10 março, 2009
Os novos pobres
A crise quando chega toca a todos, e eu já não sei se hei-de ter pena dos milhares de homens e mulheres que, por esse país, fora, todos os dias ficam sem emprego se dos infelizes gestores do BCP que, por iniciativa de alguns accionistas, poderão vir a ter o seu ganha-pão drasticamente reduzido em 50%, ou mesmo a ver extintos os por assim dizer postos de trabalho.
A triste notícia vem no DN: o presidente do Conselho Geral e de Supervisão daquele banco arrisca-se a deixar de cobrar 90 000 euros por cada reunião a que se digna estar presente e passar a receber só 45 000; por sua vez, o vice-presidente, que ganha 290 000 anuais, poderá ter que contentar-se com 145 000; e os nove vogais verão o seu salário de miséria (150 000 euros, fora as alcavalas) reduzido a 25% do do presidente. Ou seja, o BCP prepara-se para gerar 11 novos pobres, atirando ainda para o desemprego com um número indeterminado de membros do seu distinto Conselho Superior. Aconselha a prudência que o Banco Alimentar contra a Fome comece a reforçar os "stocks" de caviar e Veuve Clicquot, pois esta gente está habituada a comer bem.
09 março, 2009
Parados no tempo e no espaço
Não admira pois que vivamos num país em que a divisão administrativa vai a caminho dos dois séculos de existência. Temos Províncias e Distritos que deixaram de ter significado prático há muito tempo. A divisão em concelhos e destes em freguesias, correspondeu na época a uma determinada realidade demográfica e social, que hoje está ultrapassada, mas tudo está feito para que o imobilismo se mantenha. Andam há anos a proclamar que "o povo é quem mais ordena" mas quando esse povo pretende legitimamente constituir uma unidade administrativa própria ( Rio Tinto, Arrifana, Canas de Senhorim, Fátima, e tantas outras) esse direito é-lhes negado e, se necessário, solta-se a GNR para distribuir cacetada. Os próprios presidentes das câmaras em risco de perder extensão territorial, comportam-se no mais puro estilo colonialista-ditatorial e mandam a democracia às ortigas. São democratas só quando lhes convém. Do mesmo modo, nada está feito para viabilizar a união de concelhos diferentes, numa só unidade. A existência de Porto e Gaia( para já não falar em Matosinhos) como concelhos separados, não tem lógica e só prejudica.
Pergunto-me se haverá um dia um timoneiro corajoso e avesso à lógica de governo imperial, que dê uma vassourada nesse lixo arqueolóligo em que estamos inseridos e seja capaz de:
a - Conseguir a erradicação do princípio contitucional que obriga a que as regiões só sejam estabelecidas após aprovação em referendo nacional.
b - Acabar com Províncias e Distritos.
c - Legislar no sentido de fazer com que a criação de novos concelhos seja um processo com regras bem definidas, sem passar por resoluções casuísticas com intervenção da Assembleia da República.
d - Criar os mecanismos legais que permitam a junção de duas ou mais cidades numa única, criando uma nova divisão administrativa, tipo super-cidade (que não seria a mesma coisa que as actuais Áreas Metropolitanas) dirigida por um super-autarca.
Tudo isto é wishfull thinking ? É capaz de ser, mas só até ao dia em que apareça alguém que tome como seu o slogan Yes we can, e consiga mesmo fazê-lo.
Sobre a ERC
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ERCArtigo 7.º dos Estatutos da ERCObjectivos da regulaçãoa alínea d) diz:Assegurar que a informação fornecida pelos prestadores de serviços de natureza editorial se pauta por critérios de exigência e rigor jornalísticos, efectivando a responsabilidade editorial perante o público em geral dos que se encontram sujeitos à sua jurisdição, caso se mostrem violados os princípios e regras legais aplicáveis;Nota RoP:Temos, ou não, razão, quando afirmamos que a ERC não está a cumprir com os seus objectivos? Ou será que Rui Santos, é um jornalista rigoroso? Se é, estamos conversados...
Renovar o Porto no gratuito Destak
Além da RTP, há criminosos à solta, na SIC!
06 março, 2009
Porcos!
Se Portugal fosse um país realmente democrático, onde a autoridade e as boas práticas de cidadania estivessem devidamente implantadas, não seria mais possível continuarmos a ver capas de pasquins como as do miserável exemplo aqui ao lado.Na foto do meio inferior, vê-se uma imagem de Carolina Salgado à saída do Tribunal em que foi insultada por uma rapariga, e onde, aparentemente, está também Pinto da Costa, a rir-se.
