25 setembro, 2010

Centralistas e lisboetas. Haverá diferença?

Sob pena de cair no ridículo, aos olhos de uma certa "elite" local, mais fria e calculista, o último programa da RTP2 [que devia ser RTP1] Sociedade Civil, abaixo linkado, apresentado pela excelente jornalista Fernanda Freitas, foi um autêntico tónico para a alma dos portuenses. Neste programa, falou-se exclusivamente do Porto, e do amor ao Porto, motivos mais do que suficientes para os portuenses mais ferrenhos se darem ao prazer de o ver do princípio ao fim. Se o fizerem, irão perceber porque é que os 90 minutos vão parecer 90 segundos.

Estes medos do ridículo, não tem nada a ver com o receio de certos complexados do burgo de mostrarem ao Mundo que também são capazes de se emocionar, de expor publicamente a "fraqueza" do seu bairrismo, de amar a sua rua [como disse e bem, o Álvaro Costa], tem a ver sim, com as insidiosas manipulações a que os portuenses são sujeitos sempre que têm o ensejo de manifestar publicamente o amor pela sua cidade. E é aqui que eu quero chegar.

Este programa emocionou-me, não tanto pelo que se disse, mas por quem o disse... Não é caso para estranhar, meus amigos, porque de facto, os portuenses não estão habituados a assistir a um programa inteiro composto por portuenses a falar orgulhosamente da sua cidade, sem terem à esquina do primeiro elogio alguém a atirar-nos à cara os nossos defeitos. E é isso que costuma acontecer em qualquer programa emitido a partir de Lisboa nos raríssimos momentos que decidem falar de nós, da nossa insubstituível cidade do Porto.

É baseado na objectividade destes dados que só concordo parcialmente com a opinião politicamente correcta do Manuel Serrão e do Álvaro Costa quanto à relação afectiva  dos lisboetas com  os tripeiros. Manuel Serrão diz que não confunde o centralismo com os lisboetas, e, com toda a franqueza, era assim que eu também gostaria de pensar. O problema não está aí. O problema é que foram os lisboetas que se deixaram "dominar" pelo culto centralista sem nunca se mostrarem incomodados com a "mordomia", porque perceberam que esse "domínio" os beneficiava. E não é por termos amigos em Lisboa, com quem vamos esporadicamente beber um copo, ou jantar, por razões familiares, ou em negócios, onde a circunstância manda enterrar o machado de guerra, que podemos medir a consideração e o respeito que eles sentem por nós. É sim, quando eles estão longe de nós.

Quando estão longe, no seu habitat natural, ou mesmo nos estúdios das televisões centralistas, aí, são incapazes de revelar a mínima solidariedade com os portuenses. Então, que raio  impede os lisboetas não centralistas de se solidarizarem com os nortenhos [e  não apenas com os portuenses] quando sabem que estamos a ser discriminados política e economicamente, quando sabem que somos a região que mais exporta e que paradoxalmente é a mais pobre do país, a menos favorecida? Onde estará então a porreirice lisboeta que não se vê nem se houve, e os distingue dos centralistas ? Nos salões de chá? Nas televisões [que é o local de privilégio dos alfacinhas], não é seguramente...

Noventa e nove por cento dos portugueses, de norte a sul, são influenciados por uma visão centralista do país. Desses, embora constituam uma maioria, por razões sócio-culturais, só uma pequena percentagem percebe as razões políticas da discriminação negativa de que é alvo,  enquanto na capital a diferença  legada pelo superior rendimento per capita  em relação ao resto do país, produz um efeito de benefício do qual não têm qualquer interesse em abrir mão. Se juntarmos a isto a clubite regimental, temos o caldo perfeito para sedimentar um sentimento de indiferença e até de desprezo para com os portuenses, não obstante os encómios simpáticos das lisboetas citadas no referido programa pela Katty Xiomara alusivos à beleza dos portuenses...

A visão conciliadora  do Manuel Serrão [não acredita na guerra Sul/Norte] sobre a relação dos lisboetas connôsco louva-se e percebe-se, se atendermos aos interesses decorrentes da sua actividade profissional - que deverá salvaguardar -, mas essa não é uma visão realista.

A opinião da grande massa anónima de portuenses, que não precisa de ter essas preocupações  diplomáticas, está seguramente mais  próxima dos factos. Tanto, como está distante dos eventos mundanos da capital, ou de jantares de negócios com o empresariado lisboeta.

   

24 setembro, 2010

Última edição do programa Sociedade Civil

Clicar sobre o link para ver


Com:
      Manuel Serrão (Empresário)
 Miguel Neiva (Designer)
    Katty Xiomara (Estillista)
    Nuno Grande (Arquitecto)
  Álvaro Costa (Jornalista)

Nota do RoP:
Muito Bom para o ego dos portuenses


Para quem não viu, veja.

Sociedade Civil [RTP2]edição emitida a partir da Casa da Música, com Fernanda Freitas

Clicar sobre o link para ver programa

23 setembro, 2010

Apoiemos o MPPNorte, contra o centralismo

Salvo raras excepções, não deixa de me surpreender o aparente alheamento de alguns adeptos de futebol pela situação política do país, nomeadamente de clubes do Norte do país que são aqueles que, por razões óbvias, mais motivação deviam revelar pelos graves problemas que a região atravessa. Este fenómeno não é exclusivo dos portistas, estende-se a todos os clubes da região Norte e da cidade do Porto,  e adensa-se com algumas coligações estratégicas feitas com clubes de Lisboa [a última foi entre Guimarães e  Benfica] com resultados desastrosos que em nada abonaram para a união dos nortenhos.

Os nortenhos ainda não foram capazes de separar as águas entre a rivalidade clubística e a solidariedade regional - que devia existir e não existe -, porque ainda não se determinaram a constituir-se como uma força poderosa capaz de pôr em sentido o Governo de Lisboa. Quando o fizerem, podem estar certos, também os clubes do Norte beneficiarão com isso. Todos. Deste comportamento estúpido [desculpem-me, mas é mesmo o que penso], se tem aproveitado o centralismo. As cobranças das portagens nas SCUTS exclusivamente a Norte numa fase inicial [que pode bem tornar-se definitivamente exclusiva], são a grande prova do desrespeito que o Governo nos vota. Como sentem a nossa desunião, abusam.

Entendo que, como nortenho que também sou, temos motivos de sobra para estar decepcionados, revoltados mesmo, com a política e com a crescente mediocridade da governação, mas isso não devia alhear-nos da busca de alternativas para invertermos este clima de profunda depressão e de descarada discriminação negativa que nos tem sido imposta de forma imperial , diria mesmo, de forma provocatória. Mas o que observo, não é isso, mas antes uma euforia excessiva totalmente centrada no sucesso dos clubes da terra... É que, mesmo que o êxito eventual do clube da terra nos possa servir como consolação, a verdade é que não será isso que fará alterar o rumo da situação económica e social da região. A prova, é o Futebol Clube do Porto: tem ganho frequentemente os campeonatos nacionais e até algumas provas internacionais, mas nós não ganhámos nada, em termos práticos, a não ser alegria na alma!

