23 novembro, 2007

Descubra as diferenças


Uma foto é a cores,

a outra a preto e branco






Apesar disso, existem algumas diferenças, de estilo.


Descubra-as, se souber...

Seis nítidos retratos

Busto de Sócrates
(versão original)

O JN de hoje dá-nos um considerável conjunto de retratos (meia dúzia) orientadores da eficiência e da seriedade governativa em várias vertentes da vida política e social do país. A primeira, é a vertente da descentralização, a segunda, mais genérica, pode incluir a vertente moral e a transparência de processos.


Vejamos:

Retrato 1) Vozes do Norte contestam obstáculos da ANA à Ryanair

Retrato 2) Tribunal arrasa contas do Serviço Nacional de Saúde

Retrato 3) Caso das Estradas de Portugal domina debate orçamental

Retrato 4) Juntas só com médicos do quadro

Retrato 5) CIP tenta evitar rotura com construtores civis

Retrato 6) Até que a morte os separe

Comentários aos retratos:

Ret. 1) Mais uma oportunidade perdida para descentralizar e prova indesmentível, da falta de
seriedade política e de respeito pelos cidadãos do Porto e do Norte de Portugal. As
promessas de descentralização são apenas isso: promessas! Podemos sem qualquer
receio acusar estes governantes de pouco sérios ( isto para não sermos mais
"categóricos" ).

Ret. 2) Tribunal de Contas acusa Governo de fraude na apresentação dos resultados económico- financeiros das contas do Seviço Nacional de Saúde. Neste caso, não somos apenas
nós, cidadãos a fazer graves acusações ao Governo, o que, reforça ainda mais a ideia
de autismo político premeditado.

Ret. 3) A oposição acusa o Governo de Desorçamentação com a Estradas de Portugal (EP) e o
Governo devolve o piropo ao governo anterior (PSD/CDS/PP)...Belo governo, bela
oposição, belo futuro para os portugueses.

Ret. 4) O que me ocorre dizer sobre o trabalho execrável das juntas médicas na CGA é o
seguinte: fosse eu a estar no lugar daquela desafortunada professora cancerosa e ver-
me recusada a passagem à reforma por invalidez comprovada, partia as pernas à
respectiva equipa (dita) médica e depois obrigava-a a ir trabalhar...de rastos, se preciso
fosse. De novo, a culpa morreu solteira. Tal como no caso Casa Pia, o que menos
interessa ao Governo é responsabilizar os infractores. Sobre isso, zero! Como é hábito!

Ret. 5) Para que abriste a boca Van Zeller? Agora tens à perna as madonas ofendidas da
construção civil e, ou negas o que afirmaste, ou tiras o rabo da presidência da CIP para
dar lugar a outro disponível para meter a cabeça no cêpo em defesa da honra dos
construtores civis. O governo aponta o dedo e acusa, mas mais uma vez, prefere ignorar
o nome e a cara dos foragidos do fisco. Dignificante!

Ret. 6) Este pertinente artigo de Manuel António Pina, a ser autêntico, é digno de uma
Revolução. Se ninguém se revolta com isto nem se manifesta, podemos ter a certeza que
uma Ditadura assumida está na forja. Isto é repugnante, e faz-me ter a certeza do tempo
perdido que é, pensar que as eleições servem para algo de sério. Comparado com estes
cavalheiros,Salazar era um democrata bem menos cínico.

22 novembro, 2007

Foi louvável o entusiasmo do público no Dragão?

Agora que o apuramento de Portugal para o Europeu de 2008 está conseguido, sinto-me à vontade para confessar que tenho sentimentos contraditórios quanto à realização no Dragão do jogo contra a Finlândia.

A dupla Madail-Scolari vem agora dar pancadinhas de amizade nas costas do público do Porto e restante Norte. Somos os melhores, fantásticos, nunca os desiludimos, bla, bla, bla. O público foi efectivamente super entusiástico e criou um ambiente caloroso, mas devemos nós, nortenhos, estar orgulhosos porque 50 mil pessoas se reuniram no Dragão para ver e apoiar um jogo da selecção nacional? Devemos considerar normal ver o presidente do FC Porto fazer o papel de solícito anfitrião? Aceito que Pinto da Costa tenha tomado a decisão mais sensata, mas ( aqui estão os sentimentos contraditórios) não gostei.

A adesão do público preocupou-me, não do mero ponto de vista futebolístico, mas porque representa a aceitação passiva pelo Norte ( que para o efeito considero do Mondego para cima) de todas as humilhacões sofridas às mão da dupla Madail-Scolari. Maus prenúncios para a regionalização no que diz respeito à região Norte, pois quem aceita humilhações no futebol, também aceita que continuar a ser colonizado pelo Terreiro do Paço é uma situação normal e aceitável. Eu sei o que os anti-Porto ( cidade e clube) alegam. "O problema é dos portistas que ficaram furiosos por o Scolari não ter convocado o Vitor Baía, mas o FC Porto não é o Norte e nós, que também somos nortenhos, não temos nada com isso". Raciocínio redutor que não leva em consideração que o caso do Vitor Baía é apenas um pequeno detalhe, e não o mais relevante.

Por razões desconhecidas, o técnico brasileiro mal tinha aterrado em Lisboa pela primeira vez, e já estava a tomar atitudes de hostilidade insultuosa a tudo o que dissesse respeito ao Norte, incluindo entre os seus alvos o clube de futebol do Porto que provavelmente já nessa época era o mais representativo de Portugal.

Mas enquanto o seleccionador hostiliza, com o silêncio cúmplice da Federação Portuguesa de Futebol, esta ignora, ostracisa e até humilha o Norte do País, e não é a realização do Campeonato Europeu de sub-21 que me fará mudar de opinião.

Lembremos os factos. No Euro 2004 o Norte apenas teve direito ao jogo inaugural. Todos os outros jogos de Portugal foram disputados em Lisboa. No apuramento para o Mundial 2006, dos seis jogos em Portugal, quatro foram no sul e dois no Norte (Aveiro e Porto) contra adversários sem interesse. E no Minho? Há quantos anos não há um jogo oficial em Braga ou Guimarães? E não esqueçamos que para o estágio final do Mundial, se fêz à pressa um centro de estágio em Évora. Nenhum dos centros que já existiam no Centro e Norte pareceu servir para o efeito. Mais uma vez fomos ostensivamente ignorados sem uma explicação. É indiscutível parecer haver a preocupação de isolar a selecção de futebol no Norte do País, e com este panorama só havia, em minha opinião, uma atitude possível: a selecção ignora-nos? Pois vamos ignorar a seleção. Mais uma vez aparecem os mixed feelings. Não tenho nada que condenar quem foi ao Dragão, mas ...

E é por tudo isto que me sinto incomodado pelos elogios hipócritas do Sr. Scolari ao público do Dragão, e muito embora tenha ficado satisfeito com o apuramento de Portugal, lamento que o jogo tenha tido a moldura que teve, até porque isso não vai servir para que no futuro sejamos melhor tratados, pelo menos enquanto a dupla se mantiver em funções. Só se lembram de nós quando troveja. Em 1975 onde se refugiaram os jactos da Força Aérea, e para onde iria fugir o Governo se fosse proclamada a Comuna de Lisboa?

OS PEDÓFILOS ANDAM À SOLTA

Após alguns anos sobre o escândalo da Pedofilia com crianças da “Casa Pia” de Lisboa, em que foram denunciados nomes sonantes da vida pública portuguesa que ainda não foram julgados ou condenados, surge de novo mais indícios de que nada se tenha alterado e continuem abusos sexuais com crianças neste país à beira-mar plantado.

