do PS, mas podia ser de outro partido qualquer. Tinha a fotografia do ex-comunista Vital Moreira, e dizia isto: "Nós, na Europa". Singelo e profundo, como exige um português típico como eu.
O que me ocorreu logo, talvez por culpa das minhas limitadas aptidões intelectuais [nem todos podem ser Pachecos Pereiras], foi um órgulhoso [o "ó" agudo, é para lhe dar um toque de cosmopolitismo e classe alfacinha] sentimento de pertença à Europa, esse nobre continente onde impera a sabedoria, a qualidade de vida, mas da qual Portugal nunca soube (ou quis) fazer parte no que ela tem de melhor. "Nós, na Europa"! Que requinte, que afirmação de esperança sublime! Assim, não resisto, fiquei rendido. Acho que já votei no PS antes mesmo de ir votar, e que até já me esqueci do cuspe que, através da televisão do Estado [e não só], tem lançado à cidade do Porto.
Depois, há outra coisa. Agora, começam a falar de Regionalização. E se falam, não pensemos que é por falar, ou por essa minudência da aproximação de eleições. Nem pensar, credo! É mesmo a sério, porque agora, estão determinados em ir para a frente com a reforma administrativa do território, nem que seja daqui a vinte anos! Mas, vão! E não comecem já a fazer perguntas disparatadas, a questionar porque é que estiveram estes anos no «poleiro» mudos e quedos, porque os afazeres são tantos que não sobra tempo para ninharias. Já nos esquecemos dos cansativos serões no Prós e Contras? Dos debates na SIC Notícias e na RTPN (éne de Notícias)? Já limpamos da memória os grandes problemas do país que ali foram resolvidos? Sejamos compreensivos, bolas, não pode haver tempo para tudo e um homem não é de ferro!
A propósito, não sei se já repararam nos painéis publicitários que começam a aparecer um pouco por toda a cidade a anunciar a bazófia politiqueira do costume. Se ainda não repararam, recomendo um, que me foi particularmente sensível. Era do PS, mas podia ser de outro partido qualquer. Tinha a fotografia do ex-comunista Vital Moreira, e dizia isto: "Nós, na Europa". Singelo e profundo, como exige um português típico como eu.
O que me ocorreu logo, talvez por culpa das minhas limitadas aptidões intelectuais [nem todos podem ser Pachecos Pereiras], foi um órgulhoso [o "ó" agudo, é para lhe dar um toque de cosmopolitismo e classe alfacinha] sentimento de pertença à Europa, esse nobre continente onde impera a sabedoria, a qualidade de vida, mas da qual Portugal nunca soube (ou quis) fazer parte no que ela tem de melhor. "Nós, na Europa"! Que requinte, que afirmação de esperança sublime! Assim, não resisto, fiquei rendido. Acho que já votei no PS antes mesmo de ir votar, e que até já me esqueci do cuspe que, através da televisão do Estado [e não só], tem lançado à cidade do Porto.
Depois, há outra coisa. Agora, começam a falar de Regionalização. E se falam, não pensemos que é por falar, ou por essa minudência da aproximação de eleições. Nem pensar, credo! É mesmo a sério, porque agora, estão determinados em ir para a frente com a reforma administrativa do território, nem que seja daqui a vinte anos! Mas, vão! E não comecem já a fazer perguntas disparatadas, a questionar porque é que estiveram estes anos no «poleiro» mudos e quedos, porque os afazeres são tantos que não sobra tempo para ninharias. Já nos esquecemos dos cansativos serões no Prós e Contras? Dos debates na SIC Notícias e na RTPN (éne de Notícias)? Já limpamos da memória os grandes problemas do país que ali foram resolvidos? Sejamos compreensivos, bolas, não pode haver tempo para tudo e um homem não é de ferro!
Está decidido, vou votar PS! Só mudo a decisão se o PSD ou outro qualquer partido conseguir ser mais original na propaganda política. Fica aqui prometido. Se descobrir um painel a dizer: "Um euromilhões para cada português", mudo imediatamente o sentido do meu voto. Pronto. Eu avisei que era um português típico, não avisei?