Acaba de ser inaugurada a sede de um novo partido no Porto. Não posso garantir se será através dele que poderemos começar a inverter o rumo desastroso que nos tem sido impingido desde Lisboa, mas é uma oportunidade que não nos podemos dar ao luxo de enjeitar sob pena de sermos os maiores responsáveis pela degradação total da nossa qualidade de vida. Esse partido tem, à partida, uma enorme vantagem em comparação com qualquer outro: pretende repor na Constituição a Lei que consagra a criação de Regiões e quer bater-se pela sua concretização.

Para mim, é um pequeno grande passo. Tudo o que existe a montante em termos político-partidários é passado. O futuro do Movimento Pró Partido do Norte depende de nós. Está na altura de transferirmos um pouco do nosso fervor clubístico, seja ele qual for, para a actividade política. Conscientemente, sem fanatismos, mas com muita determinação.

22 setembro, 2010

Benfica, não! Malfica!

As reacções chantagistas dos dirigentes do Benfica junto do Conselho de Arbitragem da Liga não só denunciam o desespero pelo péssimo arranque no actual Campeonato, como deviam fazer corar de vergonha e humilhação todos os benfiquistas de bem [se é que os há].

Mal comparando, não vejo grande diferença entre este comportamento do Benfica, do comportamento dos pedófilos da Casa Pia depois de lida a sentença que os condenou. Todos se afirmaram inocentes! Todos! Curioso... Se os pedófilos da Casa Pia, diziam que a culpa era das crianças, ou dos juízes, o Benfica que no passado recente forjou apitos dourados, agora culpa e exerce chantagem sobre os árbitros com o claro objectivo  de obter os seus favores. Há jornalistas que chamam a isto estratégia. Eu chamo-lhe chantagem  hardcore, e se não estou enganado, chantagear ainda é considerado crime. Se é exercida de forma clara ou presumida, para mim, é irrelevante. Chantagem é chantagem e é uma coisa muito feia.

Num país onde existissem verdadeiras figuras de Estado, onde a autoridade de facto funcionasse, as trapaceirices dos dirigentes do Benfica terminavam logo na primeira tentativa, e a vida voltava à normalidade. Mas nós não vivemos num Estado de Direito, nem os nossos mais altos representantes são dotados das qualidades necessárias para desempenharem as funções de Estado como deve de ser. Esta Democracia é uma óptima aliada dos oportunistas amantes do dolce fare niente, e como tal, o melhor é deixar correr o marfim. Até um dia...

Assim sendo, como um menino mimado, o Benfica vai continuar impunemente a semear a bagunça no futebol português e a sobrecarregar os órgãos da Justiça com não assuntos. É previsível que seja isto que nos espera. Será uma espécie de caldeirada de fanfarronice e surtos conspirativos de todo o tipo, consoante o lugar na classificação geral e a "isenção" das arbitragens... E os nossos grandes estadistas a assobiarem para o lado. Até um dia...

Até ao dia em que a revolta de um adepto menos paciente se expresse de forma violenta e provoque vítimas. Nesse dia, cá estarei para acusar de assassinos e grandes hipócritas, não o autor do acto desesperado, mas as excelsas e nobilíssimas autoridades lisboetas que decerto se apressarão a condenar a barbárie...
  

21 setembro, 2010

Frustrante Liberdade

Não foi hoje que me dei conta da quase inutilidade da liberdade de expressão [ainda]  permitida a países como o nosso, onde a democracia foi deficientemente assimilada e pior  explicada.  Com os inqualificados professores que tivemos e temos [os dirigentes políticos], era inevitável,só podíamos ter maus alunos.

A blogosfera e as redes sociais trouxeram aos cidadãos um considerável progresso ao nível da autonomia e da liberdade de opinião, mas ainda estão longe de ter o impacto público dos media tradicionais. Com o desemprego a crescer, haverá seguramente um grande retrocesso nessa romântica Liberdade...

A Liberdade de cidadania numa democracia evoluída não pode limitar-se a um exercício platónico de voyerismo estéril  sobre os abusos ou as asneiras dos Poderes, deve ser interactiva e consequente. Os Poderes não simpatizam com a ideia de se deixarem controlar pelos cidadãos e preferem deixar tudo como está, fingindo que assim é que está bem. 

A comunicação social está cada vez mais clonizada e a liberdade dos jornalistas obedece a normas semelhantes às de um Big Brother corporativo cujos limites conhecem bem e raramente ousam ultrapassar, mesmo contra a sua própria consciência. No jornalismo - e não falo só do desportivo que é o mais desonesto -, há uma espécie de doença endémica instalada, da qual parece não se quererem curar. Dão-se bem assim, intelectualmente amarrados aos seus critérios, às suas influências e intromissões. Sentem-se confortáveis, quase em completa imunidade, sentem-se, enfim, como o 4º Poder...

Deste modo, dificilmente podemos esperar o empenho dos media pela descoberta da(s) verdade(s), na objectividade dos assuntos, porque isso para eles pode constituir uma ameaça aos seus privilégios. Há até quem suspeite que os media vêem igualmente na Blogosfera uma ameaça e não lhes agrada a sua expansão ou influência. A união dos bloggers é pois um perigo latente para os Governos e empresas mas ainda está longe de se constituir num 5º Poder, porque enquanto a pobreza alastrar e os povos tiverem fome não será possível substituir o pão pela Net.  

20 setembro, 2010

Intervenção inauguração sede

Meus amigos,


Esta sede parece uma casa pequena pela óbvia razão de que é uma pequena casa.

Esta rua parece uma rua estreita porque é na verdade uma rua estreita.

Mas de uma coisa vos posso garantir: não há Avenida nem Praça nem Palácio que seja capaz de albergar o entusiasmo, a determinação e a energia nortenha dispostos a levantar o país , a defender os interesses do Norte e a definir-lhe uma estratégia de desenvolvimento, de progresso e de justiça social.

O nosso Movimento quer ser a voz dessa força e hoje damos-lhe uma morada que é afinal um ponto de partida. Portugal precisa de uma Região Norte que seja forte e o Norte precisa de um partido que seja seu.

Um partido que, por exemplo, exprima a justa indignação que nos merece essa afronta de nos quererem impôr um novo imposto em estradas do Norte. Só um partido como o nosso, um partido novo, um partido livre, um partido limpo, é que tem autoridade para lhes perguntar e lhes exigir que expliquem que tipo leonino de contratos fizeram com as concessionárias das Scuts. Essas parcerias desastrosas garantem 14% de retorno sem risco ao dito investidor, mas isso à custa do contribuinte e, até ver, à custa apenas dos cidadãos nortenhos.

Se há crise para uns, há crise para todos e se tem de haver custos para o utilizador, como dizem, tem de haver riscos para o investidor.

Mas não é só por isso que o Norte precisa de um Partido.

Só um partido como o nosso, um partido de gente honesta, um partido de gente capaz, um partido de gente dedicada tem coragem para denunciar o mais recente ataque dos centralistas à indústria têxtil e do vestuário, essencialmente sediada a norte.

Invocando as cheias do Paquistão, acaba de ser aprovada na União Europeia a suspenção dos direitos aduaneiros para a importação de produtos têxteis e de vestuário, apresentando-se essa medida como uma forma de ajuda às populações do Paquistão. É óbvio que essa benesse só vai favorecer as grandes empresas exportadoras Paquistão que se situam fora das zonas afectadas mas não vai levar um pão ou uma semente aos milhões de desalojados nem tão pouco contribuir para a melhoria das suas condições de vida.

