14 setembro, 2009

Debates

Terminou a maratona de debates políticos. Não pretendo comentá-los: não só não sou politólogo, como acho que já estamos todos enjoados da avalanche de comentários que nos dão cabo da paciência. Vi alguns debates, não todos, e foi o suficiente para confirmar a convicção de que a um dos candidatos eu não compraria um automóvel em segunda mão, se me é permitido o velho cliché. Vi também uma moderadora com o seu habitual e incontido esforço de ser a prima-donna, vestida e ornamentada como se fosse juiz de um concurso de moda e não o pivot de um programa político.

Como fervoroso adepto da regionalização, verifiquei também, com desgosto mas sem surpresa, que ela não foi discutida nem sequer mencionada, pelo menos nos debates a que assisti. Suponho que o tema regionalização não estava contemplado nos programas dos dois principais partidos, mas como factor poderoso no combate aos nossos problemas económicos, pensei que poderia e deveria ter sido tratado, em vez de ter sido ignorado como se fosse detalhe sem relevância nacional.

Mais uma vez se fica com a impressão que todos os programas de debate na TV, por muito que pretendam implicitamente cobrir o todo nacional, são feitos e discutidos numa perspectiva meramente local - Lisboa e arredores - parecendo ignorar que o país não se resume às margens do rio Tejo. É uma visão redutora, de contemplação do próprio umbigo, tipicamente centralista, que não é nova - longe disso - mas que mais uma vez se manifestou.

Falta de ar

Não há conhecimento que dos países onde foram criadas regiões administrativas cheguem notícias de cariz social ou económico regressivos, nem muito menos da multiplicação de caciquismos locais. Bem pelo contrário. O que sabemos desses países é que, genericamente, todos beneficiaram com a Regionalização. Já aqui ao lado, a Espanha, que até se libertou da ditadura franquista depois de nós e que se debate com sérias guerrilhas etnológicas independentistas, com a regionalização, progrediu como nunca antes e distanciou-se de Portugal para melhor em todos os aspectos.
Mesmo assim, em Portugal nem os jornalistas parecem muito interessados em explorar esta grave lacuna política de forma séria e consistente. Fazem-no, durante breves e espaçados períodos, com preocupações meramente comerciais em obediência à matéria jornalística do momento. Não há uma ideia estratégica de agarrar na Regionalização como tema prioritário, como um trabalho de casa obrigatório, de modo a dificultar a fuga ao assunto dos partidos políticos. Não. Fazem exactamente o mesmo que eles, só pegando na Regionalização quando é oportuno.
Hoje, Mário Crespo, em artigo de opinião no JN, fala-nos de coisas muito interessantes, como de um pacto formal entre PS e PSD para evitar a discussão pública de questões de carácter. Subtilmente, diz-nos afinal que o que foi considerado ontem por Marcelo Rebelo de Sousa como um debate de alto nível entre Sócrates e Ferreira Leite, não passou de um pacto para esconder o lado visível da marginalidade política, das trafulhices que membros dos dois partidos praticaram nestes tempos mais recentes. No fundo, é a única maneira de creditarem mutuamente alguma seriedade aos seus discursos e até aos seus próprios carácteres, porque na verdade é particularmente nessa vertente pessoal que mostram menos valias.
É com estas fintas ronaldianas que os jornais se entretêm a analisar as performances dos nossos políticos e se esquecem de uma asfixia democrática realmente séria, que dá pelo nome de centralismo. Quando M. Ferreira Leite falou de asfixia democrática, a mesma mulher que meses antes sugeria umas "férias à democracia", aparentemente para resolver alguns problemas, não houve um único jornalista que se lembrasse de lhe perguntar - sendo ela uma anti-regionalista convicta -, como é que ela "via" o oxigénio democrático a Norte do país, e no Porto, se achava se por cá temos os pulmões a vender saúde ...
Mário Crespo, termina o artigo dizendo: "Não é a votar repetida e clubisticamente que nos assumimos como povo e como Estado. Juntos, PS e PSD, estão a asfixiar o que nos resta de democracia e parece que já nem notamos que nos está a faltar o ar."
Faltou-lhe explicar-nos de que país democraticamente asfixiado estava a falar. Se o de Lisboa, se o da Paisagem, que é o outro país. É que se é dos dois países num só imaginário, pode estar descansado que, estando ele em Lisboa, antes de ser contaminado gravemente pela referida asfixia, já nós no Porto teremos morrido de sufôco.

