23 agosto, 2012

Regionalização = Mais Democracia e menos Centralismo


Regionalização poderia vir a introduzir uma nova componente no nosso sistema de Democracia representativa, que são as autarquias regionais. Estas autarquias que teriam legitimidade democrática própria, poderiam vir a assumir atribuições e competências actualmente concentradas na Administração Central que ou nem sequer ainda estão desconcentradas, ou que, se o estão, estão a ser exercidas regionalmente por organismos não eleitos da burocracia do Estado Central.

Por esta razão, a regionalização poderia constituir um aprofundamento do nosso sistema de Democracia representativa.

A alternativa é, pois, entre uma situação em que as decisões públicas que dizem mais directamente respeito às regiões são tomadas a nível central muitas vezes por burocratas não legitimados pelo voto popular, e uma situação em que essas decisões são tomadas a nível regional por órgãos eleitos pelas populações a quem dizem mais directamente respeito as decisões em causa.

Para quem seja defensor do aprofundamento da Democracia representativa a escolha entre estas duas alternativas é clara: descentralizar.

Podendo constituir-se como, um passo em frente no sentido da descentralização das decisões públicas, a regionalização poderia corresponder a "menos Terreiro do Paço" ou seja, menos centralismo.

Se as decisões públicas a tomar se referem a problemas que dizem respeito essencialmente a determinada região, na maior parte dos casos essas decisões serão melhores se forem tomadas por quem está mais próximo das respectivas populações, foi eleito pelo seu voto, voto esse que também pode destituir os decisores políticos em questão se o seu desempenho não for satisfatório para as populações que representa.

regionalização, poderia deste modo descentralizar o sistema de Democracia representativa e também poderia contribuir para fortalecer as organizações da sociedade civil que, de formas variadas, trabalham no terreno em prol do desenvolvimento local e regional.

Estas organizações, pela sua localização e pela sua dimensão, têm geralmente muitas dificuldades de acesso ao poder central. As autarquias regionais, a exemplo do que já acontece com muitos municípios, seriam interlocutores mais próximos e mais sensíveis aos seus problemas e aos seus projectos.
 
[De: António Almeida Felizes/Blogue Regionalização]

22 agosto, 2012

Verdades e legalidades à moda do Benfica

Volvidos 38 anos a ver assassinar a liberdade de expressão, que é afinal a migalha que nos resta de uma Democracia traída, estou ainda por saber qual foi a importância para o país da constituição de governos eleitos com a legitimidade do voto popular. É que, a legitimidade em si não confere qualidade aos votos do povo, o que significa que nem a liberdade  chega para tornar um povo consciente dos seus deveres e direitos cívicos, em suma, um povo ciente do que quer, e quem quer, para o governar.

Pessoalmente, prezo muito a liberdade, mas não me importava nada que ao longo destes anos tivesse tido um ou mais governantes com coragem para dizer ao povo algo como isto: «a liberdade é demasiado importante para ser maltratada, por isso, há que a merecer. E para a merecer não vale fazer batota. Por conseguinte, meus senhores, quem fizer batota terá de ser responsabilizado». Mas, para o recado passar, teriam de acrescentar isto: «Pela parte do Governo tudo faremos para não vos defraudar. Seremos os primeiros a servir-vos de exemplo, ou seja, a não fazer batota. Finalmente, teriam de dar garantias com isto: «em caso de incumprimento ao prometido, facultaremos ao povo mecanismos legais simples e céleres, para nos destituir  e eleger novo Governo».   "Olha, lá está este outra vez a sonhar", estarão alguns agora a pensar. Pois é. Lá dizia o outro que o sonho comanda a vida, e entre ser comandado pelo sonho ou por vigaristas bem falantes eu prefiro o sonho.

Se na história recente pós Abril/74 tivéssemos tido líderes à altura, com uma visão correcta da democracia, talvez hoje fossemos poupados a espectáculos degradantes, como termos assassinos no Conselho de Estado, deputados que surripiam gravadores a jornalistas, já para não falar das grandes negociatas ou do enriquecimento ilícito de um razoável número de políticos. É que, semelhantes comportamentos, além de reprováveis, têm o inconveniente de contaminarem toda a sociedade.

Se a liberdade privilegiasse a seriedade e reprimisse a fraude, seria impossível ouvirmos coisas como as que proferiu o empresário do jogador Luisão do Benfica aos jornalistas acerca de um eventual castigo pela agressão sobre um árbitro num jogo recente com uma equipa alemã. Disse ele que (sic) «elementos do Benfica garantiram ao jogador haver poucas possibilidades de ser castigado». E acrescentou:  «ele apenas se limitou a defender um colega. Ia a correr e chocou contra o árbitro. Não tinha intenção de o fazer».  «Foi só um encontrão, estão a fazer uma tempestade num copo de água. Ele está tranquilo e focado no trabalho, no seu dia a dia. Sabe separar as coisas, um jogador da sua envergadura consegue suportar isto».

Ter o desplante de negar o que aconteceu, com imagens que não deixam a menor dúvida, é atentar cobardemente contra o direito à liberdade de expressão e contra quem preza os bons costumes. Mas nem sequer é o empresário o maior irresponsável, são os dirigentes do clube, a comunicação social que neste caso se demite de fazer pedagogia, e o próprio jogador.

Imagine agora o leitor que vai na rua descansado e depara com um tipo a uma distância de uns 10 metros que desata a correr na sua direcção, provoca o choque consigo  [inadvertidamente, ou não, para o caso é irrelevante] e você cai inanimado. O que diria quem assistiu a esta cena se no fim dissessem que você caiu de propósito, que simulou o desmaio pervertendo completamente a verdade dos factos? Como é possível então colocar em dúvida a intenção do jogador? E como é possível que alguém do Benfica adiante prognósticos sobre decisões do foro da Justiça? E como é possível que os jornalistas não se indignem com a situação? E como é possível ainda tudo isto passar despercebido e sem merecer comentários das instituições do Estado e das autoridades desportivas nacionais? 

Ah, mas que espanto o meu... É possível sim senhor, porque vivemos num país medíocre, onde a depravação moral dos líderes há muito bateu no fundo. Estamos entregues a nós próprios. Em "liberdade"...

Astérix, Obélix e o facebook



Como nos deliciosos livros de Goscinny e Uderzo, quando se fala no facebook eu sinto-me habitante de uma pequena aldeia gaulesa. Como aquela onde Astérix, Obélix, Assurancetourix e quejandos resistiam aos invasores romanos.

Convém que logo nesta abertura esclareça que o domínio em que me sinto assim é exclusivamente o domínio pessoal, da minha privacidade. Bem ao contrário, nas minhas atividades profissionais e empresariais, dou-lhe a corda correspondente à utilidade e capacidade que lhe reconheço como poderoso instrumento de marketing e comunicação.