O que é grave e escandaloso nisto é que o nosso Governo, obcecado com o seu projecto de ganhar uma poltrona no Conselho de Segurança da ONU, e desejoso de angariar todos os votos venham de onde vierem, desde o Kadhafi ao Chavez e congéneres, demitiu-se em Bruxelas da defesa dos interesses da nossa indústria têxtil e vestuário. A aprovação desta medida é particularmente gravosa num momento em que as empresas tentam com dificuldade sair da crise económica e ao mesmo tempo se vêm confrontadas com o aumento exponencial do preço das matérias-primas. Este voto em Bruxelas do Governo português não ajuda em nada os infelizes que andam com os pés na água lá no Paquistão, mas vai tirar o pão a centenas de famílias operárias da nossa Região. E que o Sr. Ministro não nos venha dizer que não faz mal, porque é uma medida temporária e que daqui a 3 anos volta a haver direitos de importação. É preciso ser-se muito cínico para fazer uma afirmação desse calibre.

Alguém ouviu o Governo e os outros partidos explicarem bem as razões de ser destes votos?

O Norte precisa também de cuidar dos seus interesses próprios, de encontrar o seu modelo de desenvolvimento económico e social que lhe é negado pelo centralismo. De retomar as energias e o dinamismo que são seu apanágio, de basear o futuro nas suas empresas e nos seus trabalhadores, com um quadro que lhe seja favorável (e não adverso como tem sido o caso). E o Norte precisa também de assumir as suas responsabilidades, as suas culpas, e corrigir os seus erros, pois não é apenas apontar o dedo ao centralismo, mas é necessário também cuidar de nós próprios e recuperar o nosso brio.

Sim o Norte precisa de um partido e o partido precisa de uma casa, mas a casa e o partido são coisa vossa, pertencem ao povo do Norte. Se um dia esta sede vos não mais pertencer, botem-lhe fogo e recomecem do princípio.

Por Portugal e pelo Norte!

Viva a Região Norte!

Francisco Sousa Fialho

(Fonte: Blogue do MPPNorte)

19 setembro, 2010

Tchaikovsky, Piano Concerto No. 1 - Mov 1, Part 1/3 (Martha Argerich, 1973)

Partido do Norte abriu sede

Ao inaugurar, ontem, sábado, a sede do Movimento pró-Partido do Norte, Pedro Baptista criticou as portagens nas SCUT e João Anacoreta Correia o acordo com o Paquistão que lesará o sector têxtil. Pressionar Lisboa para o Norte ser a primeira região-piloto é o objectivo.

Unidos pela vontade de revitalizar o Norte - "a única região que regrediu nos últimos anos", disse ao JN - o (ainda) socialista Pedro Baptista, João Anacoreta Correia (ex-CDS-PP) e Francisco Sousa Fialho defenderam, ontem, na sessão inaugural da sede do Movimento pró-Partido do Norte (MPN), no Porto, que o Norte deve ser a primeira região-piloto.

Considerando "positivo" que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, tenha reconduzido à agenda política a regionalização - a pretexto do projecto de revisão constitucional - o porta-voz do MPN, Pedro Baptista, quer que "deixe de ser absolutamente necessária a simultaneidade de criação das regiões". Por isso, "se for para criar uma região-pioloto, que seja o Norte", disse ontem à noite, ao JN. Porque, justificou, "é a região onde há mais consenso entre os autarcas, como comprova a 'Declaração da Alfândega' e onde há mais massa pensante: 3,7 milhões de pessoas".

A regionalização é a principal bandeira do MPN, com o porta-voz (ainda filiado no PS, embora diga que "quando entender" sai) a advogar que não acarreta mais despesa pública, pois não se duplicam cargos. Basta acabar com os 23 governos civis e as CCDR (comissões de coordenação e desenvolvimento regional) "que têm um papel meramente consultivo".

Já Anacoreta Correia preferiu zurzir no acordo com o Paquistão que, segundo Baptista, "põe em causa dois mil empregos nos têxteis europeus e causa uma diminuição nas vendas de 18 milhões de euros anuais". Combater o pagamento de portagens nas SCUT do Norte foi um dos tónicos da sua alocução.

Tendo já iniciado a recolha das assinaturas necessárias para se formalizar como partido, o MPN espera ter concluída a missão dentro de dois meses e pretende realizar o seu congresso constitutivo ainda no primeiro trimestre de 2011, logo após as presidenciais de Janeiro.


Alexandra Serôdio [JN]

17 setembro, 2010

Campus da Justiça do Porto

Do conjunto de links do GP apresentados anteriormente destaco, pelo insólito, a notícia intitulada "Juízes denunciam irregularidades no Campus da Justiça do Porto".

Só num país onde o respeito pelos compromissos assumidos é pouco mais do que figura de retórica é que seria possível  a uma empresa contratada  enganar o seu cliente mesmo quando esse cliente é um Ministério e,  por ironia... o  Ministério da Justiça.

Além do crónico atraso no arranque da obra [era para começar  em Janeiro], o consórcio liderado pela OPWAY de Filipe Soares Franco, vem agora reclamar uma alteração ao valor da renda estabelecido contratualmente.

Das duas, uma. Ou está toda a gente louca, ou foi o próprio Governo que, por inércia deixou decorrer o tempo sem  avançar com o processo dando azo a que o proprietário/construtor queira agora rever os preços com  juros de mora. Se as Finanças homologaram o valor da renda em Junho de 2008 e só deferiram o parecer do respectivo contrato em Novembro de 2009, então, a triste conclusão que se pode retirar é que o desrespeitador-mor foi o próprio Estado.

 Haja, optimismo. Porreiro, pá!

Resumos de notícias do semanário Grande Porto





 Porto: Juízes denunciam "irregularidades" no Campus da Justiça

 Porto: Câmara obrigada a intervir para evitar ruína de 20 edifícios

Sá Carneiro: Projectos da ANA não cumprem plano de investimentos



Obs. RoP
Não terá chegado a hora do Grande Porto passar de semanário a diário? Por mim, substituia-o já pelo JN...
De que esperam?

16 setembro, 2010

Chantagear sim, mas com estratégia...

Adeus ao título?

O medo é directamente proporcional à reacção. E parece-me que o medo que o Benfica tem de já terperdido o campeonato é do mesmo tamanho da reacçãoo clube na sequência da disparatada arbitragem de Olegário Benquerença em Guimarães.

Só assim se explica que o Benfica dispare em todas as direcções e esgote todas as munições* à quarta jornada. O benfica reclama intervenção do Governo. Considera o secretário de Estado do Desporto "persona non grata". Atira-se a Joaquim Oliveira, à Olivedesportos e à SportTV. Pede aos adeptos para não aparecerem nos jogos do Benfica fora da Luz. Admite boicotar a Taça da Liga. Tudo isto para além do óbvio ataque a Vitor Pereira e a Olegário Benquerença.
Ninguém tem dúvidas que Benquerença prejudicou inequivocamente o Benfica com influência no resultado, mas esta estratégia do "atirar em tudo o que mexe" só vai resultar se o Benfica começar a jogar bem [e não joga desde Maio] e se as vitórias aparecerem. Se assim for, a estratégia é eficaz. Se o Benfica voltar a perder, se continuar com jogadores desinspirados e sem a chama da época passada, aí não vai ser fácil encontrar [boas desculpas] e descobrir novos inimigos.

