26 março, 2008

O SENHOR PROCURADOR

Suponho não cometer uma heresia, se disser que neste momento, em que o centralismo aperta o cerco a Pinto da Costa, e que já teve como 1º. efeito uma acusação com a sua ida a julgamento, nenhum portuense-portista (nem todos se podem orgulhar deste feliz binómio), gostaria de ver o melhor dirigente de todos os tempos do futebol português, ser condenado, nem que fosse por uma multa de trânsito, quanto mais pela suspeita de corrupção de que pretendem acusá-lo.

O facto de ser um portista fervoroso, não me fará desviar dos princípios éticos que ferozmente defendo para qualquer outra área da vida pública e privada. Considerando as respectivas responsabilidades, da mesma forma que condeno o compadrio político e as grandes negociatas protagonizadas por grandes figuras públicas e do empresariado (e que nunca são apuradas até ao fim), não deixarei de censurar qualquer acção que venha a ser provada contra Pinto da Costa, por mais simples que ela seja. Mas desiluda-se, quem pensar que isso fará inverter a minha opinião em relação àqueles que passaram a vida a diabolizar Pinto da Costa, porque tenho a certeza que estarão sempre a anos-luz da dimensão do líder portista, em todos os aspectos.

Contudo, este autêntico folhetim criado em redor da figura de Pinto da Costa, que já serviu de inspiração a "escritoras" de geração espontânea e a "cineastas" falhados, é tudo, menos inocente.
Foi nitidamente orquestrado num processo conspirativo com óbvia e pública visibilidade, cuja motivação não foi mais do que o sucesso desportivo alcançado nos últimos 20 anos pelo Futebol Clube do Porto desde que Pinto da Costa é o seu dirigente, com a consequente subalternização a nível nacional e internacional, dos clubes de Lisboa. Isto, é um facto.

Portanto, na óptica centralista, não fazia muito sentido que, depois de espoliarem o Porto de tudo o quanto podia conferir-lhe algum protagonismo e poder - sedes de bancos, de jornais, ausência de canais abertos de televisão autónomos e esvaziamento da representatividade política - que a razia ficasse pela metade permitindo que o futebol, área onde o mediatismo é tão popular fosse a única excepção. Por isso, para compor o ramalhete, inventou-se o Processo Apito Dourado.

Mesmo admitindo que Pinto da Costa venha a ser absolvido, já muito mal entretanto terá sido feito, e se há entidade que ficará para sempre manchada em todo este triste processo, essa entidade chama-se poder judicial. Poder judicial esse, que se deixou envolver de forma imatura num embuste perpetrado grosseiramente e de fácil identificação.

Ontem mesmo, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, considerava a actuação do Procurador Geral em relação ao caso "Carolina Michaelis" despropositada face à dimensão do problema, por ter mandado instaurar-lhe um inquérito, antes mesmo que alguém apresentasse a respectiva queixa. Aconselhou também o senhor Procurador a empenhar-se na resolução da grande corrupção e a apresentar resultados...

Estranha-se portanto, que a mais leve centelha de ruído proveniente do Porto seja motivo bastante para o senhor Procurador se desdobrar em investigações e já não se sinta motivado a fazê-lo depois de Portugal inteiro ter ouvido o Presidente do Benfica a negociar ao telefone a escolha de um árbitro com Valentim Loureiro. Mais. Se a força dos boatos é tida em conta para desencadear a reabertura de processos, ainda se compreende menos que o senhor Procurador faça orelhas moucas do que consta à boca pequena sobre a proveniência do dinheiro que serviu para tornar subitamente rico o Presidente do Benfica.

Há quem diga que foi na droga, senhor Procurador. Será suficiente para mandar abrir-lhe um processo, senhor Procurador?


PS-Pacheco Pereira, o moralista-mor, quando se trata de casos obscuros que envolvam clubes lisboetas tem muito pudor em falar deles. Por que será?

25 março, 2008

VAMPIROS À SOLTA

São 20H10 m. As televisões e demais orgãos de comunicação social ao serviço dos vampiros sulistas, separatistas e terroristas de Lisboa, estão completamente extasiados com a boa-nova da ida de Pinto da Costa a julgamento.

Os telejornais rejubilam na esperança que se faça finalmente injustiça! É vê-los, todos estéricos, iludidos que com esta cabala vão conseguir abalar o Futebol Clube do Porto.

Só falta mesmo é vermos-lhes o sangue nos dentes. Para eles, Pinto da Costa já está condenado.

Um único "mérito" reconheço a esta repugnante infâmia:

O DE TORNAR IRREVERSÍVEL, A MINHA REPULSA POR ESTA CANALHADA !

Padroeira da Justiça ou Revolucionária?



Será impressão minha, ou a Procuradoria Geral da República está completamente tomada pela portofobia?
Os jornais, dizem-nos que a criminalidade em Lisboa não está melhor que a do Porto. Todos os dias temos provas dessa evidência. Contudo, talvez pela força espiritual da nova Padroeira da Justiça (que já não é Santa Joana), o senhor procurador parece fazer questão de se revelar particularmente preocupado com as asneirolas que por cá se fazem. Será só impressão minha?
Agora, o Ministério Público quer apurar responsabilidades do caso "Carolina Michaeles", mas ainda não é público que este caso venha a merecer as honras do costume. Ansiamos pois, por conhecer qual será a nova "equipa especial" que irá ser criada para proceder às respectivas investigações.
Que será de Lisboa já sabemos, estranharemos é se não fôr. Os nomes dos investigadores é que ainda não conhecemos. Já agora, também daria jeito sabermos se vão baptizar o caso com um bonito nome, do género "Apito Dourado"ou "Noites Brancas", como gentilmente costumam brindar este tipo de ocorrências na nossa cidade...
Estes requintes decorativos com pinceladas de suspense quase hitchcockianos, só podem dever-se ao estilo sui generis da Procuradoria Geral exprimir a elevada consideração e respeito pelo povo do Porto. De outro modo, que outra coisa poderíamos nós pensar?
Apesar da boa intenção, não posso deixar de fazer um reparo. O estilo, lembra-me aquelas pessoas muito desleixadas que só se lembram da higiene quando alguém lhes diz que há muito lixo à sua volta.
Quando assim acontece, o mais provável, é que acabem, sorrateiramente, por colocá-lo debaixo do tapete.

Explicações devidas

Há riscos que vale a pena correr, mesmo que possamos dar uma imagem pouco simpática de nós próprios. Sem a mínima presunção, considero poder incluir-me nesse escasso número dos não alinhados com os preconceitos desta alegre democracia. Passo a explicar-me.

Não me incomodo mesmo nada se vierem um dia acusar-me de ser anti-democrata pelo facto de submeter a uma análise prévia os textos dos comentadores dos posts aqui publicados. Esta, é uma regra que não me perturba se outros também a aplicarem a mim.

Nas definições deste blogue, dispus de duas opções para os comentários recepcionados: mostrar ou ocultar. A opção que aqui seleccionei ficou obviamente definida em "mostrar comentários de qualquer pessoa". Além desta opção, ainda dispunha destas três: "para utilizadores registados no blogue", "utilizadores com conta google" e "só membros do blogue". Por fim, optei por activar a moderação de comentários antes de serem publicados, por uma razão muito simples: a de evitar a eventual degradação do blogue. Prefiro assim, mesmo que isso possa custar uma menor participação ou visibilidade ao blogue.