Uma foto-montagem execrável, onde a má fé é patente,visando lançar mais veneno sobre o troféu de caça, Pinto da Costa.
Não faço ideia como serão tratados estes testemunhos de falta de seriedade dos media, por parte da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação) e da própria Procuradoria Geral da República, mas a indiferença parece ser a reacção natural. Estranha-se (já não muito, enfim), é que pessoas com tanta responsabilidade, movam céu e terra a tentar encontrar provas para incriminar um homem, e que lhes passe totalmente ao lado, este crime. Parece-me que por aqui, se podem retirar as ilações necessárias, sobre as suas verdadeiras intenções.
A ANA , o aeroporto Sá Carneiro, e as "derrapagens"
Imaginem um engenheiro de pontes a quem lhe entregavam a responsabilidade de elaborar um projecto para a construção de uma ponte, e lhe facultavam o tempo e as condições necessárias para a sua eficiente execução, e que, quando está para inaugurar a obra, quatro anos mais tarde do que havia calculado no projecto, a dita ponte se desmorona. Procedidas as devidas investigações, os peritos concluem ter havido uma derrapagem nos cálculos de engenharia. O que diriam de tal engenheiro? Que estaria senil? Que enlouquecera? Que era um irresponsável? E, que destino teria tal criatura num país civilizado? O hospício ou a cadeia, responderiam.
Pois, é exactamente isto que, em Portugal, acontece com uma precisão angustiante , na conclusão das grandes (e pequenas também), obras públicas. Derrapagem. Foi este, o nome escolhido para classificar a incompetência crónica, ou o despudor profissional dos gestores de tais empreitadas. Parece até, que se está a falar de corridas de automóveis, em piso molhado... Entre derrapagem e incompetência, desde que não batamos contra um muro, quem não prefere a primeira expressão?
O Tribunal de Contas, detectou várias causas para a derrapagem temporal (mais 4 anos!) , da ampliação do Aeroporto Sá Carneiro, e 100 milhões de euros mais caras! Apontou as seguintes razões: Impacto Ambiental, Análise da Proposta, Serviços Externos, Suspensão de Obras, o Euro 2004 (que jeito deu, afinal), o Mau Tempo, e por fim, o Planeamento.
Vejamos:
Impacto Ambiental - 1ª. desculpa da ANA
atraso na entrega da Declaração de Impacto Ambiental
1ª. conclusão nossa
não existia, não podia existir, o Ministério do Ambiente.
Análise da Proposta - 2ª. desculpa da ANA
demora na análise (18 mêses) para a construção do terminal.
2ª. conclusão nossa
não existia, nem podia existir um responsável por essa tarefa (excepto, ao fim do mês...).
Serviços Externos - 3ª. desculpa da ANA
dificuldade de decisão na recolocação dos serviços exteriores à ANA. A Alfândega.
3ª. conclusão nossa
a dificuldade já vem de trás, e é plural.
Obras Suspensas - 4ª. desculpa da ANA
é difícil (outra vez) executar obras de ampliação numa estrutura mantendo-a a funcionar, o que obrigou à suspensão frequente das obras.
4ª. conclusão nossa
se a avozinha não tivesse morrido...
Euro 2004 - 5ª. desculpa da ANA
Suspensão dos trabalhos e reajuste do plano, quando se soube (em1999) da realização do Euro 2004.
5ª. conclusão nossa
de todas, a única desculpa real aceitável para os atrasos da obra, visto ser a menos previsível.
Mau tempo - 6ª. desculpa da ANA
O Inverno de 2000/2001. Péssimas condições metereológicas.
6ª. conclusão nossa
um estudo, não tem de compaginar e admitir esta possibilidade?
Planeamento - 7ª. desculpa da ANA
Atrasos provocados por dúvidas, indefinições e alterações dos projectos
7ª. conclusão nossa
Dúvidas, indefinições, e alterações dos projectos quando e sempre que acontecem revelam maus estudos, má articulação entre cooperantes.
PS-Tudo isto, por mais compreensível que se queira ser, não justifica derrapagens desta grandeza e sistemáticas. Pelo contrário, agrava as suspeitas sobre o enriquecimento súbito de parte dos agentes envolvidos nestas empreitadas.
Onde é que já ouvi isto?
Público
Tenho, o respeito que a minha consciência de cidadão minimamente atento ao teatro da política, exige que tenha, para com o Dr. Mário Soares. Não mais. Deste homem, de aspecto afável e bonacheirão, pouco mais me resta do que a imagem simbólica de alguém que nunca conseguiu ultrapassar o nível dos processos de intenção.