[Crónica de Hugo Gilberto, no JN de hoje]

* O negrito é da minha responsabilidade

--------------------------------------------------------------------------------------------
Nota do RoP

Alguém um dia me disse que Hugo Gilberto é portista. Custou-me a crer [e continua a custar]. Mas, se é verdade ou não, pouco interessa, até porque os sinais que vai deixando passar apontam claramente para outra cor clubista, na linha da do seu director, um benfiquista mal camuflado com a camisola do Paredes... Para mim, preferia que fosse apenas imparcial, tanto nos programas que faz, como nas crónicas que escreve. Pelo menos, seria isso que se exigeria de um funcionário do Estado, como é o caso.

A crónica acima transcrita espelha bem a mentalidade perversa que paira na sociedade, onde a fronteira entre interesses e valores é tão ténue tão ténue que até se confundem. Senão reparem: o cronista, em vez de censurar tout court a atitude chantagista e prepotente do Benfica, não,  limita-se a discordar da forma. Ou seja, como ele próprio escreve, a estratégia de atirar em tudo o que mexe será eficaz se o Benfica não esgotar  já todas as munições e ...se jogar bem. Por outras palavras, ou nem por isso:  para o jornalista, tudo o que o Benfica está agora a fazer, como seja, pressionar sem ponta de pudor os árbitros, a Federação, a Liga e o próprio Governo, não é de persi um acto condenável,  mas antes uma estratégia eficaz desde que a equipa jogue um pouco melhor.

Ainda que mal pergunte: que espécie de raciocínio é este? Ético, mercantil ou demencial?

Deve ser por haver  tanta "confusão" nestas luzidias  mentes que certos jornalistas vendem a alma ao diabo. Em nome da eficácia estratégica, seja lá o que isso for. 

Sem sombra de pecado

Vejam bem. Do sul, mais precisamente da capital, onde tudo se decide e controla, os media sufocam-nos diariamente com suspeições de toda a ordem, com especial obsessão pelo  futebol que é, apesar das resmas de processos levantados contra os clubes regionais, o único sector que ainda não conseguiram aniquilar completamente [leia-se F.Clube do Porto]. Para tal, qualquer pretexto serve. Um telefonema, um árbitro, uma fruta, um olhar, um bocejo, um croissant,  tudo serve para forjar conspirações.

Ao contrário, "lá longe" em Lisboa - como dizia o idolatrado Scolari quando falava do Porto - a coisa já não se passa assim. Não há promiscuidades, nem Ruis Rios, em bicos de pés, a brincar ao homem sério. Tudo é cristalino, insuspeito, notoriamente exemplar... Os políticos e ex-políticos atiram-se a tudo. Candidatam-se a Presidentes de Clubes, a Administradores de Empresas [grandes, com ou sem off-shores], de Bancos, de Federações Desportivas, a 1ºs. Ministros, a Presidentes da República e por aí fora. A tudo se permitem, excepto cumprir satisfatoriamente com aquilo para que foram legalmente mandatados, isto é: governar. No Porto, temos a melhor Universidade do país, mas Lisboa trata-nos como provincianos! Fará algum sentido este aparente paradoxo?  Faz. Lisboa é, a opinião, o resto, fica lá longe.

Agora, é Ribeiro e Castro a colocar-se na grelha de partida para a candidatura  [pasmem só] a Presidente da República, depois de se ter candidatado a Presidente do Benfica. Sem promiscuidades... E qual é problema, perguntarão os maníaco-liberais? Nenhum, diria eu, até porque, alternativa por alternativa, ficaria tudo na mesma. E o oportunismo também. Tudo boa gente, sabedora, digna, rigorosa.

Já que falamos em promiscuidades, sugeria ao Sr. Ribeiro e Castro que se juntasse àquela comandita - não promíscua, obviamente -, que costuma sentar-se na bancada do Estádio da Luz.

Pelo menos, 6 milhões de votos estão no papo. Faça-se pois à vidinha senhor futuro Presidente, porque a concorrência é muita! Em nome do Benfica [ó desculpe-me, senhor Presidente] queria dizer, em nome de Portugal.

PS-Esta noite vou ter difilculdade em dormir. É que não sei em que candidato votar.

15 setembro, 2010

CCDRN conclui que "rectificações" que a Câmara do Porto propõe "alteram" o PDM

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte concordou com a oposição de que a proposta aprovada pela maioria PSD/CDS-PP configurava algumas alterações ao PDM do Sea Life

A Câmara do Porto nunca chegou a enviar para publicação em Diário da República uma proposta sobre "correcções e rectificações" ao plano director municipal (PDM), aprovada pelo executivo a 15 de Dezembro de 2009. O documento mereceu o voto contra da oposição, por tanto o PS como a CDU entenderem que incluía alterações ao PDM. Chamada a pronunciar-se, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) confirmou, em alguns pontos, as questões da oposição. O município quer, agora, ouvir o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT).

Foram muitas as dúvidas levantadas pelo PS e pela CDU aquando da aprovação do documento que o vereador do Urbanismo, Gonçalo Gonçalves, levou ao executivo no final do ano passado, e a celeuma continuaria, depois, com o Bloco de Esquerda (BE). Entre as mudanças mais polémicas introduzidas ao texto do PDM estava uma referência à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) n.º 6 - Parque Ocidental. Com a "correcção" introduzida deixava de estabelecer-se que "esta UOPG é concretizada através de um plano de pormenor", passando a considerar-se que "deve ser concretizada através de um plano de pormenor".

Este foi um dos pontos em que a CCDRN não teve dúvidas em decidir pelo "não enquadramento" nas meras correcções previstas na lei. "Em nosso entender [...] "é" tem claramente uma força impositiva diferente de "deve ser"", defende a CCDRN numa exposição a que o PÚBLICO teve acesso. "Se o argumento é que é indiferente a redacção de um e outro, mais uma vez insistimos, então não se altere", conclui.

À espera do ministério
Confrontada com a posição da CCDRN, a maioria PSD/CDS-PP, liderada por Rui Rio, manteve a sua posição. Em resposta escrita enviada ao PÚBLICO, fonte do gabinete de comunicação da autarquia confirma: "Segundo a CCDRN, e ao contrário do entendimento jurídico da CMP, algumas das situações constantes da proposta não configuram correcções e rectificações." Perante o impasse, o município optou por enviar o documento para o MAOT para que tomasse "uma posição definitiva" sobre esta matéria.

Até que tal aconteça, o documento não será enviado para o Diário da República, não entrando, consequentemente, em vigor. Contudo, a autarquia não admite a possibilidade de anular a proposta aprovada. "Parte substancial das situações propostas foram aceites pela CCDRN como "correcções e rectificações", pelo que nunca estará em causa anular ou revogar a proposta aprovada, admitindo-se, no entanto, que algumas das situações sejam retiradas da proposta anterior e que só haja lugar à publicação das situações que forem aceites pelo ministério", esclarece a fonte.

Já os pontos que eventualmente venham a ser retirados do documento não irão desaparecer, ficando à espera de melhor oportunidade para serem aplicados, uma vez que, segundo a assessoria de imprensa do município, essas situações "poderão vir a ser incluídas num eventual processo de alteração do PDM".

