- "O problema são os partidos e alguns políticos como Sócrates". É inconcebível que continuemos a ter um 1º-Ministro envolvido em tantos escândalos, como o Freeport. Não há vergonha, não há pudor, não há honra, não há nada!"
- "A Democracia é importante, mas perigosa, quando existem eleitos e eleitores não cultos nem informados para votarem e agirem com responsabilidade e respeito pelos princípios. Já alguém reparou que este senhor, o Sócrates não trabalha? Está na televisão de manhã à tarde e à noite. Gasta dinheiro em blindados para uma reunião e uns meses depois o país está na bancarrota? Com estes políticos está visto que nada vai mudar"
Estas declarações explosivas espelham o inconformismo de alguns portugueses relativamente à crescente degradação da qualidade e do exercício das políticas. E concordo sem quaisquer reservas com todas elas. De facto, é completamente impossível governar um país com homens que consomem parte substancial do seu tempo a dar entrevistas ou a participar em debates televisivos, como em verdadeiros reality-shows. É inaceitável, que num país com tanto por resolver, lhes possa sobrar tempo, quando precisariam desse tempo, como do pão para a boca, para fazer o que lhe compete, que é trabalhar para a Nação. Todos os canais de televisão, sem excepção, estão repletos de políticos no activo ou já retirados, apenas para darem opiniões. E alguns - se não todos mesmo -, são pagos para isso! Isto, é no mínimo indecoroso, sabendo-se que eles foram, ou ainda são, parte do problema!
Quando o Gen. Carlos Azeredo diz que "até o Salazar morreu de mãos limpas. Estes roubam. Se não há dinheiro para o exército já estou a ver que vão dizer para aguentar por questões de patriotismo...", não está a usar um discurso exagerado e muito menos injusto, está apenas a dizer o que muitos de nós, e muitas figuras públicas pensam, mas não têm coragem que chegue para o confessar.
Houve um tempo, que se seguiu à Revolução de Abril, que os civis, a reboque da classe política, convidaram as Forças Armadas a recolherem definitivamente aos quartéis, porque em Democracia, era esse o seu lugar. E toda a gente - incluindo os próprios militares -, concordou. A missiva foi consensualmente recebida e respeitada. Desde então [e já se passaram alguns anos], nunca mais ninguém viu os militares a imiscuirem-se na política, ou a envolverem-se em escândalos de carácter económico ou financeiro. Remeteram-se a um discreto silêncio, próprio de quem tem a plena consciência do carácter das suas competências. O Estado, "agradeceu-lhes" o civismo, deixando-os com 200 milhões de euros de salários por pagar... Com as Forças de Segurança o despeito é igual.
Afinal, aonde está a bandalheira? Nas Forças Armadas, ou na classe política? Está provado e comprovado, que na escala dos valores e da ética, os militares ainda estão uns bons patamares acima da sociedade civil .
Com respeito à Instituição Militar, todos lhes devemos desculpas por termos permitido que o 25 de Abril que ela ajudou a implantar, hoje não seja mais que a lembrança de uma revolução utópica.
Com respeito à Instituição Militar, todos lhes devemos desculpas por termos permitido que o 25 de Abril que ela ajudou a implantar, hoje não seja mais que a lembrança de uma revolução utópica.
