05 abril, 2009
O preço da infâmia
A balbúrdia instalada neste canto miserável do planeta é tamanha que já ninguém consegue separar o trigo do joio, ou seja, ninguém é capaz de saber ao certo quem fala verdade e quem mente. Mais. A impressão que o tempo vem reforçando com desprezível vigor é que, em matéria de seriedade, ninguém está totalmente inocente.
É, principalmente através dos jornais, que os cidadãos tomam conhecimento de factos como o Freeport e podem retirar as devidas ilações, estando porém condicionadas pela credibilidade do orgão que os transmitem. Este é outro problema sobre os demais. Ainda há, apesar de tudo, jornais mais credíveis que outros, mas nem mesmo assim os podemos ler sem recorrer a uma prudente inspecção crítica.
Passamos estes últimos anos a ser espectadores pouco mais que passivos de uma das maiores conspirações da vida social do país, onde tudo se fez e inventou, para derrubar um clube de futebol através do seu timoneiro. Mesmo os mais cautelosos adeptos e admiradores de Pinto da Costa, tiveram dificuldade em se convencerem dos elementos acusatórios que choviam de todo o lado* contra ele. A parra era sempre mais farta que a uva, e estas quase sempre mirradas e sem sumo que a justificasse. De difamação em difamação, corroborada marginalmente por pessoas de cuja responsabilidade se exigia a máxima sobriedade e isenção, as terríveis suspeitas incessantemente propagadas foram-se diluindo em pouco mais que ruídos residuais.
Simultaneamente, nos bastidores do poder político e económico, outros protagonistas, com outras responsabilidades, aproveitavam a boleia persecutória sobre o virtual «D. Corleone» portista, para matar dois coelhos de uma só cajadada: permitiam que a caça ao Homem prosseguisse, esperançados que a vítima fosse abatida e que o clube do regime tirasse disso partido (o Benfica), ao mesmo tempo que iam movendo altas influências no sentido de orientarem, no segredo dos Deuses, mas faustosamente, as suas vidas privadas. Só que, o tiro saiu-lhes pela culatra, e a montanha acabou por parir, não o rato que esperavam, mas outros, bem diferentes e com maiores responsabilidades ... A montanha, afinal, está a parir sim, ratazanas, mas dos escombros da política.
Começamos finalmente a ter consciência, que o filme que o Botelho pariu, além de medíocre, devia ter cenários sulistas, com destaque para o estuário do Tejo e outro tipo de protagonistas, com mais status, para ter algum sucesso, a Norte e até, quem sabe, em todos os pontos cardeais do país...
Mas, no fim desta salada russa de intrigas, de compadrios, acusações, de informação contra-informada, resta algo de confrangedor e sórdido, que é a inevitabilidade do público meter tudo no mesmo saco e misturar os verdadeiros corruptos com simples homens de valor, como Pinto da Costa é. Efectiva e merecidamente.
* da Central de desinformação lisboeta
04 abril, 2009
Lavar a alma
O nosso amigo Rui Valente, no seu post "Que Sufoco!", compilou uma série de frases publicadas na imprensa, que traduzem o desânimo que percorre a maioria da sociedade portuguesa. Somos efectivamente um país estagnado, descrente, com um duvidoso futuro à sua frente. O futuro de um país joga-se na educação, esta tem sido um desastre, e as políticas educativas têm consequências que se manifestam durante dezenas de anos. Qualquer futura inflexão no bom sentido só terá efeito passada pelo menos uma geração. Entretanto vemos os recém-chegados membros da União Europeia, que económicamente partiram atrás de nós, passarem à nossa frente e darem-nos o lugar de "lanterna vermelha". E quando consideramos a situação da Justiça, seja a comum seja a desportiva, que atingiu níveis de iniquidade, ineficácia e até de pouca-vergonha e desonestidade(e estou especialmente a pensar na "justiça" desportiva) então a depressão nacional desce a níveis que provavelmente já não se verificavam desde o séc.XIX, com a diferença de que no final desse século houve Homens com a coragem dos seus princípios e convicções que foram capazes de começar a mudar um regime, coisa que hoje está provado estar fora do alcance dos políticos de aviário que temos, e que devem a sua manutençao nos corredores do poder à indiferença de uma abúlica sociedade civil que parece manter um princípio que ouvi muitas vezes invocado nos tempos do Estado Novo: "eu, em política não me meto, a minha política é o trabalho". Com uma sociedade assim, desinteressada e sem consciência cívica e política, não vamos a lado nenhum.
