22 março, 2010

O benfiquismo socrático

Tantos são os cambalachos a envolver o 1º. Ministro que é realisticamente improvável estar inocente em todos eles. Essa, é a razão pela qual, a discussão técnica das performances governativas deixou de me interessar. Num país completamente virado ao avesso, chega a ser ridículo falar das questões de pormenor da accção governativa, como fazem os jornais com aquela brincadeira das setas para cima ou para baixo... O carácter e a honra, são as primeiras prerrogativas que um governante deve ter, e logo a seguir vem a competência. Sem as duas primeiras, a competência pode ser mal direccionada o que equivale a dizer que pode beneficiar o próprio, mas com prejuízo para o país.
Para mim, repito, até prova em contrário, a política em Portugal é uma fraude, uma aldrabice repetida, e enquanto tal, a minha única preocupação é saber quando é que nos podemos livrar do modelo.
Como se isto não sobrasse, o senhor Sócrates encarregou-se de levantar a fasquia da sua mediocridade, quando disse, com toda a naturalidade do mundo que, era adepto do Benfica e que os portistas não lhe podiam levar a mal por preferir que o Benfica vencesse a Taça da Liga, esse troféu expressamente inventado para o seu clube de coração poder ganhar qualquer coisa.
Pois se assim é, senhor Sócrates, também não me leve a mal por não lhe reconhecer a mínima categoria para ser 1º Ministro. Desculpe, mas se a fortuna me desse o ensejo de necessitar de um motorista, não me leve a mal, mas nunca o escolheria a si. Não é por nada, mas gosto de andar sempre com gasolina no depósito...

Primeiro Ministro dos Portugueses?

“Descobrimos” nós Portugueses que o Sr.Primeiro Ministro é benfiquista desde que nasceu!

Tudo bem, tem todo o direito de o ser! Contudo é inadmissível, na minha opinião, que sendo
O primeiro-ministro de todos os portugueses, venha para a comunicação social afirmar que
quer que o benfica vença os jogos que terá com outros clubes portugueses, alinhando
publicamente por uma facção vermelha, em detrimento de outras cores que deveria resguardar!

E já que ficou muito feliz pela vitória do seu benfica, na taça da liga da cerveja, assuma que
o país merece e precisa de um primeiro-ministro que governe Portugal e que não divida,
ainda mais, os portugueses em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda!

É que desta maneira, sem ser recatado, adensa-se a teia de relações e compromissos pouco
claros, com interesses de diferentes índoles, como se tem provado nas campanhas eleitorais,
onde aparece o dirigente mor daquele clube a dar apoio ao actual primeiro-ministro!

E parafraseando alguém: “Não havia necessidade”!


Renato Oliveira

Porto

19 março, 2010

Bom fim de semana



Esta estava prometida à nossa simpática e talentosa amiga paulista, Neli Araújo.

O PEC E AS CONTAS PÚBLICAS

Página do Leitor


Apresentou este governo o Plano de Estabilidade e Crescimento para os próximos anos de 2010 a 2013, como que um “milagre” para resolução do deficit e da dívida pública!

O que todos nós verificamos é que estamos perante um projecto que só traz desvantagens para todas as classes sendo que a classe média é a mais afectada como sempre, e que obriga a congelar quase tudo desde os rendimentos do trabalho, as pensões, as despesas sociais e as reduções dos benefícios fiscais. Os do costume que paguem a crise, é o lema deste governo!

Por outro lado, congela-se o investimento, na vã esperança que os privados invistam neste país, porque se não sabe como obter esse mesmo investimento, nem se lhes dá condições especiais para eles investir! O mesmo será dizer que não haverá crescimento económico, quando muito umas décimas, para continuar a aumentar o desemprego!

E se é preciso cortar nas despesas, tem este governo uma óptima e soberana oportunidade para privatizar a “nossa querida” RTP (2 canais ???), que é uma autêntica máquina sorvedoura dos dinheiros públicos, com programas de duvidosa qualidade e com profissionais pagos a peso d’ouro, a troco de quê? Utilidade pública? Digam-me por favor qual é a utilidade desta RTP, onde os contribuintes pagam anualmente e em taxas mensais fabulosos milhões de Euros a troco dessa “fábula” que tem por titulo “Serviço de utilidade pública”!

Isto para não falar dos chorudos ordenados e prémios oferecidos aos dirigentes das Empresas Públicas, algumas até dão prejuízo, bem como as chorudas maquias pagas aos “consultores” e empresas de obras públicas, que “prestam” serviços ao Estado! E que dizer das PPP (Parcerias Público-Privadas)?

Só nestes dois items, existe muito onde cortar na despesa do Estado!

Chegou a hora de sermos poupados à “chacina truculenta” de pagar as crises provocadas pelos que nos governam!


Renato Oliveira
Porto
[Carta enviada ao JN]