Para piorar a situação, o Código do Processo Penal foi alterado e os pedófilos portugueses podem agora abusar à vontade as vezes que queiram com as crianças (20, 30, 40, 50, 100 vezes) pois lhes será apenas imputado um crime e nada mais. Não se sabe de quem partiu a ideia nem quem foi o legislador, mas dá para perceber que houve favorecimento a amigos de alta esfera influentes do Partido Político no Poder e não na Oposição que votou contra esta alteração.

É uma vergonha o estado a que chegou a nossa “Democracia” que entre outras coisas vergonhosas feitas em nome da ‘Liberdade’ favorece agora a Pedofilia. São os próprios magistrados da Nação que contestam alterações ao Código Penal que desagrava penas para criminosos que andam à solta e não só os abusos sexuais vão continuar como assaltos e roubos em pleno dia estão a aumentar.

O crime parece compensar...Mas o governo branqueia sempre a situação dizendo que tudo vai bem para justificar o que faz e tentar descansar a população. As opiniões dividem-se cada vez mais, e já não é só o cidadão comum que aponta o dedo aos (des)governantes mas gente de várias classes sociais que observam com preocupação o que se passa na Nação.

Entretanto vai-se entretendo o povo com futebol, concursos e telenovelas de televisão e promove-se o consumismo e a gastronomia, entre outras coisas, para satisfazer os mais aborrecidos ou chateados, que ficam mais consolados e calados, deixando aos outros a ‘pedrada’ de contestação.

Aqui fica a minha...Pausa para reflexão!

Rui Palmela

ANA tira as patas de Sá Carneiro! Já!

Há quatro anos, quando a TAP deitou as mãos ao pescoço do Sá Carneiro, desviando para Lisboa os voos directos do Porto, foi a Ryanair quem forneceu o essencial do oxigénio que evitou o nosso aeroporto de morrer asfixiado.

A Lufthansa também deu uma ajuda, ao aumentar a frequência de voos diários para Frankfurt. Os alemães foram rápidos a identificar a oportunidade de negócio aberta pela deserção da TAP – e a agir.

A companhia alemã não demorou a obter o retorno deste investimento. «Hub» por «hub», turistas e homens de negócios nortenhos preferem fazer escala em Frankfurt do que em Lisboa.

Mas foi a Ryanair quem salvou o nosso aeroporto da condenação à morte proferida pela TAP (nacionalizada nossa …?!), com a cumplicidade da ANA (nacionalizada nossa…?! ) a entidade gestora dos aeroportos.

Por muitos anos que viva, nunca esquecerei da conferência de imprensa que Michael O’Leary, presidente da Ryanair, deu no Porto, paramentado com a camisola azul e branca do FC Porto, que tinha acabado de conquistar a Liga dos Campeões em Gelsenkirchen.

A combinação entre o prestígio, no Reino Unido, do vinho do Porto e do FC Porto (que acabara de exportar José Mourinho para o Chelsea) convenceu o irlandês de que a sua aposta numa ligação «low cost» entre as cidades do Porto e Londres ia ser ganhadora - e que os seus aviões andariam cheios nos dois trajectos.

Os dois milhões de passageiros transportados, em menos de quatro anos, de e para Portugal, provam que O’Leary tinha razão. A sua Ryanair é a principal contribuinte para as taxas de crescimento da ordem dos 17% ao ano registadas pelo Sá Carneiro, de que já é a sua segunda principal cliente.

O ano passado, três milhões de passageiros usaram o aeroporto do Porto. Este ano, prevê-se que sejam quatro milhões. Mais um milhão.

Mas a monopolista e estatal ANA está a cortar as pernas à continuação deste espectacular crescimento ao boicotar, há quase um ano, um investimento de 220 milhões de euros no Sá Carneiro da Ryanair, que quer instalar no nosso aeroporto uma base de operações.

Entre outras coisas, esta base permitira que, no espaço de um ano, a Ryanair triplicasse o número de passageiros que transporta no Sá Carneiro.

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, a TAP continue estatal e que através dela o Governo tenha nacionalizado uma companhia privada (a Portugália).

É inadmissível que numa economia que se pretende de mercado, haja uma entidade estatal a monopolizar a gestão dos nossos principais aeroportos, impedindo a concorrência entre eles e prejudicando o Sá Carneiro.

Não há uma entidade única a gerir os portos nacionais e os resultados transparentes deste saudável estado de concorrência estão à vista: o porto de Leixões é o único que dá lucros. Os outros todos, sem excepção, acumulam prejuízos.

A AEP e a Associação Comercial do Porto já se disponibilizaram por criar uma entidade que substitua a ANA na gestão do Sá Carneiro, onde reuniriam empresas exportadoras e operadores turísticos.

É urgente que a ANA tire as patas do Sá Carneiro para que o nosso aeroporto seja gerido pela sociedade civil e, assim, possa continuar a prosperar - e ser a porta de entrada e saída, por via aérea, do Noroeste Peninsular.


Jorge Fiel
(do Bússola)

21 novembro, 2007

A CONTROLINVESTE E A NOVA TV

Vale a pena ler esta notícia do JN e observar os comentários de algumas entidades ligadas ao negócio dos media. É caso para se dizer: é preciso ter lata! Mas, já sabemos, lata é coisa que não falta em Portugal.

A pretexto da intenção da Controlinveste pretender lançar uma nova operadora de TV, supostos "especialistas", afirmam que o mercado actual publicitário não comporta a presença de mais um canal aberto de televisão, considerando por esse motivo a sua inviabilidade económica.

Depois, acrescentam: "um quarto operador, caso se afirme, tornará a sobrevivência da SIC e da TVI ainda mais complicada."

A justificarem-se estes receios pela concorrência, é caso para perguntarmos se estes cuidados alguma vez se manifestaram em relação ao impacto negativo que causariam (e ainda causam) noutras áreas do país, nomeadamente na sua segunda maior cidade como é o caso do Porto.

Mais: estas entidades gostam - quanto é conveniente - de apelar ao bom senso e às regras democráticas, mas como se comprova, nunca se sentiram incomodadas com o facto do Porto não ter, ainda hoje, uma única operadora em canal aberto e de estarem a viver (e, como referem, a sobreviver) também à custa do mercado nortenho, incluindo as empresas públicas, como é o caso da RTP. Esta empresa, dispõe de dois canais abertos e mais alguns outros em cabo (RTPN, RTP Memória, RTP Àfrica), mas nenhum com direcção autónoma instalado no Porto. Nesta altura, inclusivé, a pouco autónoma RTPN vai emitir a partir de Lisboa no horário da noite (de maior audiência).

Resta-nos saber, já agora, aonde é que Rolando Oliveira (supostamente um homem do Norte), estará a pensar implantar a nova operadora. Algo me diz, que mais uma vez os pergaminhos do rigôr e da justiça vão ficar na gaveta das conveniências e que a nova Televisão será outra vez instalada na grande Lisboa, em mais um coerente acto de "descentralização" e de "seriedade".

20 novembro, 2007

O Condado de Portucale

Bandeira do Condado
Portucalense

Houve, no actual território de Portugal, ao longo do processo de reconquista, dois Condados Portucalenses ou Condados de Portucale distintos: um primeiro, fundado por Vímara Peres após a presúria de Portucale (Porto) em 868 e incorporado no reino da Galiza em 1071, após a morte do conde Nuno Mendes (e que embora gozando de certa autonomia, constituiu sempre uma dependência do reino das Astúrias/Leão/Galiza sendo sensivelmente equivalente ao actual Entre-Douro-e-Minho).

Um segundo, constituído c. 1095 em feudo do rei Afonso VI de Leão e Castela e oferecido a Henrique de Borgonha, um burguinhão, que veio auxiliá-lo na Reconquista de terras aos Mouros, tendo também recebido a mão de sua filha Teresa de Leão. Este último condado era muito maior em extensão, já que abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra, suprimido em 1091, partes de Trás-os-Montes e ainda do Sul da Galiza (mormente da diocese de Tui).