11 setembro, 2009

Vicissitudes "democráticas"

O arquitecto Correia Fernandes, número dois da lista PS à Câmara do Porto acusa o partido de má gestão a candidatura de Elisa Ferreira, enquanto Elisa Ferreira, 1ª. candidata, defende-se, alegando que Rui Rio tem medo do debate.
Noutro contexto, Alberto Martins, também do PS, jura a pés juntos que a ANA não será privatizada, enquanto o Governo, igualmente do PS, decidiu por resolução do Conselho de Ministros em 2007, que tanto a ANA como o novo aeroporto de Lisboa serão privatizados simultâneamente.
No primeiro caso, o que Correia Fernandes afirma é só uma não notícia, porque a má gestão da candidatura de Elisa Ferreira à presidência do município portuense começou pela própria com a asneira de não ousar meter a "carne toda no assador", renunciando desde logo, e em nome do Porto, ao lugar de deputada no Parlamento Europeu. Se o tivesse feito, hoje não haveria grandes dúvidas quanto à sua eleição. Por outro lado o PS, como vem sendo "normal", não teve a mínima competência nem empenho no apoio à sua candidata.
Sobre o caso da ANA e do aeroporto de Lisboa, a confusão continua. O deputado Alberto Martins, com a responsabilidade de líder parlamentar afirma uma coisa, e o Governo do seu partido, diz outra... Bons exemplos.
Se levarmos em linha de conta a mediocridade gémea da oposição, quem pode levar a sério estes políticos que nem dentro dos próprios partidos conseguem entender-se?
Para o comum cidadão, que é mais sábio do que muitos que imaginam andar a governá-los, a conclusão a retirar desta bagunça é simples e curta: eles andam doidos a ver quem "arranja" os melhores lugares! Eles querem olhar pela sua vidinha!

10 setembro, 2009

Os aselhas do remate


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Uma semana e pouco depois de um interregno sem postar, com o Prelúdio em E menor de Chopin a pautar o silêncio, aqui estou de novo pronto para a "guerra". Como informei, razões pessoais inadiáveis estiveram por trás do meu afastamento, ocupando-me praticamente o tempo todo, tornando impossível dar continuidade a esta tarefa.
Apesar disso, deu para me aperceber, lá mais para o fim da noite, com uma passagem rápida pela televisão, que os debates políticos se intensificaram com a mediocridade do costume.
Se pelas razões acima apontadas não tive tempo para assistir a estes espectáculos enfadonhos, também começo a não ter paciência nem interesse em vê-los. Já estou cansado da cara e da conversa repetitiva da maioria dos protagonistas e daquela arrogância patética de quem sabe que para convencer é preciso parecer sério, mas nem isso já conseguem fazer.
Com uma ou outra excepção, tenho dos políticos uma fraca imagem de seriedade e com uma baixíssima formação moral. Continuam sem dar sinais de mudar e isso é o pior, porque é mais complicado serem os cidadãos a apontar-lhes o caminho quando eles se recusam a segui-lo. A Regionalização podia ser um desses caminhos, mas eles não querem. Agora, como precisam de cativar eleitorado, lá voltam eles à baila com a Regionalização, mas creio que até o cidadão mais distraído percebe o oportunismo deste interesse "sazonal".
Vou, por isso falar da selecção de futebol. Ou, melhor, vou deixar um recorte de uma carta que escrevi para o jornal O Jogo [antes de se ter vendido a Lisboa], para recordar o tempo passado a tecer elogios às qualidades técnicas dos jogadores portugueses [refiro-me só aos de origem], em que a expressão génio era usada e abusada pelos "jornalistas" do regime sem notarem naquilo que estava - e está -, à vista de todos: técnicamente nós somos uns aselhas a chutar à baliza.
ps - desculpem a qualidade da imagem, mas como podem verificar, a notícia tal como o problema em questão, já é velhinha. Esta carta foi publicada no O Jogo, em Outubro de 1995 mas podia ter sido dez, vinte, ou 30 anos antes...