Se a minha avó fosse viva

Artur Santos Silva é [pelo menos, goza dessa reputação], um homem prestigiado da vida pública portuense. Administrador do BPI e descendente de uma família de adeptos republicanos [seja lá qual fôr a importância do facto], tem conseguido manter uma saudável distância das polémicas politiqueiras e dos deploráveis esquemas financeiros de alguns dos seus pares, o que tendo em conta a sem vergonhice actual, só abona em seu favor.
Hoje, o ASSilva disse ao semanário Grande Porto que não defende o TGV, nem a Regionalização. Quanto ao TGV, tudo bem, é uma opinião quase consensual que só não tem o aval do Governo e de alguns seguidistas do Partido Socialista. Já sobre a Regionalização, limita-se a repeli-la como se de um praga se tratasse, preferindo optar pela versão política da lenda da avózinha que não devia ter morrido. Se o Governo fôr descentralizado, se forem concedidas mais competências às Câmaras, se fôr reduzida a máquina centralista, se a minha avó não tivesse morrido... Ses.
É com estes 'ses' de esperança infantil, como os de ASantos Silva, que grande parte das pessoas com o seu estatuto e fortuna encaram a situação miserável em que se encontra o Porto e o Norte. Mas, não admira, porque para estas pessoas o Porto, mesmo que visivelmente abandonado e em acelerada decadência social e urbana, tem nichos de oásis onde se movem, como os das suas residências, as dos seus amigos, e dos locais onde a higt society se reúne, que lhes distorce a noção da realidade dos problemas e os timings em que devem ser resolvidos. Artur Santos Silva é um homem que se pode dar ao luxo de ter tempo, mas as populações não.
Mas, a culpa não é dele. Se o Homem é a sua realidade, ASantosSilva, está na realidade dele, e como tal, não é capaz de sair do seu status para ter uma visão mais pragmática do país. A responsabilidade, é de quem escrutina tais personagens para obter respostas sobre problemas que pouco ou nada lhes dizem, como está bem patente na resposta que ASSilva deu sobre o bicho-papão da Regionalização. Porque a Regionalização pode esperar, ou então, é perigosa e fracturante para o país... A descentralização também pode esperar, porque o povo é sereno.
Há gente, que se obstina em percorrer caminhos que não levam a lado nenhum, e que em vez de procurar outro para chegar ao destino, prefere fechar os olhos e esperar que o destino aconteça.
Mesmo assim, espanta-me, como pessoas com carreiras tão pragmáticas com é a de ASSilva, não possam servir-se delas como bitola para lhes abrir os olhos para pragmatismos bem mais nobres. Mas, repito, a culpa não é apenas dele. É, sobretudo dos jornalistas que persistem em querer convencer o público que são aqueles que mais dele se afastam que têm a solução para os seus problemas.
Que querem, ainda há quem goste de ser tratado como animais domésticos.

18 março, 2010

Silêncios cumplíces e o PEC

Presumo, que quando falamos de Liberdade - nessa importante conquista do 25 de Abril -, ficamos frequentemente com uma ideia sobrevalorizada da coisa. A blogosfera, entre muitas vantagens, como sejam, a comunicação, o conhecimento e a própria amizade entre gente de todo o Mundo, teve outra virtude, que foi a de pôr a nu a liberdade limitada dos jornalistas.
Até prova em contrário, a blogosfera usufrui de uma Liberdade muito mais ampla e descomprometida que a comunicação social. Nós, escrevemos e opinamos gratuitamente, os jornalistas, não. Só este pormenor faz toda a diferença, e só ele justifica que possamos ter alguma compreensão com certos silêncios ou omissões em relação a muitos casos. Em última análise, um jornalista mediano, reprime as suas opiniões receando que, no íntimo, a entidade patronal o possa despedir. A história está cheia de jornalistas «corajosos», particularmente, quando se trata de atacar algo [ou alguém], que possa ameaçar o seu lugar, mas é sóbria se tiver de falar directa ou indirectamente contra quem lhe paga. E por vezes, quem lhes paga, são patrões muito pouco recomendáveis...
Só estes argumentos podem explicar esses silêncios, essas perguntas que ficam por fazer. Por exemplo, nunca ouvi, ou li, um jornalista questionar com profundidade um grande empresário ou governante, sobre os critérios para avaliação dos méritos. O PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento], seria um precioso pretexto para o fazer. Porque o PEC, a que eu prefiro chamar Programa para um Estado Caótico, por ser mais realista, é o mote perfeito que desmascara de vez certos conceitos abstractamente induzidos. Um programa cuja própria nomenclatura é de per si uma mentira pegada, não merece sequer discussão. Mas valia sempre a pena "apertar" certos protagonistas.
Senão, vejamos. Quais são os padrões, as referências de conhecimento, com consequências claras de benefício público, que justificam a atribuição a um só homem, dezenas ou centenas de milhar de euros de vencimento? Que mais valias têm tais indivíduos para a sociedade que expliquem tamanha disparidade, entre eles e um simples jardineiro? Qual é a sustentação moral e objectiva desta aberração? Serão génios? Deuses? Gente generosa? Filantropos? Terão provocado com a acção do seu trabalho nos Governos ou Empresas onde o desempenham o bem estar social e económico efectivo para a população?
A nível governativo, o que temos estado a assistir já ultrapassou todos os limites do descaramento, do vazio de carácter, da dignidade, já passou a uma provocação, a uma declaração de ordem para a desobediência civil. Então, se o balanço das acções dos sucessivos governos é declaradamente pautado pela incompetência, pela degradação de vida do povo, qual é a autoridade moral para estes homens insistirem em pedir aos governados os maiores sacrifícios continuando a proteger os mais ricos, os oportunistas? Qual é a moral? Esta gente, é respeitável? Faz algum sentido que continuem a desgovernar-nos e a r-e-p-r-e-s-e-n-t-a-r - n-o-s? Devemos então mantê-los no Poder como prémio pelas suas péssimas prestações governativas? Alguém lhes pediu ou obrigou a candidatarem-se ao Poder, ou foram eles que nos andaram a garantir que eram capazes de governar o país? E foram capazes? Não, está claro! Se não são, porque permitimos que decidam barbaridades, que arruínem o país em nosso nome?
O PEC deles, só poderia parecer um programa sério se estes cavalheiros começassem por dar o exemplo e a abdicar das muitas mordomias de que gozam, sem as merecer. Esta corja de oportunistas, não só não merece a centésima parte do que ganha, como devia há já muito tempo estar num único lugar: na cadeia! Muitos e exemplares anos!

17 março, 2010

Rever a Constituição

Alberto João Jardim é normalmente vilipendiado e até insultado pela generalidade da comunicação social e por grande parte dos políticos continentais. É certo que o homem tem um feitio truculento e por vezes comporta-se para além do limite das conveniências. É no entanto um governante que tem dedicado a vida à sua Região, tendo sempre em vista não só o engrandecimento e o prestígio da Madeira, como também a melhoria das condições de vida dos seus habitantes.

