22 março, 2010
O benfiquismo socrático
Primeiro Ministro dos Portugueses?
“Descobrimos” nós Portugueses que o Sr.Primeiro Ministro é benfiquista desde que nasceu!
Tudo bem, tem todo o direito de o ser! Contudo é inadmissível, na minha opinião, que sendo
O primeiro-ministro de todos os portugueses, venha para a comunicação social afirmar que
quer que o benfica vença os jogos que terá com outros clubes portugueses, alinhando
publicamente por uma facção vermelha, em detrimento de outras cores que deveria resguardar!
E já que ficou muito feliz pela vitória do seu benfica, na taça da liga da cerveja, assuma que
o país merece e precisa de um primeiro-ministro que governe Portugal e que não divida,
ainda mais, os portugueses em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda!
É que desta maneira, sem ser recatado, adensa-se a teia de relações e compromissos pouco
claros, com interesses de diferentes índoles, como se tem provado nas campanhas eleitorais,
onde aparece o dirigente mor daquele clube a dar apoio ao actual primeiro-ministro!
E parafraseando alguém: “Não havia necessidade”!
Renato Oliveira
Porto
19 março, 2010
O PEC E AS CONTAS PÚBLICAS
Apresentou este governo o Plano de Estabilidade e Crescimento para os próximos anos de 2010 a 2013, como que um “milagre” para resolução do deficit e da dívida pública!
O que todos nós verificamos é que estamos perante um projecto que só traz desvantagens para todas as classes sendo que a classe média é a mais afectada como sempre, e que obriga a congelar quase tudo desde os rendimentos do trabalho, as pensões, as despesas sociais e as reduções dos benefícios fiscais. Os do costume que paguem a crise, é o lema deste governo!
Por outro lado, congela-se o investimento, na vã esperança que os privados invistam neste país, porque se não sabe como obter esse mesmo investimento, nem se lhes dá condições especiais para eles investir! O mesmo será dizer que não haverá crescimento económico, quando muito umas décimas, para continuar a aumentar o desemprego!
E se é preciso cortar nas despesas, tem este governo uma óptima e soberana oportunidade para privatizar a “nossa querida” RTP (2 canais ???), que é uma autêntica máquina sorvedoura dos dinheiros públicos, com programas de duvidosa qualidade e com profissionais pagos a peso d’ouro, a troco de quê? Utilidade pública? Digam-me por favor qual é a utilidade desta RTP, onde os contribuintes pagam anualmente e em taxas mensais fabulosos milhões de Euros a troco dessa “fábula” que tem por titulo “Serviço de utilidade pública”!
Isto para não falar dos chorudos ordenados e prémios oferecidos aos dirigentes das Empresas Públicas, algumas até dão prejuízo, bem como as chorudas maquias pagas aos “consultores” e empresas de obras públicas, que “prestam” serviços ao Estado! E que dizer das PPP (Parcerias Público-Privadas)?
Só nestes dois items, existe muito onde cortar na despesa do Estado!
Chegou a hora de sermos poupados à “chacina truculenta” de pagar as crises provocadas pelos que nos governam!
Renato Oliveira
Porto
Se a minha avó fosse viva
18 março, 2010
Silêncios cumplíces e o PEC
17 março, 2010
Rever a Constituição
Vem isto a propósito do Congresso do PSD, que segui à distância e sem grande interesse, tão baixa anda a reputação da generalidade dos nossos políticos. Mas pelo que li, AJJ teve uma intervenção que considero a única coisa com interesse que lá se disse. AJJ defendeu uma profunda revisão constitucional que refunde o regime e crie a quarta República. A notícia que li nada dizia quanto aos detalhes do seu pensamento. A mim vieram-me logo à cabeça , para além dos pontos tradicionais - justiça,educação,etc. - uma série de outros pontos sem a alteração dos quais penso que não sairemos do estado comatoso em que vivemos. Entre eles:
- A proibição dos partidos regionais.
- A imposição de que os deputados, apesar de eleitos em base distrital, sejam nacionais e não regionais, deixando de fora a legitimidade da defesa dos interesses específicos da sua área eleitoral.
- A reforma do sistema eleitoral, principalmente a recusa dos círculos uninominais.
- A imposição de que a instituição da regionalização esteja dependente da aprovação em referendo, juntamente com a imposição que todas as Regiões tenham de se instituir em simultâneo.
- O exagerado número de deputados à AR.
Enquanto não houver vontade política de proceder a uma significativa revisão da Constituição, continuarei a considerar todos os políticos como farinha do mesmo saco, e a dar razão a Medina Carreira quando ele diz que em Portugal os mais poderosos grupos de interesse -definidos como grupos que estão basicamente concentrados nos interesses próprios, com desprezo pelo bem comum - são os dois principais partidos: PSD e PS.