29 agosto, 2009

O nosso triste fado

De vez em quando faço uma tentativa para adoptar o Jornal de Notícias como o meu quotidiano. Se bem que pertencendo a alguém que acho que deixou de ser do Norte - mais um assimilado - o jornal está baseado no Porto e dá realmente muita cobertura ao que se passa por aqui. Compro então um número de tempos em tempos, e logo desisto. As asneiras são muitas, a maioria dos redactores não sabe escrever português, são incapazes de redigir uma notícia de forma coerente, e frequentemente dão provas de enorme falta de conhecimentos gerais. Cheguei a escrever uma carta indignada ao director do jornal, por ter lido uma notícia em que o redactor dizia qualquer coisa do género que as principais obras do Eça eram os Contos e a Correspondência de Fradique Mendes.

Há dois dias fiz mais uma tentativa. Fiquei então a saber que:
- A produção nacional de leite é de 1.900 milhões de toneladas(!) por ano.
- Cada português bebe 90 litros por ano.
- Portugal importou, em 2008, 231 milhões de litros de leite, que representam 35% do consumo total.
- O auto-aprovisionamento é de 100%.

Contas de aritmética elementar mostram que 10,5 milhões de portugueses, a 90 litros por cabeça, bebem 945 milhões de litros. Se somos auto-suficientes, esta é também a produção. Se importámos 231 milhões de litros, eles representam cerca de 24% do total consumido, e não 35%.

O leitor está a ser erradamente informado e ninguém se importa. Eu penso que isto é lamentável. O JN não é (ou não devia ser) um jornaleco de vão de escada, sem estruturas. Tem directores, sub-directores, chefes e sub-chefes, editores. E no entanto as asneiras publicam-se quase diariamente. Nem sequer há uma secção que faça as correcções necessárias aos erros da véspera, onde peça desculpa pelos erros e pelos lapsos.

Este, infelizmente, é o retrato da realidade portuguesa. Ignorância, desleixo, falta de profissionalismo, desprezo pelo consumidor, impunidade. Convençamo-nos que é por isso que estamos na cauda da Europa, e que aí iremos continuar a menos que houvesse uma improvável revolução na mentalidade portuguesa. É triste mas é assim...

27 agosto, 2009

Informação

Já fiz um comentário a informar o mesmo. Por afazeres de carácter particular, durante a semana que se aproxima vou ter o meu tempo um pouco mais limitado para postar com a regularidade habitual.
Pelo facto, apresento aos colaboradores, leitores e comentadores do Renovar o Porto, as minhas desculpas.

26 agosto, 2009

O nascimento da Universidade do Porto

O desprezo do governo centralista de Lisboa em relação ao Porto (e também à maioria do restante país) não é de agora. A leitura de um Anuário da Faculdade de Sciências (assim se escrevia) de 1915, dá-nos uma visão do que se passava em séculos passados, e que é curioso referir.

No sec.XVIII os piratas marítimos, perante o desinteresse de Lisboa, atacavam e saqueavam os barcos mercantes que saíam do Douro carregados de mercadorias destinadas às colónias, especialmente ao Brasil, com os prejuízos que é fácil de imaginar. Já nesse tempo o poder em Lisboa estava mais preocupado com o seu umbigo do que com a situação do restante país, nomeadamente com o Porto que já nessa altura era a segunda cidade do país e tinha uma pujança económica que provavelmente era bem maior que actualmente, salvas as devidas proporções. A grande diferença era que nesses tempos o Porto não se limitava a queixar-se. Com uma visão pragmática que parece ter-se perdido com o decorrer do tempo, os Homens de Negócios da Praça do Porto decidiram que, já que o governo os não defendia, iriam defender-se eles próprios. E assim nasceu um documento datado de Outubro de 1761 em que se pedia ao rei D.José que os autorizasse a construir, às custas do comércio exportador, duas fragatas fortemente armadas destinadas à defesa dos navios que saissem do Porto em direcção às colónias. A manutenção das embarcações e o pagamento dos tripulantes era também garantido pelos exportadores, com base em taxas sobre as exportações e as importações, criadas para o efeito pelo Corpo do Commercio, que julgo deveria ser o antepassado da Associação Comercial do Porto.