Vem isto a propósito do Congresso do PSD, que segui à distância e sem grande interesse, tão baixa anda a reputação da generalidade dos nossos políticos. Mas pelo que li, AJJ teve uma intervenção que considero a única coisa com interesse que lá se disse. AJJ defendeu uma profunda revisão constitucional que refunde o regime e crie a quarta República. A notícia que li nada dizia quanto aos detalhes do seu pensamento. A mim vieram-me logo à cabeça , para além dos pontos tradicionais - justiça,educação,etc. - uma série de outros pontos sem a alteração dos quais penso que não sairemos do estado comatoso em que vivemos. Entre eles:

- A proibição dos partidos regionais.

- A imposição de que os deputados, apesar de eleitos em base distrital, sejam nacionais e não regionais, deixando de fora a legitimidade da defesa dos interesses específicos da sua área eleitoral.

- A reforma do sistema eleitoral, principalmente a recusa dos círculos uninominais.

- A imposição de que a instituição da regionalização esteja dependente da aprovação em referendo, juntamente com a imposição que todas as Regiões tenham de se instituir em simultâneo.

- O exagerado número de deputados à AR.

Enquanto não houver vontade política de proceder a uma significativa revisão da Constituição, continuarei a considerar todos os políticos como farinha do mesmo saco, e a dar razão a Medina Carreira quando ele diz que em Portugal os mais poderosos grupos de interesse -definidos como grupos que estão basicamente concentrados nos interesses próprios, com desprezo pelo bem comum - são os dois principais partidos: PSD e PS.

Enquanto assim for, isto é, enquanto os partidos tiverem este tipo de lógica funcional, a nossa democracia estará em perigo e, pior que isso, o nosso bem estar continuará a degradação que, tudo indica, começou a morder o nivel de vida da esmagadora maioria dos portugueses.

16 março, 2010

A política é porca, ou são os políticos?

Quem se deu à curiosidade de acompanhar o 32º. Congresso do PSD não deve ter dado como perdido o seu tempo. Isto, apreciado, como é óbvio, num contexto meramente anedótico, porque se for encarado com a seriedade devida, a conclusão será completamente oposta. Foi um espectáculo confrangedor, que enterra a classe política nas profundezas da lama mais pestilenta.

Depois de ouvirmos um Presidente da Câmara [das Caldas da Raínha] fazer declarações públicas - com duvidoso sentido de humor -, quando alguém lhe estende um copo de água, dizer "dá-me antes um copo de vinho", ou "se eu não fosse mentiroso não era Presidente de Câmara", ficamos com a Certidão Factual de Qualidade [a tautologia é propositada] dos nossos representantes políticos, sejam eles da oposição [como foi o caso], sejam do Governo. Não têm nível, educação, nem ideias, nem ideologias. Têm uma única meta: o Poder.

Não esperem portanto, da minha parte, que realce [como fazem muitos jornalistas] as bocas fúteis dos políticos, como hoje, por exemplo, fez o Público, que, não resistindo à banalidade do costume, lá colocou a setinha apontada para o "céu" sobre a imagem de Mário Soares, só por ele ter dito que há falta de debate político no PS.
É preciso ser-se ideologicamente muito pobre e profissionalmente conservador para realçar frases de circunstância, vazias e subjectivas, sobretudo vindas de um homem que [vá-se lá saber porquê] tem mais fama do que merecido prestígio . A história de Mário Soares vai surpreender muita gente quando forem do conhecimento público muitas e estranhas situações em que se envolveu e das quais saiu praticamente impune.

Aliás, pessoalmente, considero-o coresponsável pela degradação da democracia em Portugal, onde se passou a confundir a anarquia com a Liberdade. Aliás, também, é muito suspeita a defesa que faz de José Sócrates depois de saber das sucessivas embrulhadas em que ele se "deixa" envolver.
Não, meus senhores, que ninguém me queira convencer que no Processo Casa Pia, só os "tubarões" estão inocentes, e as crianças abusadas, as culpadas. Que ninguém me queira convencer que dos casos Melancia/Macau, Moderna, Freeport, Face Oculta, BPP, o BPN, BCP, e tantos outros, não haja um único político enterrado até ao pescoço em esquemas objectivamente criminosos, porque simplesmente não acredito. Olho para os políticos com o olhar certeiro de quem olha para potenciais vigaristas, e esse sentimento, por mais injusto que possa ser para alguns, só daqui a muito tempo, depois de invertida esta reputação por empenho dos próprios, é que o conseguirei alterar. Não me impressiono com a verborreia cínica dos governantes, ou se me impressiono é apenas com sentimentos de nojo e de desprezo.

Medina Carreira tem posto a boca no trombone, toda a gente sabe que ele está a dizer a pura verdade, e todavia, há sempre alguém que resiste à verdade, com receio de perder privilégios de duvidoso mérito e cair do pedestal onde se colocou [ou ajudaram a colocar]. Não me venham cá dizer que Medina também lá esteve e que não fez nada, porque ter saído do Partido Socialista em total desacordo com a política imposta pelo 1º. Ministro de então, o benquisto Mário Soares, faz a diferença, e dá-lhe o direito legítimo para hoje dizer o que diz...
Irónica, ou apenas fortuitamente, o Ministro das Finanças de então era o ex-Governador do Banco de Portugal, o Sr. Dr. Victor Constâncio, hoje o "homem de sucesso" que saltou para a vice-Presidência do Banco Central Europeu... Se isto é tudo fruto da casualidade, é caso para dizer que há homens com sorte, mas o facto é que não acredito nessa versão simplista. Tudo se parece mais com um polvo à siciliana do que com uma Governação, mesmo que desastrada e desastrosa para o país.

15 março, 2010

Um pouco mais sobre o grande Ferrat

nous dormirons ensemble



Minha homenagem a um cantor que me ensinou como ninguém a ouvir a poesia cantada.

Um abraço, Jean Ferrat! Até qualquer dia.E, obrigado.


PS
Esta canção [nós dormiremos juntos], é para mim, a par de La Montagne [A Montanha], uma das mais tocantes.