Sempre que dou conta desta minha "lacuna" na conversa com amigos e amigas de várias idades e estratos, sou alvo de alguma chacota e de piadas recorrentes que já não me fazem "mossa" alguma. Aliás, ultimamente, sou eu que tenho rido mais (e melhor, segundo se diz de quem ri por último) nas oportunidades, cada vez mais frequentes, de confrontar esses meus amigos e amigas mais moderninhos com as tristes consequências da exposição pessoal no facebook e atividades similares.

Julgo que atingimos o limite da nossa luta pela liberdade. Neste mundo moderno, claro, porque ainda existem lugares no Mundo em que povos inteiros lutam pela liberdade contra terceiros, que é a tradicional luta que conhecemos há séculos.

Voltando ao Astérix, desde os tempos dos romanos que a luta pela liberdade é entre quem oprime e que se sente oprimido. Contra terceiros de má-fé, portanto...

O que se passa agora é que já não são terceiros quem ameaça a nossa liberdade, mas antes a primeira pessoa: nós, os nossos comportamentos, as nossas faltas de cuidado, os nossos desleixos, o nosso deixa andar, o nosso Maria-vai-com-as-outras, as nossas ansiedades de em tudo querer ser da linha da frente, a nossa vontade de voar, mesmo quando nos faltam as asas ou a cama é curta.

Talvez por ser um óbvio ululante, esta ameaça "interna" à nossa liberdade é capaz de ser a mais difícil de combater. Contra a força dos outros e contra os argumentos dos outros, melhor ou pior, com mais força ou menos força, sabemos que é preciso lutar e sabemos como é preciso fazê-lo. Neste caso em que a força ou a falta dela é nossa e os argumentos mais convincentes ou menos convincentes são nossos também, é que a porca torce o rabo.

Aceitamos facilmente como dogma que na net ou no facebook nós é que decidimos o que dizemos ou mostramos e a quem o fazemos. Achamos que dominar o monstro e a tecnologia é "canja" porque a (nossa) inteligência humana vence sempre qualquer máquina.

Os meus pais já ultrapassaram os 80 anos à velocidade da luz e nunca quiseram ser gauleses, neste mundo que tem rodado a uma velocidade que nem todos conseguem acompanhar. Mas tenho a certeza de que não estariam, não estão, preparados para sofrer um choque como o que deve ter sentido aquele pai lisboeta a quem enviaram um mail com imagens da filha, nua, em brincadeiras com amigas, que pelos vistos saiu de uma partilha supostamente privada de um facebook para as avenidas e autoestradas, sem portagens e sem controlo, da Internet.

Por mim, que só posso falar por mim, estou em condições de garantir aos meus pais que, pelo menos no que me toca e neste particular, podem continuar a viver descansados. Simultaneamente, tudo farei para tentar que a minha querida filha, que ainda há pouco tempo aprendeu a ler, me possa dar este mesmo descanso. Sabendo eu que muitos destes acidentes acontecem mais por falta de informação do que por falta de formação.

Nota de RoP:

Gerir um blogue constitui desde logo uma responsabilidade. Em primeiro lugar, para o seu administrador, depois para os cooperantes e por último para os comentadores, cabendo no entanto ao seu proprietário a principal responsabilidade por tudo o que publica, incluindo a  aprovação ou eliminação de comentários. Mas, é simples de controlar. Já sobre o Facebook e outras redes socias do género, tenho sérias dúvidas. Tem uma exposição excessiva e uma objectividade muito relativa.

O que o texto de Manuel Serrão aqui relata vem de certo modo ao encontro do meu cepticismo com estas redes sociais, e não creio que seja exagerado receá-las, porque embora possamos "dominar o monstro" [como diz Serrão] a ameaça interna à nossa liberdade é real. Basta um descuido, como o da rapariga que se "deixou" filmar na intimidade, provavelmente sem imaginar o que lhe estavam a fazer.

É por estas e outras que tenho eliminado todos os convites de "amizade" que me surgem na caixa do correio. Já estive registado e desactivei o registo várias vezes, e continuo a receber convites... Não percebo. Mas percebo menos que Cavaco Silva - e outras pessoas com teóricas altas responsabilidades - se preste a entrar nestas redes sociais sem perceberem que além de constituírem uma ameaça à privacidade das pessoas, podem servir para tudo menos para comunicar. Na minha opinião, a visibilidade do Facebook não passa de foguetório de brigas e cobardias, mais para destilar ódios que para esclarecer e estreitar relações Não sou cliente.  

21 agosto, 2012

Hipocrisia sazonal

De vez em quando, talvez para limparem a [má] consciência, determinados jornalistas, como este aqui, por exemplo, decidem quebrar o jejum das crónicas conformistas que normalmente escrevem e levantar o véu da hipocrisia que hoje se instalou ferozmente na política e na própria sociedade, para dizerem algumas verdades.

No caso em apreço, o autor referiu a Líbia, o Iraque e a China. Mas também podia falar de Angola, cujo presidente e respectiva prole, nomeadamente a sua filha mais velha, Isabel dos Santos, têm negócios relevantes com Portugal.

Só para citar alguns, sabe-se que detém importantes participações no banco Millenium BCP, BPI, BIC, e noutras empresas como a Galp Energia, a Zon Multimédia e mais recentemente uma parceria entre a Sonae e a empresa angolana Condis. Consta mesmo que é Isabel dos Santos quem anda a financiar o Benfica, e caso o rumor se confirme, podemos estar certos que não será pela nossa comunicação social que iremos sabê-lo...

Angola, queixou-se outrora do colonialismo português, mas agora goza da má fama de ser um dos países mais corruptos do continente africano. Levará o senhor jornalista em boa conta este lembrete? Veremos o que dizem os próximos artigos sobre as nossas relações com a mui nobre República Popular de Angola.

Vale isto por dizer, que quando se trata de dinheiro, a  "receita" da casa é mandar a moral de férias e tratar da vidinha, porque para os lusos homens as coisas da integridade são meramente sazonais, como ir a banhos para a praia recomenda o verão. Pelo menos as árvores, mesmo as de folha caduca, quando morrem, mantêem a integridade perene. E depois, certos homens têm muitas maneiras de "matar pulgas", que é como quem diz, de brincar à integridade, como, por exemplo, falar da violação dos direitos humanos de outros países [como a China], para se auto-proclamarem humanistas e afastarem as atenções de países que também não os respeitam [como Angola] mas metem cá muito dinheiro...

Portanto, é preciso ter mais cuidado quando falámos de hipocrisia. Porque nem a China nem a EDP estão sós nesta "cruzada" nem são mais hipócritas que os órgão de comunicação social [incluindo os estatais], cuja submissão ao poder económico é absoluto, ou não fossem eles fiéis serventuários do centralismo, tal é a proximidade física e ideológica com os órgãos do poder.

Em Portugal, e no Norte, o único jornal que foi capaz de vestir integralmente o "equipamento" regionalista foi o Grande Porto, e mesmo esse é um semanário, ainda pouco conhecido do público.

A integridade não é de facto para todos.

19 agosto, 2012

Iremos sofrer como o ano passado, ou é só o 1º. jogo?