De notar que Condado é um termo genérico para designar o Território Portucalense, já que os seus chefes eram alternativamente intitulados Comite (conde), Dux (duque) ou Princeps (Príncipe).

A Noruega é isto, nós temos o Prós e Contras...

A economia norueguesa é próspera, com um capitalismo de bem-estar caracterizado por uma combinação da actividade do mercado livre com a intervenção do governo. As áreas chave estão sob controle do governo, tais como o sector vital do petróleo, com as empresas de estado em grande destaque.

O país é dotado de ricos recursos naturais - petróleo, energia hidroelétrica, peixes, florestas, e minerais - e está altamente dependente da sua produção e dos preços internacionais do petróleo; em
1999, o petróleo e o gás somaram 35% das exportações. Somente a Arábia Saudita e a Rússia exportam mais petróleo do que a Noruega.

A Noruega optou por permanecer fora da União Européia, através de um referendo em 1972, e outra vez em Novembro de 1994. No entanto, a Noruega, juntamente com a Suíça, a Islândia e o Liechtenstein firmaram um acordo económico com a União Européia. Este países formam a Associação Europeia de Livre Comércio.

O crescimento económico em 2000 foi de 2,7%, comparado com os 0,8% de 1999, mas voltou a cair, para 1,3%, em 2001. O governo avançou com privatizações em 2000, vendendo um terço da companhia de petróleo Statoil, que tinha 100% do capital estatal.

Com a qualidade de vida mais elevada do mundo, os noruegueses preocupam-se bastante com as duas décadas seguintes quando o petróleo e o gás começarem a acabar.Consequentemente, a Noruega tem acumulado os seus excedentes orçamentais, derivados do petróleo, num fundo governamental que investiu no exterior e que em 2003 foi avaliado em 114 bilhões de dólares americanos.

A administração do fundo petrolífero da Noruega, criado para que a riqueza criada pela extração do petróleo possa beneficiar gerações futuras, é um tema de discussões acesas na actual sociedade norueguesa.
POLÍTICA
A Noruega é uma monarquia constitucional, com uma democracia parlamentar.
O primeiro-ministro, ou Statsminster (literalmente "ministro do país"), é o chefe do governo, e nomeia um gabinete executivo de entre os membros do parlamento norueguês, que se chama Storting (literalmente "assembleia grande").
O Storting é composto por 169 membros, eleitos por um sistema de representação proporcional. Embora seja oficialmente uma legislatura unicameral, os membros do Storting elegem 40 dos seus membros para formar uma câmara alta, o Lagting, que considera e modifica os projectos de lei. Os outros membros formam uma câmara baixa, o Odelsting.
A tradição do governo monárquico norueguês sob diversas formas prolonga-se até há mais de mil anos.
A Noruega fez parte de uma união com a Dinamarca entre 1381 e 1814 e posteriormente com a Suécia entre 1814 e 1905, altura em que mais uma vez se tornou independente sob o reinado de Haakon VII da Noruega.

19 novembro, 2007

Será do Código Genético?

Se não é do código genético, então é desleixo e falta de rigor e profissionalismo. Tudo o que são indicações direccionais no nosso país, a começar pelas estradas e artérias citadinas, ou é inexistente ou insuficiente ou confuso.

Seguem-se três pequenos exemplos avulsos de casos que ocorrem na AMP.

Quem segue na VCI de Gaia, essa espetacular obra de Luis Filipe Menezes, também chamada IC23, circulando no sentido do Corte Ingles para a ponte da Arrábida, e desejando entrar no Porto por essa ponte, deverá olhar a profusa sinalização existente e... não tomar a direcção que indica "Ponte da Arrábida". Porquê? Porque se o fizer vai lá chegar, efectivamente, mas dá uma grande volta. É um pouco, proporções à parte, como se mandassem ir para Viseu alguém que pretendesse chegar a Coimbra, o que no mínimo é ilógico.

Deixo aqui uma dica gratuita. O que efectivamente deve fazer, é ignorar a indicação "Ponte da Arrábida", tomar a direcção "Via Engº Edgar Cardoso/Devesas" e naquela via seguir sempre em frente. Rapidamente passará ao lado do Arrábida Shopping e logo a seguir estará na ponte do mesmo nome.


O segundo exemplo diz respeito ao Metro do Porto. Desde que o Prof. Oliveira Marques tomou conta das rédeas da empresa, as coisas passaram a correr tão bem que muita gente dizia que nem parecia que estávamos em Portugal! Contudo, como é tradição nacional, a sinalização de orientação para os utentes está muito fraquinha, a necessitar uma revisão urgente. Toda e qualquer sinalização deve ser facilmente legível, completa, sistemática, clara e até mesmo repetitiva. A do Metro está longe de obedecer a estes padrões. Posso garantir sem mentir que, nos Metros que conheço, foi o pequeno Metro do Porto aquele em que senti mais problemas de orientação.

O Prof. Oliveira Marques tem certamente gente na sua equipa capaz de eliminar as deficiências sem que ninguém lhas aponte. Assim o queira, porque um visitante vindo, por exemplo, da estação de Campanhã e que queira seguir para o Polo Universitário, o que pensará da nossa organização ao descer na estação da Trindade e verificar que não vislumbra a mínima indicação de qual o caminho a tomar para aceder à outra linha que ali passa?

O terceiro caso refere-se a um espanhol vindo da Galiza para ir ao Ikea, que interrogado por um jornal diário acerca do que pensava de tudo o que tinha visto, deu uma opinião positiva mas acrescentando que estava irritadíssimo por ter andado perdido para lá chegar, simplesmente porque na AE de acesso a Matosinhos - A28 - não havia a mais pequena indicação do percurso a seguir. Imagino que terá ido parar, pelo menos, à rotunda dos Produtos Estrela!

A Suécia e os nossos brandos costumes

A Suécia é dividida em três grandes partes, a Götaland, ao sul, englobando a cidade de Göteborg, a Svealand, na parte central, que engloba Estocolmo e Norrland, que fica ao norte. Cada uma dessas três partes é subdividida em regiões menores chamadas landskaps. Os landskaps não têm mais significado administrativo, sendo apenas um termo histórico. Actualmente, os landstings são os equivalentes ao landskaps mas com significado administrativo aproximado dos antigos landskaps.

Pensando bem, a história dos povos revela-nos uma enorme tolerância destes para com quem os tem governado. Tolerância essa, que não tem sido devidamente aproveitada (salvo raras excepções como o caso da Suécia adiante citado), pelos respectivos poderes no sentido de melhorar as condições de vida da humanidade e, implícitamente, consolidar a sua confiança nos orgãos que o representam.

Vem-me esta lembrança à memória por múltiplas razões, e uma delas, por exemplo, um tema muito discutido neste e noutros blogues, o da Regionalização.

Ultrapassando com uma tolerância próxima da infantilidade o facto da Regionalização vir consagrada na Constituição e de, assim mesmo, ainda estar eventualmente sujeita a novo referendo, o povo português vai deixando passar estes sucessivos incumprimentos legais como se fosse natural fabulizar a letra do Livro mais importante da República Portuguesa. E de facto, assim é, muitos princípios e artigos constituicionais começam a tornar-se autênticas fábulas pelo já longo tempo que permanecem no papel. O da Regionalização do território continental é só uma delas.

Pessoalmente, o conceito que tenho dos nossos compatriotas é muito negativo, embora seja tão português quanto eles. Continuo a pensar, que todos os maus costumes e defeitos do nosso povo, não são mais do que uma imitação dos exemplos transmitidos por quem o governa. Tal como os filhos copiam os vícios e as virtudes dos pais, com o povo sucede o mesmo em relação aos governantes. Só que, lastimavelmente, dos governantes, o povo não tem grandes exemplos e virtudes para seguir. Por cá, o Estado exige para o povo, mas ainda não tem elevação para saber exigir para si, sobretudo quando se trata de aplicar austeras medidas de contenção.