Morreu Jean Ferrat



Jean Ferrat era comunista por convicção ideológica mas nunca se filiou no Partido Comunista por discordar com o que a organização dizia e fazia. O pai, um judeu russo, foi deportado para o campo de concentração nazi de Auschwitz, onde faleceu, e ele foi salvo pela resisteência comunista, facto que o ligou ideologicamente ao comunismo. Cantava poemas de Louis Aragon e interpretava-os ainda melhor. Era um dos meus cantores de eleição da música vanguardista francesa. E continuará a sê-lo, até chegar a minha vez de partir.

12 março, 2010

As tristes voltas que o PSD/Porto dá

Não sou grande coisa a fazer prognósticos para o Euromilhões, mas parece-me que vou tendo algum feeling para acertar em alguns resultados políticos. Ainda é cedo para cantar a "vitória", porém tudo parece apontar para o desfecho que previ aqui há uns dias.

Pedro Passos Coelho, segundo o Grande Porto, dá ideia de estar a ganhar vantagem aos seus adversários de partido para o poleiro do PSD, contrariando aparentemente [por agora] a estratégia da lebre defendida aqui pelo amigo António Alves. É que o clima já ultrapassou o âmbito corporativista dos interesses partidários para passar para o das guerrinhas pessoais pelo assalto ao Poder, o que ainda abala mais a paupérrima imagem das pindéricas elites regionais.

Agora, Miguel Veiga decidiu virar o bico ao prego e já não apoia Paula Rangel. Se assim for, a lebre já não pode ser o Rangel... O Aguiar, ao que parece, como lebre deve ser mais rápido...
Isto, se é que há mesmo "galgo" para a perseguir.

Cantou a semana passada na Casa da Música, no Porto



É uma das vozes femininas mais límpidas que ouvi até hoje!

Bom fim de semana!

Nota:
Se há casos em que certos ditos populares são pertinentes o que se aplica da Joan Baez é um deles. O termo, «é como o vinho do Porto, quanto mais velho melhor», encaixa-lhe que nem uma luva. Se não reparem como ela era em 1965, e como é agora, uma respeitável, finíssima e bela mulher.

The Manhattan Transfer/Chanson d'amour

Glorioso até no ridículo

Clicar sobre a imagem para ler
Peço as minhas humildes desculpas pelo tauromáquico tom da imagem. A responsabilidade não é minha, é do jornal Público que, coerentemente, tratou de ligar o "artigo" com as cores do respectivo clube. Sei que fica piroso aqui, mas não se preocupem, fica piroso em qualquer lugar...
BENFICA CRIA CLÁUSULA NO CONTRATO DE JORGE JESUS QUE APENAS O AUTORIZA A ASSINAR POR OUTRO CLUBE QUANDO APRENDER A FALAR PORTUGUÊS
A excelente campanha do Benfica motivou a cobiça de grandes clubes europeus em Jorge Jesus, pelo que o Benfica pretende blindar o técnico com uma clásula milionária. Porém, como o que não falta aos grandes clubes na Europa é dinheiro, o Benfica pretende ainda que Jorge Jesus se comprometa por escrito* a que apenas abandonará o clube quando adquirir um vocabulário com mais de 20 palavras e aprender a usar frases com sujeito, verbo e complemento directo, o que equivaleria a um contrato vitalício com os encarnados [José Veiga teve unm contrato semelhante e apenas saiu do Benfica quando conseguiu deixar de falar, como previa a cláusula, no dialecto que os descendentes de Afonso de Albuquerque falariam se tivessem ficado isolados, durante 500 anos, nas ilhas Molucas]. Jorge Jesus já assinou o contrato, com o dedo, após molhá-lo na tinta cinzenta que usa no cabelo para se assemelhar ao José Mourinho. VE [Público]
*Sugeria que o mesmo compromisso se estendesse ao Orelhas

11 março, 2010

Confrangedora fraqueza regional

É impressionante a incapacidade de afirmação dos responsáveis pela CCDRN [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento para a Região Norte] e da Junta Metropolitana do Porto. Mesmo com uns ligados ao PS, e os outros ao PSD, o conformismo piegas como expressam o seu descontentamento perante os sucessivos actos de desconsideração do Poder Central para com a Região Norte, é irritante e confrangedor. Só sabem lamentar-se!
Ora, é o Rio que "chora" baixinho para ninguém o ouvir, ora é o Lage que se limita a lamentar. Nem um, nem outro, revelam a mínima capacidade de luta, de reinvindicação e liderança. Ambos, representam a antítese do que é o princípio do mérito pelas competências. São, tão só, aquilo a que o Povo chama gente com sorte. Mas o Povo também tem a que merece, por continuar a eleger os seus representantes em função da "gracinha" que lhes descobrem e não pelas suas capacidades. Cair em graça é uma benção, como é o caso.
O Presidente do Governo Regional da Galiza, ao que consta, disse a Carlos Lage que pretende acelerar a construção da linha ferroviária de alta velocidade do lado da Galiza e Carlos Lage limita-se a discutir o sexo dos anjos. Isto é, convenceu-se que só pelo facto de dizer coisas promove uma atitude.
O Governo ainda há dias anunciou o adiamento por 2 anos das linhas Porto-Lisboa, Porto-Vigo, e Carlos Lage limita-se a "defender" a aceleração da linha do lado português. Pronto. É assim que os PQT's [os políticos que temos] olham pelos interesses da região e concluem o trabalho de casa. Ou seja, contrariando com palavras de circunstância as decisões do Governo.
Continuem assim, doces e politicamente correctos, O futuro pertence-vos.

10 março, 2010

O galgo...

Feita a desnatação, o galgo aquece para se aproveitar do trabalho da lebre...

