| Até quando vai durar a confiança? |
Eu, Rui Valente, ex-sócio do FCPorto, com os nºs 77705, 38646 e 57182, mas eternamente adepto abnegado, venho por esta via comunicar-lhe o seguinte:
- Fui, durante a vigência dos seus muitos mandatos gloriosos, um grande apoiante e defensor do seu trabalho, e continuaria ainda hoje nesse alinhamento se o cavalheiro não tivesse realizado uma enigmática volta de 180º à sua forma de gerir o clube, sem se dar ao cuidado de explicar porquê. Não a mim, especialmente, mas a mim, enquanto ex-sócio e elemento singular da imensa massa adepta do FCPorto.
- Por mais que me esforce por compreendê-lo, por tolerar mudança tão atípica e perniciosa, com as consequências que sabemos, não consigo, porque para o fazer, precisaria de conhecer as causas e a pertinência que eventualmente as justifiquem. Sim, porque tem de haver seguramente uma causa para tão radical transformação. Como da sua parte não é apresentada essa explicação, só se pode especular, coisa de que não gosto, mas que pelos vistos você aprecia, embora só à posteriori o negue, quando se sente agastado. O grave é que, até a capacidade de se indignar parece ter perdido. Não só a perdeu, como a pouca que ainda lhe resta, aplica-a contra os portistas que ousam ocasionalmente contestá-lo, em vez de lhes provar que ainda está disponível para defender o FCPorto das investidas criminosas dos nossos adversários de Lisboa, que sabendo-o letárgico, não hesitam em prejudicar-nos, quer manobrando arbitragens, quer a própria comunicação social completamente rendida à capital.
- Há um aspecto do seu temperamento, até certo ponto compreensível, que os anos de sucesso acentuou, que é a soberba própria de quem se habituou a ganhar, mas que não se coaduna com a liderança frouxa e resignada de agora e que, para seu bem, conviria moderar. É que, a confiança que os portistas sempre depositaram em si está a esfumar-se de dia para dia, mesmo que a ingenuidade de alguns menos exigentes lhe possa transmitir o contrário.
Permita-me pois que lhe recorde que ser Porto é uma expressão fútil se não tiver impacto no modo como se administra o FCPorto e se obtém resultados desportivos. E deixe-se por favor de responsabilizar os treinadores pelos insucessos quando eles já cá não estão, quando a responsabilidade da escolha for sua. Não resulta bem, nem é sério.
- Tudo o que atrás referi é sincero, como é também o que lhe vou dizer a seguir: estou cada vez mais preocupado com o FCPorto do que com a sua pessoa. Poder-me-à dizer que é natural, e é-o, de certo modo. Acontece é que todos nós portistas nos habituamos a olhar para si como se fosse o FCPorto, e hoje parece-se mais com um adversário, já quase um inimigo...
Quem merecia levar um vermelho no focinho com direito a internamento hospitalar, era este vendido, este pedaço de trampa em forma de árbitro. De que tipo de gente terá sido um gajo destes parido? Que vergonha tenho de viver neste país!