O panorama nacional é este. A nível regional nortenho temos que acrescentar à nossa carga depressiva o peso que resulta de vermos o Norte em acentuado declínio em quase todos os campos (salva-se o FCPorto, graças a Deus!!!) com especial incidência nas regiões do interior, perante o desinteresse e a incapacidade das suas populações em idealizar e concretizar caminhos que conduzam a um futuro mais risonho.
Tenho-me perguntado se, perante este panorama, terá alguma utilidade continuar a manifestar pela escrita os meus sentimentos de revolta. Provavelmente não terá, mas decidi que, por enquanto e enquanto o Rui Valente quiser, vou continuar na luta. Apenas por um motivo higiénico: para lavar a alma.
O panorama nacional é este. A nível regional nortenho temos que acrescentar à nossa carga depressiva o peso que resulta de vermos o Norte em acentuado declínio em quase todos os campos (salva-se o FCPorto, graças a Deus!!!) com especial incidência nas regiões do interior, perante o desinteresse e a incapacidade das suas populações em idealizar e concretizar caminhos que conduzam a um futuro mais risonho.
Tenho-me perguntado se, perante este panorama, terá alguma utilidade continuar a manifestar pela escrita os meus sentimentos de revolta. Provavelmente não terá, mas decidi que, por enquanto e enquanto o Rui Valente quiser, vou continuar na luta. Apenas por um motivo higiénico: para lavar a alma.
03 abril, 2009
Apitos envenenados!
Pinto da Costa absolvido no "Caso do Envelope"
(Em actualização/JN) - Foram também absolvidos os outros dois arguidos, o árbitro Augusto Duarte e o empresário António Araújo.
O Tribunal de Gaia absolveu Pinto da Costa no "Caso do Envelope". Não foram dados como provados os factos imputados pela acusação.
O Tribunal referiu discrepâncias no testemunho de Carolina Salgado. Considerando não ser credível, a magistrada excluiu o testemunho da ex-companheira de Pinto da Costa.
A Juíza Catarina Ribeiro Almeida prossegue ainda a leitura da sentença. Segundo o tribunal, não ficou provado que Pinto da Costa tenha pressionado árbitros e que o presidente do F. C. Porto tenha pago a Augusto Duarte.
De acordo com o Tribunal de Gaia, não foi igualmente provado que Augusto Duarte tenha beneficiado o F. C. Porto no jogo com o Beira-Mar (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.
O presidente do F .C. do Porto, Pinto da Costa, e António Araújo, um empresário de futebol, estavam pronunciados pelo crime de corrupção desportiva activa e ao árbitro Augusto Duarte era imputado o crime de corrupção desportiva passiva.
O processo é um apêndice do megaprocesso "Apito Dourado" e tem como génese casos de alegada corrupção e tráfico de influências no futebol profissional e na arbitragem portuguesa.
(Em actualização/JN) - Foram também absolvidos os outros dois arguidos, o árbitro Augusto Duarte e o empresário António Araújo.
O Tribunal de Gaia absolveu Pinto da Costa no "Caso do Envelope". Não foram dados como provados os factos imputados pela acusação.
O Tribunal referiu discrepâncias no testemunho de Carolina Salgado. Considerando não ser credível, a magistrada excluiu o testemunho da ex-companheira de Pinto da Costa.
A Juíza Catarina Ribeiro Almeida prossegue ainda a leitura da sentença. Segundo o tribunal, não ficou provado que Pinto da Costa tenha pressionado árbitros e que o presidente do F. C. Porto tenha pago a Augusto Duarte.
De acordo com o Tribunal de Gaia, não foi igualmente provado que Augusto Duarte tenha beneficiado o F. C. Porto no jogo com o Beira-Mar (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.
