10 fevereiro, 2010

Sr. Procurador, se não sabe, demita-se!

Em Maio deste ano completar-se-à o 3º aniversário do Renovar o Porto. De então para cá, pouco mudou no país e na nossa cidade, e se mudou, não foi seguramente para melhor. Para os optimistas, eternos serviçais do status quo, também nada terá mudado, porque para esses, por princípio e por fim, corre sempre tudo bem. Pela minha parte, terei de reconhecer que me enganei no diagnóstico quando criei este blogue. Não é só o Porto que precisa de ser renovado, é o país e o povo. Se o país deve ter o mesmo contorno geográfico é que já não tenho a certeza. Que os eleitores têm de rever os seus critérios de cidadania se quiserem melhorar o país, é incontornável. Se não o fizerem vão pagar cara a apatia.

Viver em Portugal, apesar do clima aprazível e da beleza natural, já só   é interessante para quem está de fora da realidade, por indiferença ou pura alienação. Para esses, tanto se lhes dá que haja corrupção como não, é-lhes indiferente desde que não belisquem o seu pequeno universo  privado. Para quem lê os jornais, e gosta de acompanhar as questões públicas, é saturante. O país não tem ponta por onde se lhe pegue. Senão, é pegar nos jornais e ver a rebaldaria que impera nas mais altas  instituições do Estado.

Confrontado com novos escândalos onde a figura do 1º. Ministro continua na baila, o  Procurador Geral da República queixa-se da falta de meios e de descoordenação entre as polícias de investigação. Por seu lado, a Polícia Judiciária reinvindica para o exercício de funções maior autonomia e os magistrados alegam  incompatibilidades com as prioridades da PJ. Isto, não é propriamente novidade. Há muito que as "comadres" do sistema judicial vivem de costas voltadas. Estas rivalidades entre corporações já vêm do tempo do Estado Novo. O que é dramático, é constatar que a Democracia não trouxe qualquer qualidade funcional ao sistema judicial português.

Marinho Pinto, o bastonário polémico da Ordem dos Advogados, referiu em entrevista à revista "País Positivo" que o sistema judicial foi subitamente ensombrado pela divulgação na Internet das escutas feitas a Pinto da Costa. «Não conseguiram condená-lo em Tribunal e agora estão a linchá-lo e a lixá-lo», acrescentou. Assim é, de facto. Mas, é estranho que só agora Marinho Pinto venha referir-se explicitamente ao caso Apito Dourado e a Pinto da Costa, quando a campanha difamatória contra o Presidente portista já dura há mais de 6 anos [começou em 2004]! Marinho Pinto, não me parece ser um homem intelectualmente vulnerável. Muitas das suas afirmações são credíveis e ferem os interesses corporativos dos seus pares, mas ao mesmo tempo parece dar sinais de alguma "permissividade" com o poder instituído, embora sempre tenha defendido o fim do segredo de Justiça. De facto, esta Lei é um verdadeiro aborto jurídico porque de secreta só tem o nome.

Como escrevi no post anterior, o nosso grande problema de hoje é não termos ninguém em quem acreditar, e isso, é efectivamente dramático.

Heroína do dia


Vi há poucos minutos a deputada do PEV eleita por Setúbal, Heloísa Apolónia, atirar à cara de José Sócrates o facto do PIDDAC para 2010 fomentar as assimetrias territoriais para refutar a demagogia, em que ele é useiro e vezeiro, do argumento de pedir para "explicar a um trasmontano o privilégio que está a ser dado à Madeira".

Heloísa Apolónia, pertence à parente pobre, ou filha enteada, da região de Lisboa, a Península de Setúbal, que apesar de estar inserida na região mais rica do país tem níveis até inferiores ao Vale do Ave. Heloísa sabe do que fala e é de louvar a sua clarividência e verticalidade. Exemplo contrário são as várias dezenas de cobardes eleitos por todos os outros partidos pelo distrito do Porto.

09 fevereiro, 2010

Olha quem fala

Nem palhaços ricos, nem pobres. Palhaços inconscientes.

Caros amigos, não se iludam com as elites nem esperem delas nada de verdadeiramente importante para a  vossa vida ou para a vida dos vossos filhos. As elites não são mais do que um grupo priveligiado de pessoas com ideias ambíguas e contraditórias sobre a sociedade que procuram manter um estatuto de competências e experiências que não possuem nem merecem. Se é tão só "importância" que se pretende atribuir às elites, então, as verdadeiras elites somos nós, os cidadãos sem "estatuto" e sem vínculos demasiado dependentes dos aparelhos político-partidários ou dos grandes grupos económicos. Em contraste com as surrealistas elites, quanto menos compromissos tivermos, mais transparente será a nossa liberdade e mais fiável será a nossa palavra. 