O rei satisfez o pedido do Porto por alvará de Novembro do ano seguinte, tendo portanto demorado apenas um ano a estudar e decidir o pedido. Se fosse hoje, com toda a burocracia e com tantos organismos a terem de dar palpites, quantos anos seriam necessários?

Esta ideia das fragatas inspirou a criação no Porto de uma aula de náutica também estabelecida por decreto real. Cerca de 15 anos mais tarde foi pedida, e autorizada já por D.Maria I, uma aula de debuxo e desenho, tornada necessária pelo desenvolvimento que a indústria tomava na nossa cidade. Para todos os efeitos assim nascia aquela que é hoje a maior universidade portuguesa: a Universidade do Porto.

O Porto

Agostinho da Silva disse um dia que o Porto era uma ilha rodeada de Portugal por todos os lados. E essa condição - digo eu - é a grandeza e a miséria do Porto. Sim, miséria porque Portugal é coisa que não se recomenda. Grandeza porque consegue há séculos navegar neste imenso oceano de mesquinhez, inveja e pusilânimidade na mais perfeita verticalidade e sem nunca se deixar afundar.

O circo recomeçou

Coitadinhos dos fotógrafos. Coitadinhos dos jornalistas. Ninguém os compreende. Portam-se tão bem, fazem um trabalho tão árduo e sério, sempre com o intuito de "informar" os cidadãos e ainda por cima tentam "assassiná-los". E quem é o culpado deste mundo cão e criminoso, quem é? É o senhor Pinto da Costa, quem mais havia de ser?
Há escroques em todo o lado, mas é preciso enfatizar com frequência que no jornalismo é onde se nota mais. Começou o campeonato, começou a caça ao homem. Aí está a praga nojenta de alcoviteiros e desrespeitadores ao ataque. Já começam a andar com o nome de Pinto da Costa na baila e sempre pelas piores razões. Mas será que estes imbecis, estes atrasados mentais, convencidos, ainda não perceberam que estão a tentar fazer de nós parvos?
Os paparazzi, essa espécie de marginais que também gostam de puxar os galões de jornalistas, não são muito diferentes destes patetas que tudo fazem para fabricar casos para prejudicar Pinto da Costa e por tabela o FCPorto. Ontem só faltou dizer que Pinto da Costa viajava de metralhadora em punho.
Depois, foi a telenovela com o Adriano. Andaram a esmiuçar, a ver se conseguiam arranjar um enredo qualquer para induzir o povo a acreditar em mais uma sacanice à moda do Porto [leia-se FCPorto]. Mas quem é que põe mão a isto? É a esta bandalheira, que eles chamam Liberdade? É? Então venha a Ditadura, porque com democracias assim é impossível conviver.
ps.

Foram gajos como estes que assassinaram a princesa Diane num túnel de Paris!

25 agosto, 2009

As teias de aranha da Justiça em Portugal

O estado comatoso da Justiça em Portugal é por demais conhecido, destacando-se a sua lentidão com consequências para além de originar a sua inoperância. Não disponho de números actualizados e o governo não está interessado em divulgá-los, mas todos os anos prescrevem uns milhares de processos, muitos dos quais não poderiam nem deveriam prescrever de modo algum. Ninguém tem dúvidas de que há atrasos "cirúrgicos" cuja finalidade não confessada é precisamente fazer com que a prescrição ocorra, e os suspeitos, por "coincidência" gente poderosa, acabe por ficar tão inocente como um recém-nascido. É assim que Portugal pertence a um clube que dizem ter cada vez menos membros: o clube das repúblicas das bananas.