Na época passada escrevi aqui no Renovar o Porto - e menos enfaticamente, na blogosfera portista -, que não acreditava na capacidade real de Victor Pereira para treinador do FCPorto.  Agora, não vou repetir o que escrevi nessa altura, mas pelos sinais que os primeiros jogos da equipa me dão, acrescidos dos que o treinador transmite cá para fora, quase que o podia fazer sem mudar muito o conteúdo. 

Antes de prosseguir com a minha premonição, insisto dizendo que nada de pessoal me move contra Victor Pereira, e que sei muito bem separar os sentimentos das competências. E, embora discorde daqueles que subestimam a opinião dos adeptos, chamando-lhes ironicamente "treinadores de bancada" - mas sem eles próprios se furtarem a fazer esse papel -, evitarei entrar em detalhes de ordem técnico-táctica na fundamentação das minhas opiniões. É pois, tempo de mostrar mais respeito pela opinião dos adeptos [nos quais eu me incluo], e de admitir que se tanto e tantos gostam de futebol, é porque alguma coisa devem perceber sobre o assunto. Isto, claro, descontando aqueles que vêm o futebol como uma doutrina fundamentalista que tudo justifica na procura cega e obsessiva de victórias. Como qualquer adepto, prefiro victórias a boas exibições, porque além de moralizarem servem para ofuscar os maus espectáculos, mas o padrão de exigência não pode nem deve ficar-se por aí. Em competição, é da condição humana querer mais e melhor, como reza, aliás, o lema olímpico: "mais rápido, mais longe e mais forte".

Ora não foi nada disso que vi este fim de tarde em Barcelos. O que vi, foi uma réplica angustiante do cenário do campeonato transacto. Uma equipa lenta, que continua refém das iniciativas individuais dos jogadores, sem uma marca forte do treinador, nem um estilo de jogo bem definido. Os lances são demasiadamente afunilados pelo meio, os laterais raramente sobem à linha a cruzar, e quando o fazem, as bolas são repetidas vezes dirigidas para a terra de ninguém tornando impossível rentabilizar o trabalho do ponta de lança que é marcar golos [confirma-o o único golo marcado à Académica por Jackson Martinez para a Taça]. Continuamos a observar má qualidade no tempo e na direcção dos passes, uma desesperante inépcia no remate, e os jogadores a atrapalharem-se uns aos outros na grande área. Tudo, insuficiências do passado recente...

A época ainda agora começou, estarão alguns já a zurzir [armando-se em mais portistas que eu]. Pois é, mas acontece que eu não sou masoquista, e não estou para destruir o meu sistema nervoso a ver jogos desta natureza. Já me bastou o ano passado. É certo que ganhámos o Campeonato, com seriedade e justiça, mas com muito pouco brio, convém admitir. O FCPorto, habituou-nos a funcionar como tónico contra as desconsiderações e sacanices dos governantes, e não como estímulo pró-depressivo. Se os próximos jogos forem uma continuidade do ano passado [e de hoje], deixo esse espectáculo para outros mais masoquistas. Eu passo.

Quem conhece o FCPorto, já sabe, tem de contar com arbitragens duvidosas. Na dúvida, o prejuízo reverte quase sempre contra nós. Não vale a pena queixarmo-nos dos árbitros no fim dos jogos se no princípio dissermos que não comentamos arbitragens. Se o FCPorto não jogar o suficiente para superar as asneiras dos árbitros, bem podemos arrumar as botas que não ganhámos nada. Há muitos anos que a sina é esta. Portanto, Victor Pereira só tem uma solução que é colocar os jogadores certos no lugar certo e ensinar-lhes a jogar em equipa [se souber]. Para já ainda não vi nada de especial. Ganhámos a super-taça, está bem. E o resto? Teremos este ano o mesmo futebol do ano passado? Se sim, eu não serei espectador.

Disse a época que passou que não me importaria de engolir sapos se Victor Pereira me surpreendesse pela positiva, é verdade. Mas, apesar de ganharmos o campeonato, ainda não estou convencido. Portanto, o sapo fica para o futuro, lá mais para diante. E, chegados lá, o que eu realmente queria era não ter razão, e que além de termos acumulado muitas victórias, tivéssemos também para recordar exibições convincentes. Eu gosto de futebol. Do bom, se não se importam.

O discurso e a tática



Subitamente, algumas vozes que antes se notabilizaram por denunciar os vícios do centralismo mudaram de opinião ou de tática, e apelidam esse mesmo discurso de doentio. Ora, continuo a acreditar que a hipercapitalidade é, essa sim, a principal doença do país. Continuo a ver, todos os dias, sintomas de um centralismo discriminatório que protege o umbigo do regime e aquilo que se avista do Terreiro do Paço, que esquece o resto do país e que olha o Norte e o Porto ora com sobranceria ora cobiçando aquilo que temos, e que já é muito pouco. Infelizmente, a situação não mudou. Bem pelo contrário porque, à medida que o país se torna mais pobre, cresce a tendência para fazer cortes cegos na periferia da capital do império. E, como se sabe, Portugal vive há muitos anos em crise, que não é alheia a esse centralismo devorador.

Não se trata pois de hipocondria ou, como um dirigente partidário local me sugeria há dias, de criar ruído e contaminar a opinião pública. Infelizmente, os factos impõem que se continue a fazer o mesmo discurso, que denuncia uma doença grave, que resiste à sucessão de governos por estar tão enraizada que se transformou num dos paradigmas do regime e do nosso débil modelo de desenvolvimento.

Não se trata, sequer, de fazer um discurso contra Lisboa, na medida em que o que se defende é útil para todo o país e, por isso, para a capital. Esse discurso contribuiu, aliás, para que o porto de Leixões tivesse mantido a sua autonomia, que estava ameaçada. Esse discurso serve para questionar o modelo de privatização da ANA, que pode ter consequências dramáticas para o nosso aeroporto. Da mesma forma, serve para questionar por que razão os compromissos assumidos quanto à reabilitação urbana do Porto têm sido adiados, por que razão continua a haver desvios no QREN que prejudicam o Norte, por que motivo o interior vai sendo despojado, através de uma cura de emagrecimento que não é aplicada com a mesma severidade à capital, por que critério de equidade se viabilizam as finanças da capital através negócios com o Estado a que os outros municípios não têm acesso, como é possível que não haja financiamento para as empresas exportadoras mas haja recursos para apoiar os especuladores e os grupos que têm influência nos corredores do poder.

É certo que, se não nos podemos resignar, também não podemos deixar de assumir as nossas responsabilidades. Não podemos ceder, é verdade, ao bairrismo bacoco ou tentar invocar, para o Porto, uma capitalidade alternativa que nunca nos será reconhecida quer por Lisboa quer pelo resto do país. O Porto deve mobilizar todos os seus méritos e talentos para defender soluções que, sendo relevantes para a cidade e região, também sejam benéficas para o todo nacional; deve liderar o debate estratégico sobre a subsidiariedade.