O presidente do F .C. do Porto, Pinto da Costa, e António Araújo, um empresário de futebol, estavam pronunciados pelo crime de corrupção desportiva activa e ao árbitro Augusto Duarte era imputado o crime de corrupção desportiva passiva.
O processo é um apêndice do megaprocesso "Apito Dourado" e tem como génese casos de alegada corrupção e tráfico de influências no futebol profissional e na arbitragem portuguesa.
Essa raposa chamada Democracia
Não fosse o caso muito sério, dir-se-ia que a ingenuidade - ou, a boa fé, se quiserem -, de muitos portugueses acerca da Democracia, daria para rir. Não, meus senhores, para rir não pode dar, mas que se presta a longos e angustiantes sorrisos (amarelos), disso já não resta a mínima dúvida.
Habituados que foram a pensar, mais com a cabeça dos outros do que pela própria, os portugueses tornaram-se vulneráveis a novos preconceitos, que é como quem diz, a dar demasiada importância à futilidade das aparências. É imperioso lembrar, que há aparências, como a seriedade (por exemplo), que não têm nada de fúteis, e outras há, como o novo-riquismo, que o são, de facto.
O 25 de Abril de 1974, que foi um movimento muito menos revolucionário do que se imagina, não foi responsável por essa semi-metamorfose, porque, como sabemos, além de despolitizados, os portugueses já eram preconceituosos por esse tempo. Os preconceitos é que eram de outra natureza. O quase meio século de ditadura gerou anátemas difíceis de ultrapassar, sendo, talvez, o vício do desenrascanço, o mais resistente.
O 25 de Abril foi, portanto, mais uma inevitabilidade do que um acto de rebelião popular audacioso. Em 1974, Portugal, era dos poucos países colonialistas, sob o peso censurável de toda a Europa, com os militares desgastados por guerras inconsequentes, o que contribuiu decisivamente para o acelerar da dita "revolução". A partir daí, o país foi maquilhado por alguns sinais de progresso, sem qualquer relevância para o desenvolvimento sustentado do país, nem reflexos consistentes na qualidade de vida da população, que nem a entrada na então Comunidade Europeia conseguiram disfarçar.
Entretanto, o que sobrou desse movimento, foi uma ideia quase anárquica de Liberdade, onde os direitos se sobrepuseram aos deveres e a Democracia se mitificou.
À parte das eleições, de o direito a um voto subjectivo, o povo permitiu que a Democracia fosse "trabalhada", mais à medida de quem os representava do que à dos seus verdadeiros interesses, e assim se foi adulterando até cristalizar.
Em Lisboa, foram-se concentrando os poderes da propaganda "democrática", ao mesmo tempo que se esvaziavam de morte os já parcos poderes regionais. Rádios e jornais, multiplicavam-se em catadupa e o mais poderoso deles, a televisão, seguia-lhes o modelo. Foi assim, a partir do mesmo ponto do país, defendendo acerrimamente a causa centralista, que foi vendida e difundida ao resto do território, a ideia que hoje temos de Democracia.
De tal forma está instalada esta ideia castradora de democracia (o tal preconceito), que alguns de nós, até na blogosfera, onde temos toda a liberdade para explanarmos as nossas opiniões, o nosso inconformismo, a nossa revolta, acham que devem reservar parte desse espaço (na caixa de comentários) para as opiniões - frequentemente provocatórias e insultuosas -, daqueles que lhes colocaram a mordaça na boca, só para não passarem por anti-democratas!
Sinceramente, ainda não consegui compreender como se podem avaliar os nossos indíces democráticos apenas porque permitimos que alguém comente para nos insultar ou provocar! Eu chamo a isso masoquismo. Sobretudo, quando temos uma comunicação social completamente centralizada ao serviço exclusivo do centralismo! Paradoxalmente, depois, queixam-se, limitam-se a queixar-se, de quem lhes sufoca a voz e a vida!
Costuma dizer-se que, para bom entendedor meia palavra basta, mas o que atrás escrevi contraria um pouco essa máxima. O que eu quis dizer, em várias palavras, foi, que jamais permitirei aqui um único comentário insultuoso. Para esses estou-me completamente nas tintas para o que possam pensar sobre os meus dotes democráticos, porque é só a chicote que merecem ser tratados. Ficamos esclarecidos?