Se alguém quiser perceber quais seriam as consequências se tivesse optado pela não moderação de comentários, basta apenas dar um saltinho ao "Bússola", clicar nos comentários e pronto, é só ler a excelência de troca de mimos que por lá se produzem... Provoca, estimula a participação através de picardias pertinentes, mas o resultado é o insulto torpe e o ódio. Isso, aqui no Renovar o Porto, dispenso, porque já temos de sobra.

Aqui está um bom exemplo de como não precisamos de exceder os limites da inconveniência, de enveredar pelo ultraje, para nos sentirmos livres. Se há coisa que aprecio e não o escondo é a sátira o humor corrosivo, mas - como diz o povo -o que é demais é moléstia.

Mesmo assim, só uma única vez não publiquei um comentário pelas razões acima apontadas.

É assim mesmo que vejo a democracia, com moderação.

PINTO DA COSTA, NA RADIO CLUBE PORTUGUÊS

Hoje, no dia em que os telejornais da centralidade lisboeta abriram euforicamente com a notícia da ida a julgamento de Pinto da Costa, este dará uma entrevista a Carlos Magno pelas 16H00 (não sei se em directo) na RCP, na frequência 90.0.

Pela amostra, parece até que já foi condenado!

Enfim, a palhaçada a que já estamos habituados...

24 março, 2008

Incongruências

Um habitual cronista de um diário lisboeta, escrevia há tempos que há uma certa Lisboa que se julga social e culturalmente superior ao resto do país. Acho natural que assim pensem. Trata-se de uma atitude comum aos habitantes das cidades que são simultaneamente capital do país e o seu maior centro económico e financeiro. Assim a questão não é inédita e o problema não reside aí. O problema está em que tudo leva a crer que a esmagadora maioria daqueles que não habitam na capital, agem como se se considerassem, para todos os efeitos práticos, social e culturalmente inferiores aos habitantes da capital.

Como nortenho e portuense assumido, causa-me mágoa e confusão o plano inclinado em que a cidade e a região escorregam, naquilo que parece ser um trambulhão até se bater num fundo muito fundo.

Uma região populosa de gente industriosa e trabalhadora que durante décadas e décadas "deu cartas" e foi motor de progresso e inovação do país, uma área metropolitana que congrega quase dois milhões de habitantes, uma Universidade - Porto - que é a mais frequentada do país, duas outras - Braga e Aveiro - que monstram uma dinâmica imparável, uma Associação Industrial com evidente capacidade realizadora, uma Associação Comercial dinâmica e participativa, algumas empresas liders a nível nacional e até internacional. Com tudo isto, estamos como estamos, e somos a região mais pobre da Europa. Porque?

Olhando para esta incongruência, um cidadão médio proveniente de outro país, abanará a cabeça com incredulidade e, se for medianamente cínico, apenas dirá que "os povos têm o governo que merecem". Acrescentará que forçosamente os nortenhos se sentem felizes com a actual situação, pois caso contrário já teriam tomado atitudes e iniciativas tendentes a fazer valer as suas prerrogativas de cidadãos de pleno direito. Alvitrará talvez que possivelmente não esteja actualmente na maneira de ser deles, lutar pelos seus ideais, que se tornaram subservientes, que provavelmente preferem o refúgio fácil nos queixumes inconsequentes ou que terão, como verdade adquirida, a convicção que o bem estar e o progresso de uma comunidade caem do céu por graça divina, como a chuva.

Este hipotético e cínico estrangeiro provavelmente remataria as suas reflexões dizendo que o mal dos portugueses do Norte é terem o espirito dos vencidos que não ousam ousar.

Posto isto, iria deliciar-se com as belezas naturais, artísticas e gastronómicas que nós no Norte temos em grande quantidade para oferecer a quem nos visita. Aposto que ficaria com desejos de voltar a tão bela região.

O QUE A MACROCEFALIA ESTÁ A PROVOCAR

O centralismo exacerbado está a provocar um cada vez maior distanciamento das pessoas do Norte relativamente a Lisboa.

Muitos de nós alhearam-se da selecção nacional.

Movemos montanhas para ir ver um jogo do Porto, mas não alteramos a hora de jantar para ver um jogo da selecção.

Temos famílias divididas por causa do centralismo.

Nunca senti vontade de ir a Lisboa mostrar aos meus filhos aquilo que os meus Pais me mostraram.

Quando me interpelam no estrangeiro de onde sou, respondo – SOU DO PORTO. Podendo completar que é uma cidade situada no Noroeste da Península Ibérica.

Não digo que não sou português, mas o que espontaneamente respondo é que sou do Porto.

Já ouvi conversas de café onde nortenhos indignados dizem que preferiam ter a capital em Madrid, pois assim seriam muito menos dependentes de Madrid do que são hoje de Lisboa.

Ironia da história: toda a região do berço da Nação Portuguesa, refiro-me à zona Norte, é hoje mais dependente de Lisboa do que todas as outras regiões que ficaram sob a alçada de Leão e Castela!

Lisboa, que é uma cidade muito bonita, é cada vez menos destino preferencial das pessoas do Norte.

Quando nos sobra algum tempo e dinheiro, preferimos, cada vez mais, ir de carro até à Galiza. Onde nos sentimos em casa. A fronteira natural do Rio Minho não é suficiente para nos afastar, se calhar une-nos. Seguramente que a fronteira politica também não conseguiu afastar-nos…

Ou então, se houver mais disponibilidade de tempo e de dinheiro, e apesar de todos os boicotes ao aeroporto Sá Carneiro, metemo-nos num avião e vamos a uma cidade europeia por muito menos dinheiro do que o que custa ir a Lisboa de avião.

Nós estamos a acordar, será que eles vão acordar a tempo?
Manuel Cerqueira Gomes

Tolerância ou permissividade?

Podemos dar as voltas que quisermos, mas a bandalheira de que sofre a nossa sociedade tem o seu epicentro na forma como nos foi incutida a essência da democracia. Não é só por cá, já sabemos, mas particularmente em Portugal, o regime democrático tem falhado em quase todas as frentes e, é talvez, por termos apreendido erradamente a sua essência que todas as outras derivantes fracassaram.

Apesar de me ter cansado de ver o Dr. Mário Soares a associar, por tudo e por nada, a democracia à tolerância, nunca me deixei embalar muito por esse canto de sereia. As liberdades que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, com todos os excessos que se lhes seguiram, foram reacções perfeitamente compreensíveis num país cujo regime musculado e repressivo, manteve durante quase meio século, o povo amordaçado , mas o discurso avulso e repetitivo da tolerância sobre outros valores não menos nobres, acabou por redundar na irresponsabilidade que hoje vemos em quase todas as áreas. O respeito pelo cumprimento das regras é só um deles, mas talvez constitua a verdadeira essência da liberdade e da democracia.

Como dizia um dia destes o Director do JN, José Leite Pereira em editorial, a democracia não soube aproveitar o que de positivo existiu no regime anterior e à força da necessidade de mudança, acabou por se mudar aquilo que não era necessário. O pertinente discurso da tolerância não foi devidamente acompanhado pelo discurso da manutenção do respeito e pelas boas maneiras, e esse erro, esvaziou completamente o verdadeiro sentido da tolerância.

De facto, como disse José Leite Pereira, que mal vinha ao mundo por os alunos levantarem o rabinho do banco sempre que o professor entrava na sala de aulas? E que violação poderia ser feita à democracia com o dever dos alunos se manterem em silêncio enquanto o professor falava?
O que terá então sucedido para que estes princípios fossem alterados de modo tão radical?