Concordo que deve ser menos queixoso e mais ousado, que deve ser insolente perante os poderes do centralismo, que deve saber olhar para tudo o que tem antes de reclamar por aquilo que não tem. Um Porto "que não espere pelos decretos para agir, pelas crises ministeriais para pedir, pelas crises para reagir", como disse Miguel Veiga. Mas, como eu escrevi no meu livro "Uma questão de carácter", já em 2009, "sendo essa a parte endógena da questão, ainda acredito que se a sua classe política assumir esse desafio, não precisará de dobrar a espinha para recuperar o seu indispensável protagonismo. Mas, na relação com esse poder central, o Porto não pode hesitar entre os estilos, não pode hoje suplicar por auxílio e, no dia seguinte, reclamar com veemência. Não pode aceitar o discurso de o que chega pela mão dos governantes é uma dádiva, não se pode ajoelhar para o agradecer. O Porto não pode tolerar que alguém, dentro das portas da cidade, tenha o topete de dizer que uma qualquer benesse é uma dádiva do Governo. Pelo contrário, é preciso que exija sempre o que lhe é justamente devido e logo que consegue o que exigiu, deve clamar que não foi mais do que uma questão de justiça". Creio que tudo o que escrevi há três anos continua a ser verdade.

Nota de RoP: 
Uma dessas vozes chama-se Carlos Abreu Amorim. Uma decepção deplorável. 

Quando um homem decide hipotecar a sua inteligência à ambição pessoal, sem pesar tudo o que disse contra o centralismo, só porque passou a militar num partido político, compromete inexoravelmente a própria honra. 

16 agosto, 2012

O Porto, aos olhos de um turista espanhol, em cadeira de rodas

Imaginem o que diriam se a nossa cidade fosse devidamente limpa e a antiga rede urbana estivesse significativamente reabilitada!


14 agosto, 2012

No pása nada...o povo é sereno

O mentiroso, o ladrão e o assassino
A taxa de desemprego em Portugal atingiu o maior nível de sempre (15%) e o(s) governo(s) pensa(m) nada ter a ver com o assunto. Os crimes de homicídios sobem a um ritmo alucinante (seis, em 24 horas) e o(s) governo(s) insiste(m) em fazer-nos crer que uma coisa não tem a ver com a outra. Os assaltos sobem a pique e o(s) governo(s) continua(m) a assobiar para o lado como se vivêssemos no melhor dos mundos.

Entretanto, os criminosos mais perigosos do país e com mais responsabilidades cívicas [como Duarte Lima] são mantidos em luxuosas "prisões" domiciliárias até que o tempo e a injustiça se encarreguem de os deixar em total liberdade [como Vale e Azevedo]. Dias Loureiro, mudo e quedo, como convém,  lá vai gozando à grande e à francesa o pecúlio das suas habilidosas golpadas na banca. 

Enquanto isso, Paulo Portas, em "merecido" gozo de férias, sorri para dentro com as reeditadas suspeições sobre o desaparecimento dos documentos que o ligam a irregularidades na compra de submarinos quando era Ministro da Defesa, e aproveita o remanso para se divertir com o enjeitar de responsabilidades entre antecessores e sucessores, ciente que nada lhe vai acontecer, não fosse ele o exemplo vivo de como em Portugal a má fama e a espertice saloia dá direito a cargos de prestígio e dinheiro a rodos. 

Só gostava, era de saber como será possível pôr um ponto final a esta pouca vergonha sem o recurso à força, sabendo que nessa sem-vergonhice está inclusa a justiça e a própria democracia...

12 agosto, 2012

O "anjo" Luisão

Sem falsas modéstias, penso ter uma ideia bastante realista acerca das virtudes e das imperfeições dos portugueses. No que concerne as virtudes, suponho ser a solidariedade a maior delas, embora esta se evidencie com mais espontaneidade nos nortenhos que em Lisboa, ou no sul do país. Não me quero referir àquela "solidariedade" trauliteira que podemos verificar em certas pessoas quando por perto anda uma câmara de televisão, porque essa é do mesmo tipo que leva alguns a participarem em programas como o Big Brother. Não. Refiro-me àqueles pequenos/grandes gestos, como parar na estrada para socorrer alguém com avarias no carro, ou que foi vítima de um acidente, ou àquela pessoa que nos convida a passar à frente na caixa do supermercado por reparar que levamos poucos produtos, ou até o vizinho que nos trata como se fossemos da família.   

Os defeitos, no entanto, são tantos que às vezes nos levam as esquecer essas grandes qualidades. Um dos que mais me irrita nos portugueses é ser um povo facilmente influenciável, que não gosta muito de pensar pela sua própria cabeça, preferindo adoptar para si a opinião que os media ou a má língua fazem passar. Falando nisto vem-me logo à memória aquele aparato circense das bandeirinhas nacionais em tudo quanto era janela, e dos cortejos de campinos e motards que circulavam pelas estradas lá de baixo por sugestão à propaganda patrioteira da comunicação social, e de um seleccionador que além de não ser português só conhecia o sul do país. Outra das más facetas deste povo é a resiliência face às regras. É verdade que essa resiliência tem inspiração histórica nos governantes, que tal como os livros de Eça de Queiroz bem testemunham se mantém até aos nossos dias, mas é verdade também que se o povo tivesse outros graus de exigência e não fosse tão negativamente influenciável, hoje teríamos mais respeito pela legalidade.

É por isso que me enoja profundamente viver num país onde a qualidade dos media se tenha de medir por baixo, tal como permite o povo e quem o governa. Ontem, em jogo particular com uma equipa alemã, Luisão, um defesa do Benfica agrediu comprovadamente um árbitro, derrubando-o deixando-o por momentos inanimado. Toda a comunicação social, principalmente a RTP [órgão do Estado] tudo fez para branquear o acontecimento, prestando um deplorável serviço público, usando premeditadamente termos desajustados com a ocorrência, como: «o árbitro caiu, ou o árbitro chocou com Luisão, ou Luisão agrediu alegadamente o árbitro...».

Por outro lado, os comentadores de serviço, em vez de reprimirem veementemente o gesto do atleta, como fazem, aliás, e na maioria das vezes, sem razão, com o FCPorto, perderam-se em exercícios de cálculo e em previsões para descobrir alguma fórmula para evitar a eventual punição do jogador...  

Francamente, se o que as imagens de televisão mostram já não servem para nada, então também não servem para transmitir telejornais, telenovelas, debates políticos ou jogos de futebol. E o que se passou ontem não foi obra de imagens manipuladas, ou de emboscadas em túneis, foi uma agressão clara e altamente reprovável de um jogador a um árbitro, e isso só devia merecer da parte dos media uma única atenção, que era uma firme censura ao jogador. Defender posturas destas, é defender a violência no desporto, e quem está a fomentá-la por branqueamento são os próprios media do Estado, a RTP, ou seja: o Governo.

Obs.1 - O minuto 2:15 do vídeo aqui em baixo é o mais nítido da agressão de Luisão ao árbitro alemão. Há primeiro, uma "peitada" seguida de uma cabeçada. 