Fálo-vos assim, porque acabo de ouvir na televisão o 1º. Ministro a queixar-se da violação do segredo de justiça e do jornalismo de "buraco de fechadura", certamente por andar, como é do vosso conhecimento, nas bocas do mundo pelas piores razões. É nestes momentos, por deslizes cometidos em desespero de causa, que apetece citar o refrão que diz que, com quem ferros mata, com ferros morre. José Sócrates nunca disse uma única palavra contra a violação do segredo de justiça, nem a considerou crime, com a veemência de hoje, quando se conspirou contra Pinto da Costa com todo o tipo de  escutas e apitos. Sócrates, manteve-se, estranha e prudentemente silencioso, talvez para afastar de si   e das suas ligações perigosas, as atenções...  

Por outro lado, o conhecimento público destas escutas tendo a figura do 1º.Ministro [e de outras personalidades da política e da finança], como principal protagonista, não confere à comunicação social a condição de herói da fita, porque infelizmente também ela padece do mesmo mal de obscura seriedade e isenção. Esta realidade, deixa-nos a nós, cidadãos sem presunções nem responsabilidades governativas, sem grandes opções de credibilidade. Temos sempre de filtrar "tudo" o que a comunicação social nos transmite, pesar, comparar, "investigar" e retirar as nossas próprias ilações. É desta triagem de informação e contra informação que podemos retirar as conclusões mais assertivas. Ninguém é inocente. Independentemente de José Sócrates estar, ou não, entalado até ao pescoço em cambalachos ímpróprios do mais comezinho cidadão, a ideia que fica do afastamento quase pacífico da TVI de Eduardo Moniz e respectiva mulher [Manuela Moura Guedes], é que o dinheiro falou mais alto. 

Em resumo: continuemos sensatamente desconfiados. A vida pública tornou-se num circo, onde as feras têm papel irrelevante. O destaque vai para os palhaços. Palhaços estes, que inversamente aos verdadeiros, não nos fazem rir. Desgostam-nos e acicatam-nos a revolta.  

Dar a cara pela Liberdade

Todos pela Liberdade | 11 Fev | 13h30 | Frente à A.R.

07 fevereiro, 2010

DIREITO À INDIGNAÇÃO

Por mais que me esforce, não consigo compreender os contrastes de um país como Portugal Membro da União Europeia há 24 anos e que continua a ter índices sociais, políticos e económicos mais parecidos com muitos dos países do terceiro mundo!Para ilustrar esta minha análise, basta-me um “pequeno exemplo”, entre muitos outros, sobre a quantia que aufere em Pensões, a líder de um partido da oposição (seja ele qual for), que é bem superior ao ordenado do primeiro-ministro (seja ele qual for) do mesmo País!

Talvez por isso, queiram combater as pensões e os ordenados de quem pouco ganha, não acontecendo o mesmo com aqueles que tem pensões (P.R., Líder oposição, vários ministros e ex-ministros, deputados e
vários políticos e ex-politicos, bem na vida e actualmente em funções de CEO de empresas públicas e privadas) e que continuam no activo a auferir altas e várias pensões ou a exercer outras actividades bem remuneradas incorporadas às altas pensões! São paradigmáticos os casos de Silva Lopes, Vítor Constâncio, Manuela F.Leite, Murteira Nabo, Mário Soares, Cavaco Silva, etc.etc.

E em momentos de apertar o cinto, a receita é a do costume, ou seja os do costume que paguem a crise! Há quantos anos isto acontece? Há quantos anos sofrem este drama, os Portugueses?

As orientações politicas, económicas e sociais, até agora levadas à prática pelo actual e anteriores governos, levam sempre à diminuição e corte naqueles que menos possuem acentuando as desigualdades existentes na distribuição da riqueza!

Não admira, por isso mas não só, que o vulgar trabalhador e muitos jovens licenciados com alto potencial, continuem a procurar fazer a sua vida noutros países, EMIGRANDO!

Como dizia um ex-primeiro ministro português (só podia ser): “É A VIDA”!