A memória às vezes, é curta. Ainda há dias escrevi aqui mesmo que, ouve muita coisa mal interpretada no pós 25 de Abril, porventura por nunca ter sido devidamente explicada à população. Falei no mito do "bufo" que se instalou no subconsciente de muitos portugueses que os levou a abdicar de um direito cívico importantíssimo, que é o direito de denunciar o que está mal. E o que está ou se faz mal, poderá ter vários graus de gravidade, mas nunca o devíamos ter como cumplíce, senão seremos implicitamente parte desse mal.

Nas escolas, os alunos bem comportados, por medo, omitem as grossas asneiras dos colegas, os professores, talvez por não se sentirem apoiados, silenciam comportamentos menos éticos de alguns dos seus colegas e por aí fora.

Este mal está enraízado até na própria Justiça. Quando ouço falar dos males de que também vem padecendo a Justiça e depois vejo os senhores juízes argumentarem com o "obrigatório" dever de reserva dos orgãos da magistratura e fazerem apelos à dignidade da função, fico sem saber bem como querem então mudar a situação, quando é a própria dignidade do cargo que mais está em causa na confusão em que se encontra. Ficamos sempre com a ideia de que as pessoas querem a mundança mas sem se envolverem muito, sem assumirem riscos e rupturas. Assim, não se pode dizer que estejam a dar uma grande ajuda a quem tem de governar.

É apenas aqui, e só neste ponto concreto, que concordo com os que, por vezes, de modo abusivo, defendem que se o país está mal, "a culpa é de todos nós". Calma aí, porque é perigoso deixarmo-nos levar nesta corrente generalista de atribuir e misturar responsabilidades. Não entro nessa, mas também não aprovo aqueles que não ousam dar a cara e denunciar o que está mal.

Lembro-me de um dia ter ouvido Mário Soares dizer uma daquelas suas bonitas frases, que calam bem fundo mas que sentimos utópicas: "a tolerância não tem limites!". O que me ocorreu pensar naquele momento, foi questionar-me se o reputado político (um dos felizardos que tem boa imprensa) não estaria com aquelas lindas palavras a fazer de modo inconsciente a apologia da permissividade.

Hoje, começo a pensar que cá tinha as minhas razões...

20 março, 2008

A hipocrisia "democrática"

Esqueçamos por momentos o Porto porque o que se passa noTibete justifica-o.

Deixemo-nos de brincar com coisas sérias e falemos curto e duro.

Já repararam que aqueles senhores lá de fora (os americanos) e os da paróquia nacional, aqueles mesmos que costumam andar a reboque do que diz o imbecil do George Bush e se pavoneiam pensando que se promovem em tão má companhia, não estão minimamente incomodados com o que os chineses estão a fazer áquele pacífico e espiritual povo tibetano?

Estão a ver quais são realmente os "princípios" democráticos defendidos pelos amigos do Bush?

Petróleo! Os tibetanos não têm petróleo - a real democracia - por isso, ninguém quer saber deles para nada. A China pode fazer o que quiser com eles, os defensores das liberdades passam agora a ter um interessante pretexto para debaterem o assunto no conforto do sofá de um qualquer estúdio de televisão.


Abaixo a China! Viva o TIBETE LIVRE!


As perguntas que nunca se fazem antes das eleições

Antevendo a prosápia habitual dos Presidentes de República em vésperas de eleições, parece que já estou a ouvir Cavaco Silva a pregar: "portugueses, não deixeis de cumprir o vosso dever de cidadania e ide votar!"

Se lhe pudesse responder, far-lhe-ia esta singela pergunta:

  • Sr. Presidente, posso votar à condição?

Não quer, mas se o Sr.Presidente quisesse saber qual era a minha condição, dir-lhe-ia:

  • Eu só voto, Sr. Presidente, à condição do meu voto servir para meter na cadeia certos políticos em quem um dia confiei e me traíram!

Estarão apaixonados?



O que me vale, é não ser muito propenso a vómitos, de outra forma transformava o estômago numa autêntica máquina de produzir úlceras. Para que isso possa acontecer, nada melhor do que ouvir certas frases, proferidas por alguns políticos, sobretudo quando ganham estatuto mediático ou, como se diz agora, têm boa imprensa e depois se babam com o eco da própria voz.

Foi o caso de António Vitorino, que, num assômo de elevado fair-play democrático, teceu esta semana, os mais altos elogios ao seu adversário político, Rui Rio. A frase que melhor arranjou para o justificar foi esta: "mostrou ao país que o futebol não é tudo".

Pois é claro que não é. Que o diga a legião de desempregados que o govêrno do seu partido vem multiplicando no Porto para perceber que a redundância da descoberta dispensaria fazer de todos nós alienados do futebol.

Se Rui Rio fosse Presidente da Câmara de Lisboa e tivesse a insolência de fazer com os lisboetas o que fez aos portuenses e tivesse feito do Benfica o principal cavalo de batalha para se guindar aos poderes centralistas, duvido que António Vitorino fosse tão altruísta nos pirôpos. Assim, os elogios cheiram mais a presente envenenado e a populismo centralista do que a qualquer outra coisa, incluindo a uma simples e sincera opinião.

António Vitorino não é do Porto, nem sequer consta que cá venha muitas vezes, por isso, é perfeitamente leviano e gratuito o elogio a Rui Rio. Se apontasse uma a uma, as benfeitorias que Rui Rio introduziu nesta cidade e que tenham sido de sua única iniciativa em vez de atrofiar o louvor que lhe fez com o já tão diabolizado mundo do futebol, talvez percebessemos um pouco melhor onde queria chegar.

Assim, lembrei-me de vomitar, mas a vontade não chegou...Os tiques centralistas pegam-se de tal forma que até já dá para namorar adversários políticos. Neste ponto, há que reconhecê-lo, o Govêrno tem tido um óptimo aliado em Rui Rio e vice-versa. Não podemos esquecer-nos que foi Rui Rio quem disse (quando de pára-quedas caído, chegou ao Porto), que não era por berrar contra Lisboa que o Porto se afirmava, e se bem o disse, melhor o fez. Rui Rio calou-se e o Porto infirmou-se. Mais. Por isso António Vitorino o elogia. É uma forma subtil de lhe agradecer os serviços prestados à causa centralista. Assim sim, já se percebe.

Rui Rio, podia até nem gostar de futebol, mas gostar de arte. Podia não gostar de arte e ter uma visão menos economicista do teatro (do tipo laferiano-alfacinha), podia não gostar de cimento e adorar jardins, podia não gostar da criminalidade mas entender-se com a Polícia.

Rui Rio só gosta de 4 coisas (e está a progredir): das corridas de carros antigos, dos aviões da Red-Bull, de conflituar com o Porto e da sua própria honestidade. O problema aqui, é que se tem esquecido de nos mostrar o Certificado de Garantia de Não Promiscuidade entre a Câmara e o seus desportos favoritos (não é o futebol, claro...), como é o caso das corridas atrás referenciadas.

Além de tudo isso, esqueceu-se também de nos informar do que é que ele pensa sobre a sua vaidosa honestidade. Se acha que as suas "ramificações" lhe garantem outras valias como: competência, capacidade de gerir conflitos, poder de iniciativa e ambição regional.

É que, ser-se honesto não chega, essa é apenas a sua obrigação. Se outros, antes dele, porventura o não foram, é grave, mas não pode é viver eternamente dos juros de uma seriedade ainda por comprovar (só no fim do mandato), como se fosse a única coisa que tem para dar aos portuenses, porque isso é muito pouco.

19 março, 2008

Assino e recomendo

AQUILO QUE EU GOSTARIA QUE ACONTECESSE

Que enchêssemos a Avenida dos Aliados sempre que tivéssemos que reclamar contra uma injustiça do governo central.