Obs.2 - Não menos censurável, nem tanto pela originalidade, mas pela rotina com que estas situações se repetem impunemente na liga portuguesa com jogadores do Benfica, foram os empurrões de  Maxi Pereira e Carlos Martins ao árbitro que antecederam a agressão de Luisão.


 

10 agosto, 2012

Os jornalistas e o poder

O professor Alfredo Barbosa [AB] publicou hoje no semanário Grande Porto um interessante artigo de opinião cuja leitura recomendo vivamente. Em poucas palavras, a crónica pode resumir-se a uma crítica realista e corajosa, dirigida aos partidos políticos do arco do poder, e também aos próprios jornalistas. Poder-me-ão dizer que considerar corajoso alguém, apenas por falar verdade e dizer aquilo que já todos sabemos, é um exagero, mas nos tempos que correm, em que as questões de carácter estão completamente subalternizadas pelas mais espúrias ambições, onde a subserviência ao poder económico transformou os jornalistas em autênticos títeres, penso tratar-se  já de uma questão de coragem. Pela razão inversa, não me parece excessivo tomar como cobardes os jornalistas [e não são poucos] a quem Alfredo Barbosa se quis referir sem precisar de mencionar nomes. Se não são cobardes, são excessivamente temerosos, o que vai dar no mesmo.

E é de medo exactamente que se trata e que está subjacente a todo o artigo de AB. À desonestidade dos políticos, AB chama-lhe "más" práticas governativas, quando se refere às relações de promiscuidade dos governantes com os órgãos de comunicação social do Estado.

Diz Alfredo Barbosa - com uma boa dose de ingenuidade, sublinhe-se - que a Troika tem andado distraída e sugere reduções aos já muito baixos salários dos portugueses, em vez de propor o fim do compadrio e da "cunha". Diz ainda, e com absoluto rigor: "para alguns situacionistas, o facto de alguém ter opinião crítica é suficiente para o afastamento de jornalistas e comentadores. Em casos excepcionais, deixam-nos andar desde que não pertençam à estrutura dirigente ou influenciem as agendas ou intervenham em movimentos fortemente contestatários, nomeadamente na sua liderança."

Só a constatação destes factos devia chegar e sobrar para justificar uma sublevação colectiva da classe jornalista, por atentar contra o exercício da própria profissão, contra a constituição e o direito à liberdade de informação

Mas pelo que se vê eles preferem salvaguardar o seu posto de trabalho a lutar pela democracia, contribuindo assim para manter os cidadãos mal informados e na ilusão de viverem num regime credível.  


01 agosto, 2012

Informação

O mês de Agosto é para mim o pior dos mêses de verão para  ir de férias, ou apenas para descansar. Na conjuntura actual, é no entanto perfeito para relaxar o cérebro do pesadelo que se vive neste mundo doente de crises, políticos, troikas e noticiários masoquistas. Como tal, informo os caros leitores e amigos que durante uns dias ou semanas, só escreverei no Renovar o Porto pontualmente e se considerar oportuno. Até lá, deixo-vos com este excelente artigo de Manuel António Pina, com o qual estou em perfeita comunhão:


Coisas sólidas e verdadeiras


O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!

Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.

Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?"

Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.

31 julho, 2012

A auto-estima dos magistrados




O actual governo feriu profundamente a auto-estima e o amor-próprio dos juízes portugueses, pois, ao retirar-lhes uma parte das suas remunerações, colocou-os ao mesmo nível de qualquer funcionário do Estado. Colocou-os, de facto, num plano de relevância e dignidade inferior ao de outros funcionários que, por uma razão ou por outra, não sofreram essa medida, como, p.e., os do Banco de Portugal. Sublinhe-se, aliás, que, em matéria de supervisão bancária, das decisões dos funcionários do BP se recorre para um juiz. Com essa medida o governo não teve em conta a especificidade das funções dos juízes, mas sobretudo, não respeitou as suas prerrogativas funcionais, designadamente a independência. Como é que um juiz será independente perante um governo que pode alterar tão expeditamente as suas remunerações?

Dir-se-ia que os juízes estão a beber o que eles próprios colocaram no cálice. Foram mais de trinta anos de triunfalismo sindical que incluiu greves às suas funções soberanas, desrespeito dos cidadãos e dos advogados, manifestações públicas de arrogância contra os outros poderes do Estado e mesmo declarações de insubordinação contra algumas leis da República. Comportando-se como funcionários os juízes acabariam tratados como funcionários. Dir-se-ia, então, que eles estão a colher o que semearam. Dir-se-ia, até, que tudo isso é uma questão entre poderes do Estado, com a qual os cidadãos e os advogados nada têm a ver; mas não. Não se trata de pôr na ordem uma classe profissional que perdera o sentido da sua dignidade tradicional. Está em causa a boa administração da justiça que é um valor superior do Estado de Direito e um serviço público essencial à cidadania, ao progresso económico e ao desenvolvimento pacífico da sociedade democrática.

Jamais haverá boa administração da justiça sem juízes independentes e nunca haverá juízes independentes quando o governo lhes puder diminuir assim as suas remunerações. A independência dos juízes não é um direito laboral, muito menos um privilégio corporativo ou pessoal como, infelizmente, muitos deles chegaram a pensar; é uma garantia do Estado de Direito aos cidadãos e à sociedade democrática de que a justiça será administrada de acordo com a lei e o direito sem quaisquer interferências ou dependências de outros poderes ou interesses. Por isso, sem juízes independentes nunca haverá uma justiça digna desse nome.
E ninguém melhor do que os advogados compreende isso, pois também não haverá justiça sem advogados livres e independentes. Aliás, é a parcialidade dos advogados na defesa das causas que patrocinam que exige e reforça a imparcialidade e a independência funcionais dos juízes. Por isso, hoje mais do que nunca, é necessário que os magistrados respeitem os cidadãos e os seus mandatários e se assumam como servidores da justiça e não como donos dela. Num Estado de Direito a justiça não tem donos, tem servidores; e todos - juízes, procuradores e advogados - a devem servir com igual empenho e respeito.

Tal como em outras épocas da nossa história, os advogados terão, hoje, de estar na primeira linha da defesa da boa administração da justiça e, consequentemente, da independência dos juízes. Aliás, foram os advogados que, em 25 de abril de 1974, impediram que a justiça caísse na rua; foram eles que salvaguardaram o sistema judicial das contingências de um processo revolucionário que convulsionou as estruturas do velho Estado Novo; foram eles que protegeram os magistrados dos antigos tribunais plenários da ditadura, permitindo que, apesar dos ignóbeis crimes cometidos, transitassem tranquilamente para os tribunais comuns da democracia sem sequer serem objecto do mais leve juízo de censura.

Dos juízes espera-se agora que meditem e tirem as conclusões do que foi a sua actuação nos 35 anos de democracia e, sobretudo, do facto de terem optado por formas de organização impróprias do seu estatuto funcional. Espera-se que, chegados a esta situação, eles tenham a humildade de aprender com os seus erros e de substituírem a cultura de poder e de arrogância que os tem caracterizado por uma nova cultura de respeito e de serviço público. Só assim serão respeitados numa sociedade democrática.