Ainda há pouco tempo, constatámos os revoltantes exemplos da aquisição de viaturas topo de gama, para os ministérios e secretarias do Estado e o escandaloso ordenado do Governador do Banco de Portugal superior ao auferido por entidades paralelas de países muito mais ricos e desenvolvidos que nós. Não é possível digerir estas assimetrias sociais e económicas sem lançar um palavrão de repulsa.

É por este triste cenário (de que Portugal não consegue libertar-se), que somos levados a emitir opiniões negativas em relação ao futuro. Os apelos ao optimismo para serem eficazes e credíveis não podem ser feitos por quem ramifica o desemprego, a degradação social e pratica políticas inconsequentes, sob pena de se confundirem com provocação.

A RTP transmitiu recentemete uma crónica sobre a vida dos suecos, e penso não me enganar se disser que, muitos que a viram devem ter ficado a roer-se de inveja. Não daquela inveja cretina de quem deseja o mal dos outros, mas a de quem lamenta o facto de ter nascido em Portugal. Não pelo país-território, que todos devem adorar, mas pela baixa aptidão dos seus governantes que não mostram capacidade para catapultar o nível de vida dos portugueses para patamares de qualidade à altura da média europeia. Não conseguimos descolar nunca da cauda dos piores.

Na Suécia, os cidadãos vivem condignamente, pagam altos impostos mas pouco se importam, porque acreditam no Estado e conhecem o destino que este lhes vai dar, inclusivé na velhice e na doença. Na Suécia, os cidadãos são felizes, quanto é possível ser-se feliz, quando as regalias sociais, laborais e económicas estão asseguradas. Os cidadãos respeitam o Estado porque ele é respeitável, tão simples quanto isso.

O problema dos portugueses não deriva das suas incapacidades intelectuais ou formativas. Esta treta agora propagandeada das plurivalências, é mais uma incongruência do poder político que não corresponde em nada às expectativas reais do presente e para o futuro. A qualificação do trabalho é sempre um dado importante numa sociedade, mas não podemos pretendê-la sobrequalificada para depois não sabermos o que fazer com ela.

O problema dos portugueses é um problema de rigor. O rigor que emana do cumprimento de regras. Quando são os governantes os primeiros a não cumprir as regras (e leis), não se pode esperar muito do desenvolvimento desse país. Ou por outra, pode esperar-se muito sim, mas esperar-se em vão.

18 novembro, 2007

"MEMORANDUM V - CASA PIA"

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem. Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi.A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusa formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia):Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.O arqueólogo Francisco Alves e o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz.O ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres e actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso.O embaixador Jorge Ritto.O julgamento iniciou em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrastou-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em NOVEMBRO DE 2007 o caso ainda decorre.


O tema - valha-nos isso - não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Todas as semanas faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade.

17 novembro, 2007

Será que o senhor Procurador ainda acha que o importante é investigar a batota no jogo da bola?

"Às primeiras perguntas, as fartas pestanas, como cortinas de um palco em desuso, protegem-lhe a vergonha. Aos poucos solta-se das amarras do medo e rebobina um filme mau. Conta que tudo começou no Verão, ainda tinha 13 anos. Com o irmão Clemente e o amigo deste, Renato, começou a frequentar um ateliê em Lisboa, onde trabalham vários artistas plásticos.

Renato, 16 anos, através de um educador do Lar Cruz Filipe, arranjara ali um gancho. O educador, Paulo R., a quem não compete a orientação profissional dos casapianos, transgredia as regras da casa.

No ateliê, José passa a ser presença frequente a partir das quatro da tarde. Aí vê o primeiro filme porno: «António, o patrão do Renato, tinha filmes num armário. Cheguei a ver um em que homens violavam mulheres e depois matavam-nas. Depois abusavam de homens e faziam-lhes o mesmo».

Foi o colega do lar quem um dia lhe disse: «O António gostava de curtir contigo». Aos poucos, o homem foi avançando. José solta as lágrimas: «Tocava-me na pilinha e dava-me tapas no rabo».

Decidiu comentar o caso com o educador, que assistia, sorrindo: «Respondeu-me que não tinha nada de mal, que ele era sempre assim». Às vezes, era «o mestre» (como também chamam a António) quem aparecia no lar Cruz Filipe.

A seguir ao jantar, enquanto a rapaziada via futebol, o mestre subia para a zona dos quartos com o educador e dirigia-se ao pequeno: «Anda, não queres dar uma quequinha?».

Um dia, foram convidados para uma festa no ateliê. A sorte do rapazito estava nas piores mãos. José tem o ‘selo’ da maioria dos casapianos: foi internado com o irmão no Instituto Jacob com apenas quatro anos. O pai, Alberto, trabalhava nas obras. A mãe, Maria, ganhava uns tostões fazendo limpezas. Ela tinha oito filhos e ele tantos que lhes perdera a conta. Em casa, quando o dinheiro falha, o álcool impera. O pai – que agora está preso por ter violado uma sobrinha de 13 anos da nova companheira – utilizava o cinto e tudo o que lhe viesse à mão para flagelar os garotos. A mãe, sempre em ajustes com a vida, denuncia o caso à polícia e o Tribunal de Menores coloca-os ao abrigo do Estado. Um mal pior."

Aqui há mais

16 novembro, 2007

Perguntas e Respostas sobre a Regionalização

A Regionalização é uma questão de princípio ou é uma reforma necessária para o desenvolvimento do país?—

Julgo que é as duas coisas simultaneamente. É uma questão de princípio, desde logo porque a Lei Fundamental é para cumprir. Não faz sentido que os artigos da Constituição sejam tomados como uma espécie de menu de restaurante, em que certas pessoas apenas cumprem os que lhes agradam.Por outro lado, dispomos de órgãos de poder legitimados por eleições ao nível da freguesia e do município e no país. Ao nível intermédio [regional] temos um quadro caro, caótico e descoordenado, com 38 divisões regionais diferentes, 74 serviços regionais diferentes de carácter público, e mais uma série de divisões a nível de empresas privadas de capitais públicos ou de outras instituições.O facto de as pessoas discutirem projectos de futuro, designadamente através da disputa das eleições, pode mobilizá-las para o desenvolvimento das suas regiões. E pode fomentar a democracia participativa.

As regiões não retiram poderes aos municípios?

— Não. Desde a revisão constitucional de 1982, que isso ficou claro: a região não pode limitar poderes do município. Mais! a região tem como obrigação apoiar os municípios, designadamente na coordenação de planos directores municipais. Hoje conhecem-se situações, até entre municípios do mesmo partido, em que um plano define uma zona para a construção de vivendas e o município vizinho, com outra equipa técnica, entende que a zona que confina com aquela é óptima para fazer prédios de 12 andares. Ora, isto não tem nenhuma lógica e deve ser resolvido com a participação de todos.A regionalização é pois um passo necessário que temos de dar, seguindo de resto a experiência da generalidade dos países com este tipo de sistema político.

Como promover o desenvolvimento das regiões mais atrasadas e também resolver os problemas das zonas de maior densidade populacional com a racionalidade e eficácia que actualmente não existe. Será que a administração central não pode cumprir esses objectivos?

— Não. Temos o exemplo do chamado PIDDAC (Plano de Investimentos e Desenvolvimento da Administração Central) que inclui uma extensíssima lista de investimentos, apresentada à Assembleia da República, onde aparecem obras como um centro de saúde, um novo quartel de bombeiros, um centro de dia da terceira idade, etc. O que ninguém sabe é porque é que são propostas estas obras num determinado local e não outras numa povoação ao lado. Nada disto obedece a um planeamento, e funciona muito frequentemente a lógica de que quem é afecto ao poder come e quem não é cheira, ou a das cunhas, dos interesses do partido maioritário, etc.