Não tivéssemos de aturar os tiques de grandes senhores, dos Senhores Ministros, que de forma sobranceira nos vêm dar esmolas. Ora, com correctivos arrogantes, dizendo que gastámos muito no Metro (já esqueceram as derrapagens da Expo e agora do Metro de Lisboa) quando estão a meio da legislatura, ora com patéticas inaugurações e promessas quando perto das eleições

Pudéssemos ser nós, no Norte, a decidir, por vezes juntamente com Bruxelas:
· Da oportunidade da construção de mais uma linha de metro;
· Da passagem do TGV pelo aeroporto Sá Carneiro;
· Do estabelecimento de condições aeroportuárias diferentes para um low cost;
· Da apresentação pelas forças políticas da nossa região, juntamente com empresários do Norte, da candidatura a um grande evento internacional;

Como eu gostaria de sair de casa ao fim-de-semana e comprar o semanário da minha região, dispensando a compra dos que falam da politiquice dos corredores de Lisboa.

Como eu gostaria de estar às 7h da manhã a tomar o pequeno almoço com os meus filhos, antes de os levar à escola, e não ter de gramar nas televisões, ditas nacionais, a leitura das primeiras páginas dos jornais desportivos que, invariavelmente, trazem em letras garrafais que o treinador do Benfica está com uma unha encravada, que o jogador tal do Sporting tem joanetes e, agora só em rodapé e em letras minúsculas, que o Porto é cada vez mais primeiro, ou que o Porto teve mais uma grande vitória europeia.

Como eu gostaria de ver todas as manhãs os portuenses com o Comércio do Porto e/ou com o Primeiro de Janeiro debaixo do braço.

Como gostaria de ver todos os passageiros dos voos da companhias nacionais pedirem o livro de reclamações de cada vez que nos desviassem um avião do Porto para Lisboa. Ou quando nos vendessem um Porto/Milão Milão/Porto, este com uma escala técnica em Lisboa. Só que a escala técnica transforma-se, invariavelmente, no fim da viagem, obrigando todos os passageiros do Porto a saírem do avião, tirarem os pertences, atravessarem o aeroporto e entrarem num voo Lisboa/Porto. Para mais tudo isto entre as meia-noite e a uma da manhã.

Como eu gostaria que os nortenhos batessem o pé e exigissem que os seus problemas fossem decididos no norte e não nos corredores do governo central ou à mesa dos restaurantes da capital.

Como eu gostaria que os nortenhos continuassem a ter orgulho na sua pronúncia do português. Emocionando-se de cada vez que os seus filhos trouxessem da rua alguns “bês” que os pais já não foram capazes de lhes transmitir. Porventura não os incitando a tal, mas, seguramente não os perseguindo com constantes correcções.

Como eu gostaria de não ter razões para não ter vontade de visitar a bonita cidade de Lisboa.
Manuel Cerqueira Gomes
Exército de Salvação Nacional
Batalhão Bússola
Pelotão de Co Produção
Manuel Serrão

NOTA: Qual será o tripeiro, daqueles que gostam do que é seu, que fazem do Porto a sua casa maior, que não assine de cruz o que está aqui escrito?

14 março, 2008

A ratoeira do "Bufo"

A sociedade portuguesa não consegue sair do espartilho de subdesenvolvimento que a sufoca desde há longos anos, por duas razões essenciais: a corrupção e a incompetência consentidas. Mais adiante, explicarei melhor porque digo "consentidas".

A corrupção tem duas escalas, a grande e a pequena corrupção, sendo que a primeira gera e icrementa a segunda. Enquanto a grande corrupção é praticada ao mais alto nível do poder, tanto político como económico e manipula enormes quantidades de dinheiro e o próprio património nacional, a pequena corrupção não faz mais do que "seguir o exemplo" da grande, numa categoria de valores e influências mais baixa, mas não menos perniciosa.

Expressões como estas: "vê lá se falas ao Manel", "o meu filho está desempregado, vê se consegues arranjar um lugarzinho para ele na tua empresa", "fala lá com o médico teu amigo, para internar a minha mãe no hospital", foram e ainda são , o dia a dia da vida em Portugal e ninguém, por mais íntegro que seja, pôde - pelo menos uma vez na vida - dar-se ao luxo moral de lhe escapar.

Em Portugal ( não apenas), é esta a rotina "normal" da vida. É assim, que a lei do desenrascanço dita as regras do jôgo com que se progride ou não, na vida. É talvez por isso que os mais honestos são quase sempre os mais prejudicados e quando esta "norma" se quebra, os psicologicamente mais débeis, optam muitas vezes pela fuga para a frente, enveredando pela criminalidade mais violenta. É enfim, o tudo ou nada a que agora estamos a assistir em Portugal.

Aliada à corrupção, está sempre a tal outra razão, a incompetência, que emperra o bom funcionamento das instituições públicas e particulares, blindando por consequência qualquer iniciativa para a combater.

Além desta irmandadade tácita entre corrupção e incompetência, existe um outro factor não menos influente que contribui para a sua manutenção na sociedade e a intensifica, que é o trocadilho usado por gente responsável (incluindo pela classe política) na aplicação de certas palavras. Uma delas, talvez a mais deturpada desde o 25 de Abril para cá, é a palavra denunciar.

O período pós-revolucionário viveu estigmatizado por sinais e expressões que serviam para nos demarcarmos dos outros, dos capitalistas, dos comunistas, dos latifundiários, dos ditadores, dos fachistas, etc. Entre elas, houve uma que quando proferida era imediatamente conotada com o antigo regime ou com a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), chamava-se: bufo. Tinha uma relação directa com a traição aos valores da democracia e com o colaboracionismo com o regime anterior.

Foi a partir daqui que se estabeleceu a confusão na mente das pessoas, que se abriram as portas ao laxismo e às cumplicidades do silêncio ferindo de morte o são desenvolvimento da democracia.
Nas fábricas, nas repartições do Estado, nas empresas, nas escolas, os colaboradores (e chefes) aplicados e competentes preferiam omitir a negligência e abstenção ao trabalho de alguns dos seus colegas, do que correr o risco de serem apelidados de "bufos". Como não prevaleceu o bom senso, imperou a lei da rôlha travestida de solidariedade.

A corrupção e incompetência consentidas tiveram no pretenso"bufo" um aliado invisível mas poderoso.

O que se está a passar no Ensino é um pouco isso, e para nosso azar os melhores ministros, aqueles que querem de facto reformá-lo têm tido dificuldades de percurso e de fazer passar a mensagem. É no que dá a mistura da competência com a mediocridade e a total falta de coordenação entre ambas.

Como em todas as áreas de actividade, há bons e maus professores, muitos dos quais não têm o menor perfil para o cargo, mas o medo de denunciarem os maus profissionais por eventuais complexos delatores, leva-os a acompanhar a corrente fazendo com que se confunda o todo com a parte. Só teme as avaliações quem "deve", quem não tem confiança no trabalho que produz.

A permissividade é inimiga da optmização do trabalho em todas as áreas. Denunciar a insuficência profissional e o incumprimento do dever é um acto de civismo tão nobre como denunciar um crime, desde que - evidentemente - acompanhado de provas irrefutáveis.

Denunciar não é igual a bufar, a diferença é quase antónima, embora os dicionários não o atestem. Em suma: é a isto que chamo corrupção e incompetência consentidas, porque alguém as encobre em antigos pactos de silêncio e teme a denúncia do que está mal.

Simplificando: denunciar os maus exemplos, está para a sociedade como o duche matinal para o nosso corpo.