Mas para além destas, há outras razões de ordem estrutural que implicam a morosidade da nossa Justiça. A comparação com a celeridade do caso Maddof é uma crueldade, mas a verdade é que Maddof foi detido em Dezembro de 2008 e condenado em Junho de 2009! Respostas dadas a este propósito pela Procuradora Geral Adjunta, numa entrevista recente, ajudam a esclarecer quem, como eu e a maioria dos portugueses, é leigo na matéria. Fica a perceber-se que o problema não se resolverá com modificações cosméticas dos Códigos Penais, como tem sido feito. Há toda uma revolução intelectual a fazer, pois toda a filosofia subjacente aos códigos tem de ser revista. Os processos penais portugueses são complicativos, repetitivos, pomposos e majestáticos, cheios de formalismos que só servem para criar atrasos e que, ao contrário de propiciar eficiência e verdadeira justiça, acabam por ser a sua negação, sendo mesmo um dos cancros da democracia em Portugal, na medida em que se constituem como um incentivo à corrupção generalizada, a começar pelos governantes e pela poderosa oligarquia nacional.

Penso que os códigos penais portugueses estão baseados no Direito Napoleónico, o que não será de espantar porque no sec.XIX a França era o grande farol intelectual que iluminava Portugal. Os tempos mudaram mas os nossos juristas continuam no passado. Se as árvores devem ser julgadas pelos seus frutos - como diz a Bíblia - e se esta dá frutos tão podres, então a árvore da Justiça precisa urgentemente de ser derrubada e substituída por uma nova. Se os políticos porventura pretendessem melhorar a degradada qualidade da democracia portuguesa, teriam de deitar mãos à obra antes que fosse demasiado tarde. Infelizmente tudo indica que, se bem que perfeitamente consciente da situação, a classe política portuguesa decidiu deliberadamente que a manutenção da actual situação é o que mais lhe convém. Como tal, uma auto-reforma é impensável e consequentemente continuaremos na mesma podridão num futuro previsível.


p.s. Por curiosa coincidência, este post foi escrito antes de ter lido o post anterior do nosso amigo Rui Valente. Calhou bem, constitui como que um complemento...

O exemplo do Estado


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A inépcia do Estado não pára de nos surpreender. Para não variar, faz questão de coleccionar provas de laxismo que, inevitavelmente, acabarão por desencadear na opinião pública uma crescente onda de indignação e levar os cidadãos mais pacatos à desobediência civil. É neste laxismo do Estado e dos seus representantes que os chicos-espertos como José Veiga encontram o trampolim ideal para enriquecerem e fazerem negócios à custa dos contribuintes pagantes.
A Superfute deve ao fisco 4 milhões de euros, metade, já foi anulada por ter expirado o prazo de cobrança. Grandes exemplos, grande Estado! Isto, é que é incentivar os bons pagadores a continuarem a pagar impostos...
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24 agosto, 2009

Apontamento

Do rescaldo da última jornada do Campeonato Nacional, reconfirmou-se o habitual: um penalti apontado em favor dos adversários do FCPorto, é sempre uma boa decisão. Um penalti nítido a favor do FCPorto, é uma decisão invariavelmente duvidosa e polémica, o tema mor dos debates desportivos... Maior previsibilidade do que esta, não consta da história dos media ditos "nacionais". Previsibilidade mais perversa, não se conhece.
As mentes doentias e incorrigivelmente desonestas da comunicação social centralista, vão repetir, ou mesmo redobrar, as conspirações contra o clube tripeiro. Oxalá, um dia, o resultado deste trabalho de crápulas, dê em desemprego para toda a tribo.
"Coisas" destas natureza não deviam ter direito ao trabalho.

22 agosto, 2009

Palavras sensatas

Quem se contenta com migalhas,
Ganha migalhas...
Quem se contenta com fatias,
Recebe fatias...
Mas quem quiser o pacote completo,
Terá que ir à luta,
Pois este não vem de mão beijada!

neli araujo
2009

21 agosto, 2009

Elvis Costello - Live at Amoeba!

BOM FIM DE SEMANA!

O emprego começa a ficar em perigo...

"Pacheco Pereira considera Preto uma “ferida em aberto” nas listas do PSD"

Tarde, tíbio e a contra gosto como é apanágio dos sectários e demagogos.