02 abril, 2009
Uma luz ao fundo do tunel... do metro?
As palavras dos três representantes da CMPorto na Comissão de Acompanhamento da linha ocidental do Metro, soaram-me como música celestial. Eu sei que elas apenas reflectem as opiniões dos três membros, que provavelemente chocarão contra o muro do sistema centralista. No entanto, finalmente alguém responsável tem a coragem de dizer que a linha tem de ser enterrada, ao contrário daqueles que querem transformar o metro do Porto num sistema de transporte enfezado e muito menos eficiente do que aquilo que poderá e deverá ser. Quem não atinge aquilo que quero significar com estas palavras, que viaje entre Matosinhos e a estação da Senhora da Hora, e depois diga-me se faz algum sentido o sinuoso e complicativo traçado à superfície, com a consequente velocidade comercial a ser mais próxima do sec.XIX do que dos tempos actuais. É isto que querem repetir na linha ocidental!?
A Comissão de Acompanhamento está certa. O troço ocidental, seja qual for o percurso ( e creio que a opinião unânime é favorável a Diogo Botelho, muito acertadamente, por oposição à Av.da Boavista) tem de ser subterrâneo. A AM do Porto, as suas gentes, os seus representantes, as suas instituições, não podem permitir que se abandalhe o nosso metro, que se enfernize a vida dos seus cidadãos: utentes do metro, automobilistas, peões.
Contra esta solução não faltará o governo central e a sua corte de yes men que clamarão contra os custos, mas enquanto na capital do país se continuar a fazer obras faraónicas sem olhar nem ao custo nem à relação custo-benefício, nós aqui no Porto não poderemos de forma alguma aceitar o argumento do custo extra. Só deveremos apertar o cinto depois de ver Lisboa fazer o mesmo, nunca antes. Não podemos aceitar uma subalternidade humilhante. Se a construção tiver que ser feita em ritmo mais lento, para obviar um eventual aumento de custo pela solução enterrada, pois que assim seja. Mas por favor, quem tem a responsabilidade de decidir e lutar pela opção certa, que tenha a dignidade, a coragem e a perseverança de defender a única solução que interessa à cidade, custe o que custar.
Penso há muito tempo que nós aqui não deveríamos recear tomar posições de ruptura com o governo central. Os paninhos quentes já demonstraram não resolver nada. É altura de ensaiar outras soluções mais enérgicas. Esta seria uma boa causa. Haverá coragem para isso?
A Comissão de Acompanhamento está certa. O troço ocidental, seja qual for o percurso ( e creio que a opinião unânime é favorável a Diogo Botelho, muito acertadamente, por oposição à Av.da Boavista) tem de ser subterrâneo. A AM do Porto, as suas gentes, os seus representantes, as suas instituições, não podem permitir que se abandalhe o nosso metro, que se enfernize a vida dos seus cidadãos: utentes do metro, automobilistas, peões.
Contra esta solução não faltará o governo central e a sua corte de yes men que clamarão contra os custos, mas enquanto na capital do país se continuar a fazer obras faraónicas sem olhar nem ao custo nem à relação custo-benefício, nós aqui no Porto não poderemos de forma alguma aceitar o argumento do custo extra. Só deveremos apertar o cinto depois de ver Lisboa fazer o mesmo, nunca antes. Não podemos aceitar uma subalternidade humilhante. Se a construção tiver que ser feita em ritmo mais lento, para obviar um eventual aumento de custo pela solução enterrada, pois que assim seja. Mas por favor, quem tem a responsabilidade de decidir e lutar pela opção certa, que tenha a dignidade, a coragem e a perseverança de defender a única solução que interessa à cidade, custe o que custar.
Penso há muito tempo que nós aqui não deveríamos recear tomar posições de ruptura com o governo central. Os paninhos quentes já demonstraram não resolver nada. É altura de ensaiar outras soluções mais enérgicas. Esta seria uma boa causa. Haverá coragem para isso?