Ama a Liberdade (pela qual, sempre lutou), mais pelo que ela tem de abstracto, do que pelo que ela implica de objectivo. É um teórico do humanismo , um socialista de intenções, mas decididamente, um capitalista em acções (não foi ele quem meteu o socialismo na gaveta?). Incomoda-o, seriamente (creio), o lado usurário do capitalismo, sobretudo como nestes últimos tempos, quando põe a nu, os métodos anárquicos e oportunistas da gestão dos dinheiros públicos e privados. Ainda que atento e sempre disponível para censurar o capitalismo selvagem, caminhou sempre a seu lado.
Nunca, estes últimos anos, o vimos verdadeiramente interventivo, ou pelo menos, suficientemente incomodado com a macro-concentração do poder na capital, sabendo como um homem com a sua experiência é obrigado a saber, o quanto isso contribui para a fragmentação da coesão nacional e para a consequente geração de movimentos autónomos e até separatistas.
Este comportamento ziguezagueante de Mário Soares, deixa-nos sem alternativas ,e com muitas dúvidas, quanto à sua visão estratégica sobre o país. Às vezes, procede como se apenas estivesse interessado em manter um protagonismo que o avançar da idade ameaça ofuscar. Às vezes, acho que está a brincar connôsco...
05 março, 2009
A Universidade do Porto
Por tudo o que tenho lido, orgulho-me, como portuense que sou, de verificar que a Universidade do Porto abandonou posturas poeirentas e enfileirou na vanguarda dos organismos portugueses que constituem o motor da mudança do perfil tecnológico do nosso país. Penso que, aqui no Porto, não temos assim tantas coisas de que possamos nos orgulhar, mas porque acredito que a nossa U.P. é uma delas, é com satisfação que aqui deixo esta pequena nota.
Dêem-nos liberdade para concretizar as nossas iniciativas, para definir o nosso próprio caminho, cortem-se as amarras centralistas que nos limitam severamente em todos os campos, e a nossa região, a nossa Galécia, será certamente capaz de sair desta penosa e deprimente situação de sermos dos mais pobres da Europa. Lembrem-se, os patriotas tradicionais, que um corpo é o somatório das suas partes, e que portanto uma Galécia mais forte significará um Portugal igualmente mais forte.
Nota: este post é da autoria de Rui Farinas
Rui Rio, versus, Bragaparques




Já não é a primeira ocasião que Rui Rio, revela ter um conceito de cultura dominado por uma visão economicista parola, para consumo fácil e de rápido rendimento, o que explica a sua predilecção pelo estilo revisteiro e plagiador do Filipe La Féria, para o Teatro Rivoli. Segundo pensa, La Féria dá lucro, e se dá lucro, dá cultura. Não entendo que outro raciocínio possa ele fazer, se na base das suas decisões, é o lucro que as baliza. Defende o mesmo princípio que está na génese da comunicação social, onde vale tudo, (incluindo "tirar olhos" ), para vender. Não se percebe é como, lendo pela mesma cartilha dos media, Rui Rio tanto dela se queixa. Alguma coisa estará mal nas suas opções.
Fica o aviso: se daqui a uns tempos houver problemas com a Bragaparques, Rui Rio não tem qualquer desculpa, será implicita e previamente conivente com os mesmos, pelo que, não lhe restará outra coisa senão demitir-se (o que duvido que o venha a fazer)...
Carolina outra vez suspeita de mentir
A principal testemunha do Apito Dourado vai ser alvo de mais um processo por falso testemunho. Em causa estão as datas de recepção de mensagens ameaçadoras por parte de um ex-amigo. "Má-fé", acusa o Ministério Público.
Carolina Salgado queria apresentar uma queixa contra Paulo Lemos, um amigo conhecido após a ruptura da relação com o líder do F. C. Porto e com quem acabou por incompatibilizar-se. Ao ponto de Lemos ser a principal testemunha no processo em que é acusada de crimes de autoria moral de incêndio dos escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto.
Assim, a 11 de Abril de 2008, formalizou denúncia no piquete da directoria de Lisboa da PJ, por ameaças e injúrias, aludindo a 44 mensagens de telemóvel cujo envio data do segundo semestre de 2006. Nessa ocasião, garantiu que só dias antes teve conhecimento do teor das mensagens, armazenadas num telemóvel avariado e que, até então, nunca mais utilizara. A data de conhecimento das alegadas ameaças e injúrias é pormenor fulcral, uma vez que, tratando-se de crimes particulares e semi-públicos, há um prazo de seis meses para a denúncia.