Renato J.P.Oliveira

A vingança

O pestilento cheiro que exala a Justiça portuguesa, intensificado depois das revelações que se puderam ler no SOL desta semana, é uma situação que acaba por me dar uma certa satisfação. Este sentimento é paradoxal na medida em que nasce da triste existência da estrumeira em que se transformou a Justiça em que desgraçadamente somos obrigados a chafurdar, já que oficialmente somos todos portugueses. Esta satisfação tem uma explicação.

Nós, os portistas, já há muito tempo tínhamos percebido que o senhor Procurador Geral da República não é uma pessoa isenta. A sua actuação directa e indirectamente, nos "Apitos", já claramente o indiciava. Dificil era prová-lo, e às nossas alegações respondiam os anti-portistas que tínhamos "desculpas de mau pagador" e que era irresponsável pôr em causa a idoneidade de tão alto personagem da República. As recentes revelações sobre as certidões tiradas pelos magistrados de Aveiro do processo "Face Oculta" , vieram eliminar todas e quaisquer dúvidas, demonstrando que tínhamos razão e que o PGR não pode nem deve continuar nas suas funções. Nas presentes circunstâncias, devia demitir-se, mas para isso seria necessária uma dignidade de cuja existência duvido.

De qualquer modo, como portista sinto-me vingado.

De sublinhar que esta enxurrada pestilenta acaba de arrastar outro "figurão" da hierarquia oficial : o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Em face da gravidade destes atentados à Democracia, espero que o Presidente da República tome rapidamente uma atitude compatível com a sua posição de "supremo magistrado da Nação". Se isso não acontecer, penso que as economias que o país está obrigado a fazer poderiam começar por poupar os gastos inerentes ao funcionamento daquele orgão, porque então para que serviria um PR?

05 fevereiro, 2010

Bom fim de semana

Este é o país de facto. O resto é treta.

Lei de bases do sistema desportivo é como o país:um bluff!

Das duas, uma. Ou as mais altas autoridades do país andam distraídas, ou a fasquia da soberba é tão grande que as impede de ver o maior crime cometido «a céu aberto» levado a cabo   pelos próprios representantes da "justiça" desportiva. Tamanha cegueira, espanta e  contrasta flagrantemente com o empenho demonstrado pelas mesmas autoridades no levantamento de Processos como o Apito Dourado e outros correlacionados com o FCP ou com a cidade do Porto, o que nos dá total legitimidade para pensarmos que a corrupção na justiça desportiva é mais do que uma suspeita, é um facto.

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Ps-Atentem no Artº. 5 que fala sobre Ética Desportiva, mas por favor, sem se rirem...

Impor jejum com a barriga cheia

Manuel Carvalho, do PÚBLICO, costuma escrever uns artigos muito interessantes. No jornal de hoje, no entanto, salta para o comboio dos detractores de AJ JARDIM e junta-se à pancadaria que a generalidade dos jornalistas gosta de dar ao presidente do governo da Madeira. Fico a pensar se "bater" em AJJ dá pontuação positiva aos jornalistas.

MC argumenta que a Madeira tem o segundo maior rendimento per capita de Portugal (sendo que o maior é obviamente o de Lisboa) e que portanto é normal que fique a perder nas transferências financeiras. Desta afirmação nasce irreprimivelmente o desejo de questionar por que razão a Madeira tem que refrear os seus apetites emquanto Lisboa pode continuar a "comer" à vontade!

MC tem depois uma afirmação justa mas da qual extrai a conclusão errada. Diz ele que "num país justo , seria uma injustiça que a parte pobre financiasse a parte rica". Tem toda a razão, mas não reparou ainda que é precisamente isso que acontece no Continente, com Lisboa/Vale do Tejo a ser financiada pelo resto do país? O governo faz-me lembrar um chefe de família à mesa com os seus dependentes, tendo o seu prato cheio de comida , apontando para o que resta num tacho quase vazio, e explicando que os tempos são de crise e que portanto é indispensável apertar o cinto. Antigamente dizia-se que o exemplo tinha de vir de cima, mas parece que caiu em desuso.

04 fevereiro, 2010

Alberto João Jardim, o Pinto da Costa da inveja política

Paulo Martins, do JN, faz na sua crónica de hoje, uma curiosa analogia entre a Madeira de Alberto João Jardim e a Gália do famoso Astérix da banda desenhada. Chama-lhe «irredutível», como ao herói galês e critica-o por se recusar a apertar o cinto em solidariedade com o resto do país e por continuar a exigir do Estado central mais dinheiro.