É um processo ilógico, burocratizado e centralizado, onde as autarquias e as populações não participam, perdendo-se muito tempo e dinheiro e não assentando em princípios lógicos em matéria de racionalidade dos equipamentos e infra-estruturas.(continua)

de António de Almeida Felizes
Blogue Regionalização

O FUTEBOL E O "BÚSSOLA"

Um grupo de orgulhosos tripeiros, razoavelmente mediáticos, decidiu recentemente instalar na blogoesfera mais um blogue com nome de "Bússola", dedicado à nossa amantíssima cidade do Porto.

O seu lançamento, previamente anunciado como uma forma irreverente, bem humorada e sarcástica de protesto, contra a epidemia centralista que assolou o país, já começa a provocar, (como era previsível), muita comichão nos egocentricos adeptos do centralismo.

É mais do que famosa, a maneira rebelde e apaixonada dos tripeiros transmitirem esse amor à cidade, nada preocupados com o efeito que isso possa provocar nos outros. Quem gosta do estilo gosta, quem não gosta, paciência, terá de se conformar, porque, tal como a nossa pronúncia, o nosso estilo pode não ser consensual, mas tem a genuidade das coisas únicas e inimitáves, porque é de facto único.

O tripeiro típico, é mesmo assim. Mas, como nada na vida é perfeito, há alguns portuenses atípicos, quiçá distraídos por "simpatias clubísticas" desviantes, que não souberam resistir à aculturação produzida pela Comunicação Social Centralista de Lisboa (vulgo CSCL) e deixaram-se afectar por tiques e conceitos que nada têm a ver com os seus.

Para complicar as coisas, há também aqueles portuenses que por questões de mero oportunismo se renderam ao domínio da capital e, mesmo quando pretendem dar-se ares de
inconformados, medem muito bem tudo o que dizem de forma a não deixar transparecer quaisquer sinais susceptíveis de contrariar o poder e os preceitos centralistas. Estou a lembrar-me de dois, por sinal ambos do mesmo partido e avessos ao futebol...

Por falar em futebol e voltando ao "Bússola", é aqui que se percebe quanto a clubite pode influenciar e limitar a acção dos cidadãos da mesma cidade na intervenção política. No "Bússola", também há raras excepções. É o caso do bloguista residente, António Souza Cardoso, portuense raçudo, mas benfiquista de coração, que na hora do desporto troca a bandeira do clube mais expressivo da cidade pela bandeira de um clube que não a representa. Afinal, é o direito das pessoas à liberdade de escolha - muitas vezes por influência familiar - mas a baralhar o tendencional efeito de proximidade nas suas opções afectivas.

Contudo,ninguém pode afirmar que haja coerência e conforto nestes casos. O que haverá, na melhor das hipóteses, é alguma ambivalência nos sentimentos. Suponho que ninguém encontrará grandes diferenças entre um benfiquista nascido no Porto "torcer" pelo clube lisboeta e um português pagar bilhete para apoiar a selecção inglesa, num Inglaterra/Portugal.

Não me parece pois possível distinguir os afectos regionalistas dos nacionalistas ( refiro-me ao futebol) sem se entrar num processo incontornável de contradições. O mesmo penso dos portistas nascidos em Lisboa.

Neste contexto, é revelador atentar no "Bússola", aos comentários dos sulistas e daqueles nortenhos "atípicos", plenos de fel e ciumeira em relação ao Porto.

Quando algum cronista fala do F.Clube do Porto caem imediatamente sobre ele, alegando que "nós nortenhos" só sabemos falar de futebol, procurando tristemente colocar-se em elevados patamares de cidadania, desmemoriados de uma comunicação social caseira que não tem feito outra coisa senão estar ao serviço da capital, promovendo o seu clube dilecto durante anos a fio, mesmo quando nada o justifica.

Até os políticos, em debates extra-futebol não se coibem de falar do "seu Benfica", como se descontextualizar qualquer assunto em nome do glorioso, seja a coisa mais natural e inocente do Mundo. Quando somos nós a abrir a boca sobre as nossas coisas, o caso muda logo de figura, mesmo que dentro das paredes de um blogue como o "Bússola", sem a visibilidade nem a influência da televisão, é vê-los a despejar moralidade por todos os poros.

É por estas e por outras, que quando aparecem alguns iluminados a apregoar que o futebol aliena e nos desvia de temas mais importantes, tenho muita relutância em dar-lhes razão, porque sempre preferem diabolizar as consequências destes fenómenos a impedir o que os origina, que é, como cansamos de saber, o centralismo.

Temos entre nós, alguns "intelectuais" que ainda não entenderam que o desprezo fanático que manisfestam pelo futebol pode valer bem menos do que a presumível alienação popular por ele provocada.

Estar de costas viradas para o fenómeno futebolístico - que é popular - é outra forma da viver alienado da realidade.



15 novembro, 2007

Estradas e responsabilidades

Conforme noticia o JN de hoje, as auto-estradas portadas vão passar para a EP decorridos os períodos de concessão atribuídos á Brisa e Auto Estradas do Atlântico.

Tão importante como saber com clareza como é elaborada esta manobra de concessões, os cidadãos precisam de saber exactamente (devem exigí-lo), quantas entidades públicas e privadas, vão ser de facto constituídas e sobre quais estradas e auto-estradas vão recair as responsabilidades de cada uma.

Sempre me pareceu que a existência de vários organismos com a tutela da rede viária nacional, só serve para negociatas, desresponsabilizá-los e gerar confusão no utente .

Há uns anos já, tive uma experiência pessoal que definitivamente me deixou essa desconfiança.

Passando por uma estrada onde era suposto existir um sinal de Stop, alguém ou algo o retirou do seu local. Deu-se o acidente, felizmente sem grandes danos físicos mas com avultados danos materiais. Quando procurei saber qual era a entidade responsável pela não fiscalização da sinalética para me defender dos prejuízos causados, andei como bola de ping pong de um lado para o outro, pois ninguém estava interessado em assumir responsabilidades sobre a respectiva estrada.

Fui para tribunal, reconheceram a minha inocência, mas como é habitual nestes casos pouco adiantou e acabei por dividir o prejuizo com o proprietário do outro veículo sinistrado que até se tinha declarado culpado, sem nunca chegar a saber a quem imputar responsabilidades.

Na altura, já havia a Junta Autónoma das Estradas, a EP, o Instituto de Estradas de Portugal e outras tantas de que agora não recordo o nome.

Veremos que coelho vai sair desta cartola. Com Mário Lino, não se pode esperar grande transparência...

Amar o Porto

Embora a pós-modernidade avassaladora que nos conduz de défice em défice até à vitória final, daqui por outro milénio, considere estas coisas pirosas, retrógradas e, quando não, reaccionárias, penso que, em muita gente, continua a existir um vivo sentimento de pertença ao Porto.

Sentimento expresso em laços que se atam, firmes, em íntimas ligações afectivas com os lugares, em entranhadas formas de identificação com a cidade, nas suas grandezas e misérias, nas suas aspirações e desconcertos. Expresso naquilo que os provincianos em geral e em particular os mais de todos, que são os da capital do Novo Império, consideram a pior baixeza o bairrismo portuense. A isso, alguns - não sei quantos - tripeiros gargalham e não será o "patriotismo global" e a modernidade do couce (querendo dizer para trás, atrás, na retaguarda onde continuamos, não obstante Mestre Camilo ter escrito que o país entrava no futuro aos couces), que os fará esquecer de tal atributo.