Post aberto ao Prof. Jesualdo Ferreira

No rescaldo de uma jornada europeia [que me dispenso qualificar], ainda mal digerida, quero dizer-lhe o seguinte, caro professor: obrigado! Sinceramente, obrigado. Pelo pragmatismo inquestionável de 3 campeonatos ganhos a fio, e pela seriedade com que desempenhou as suas funções como treinador do FCPorto. Obrigado outrossim, por ter de lidar com corpos estranhos ao bom desempenho do seu trabalho, como os processos dos apitos, os filmes e as escutas, mas esses, foram obstáculos externos ao FCPorto criados por gente de um clube que o senhor muito bem conhece... Será pois irrelevante , lembrar que o Presidente do FCP também se pôs a jeito, porque se formos por aí, podíamos fazer milhares de telenovelas com a devassa da vida privada de alguns protagonistas do Mundo do futebol...
A minha gratidão começa e termina aqui, Professor. Por quê? Porque não gosto do futebol que dos seus conhecimentos técnico-tácticos é produzido. É pouco empolgante e demasiado medroso. Como já aqui tenho dito, vence mas não convence. Ontem, no final de um jogo importante, na maior montra do futebol mundial, o senhor perdeu créditos pessoais e comprometeu os do meu clube.
De quem é a culpa? Não. A questão não deve ser colocada assim, porque nem o senhor cometeu nenhum crime, nem eu sou juiz, para falarmos em culpa. Sou apenas um adepto, com opiniões próprias. Para sermos correctos, a questão que tem de ser formulada é: de quem é a responsabilidade.
Ora, vamos a ver se consigo explicar-me com algum rigor para me livrar de comentários apressados de alguns furiosos, semelhantes às heresias da Santa Inquisição. Num grupo de homens, neste caso, numa equipa de futebol, há um treinador a equipa técnica e os jogadores. Este é o universo restrito do foro desportivo de um clube. Antes de um treinador se engajar com um clube e fechar o contrato com a respectiva Administração, devem ser colocadas de parte a parte as condições de trabalho. A saber: remunerações, e quem tem a responsabilidade da escôlha dos jogadores e da equipa técnica para as futuras épocas. Se o treinador, se qualquer departamento do clube. Aqui, só há duas vias possíveis, mas seja ela qual for, a partir do momento em que são aceites, a responsabilidade pela decisão continua a caber exclusivamente ao treinador. Porque, na eventualidade de ser atribuída a outra pessoa que não ao treinador a função de programar o grupo de trabalho [jogadores incluídos], se o treinador discordar, só tem é de renunciar ao contrato, ou então, persuadir a entidade patronal a oferecer-lhe dentro de uma lógica de racionalidade económica e financeira sensata, os jogadores que ele quer para fazer o seu trabalho com eficiencia.
Por isso, se os jogadores que tem são os que o Professor quis ou se lhe foram «impostos», só você pode responder, se aceitou trabalhar nessas condições. Agora, caso venha a sair do clube a bem, faço votos para que preserve a imagem de seriedade que deixou aos adeptos e à Administração do FCPorto e não enverede por justificar os seus erros em programas de televisão como alguns costumam fazer. No seu caso, apresentava a minha demissão e deixava ao clube o ónus de o preservar ou dispensar. Ficava-lhe bem esse gesto.
O problema de alguns adeptos do FCPorto, caro JFerreira, é recearem dizer o que pensam para não melindrarem o Presidente Pinto da Costa, porque já sabem qual é a reacção dele nestas situações. Mas não confundamos as coisas. Pinto da Costa faz o seu papel. Como grande líder que é, nunca cairá na tentação de se associar às críticas dos adeptos [como eu e outros] mesmo que intimamente lhes reconheça alguma razão.
Mas nós, Professor, não somos o Presidente Pinto da Costa nem temos que pensar e reagir como ele porque não temos a responsabilidade de tomar decisões, por isso, podemos divergir à vontade da previsível reacção de PdC porque, no fim, é ele quem decide [pelo menos, continuo a acreditar nisso].
Não obstante, temos todo o direito de fazer críticas como o de tecer elogios, desde que estruturados com ideias sérias, sinceras e decentes. E fazê-lo, deixemo-nos de dramas, não é colocá-lo numa cruz. Que exagero!

09 março, 2010

E agora? (Parte II)

Estou calmo, calmíssimo após este desastre anunciado e temido por todos os portistas, ainda que com previsões muito bem embrulhadas em piedosas esperanças infundadas, como se o futebol fosse um jogo de azar. Não é, porque não sendo uma ciência exacta, não é também uma espécie de pocker de dados.

Neste momento tenho um desejo e uma espectativa.

O desejo era que a época futebolística acabasse rapidamente, se possível já amanhã, para que pudéssemos começar de novo numa base mais sã que a actual, em que parece que tudo está a dar para o torto.

A espectativa é saber que Pinto da Costa vamos ter, uma vez que para os portistas é ainda ele que corporiza a essência do clube e a solução dos problemas. Vejo vários cenários possíveis.

a) Mantém-se o isolamento da administração da SAD na sua torre de marfim, aparentemente autista e tomando decisões das quais não dá satisfações nem explicações ao núcleo vivo do clube, que são os seus adeptos.

b) PdC e a SAD têm um sobressalto dirigindo-se publicamente ao universo portista para prometer medidas e radiosos amanhãs que cantam, seguindo-se a queda na opacidade habitual.

c) Voltamos a ter o PdC de antigamente, que quanto mais dificuldades e problemas havia, mais o seu engenho e argúcia se revelavam, tomando decisões acertadas e oportunas, cortando a direito e, no fim, levando o barco a bom porto. Sabemos todos que PdC não é, nem pode ser, o mesmo de há anos atrás, e sabemos também que os condicionalismos da governação do clube - agora uma SAD - são diferentes, mas mesmo assim o Presidente ainda é um capital de esperança.

d) PdC demite-se e vai gozar uma merecida reforma, abrindo caminho a uma nova administração.

Alguma coisa tem de acontecer, e acontecerá certamente. Nisto eu acredito, e acredito também que seja coisa boa.

Alzheimer de quem?

De Jesualdo, ou de alguns adeptos acríticos e fanáticos?
Sr. Pinto da Costa, renove-lhe o contrato! Ele merece... A culpa, é dos adeptos, como eu.
Seguramente.