13 março, 2008

O Benficaracol e a varinha 1-2-3 das tvs...

O um, da RTP é o chamado 2 em 1,porque como se sabe tem dois canais. O dois, é o 3 da SIC, e o três corresponde ao 4, da TVI. Este é o número mágico das televisões centralistas: 1 2 3.

Mágico, porque pratica à dezenas de anos a mais descarada arbitrariedade a nível de informação desportiva nas barbas das autoridades do país que nada fazem para pôr na ordem os respectivos responsáveis.

A Procuradoria Geral da República parece considerar estes procedimentos normais, transparentes e sérios.

Hoje, por exemplo, a RTP 1, um dos canais do Estado - também pago com os impostos dos portuenses - voltou a fazer prova do seu exemplar sentido de serviço público abrindo o jornal da tarde com a afilhada de estimação, a Excelentíssima, Digníssima, Ilustríssima, Insuspeitíssima, Credibilíssima Santa, Carorila Salgado. E por quê? Mas porque haveria de ser? Porque quanto mais gente houver (seja lá quem for) a acusar ou insinuar qualquer coisa, mesmo que ridícula, de Pinto da Costa, melhor é para as "audiências" e para o ego vampiresco do centralismo.

Ora, só por esta pouca vergonha levada a cabo por uma estação de TV do Estado que tem o dever de ser escrupulosamente imparcial e obrigatoriamente sóbria, os portuenses deviam recusar-se a pagar a percentagem correspondente dos impostos que contribuem para o seu sustento. Nem os canais privados centralistas conseguem fazer pior!

Se mais exemplos fossem necessários para confirmar aquilo que penso sobre o poder político, este basta para nos fornecer uma prova grave da sua total ausência de sentido de Estado. É ao poder político que cumpre controlar o que é público.

A PGR, consome grande parte do tempo com toda esta brincadeira de catraios que circunda o processo Apito Dourado, e permite que outros bem mais graves como o Casa Pia e o vergonhoso escândalo do BCP, se arrastem e morram no tempo.

As entidades reguladoras não regulam grande coisa, pois se regulassem não davam como dado adquirido certos conceitos dogmáticos que defendem direitos comerciais altamente arbitrários, como aquele que serve para justificar as prioridades dos noticários desportivos dadas ao Benfica.

O argumento falaccioso de ser "o clube português com mais adeptos" é de per si, uma verdadeira negação dos princípios democráticos, como reza o direito à alternância do poder (no caso desportivo, o dever de dar prioridade informativa ao vencedor). E não falo assim por ser do FCP, o clube lesado, falo em relação a qualquer clube que ganhe um campeonato por mais modesto que ele seja, precisamente porque é através das vitórias e da consequente maior visibilidade que poderá crescer e tornar-se grande.

No entanto, qual é o democrata deste país que se preocupa com isto? Admite-se, que em nome das audiências aparentemente vitalícias, mas perdedoras, se desprezem outras não menos importantes de adeptos de outros clubes que ainda por cima são vencedores? Mas onde é que estará a seriedade desta gentinha tão ciosa noutras situações a botar discurso sobre transparências e demais valores?

É um autêntico enjôo, para uma parte significativa dos portugueses ter de ouvir e ler a toda a hora e à viva força os problemas existenciais de um clube desta natureza. Ora, porque é grande, ora, porque ganhou, ora, porque perdeu, ora, porque devia ganhar. Uffa! Mas que praga!

Em vez de nos impingirem estas pragas psicóticas, porque não soltam a desgraçada da águia e a substituem por um caracol que, ainda por cima é hermafrodita? Se, como parece, gostam de se "copular" a si próprios, o caracol é o símbolo perfeito...
PS-Haverá quem ainda não tenha percebido por que é que de vez em quando aparecem em cena alguns pardais bem falantes a "aconselhar-nos" a não misturar a polítca com o futebol?

Nem tudo é mau...

"Nem tudo é mau", dizem os optimistas do regime. E ainda bem, digo eu. O problema é que as boas notícias que temos são casos pontuais protagonizados quase sempre pela sociedade civil e quase exclusivamente pelo empenho pessoal dos cidadãos.

Mas não chega, para ter repercussões significativas no bem estar dos portugueses. O que seria então se os nossos governantes também se empenhassem para nos dar melhores condições. Andam quase à 34 anos a prometer que fazem, mas nada!

Não há dúvidas: a nossa classe política é uma lástima. Por mim, estes politiqueiros que por aí espalham a sua vaidade despropositada estavam todos no desemprego.

Mas, é para felicitar uma excepção como a do professor Nuno Crato cujo trabalho mereceu um prémio (2º.) da Comissão Europeia na área da Investigação Científica a razão principal deste post.

12 março, 2008

O Mercado do Bolhão

Tendo acompanhado com interesse e alguma reserva toda a polémica em torno da remodelação do mercado do Bolhão concluí aquilo que sempre pensei sobre a capacidade de Rui Rio para gerir os interesses da cidade do Porto, que é manisfestamente negativa.

Independentemente da valia dos projectos apresentados a concurso, Rui Rio não foi capaz de dar deles o devido conhecimento público, ou sequer promover uma comissão mista de experts constituída por elementos das partes interessadas na busca de uma solução tão consensual quanto possível.

Como não o soube fazer oportunamente, o que se assiste agora, é uma espécie de lavar de roupa suja, entre promotores imobiliários, arquitectos, comerciantes, vendedoras do mercado e público em geral, onde alguém terá razão mas ninguém parece querer entender-se. É para situações como esta, geradoras de conflitos em que o interesse público deve nortear as prioridades que a mediação da autarquia se impõe, e mais uma vez não está a saber fazê-lo.

O oportunismo dos promotores imobilários, que a coberto da rentabilização do projecto, vem beneficiando de créditos como sendo o sector mais importante das negociações, não pode prevalecer sobre os interesses da cidade e principalmente de quem trabalhou toda uma vida no mercado do Bolhão.

Salvo honrosas excepções, os projectos previamente anunciados como mais valias para a cidade têem-se revelado inferiores às expectativas criadas. O paradigma mais recente é o complexo comercial Porto Plaza, de cuja integração arquitectónica na Baixa não nos podemos queixar, mas com um comércio pouco condizente com o local e a grandeza da infra-estrutura, o que contraria um pouco o entusiasmo inicial à volta do projecto e até da sua própria precisão. Mesmo ao lado, está o Catarina Shopping.

Esta corrente unanimista de erguer grandes centros comerciais e hotéis de luxo (ex.o Palácio das Cardosas) como meio para atrair pessoas à Baixa parece-me errada. As cidades não podem ser construídas para atrair turistas sem gente lá dentro. São as pessoas que lhe dão vida.

Na minha opinião, a prioridade das prioridades devia ser dada totalmente à reabilitação urbana residencial. O casario reabilitado que a conta-gotas se consegue ver é insuficiente para aliciar a procura. As pessoas por norma não gostam de viver em "palácios" rodeadas de lixo e prédios em ruína. Os espaços reabilitados devem criar uma área envolvente relativamente grande (quarteirões) e limpa de modo a dar a ideia à população que está num ambiente novo e digno.

Quando a solução discutida do projecto RCN é dominada pela "inevitabilidade" do retorno do investimento com a imposição de edifícios de habitação, à volta e sobre o mercado do Bolhão, o resultado final só pode ser a total descaracterização do projecto original enquanto mercado.

O que será então edificado, será uma zona residencial com fachadas de mercado tradicional, mas com o mercado do Bolhão adulterado e morto.