Em Dezembro, o PS chegou a ponderar impugnar a proposta, mas o vereador Correia Fernandes admite não o ter feito, depois de tomar conhecimento que o processo estava a ser avaliado pela CCDRN. Rui Sá, da CDU, diz-se "satisfeito, por a CCDRN corroborar" a sua opinião, apesar de se dizer "preocupado com as trapalhadas em torno do PDM". Já o BE formulou as suas dúvidas junto da comissão, que fez saber, em resposta, estar "atenta ao evoluir da situação".


Por Patrícia Carvalho [Público]

Redundâncias sem sumo

Sempre achei patéticas certo tipo de declarações produzidas por certo tipo de personalidades, não tanto pela vacuidade da mensagem emitida, mas mais pela implícíta assunção de inoperância dos mensageiros.

Se o leitor disser coisas do género: "o capitalismo usa a mão-de-obra como mercadoria", ou, "é preciso falar verdade aos portugueses", ninguém [excepto tais personalidades] poderá censurá-lo por isso, pois não estará mais do que a manifestar o seu desagrado com certas incongruências e deslealdades da parte de pessoas ou instituições mandatadas para zelar pela governabilidade do seu país. O mesmo não se pode aceitar, quando representantes de instituições com a antiguidade da Igreja fazem afirmações redundantes como aquelas que o Presidente Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo proferiu ontem em Fátima, na sessão de abertura XXVI Semana da Pastoral Social.

Não é de agora que o capitalismo pratica "uma cultura de individualismo exacerbada, nem "despreza a vertente humanista no seu doutrinário político", sempre foi assim! O que há sim, são países, como os nórdicos, onde o capitalismo tem uma séria e forte componente social que o torna mais humanizado, um pouco por força da honestidade genética desses povos, totalmente oposta aos latinos, entre os quais estão os portugueses. A seriedade dos nórdicos, frize-se,  não é exclusiva do Estado, estende-se igualmente ao empresariado e demais agentes sócio-económicos tornando o capitalismo um regime muito mais respeitável e interessante do que o praticado no Sul da Europa.

Só há luz desta realidade é que se consegue entender o à vontade de Cavaco Silva soltando da boca pérolas do tipo "é preciso falar verdade aos portugueses", como se os portugueses vivessem todos num grande infantário e os governantes fossem uma espécie de amos, mentirosos e incompetentes. Não é que a realidade ande longe deste cenário, só que quando se produzem afirmações tão fúteis como estas, não só não está fazer-se nada para a inverter, como se está a pactuar com ela fingindo que não está.

Como costumo dizer,  falar por falar, para emitir meras opiniões, estamos cá nós, não precisamos de chegar ao Governo ou à Presidência da República, nem exigimos as suas mordomias, e... somos bem mais fiáveis.

14 setembro, 2010

Vígaro lá, vígaro cá

                   João Vale e Azevedo                                       Luís Filipe Vieira

Um, vigarista, ladrão e falsificador, está há alguns anos fugido da Justiça, risse dela e vive como um nababo algures em parte incerta. O  outro, tal como o primeiro, talvez por se manter à frente do clube do regime, ainda não foi sujeito a uma investigação policial apurada, apesar das suspeitas de envolvência em negócios obscuros serem mais que muitas. Percebendo as fragilidades do país desautorizado e manipulável em que vive, agora, chegou ao cúmulo de exercer todo o tipo de chantagens e pressões sobre o Governo para obter os dividendos que não consegue dentro do campo de futebol.

No pása nada! 

Ninguém melhor que estes dois melros para retratar o português contemporâneo!  


10 setembro, 2010

Angela GHEORGHIU - Vissi d'arte - Tosca - Puccini

Catarse

Se Aristóteles acreditava que uma desgraça é o melhor meio de purificação da alma e se por alguma razão o seu nome ficou ligado à história da filosofia será que é mesmo impossível estender a receita ao corpo?

É que, pelo andar da carruagem não me parece que a Política em Portugal seja a catarse indicada para os males do corpo ou da alma... O país estás de rastos, e o Povo permanece apático, quase masoquista. Falta-lhe talvez descer ainda alguns degraus para atingir o nível de pobreza dos moçambicanos e recorrer à violência, mas já esteve mais longe.

Os socialistas em termos ideológicos e de competencias, são iguais aos sociais democratas, a única diferença - e talvez a  que lhes tem dado vantagens em relação ao PSD -, é que vão enganando a pobreza que semeiam com os subsídios sociais que atribuem.  Este engôdo tem os dias contados, mas  até ver, vai dando votos para os manter no poleiro. Por seu lado, os sociais democratas ainda não perceberam que será muito difícil vencer as próximas eleições sem apresentarem soluções credíveis,  insistindo utopicamente na recusa de subsídios aos desempregados sem antes lhes garantir trabalho [remunerado]... PS e PSD, parecem duas frágeis barcaças em mar traiçoeiro, à deriva. 

O Norte afoga-se nas suas elites de papel. As elites não existem, como não existem patrões, como não existe Justiça, como não existe Governo, como não existe jornalismo, como não existe Democracia. Existem caricaturas ridículas, sem classe, sem brio, nem vergonha.  Objectivamente, todas se confundem com reles mercenários. A ambição material e a vaidade desmesurada são os únicos "ideais" que conhecem.

A televisão pública usa o dinheiro público como se fosse privada, e engana impunemente os seus anestesiados contribuintes. Tudo nas nossas barbas. Democraticamente, segundo os seus turvos conceitos de democracia.

Amanhã, se houver um motim, uma rebelião popular com sangue e vítimas, não será a mim que me ouvirão criticar os revoltosos como "terroristas". Talvez me possam ouvir dizer: "só agora?". Improvavelmente, terei o prazer de ver os responsáveis, os desintegradores da coesão nacional, a contas com a Justiça, porque foi por ela que o país começou a adoecer, mas garanto-vos que não terei um pingo de remorso se o feitiço se virar contra eles. Tragicamente, como uma catarse.  

08 setembro, 2010

Jornalismo de "serviço"

A entrevista "non stop" que, desde que foi condenado, Sua Inocência tem estado ininterruptamente a dar às TVs  teve o mais respeitoso e obrigado dos episódios na RTP1, canal que é suposto fazer "serviço público".

Desta vez, o "serviço" foi feito a um antigo colega, facultando-lhe a exposição sem contraditório das partes que lhe convêm (acha ele) do processo Casa Pia e promovendo o grotesco julgamento na praça pública dos juízes que, após 461 sessões, a audição de 920 testemunhas e 32 vítimas e a análise de milhares de documentos e perícias, consideraram provado que ele praticou crimes abjectos, condenando-o à cadeia sem se impressionarem com a gritaria mediática de Suas Barulhências os seus advogados, o constituído e o bastonário.

Tudo embrulhado no jornalismo de regime, inculto e superficial, de Fátima C. Ferreira, agora em versão tu-cá-tu-lá ("Queres fazer-lhe [a uma das vítimas] alguma pergunta, Carlos?"). O "Prós & Contras" só não ficará na História Universal da Infâmia do jornalismo português porque é improvável que alguém, a não ser os responsáveis da RTP, possa chamar jornalismo àquilo.

Manuel António Pina [JN]


**********************************************************************************

RoP

Creio que a crónica acima reproduzida e brilhantemente salpicada pela habitual ironia do autor, diz praticamente tudo sobre o estado circense a que chegou a  Justiça [e a Comunicação Social] em Portugal. Convirá  contudo acrescentar que, apesar da salgalhada em que a Justiça se deixou envolver, com responsabilidades repartidas entre o Poder Político e Judicial, não é possível acreditar que os juízes sejam todos incompetentes e, consequentemente, decidam todos sempre mal.