28 julho, 2012

"Crónica dum negócio indecente…"

  1. Começou há 4 anos: em 23 de Julho de 2008 foi apresentada à Assembleia Municipal do Porto uma proposta aprovada no Executivo no dia anterior, de alienação de 3 parcelas (perfazendo 30.631 m2) integrantes do designado “Bairro do Aleixo”, com vista à constituição de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário - FEII.
  2. Para enquadramento da operação no “Regime Extraordinário de Apoio à Reabilitação Urbana” previsto no artº 82º da Lei do OE para 2008 (Lei nº 67-A/2007 de 32/12) e aproveitamento dos generosos benefícios fiscais fixados por aquele Regime Extraordinário, a proposta da CMP previa também a delimitação pela Assembleia Municipal de toda a zona do Bº do Aleixo como “área de reabilitação urbana”.
  3. A pressa era tanta, que nem sequer foi obtido o parecer (prévio) do Instituto de Habitação, IP previsto no nº 2 do artº 3º da referida lei. Com 20 abstenções (do PS) e 6 votos contra (BE e CDU) a proposta foi aprovada por 27 votos do PSD e CDS/PP. Mas como o parecer do IHRU era mesmo necessário para a legalidade formal do processo, a mesma delimitação como “área de reabilitação urbana” teve que voltar a ser votada.
  4. Em 15/11/2010, para promoção imobiliária dos terrenos do bairro do Aleixo, já classificados como Área de Reabilitação Urbana, foi constituído o Fundo de Investimento Imobiliário (com o nome INVESURB), com o capital de 6 milhões de euros e 3 participantes:
    • 3,6 milhões a realizar por Vítor Raposo (60%)
    • 1,8 milhões pela Espart (ou outras empresas do Grupo Espírito Santo) - 30%
    • 600 mil euros a realizar em espécie pela Câmara – 10%
  5. Mas mais de um ano depois, o capital realizado (2,7 Milhões) não chegava a 50%. E porque o Fundo INVERSUB se encontrava numa situação irregular (a que a CMVM não poderia deixar de atender), teve de haver alterações nos participantes.
  6. Entra então um novo subscritor (António Oliveira), o qual adquirirá as 600 UPs (Unidades de Participação) de Vítor Raposo, mais 500 UPs detidas pelo Município do Porto. E a Câmara vai entregar em espécie 3 terrenos (que pertencem à cidade e não à coligação PSD/CDS-PP) junto à Rua Diogo Botelho com mais de 3.000 m2, juntando-os assim aos terrenos do Bairro do Aleixo (30.631 m2) já entregues.
Final da crónica: é um negócio indecente, porque vai expulsar pessoas que vivem no Aleixo para entregar aquele espaço privilegiado à especulação imobiliária (prevê-se uma mais-valia de, pelo menos, 30 milhões de euros). E é também indecente porque se aproveita da lei 67-A/2007 (OE para 2008) que dá generosos benefícios fiscais em IRC, IMI e IVA para a reabilitação urbana, apesar da operação imobiliária em curso no Bairro do Aleixo não ser reabilitação urbana (assim confirmou o anterior Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território em 17/2/2009 à pergunta 730/X/4ª do BE). A cidade e a Assembleia Municipal continuam a ser enganados. Continua o saque aos fundos públicos (que vão ser suportados pelos contribuintes, já que isenções, reduções e outros benefícios fiscais são despesa pública). E como no ponto 7. do “Memorando de Políticas Económicas e Financeiras” subscrito pelo governo há o objetivo de redução dos benefícios fiscais, a indecência do negócio ganha agora uma nova dimensão…
  

[in a Baixa do Porto]

27 julho, 2012

Já agora, subam-lhes aos vencimentos...




Cartoon  
Elias o sem abrigo, 
de R. Reimão e Aníbal F
[JN]






COVEIRO DO PODER LOCAL DEMOCRÁTICO


Na última edição da Mais Alentejo escrevi sobre “O Estado do Poder Local”. Hoje vou alertar para as ameaças de que o Poder Local democrático está a ser vítima, que, a consumarem-se, o pode destruir ou reduzir significativamente a sua democraticidade.

Esta situação é mais grave e perigosa do que muitos possam julgar e passível de ser concretizada porque conta com a colaboração de alguns proeminentes autarcas, a começar pela direcção (ou parte dela) da ANMP.

A recente assinatura de um protocolo com o governo mostra à evidência a posição de cócoras em que a direcção da ANMP se colocou, sem pejo de criar divisões no seio da Associação e remetendo para Setembro a realização de um congresso extraordinário, reclamado com urgência por muitos municípios e decidido pelo Conselho Geral.

Esta posição da Direcção da ANMP só pode ser explicada pelo interesse de autarcas, designadamente do PSD, de prestarem um serviço ao ministro da área, Miguel Relvas, que se tem esforçado por mostrar algum serviço, tentando fazer esquecer os esquemas em que apareceu envolvido.

Mas também Rui Rio, o presidente da Câmara do Porto em fim de mandato, sempre apontado para inúmeras outras funções, não quis passar despercebido e propôs um interregno na democracia nos municípios que não regularizassem a sua situação financeira. Nem mais! Depois de Manuela Ferreira Leite ter apresentado essa proposta para o país, eis que o seu discípulo a retoma para os municípios.

Para estes senhores já não basta “meia palavra”. Já dizem todas as que consideram necessárias para atingirem os seus objectivos.

Nunca, como agora, o Poder Local democrático foi tão atacado. Está a sê-lo na sua própria essência – na democracia em que, pesem embora diversas falhas cometidas por alguns autarcas, tem sido quase exemplar. Na proximidade às populações, nos elevados níveis de participação, na aplicação do princípio da subsidiariedade.

Se existe espaço de intervenção em Portugal onde se pode falar, com alguma propriedade, em democracia participativa é sem dúvida nas autarquias locais. E é com isso que alguns desses senhores e o actual poder político nacional convivem mal. E por isso pretendem travá-lo e reduzi-lo à dimensão de antigamente, a simples extensões do Poder Central.

Todas as “grandes reformas” que anunciam não passam de estratagemas, mais ou menos, habilidosos para alcançarem aquele seu grande objectivo. Desde a famigerada reforma administrativa, passando pelas reformas do sistema eleitoral, das atribuições e competências, das finanças locais, entre outras, até à tentativa de enterrar a regionalização administrativa, tudo serve, não para aperfeiçoar e aumentar a qualidade da democracia e da participação das pessoas, mas para as diminuir e enfraquecer.

Mas este ímpeto destruidor desta maioria de direita não se fica pelas “reformas”. Vai mais longe, usando todas oportunidades para tentar alcançar o seu objectivo maior.