PS-Sendo adepto da modernidade e defensor do progresso, ainda hoje estou para perceber as "supremas" razões que levaram à destruição do magníficoPalácio de Cristal para construir o Pavilhão do Desportos (hoje Rosa Mota). Com tanto terreno à volta não teria sido possível conciliar os dois edifícios? Há obras que, pela sua beleza e carga simbólica merecem ser preservadas e a memória dos seus autores também.

11 março, 2008

A fobia antiregionalista do MST

Já vão perceber porquê, mas tenho de confessar que gosto muito de animais. Não há pitbull que me assuste, o que me assusta, são alguns dos seus donos, que os treinam e usam para fins pouco nobres, como por exemplo, para disfarçar a sua própria cobardia.
O problema, é que, apesar de gostar de animais vivos, ainda não atingi um patamar de elevação cívica capaz de me privar do sabor de alguns deles mortos e assados no meu prato, como o incomparável leitão da Bairrada do "Rocha", no Luso (passe a publicidade). É uma questão de tempo, quando chegar aos 80, é possível que só lá vá para comer a salada mista ou a sobremesa...
Contudo, já fiz alguns progressos, que não são de agora ou sequer foram penosos de alcançar. Sempre gostei de animais e, excluindo os meus pecaminosos hábitos alimentares (os meus pais não eram vegetarianos...), detesto ver alguém divertir-se à custa do sofrimento de um animal.

Reconhecida a minha ambivalência emocional com a bicharada, ainda assim, cabe-me alguma vantagem moral em relação àqueles que em pleno século XXI e à sombra de tradicionalismos quase pré-históricos, pagam para ver touradas.

Vem isto a propósito da posição assumida há uns anos atrás por Miguel Sousa Tavares em relação à festa de touros da vila alentejana de Barrancos que, como é sabido apoiava a "tradição" local que culminava com a morte do bicho

Diga-se o que se disser, uma coisa é sabermos que um animal foi morto longe da nossa vista para o podermos comer, outra sadicamente diferente, é pagarmos para supostamente nos divertirmos e vermos uns patetas judiarem o animal até à morte. Nunca aceitarei este tipo de tradições.

Ora, o Miguel Sousa Tavares cujas opiniões costumo subscrever maioritariamente, às vezes, deixa-me um bocadinho decepcionado dada a credibilidade que justamente alcançou na opinião pública. Às vezes, acha que a liberdade de fumar é um direito muito importante e que é um crime de lesa-majestade "proibir-se" a intoxicação pulmonar dos cidadãos pelo tabaco (e eu fumei durante muitos anos).

Não sei o que pensará o Miguel da saúde do planeta aonde ainda vai podendo enegrecer os pulmões com a nicotina do cigarro, nem do boicote americano ao protocolo de Quioto, mas não acredito que leve a sério todos os que seguindo o seu exemplo, consideram um atentado à liberdade individual proibir a emissão de gases poluentes, mas, enfim...

O Miguel tem destas coisas, defende o Futebol Clube do Porto mas não compreende o povo do Porto, nem a alternativa da Regionalização. Enveredou pela tese dos medricas centralistas com o perigo da desintegração nacional como se ela já não estivesse a ser forjada com total autismo pela própria macrocefalia centralista.

Insiste na descentralização, apesar de a ver sistematicamente sonegada e recusa-se a procurar novas alternativas. Mal comparando, faz lembrar aquele treinador de futebol que durante anos não consegue vencer um único jogo nem se atreve a alterar o sistema, apenas porque se convenceu que um dia o ganhará. O "clube e os adeptos" podem esperar...
Esta não pode ser a solução. Isto não é futebol e os adeptos são pessoas que estão cansados de "esperar" por uma descentralização que nunca mais se faz. E aquilo de que o Porto precisa não é de nenhum Messias, nem do colo do Estado, mas tão só de tratamento igual.

O Porto foi tudo isso, mas numa época onde ainda não existiam (várias) estações de televisão ao serviço do Centralismo a sugar-lhe todo o tipo de recursos, incluindo os humanos. As "armas"que o Porto tinha - apesar do obscurantismo - eram mais equilibradas em relação à capital, as distâncias eram maiores, os tempos mais longos, e os eventuais boicotes mais lentos. O Porto tinha o seu próprio espaço, menos contaminado, longe da lupa castradora das tvs lisboetas de agora, e as pessoas não viam por isso muita necessidade de sair daqui. Objectivamente, por incrível que pareça, o Porto foi muito menos causticado na ditadura do que actualmente. É a minha firme convicção.

O Porto tem sido tratado como o patinho feio do país e a marca de modernidade que Sousa Tavares exemplifica como única excepção à regra da depressão actual - o Futebol Clube do Porto - prova exactamente o contrário do que diz. O Futebol Clube do Porto de Pinto da Costa tem tido sucesso porque trabalha bem, porque é irreverente e mais organizado que os adversários, mas também porque bate o pé, não se intimida, tem orgulho e afirma-se sem complexos. E será bom não esquecermos as perseguições e os boicotes de que há anos a fio tem sido alvo (e isto não é nenhuma mania, há provas) até aos dias de hoje, tão bem retratados no Processo Apito Dourado.

Todo este clima de menorização do Porto, algumas vezes próximo do desprezo, deixou sequelas, incluindo na cabeça dos próprios políticos locais, que começaram a ser menos reinvindicativos mal perceberam que podiam comprometer a sua carreira se fossem demasiado "regionalistas".

O Dr. Fernando Gomes foi o primeiro a pagar as consequências por ser portista, bairrista e "provinciano"(e demasiado ingénuo, digo eu).
O Engº. Belmiro de Azevedo perdeu a OPA da PT só por ser do Porto e Luís Filipe Menezes que não é pior do que os que lhe antecederam também já está a pagar a factura.
E que dizer das nomeações para a Direcção da PJ do Porto aqui tantas vezes abordadas? E das muitas pessoas que já se inibem de se identificar como portuenses para não correrem o risco de serem penalizados nos seus negócios quando têm de se deslocar a Lisboa? Foram só os portuenses que geraram estas súbitas transformações económicas e sociais para pior? Alguém de perfeito juízo será capaz de acreditar neste mito? De repente, perdemos todas as qualidades?

E Rui Rio? Porque terá ele entrado "a matar" quando, sem saber ler nem escrever, foi parar à Câmara do Porto? Porque sabia bem que a ovelha negra do regime centralista, o alvo a abater, era Pinto da Costa e teve engenho para aproveitar muito bem a crise camarária e para lá se instalar.

Quem pensar que estas águas são de ribeiros diferentes, engana-se. O sucesso do Futebol Clube do Porto foi o pretexto que fez expandir as práticas centralistas para os demais sectores.

O Miguel Sousa Tavares, engana-se. Só tem razão num pormenor: é que, a muitos tripeiros falta a coragem e o desassombro de Pinto da Costa. E isso sim, é que é preocupante.

10 março, 2008

PROCURADORICES E JORNALICES

Que critérios poderão ter afinal orientado o CSM (Conselho Superior de Magistratura) a desaconselhar e a influenciar o Sr. Procurador Gereal da República ao não apoiar o magistrado Almeida Pereira para a Direcção da PJ do Porto?

O que constou publicamente nos jornais, e não foi nunca desmentido, seria a sua eventual ligação com o Futebol Clube do Porto. Mas, posteriormente, e a pedido de esclarecimentos públicos pela parte do acusado, Almeida Pereira foi declarado como pessoa idónea e insuspeita de quaisquer ligações comprometedoras. Assim sendo, por que razão não lhe foi reconhecida competência para assumir o cargo e se procurou outro director?