Bairrismos. Por exemplo, um jovem ex-autarca e ex-político (daqueles de que o país precisa activos, competentes e, sobretudo, íntegros e que, talvez, por isso se afastam desta lamentável comédia de costumes a que assistimos diariamente), escreveu-me dizendo: penso que gostaria de saber que dei um pequeno contributo, ou melhor, dois pequenos contributos para inverter a taxa de natalidade do nosso Porto. No dia 26 de Janeiro nasceram, em Paranhos, o Francisco e o João. O próximo passo pretendo que seja o regresso ao Porto, em 2008. Não é isto uma prova de amor e fidelidade à cidade? Pois que regresse rapidamente ao Burgo e, se possível, à política, onde faz muita falta. E vivam os dois neo-tripeiros!

Também de um amigo - como eu nascido na Vitória - professor catedrático na Universidade do Minho, onde se exilou, recebi carta emotiva e repleta de nostalgias da sua infância portuense, de que, pelos vistos, não quer libertar-se, nem quer esquecer. É uma maravilha e, entre outras coisas, diz (a propósito de uma foto sua, com outra companheira de infância) "Apesar da idade que tínhamos a Lili e eu, ficamos bem na fotografia, de pose, que tirámos no estúdio fotográfico que ficava, também, na nossa rua. Era um rés-do-chão, creio que pegado à casa em que vivia o Carlos Alberto Enes e sua irmã Fátima, que foi o meu primeiro "namorico"".

Na realidade pisei pela primeira vez o palco, com cinco anos pela mão da família Resende e até aos meus 15 anos fui representando, fazendo rir e cantando, normalmente em solo, inserido nesse grande clube que era o Rádio Clube Infantil. Várias árias de óperas eram adaptadas para português e de forma jocosa. Aquela que cantei com a Lili era da ópera genoveva, de Schumann. Todos os textos tinham o dedo de D. Emília Resende e de seu filho Resende Dias.

Outras se seguiram, terminando com "La Donna E Mobile", num espectáculo no Coliseu cheio, em que fui compère, na roupagem de um sinaleiro e por isso cantava um automovilé, dois automovilés e seguia-se toda a ária, com adaptação da letra nesta base.

"E, adiante, conta "Frequentei o Chave d'Ouro e o Tropical, na Batalha, onde convivi com a Dalila Rocha e o Jaime Valverde. Também na minha lista constam o Palladium, o Avis e o Estrela. Joguei muito bilhar no Palladium: livre, 104, sargento, 3 tabelas, etc. Quando veio o snooker, ao disputar o torneio da cidade, fui ao Rivoli, ao Café Novo e à Confeitaria Peninsular.

"E mais evoca "Veio-me à memória a recordação dos "trampolineiros", que vendiam banha da cobra na Cordoaria, sempre acompanhados do seu macaquinho. Recordei as vezes que, miúdo como era, acompanhava a minha criada à Adega Macedo para encher o garrafão de vinho para a semana e ir a uma casa, nos fundos, que depois passou a ser o Avis, comprar petróleo, carvão e carqueja. Acompanhei muitas vezes a minha avó ao Mercado do Anjo e ao do Peixe, junto às Virtudes, agora Palácio da Justiça.

"E ainda à frente "Frequentemente admirei a miniatura do eléctrico que se encontrava dependurado num armazém de fazendas, lembrando o desastre provo-cado por um grande "amarelo" que, ao descer a Rua das Carmelitas (e não a da Assunção), não conseguiu fazer a curva para descer os Clérigos e espetou-se nesse armazém, que à porta sempre tinha um caixeiro a chamar a clientela.

"E, depois de mais considerações, remata "A carta já vai longa, a saudade e as recordações são muitas e ao escrever sempre me vieram ao rosto algumas lágrimas." (Entendem o que é o sentimento de amar o Porto, esta cidade única, dra-mática e - apesar de tudo quanto lhe têm feito - nobilitante e inesquecível?)

Hélder Pacheco, Professor , e escritor

14 novembro, 2007

Eu, portuense, olho-me ao espelho com a ajuda de Garrett, Sophia, Saramago, entre outros

A leitura destas frases ajuda-nos a nós, portuenses, a conhecermo-nos melhor. Eu leio-as, releio-as e sinto-me como se estivesse a olhar-me ao espelho.

Espero que esta leitura ajude os forasteiros a melhor decifraram esta cidade secreta que Eugénio de Andrade, um seu filho adoptivo, não hesitou em considerar «a mais fechada das nossas cidades».


O b pelo v

«Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há pouco quem troque a liberdade pela servidão.»

Almeida Garrett


Maravilhas e angústias

«O Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias.»

Sophia de Mello Breyner


Como se vinga

«O portuense não gosta de Lisboa. Não gosta da polícia. Não gosta da autoridade. Da autoridade vinga-se, desprezando-a. Da Polícia vinga-se, resistindo-lhe. De Lisboa vinga-se, recebendo os lisboetas com a mais amável hospitalidade e com a mais obsequiada bizarria.»

Ramalho Ortigão


Rir desbragadamente

«E quanto ao riso, o Porto gosta de rir e de rir com uma certa insolência: ri mais desbragadamente, mais primariamente, mais saudavelmente e com mais gosto do que Lisboa.»

Vasco Graça Moura


Regaço aberto para o rio

«Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é a Ribeira.»

José Saramago


Uma alma de muralha

«Toda a cidade, com as agulhas dos templos, as torres cinzentas, os pátios e os muros em que se cavam escadas, varandas com os seus restos de tapetes de quarto dependurados e o estripado dos seus interiores ao sol fresco, tem toda ela uma forma, uma alma de muralha.»

Agustina Bessa Luís


Invejas

«Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho. Detestam-se!»

Eça de Queiroz


Lição de portuguesismo

«Uma ida ao Porto é sempre um lição de portuguesismo, tanto mais rica quanto mais raramente lá se vai. É indispensável – claro! - um mínimo de contacto reiterado com esse lar da nação para nele vermos algumas das significações latentes que enriquecem a nossa consciência de práticas.»

Vitorino Nemésio

Uma família

«O Porto não é em rigor uma cidade: é uma família. Quando algum mal o acomete, todos o sentem com a mesma intensidade; quando desejam alguma coisa, todos a desejam ao mesmo tempo. Os portuenses são tão ciosos da integridade da sua cidade, como os portugueses em geral da integridade da nação.»

João Chagas


Aspecto severo e altivo

«O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. Guardador de três províncias e tendo nas mãos as chaves dos haveres delas, o seu aspecto é severo e altivo, como o de mordomo de casa abastada.»

Alexandre Herculano


Jorge Fiel

Marco António quer13 milhões do Governo

Cansado de ver a Câmara Municipal de Gaia ser apontada como uma das autarquias cujo endividamento líquido é dos mais excessivos - 225 milhões de euros -, Marco António Costa, vice-presidente da Autarquia, desafiou ontem o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, a publicar não só a lista do passivo dos municípios, mas também a da dívida do Estado aos municípios e a dos financiamentos das autarquias à administração central."

Somos credores do Governo de 13.943.454,13 de euros e não tenciono perdoar um cêntimo", afirmou, repetindo o número por extenso e acusando o poder central de "cinismo" em relação ao Poder Local. E explicou "80% da nossa dívida resultou da necessidade de construir 2600 habitações sociais.

Como não lá limite para o endividamento social, porque essa área deveria ser da responsabilidade do Estado e ele não o quer cumprir, vamos continuar a endividar-nos". E deu exemplos dos terrenos que tem cedido ao Estado: "Para escolas, para as esquadras da PSP e da GNR, para centros de saúde".