Faz falta quem lute cantando

Alguém imaginaria, passados 35 anos de vivência «democrática», que olhásse-mos à nossa volta sem encontrar um único partido político, um único homem ou mulher, a quem confiar os destinos do país?
Este vídeo de Zeca Afonso terá saído, como o título indica, em 1994 [2o Anos Depois]. Decorridos mais quinze anos, que diria Zeca Afonso da situação actual? E dos cantores e músicos de agora? Estaria também ele conformado, afastado, pouco interventivo, como Vitorino, Sérgio Godinho, Fausto e muitos outros? Será só a idade a pesar? E as novas gerações, serão afinal rascas e desinteressadas?


20 agosto, 2009

Escutas

Cavaco e Sócrates: dois mentecaptos... por ordem hierárquica.

A consciência dos inconscientes

Marco António Costa, Presidente da Distrital do PSD/Porto, escreveu hoje no JN uma crónica sob o título "Regionalização. Onde está o PS?", que mais parece a de um cidadão comum, sem qualquer responsabilidade directa no rumo que os senhores da política decidem dar às promessas que não cumprem.
Queixa-se [com razão], que o PS se prepara para deixar cair a bandeira da Regionalização, da subjugação e do abandono das causas que os deputados da distrital daquele partido continuam a denunciar. Tudo o que Marco escreve eu subscreveria.
Mas, a pergunta que eu gostaria de lhe dirigir é, que razões têm os portuenses para acreditar que o PSD faria diferente? Conhecendo a fobia obsessiva da "Líder" [que vontade de rir me invade quando prenuncio estes adjectivos pomposos de gente tão cinzenta...], Manuela Ferreira Leite, como pensa Marco António Costa contornar a situação? Pelos seus dotes persuasores, ou pela via do radical golpe de Estado?
Para derrubar uma senhora cujo apelido da corte centralista é "A Dama de Ferro", só pode ser uma espécie de 2ª. temporada, made in Portugal, da Guerra das Malvinas...

Só para Homens do Porto

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Calculo o formigueiro que textos como este de Hélder Pacheco, provocará na pesada consciência de alguns serviçais do sistema, cá do burgo...

Nota:

Recorte extraído do Jornal de Notícias

19 agosto, 2009

Portugal, um país para não levar a sério

Anda por aí esta catraiada a puxar dos galões estatutários de doutores e engenheiros, a pregar a moral ao zé-povo, para afinal se portarem como os mais broncos e mal formados cidadãos. Esta catraiada, repito, catraiada, só tem mesmo jeito, é para dois tipos de ofícios: representar e roubar.

Li, no jornal Público de hoje, que o Banco de Portugal "advertiu" as instituições financeiras para a falta de isenção dos provedores do cliente e recomendou-lhes mais autonomia funcional. Em português corrente, quis dizer-lhes: "vejam lá se de vez em quando fazem umas coisinhas sérias, porque já anda gente de mais a queixar-se..."
O Provedor do Cliente, é um organismo que, como o nome sugere, tem o dever de zelar pelos interesses dos clientes que têm contas em bancos, mas [pasme-se!], como está inserida na mesma estrutura das instituições de crédito, não dispõe do estatuto de independência e funcionalidade que seria suposto ter para os defender com a isenção e eficiência devidas... Isto, é quase a mesma coisa que entregar a um gang de mafiosos a responsabilidade de zelar pelos interesses das suas vítimas.
Num país onde estas coisas se passam com toda a "normalidade", onde o supervisor do Provedor do Cliente recomenda, não exige, recomenda, às instituições bancárias para os seus provedores mais autonomia de acção, é muito simples compreender por que é o mais desqualificado da Europa.
Percebem agora a importância do politicamente correcto? Vale o mesmo que, em vez de tratar o ladrão por ladrão, insinuar com pundonor e elevação que o Sr. Dr. Dias Loureiro pode ter desviado legalmente certos fundos para uma off shore desconhecida.
Decididamente, este, não será nunca um país sério, nem para levar a sério.

18 agosto, 2009

Desperdícios

Há quem, por variadas razões, embirre com as corporações de Bombeiros Voluntários. Não pertenço a este grupo, tanto que até sou associado (pagante...) de uma das corporações da nossa cidade. Isto não me impede de considerar que há frequentemente uma enorme desproporção entre a gravidade da ocorrência e o número de corporações e de homens que a ela ocorrem, o que constitui uma gritante contradição entre o estado financeiro dos bombeiros voluntários nacionais, que passam a vida a pedir mais e mais verbas, e o desperdício de dinheiro que representa o excesso de meios que ocorrem aos acidentes. Fica-se com a impressão, talvez falsa, que muitas vezes os bombeiros quebram a monotonia da vida no quartel, saindo para o exterior para dar um pequeno passeio.