Para não variar, Manuel António Pina, escolheu o mesmo tema e protagonista na sua diária coluna de opinião: Alberto J. Jardim. Estranho unanimismo este. Estranho, porque a montante dos hábitos aparentemente chantagistas de AJJ, reside outra chantagem endémica do Governo Central sobre o resto do país [principalmente com o Porto e a região Norte], no cínico e incoerente discurso de coesão nacional, em total contradição com práticas de poder pornograficamente centralistas. Não há qualquer moral nestas flechas de censura dirigidas contra AJJ sem antes se equacionar o que seria da Madeira sem a autonomia e sem um Homem como AJJardim. Muito provavelmente, seguramente, mesmo, estaria mais pobre e abandonada que o Porto e todo o Norte profundo. 

Em condições de governabilidade respeitáveis, podiam fazer algum sentido as críticas a A.J.Jardim. Sucede que, a governabilidade em Portugal não só não é respeitável, como é indecorosa e fragmentária. Por isso, e porque AJJardim tornou [como escreve o jornalista Paulo Martins] a Madeira na região do país mais rica da média nacional, com 98%  do PIB da média europeia, o líder madeirense não está mais do que a copiar  o estilo chantagista dos sucessivos governos centralistas, com uma diferença abissal: acrescenta visíveis benefícios para o povo madeirense.

Se o Governo Central pode desviar fundos do QREN do Norte para Lisboa porque não pode a Madeira tomar medidas semelhantes? Será que os autores destes artigos detectaram alguns sinais de preocupação da parte do Governo Central para com a nossa região que nós não tenhámos percebido? Ou será apenas uma questão de «moda», diabolizar AJJardim? Não creio. Penso que será mais uma questão de má consciência e a necessidade de atacar um homem temido por simbiose ao politicamente correcto. Tal como fizeram e fazem com Pinto da Costa...

03 fevereiro, 2010

Talibans, precisa-se!

O país está a saque. O Governo é a cloaca que sabemos, a Procuradoria navega entre um mar de incompetências e um lodaçal de arbitrariedades, o Presidente da República não passa de um corta-fitas, a Assembleia da República é uma espécie de SONAE improdutiva com empregados preguiçosos e bem pagos, e o Porto assiste a tudo isto impotente e enfermo. Que mecanismos democráticos nos podem valer? Eu digo. Nenhuns!

Desportivamente, a Justiça está entregue a autênticos bandidos protegidos por togas encarnadas. A Justiça em causa própria, é feita nas barbas de todo o país, sem que nada nem ninguém se indigne ou interfira. É de supor que, estejam à espera de algum acto tresloucado da nossa parte para porem termo à bandalhice. Pois, se assim é, que não tarde, porque isto já começa a ultrapassar os limites da tolerância . Por este andar, temos estes "PIDES" do pós 25 de Abril a entrar dentro das nossas casas a afirmarem que ela e tudo o resto lhes pertence.   

Talibans, precisa-se, para defender o Porto. É que o telefone da Democracia não atende e nós precisámos de respirar.

02 fevereiro, 2010

Ataque centralista ao Braga começou. Pode ser que lhes sirva para abrirem os olhos


Quem fala verdade? Você sabe?

Neste ambiente de profunda describilidade política e social em que uns vivem, outros fazem por viver e outros ainda fingem que vivem, ninguém é totalmente inocente. É impossível. O desenvolvimento das sociedades foi mais tecnológico do que social, o que fez com que, para sobreviver, o homem, mesmo o mais nobre, tivesse [e ainda tenha] de recorrer a métodos de competitividade obscuros e desleais em relação ao outro. Neste aspecto concreto, ainda acusámos hábitos medievais, só não gostámos é de o admitir talvez para não nos chocarmos com uma realidade que pouco nos distingue dos animais selvagens.

É, a partir  desta realidade, contabilizados os grandes escândalos protagonizados por agentes políticos e judiciais e descontados os que nunca chegaram ao conhecimento público, que devemos apreciar a imensa hipocrisia com que a comunicação social centralista tem tratado Pinto da Costa.

Não há nenhum portista honesto que defenda Pinto da Costa por estar convencido que ele é o homem mais sério do Mundo, porque, acreditar nisso, seria igual a pensar que é possível a um Homem ser absolutamente honesto durante uma vida inteira numa sociedade injusta e desonesta como é a nossa. Não é exclusivo de Portugal, mas infelizmente nós costumamos ser "bons" a copiar dos outros os piores exemplos...O grande trunfo de Pinto da Costa foi perceber que para lutar  com a concorrência e  vencê-la teria de usar da astúcia e do confronto aberto. E nisso, ele foi melhor do que todos os adversários, porque no passado como agora no presente, ele tinha e continua a ter, toda a prole de viciados centralista contra ele e o FCPorto, como aliás está bem à vista. E é exactamente por isso, mais a sua capacidade de liderança, que é idolatrado pelos portistas.