Para que se perceba melhor a postura deste governo face ao Poder Local democrático, refiro aqui alguns articulados do memorando de acordo entre o governo e a Direcção da ANMP:

- O Governo insistiu na aplicação da LCPA (Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso), apesar de reconhecer as dificuldades práticas que pode trazer para alguns Municípios;

- A ANMP obrigou os Municípios a comprometerem-se com a afetação da totalidade da receita do IMI ao pagamento das dívidas ao Estado;

- O Governo impôs como condição para a adesão de cada Município ao PAEL (Plano de Animação da Economia Local) a desistência dos processos que se encontrem pendentes em tribunal contra o Estado;

- A ANMP reconheceu que o Governo tem com ela mantido um diálogo permanente e profícuo!!!

Mais palavras para quê? Razão tinha António Capucho quando afirmou que este governo podia ficar para a história como o coveiro do Poder Local democrático.

25 julho, 2012

Também terei direito a estalar o meu verniz, ou não?

Juro que não privo com Passos Coelho, que não conheço ninguém das suas relações, nem sou responsável pelo que ele pensa [se é que pensa] ou diz.  Por conseguinte, descarto-me desde logo da possibilidade de ter exercido qualquer influência nas suas recentes declarações quando disse ipsis litteris"que se lixem as eleições!". E não me interessa para nada o contexto ou o estado de alma em que as proferiu. O que me importa é que um 1º. Ministro, digno desse nome, nunca deve pensar, nem muito menos dizer coisas que deixem transparecer a sua completa mediocridade para desempenhar tão alto cargo. Ao fazê-lo, está a dar ensejo a que o povo replique em bom português e no mesmo estilo, como seja: se algum dia o eleitor tiver de perder a credibilidade para salvar o país dos maus governantes - como se diz -, que se fodam os políticos!

Tenho a impressão que é a primeira vez que uso publicamente este tipo de vocabulário. Foi preciso ouvir Passos Coelho para não resisitir e sentir-me à vontade para o imitar, embora me arrisque a ser tão medíocre quanto ele...

Afinal, onde está a surpresa? Já não vimos este filme antes, noutras versões? Lembram-se de um deputado na Assembleia da República mandar para a pta q. o pariu um colega? E de um outro que rapinou com "grande profissionalismo" o gravador a um jornalista? E de outro [actualmente em "prisão" domiciliária"], acusado de homicídio, branqueamento de capitais, fraude fiscal e burla qualificada? E aquele baixote, ex-conselheiro de Estado [imaginem!] a gozar o usufruto da chico-espertice em ressorts de luxo em Cabo Verde?  E de muitos mais a gozarem de ordenados milionários quando nada de verdadeiramente relevante fizeram ao país para os merecerem? Então, que mal terá copiar exemplos de tamanha nobreza? Então, eu digo: que se fodam estes políticos!

Mas eles lá se encarregam de tentar justificar todas essas mordomias e poucas vergonhas. Que importância terá então que eles se enganem [e nos enganem] sistematicamente?  Nenhuma, estamos cansados de saber. Ainda agora Cavaco vetou o mapa da reforma administrativa de Lisboa por um erro de cálculo na transferência de freguesias! Até os deputados da A.R. se deixaram enganar, imaginem só! Mas que raio de responsabilidade é a deles?  E os membros do Governo, se chegarem ao fim [e que fim?] e levarem o país à desgraça total e à implosão social, à violência, que prémios lhes estarão reservados? Sim, prémios,  porque castigos não sofrem eles, e por cá recompensa-se, não o mérito mas o demérito. Há dúvidas?

Que se fodam pois, tais governantes!

PS-Escapou-me a máxima de Cavaco Silva:  «Tenho muito orgulho nos emigrantes portugueses!»
 

24 julho, 2012

Descentralizar? Era bom, era


um leitor alertava (com razão) para a necessidade de uma maior descentralização em Portugal. Nada que já não tivéssemos ouvido pelo menos um milhão de vezes. 

Há mais de 150 anos que as elites nacionais se referem à descentralização como uma espécie de remédio para os grandes males da pátria. E, no entanto, a centralização persiste para mal dos nossos pecados. Convinha tentar perceber por que motivo é tão difícil descentralizar - com ou sem regionalização.

O século XIX ocupou-se a debater, com minúcia, as desgraças da centralização. Para a esquerda, o culpado teria sido o absolutismo monárquico; para a direita, Mouzinho da Silveira. Como relembra Maria Filomena Mónica, ambos se esqueciam que Portugal, um país formado à volta de um projecto militar, fora desde sempre governado pelo rei.

A tradição administrativa nacional é de tutela, não de autonomia. E enquanto os intelectuais se entretêm a fazer o diagnóstico do mal, o poder mantém-se silenciosamente concentrado em Lisboa.

Na Monarquia, ainda se criaram dois pacotes de descentralização mas sem quaisquer efeitos. Durante a Primeira República a centralização prosseguiu e com Salazar atingiu o seu apogeu.

O pós-25 de Abril herdou um Estado centralizado, omnipotente e arrogante. E é com este Estado que ainda hoje vivemos. Ainda por cima, o poder central tenta compensar a pequenez internacional de Lisboa com uma concentração irracional de serviços. O país sai todo a perder, incluindo Lisboa que já está a rebentar pelas costuras.

O problema é que não se trata apenas de má vontade do poder central de Lisboa. No fundo, os municípios não estão muito interessados na descentralização. Há muito que se habituaram à rotina da pequena gestão – recolha de lixo, iluminação pública, obras, mercados – e não estão para grandes maçadas. Sempre que lhes falam em mais competências nas áreas da educação ou saúde torcem logo o nariz. Não pode ser, não temos recursos financeiros e humanos, dizem eles quase apavorados. E de facto não têm. 

Mas eu só os vejo pedir mais dinheiro. Não me lembro de algum dia terem pedido quadros qualificados da administração central. Eu compreendo. As autarquias há muito que se transformaram em agências de emprego para os da terra e era o que mais faltava ir buscar gente de fora.

É por estas e por outras que eu não tenho grandes ilusões: a centralização, infelizmente, está aí para ficar e durar.
A “reforma autárquica” do dr. Relvas é mais um exemplo de uma oportunidade perdida, uma reforma faz-de-conta, para inglês ver, ou melhor, para troika ver, em que as nossas “elites” são exímias. Não mexe em nada de essencial.

[do blogue Regionalização]

20 julho, 2012

Pie Jesu - anna netrebko

Petição Pública

A PETIÇÃO PÚBLICA PELA REGIÃO AUTÓNOMA DO ALGARVE está online desde as 20:00 de 13 de Julho de 2012.