Apesar disso, Marco António Costa assegura que a Câmara conseguiu, este ano, abater mais cinco milhões de euros do que seria necessário para estancar a dívida (11,9 milhões) em excesso. E diz que isso fica a dever-se à receita extraordinária obtida pela autarquia até ao mês passado. "Cobrámos, até Outubro, mais 62 mil euros do que o apurado no final de 2006. E, até ao fim do ano, cobraremos mais 20 mil". Gaia continua a ser, juntamente com Lisboa, a Câmara cujo endividamento líquido é maior. Mas, precisamente por Lisboa ter agora um autarca socialista (António Costa), o vice-presidente social--democrata acusa o Governo de criar leis à medida das necessidades dele. "O conceito de endividamento líquido muda todos os anos. Mas, até aqui, só era possível fazer empréstimos de curto prazo para fazer face à tesouraria; desde que António Costa está na Câmara de Lisboa passou a ser possível fazer empréstimos de médio e longo prazo". HTS

Causas portuenses

Já se movimentam alguns quadrantes associativos republicanos, em relação ao centenário da implantação da República, que ocorre em 5 de Outubro de 2010 e deveria (deverá) ser uma comemoração de amplo significado e visibilidade nacional. Ao mais alto nível das instituições, também e pedagogicamente, na rede fina das associações democráticas e republicanas e no sistema de ensino e cultura.

No Porto, a Câmara podia e devia aproveitar a oportunidade para associar esta data a outra que está ligada ao republicanismo democrático e liberal da cidade, o 31 de Janeiro, e ampliar o programa comemorativo de tal centenário aos 120 anos daquela revolta, a comemorar em 2011, ou seja, poucos meses após o epílogo do 5 de Outubro.

A malograda revolta do 31 de Janeiro de 1891 foi a semente da República e, sem necessidade de grandes detalhes agora para a crónica, foi um movimento e constitui uma data que expressa com clareza o mais intrínseco da alma portuense, inconformismo e insubmissão e um ideário liberal de valores de liberdade e justiça que sempre marcaram o Porto. Sei que já lá vão muitos anos e há quem diga, às vezes com demasiada ligeireza, que a lembrança destas datas se resume ao agrupar de memórias de "meia-dúzia de nostálgicos", pois, à cidade real isso pouco interessa.

Pensamento ligeiro, embora talvez realista, mas, nesta questão de valores, nem sempre as memórias cumprem o seu dever, dando preferências a esquecimentos que pouco abonam do estado de conhecimento da História e da Cultura colectivas. Cumpre, por isso, às instituições mais directamente ligadas a estes valores promover o seu conhecimento e divulgação, associando-os à História de uma cidade ou de um país, como será neste caso o 31 de Janeiro para o Porto e a que a sua Câmara não deve ficar indiferente.

Por que associar o centenário da República, comemoração nacional, com o 31 de Janeiro, facto local e de desfecho desastroso, quando o momento será para exaltar a vitória do movimento republicano e a consolidação do seu ideário na governação e vida do país?

Porque tal associação faz todo o sentido, nacional e, sobretudo, portuense, uma vez que foi daqui, do resultado de tal desaire, que foram lançadas as ideias que haveriam de triunfar na "Revolução da Rotunda", quase 20 anos depois. Também, por ter sido na Câmara de então que foi hasteada pela primeira vez a bandeira republicana e aí perdurou algumas horas, num sacrifício generoso de cidadania que Alves da Veiga protagonizou ao lado dos revoltosos e do povo da cidade.

Nada a que o Porto não estivesse historicamente habituado; daí, como lembra Basílio Teles, "quem se mostra em primeiro plano são os paisanos desconhecidos", ou seja, o povo portuense, que, ainda segundo o mesmo autor, "foi o intérprete dos sentimentos de todo o povo português". É precisamente para honrar estas memórias e lembrar que a cidade existe e não as esquece que aqui se propõe à Câmara portuense e ao seu presidente tal associação do 31 de Janeiro ao centenário da República.

O Porto precisa de causas e de encontrar objectivos e esta pode argumentar-se não ser uma causa tão galvanizadora como seria desejável, mas até pode ser se a embalagem nacional do centenário da República for aproveitada para lhe imprimir a justa marca portuense. O 31 de Janeiro foi a nossa República, quando o país ainda não estava preparado para ela e, também é preciso dizê-lo, a capital não via com bons olhos que tal revolução se viesse a concretizar a partir do Porto. É preciso lembrá-lo e assumi-lo e ninguém melhor que a Câmara portuense para o fazer e, com isso, unir a cidade numa grande causa, sustentada e sustentável. Causa histórica e cívica, causa cultural e identitária de temperamento e alma de uma cidade.

Gomes Fernandes
Arquitecto

13 novembro, 2007

Nobres políticos estes ...

Será com exemplos destes que a reputação da classe política se credibiliza?

Não resistem à ostentação, estes demagogos. São todos iguais ou não são? É má língua, continuarmos a pensar assim, com estas atitudes? Porque raio nunca são eles a dar o exemplo e a apertar o cinto?

Até quando, o povo vai aturar estas brincadeiras?

Até quando?

Ludgero Marques, um homem do Norte?...

Em debate promovido pela TSF sobre a Regionalização, Ludgero Marques consegue ser mais autista que um O.V.N.I.!
Esta figura agora murcha do "Norte", que muitos (de boa vontade) chegaram a pensar poder vir a fazer alguma coisa de jeito pela região, não só decepciona demais como também acusa elevado teor de radiação centralista. Quem o viu e quem o vê...

Os argumentos que apresentou para justificar as suas ideias anti-regionalistas foram do mais básico que se pode imaginar. Além de padecerem de uma total orfandade em matéria de originalidade e de não terem a mínima substância, estão completamente fora de prazo. É caso para perguntar: onde tem, e com quem tem andado, afinal, Ludgero Marques?

Tomemos nota então, da profundidade das suas palavras:

"O Norte é um posicionamento, um atitude!" e "é muito mais vasto do que aquilo que se pretende fazer com 5, 6 ou 7 regiões!" .

E acrescenta: "Portugal, é um país demasiado pequeno para ser repartido por regiões!" . E remata com este brilharete: "se houvesse eficiência governamental, resolveria a situação!".

Esta última frase então, é de bradar aos céus! É, exactamente igual, àquela muito reflexa e muito antiga que diz: "se a minha avó não tivesse morrido ainda era viva!" . Mas o que irá fazer um homem com estas declarações a um debate sobre a Regionalização? Confundir? Não, não é credível que com palha desta qualidade consiga confundir o maior dos asnos!

Mas há uma frase, por sinal muito utilitária, que enquanto cidadão lúcido não admito ao Sr. Ludgero Marques nem a qualquer político que profira em meu nome, que é esta: "Nós temos todos culpa por esta situação!" , porque eu não pertenço a essa família.

Estas pessoas, lançam este tipo de atoardas e uma vez que "cola" e ninguém lhes diz para terem tento na língua, usam-nas a torto e a direito e depois é: vira o disco e toca o mesmo e convencem-se que dá para tudo...

Em tese, até podíamos concordar com estas redundâncias caso fossem sustentadas no tempo e no espaço certos, por exemplos de governabilidade antecedentes apreciáveis. Mas, agora sr. Ludgero? Está a pedir aos portugueses para continuarem a dar o benefício da dúvida a métodos de governação arcaicos, ineficientes e alienadamente centralistas e perigosamente fracturantes? Durante mais quantos anos, já agora?

Será assim que o senhor engenheiro defende a coesão nacional? Ainda não terá percebido que a melhor semente para gerar injustiças e conflitos anti-nacionalistas é a concentração do poder num único pólo como está a acontecer em Lisboa? O senhor ainda não entendeu, engenheiro, que o país está mais dividido que nunca, mas da pior maneira? E não acha também que tem responsabilidades nisso?

Se não gosta da Regionalização, não coma. Mas faça o favor de não entrar nesse jogo sujo de assustar os portugueses e de se constituir em mais um empecilho para o progresso do país. Já chega.