Mas, a minha ideia de momento, não é falar de Pinto da Costa. Apenas o citei como exemplo para dar uma noção realista da profunda hipocrisia da sociedade no que respeita a questões de seriedade e transparência. Hoje, o tema é Mário Crespo e a censura que aparentemente o director do JN sobre ele exerceu. A mim, o caso não me surpreendeu, porque não é de hoje que percebi o low profile de José Leite Pereira e o sentido centralista que imprimiu ao histórico jornal nortenho. É um yes man típico. Um videirinho bem falante que tenta fazer pela vida procurando dar-se com Deus e com o Diabo.

E, qual é o problema então? O problema, é que, com o histórico deontológico que conhecemos dos media, temos de estar de pé atrás em relação a tudo, incluindo  este caso de aparente censura. Mário Crespo, enquanto jornalista, amadureceu e "melhorou" com o passar dos anos. No entanto, a SIC a estação de TV onde trabalha, não é o exemplo de Democracia que quer fazer parecer. É uma estação de duvidosa reputação, o que só por si constitui de certa maneira algum entrave à credibilidade do jornalista. Depois, há um detalhe que corrobora a minha desconfiança. É que, Mário Crespo por razões que só ele saberá explicar, não hesitou em identificar o nome dos políticos que supostamente contra ele conspiraram com epítetos impróprios para órgãos superiores do Estado, mas não o fez com o director executivo da estação de TV com quem partilhavam o «convívio», o que denota medo, ou um sentido corporativista/oportunista de frontalidade.Por outro lado, e apesar de ter na pior conta a classe política, pela imprudência revelada  noutros casos, muito alto devem ter falado para que, quem estava próximo, pudesse ouvir a conversa de fio a pavio para depois a poder denunciar. 

Este país não pára de nos surpreender. Ou melhor, a qualidade das «pessoas» mediáticas deste país...



01 fevereiro, 2010

Os métodos do 31 de Janeiro

Fonte: http://cidadesurpreendente.blogspot.com/

Ontem andaram por cá os senhores Sócrates e Cavaco a propósito de uma daquelas comemorações irrelevantes em que todos os regimes são pródigos e usam como exercícios de autolegitimação. O responsável directo por um dos orçamentos do estado e plano de investimentos da administração central mais desfavoráveis e discriminadores do Porto, tratando-o como uma região de terceira classe e perpetuando-lhe a pobreza, apesar de congregar 18% da população e ser cabeça da região mais populosa do país e aquela que ainda mais exporta e cuja economia é a menos "alavancada" pelo estado, teceu as habituais loas ao Porto que estes bonifrates do centralismo sempre evacuam quando cá vêm .

Fonte: http://cidadesurpreendente.blogspot.com/

Estes senhores mereciam que reactivássemos os mesmos métodos dos insurrectos do 31 de Janeiro, incluindo o da pólvora. Mas tal como na aventura ontem muito hipocritamente incensada, isso teria que ser tarefa de meia dúzia de corajosos e à revelia das "elites" locais e dos que têm horror a que se faça ondas.

P.S. Temos todos que seguir o exemplo do cidadão que acima exige "Outra República". Sempre que os bonifrates cá venham devemos ir para a rua gritar "Morra o centralismo!"

31 janeiro, 2010

O "esquecimento"

Todas as vozes, oficiais, semi-oficiais, ou de credenciados comentadores, que pretendem enumerar os males de que padece Portugal, são praticamente unânimes. Cita-se a Justiça, a desgraça que é o Ensino, as leis penais que defendem mais o criminoso do que a vítima, e mais uns quantos factores. Praticamente toda a gente está de acordo, com a aparente excepção dos sucessivos governos que dão a impressão de pensar que está tudo bem e nada haverá a melhorar.