O excesso de mediatismo de alguns julgamentos, sendo pernicioso para as investigações [e às tantas até, para as sentenças] permite ao leigo cidadão ouvir toda uma panóplia de pareceres jurídicos que o devem deixar completamente baralhado. Se lhes juntarmos alguns clichés, muito bem difundidos, por juristas, advogados e juízes, então é que a confusão é total. Um paradoxo completo, é ouvir esta gente falar em "justiça popular" como uma coisa aberrante, e ao mesmo tempo vê-la bem representada, a promovê-la, em tudo quanto é comunicação social... O programa Contra Informação da RTP foi - como diz o cronista Manuel António Pina -, apenas mais um desses maus exemplos. A Justiça, tem de pautar-se pela eficácia e sobriedade, e resistir tenazmente aos holofotes das vaidades pueris. Não é isso que está a acontecer.

Este tema da Justiça é-me particularmente caro, porque me perturba imenso o seu contrário, e é isso que explica sua a repetição neste post. Em relação ao escândalo Casa Pia, fosse o Carlos Silvino o único suspeito, e o julgamento já tinha terminado há muitos anos e poucos se preocupariam  com a Justiça da decisão. O problema para os Tribunais, nem sequer estaria na outra meia-dúzia de arguidos que mereceram a atenção dos investigadores e que geraram a multiplicação dos processos, mas mais na sua qualidade, no seu status. Não há volta a dar-lhe, digam o que disserem os senhores juízes e advogados, a Justiça não é igual para todos. Quando há entre os suspeitos figuras públicas poderosas, sabe-se como logo se movem influências ao mais alto nível no sentido de abortar as investigações judiciais. Neste processo, não falta quem suspeite que além dos agora condenados, outros poderosos também o deviam ser, e ... safaram-se!

É por todo este lodaçal, a que poucos podem dar-se ao luxo de escapar, que o mais sábio de todos  acaba por ser o Zé Povo, porque observa e intui sobre a aplicação da justiça, não só baseado na sua empatia ou desprezo pelos suspeitos, mas com base neste profuso cruzamento de dados, de informações e interesses, "julgando" simultaneamente as performances dos outros protagonistas [advogados de defesa, de acusação e juízes incluídos].  

Os Juízes não são todos competentes, é natural, mas exactamente por serem humanos e poderem errar, é  que lhes é exigível uma competência acrescida para assim errarem menos que os outros [os incompetentes].  Isto aplica-se  também aos advogados e aos jornalistas, porque participam directa ou indirectamente nestas acções.

Por mais que certos "peritos" em matéria de Justiça se esforcem por aligeirar o protagonismo oferecido a Carlos Cruz num programa de Televisão, a RTP cometeu a maior de todas as injustiças que foi permitir a um cidadão, aquilo que não é permite a outros. O facto de se tratar de uma figura pública, só torna mais obscuro e sectário o critério dessa injustiça. Não é pelo status social, político ou económico que se mede a qualidade humana de uma pessoa.

Carlos Cruz foi o que foi, mas a Justiça ouviu as vítimas durante 8 longos anos e decidiu que ele não passa de um pedófilo. Não devo, não posso acreditar que um Juíz ou Juíza,  por mais incompetente que seja, fosse capaz de o condenar a ele e aos outros arguidos, por crime tão repugnante como o de que foi acusado sem estar na posse de testemunhos suficientemente credíveis. Imaginar esta hipótese é de per si pérfido e doentio.

E já agora pergunta-se: por quê tanto medo de um provável erro jurídico, só agora, neste casos? Cheira-me que é só uma questão de status a espernear fúteis vaidades...

 

06 setembro, 2010

O Processo Casa Pia e os advogados dos arguidos

Não custa mesmo nada acreditar que o facto de sabermos que a qualquer momento podemos ter de recorrer aos bons ofícios de um advogado para nos defender de uma eventual acusação - fundada ou não -, nos  possa inibir de censurar as suas acções, mesmo se elas nos parecem suspeitas e desenquadradas da opinião que fazemos dos protagonistas e da matéria em questão. Por outro lado, os advogados têm consciência desse ambivalente sentimento que  despertam nos cidadãos, que é um misto de respeito e desconfiança,  parecendo contudo sentirem-se muito confortáveis nesse duplo papel. Associada a essa imagem, têm consciência desde os primeiros anos de formação, do inconfessável poder que trazem colado à profissão, facto que não raras vezes os leva a alguns excessos.

Sexta-feira, foi finalmente lida a sentença do Processo Casa Pia e condenados a maioria dos réus, pelo menos, aqueles que eram do conhecimento público. Ter-se-à feito Justiça? Na minha opinião, não fez. E digo que não fez porque nunca será feita Justiça quando ela chega tarde. O tempo na vida das pessoas [vítimas e réus] é precioso e toda a Justiça que não tem em conta tamanho detalhe nunca se poderá orgulhar de ter cumprido o seu dever, como a sociedade lhe exige. O que se fez na sexta-feira foi a leitura [tardia ]de uma sentença, apenas. Justiça, é outra coisa.

Mas foram as declarações do advogado de Carlos Cruz, Ricardo Sá Fernandes que mais me incomodaram, dentro e fora do Tribunal, que no caso em apreço fizeram pender a minha ambivalência emocional  sobre  este advogado mais para o lado da desconfiança do que para o lado do respeito. Assimilada que tenho a noção do papel de qualquer advogado - que é, defender a todo o custo os interesses e a imagem dos seus clientes, porque para tal é pago -, considero um desaforo e uma total falta de respeito pelos cidadãos colocar em causa a decisão do Tribunal e depois vir para as televisões e para os jornais defender fanaticamente a inocência de todos os arguidos [depois de condenados], incluindo a dos que nem sequer eram seus clientes. Para o efeito, usou expressões dramáticas como "Cenário de Trevas" e repetiu-as na Televisão e no jornal Público de ontem.  Há quem diga que isto é recorrente, que faz parte dos jogos de defesa, mas se faz, não deixam de ser jogos muitos sujos...

Acreditar na bazófia conspirativa do senhor advogado de Carlos Cruz equivaleria a  sermos levados a crer numa sofisticada e macabra cabala minuciosamente orquestrada por todas as vítimas, para a qual, toda a gente sabe, não têm meios nem imaginação quanto baste para a levar a cabo. Esvaziar, tentar descredibilizar todo o imenso rol de interrogatórios junto das vítimas é uma tentativa velada de incriminar os próprios juízes e de descredibilizar a própria sentença.

Já agora, uma vez que não ouvi o senhor advogado pronunciar-se sobre o assunto, acrescento que a profusão de entrevistas que Carlos Cruz deu à comunicação social, com ameaças mal dissimuladas em todas as direcções e nenhuma, antes e depois do julgamento, deviam ser alvo de um novo processo, porque essas são prerrogativas a que o comum arguido não está habituado nem tem direito. A cadeia está cheia de criminosos punidos, justa e injustamente, que dariam tudo para ter um décimo do tempo  de antena que os media deram a Carlos Cruz para se defender. Se se revoltarem terão a minha solidariedade.