12 novembro, 2007

Antiga e excelente arquitectura

EDIFÍCIO 'FNAC' NA RUA DE SANTA CATARINA
(Arq. Marques da Silva)

O Porto na óptica do Centralismo

Para lá do efeito sorvedor de recursos do resto do país, uma das facetas mais funestas do centralismo lisboeta, será porventura também, a de procurar desvalorizar e despojar, tanto o carácter, como os hábitos culturais das populações fora das suas 'magnificientes' fronteiras. Para tal, vale-se da força dos média, com a Televisão no comando dessa tarefa. Durante anos a fio, essa empreitada acaba por dar os seus 'frutos'. Pôdres frutos, é certo, mas frutos.

Começando pelo futebol, quem de boa fé observar o comportamento desta comunicação social, notará sem dificuldade o incómodo que os sucessos desportivos alcançados pelo F. Clube do Porto estes últimos 20 anos - interna e externamente - consegue provocar na vaidade "capital", traduzido em infindáveis expedientes para os descredibilizar. A testemunhá-lo, estão programas (ditos desportivos) como - no passado - os Donos da Bola, da SIC, e, mais recentemente, a produção de um suposto filme, de um suposto realizador, procurando oportunisticamente fazer algum dinheiro à custa de desancar sem escrúpulos na dignidade do dirigente do F.Clube do Porto e com isso também tentando desestabilizar a dinâmica vencedora do próprio clube.

A própria tradição, não escapa à saga cultural da mediocridade centralista. Desde tempos remotos, as gentes do Porto ganharam fama de trabalhadoras e a própria cidade era conhecida pela cidade do trabalho. Hoje, os centralistas, contestam essa reputação e não perdem uma única oportunidade para dizer que, afinal, não é bem assim, que isso é mais um mito do que outra coisa, etc., etc.

Enfim, neste ponto, vale-nos o lado positivo das maledicências, que é, talvez, o de poder explicar melhor o empobrecimento actual do Porto e de toda a região Norte...

A velhinha ponte D. Maria, que - tal como a famosa torre de Paris, a Torre Eiffel - desde sempre se soube ter a supervisão de Gustave Eiffel, também não escapa ao bota-abaixismo da capital, que para retirar impacto à importância da obra, prefere atribuír a autoria do projecto - e, logo - o nome da ponte ao seu colaborador Teófilo Seyrig, embora toda a estrutura de engenharia tenha sido calculada por Eiffel, como aqui relembra e comprova o jornalista Jorge Vilas.

O vinho do Porto, também parece não ter nada a ver com o Porto, porque segundo estes 'patriotas' de pacotilha (prefiro o patriotismo dos galegos), como o vinho é produzido no Alto Douro, não devia ter o mome/marca Porto.


Se completarmos o ramalhete com a recente fatiota da cerveja "Sagres" (marca sulista, elitista e liberal????) com que foi vestida a Torre dos Clérigos, qualquer dia, também o Nicolau Nasoni não passou por aqui e o Porto, se calhar, já nem existe...


IRRELEVÂNCIAS TELEVISIVAS...

Àcerca da nova reestruturação da RTPN, o ministro Augusto Santos Silva volta a "sossegar" a comunidade nortenha, garantindo-lhe o fortalecimento informativo do canal, uma vez que irá dedicar especial vocação para as questões regionais.
Ao mesmo tempo, Luís Marques, administrador da RTP, insiste na "tecla" da "irrelevância" da origem onde o canal é feito. Neste capítulo, há que reconhecer a nossa incapacidade para compreendermos a evidência destes factos, considerando a tendência do Estado para a descentralização dos média... Fosse o cidadão comum um pouco mais perspicaz, teria verificado quão "irrelevante" é o detalhe sobre o local de produção, se atentasse nos constantes exemplos/prova que esse mesmo Estado (e a iniciativa privada também, diga-se) nos vem dando ao longo dos anos com a implementação de estações de TV um pouco por todo o país... Poucas estão em Lisboa, está a vista. Por quê, então, suspeitar?
Mais irrelevante ainda, será a nossa preocupação com o fim da produção do noticiário nocturno dos estúdios do Monte da Virgem passando a ser emitido a partir de Lisboa, pois estamos cansados de saber que a hora de maior audiência não é a da noite (20 horas), mas sim a da tarde, que é o momento em que toda a gente regressa a casa já um pouco refeito do stress laboral, ou seja, lá para a uma ou duas horas da tarde...
Irrelevâncias, portanto...

11 novembro, 2007

A Ota está quase a chegar a Sacavém

O território de Portugal continental é, grosso modo, um rectângulo com cerca de 600 km de comprimento e 200 de largura, situado no lado mais ocidental da Europa. Penso haver um consenso geral no país sobre este resumo da nossa localização geográfica.

Mas este consenso volatiza-se quando se passa da teoria geral para a prática. No dia a dia, e vista de Lisboa, a geografia do nosso país modifica-se por completo, evoluindo do simples rectângulo para uma organização bem mais complexa com óbvias semelhanças ao Sistema Solar.

No centro, no lugar do Sol, está Lisboa (a região mais rica da Península Ibérica em termos de paridade de poder de compra) girando à sua volta três planetas: dois planetas anões, que lhe estão próximos, e um outro, enorme e distante como Neptuno.

Os dois planetas anões são o Alentejo (onde os lisboetas com contas bancárias mais desafogadas ou níveis de endividamento mais elevados têm o seu «monti») e o Algarve (destino de veraneio alternativo para as pontes e as férias da Páscoa e Verão). Trata-se de planetas poucos povoados, que dispõem de um clima agradável e têm uma serventia essencial de diversão.

A anos luz de distância está o terceiro planeta do Sistema Portugal, vulgarmente designado pelas expressões «lá em cima» ou «província». «Norte» é o nome politicamente correcto.

O planeta Norte é densamente habitado por gente que fala com uma pronúncia parola, tem um clima horrível (é frio e húmido e está sempre a chover) e muitas fábricas onde abusam do trabalho infantil – em vez de andarem na escola as criancinhas passam o dia a coser sapatos e roupas para a Zara. O pessoal «lá de cima» diz muitos palavrões e tem a mania do futebol, onde só ganham devido às trampolinices do Pinto da Costa (mas isso vai acabar).

Não é simples estabelecer os contornos exactos do planeta Norte. Eles são realmente bastante difusos e alargados.

Durante os cinco anos em que chefiei a Redacção no Porto do Expresso recebi dezenas de telefonemas de colegas meus de Lisboa perguntando-me se era possível mandar um jornalista «dar uma saltada» a locais tão diversos como Vieira de Leiria, Monção, Tomar, Guarda, Mirandela, Termas de Monfortinho, Régua, Arganil, Fundão, Cantanhede, Viseu ou Alcafache.

Ou seja, tudo quanto está fora de Lisboa e não é Alentejo ou Algarve, integra o planeta Norte, cuja órbita está cada vez mais larga, afastando-se lenta mas inexoravelmente do Sol. E a força de gravidade exercida por atrai pequenos asteróides que se soltaram do grande planeta.

É o caso da Ota, que há muitos anos não passava de um satélite do planeta Norte, do qual se soltou entrando em rota de colisão com Lisboa. Quando a questão da localização do novo aeroporto foi recolocada, a Ota distava 66 km de Lisboa. Nos últimos estudos já estava só a 50 km. Não tarda nada, fica ali mesmo à saída de Sacavém…

Jorge Fiel (do blog "Bússola")

PS. Se quer poupar-se às maçadas sofridas por Galileu, deve abster-se de insistir com os lisboetas dizendo-lhes que o rectângulo Portugal faz parte do sistema Europa, com centro de gravidade em Bruxelas.