Esta enumeração peca pelo "esquecimento" de um dos factores que contribuem para a actual situação pantanosa de Portugal : a excessiva concentração de investimentos e actividades económicas induzidas na região da Grande Lisboa, em detrimento do restante país. Compreende-se o "esquecimento" por parte dos beneficiários da situação,pois obviamente o seu interesse é que ela se eternize, e deliberadamente estabelecem a confusão entre o que chamam de "interesse nacional", e aquilo que na realidade é : o favorecimento de uma população que não vai além dos 35% do total de portugueses, e simultâneamente " vender" favores a todos os "clientes" que gravitam à volta do poder. Os sucessivos PIDDAC´s inegavelmente demonstram o descarado favorecimento daquela região. O de 2010, agora conhecido, é mais uma (desnecessária) confirmação.

Mas se o comportamento dos "colonizadores" é lógico e compreensivel à luz da sua finalidade -arrebanhar o máximo de vantagens materiais e assim contribuir para o seu próprio comparativo alto nível de vida - já a atitude dos "colonizados" é incompreensível. Faz-me confusão esta nossa apatia que um dia aqui comparei à resignação do gado a caminho do matadouro. Parece que sofremos colectivamente de um misto de estupidez e ignorância. Parece que não compreendemos o que nos está a acontecer. Damos mostras de aceitação resignada de que somos impotentes e incapazes de lançar o equivalente ao "grito do Ipiranga".

Quero acreditar que os povos do Norte apenas têm a capacidade de reacção adormecida, mas falta-nos um líder capaz de os despertar e comandar-nos na revolta cívica que se impõe. Por muito que receie que este anseio seja o mesmo que esperar por D. Sebastião, continuo a ter esperança .

Entretanto, e se servisse para alguma coisa, deixaria aqui um apelo. Que para contrabalançar o "esquecimento" dos centralistas sulistas e dos "assimilados", todos aqueles nortenhos que têm voz, sejam individualidades ou entidades colectivas, não se cansem de proclamar alto e bom som e sem desfalecimento, que o actual modelo económico que consiste em concentrar recursos financeiros e humanos apenas na capital é, além de injusto e castrador da maior parte do país, um modelo que contribui para as nossas presentes dificuldades e que, lá mais para a frente, constituirá a semente que causará o esfacelamento do país tal como o conhecemos hoje. O que, bem vistas as coisas, se calhar até seria uma grande coisa!

Bom domingo

31 de Janeiro de 1891. Terá valido a pena?

Faz tempo, muito tempo mesmo, que interiorizei convictamente que o defeito dos maus governos tem mais a ver com a qualidade da massa humana de que são compostos, do que propriamente com as ideologias.
Por esta altura, torna-se tão fastidioso rebater a tecla dos perigos da Ditadura como a lengalenga de lembrar que a Democracia é o pior dos regimes à excepção de todos os outros. Apesar de tudo, a Ditadura é mais conclusiva, ou seja, sabemos que o Poder é exercido à "força" por um só homem e seus fiéis servidores, e que o Povo não tem voto na matéria. Ponto.
A Democracia é aparentemente mais respeitadora dos direitos e liberdades dos cidadãos, mas é ao mesmo tempo mais ambígua e enganadora. A forma como os cidadãos votam e elegem quem os irá representar está longe de ser fiável dado o desconhecimento absoluto que têm dos mesmos. Por sua vez os partidos políticos não veículam, como seria de esperar, a voz do Povo mas sim os interesses dos respectivos aparelhos.
Dito isto, estou-me nas tintas para a República e para a Monarquia. Lutar por um ou outro regime, é igual [ou quase], se a massa humana dos respectivos governos fôr imprestável. Que me importa a mim ter um Rei ou um Presidente como representante máximo da hierarquia do país se ele se mantiver ingovernável como o nosso? Haveria algum português do povo/povo que se incomodasse muito de viver numa monarquia como, por exemplo, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou mesmo a Holanda, se tivesse o mesmo nível de vida dos povos destes países? Estou convencido que não. O mal, está na qualidade de quem Governa. Quem governa mal, terá «mau» povo, quem sabe o que está a fazer e sabe dar bons exemplos acabará por gerar um grande povo, um povo cumpridor e civilizado. O nosso problema está única e exclusivamente nos nossos governantes. Quem contestar tal realidade, estará por qualquer razão que só ele saberá, apenas a branquear e a contribuir para a manutenção do status quo da mediocridade regimental .
Vem isto a propósito das comemorações da implantação da República que hoje, 31 de Janeiro de 2010 cumpriria 119 anos caso a primeira tentativa de 1891 não tivesse fracassado. Há quem defenda que não passou de uma revolta de amadores. Há quem afirme que foi uma revolução. Não sei bem distinguir a fronteira entre uma coisa e a outra, apenas respeito quem defendeu a causa republicana com profunda convicção e pelo facto da monarquia revelar manifestos sinais de fragilidade. Por esse tempo o povo sentia a pátria e ainda acreditava que podíamos fazer frente aos ingleses. Por isso se indignou com o ultimatum que foi feito a Portugal e com a subserviência revelada pelo governo monárquico. Há quem defenda que o primeiro golpe republicano falhou porque as tropas municipais de cujo apoio os revoltosos contavam, foram aliciadas, pouco tempo antes com um aumento do pré. Não sei bem de que lado estava a razão, o que sei, é que nenhum povo se revolta quando está bem. Mas sei também, que não é por se mudar o nome às coisas que um país renasce das cinzas e se levanta.
Se a Monarquia falhou, falhou também a República, como agora está a falhar a Democracia, o que reforça a minha tese de que, não são os regimes os maiores responsáveis pelos fracassos governativos, mas sim a qualidade da gente que os desempenha. É urgente, fundamental, imperioso que o Povo exija dos seus governantes a excelência. Então sim, podemos talvez sonhar com um excelente país.
Nota:
Ora digam lá se este pedaço de texto extraído de uma crónica de Germano Silva no JN, da autoria de Dionísio Santos Silva não encaixa como uma luva na realidade actual do Porto: "não basta para o movimento ter sucesso, que os militares saiam à rua com as armas na mão, é preciso que sintam o apoio do Povo e, para isso, é mister mentalizar as massas, formá-las no ideal republicano*, o que só será conseguido através das colunas de um jornal, que tome a dianteira aos demais já existentes. Assim nasceu o jornal A República Portuguesa...
*onde se lê republicano devia ler-se agora regional/democrático