Vem isto a propósito da queda de uma pequena avioneta com dois passageiros numa herdade da região de Alcácer do Sal. Segundo a notícia na imprensa estiveram presentes, além de pessoal e viaturas do INEM e da GNR, bombeiros de duas corporações e até da Força Especial de Bombeiros(confesso não saber o que é esta corporação, nem de onde viajaram até Alcácer). Só bombeiros eram 41 (!) "apoiados" por 14 (!) viaturas. Há a considerar ainda um helicóptero da Protecção Civil. É óbvio que com toda esta gente, forçosamente que a maioria dos bombeiros ou estava a atrapalhar quem efectivamente trabalhava, ou estava a fazer de mirone.

Se se fizessem as contas ao custo total desta intervenção, comparando-o com o custo que corresponderia a uma intervenção com os meios adequados, ver-se-ia o dinheiro que foi desperdiçado. Parecemos um país rico e em plena prosperidade...

Lista do PS à CMPorto

Eis a lista do PS à Assembleia da Câmara Municipal do Porto:

  • Teixeira dos Santos (Cabeça de lista e actual Ministro das Finanças)
  • Teresa Lago (Ex-Presidente da Porto 2001 e 2ª.cabeça de lista)
  • Pedro Abrunhosa (Pianista, 3º. cabeça de lista)
  • Renato Sampaio (Líder da Distrital)
  • Arquitecto Correia Fernandes (activista da Plataforma de Intervenção Cívica)
  • Ricardo Pais (Ex-director/encenador do Teatro S. João,e mandatário)
  • Luciano Vilhena Pereira (residente do Instituto dos Vinhos do Porto e Douro)
  • Manuela Vieira (Responsável pela Associação Empresarial de Portugal/Gestão Europarque)
  • Alexandre Quintanilha (Cientista)
  • Fernanda Rodrigues (Coordenadora do Plano Nacional de Inclusão)
  • Rui Azevedo (ex-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional)
  • Pedro Couto (economista e Deputado Municipal)
  • Teresa Andresen (Arquitecta Paisagista)
  • Pedro Burmester (músico)

Elisa Ferreira qualifica esta equipa de excepcional. E nós, teremos razões sólidas para ter a mesma opinião?

Pela parte que me diz respeito, há um homem que por esta altura se encostou a "apoiar" a candidatura de Elisa Ferreira, em quem não deposito a mínima confiança, chama-se Renato Sampaio. É uma nulidade, o verdadeiro yes man, sem qualquer interesse para o Porto. Elisa Ferreira pode agravar a sua já titubeante candidatura permitindo a colagem deste político carreirista, sem fibra nem ideias, à sua imagem, ainda credível.

Pedro Abrunhosa, não é um Zeca Afonso, um José Mário Branco, nem um Adriano Correia de Oliveira, e outros mais, da década de setenta. Nem tinha de ser. Os tempos são diferentes, e a necessidade de cantores de intervenção à causa da Liberdade, aparentemente,"não faria" muito sentido. Mas faz sentido, para outras causas, como a Justiça e a qualidade da Democracia. Pedro Abrunhosa não se afirmou na defesa destas causas com a irreverência e a frontalidade precisas. Limitou-se a dar umas entrevistazinhas a criticar o Rui Rio, e pouco mais. Não foi, o que podia ter sido, como muitos outros não foram. Hoje, todos temem falar de mais, ninguém está disponível para correr riscos...

Acho positivas as escolhas de Teresa Lago, de Ricardo Pais , Alexandre Quintanilha. e Pedro Burmester Todos os outros, exceptuando o actual ministro das Finanças, são para mim ilustres desconhecidos. Espero que Elisa Ferreira os conheça melhor do que parece conhecer Renato Sampaio, caso contrário, a lista «excepcional» vai ficar curta...