Quo vadis, Rui Moreira?
Tenho uma excelente opinião do Rui Moreira. Sobre a questão nortenha, tem ideias claras e desassombradas (com as quais eu geralmente estou de acordo), que sabe expor com clareza e paixão.
Rui Moreira tem sido um dos poucos oásis que sobressaem no meio do árido deserto de líderes que o Norte atravessa desde que o Porto matou o pai (Fernando Gomes) – no sentido freudiano da acção.
Como agravante, à solidez e justeza das ideias, Rui acrescenta um já muito razoável índice de popularidade, boa imprensa e uma belíssima imagem televisiva – factor não negligenciável nestes tempos em que passar mal televisão pode ser letal para um líder com ambições.
O único calcanhar de Aquiles (a falta de espessura do seu curriculum, já que não tem tido actividade empresarial relevante desde que vendeu o negócio da família) é muito atenuado pelo seu bom desempenho na presidência da Associação Comercial do Porto.
A única coisa que me inquieta no momento é desconhecer o que ele se prepara para fazer com o capital político que reuniu – e que já desperta cobiças, como se vê pelo namoro descarado que Rui Rio lhe anda a fazer e pelo convite que Paulo Portas lhe dirigiu para encabeçar a lista do CDS ao Parlamento Europeu.
É natural que Rui Moreira prefira manter o máximo de hipóteses em aberto, entre as quais se contam as mais desejadas presidências do Porto (a do clube e a da cidade).
Mas, mais tarde ou mais cedo (se calhar mais cedo…), ele terá de decidir se o que mais lhe interessa é a liderança desportiva ou política da região – ou se prefere ir viver calmamente para as margens de um lago suíço (já que não me acredito que Bruxelas faça parte do seu mapa de opções).
Jorge Fiel (in Bússola)
Rui Moreira tem sido um dos poucos oásis que sobressaem no meio do árido deserto de líderes que o Norte atravessa desde que o Porto matou o pai (Fernando Gomes) – no sentido freudiano da acção.
Como agravante, à solidez e justeza das ideias, Rui acrescenta um já muito razoável índice de popularidade, boa imprensa e uma belíssima imagem televisiva – factor não negligenciável nestes tempos em que passar mal televisão pode ser letal para um líder com ambições.
O único calcanhar de Aquiles (a falta de espessura do seu curriculum, já que não tem tido actividade empresarial relevante desde que vendeu o negócio da família) é muito atenuado pelo seu bom desempenho na presidência da Associação Comercial do Porto.
A única coisa que me inquieta no momento é desconhecer o que ele se prepara para fazer com o capital político que reuniu – e que já desperta cobiças, como se vê pelo namoro descarado que Rui Rio lhe anda a fazer e pelo convite que Paulo Portas lhe dirigiu para encabeçar a lista do CDS ao Parlamento Europeu.
É natural que Rui Moreira prefira manter o máximo de hipóteses em aberto, entre as quais se contam as mais desejadas presidências do Porto (a do clube e a da cidade).
Mas, mais tarde ou mais cedo (se calhar mais cedo…), ele terá de decidir se o que mais lhe interessa é a liderança desportiva ou política da região – ou se prefere ir viver calmamente para as margens de um lago suíço (já que não me acredito que Bruxelas faça parte do seu mapa de opções).
Jorge Fiel (in Bússola)
Nota do RoP
Já aqui levantei as mesmas questões, mais que uma vez. Rui Moreira, ou avança, ou começa a perder a embalagem. Convirá (é um conselho de amigo), agora, mais do que nunca, escolher muito bem as companhias, politicamente falando...
Talvez...
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... num remoto dia, o Porto tenha a suprema felicidade de merecer as devidas atenções de um Governo verdadeiramente Nacional, de uma autarquia ambiciosa e, quem sabe, de alguém que se lembre de preservar esta zona da cidade, como se impõe.
Se dependesse de mim, seria aqui, neste preciso local, nesta ampla malha urbana, onde o arvoredo é farto e convive bem com a arquitectura, que mais investiria. Dado o seu [ainda] bom estado de conservação, não seria seguramente dinheiro mal gasto. Mas, quem sou eu...