Enquanto assim for, isto é, enquanto os partidos tiverem este tipo de lógica funcional, a nossa democracia estará em perigo e, pior que isso, o nosso bem estar continuará a degradação que, tudo indica, começou a morder o nivel de vida da esmagadora maioria dos portugueses.
16 março, 2010
A política é porca, ou são os políticos?
Não, meus senhores, que ninguém me queira convencer que no Processo Casa Pia, só os "tubarões" estão inocentes, e as crianças abusadas, as culpadas. Que ninguém me queira convencer que dos casos Melancia/Macau, Moderna, Freeport, Face Oculta, BPP, o BPN, BCP, e tantos outros, não haja um único político enterrado até ao pescoço em esquemas objectivamente criminosos, porque simplesmente não acredito. Olho para os políticos com o olhar certeiro de quem olha para potenciais vigaristas, e esse sentimento, por mais injusto que possa ser para alguns, só daqui a muito tempo, depois de invertida esta reputação por empenho dos próprios, é que o conseguirei alterar. Não me impressiono com a verborreia cínica dos governantes, ou se me impressiono é apenas com sentimentos de nojo e de desprezo.
15 março, 2010
nous dormirons ensemble
Minha homenagem a um cantor que me ensinou como ninguém a ouvir a poesia cantada.
Um abraço, Jean Ferrat! Até qualquer dia.E, obrigado.
PS
Esta canção [nós dormiremos juntos], é para mim, a par de La Montagne [A Montanha], uma das mais tocantes.
Morreu Jean Ferrat
Jean Ferrat era comunista por convicção ideológica mas nunca se filiou no Partido Comunista por discordar com o que a organização dizia e fazia. O pai, um judeu russo, foi deportado para o campo de concentração nazi de Auschwitz, onde faleceu, e ele foi salvo pela resisteência comunista, facto que o ligou ideologicamente ao comunismo. Cantava poemas de Louis Aragon e interpretava-os ainda melhor. Era um dos meus cantores de eleição da música vanguardista francesa. E continuará a sê-lo, até chegar a minha vez de partir.
13 março, 2010
12 março, 2010
As tristes voltas que o PSD/Porto dá
Não sou grande coisa a fazer prognósticos para o Euromilhões, mas parece-me que vou tendo algum feeling para acertar em alguns resultados políticos. Ainda é cedo para cantar a "vitória", porém tudo parece apontar para o desfecho que previ aqui há uns dias.Pedro Passos Coelho, segundo o Grande Porto, dá ideia de estar a ganhar vantagem aos seus adversários de partido para o poleiro do PSD, contrariando aparentemente [por agora] a estratégia da lebre defendida aqui pelo amigo António Alves. É que o clima já ultrapassou o âmbito corporativista dos interesses partidários para passar para o das guerrinhas pessoais pelo assalto ao Poder, o que ainda abala mais a paupérrima imagem das pindéricas elites regionais.
Agora, Miguel Veiga decidiu virar o bico ao prego e já não apoia Paula Rangel. Se assim for, a lebre já não pode ser o Rangel... O Aguiar, ao que parece, como lebre deve ser mais rápido...
Cantou a semana passada na Casa da Música, no Porto
É uma das vozes femininas mais límpidas que ouvi até hoje!
Bom fim de semana!
Nota:
Se há casos em que certos ditos populares são pertinentes o que se aplica da Joan Baez é um deles. O termo, «é como o vinho do Porto, quanto mais velho melhor», encaixa-lhe que nem uma luva. Se não reparem como ela era em 1965, e como é agora, uma respeitável, finíssima e bela mulher.
Glorioso até no ridículo
BENFICA CRIA CLÁUSULA NO CONTRATO DE JORGE JESUS QUE APENAS O AUTORIZA A ASSINAR POR OUTRO CLUBE QUANDO APRENDER A FALAR PORTUGUÊS
11 março, 2010
Confrangedora fraqueza regional
10 março, 2010
Post aberto ao Prof. Jesualdo Ferreira
09 março, 2010
E agora? (Parte II)
Neste momento tenho um desejo e uma espectativa.
O desejo era que a época futebolística acabasse rapidamente, se possível já amanhã, para que pudéssemos começar de novo numa base mais sã que a actual, em que parece que tudo está a dar para o torto.