Mas, o lado cinzento do cenário, é que se Elisa ganhar [o que me agradaria], e o PS vencer as próximas legislativas, tenho imensas dúvidas que ela possa fazer o que perspectiva para o Porto. Nem sei se isso se fará notar muito, caso seja o PSD a vencê-las...

Assim mesmo, prefiro esse quadro, a continuar a ver à frente dos destinos do Porto um bota de elástico como o Rui Rio.

Taxa de roubo

Os técnicos do Instituto Nacional de Estatística têm que criar mais um índice. A Taxa de Roubo. Um indicador destes devia ser periodicamente elaborado e divulgado em conjunto com os níveis de desemprego, de inflação ou do Produto Interno Bruto. Com uma Taxa de Roubo incluída no conjunto das funções estatísticas que já compilamos, teríamos uma imagem muito mais clara do Estado da Nação.

Se houvesse Taxa de Roubo, os noticiários da semana passada, para além dos números do PIB e do Desemprego, teriam incluído que no primeiro trimestre a Taxa de Roubo em Portugal se tinha mantido entre as mais elevadas do mundo industrializado. Os analistas podiam depois ir à TV para nos desagregar a Taxa de Roubo (TR) nos seus componentes mais expressivos, o NSP (Nível de Sonegação Pura), que inclui tudo o que seja trocas em dinheiro vivo em malas, e o GDC (Grau de Desfalque Contabilizável), que descrimina os montantes em off shore e os activos já transformados (quintas, apartamentos, carros, barcos e acções não cotadas na Bolsa que valorizem mais de um centena de pontos em recompra).

Assim, ao sabermos que já temos mais de meio milhão de desempregados e que a economia nacional continua a soluçar em níveis anémicos, ficaríamos a saber também que o grau de gatunagem nacional continua intocado e que, apesar da crise, de facto, a nacional roubalheira subiu em termos homólogos quando comparada com trimestres passados. Ficaríamos a saber que a volumetria do roubo em Portugal é das mais imponentes na Zona do Euro e que, contrariando o pessimismo de Pedro Ferraz da Costa quando disse ao Expresso que Portugal não tinha dimensão para se roubar tanto, há perspectivas para a Taxa de Roubo continuar crescer.

A insistência do Partido Socialista nos mega-projectos que, antes de começar já assinalam derrapagens indiciadoras de que a componente PPF (Pagamentos a Partidos e Figurões) vai crescer muito, é uma garantia de uma Taxa de Roubo que rivaliza com qualquer democracia africana ou sultanato levantino. No PSD, a presença de candidatos com historial em posições elegíveis e em ternurenta proximidade com a líder, sugere que as boas práticas que têm sustentado a Taxa de Roubo vão continuar nos eventuais Ministérios de Ferreira Leite.

Neste ambiente de bagunça ideal, em que se juntam as possibilidades de grandes obras públicas com o frenesim eleitoral, os corretores podem mesmo, à semelhança do que se passa no mercado de capitais, criar valor com Futuros baseados nos potenciais de subida da Taxa de Roubo Portuguesa. Por exemplo a inclusão de António Preto nas listas do PSD funciona como uma espécie de colateral de garantia de que os fluxos de dinheiros partidários continuam com todas as perspectivas de crescimento. Mudam as malas, mas continua tudo na mesma.

Pode-se pois criar à confiança um produto derivado colateralizado de alto rendimento e risco relativo, porque os dois grandes partidos obviamente confiam que a ingenuidade do eleitor português se mantenha. Julgo que, tal como Ferraz da Costa, também Henrique Medina Carreira foi excessivamente prudente ao comparar o Portugal político a um "grande BPN".

Acho que com TGV, auto-estradas, Freeport e acções não cotadas da sociedade Lusa de Negócios a render lucros de centena e meia de pontos, Portugal é uma holding de rapinagem que faz o que se passou no BPN parecer a contabilidade de uma igreja mórmon.

Nota do RoP

Por indisponibilidade de tempo, não publiquei este artigo de Mário Crespo com a devida oportunidade. Pela pertinência do tema, creio que vale a pena mesmo assim lê-lo, ou até, relê-lo.