30 janeiro, 2010

Humilhados e Ofendidos

Já há quase dois anos que aqui referi as poucas vergonhas que rodearam o financiamento do estádio do benfica. Baseei-me em revelações feitas por Miguel Sousa Tavares, a quem a C M de Lisboa sempre recusou facultar cópia dos contratos entre a edilidade e o benfica, mas que ele conseguiu através de outra fonte. Foram assim revelados os atropelos cometidos, os favores ilegais concedidos ao clube, as infracções lesivas do interesse público. Porque se tratava do clube do regime, a comunicação social furtou-se a dar relevo ao assunto. A mesma CS que, não se esqueça, atacou repetidamente o FCP e o crucificou na praça pública, com a alegação de ter sido beneficiado pela CM do Porto ( no tempo de Fernando Gomes e de Nuno Cardoso) aquando da construção do Dragão. Não posso esquecer também que estes ataques foram criados e estimulados por Rui Rio, na sua ânsia de protagonismo pessoal e de ódio ao FCP.

As instituições judiciais às vezes surpreendem-nos, mas a verdade é que o assunto voltou à baila, desta vez baseado em inquéritos da Inspecção Geral de Finanças e (mais significativo) da PJ, que concluem pela existência de ilìcitos no financiamento do benfica. Tendo em conta experiências do passado, possivelmente não dará em nada, e certamente que a CS tratará de não fazer ondas e de deixar cair o assunto o mais discretamente possivel, como é habitual. Prevejo que a impunidade e a protecção mafiosa ao clube do regime vão continuar, mas nós, portistas
continuamente humilhados e ofendidos, temos a obrigação de dar o maior relevo posssivel às escandalosas e ilegais facilidades concedidas aos auto-intitulados paladinos da transparência, que se traduziram num roubo de 65 milhões de dinheiro público.

Este post pretende ser uma pequena contribuição a essa finalidade.

27 janeiro, 2010

Pinto da Costa punido por falar...Ah, ah, ah, ah!

Bem, já não há adjectivos para qualificar a baixeza e falta da carácter do Presidente da Comissão Indisciplinada da Liga. É o cúmulo da afronta. Só lhe falta soltar os cães sobre Pinto da Costa!
Se eu fosse Pinto da Costa, a partir de agora não me limitava a falar, berrava! Dava entrevistas em tudo o que é jornal e televisão - para os ajudar a subir a facturação - e esperava para ver o resultado...

É urgente de uma vez por todas testar a autoridade deste vigarista e de quem lha tem facultado. Assim, será mais simples descobrir o rosto de quem lhe tem largado a rédea para andar à solta como um cão vadio [sem ofensa para os cães vadios].

A partir daqui vale tudo.

Não digam que não avisei o sr. Presidente da República.