Que sufoco!
Com tanta informação disponível, é difícil de acreditar que, hoje em dia, haja alguém convencido que o derrotismo seja o caminho correcto para se chegar a algum lado. Só que, se não quisermos passar por conselheiros da onça, já é tempo de não fazermos dos problemas do país uma caldeirada onde o peixe é pobre e todo igual, porque não é.
Um grande problema para muitos cidadãos é, por exemplo, terem de pagar o maldito PEC (Pagamento Especial por Conta), em início de actividade empresarial quando mal tiveram tempo de se imporem no mercado e terem lucros. Já, um pequeno problema - para as empresas poderosas, como as filiais de bancos internacionais -, é por exemplo, o pagamento de impostos ao Estado, quando este aprova Leis , expressamente, para os isentar dessa obrigação.
O facto em si, devia inibir alguns cavalheiros, de uma vez por todas, da mania de se armarem em paizinhos-professores do povo, com o discurso gasto e hipócrita do optimismo. Por esta altura, deviam até serem presos, por desrespeito às populações já demasiado flageladas e cansadas, por esta, e todas as outras crises.
Como é "tradicional", quem por maioria de razão, tem motivos de queixa das crises, é sempre o povo, e não podem continuar a ser aqueles que mais contribuem para as gerar, a pregar-lhes os sermões. Reparem só no que vem escrito na coluna do Público, das "Frases de ontem":
- Portugal parece uma panela de pressão. (Francisco José Viegas)
- Um total descrédito invadiu todas as formas de exercício de Poder do Estado português. Os poderes legislativo, executivo e judicial agonizam. (Paulo Morais)
- Se as trocas de acusações públicas dentro da instituição que lidera a investigação [do caso Freeport] apontam para uma falta de sintonia pouco tranquilizadora para os cidadãos, estas graves suspeitas são mais uma machadada na sua credibilidade. (Editorial/DN)
- Perante este vendaval de acusações gravíssimas acerca da desestabilização da Justiça alguém se lembrou que ainda existe[?] um ministro que tutela esta pasta? (Carlos Abreu Amorim)
- Estamos quase a estatelar-nos ao comprido e inculcam-nos o acessório e futilidade. (Baptista Bastos)
De todas estas óbvias realidades, destaco a de Carlos Abreu Amorim, pelo pragmatismo da interrogação. Mas afinal, onde está e o que faz o Ministro da Justiça???
Toda a gente reconhece a falência do Estado, mas o paradoxo é que são os seus representantes e leais acólitos, (ministros no activo ou retirados, banqueiros, etc.) quem continua a dar pareceres nessa e noutras matérias, em tudo o que é jornal, revista ou canal de televisão! E, são pagos para o fazerem!
Meus senhores, até quando é que vamos continuar a tolerar estas aberrações? Que falta nos fazem estas pessoas? Que importância têm para as nossas vidas os seus pareceres? São capazes de adivinhar?
Os sacanas do «sistema» vão sendo humilhados
Pinto da Costa com direito a falar
MANUEL LUÍS MENDES/JN
MANUEL LUÍS MENDES/JN
Pinto da Costa, presidente do F. C. Porto, ganhou uma batalha na guerra que o opõe à Comissão Disciplinar da Liga, pois o Conselho de Justiça da Federação sentenciou que pode prestar declarações, embora suspenso.
Esta decisão deu, assim, provimento ao recurso do líder dos dragões em relação a um castigo de quatro meses, que lhe fora aplicado pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga por ter prestado enquanto suspenso, devido ao Apito Final. Ora, a partir de agora, há nova jurisprudência sobre esta matéria.
Em comunicado, o F. C. Porto considera que "foi revogada a democrática Lei da Rolha", pelo que Pinto da Costa pode falar sem problemas de voltar a ser punido. Transcrevendo parte do teor do acórdão, regista que "a inibição para o exercício de funções de representação nas competições desportivas não pode ser entendida como impedimento do Presidente do Clube, durante o período de suspensão, prestar declarações, desde que observados os limites definidos" no Regulamento de Disciplina da Liga.