Norte? É só um ponto cardeal

À medida que o tempo vai passando começo a convencer-me, com certo desgosto, que o Homem do Norte não passa de um mito. Tanto na política, na vida empresarial como no desporto, já poucas são as figuras cintilantes que se demarcam da medíocridade. Até Pinto da Costa, um ícone da cidade/região, foi reduzido a um silêncio castrante por uma indecorosa e patética justiça desportiva corporizada por catraios absolutamente desqualificados. Bem vai lutando ele, apesar de na sua cidade serem poucos os que se arriscam a dar a cara para o apoiar. Durante estes 2 anos e tal que durou a ignóbil novela do Apito Dourado, foram poucas as figuras públicas da cidade que arriscaram colocar-se ao seu lado a dar-lhe o apoio e a solidariedade que ele merecia.
Rui Rio, é no panorama político nortenho o homem que menos afinidades tem com o carácter dos tripeiros, ou daquilo que dele resta. Mas, essa, é uma carta fora do baralho. Aqueles que, como eu, nunca lhe reconheceram méritos para governar o Porto são os menos responsáveis pelo declínio da cidade desde que ele é Presidente da Câmara. Os outros, os que lhe deram o voto, não se podem disso orgulhar, a não ser recorrendo à inversão da realidade dos factos. Mas isso - eles sabem-no -,é fazer batota, é sonegar a verdade.
Contudo, Rui Rio não está só, neste marasmo de afirmação regional. O Norte de hoje, "notabiliza-se" por silêncios de submissão e arremedos de oportunismos. À excepção de Rui Moreira, que apesar de "preso" à discrição imposta pela sua actividade com ligações ao empresariado local, ainda vai debitando alguns protestos pontuais ao poder instituído, não há ninguém que faça a diferença. Os portuenses estão condenados a contar consigo mesmos, porque não há gente capaz para liderar seja o que for nesta cidade. Da esquerda à direita, não há ideias, projectos, ambições comunitárias. Só ambição pessoal, mais nada!
Há ainda muitos resquícios do passado, no Portugal de hoje. O país habituou-se ao desenrascanço para se governar, e assim continua. Ninguém é capaz de lhe colocar ordem, nem rumo. Hoje, os aparelhos partidários não são mais do que plataformas de acesso priveligiado ao emprego, ou ao negócio. Não sou eu que o está a inventar, são os partidos que, no êxtase das suas ambições corporativistas e de amiguismos, nos dão prova disso. São as negociatas, os bancos, os sucateiros, a promiscuidade entre instituições, os prazeres doentios, a pedofilia, os compadrios, as "companhias/contactos" que eles mais estimam. Eu dou-te um emprego se me fores fiel [e ao Partido], é o lema para o voto seguro. Só que, como não há empregos para todos, porque não há governabilidade que dinamize o mercado, também não pode haver uma grande expressão de votos seguros, e assim se perdem também eleições.
Quase em desespero, os opinadores de serviço, apelam sem pudor, à iniciativa privada, à criação do próprio emprego como se apenas da vontade do indivíduo tal dependesse. Omitem [porque sabem], que para abrir um negócio não é só da bondade de um projecto que ele depende, mas do acesso ao crédito a que ele está condicionado. Este detalhe, raramente é abordado de forma clara porque se o fizessem estariam a confessar a demagogia destas iniciativas. Por este andar não vamos lá.
A sociedade privada tem de avançar pelo seu próprio pé, mas só os ricos o podem fazer com recursos próprios, os outros, a grande maioria, só o poderá concretizar com a colaboração do Estado. Negar isto, é brincar com coisas sérias. Quantas e quantas situações conhecemos de gente altamente criativa que depois de apresentar os seus produtos às indústrias locais os vêem recusados? E quantas vezes, esses mesmos produtos, acabam pouco mais tarde por serem colocados no mercado nacional depois de importados? Como contornar isto se são as chamadas elites quem dá estes tristes exemplos de desmotivação? A Banca raramente arrisca. Só avança quando já pouco tem a arriscar. Para quê afinal tanto folclore, tanta imitação circense?
Palhaços, continua a ser o nome que melhor assenta à casta política. Ou, aldrabões?

08 março, 2010

Oportunidade

O que pode parecer uma ameaça pode ser transformado numa oportunidade. Este abandonar definitivo dos projectos de linhas de “tgv” que têm o Porto como origem/destino deve ser transformado numa oportunidade para pôr em causa todo este processo e abandonar definitivamente o que foi projectado até aqui. Incluindo, obviamente, a Ligação Lisboa-Badajoz sob pena de a Norte se ter de enveredar pela desobediência civil para não termos de pagar uma ligação ferroviária absurda que não serve mais de metade de Portugal. Esta ameaça deve ser claramente feita pelas forças vivas desta Região. Não estamos em condições de pagar, com o nosso dinheiro, o nosso sacrifício, e a insustentabilidade do nível de vida das nossas gerações futuras, uma ligação ferroviária que nos exclui.
O processo deve retornar à estaca zero. Um verdadeiro Plano Estratégico Ferroviário deve ser pensado e formulado de acordo com os seguintes objectivos essenciais:
  • 1- Mudança de bitola das nossas vias férreas, da ibérica para a europeia, de modo a que no futuro (já não muito longínquo) não corramos o risco de ficar ferroviariamente isolados do mundo.
  • 2- Revitalizar a nossa rede clássica desenvolvendo principalmente as ligações inter-regionais com particular incidência nas regiões mais densamente povoadas, e.g., o Entre-Douro-e-Minho e Região Centro, para desincentivar o uso exagerado do automóvel em distâncias até 150 km.
  • 3- Reformular a rede, dando-lhe uma configuração em malha, para que todas as capitais de distrito se encontrem ligadas entre si, na menor distância temporal possível, principalmente as que se inserem na mesma região.
  • 4- Todas as actuais linhas e as novas a construir devem ser projectadas para tráfego misto de mercadorias e passageiros.
  • 5- Transformar a rede ferroviária numa importante alavanca para a competitividade da indústria turística. Quem chega ao aeroporto do Porto deve fácil e rapidamente poder chegar, usando o comboio, ao Douro, a Braga, a Guimarães, a Barcelos, a Viana do Castelo, e, inclusivamente, a Santiago de Compostela. Para isso o Aeroporto Francisco Sá Carneiro deve ser ligado à rede ferroviária clássica anulando o missing link de apenas 2,5 km que obsta a que isso seja já hoje uma realidade. A reformulação do traçado, e do sistema de exploração da linha litoral algarvia, para parâmetros modernos e eficientes, deve ser levado a cabo. A Linha do Douro e os seus ramais, até Salamanca, deve ser considerada como de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento da emergente indústria turística desta região que tem crescido continua e sustentadamente nos últimos anos.
  • 6- As ligações internacionais, desde já em bitola europeia, devem ter como objectivo prioritário facilitar o tráfego de mercadorias e ligar as regiões portuguesas mais exportadoras ao nó logístico de Salamanca - Medina Del Campo - Valladolid.
  • 7- Estruturar ferroviariamente a mega região que vai da Corunha a Setúbal com uma linha de altas prestações, sendo a sua velocidade adequada aos objectivos e condicionalismos pontuais. Uma velocidade média de percurso na casa dos 200 km/h parece-nos ideal.
  • 8- Modernizar as outras ligações a Espanha actualmente existentes, elevando-as para patamares modernos e consentâneos com as exigências dos nossos dias.