A espectativa é saber que Pinto da Costa vamos ter, uma vez que para os portistas é ainda ele que corporiza a essência do clube e a solução dos problemas. Vejo vários cenários possíveis.
a) Mantém-se o isolamento da administração da SAD na sua torre de marfim, aparentemente autista e tomando decisões das quais não dá satisfações nem explicações ao núcleo vivo do clube, que são os seus adeptos.
b) PdC e a SAD têm um sobressalto dirigindo-se publicamente ao universo portista para prometer medidas e radiosos amanhãs que cantam, seguindo-se a queda na opacidade habitual.
c) Voltamos a ter o PdC de antigamente, que quanto mais dificuldades e problemas havia, mais o seu engenho e argúcia se revelavam, tomando decisões acertadas e oportunas, cortando a direito e, no fim, levando o barco a bom porto. Sabemos todos que PdC não é, nem pode ser, o mesmo de há anos atrás, e sabemos também que os condicionalismos da governação do clube - agora uma SAD - são diferentes, mas mesmo assim o Presidente ainda é um capital de esperança.
d) PdC demite-se e vai gozar uma merecida reforma, abrindo caminho a uma nova administração.
Alguma coisa tem de acontecer, e acontecerá certamente. Nisto eu acredito, e acredito também que seja coisa boa.
Alzheimer de quem?
Sr. Pinto da Costa, renove-lhe o contrato! Ele merece... A culpa, é dos adeptos, como eu. Seguramente.
Norte? É só um ponto cardeal
08 março, 2010
Oportunidade
O processo deve retornar à estaca zero. Um verdadeiro Plano Estratégico Ferroviário deve ser pensado e formulado de acordo com os seguintes objectivos essenciais:
- 1- Mudança de bitola das nossas vias férreas, da ibérica para a europeia, de modo a que no futuro (já não muito longínquo) não corramos o risco de ficar ferroviariamente isolados do mundo.
- 2- Revitalizar a nossa rede clássica desenvolvendo principalmente as ligações inter-regionais com particular incidência nas regiões mais densamente povoadas, e.g., o Entre-Douro-e-Minho e Região Centro, para desincentivar o uso exagerado do automóvel em distâncias até 150 km.
- 3- Reformular a rede, dando-lhe uma configuração em malha, para que todas as capitais de distrito se encontrem ligadas entre si, na menor distância temporal possível, principalmente as que se inserem na mesma região.
- 4- Todas as actuais linhas e as novas a construir devem ser projectadas para tráfego misto de mercadorias e passageiros.
- 5- Transformar a rede ferroviária numa importante alavanca para a competitividade da indústria turística. Quem chega ao aeroporto do Porto deve fácil e rapidamente poder chegar, usando o comboio, ao Douro, a Braga, a Guimarães, a Barcelos, a Viana do Castelo, e, inclusivamente, a Santiago de Compostela. Para isso o Aeroporto Francisco Sá Carneiro deve ser ligado à rede ferroviária clássica anulando o “missing link” de apenas 2,5 km que obsta a que isso seja já hoje uma realidade. A reformulação do traçado, e do sistema de exploração da linha litoral algarvia, para parâmetros modernos e eficientes, deve ser levado a cabo. A Linha do Douro e os seus ramais, até Salamanca, deve ser considerada como de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento da emergente indústria turística desta região que tem crescido continua e sustentadamente nos últimos anos.
- 6- As ligações internacionais, desde já em bitola europeia, devem ter como objectivo prioritário facilitar o tráfego de mercadorias e ligar as regiões portuguesas mais exportadoras ao nó logístico de Salamanca - Medina Del Campo - Valladolid.
- 7- Estruturar ferroviariamente a mega região que vai da Corunha a Setúbal com uma linha de altas prestações, sendo a sua velocidade adequada aos objectivos e condicionalismos pontuais. Uma velocidade média de percurso na casa dos 200 km/h parece-nos ideal.
- 8- Modernizar as outras ligações a Espanha actualmente existentes, elevando-as para patamares modernos e consentâneos com as exigências dos nossos dias.
Em resumo, deve-se projectar uma rede ferroviária moderna, de altas prestações, com velocidades adequadas caso a caso, que seja uma alavanca para a competitividade da economia nacional e para a coesão territorial. Deve-se deixar definitivamente de falar em “tgv’s” e ligações megalómanas e caríssimas, que servem apenas a vaidade insana duma capital que se julga ainda com um império mas não tem onde cair morta, e os interesses estratégicos do estado espanhol que, legitimamente, os promove, mas que não são definitivamente os nossos. Estas megalomanias, sem mercado que as sustentem, porão em causa o futuro daqueles portugueses que hoje ainda não têm capacidade de decisão e que serão onerados para toda a vida com uma dívida gigantesca que a estupidez dos seus pais e avós gerou.
Boa sorte ao FCPorto para amanhã!
*Por motivos imprevistos tive de interromper aqui este post antes de o terminar. As minhas desculpas aos amigos leitores.