O senhor Carlos Cruz poderá ainda ter muito dinheiro e poder, mas foi acusado e julgado por um crime hediondo, e neste momento preciso é menos que um vulgar cidadão, é um criminoso, e como tal foi julgado.  Terá mesmo assim muita sorte  [espero que não a venha a ter], se com o previsível expediente aos recursos não chegar a pagar com cadeia efectiva os crimes de que foi acusado que destroçaram a vida de crianças pobres e indefesas.

Definitivamente, neste processo a minha comiseração só tem uma direcção: as vítimas.

PS-
Há nesta sentença uma decisão com a qual não concordo: os 18 anos de prisão a Carlos Silvino, a pena mais alta de todas! 
Admitindo que tenha cometido mais crimes que os restantes acusados, não me parece que a pena que lhe foi aplicada seja a melhor "atenuante" para quem confessou os crimes e se dispôs a colaborar com a Justiça. Além de mais, ele próprio foi vítima de pedofilia na Casa Pia. Não entendo esta discriminação da Justiça.

03 setembro, 2010

Porto de Leixões Poderá Competir com o Porto de Vigo

O Porto de Leixões poderá competir com o Porto de Vigo, para grandes cruzeiros, a partir de 2011.

A região do Porto e Vigo são aliadas na eurorregião Galiza - Norte de Portugal mas a partir de 2011 “rivais” no que respeita à conquista de grandes barcos de cruzeiro. Até agora só Vigo tinha capacidade para receber grandes barcos, o de Leixões não disponha das infraestruruas portuárias necessárias, e isso limitava e muito a recepção do turismo marítimo.

Com o objectivo da poder receber grandes barcos, e tendo em conta as potencialidades económicas do turismo marítimo, o Porto de Leixões iniciou a construção de novas infraestruturas, com um investimento de 49,9 milhões de euros, e que estarão concluidas em 2013.

A primeira fase das obras nos cais terminam em Março de 2011, data a partir da qual já poderão receber barcos de 300 metros de cumprimento e capacidade para 3.000 passageiros, o que resultará numa concorrência directa e forte com o porto de Vigo.

Por isso o Porto de Leixões em colaboração com Turismo de Portugal já começou uma agressiva campanha promocional, com a mais valia das caves do Vinho do Porto sobretudo para os turistas ingleses, e a qual já resultou na contratação de 60 escalas de grandes cruzeiros para 2011.

Segundo referiu o presidente, Matos Fernandes, estas novas infraestruturas permitirão ao porto de Leixões estar entre os grandes portos na escala de grandes cruzeiros o que beneficiará o próprio porto e toda a zona metropolitana da região.

aicep.

[Copiado do Blogue Regionalização]

02 setembro, 2010

Ánxelo González Vicente (igadi.org, 08/2010)

Pedro Baptista , um dois líderes do Partido do Movimento Pró- se do Norte e do Antigo Deputado PartidoSocialista , Nunhead entrevista fortaleza no Porto Canal.

Desde maio passado, ou não é o caminho do Norte para o Português insospeitadamente um forte movimento , que pretende defender os interesses que se dá no território da Galiza ( como garrafa térmica ou lexítimo Neste caso, como Luso, mas acho que Máis pedagóxico para nós) como tendências centralizadoras perante de Lisboa, ou marxinan dun sistematicamente e que se materializou , de forma exacerbada co NAS caso da introdução portaxes da SCUT do Norte. Pró ou Partido do Movimento está contando do Norte adesão Crecente de Moita coa nova ágora Xentar Até Mesmo não politicamente ativos e com personalidades e dois posição diferente e os partidos Português . Novidades Unha fulcral Achega em relação aos Ensaios anteriores : a vontade de se tornar SUAS lle partido político como permitir Virtualmente forçado e Mellor, Mellor não há dois casos de pesar a voz Asemblea do Norte da República , em Lisboa. Quen sabe é governado Mesmo AO dia.

O outro grande obxectivo se concretizem Movimento está finalmente funcionando em adiada rexionalización político-administrativa permanente e planejada NA MESMA Constituição da República. E aqui para comprar o aviso: Considera-se que falhou ou não CONSEG último obxectivo Movimento. Dúbida Sen, em voz alta do Norte em Lisboa, vai ser importante e positivo, Mais claramente insuficiente. Norte de Portugal ou podar Oportunidades não perdeu a consciência histórica que vem Movimento identidade territorial e sustenta ou faz para criar e dar uns lle lexislativo poderes executivos próprios.

Cando território que se identifica como tal , se, como sexa rexión , OU como um continente como nação , carece da Capacidade de tomar decisões próprias lle questões que nos afectam , Sendo estes casos tomadas por Allee , dê-se território Vontade deve ser anulado . Ao como é o caso dos indivíduos em situacións anos semellantes , este território acabará por interiorizar a dependência Shua Shua EA Incapacidade e , desta forma , a documentação deve especificar força criativa não tão eivado não redundará Seu próprio benefício, não quen Senon ou surround. ISTO ocorrerá por tendências que nós podemos explicar Duas AO aplicação caso aqui discutir: dun lado , stand up ou como fiador de Lisboa dois interesses do todo o país, quen Tena ser tentados, como axuda dificuldades perante a perguntar ao invés Grande Irma xerar tentar Solucions próprio ( esmoleira mentalidade ); mão Doutre , escolha quen acaídas xerar ideias políticas próprias para ser um Maior e Mellor atinxir desenvolvemento filtro AO territorial co colidindo organismos com diferentes interesses , que às vezes moires Supor um obstáculo definitivo à SUA concreto, NA caendo frustração , não Esgotamento criativo, entrega na, talvez Nunhead sorte Mesmo depressão colectiva nd materializar própria e não subestime as oportunidades Aproveitamento não .

Um Executivo e Lexislativo própria ou do Norte a ter misións Duas deve ser crítica . Unha de defesa , destinadas a impedir os abusos do Sul Novos . A Outra , Criativo, projetado para levar você como para as instituições e rexionais Axente Sociedade Civil da desenvolvemento dun Camiño não fundamentalmente endóxeno e sustentável.

Nesta dimensão traballo tery segundo como uma preponderância Relacions Galiza. E não para aproveitar eventuais tão fundos europeus. interesses Comunas você , ainda foi lonxe convenientemente Teren de Estudos e definidas, estão sen dúbida moire Alen e aproveitado para fazer ágora Até intuído .

A vella Gallaecia com Capacidade próprias decisões, freira polo desenvolvemento trim -se notável, xerador de benestar para uma adequada e Doação de Produtos com xerador , Servizos PROVEITO e idéias para ou no estrangeiro.



 O rexionalismo do Norte de Portugal e NÓS

Desde maio ou mês , criando coa Partido do Movimento Pró- se do Norte, ou rexionalismo Português voltou a máxima actualidade nenhum país vizinho , onde Neste reação são extremamente difíceis de executar , por esaxerada deriva dois jogos das políticas centralistas NAS Nacionais presentes instituições lisboetas . O Foi uma alavanca para introdução de portaxes autoestrada como eles estão agora ligados viñan Sen xamã Custódio ou usado ( SCUTs ) Norte rexión tão nd , das Máis execução em um país pobre e não moi por Debaixo em frascos de renda per capita , dando a média europeia .