Muito estranho, mesmo. Quando o que está na origem do Processo Apito Dourado é, entre outros argumentos, a suspeita da falta de transparência de processos pela parte de alguns dirigentes desportivos (todos de clubes do Norte), a Procuradoria Geral, não está mais do que a cometer o mesmo tipo de "crime".

Se realmente foram os pressupostos que se conhecem a balizar a recusa de Almeida Pereira para comandar a PJ Porto, é legítimo que saibamos também quais são as simpatias clubísticas do novo Director (caso as tenha). Ou, estaremos a analisar mal a lógica até aqui seguida?

Outra situação não menos caricata e grave, é a que foi criada à volta da imagem do Dr. Almeida Pereira num clima de suspeita nunca verdadeiramente assumido pela Procuradoria, mas com efeitos práticos demolidores para a carreira de qualquer magistrado. Do estigma de "suspeito" já ninguém o livra, sobretudo por não lhe terem sido apresentadas atempadamente explicações condignas para tudo o que foi insinuado e escrito a seu respeito.

Não conheço de lado nenhum o Dr. Almeida Pereira e não sou seu advogado de defesa, mas no lugar dele teria muitas razões para duvidar muito deste "Estado de Direito".

É até provável que já esteja a fazê-lo, mas no seu lugar, teria movido um processo à Procuradoria Geral por injúria e ofensa à dignidade.

E os senhores jornalistas habitualmente tão afoitos a cilindrar as asneiras das figuras do poder, estão estranhamente mansos e cordatos para com as performances do actual procurador.

Será que são todos benfiquistas???

07 março, 2008

Rui Moreira e Artur Santos Silva



Os nomes de Rui Moreira e de Artur Santos Silva têm estado nas bocas do mundo portuense.

Apesar da muita parra da seriedade de Rui Rio, a uva tem sido pouca, e os resultados apresentados em relação às expectativas criadas pelos seus apoiantes, são francamente modestos.

Para não fugir à regra politiqueira, só agora - que estão à porta as eleições autárquicas - começam a vislumbrar-se algumas benfeitorias na cidade. Algumas ruas pavimentadas, uns buracos tapados, alguns jardins medianamente arranjados, umas poucas casitas recuperadas do centro histórico, dá para perceber a preocupação do conflituoso autarca com a próxima época de caça (ao voto). O populismo do costume...
Apesar disso, as atenções dos tripeiros parecem voltar-se para outras personalidades do burgo. Rui Rio, tem o respeito de grande parte do eleitorado, mas poucos gostam dele. Daí que, a discussão sobre quem melhor poderia substituí-lo na Presidência Câmara comece a ficar animada.
Santos Silva, é outra figura que tem sido lançada como provável candidato e considerada consensual em certos círculos. Há quem defenda ser o único capaz de fazer convergir opiniões favoráveis entre PS e PSD.

Parecendo igualmente credíveis as duas candidaturas, Rui Moreira tem todavia, algumas características em relação a Santos Silva que podem dar-lhe alguma vantagem. Uma delas, não despicienda, é a sua grande capacidade de comunicar para um eleitorado heterogéneo. A outra, é a da ser mais jovem e praticamente desligado de vincadas ligações político-partidárias . Santos Silva, tem um perfil mais reservado e elitista, o que poderá eventualmente comprometer-lhe a candidatura.
Por outro lado, Rui Moreira representa para os eleitores portistas uma séria reserva para a futura presidência ao Futebol Clube do Porto, que é o único facto susceptível de gerar alguma hesitação nesse eleitorado, mas que seria facilmente ultrapassado com uma atempada definição, sobre a sua vontade e opção.

De resto, são dois homens do Porto, competentes, participativos, cultos e também sérios.

O ideal para os portuenses, seria aproveitar as potencialidades de ambos, porque o Porto bem precisa de gente com ambições cívicas, qualificada e honesta.

05 março, 2008

"ACERCA DOS OPTIMISMOS AVULSOS"

Há quem diga que o Norte, e o Porto em particular, se queixa demais do que não faz e, em vez de reagir e lutar contra as adversidades para as vencer e ultrapassar, se refugia na lamúria e no "sacudir a água do capote próprio", responsabilizando Lisboa e o Governo por tudo de negativo que aqui vem acontecendo de há umas décadas para cá.

Algo me diz que os efeitos da ressaca pós-centralismo (se é que, alguma vez terá fim) estão para dar e durar. O centralismo vigente é como um tumor, deixa metástases por onde passa, e se há organismos que lhe resistem, outros há, que supondo tê-lo controlado já estão contaminados sem disso se darem conta.

Vejamos: começando por Belmiro de Azevedo no tôpo da pirâmide da sociedade civil, passando pelo senhor António da padaria da esquina, prosseguindo por todos aqueles que estão empregados, até à imensa fila dos que não têm essa sorte, seria bom que, definitivamente, soubéssemos a qual destes quadros se referem os "optimistas" deste país.

Este hábito - que já se tornou doentio - de carregarmos na tecla do pessimismo para justificar a depressão do Porto e do Norte, tem der ser refreado quanto antes, sob pena de nos vermos ainda mais privados da atenção do Estado Central do que já estamos. Além de mais, não é rigoroso nem sequer honesto, cair-se sistematicamente na esparrela de fazer-se do positivismo uma espécie de caldeirada onde se misturam peixes de tipos e qualidades diferentes.

Com o respeito que lhe é devido, pela idade e pela reputação que conseguiu granjear, haverá pessoa mais optimista que o Dr. Mário Soares? E daí? Esse optimismo, foi-lhe porventura suficiente para evitar a estagnação social e económica do país?

Ainda hoje, podemos ver na página do JN com a rúbrica "Termómetro", dedicada a frases de figuras públicas, como é o caso de uma do Dr. Soares a confirmar o seu típico optimismo: "tenho confiança no futuro de Portugal e dos portugueses, sempre tive". Fica-lhe bem, mas não chega. Os portugueses precisam de factos, de resultados optimistas, não de previsões otpimistas. As previsões optimistas quando repetidamente defraudadas soam como uma burla.

Já sabemos que não é com derrotismo e lamentos que se progride, mas para lá chegarmos não é suficiente reclamarmos a livre iniciativa dos cidadãos ou o apelarmos ao empreendedorismo sem dizermos concretamente para quem estamos a falar.

Perguntem aos milhões de portugueses que, durante décadas a fio, entre os 50 anos de ditadura e os quase 34 que já viveram de "democracia" (as aspas são incontornáveis), se viram obrigados a sair do país para não morrerem de fome. Perguntem agora, aos milhares de jovens licenciados que não conseguem empregar-se nem vislumbram possibilidades a medio prazo de o conseguirem e que começam também eles agora a procurar alternativas no mercado estrangeiro. Perguntem-lhes se é de optimismo que eles querem ouvir falar quando andam a exigir-lhes mais e mais qualificações. Para quê? Para se verem depois empurrados para a emigração?

Ontem mesmo, a RTP mostrou um documentário sobre emigrantes portugueses em Vancover, no Canadá, onde aparentemente prosperaram; mas o que seria feito deles se se deixassem ficar por cá? Que oportunidades lhes teriam sido dadas neste país de burocratas e corruptos?

Não foi, seguramente, o "optimismo" nacionaleiro que os ajudou a contornar os obstáculos, foi algo mais concreto, como a coragem de partir e a fé nas condições oferecidas por um país que não era o seu.