Em resumo, deve-se projectar uma rede ferroviária moderna, de altas prestações, com velocidades adequadas caso a caso, que seja uma alavanca para a competitividade da economia nacional e para a coesão territorial. Deve-se deixar definitivamente de falar em “tgv’s” e ligações megalómanas e caríssimas, que servem apenas a vaidade insana duma capital que se julga ainda com um império mas não tem onde cair morta, e os interesses estratégicos do estado espanhol que, legitimamente, os promove, mas que não são definitivamente os nossos. Estas megalomanias, sem mercado que as sustentem, porão em causa o futuro daqueles portugueses que hoje ainda não têm capacidade de decisão e que serão onerados para toda a vida com uma dívida gigantesca que a estupidez dos seus pais e avós gerou.

Boa sorte ao FCPorto para amanhã!

Eu sei que o futebol é um fenómeno social apaixonante que exerce sobre os adeptos toda a sorte de sentimentos muitas vezes confusos e contraditórios. Mesmo as pessoas mais frias e racionais, têm dificuldade em lidar com as más performances do seu clube, sobretudo quando estas são partilhadas com derrotas. E quando esse clube se habituou a ganhar ainda é pior.
Amanhã, o FCPorto vai jogar contra o Arsenal a continuidade na mais prestigiada prova do Mundo: a Liga dos Campeões Europeus. Como qualquer adepto normal e sem sinais de Alzheimer [este é um termo de mau gosto mas que parece aceitável para alguns adeptos...], o meu desejo é que tudo corra pelo melhor ao meu clube e que saia de Londres no mínimo com um empate, ou se possível com uma victória que lhe dê o acesso à fase seguinte da competição.
Mas os meus desejos não me impedem [nem devem impedir] de ser realista e de reconhecer a má forma da equipa neste momento, para recear que os meus votos não possam ser concretizados. Tenho a certeza que todos os adeptos do FCPorto, mesmo os mais "doentes" [como o Dragão Vila Pouca], sentem o mesmo, mas lá no fundo, no fundo, percebem que tal como as coisas estão, vai ser muito difícil sair de Inglaterra como * gostaríamos, ou seja, apurados. Diz o povo que a esperança é a última coisa a morrer, agarremo-nos então ao provérvio popular já que não podemos valer-nos de argumentos mais pragmáticos...
Paira infelizmente na cabeça de certos adeptos [e adeptas] a convicção de usufruirem uma espécie de estatuto privilegiado que lhes confere o direito de impedir outros adeptos de criticarem a sua equipa ou o seu treinador quando acham que o devem fazer. E fazem-no de tal maneira que mais parecem adversários e isso é que é lamentável.
Para esses, volto a afirmar o seguinte: eu sou uma pessoa independente que não abdica em nome de coisa nenhuma, de dizer e escrever o que pensa, mesmo que isso possa incomodar muita gente, e não lhes darei o direito de ultrapassarem os limites do razoável por mim definidos. E a este propósito ficam a saber que farei as críticas e os elogios que entender e quando achar oportuno. Sou eu quem faz essa selecção, mais ninguém. Ponto.
Agora vou-vos colocar perante um quadro que não sendo o do rectângulo de um campo de futebol pode ajudar alguns fanáticos a ver luz no fundo do túnel [não o fundo do túnel da Luz, que esse é mais difícil...].
Estamos numa sala de aulas, numa escola. Pergunto: será sério e pedagógico não distinguir os bons dos maus alunos? Vamos dar a todos a mesma nota positiva, quando só alguns se esforçaram para a merecer? Vamos aplaudir [não digo apoiar] os maus alunos, ou, como faziam, e bem, os nossos avós e velhos professores, dar-lhes uma salutar reprimenda ainda que aliciando-os a uma maior aplicação com os livros? Numa sala de espectáculos, é inteligente permanecer indiferente às capacidades individuais de cada actor mesmo que a trabalhar em equipa? Será justa e minuciosa esta forma de apreciar as coisas?
Qual é a diferença com o futebol? Por que é que temos sempre de dizer que a equipa joga bem quando joga mal? Voltando ao jogo de sábado com o Olhanense, pergunto-vos: acham que, pelo que jogou o FCPorto merecia ganhar? Peço-vos que ponham por segundos o coração de lado e que respondam com honestidade. Será razoável, mesmo que tenhámos uma secreta dívida de gratidão para com um treinador que já nos deu algumas victórias, elogiá-lo quando, depois vários [muitos] jogos decorridos repararmos que a equipa produz um mau futebol, não se aplica, não sua a camisola, não corre e perde jogos em casa com equipas acessíveis? De quem é a responsabilidade no terreno de jogo? Dos adeptos? De Pinto da Costa? Da SAD? No campo, para o bem, mas também para o mal, o treinador é o único responsável.
Agora, que querem que vos diga mais? Que tenha uma varinha de condão para prever o que acontecerá amanhã em Londres? Impossível! Com um FCPorto que jogou para a Taça admiravelmente contra o Sporting e lhe pregou 5 golos, e deu 4 ao Braga para o Campeonato, e logo a seguir se desmoronou como um baralho de cartas num jogo de tudo ou nada com o mesmo Sporting para o Campeonato, e empatou em casa com o Olhanense, em que é que ficamos? Temos razões para continuar a acreditar no trabalho de Jesualdo? Eu respondo por mim: não! A única coisa que nos resta é acreditar, ter fé! Ora, sendo certo que acreditar é sempre positivo, nós portistas sempre nos habituámos a acreditar mais nas competências dos nossos treinadores do que a acreditar no clube movidos por simples actos de fé. Nós acreditámos em Pinto da Costa pela competência de que deu provas ao longo de muitos anos. É a esse tipo de fé que nós gostamos de nos agarrar.
E não se esqueçam nunca de um detalhe importante. Enquanto Pinto da Costa estiver à frente do FCPorto e mostrar as mesmas aptidões, é mais fácil a qualquer treinador ganhar pela 1ª. vez na sua carreira uma competição, do que a perder. Se recuarem no tempo podem começar a contar a série de treinadores ilustres desconhecidos que só depois de passarem pelo FCPorto se conseguiram notabilizar. Foi assim com Artur Jorge, com Mourinho, com Fernando Santos e agora, com Jesualdo Ferreira. Portanto, há mais FCPorto para além dos treinadores e dos próprios jogadores. Para mim, em primeiro lugar está o clube, sempre o FCPorto. Espero que concordem comigo, sobretudo aqueles que se convenceram que têm o FCPorto na barriga...
Amanhã, só quero é ser surpreendido! É tudo. E é muito, podem crer.
*
Por motivos imprevistos tive de interromper aqui este post antes de o terminar. As minhas desculpas aos amigos leitores.