Eu Fundamentos de dous obxectivos Movimento são: a própria que os deputados Leven falar para as instituições que fazem minério Norte e acelerar a realização da lisboetas rexionalización Português , em frascos de vácuo político e administrativo previsto NA MESMA Constituição da República 1976 . A segunda conquista habería Deste traduzida dun obxectivo nd regido e criando próprio Parlamento ou do Norte para o Português .

Dois Calquera branco como a neve do tremendo impacto positivo tery Movimento ou do Norte de Portugal, E mais não dar-lhes segundo que você espera da remoção projecto Caberia Maior de passar por nenhum país haberían noso próprio . IstoÉ , porque um governador e ao Parlamento tery nd Duas misións Fundamentos de North Rexión : para evitar os abusos decorrentes da tendência Novos das instituições e centralista de promover ou desenvolvemento endóxeno lisboetas . E Relacions aqui com a Galiza como prioridades adquirir preponderante.

A Capacidade do Norte para eu tomar decisões próprias sobre questões que afectam lle afond Novas possibilidades abertas e axilizar como Relacions Galiza - Norte de Portugal do Minho ing tanto Marx tem conserto sen aproveitar . Outra questão é Com menos Maior Intensidade OU Onde prexuízos certos políticos podadas retardar xogar um papel inegável, pensei que tão chateado Mais Curto Prazo Longo , não, não é inútil .

Para Alen dois efeitos positivos em execução em um Relacions aprofundamento das entre a Galiza de Portugal Norte tery EO Máis nos vários campos, alianças coa exploração e parceria em áreas como Portos e aeroportos para as universidades, Servizos pública, infra-estruturas ...; ágora Chamar desexed se preocupar com ou impacto , sente inexoravelmente noso nenhum idioma , porque será extremamente positivo MANEIRA Duas relevantes.

Dun lado , Mais Relacions entre a Galiza eo Norte de Portugal moires média Máis encontrado cenários e comunicação entre os persas e Galegas persa Phalantus Português . Tod @ s Teremos notar que persa moires Galegas Castel- Phalantus movimento galego Cando ou estiveram em contacto com os persas que utilizam ou Português. Talvez sexa Máis ou contexto eficaz de permitir a passagem . Mesmo IstoÉ manter em um valor positivo se considerarmos que uma língua é viva e sobreviver medida e de forma nd que entendemos que é usado e com o persa Português Relacions Máis Máis implica ing galego uso.

Por banda Outro , um galego aumento do uso de uma comunicação do Estado com persa Doutre contribuir para a fase dun Aquiles tão fácil e óbvia moires persas , Galego e não Galegas Defendendo hai veneno de décadas : que ou coloca a situação do galego na Galiza Nunhead privilexiada nenhuma cena internacional , co comando de dois idiomas falados Máis dous No mundo , a dar-lhes , ou galego, absolutamente subutilizado e neste mesmo fundo Desprez. Ou que ele está sendo executado em uma inexperiência Mostra soberba, maiormente políticos, POIs corresponde a esta área levam a repressão dois interesses coletivos.

Estamos a discutir a música deve ter galego NAS escolas Galega , bloqueio e claro que não deve ser tudo ou possível deslocamento ou predomínio absoluto como o castelo em todas as demais áreas. Como conseqüências terríveis para dar a si mesmo ou desequilíbrio noso idioma são ben vista : como xornalístico ou sectores (e eu acho que da nd xeneralidade xornalistas da Rádio Galega e TV Galiza a intervir em público que estamos quen esixir Máis ) ou político ou (sin do partido ), para citar dois Máis ter nd dous Responsabilidade devem fazer a promoção e defesa língua e que ademais são relativos ao nível de transmissão nacional do resto da AO Cidadania ; Falan um galego que não vai Mellor e cheo de Castelano incorreccións gramaticais . processo não ocorre , ou mesmo , no entanto, na nosa terra co Castelán , postes Mesmo falado corrigido setores.

A rexionalización do Norte de Portugal trim ser uma alavanca importante para dar relevância ou galego que merece externo Relacions usuário de drogas nas, esta posibilidade esmorece Mais Mesmo AO ritmo galego desaparece ou quantitativos e qualitativos.

Ângelo Gonçalves Vicente
do vice- Igadi .







Ánxelo González Vicente

01 setembro, 2010

De regresso, com os incêndios...

Regressado de um curto período de descanso, dei por mim a pensar se valeria a pena continuar, "a pregar no deserto", já que os resultados de uma contestação cerrada às prestações governativas são pouco menos que decepcionantes. Isto, em si mesmo, até podia ser um bom sinal, podia até querer dizer que o Governo estava no bom caminho, que o país estava a arrumar-se e que afinal já não faziam sentido as nossas críticas. O problema é que estamos rodeados de coisas aparentemente válidas mas que na realidade não servem para nada.

Entre essas coisas, contam os jornais, as rádios e as televisões, cuja produção poderia ter um impacto verdadeiramente positivo na vida dos portugueses se os homens que os dirigem tivessem uma concepção profunda e não distorcida do chamado serviço público. Na realidade, não é isso que acontece. Os jornalistas, limitam-se a representar, a simular a prestação de um serviço, esvaziando a essência da maioria dos assuntos sem nunca chegarem ao seu âmago.

Os incêndios, em Portugal, são um fenómeno recorrente. Ver pessoas, matas, árvores e animais serem ciclicamente dizimadas pelo fogo é das coisas que mais me incomodam. Na Europa, Portugal é um país com um clima temperado mas com frequentes verões escaldantes. Toda a gente sabe que é assim, só os governantes parecem ignorá-lo, porque não há meio de se decidirem a implementar uma política eficaz com rotinas de prevenção aos fogos e de  fiscalização das matas. Da acção governativa de combate aos fogos, pouco mais se conhece do que os equipamentos e o pessoal, mas com o acto [fogos] já consumado, e depois os sermões com o choradinho da praxe. Prevenir, é que nicles! Dá trabalho, e não dará lá muito jeito, presumo...

Objectivamente, deveria ser este o ponto a "explorar"  pelos media, mas não, passa-lhes quase sempre ao lado, sendo facilmente manipulados pelos argumentos esfarrapados dos de sempre, ou seja: os políticos e as suas lamúrias. Porque as pessoas não têm cuidado, porque são os pirómanos, porque não há isto, porque falta aquilo, a verdade é que nada se altera de ano para ano, mesmo que entretanto tenham morrido pessoas e ardido milhares de hectares de floresta!

Como estes desfechos são crónicos, para casos desta gravidade, pessoalmente, defenderia uma política pouca democrática, não só para os proprietários dos terrenos, que não cuidam deles, como para o próprio Estado e seus directos responsáveis. Mão de ferro e pena dura para os prevaricadores, sem recursos judiciais. Ponto. Portugal, um país onde a Democracia nunca foi levada a sério, tornou-se o paraíso ideal dos oportunistas e foras-da-lei. Com uma Democracia de rédea curta, onde o crime deixásse de compensar, talvez tivéssemos alguma hipótese de colocar a "casa" em ordem. Com a palhaçada da nossa Democracia, é que nunca lá chegaremos. Quem disser o contrário mente, ou é lunático.

16 agosto, 2010

Intervalo para descanso

A partir de hoje, pelos motivos em título,  suspenderei as actividades até ao fim do mês. Um abraço a todos os seguidores do Renovar o Porto.

Rui Valente