Deixemo-nos sim, é de lamúrias falsamente optimistas, porque essas mais do que constituirem um estímulo para a superação de dificuldades, são um subterfúgio para não ver a realidade e um óptimo aliado das (ir)responsabilidades do Estado.

É nestas ambiguidades que o Centralismo aposta e se conserva. Na germinação de dúvidas sobre as nossas próprias capacidades e valores.
Já quase conseguiu retirar-nos a fama de povo trabalhador (o portuense), só falta mesmo é limparem-nos o cérebro.

04 março, 2008

Santa Carolina é humana


e a Santa faltou ao tribunal...

Santa Carolina, padroeira da Justiça Centralista também adoece. E também tem casos com a Justiça.

Em Portugal abundam fenómenos deste género.

Casa Pia: o silêncio continua

As criancinhas que se cuidem...

VENCEDOR DA TAÇA DA LIGA DE ANDEBOL


SPORTING - 18 // FUTEBOL CLUBE DO PORTO - 23

Não foi o Benfica, foi o Futebol Clube do Porto, o glorioso genuíno, autêntico, não o fanfarrão e megalómano...
Em 5 edições desta competição venceu 3. Nada mau.
Como não foi o Benfica, as televisões centralistas, como é costume, omitiram "democraticamente" o acontecimento.
Só por essa razão o Renovar o Porto "substitui" quem tinha o dever de informar.

03 março, 2008

O Novo código penal e Paulo Portas

Alguma vez na vida este rapazinho com grande talento para o teatro, mestre a agravar a voz quando fala à plateia e que tão bem sabe dar-se ares de importante, seria dirigente de um partido político se dependesse de mim? Hélàs, como não depende...

Quem diz Paulo Portas, diz outros melros parecidos, de outras simpatias partidárias do nosso cenário político. Ainda estão em exercício, e enquanto não formos capazes de os irradicar dos bastidores do poder,o país vai continuar a definhar. Eles não vão mudar nunca e enquanto estiverem em actividade Portugal terá o mesmo destino.

Ana Gomes, a euro-deputada socialista por quem tenho particular simpatia, disse aquilo que todos nós vamos comentando entre paredes, que o novo código do Processo Penal foi concebido para "proteger" alguns tubarões da nossa vida política de prestarem contas à Justiça. É óbvio que todos nós nos inclinamos mais para fazer fé nessas notícias do que para delas duvidar e não é porque gostemos de maldizer, mas porque à luz do que vamos lendo e sabendo, confirmando e depois vendo silenciado até ao esquecimento final, só podemos é continuar a desconfiar desta gentinha. Disse bem, desta gentinha, porque é mesmo de gentinha que se trata.

Paulo Portas afirmou em plena Assembleia da República ter perdido o respeito ao 1º. Ministro, e eu digo e escrevo aqui que já perdi o respeito pelos dois, há muito!

Não é de polémicas difamatórias a coisa que mais aprecio. Pelo contrário, desprezo-as, tal como abomino os seus autores. Mas já simpatizo bastante com os não alinhados, com os "anti-yes man", com os que colocam a consciência à frente da obediência, com os não carreiristas, com os que não fazem da honestidade uma pastilha elástica... É nesses raros que ainda deposito alguma esperança.

Manuel Monteiro é convidado regular de um programa da RNTV onde pude ouví-lo a falar das declarações de Ana Gomes sem ter chegado a saber se concordava com ela ou se a estava a criticar. Tanto dizia que Ana Gomes devia estar louca como admitia ter havido tramóia no caso "Portucale". Ele próprio (sem se dar conta) foi um "bom" exemplo da demagogia da nossa classe política mais básica. Assim não vai lá, e a RNTV também não. Se é unicamente com estes espécimes políticos que pretende impôr-se como televisão será outro fracasso pior do que o da NTV de quem copiou parcialmente o nome.

Quem diz estas e outras verdades, como disse Ana Gomes, é logo carimbada de persona non grata, já sabemos. E também já sabemos porquê. Não se iludam.

No JN, também há gente que não anda a dormir...

É suposto, como reagia Cavaco Silva à vaga de violência destes dias em Loures, termos confiança na capacidade preventiva e actuante das forças policiais. Mas os episódios que envolveram a demissão do director das Polícia Judiciária do Porto e a sua substituição só nos deixam margem para incertezas. Ás vezes, mais vale recapitular o histórico recente para sabermos do que estamos a falar.


  1. Começando pelo Apito Dourado. É nomeada uma equipa especial, conduzida por Maria José Morgado, enquanto, simultaneamente, se lança uma nuvem de suspeição sobre os actores da Justiça que operam no Porto. Já lá vão dois anos e os resultados são pouco mais do que sofríveis, mas isso ninguém questiona.
  2. Durante seis meses, uns gangues desatam aos tiros, perante a alegada passividade dos mesmos agentes da Justiça portuense. Nomeia-se nova equipa especial, novamente vinda de Lisboa, e novamente a nuvem de suspeição paira no ar. Os resultados desta megaoperação também são, por agora, sofríveis, mas isso ninguém questiona. Assim sintetizado, o caso parece irrelevante,. Deixa de o ser quando se percebe que, ao longo de meses, a imagem que os actores da Justiça deram de si próprios foi a de um bando de gatos engalfinhados, sôfregos pelo poder, não para servirem os outros, mas para se servirem. Não é por acaso que cresce o sentimento de impunidade, o mesmo que levou um tipo a disparar sobre outro depois de uma noite passada na discoteca, como se verificou na madrugada de domingo, no Porto. Nem é por acaso que em Loures os homicídios se sucedem. O que é de estranhar é não ter sido nomeada uma equipa especial do Porto para investigar a vaga de violência em Loures. O que, pelo que se vê, também não adiantaria muito. As equipas especiais fazem lembrar as comissões de inquérito da Assembleia da República. São anunciadas com grande alarde, mas terminam de mansinho, para ver se ninguém se lembra.
De Domingos de Andrade, no JN de hoje

Face a estes factos (também aqui destacados insistentemente), será que o senhor Procurador já terá percebido que procedeu mal, em várias vertentes?

A primeira delas, foi ter mostrado vulnerabilidade a pressões, viessem elas de onde viessem. A ponderação rigorosa antes da tomada de decisões, é uma regra de ouro para tudo, mas muito em especial, para cargos desta responsabilidade.

Em consequência dessa fragilidade, a segunda má acção resultou numa humilhante desconsideração para com a Direcção da PJ do Porto e respectivos representantes, bem como para com o próprio Director Geral da PJ, de quem tinha o dever institucional de confiar. Ao retirar das investigações a equipa da PJ local e nomear a de Lisboa, Pinto Monteiro deu inequívocas provas de perda de confiança na primeira, sem contudo apresentar justificações objectivas para essa decisão.

A terceira vertente infeliz deste processo, confirmou a incompetência do senhor Procurador. Repetiu o erro, desvalorizando a primeira escolha do Director Geral da PJ na substituição do director demitido. Como é do conhecimento público, é da exclusiva responsabilidade do Director Nacional da PJ a nomeação das direcções locais. Não seguindo estes procedimentos legais, o senhor Procurador Geral não só não respeitou as regras do jogo como desconsiderou de novo o senhor Director Geral de PJ.

Por fim, em matéria de criminalidade, olvidou um pormenor importante para opinião pública nacional (que não é apenas a de Lisboa) que é o seguinte: ainda não explicou a sua apatia relativamente ao Processo Casa Pia cuja gravidade em termos sociais e humanos é mil vezes superior ao Apito Dourado e se vem arrastando há cerca de 5 anos, num ensurdecedor silêncio !