Recorde-se que o nº. 2 do Artigo 4.º reza que "é proibido exprimir publicamente juízos ou afirmações lesivos da reputação de pessoas singulares ou colectivas ou dos órgão intervenientes nas competições" da Liga. Sobre isto, o F. C. Porto ironiza, afirmando que "um dirigente inibido no seu exercício de funções só não pode tecer afirmações injuriosas sobre ninguém, norma que, de resto, se aplica a todos os dirigentes desportivos, estejam eles suspensos ou não". Recorde-se que Pinto da Costa foi punido com dois anos de suspensão, a 9 de Maio de 2008, logo vai fazer para a semana 11 meses, na sequência do chamado processo "Apito Final", a que se somou, indevidamente, sabe-se agora, mais os referidos quatro meses.
Se, neste caso, os dragões registaram uma vitória, já nos recursos contra a decisão da CD da Liga de não fazer a revisão do processo, tal não sucedeu. Os portistas fundamentavam essa reclamação no facto de existir um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) a considerar inválidas as escutas telefónicas em sede de processo disciplinar.
Desta feita, o CJ considerou o recurso improcedente, alinhando pelas posições da equipa de Ricardo Costa e refutando, também, a "inconstitucionalidade e/ou ilegalidade" das escutas.
Também o Boavista viu ser negado pelo mesmo órgão o seu recurso, baseado no aludido acórdão do STA.
Esta decisão deu, assim, provimento ao recurso do líder dos dragões em relação a um castigo de quatro meses, que lhe fora aplicado pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga por ter prestado enquanto suspenso, devido ao Apito Final. Ora, a partir de agora, há nova jurisprudência sobre esta matéria.
Em comunicado, o F. C. Porto considera que "foi revogada a democrática Lei da Rolha", pelo que Pinto da Costa pode falar sem problemas de voltar a ser punido. Transcrevendo parte do teor do acórdão, regista que "a inibição para o exercício de funções de representação nas competições desportivas não pode ser entendida como impedimento do Presidente do Clube, durante o período de suspensão, prestar declarações, desde que observados os limites definidos" no Regulamento de Disciplina da Liga.
Recorde-se que o nº. 2 do Artigo 4.º reza que "é proibido exprimir publicamente juízos ou afirmações lesivos da reputação de pessoas singulares ou colectivas ou dos órgão intervenientes nas competições" da Liga. Sobre isto, o F. C. Porto ironiza, afirmando que "um dirigente inibido no seu exercício de funções só não pode tecer afirmações injuriosas sobre ninguém, norma que, de resto, se aplica a todos os dirigentes desportivos, estejam eles suspensos ou não". Recorde-se que Pinto da Costa foi punido com dois anos de suspensão, a 9 de Maio de 2008, logo vai fazer para a semana 11 meses, na sequência do chamado processo "Apito Final", a que se somou, indevidamente, sabe-se agora, mais os referidos quatro meses.
Se, neste caso, os dragões registaram uma vitória, já nos recursos contra a decisão da CD da Liga de não fazer a revisão do processo, tal não sucedeu. Os portistas fundamentavam essa reclamação no facto de existir um acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) a considerar inválidas as escutas telefónicas em sede de processo disciplinar.
Desta feita, o CJ considerou o recurso improcedente, alinhando pelas posições da equipa de Ricardo Costa e refutando, também, a "inconstitucionalidade e/ou ilegalidade" das escutas.
Também o Boavista viu ser negado pelo mesmo órgão o seu recurso, baseado no aludido acórdão do STA.
Nota do RoP
As bestas da justiça virtual (Liga e FPF), vergadas por imposição da LEI, lá têm, outra vez, de encolher as garras da sua inveja e cobardia. Só ainda não percebi, é como Sua Exa., o Sr. Procurador da República, ainda não viu onde está a verdadeira corrupção, onde está o real banditismo do futebol português. Deve andar mesmo, muito, muito distraído...
01 abril, 2009
O Lago
Orgulho luso
Segundo um relatório da Comissão Europeia, Portugal foi considerado o país com os governantes mais sérios e competententes da União Europeia dos últimos 10 anos!
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