07 março, 2010

Regionalização - Mal-me-quer, bem-me-quer...

... é assim que a classe política trata o tema da Regionalização, como crianças crescidas brincando aos amores de pequeninos. Enquanto estão na oposição e as eleições ainda vêm longe, desfazem-se a defender a Regionalização ou a carpir arrependimentos por antes terem votado contra. Quando as eleições para a Direcção dos Partidos deixam de ser uma miragem e o cheiro do Poder os invade realizam autênticas acobracias nas suas convicções ou simplesmente deixam de falar sobre o assunto.
É claro que, bazófios como são nada os demove de encontrarem no baú da argumentação jurídico politiqueira que tanto prezam e acarinham, uma boa dúzia de pretextos para contradizerem o que ainda há poucos dias afirmavam com a mais «profunda convicção». Estão-se nitidamente a borrifar para os eleitores e com o que estes pensam deles, o que lhe interessa, obsessivamente, é o Poder. Chico espertice pura e dura. Eles nem se dão conta do ridículo em que caem.
Esta guerra aberta, entre os 3 candidatos à Presidência do PSD com boas hipóteses de se estender a um 4º. candidato [Marcelo Rebelo de Sousa], vai ter um final mais do que previsível.
Se Marcelo não avançar, como já é habitual, a disputa pelo lugar ficará limitada a Pedro Passos Coelho, Paulo Rangel e Pedro Aguiar Branco. Estes dois últimos, são do Norte. Um, diz que é o único com propostas para o país [Paulo Rangel] e nem sequer fala sobre Regionalização. O outro [P.Aguiar Branco], diz-se regionalista, mas não tem pressa, o que significa que as suas convicções sobre a temática são tão profundas que bem podem esperar... Se isto não é demagogia, ou , a tal volta brusca de 180º de que atrás vos falei, então não sei o que é.
O que sei, e aposto desde já, singelo contra dobrado, é que os dois candidatos do Porto escancararam pateticamente as portas da Presidência a Pedro Passos Coelho. Já perderam. A falta de vontade política, ou de coragem para apresentarem ao eleitorado novas propostas [Regionalização] com alternativas concretas distintas dos anteriores candidatos [Luís Filipe Menezes e M. Ferreira Leite] e sobretudo do actual Governo, em contraponto com o low profile do lisboeta P. Passos Coelho será o bastante para dar a vitória a este último. Querem apostar?
Os colegas de Luís F. Menezes e actuais candidatos à cadeira do PSD, parece ainda não terem percebido que não foi a célebre frase do sulistas, elites e liberais que o impossibilitou de se manter ao leme do PSD, mas justamente o facto de mudar radicalmente o discurso [incluindo o da Regionalização que antes defendia]. Os eleitores não costumam perdoar estas bruscas mudanças "ideológicas" porque as associam e bem, ao medo. Pessoalmente, estou convencido que tendo Luís Filipe Menezes - contra as melhores expectativas - conseguido chegar ao topo, só lhe restava acentuar o discurso regionalista. Numa primeira fase iria seguramente deparar com alguns anti-corpos, mesmo dentro do próprio partido, mas iria capitalizar a jusante a confiança de um numeroso eleitorado [os abstencionistas] que não se sentia representado em qualquer outro partido ou candidato e dar assim sinais expressivos de liderança. Como não o fez, deitou por terra a reputação que, com toda a justiça, conquistou pelo trabalho executado à frente da Câmara Municipal de Gaia.
Estes novos candidatos nortenhos, estou convencido, não vão por isso passar de candidatos. Porque mais uma vez, olham para Lisboa pensando que é o país. De facto, parece, mas felizmente ainda não é.