Recomendamos que a leiam, subscrevam caso concordem e que a divulguem neste mesmo sentido pelos vossos contactos.

http://tinyurl.com/pelaRegiaoAutonomaDoAlgarve

(excerto)

«no âmbito constitucional presente não está obviamente impossibilitada a criação de novos partidos, sendo até possível - hipótese que permanece em aberto - a criação de um partido regionalista português que integre, pura e simplesmente, todas as vontades e movimentos das regiões que se revejam nos mesmos princípios gerais da regionalização: não apenas os autonómicos, mas também os da regionalização administrativa, consoante o caso.
Somos claros e deixamos aqui uma pergunta apenas:
O que aconteceria à configuração eleitoral e aos partidos políticos actuais se tal acontecesse de leste a oeste e de norte a sul de Portugal, passando pelas actuais duas regiões autónomas?»
--
antónio alves

18 julho, 2012

O Porto em 1912

O bispo que não se esconde

Manuel António Pina




O que o bispo D. Januário disse na TVI não foi, como clama o jornalismo de "soundbyte", que "este Governo é profundamente corrupto". Disse que "há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção, este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir". Há uma diferença essencial. E há uma desonestidade igualmente essencial quando se retiram da frase algumas palavras omitindo o resto.
Por coincidência, no mesmo dia o vice-presidente da Transparência Internacional afirmava que os envolvidos nas privatizações da EDP e da REN devem ser chamados a responder pelo que se terá passado "atrás da cortina". E, no dia anterior, fora noticiado que a PJ e o DCIAP fizeram buscas nos bancos ligados a essas privatizações, não decerto por estarem seguros de que tudo se terá passado sem as "habilidades" ou sem a "corrupção" de que fala o bispo.

A reacção do ministro Aguiar-Branco, tomando as dores dos "alguns" a quem D. Januário insistentemente se reporta, traiu-o: mandou o bispo escolher entre "ser bispo (...) e ser comentador político". O mesmo que Salazar queria que D. António Ferreira Gomes fizesse.

E imagino o que diria Aguiar-Branco se D. Januário também tivesse, como o bispo do Porto, condenado o "financismo 'à outrance'", o "economismo despótico", o "benefício dos grandes contra os pequenos", a "opressão dos pobres" e o "ciclo da miséria" hoje promovidos pelo Governo.

A ética dos sem ética

A questão sobre os valores éticos e sociais de determinada classe política está esgotada, ainda que prossiga pertinente. E está esgotada porque se esgota em si mesma e nas suas flagrantes contradições. Apesar disso, passados todos estes anos de liberdade pouco democrática, diga-se,  a verdade é que ainda ninguém foi capaz de arrancar a resposta.

Quando digo ninguém, é claro que só posso estar a referir-me à comunicação social, essa actividade de profissionais que tanto enfatizam a sua acção de serviço público mas que está longe de ser séria e completa. Até hoje, ainda não vi nenhum jornalista colocar questões verdadeiramente perturbantes aos defensores de um liberalismo que adjectiva a generosidade e a tolerância e que, por outro lado, substantiva o capitalismo mais retrógrado. Podemos dizer que a demagogia começa logo aqui. Mas há mais.

Num outro contexto, num Portugal com tradições verdadeiramente democráticas, habituado a respeitar os cidadãos, até concederia que D. Januário Torgal Ferreira se teria excedido nas palavras que dirigiu ao governo e a Passos Coelho. Só que o contexto não é, nem nunca foi esse. Se há coisa que os governantes têm feito e de forma compulsivamente ascendente, é desrespeitar quem lhes tem dado aval para governar. Estarei a exagerar? Não, não estou. O povo - que não é maioritariamente constituído por elites - sabe que não há exagero nenhum nisto e por isso diz [com razão] que os políticos são todos uns aldrabões. E se são de facto aldrabões, que moral têm eles para se melindrarem quando alguém com o prestígio de D. Januário lhes diz o que o povo pensa? Serão corruptos? Eu acho mais que sim do que não, é claro. Corresponderão porventura as fortunas que têm acumulado [e poupo-vos à maçada de os elencar]   ao trabalho produzido ao serviço do país? Não! Se houvesse correspondência justa mereciam pouco mais que o salário mínimo nacional... E alguns, só a cadeia.

Gostava de ver um jornalista perguntar a certos políticos coisas tão simples como isto: por que é que vocês se incomodam tanto com as críticas de uma pessoa prestigiada [como o bispo das F.A.], procurando logo aniquilá-la política e moralmente, e assobiam para o ar quando é o povo a fazê-las? Será por saberem que o povo está democraticamente desprovido de poder para ameaçar o vosso? Numa democracia sólida não seria suposto exercer o poder pelo, e para o povo? Por que o despeitam então com tanta evidência? Por que é que só o ouvem nas campanhas eleitorais? Por que é que lhes prometem coisas quando não sabem se as podem cumprir? Será que Passos Coelho não foi um aldrabão quando disse aos portugueses que não aumentava o IVA nem mexia nas reformas? Quem será afinal que está agora  a chefiar o governo, não é Passos Coelho? Será outra pessoa? Foi ou não ele o ALDRABÃO? Sabem o significado de aldrabão? Será falta de cultura, de memória, ou de vergonha? Ou será falta de tudo isso? Acham que pessoas que usam e abusam da mentira merecem respeito? Acham que merecem estar no poder quando outras talvez menos despudoradas estão na prisão?

Dificilmente teremos no nosso país [e noutros, diga-se], o gosto de ver levantar estas questões nem jornalistas com coragem para tanto, porque eles pactuam tacitamente com o regime. Tudo o que é popular é ditado por eles - e por políticos -, e o que é populista, também. Ora são cúmplices como são adversários, depende do sentido para onde se desloca o poder [dinheiro]. 

É por estas e outras, muitas, como estas, que tolero os excessos dos corajosos, dos que quebram as amarras ferrugentas do passado, como é o caso de D. Januário Torgal Ferreira, porque são uma lufada de ar fresco neste país de resignados, de gente curvada que passa a vida a orgulhar-se de futilidades ronaldianas e mourinhenses porque já perderam a própria dignidade. Não lutam.


17 julho, 2012

Abril foi queimado por salazaristas residuais, o resultado é o que vemos

Vasco Lourenço: poder foi tomado por "bando de mentirosos"
O capitão de Abril referiu este sábado que o poder foi tomado por um "bando de mentirosos", justificando a conclusão com um vídeo que "corre" na Internet com declarações de Passos Coelho que foram "renegadas" nos actos do Governo.


O presidente da Associação 25 de Abril falava aos jornalistas no final de um encontro que juntou cerca de um milhar de militares e que, por proposta das associações (de oficiais, de sargentos e de praças), foi decidido por maioria esmagadora promover uma concentração de protesto, dia 12 de Novembro, no Rossio, em Lisboa, contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo aos portugueses e aos militares.

"Ao ver aquele vídeo, eu tenho que chegar à conclusão que são um bando de mentirosos, de mentirosos puros", declarou Vasco Lourenço, observando que, ao fazer o confronto entre o vídeo e a realidade, o primeiro-ministro "renega nos actos tudo aquilo que acabou de dizer há muito pouco tempo".

O militar de Abril disse ter visto o "vídeo" e ficado "absolutamente indignado" e "escandalizado", ironizando que se diziam que José Sócrates era o "Pinóquio", este primeiro-ministro comparado com ele "cuidado".

Nas palavras de Vasco Lourenço é "preciso desmascarar os indivíduos que ocupam o poder" e que "o estão a roubar", vincando que se "sente roubado".

O capitão de Abril lembrou ainda as recentes declarações do bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, de que o que se está a passar é "terrorismo puro".