26 janeiro, 2010

Sentir, não é especular nem espectacular

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[extraído do JN/Sérgio Andrade]

A solidariedade da Hipocrisia benfiquista...ou

... dois em um? Toma lá "solidariedade" mais um pacote de publicidade.
Viram o que eu vi? Viram como se monta o maior espectáculo de hipocrisia dentro de um estádio de futebol sob a capa de solidariedade? Não? Pois, aconteceu ontem com a máxima pujança, no diabólico estádio da Luz. Pouco tempo antes, tinham insultado, provocado jogadores do FCPorto e apedrejado o carro onde seguia Pinto da Costa. Não o mataram porque não calhou, mas pela avaliação que costumam fazer sobre as asneiras próprias, devem ter considerado o acto uma simples brincadeira inconsequente... Uns mêses antes, tudo fizeram para prejudicar o FCPorto e ganhar o Campeonato na Secretaria da UEFA. Conspiraram, filmaram, produziram livros, tudo fizeram para destruir o nosso clube. Num passado ainda recente partiram a cabeça a um jogador nosso de hóquei em patins, e nada. Incendiaram um autocarro do nosso clube, tudo dentro da normalidade... Qual investigação, qual punição qual quê. É contra gente do Porto, podem malhar à vontade.
Há certos puritanos [que se dizem portistas] que pensam que isto se resolve fazendo como a avestruz, enfiando a cabeça no buraco e deixá-los continuar a malhar. Nós é que não podemos reagir. Quem provoca e agride primeiro passa, quem reage come. Ou então, o que é mais patético, sugerem que esperemos que seja a Justiça a resolver estes assuntos. Então não resolve? Tem-se visto, e provado... Neste caso, fazem de conta que não percebem que em Portugal a Justiça anda de rastos e que está completamente minada por gente ligada ao Benfica responsável pela divulgação das escutas e do segredo de Justiça. Mas, fazem de conta que não percebem... Estranhos moralistas estes.
Na justiça desportiva, é a mesma coisa. Na liga temos um homem promíscuo, do partido de Rui Rio, a "liderá-la", e que é [imagine, Sr. Rui Rio], simultâneamente Presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis... Curioso, andarei a ouvir mal, ou será que ainda não ouvi mesmo o Dr. Rui Rio a pronunciar-se sobre esta promiscuidade? Tudo simples coincidências ou silêncios com enigmas?
Sou uma pessoa, como qualquer outra. Tenho sentimentos afectuosos e ácidos. Procuro geri-los o melhor que sei tentando ser uma pessoa "normal". O que não serei nunca é hipócrita, ou politicamente correcto, que vai dar ao mesmo.
No post anterior, escrevi o que me vai na alma, e não estarei enganado se advinhar que o meu sentimento é partilhado por milhares de portistas [e não só]. Neste momento, nenhuma castástrofe em Lisboa me levaria a dar um só passo para os ajudar. A minha generosidade, não é cega nem surda, é racional. Nunca estenderei a mão a quem me tentou assassinar, mesmo que indirectamente. Isso, é para as novelas.

25 janeiro, 2010

Haiti, Lisboa, e os castigos de Deus...

No rescaldo da tragédia do Haiti, a multidão de sobreviventes reuniu-se junto aos destroços num acto redentor de fé cristã para pedir perdão a Deus. Ouviam-se pessoas, muitas das quais porventura inocentes, arrependidas a rezar e clamar perdão pelos crimes cometidos.
Antes do terramoto, reinava a violência e a criminalidade nas ruas de Port aux Prince e era tanta e tão frequente que levou a população a atribuir à calamidade um castigo de Deus.
Mal comparando, subitamente, dei comigo a fazer uma analogia do "peso de má consciência" haitiano com o do lisboeta caso o terramoto de 1755 tivesse agora outra réplica. Lisboa, está situada numa zona de alto risco sísmico.
Neste momento, nem numa tragédia dessa dimensão seria capaz de lhes estender a mão. Os meus sentimentos com aquela parte do país estão na fronteira entre o desprezo e o ódio. Não tenho como escondê-lo, nem quero.
Oxalá, a má sorte dos haitianos não se repita em Lisboa, porque não serei eu que darei um passo para os ajudar, ao contrário do que faria com qualquer povo, em qualquer lugar do Mundo, até a um animal.
Duvido mesmo, que numa hora trágica como essas, o medo ou a cobardia lhes despertasse a humildade para reconhecer as malfeitorias escabrosas que andaram a fazer ao resto do país, principalmente ao Porto e ao Norte.