Isto é, se Carolina tivesse dito que teve conhecimento das mensagens na data em que foram enviadas, o processo seria arquivado, por ter decorrido mais de ano e meio após os factos.
O caso foi enviado para o DIAP do Ministério Público do Porto. Só que, durante a investigação, a procuradora Teresa Morais descobriu que, afinal, Carolina terá tido conhecimento das mensagens na data em que foram enviadas por Lemos. Terá, por isso, faltado à verdade aquando da denúncia (ver ficha).
Por esta razão, o caso acabou arquivado, por caducidade do direito de queixa. A magistrada concluiu que tal denúncia - apresentada dois dias após o ex-amigo ter voltado a fazer acusações contra Carolina às autoridades - terá estado inserida numa estratégia de defesa no processo dos incêndios. O objectivo seria descredibilizar o autor material do ilícito, alegadamente a mando da ex-amiga, que acabou acusado, apenas, por crime de dano.
A agravar a situação está o facto de Carolina ter sido outra vez ouvida pela GNR, no Alentejo, onde agora vive. Como testemunha, a queixosa disse confirmar "na íntegra" a denúncia.
"Considerando que, como bem sabia, parte dos factos alegados não correspondiam à verdade e porque estamos perante uma outra conduta (autónoma), extraia certidão e todo o processado e remeta aos serviços do Ministério Público no Tribunal de Fronteira para procedimento criminal [...] pelo crime de falsidade de testemunho", pode ler-se no despacho, a que o JN teve acesso, aludindo a uma "denúncia de má-fé".
Contactado o advogado de Paulo Lemos, Luís Vaz Teixeira, explicou ao estar a ponderar "procedimento judicial autónomo" contra Carolina. "A minha cliente prestará todos os esclarecimentos em sede própria. E nessa ocasião constatarão que em momento algum prestou falso testemunho", disse, ao JN, José Dantas, o advogado de Carolina Salgado.
04 março, 2009
A decandência que não se quer ver
Antes de entrar no Aviz, tinha descido a pé, a Rua do Almada, onde pude observar o panorama desolador de vários prédios a acusarem ruína e a servirem de abrigo a mendigos e pombos. Alguns, já nem sequer tinham tecto, nem janelas. Desta rua, onde há relativamente pouco tempo, o comércio de ferragens e de ferramentas fora vivo e pujante, apenas sobravam, dispersas, umas pequenas lojas de resistentes, à espera do golpe final.
O cenário não me trouxe novidade, mas serviu para reconfirmar a incúria e a ineficácia das directrizes de reabilitação urbana seguidas pela classe política. É deprimente e chocante. Mas, o que choca a valer, é sabermos da existência entre nós de alguns «cérebros dinâmicos e bem pensantes», com teóricas responsabilidades na matéria, que assobiam para o ar, perante este violento e aterrador espectáculo de depauperação, do coração de uma cidade.
A esses, o justo castigo, a divina conta, só será uma realidade, no dia em que essas ruínas do passado se abaterem sobre os seus corpos imprestáveis, de parasitas.
03 março, 2009
Roma paga aos traidores
Vem isto a propósito das reuniões da Junta Metropolitana do Porto, onde o clima de discórdia e a clivagem partidária parecem estar sempre presentes, sobrepondo-se ao interesse da Área Metropolitana. Aquele é um órgão em que todos os seus membros deviam puxar para o mesmo lado. As suas decisões deveriam ser pautadas por um único objectivo - o interesse da Área Metropolitana do Porto - sem prejuízo da existência de distintos pontos de vista, expressos por distintas forças políticas. Não é isso que se constata e esta partidarite aguda vai ser um fortíssimo obstáculo a uma futura regionalização, como aliás ficou bem patente na campanha para o referendo de 98.
A propósito refira-se um outro aspecto que diz respeito às verbas entregues pelo governo às Áreas Metropolitanas. Até este ano, as transferências dessas verbas tinham de cumprir determinados prazos pré-estabelecidos. A partir de 2009 essa obrigação temporal desapareceu e as entregas passam a ser feitas quando o governo muito bem entender. Pretende-se obviamente dificultar o funcionamento das Juntas, estrangulando-as financeiramente, e trata-se também de uma tentativa de calar e "meter na ordem" as Áreas Metropolitanas mais recalcitrantes, aquelas que recusem o beija-mão ao poder centralizador.


