02 outubro, 2009

A Pousada do Freixo

Foi inaugurada a Pousada do Porto, no belo Palácio do Freixo. Na qualidade de portuense, suponho que me deveria sentir feliz e até orgulhoso. A beleza da arquitectura, o insólito contraste estético entre a obra de Nasoni e a Moagem Harmonia, as vistas sobre o Douro, o luxo interior, os mais que prováveis elogios por parte dos futuros hóspedes, tudo isto deveria alegrar alguém que ama a sua cidade e se regozija com seus aspectos positivos.

E no entanto, no meu espirito, por estranho que pareça, um sentimento de tristeza sobrepõe-se aos aspectos positivos desta valorização do parque hoteleiro da cidade. Poderá ser romantismo ou ingenuidade, mas sempre vi o futuro do palácio como destinado a uma função ligada à vida autárquica ou regional. Sala de visitas para visitas ilustres da cidade ou da região, sede duma futura autarquia - que teria de chamar-se Portucale - ou duma Região chamada Galécia (Norte é ponto cardeal) ou algo similar. A sua entrega à exploração comercial, vejo-a como uma espécie de traição à cidade e à região, que só poderia ter sido concebida por alguém com espirito de guarda-livros, para quem o Deve-Haver se sobrepõe a todos os outros tipos de considerações e que portanto, na minha opinião, não tem condições para dirigir uma grande, antiga e nobre cidade como o Porto.
Infelizmente está nessas funções há oito anos e prepara-se para ficar mais quatro. Se isto acontecer, teremos de o aceitar democraticamente e também concluir filosoficamente que de facto os povos têm os governos que merecem, por muito que a alma nos doa ao pensar que o declínio da cidade irá continuar, e que quanto mais fundo cair, mais custará a levantá-la de novo.

Rios e Rio[s]

Rios e Rios
Há rios em que se mergulha
de olhos fechados e de corpo e alma!
Entretanto há outros,
em que só se molha a ponta dos pés...
Neli Araujo
Simples [como é seu hábito] e providencial, este pequeno poema da nossa simpática amiga de S. Paulo.
Nós no Porto conhecemos um rio [e que a Neli felizmente não conhece] em que nem os pés se devem molhar... Não é o Douro, não.

Marisa Monte/Não é fácil...



aturar as Mizés deste rectângulo pestilento, mas mesmo assim, votos de bom fim de semana com a linda voz de Marisa Monte.

Uma dama "respeitável"...

Observando bem esta imagem, dir-se-ia que espelha o "desespero" da afilhada mal comportada, clamando por socorro à madrinha de ocasião . Parece estar a dizer, "vê lá se nos livras dos sarilhos em que ambas nos metemos".
Escrevi ambas, porque o perfil psicopático de Carolina já não constitui notícia para ninguém, mas o de Maria José Morgado, há medida que o fracassado processo Apito Dourado foi desafinando, tem vindo a revelar-se cada vez mais suspeito para a opinião pública portuense.
De facto, não passa pela cabeça de ninguém minimamente equilibrado, sobretudo com a responsabilidade de uma Procuradora Geral Adjunta, alegar ter falado com uma das principais figuras do processo por razões humanitárias e [pasme-se!] por consideração ao agente *Sérgio Bagulho.
Se fôr para levar a sério tais declarações, passaremos, desde logo, a ter a certeza que todos podemos em qualquer momento, caso uma imprudência circunstancial nos leve à barra do Tribunal, contactar pessoalmente com um alto responsável do Ministério Público, por razões humanitárias! A não ser que as razões humanitárias de Maria José Morgado sejam sulistas, elitistas e muito pouco liberais... Para ser sincero, a mim, é o que me parece que são.
Esta senhora só ainda está em funções e não foi ela própria submetida a um rigoroso inquérito disciplinar por instâncias superiores, porque estamos num país onde as pessoas acreditam que votar é testemunho de sentido de responsabilidade cívica. Que me perdoem os leitores que foram votar, mas eu, reafirmo que não é testemunho de coisa nenhuma! Este país não precisa de eleitores, precisa de uma revolução a sério [ai, o que eu fui dizer]. Alberto João Jardim, estou contigo! Viva a Madeira!
*Ainda que mal pergunte: qual é a diferença entre "consideração" e tráfico de influências? Esta situação é, ou não, discriminatória? É, ou não, altamente condenável?

Germano Silva,uma referência de respeito para o Jornalismo

Numa época em que o nível da classe jornalística se compara por baixo ao da classe política, é da maior importância relevar as raras excepções. É o que todos os portuenses assumidos têm o dever de fazer com este Homem. Grande proissional, grande portuense. O título do JN não podia ser mais feliz: o homem-cidade! É assim mesmo que vejo este jornalista de corpo inteiro.
O Renovar o Porto solidariza-se gratamente com o homenageado e congratula-se com a iniciativa. Poucos como ele a merecem.

01 outubro, 2009

Recordistas do patriotismo

O centralismo está sempre a surpreendernos. Se dúvidas existissem quanto à fragmentação do país e da coesão nacional, caso a regionalização se realizasse, basta passar aqui os olhos pelo jornal centralista "desportivo" Record para as dissipar. A imagem da capa denuncia melhor do que mil palavras o sentimento «patriótico» desta garotada a quem é dada liberdade para fazer e dizer o que quer, sem olhar a meios. O que não fariam se fossem anti-patriotas!
Os nossos "inimigos" espanhóis colocam no El País, jornal de referencia do país vizinho, esta imagem do FCPorto do jogo de ontem. Patriotices.

FCPorto e a Champions League

Luís Freitas Lobo, é um comentador de futebol por quem já tive mais apreço [muito mesmo]. Ao contrário do que é habitual, a experiência, que costuma adicionar aos nossos conhecimentos um "must" de simplicidade e sensatez, não está a surtir esse efeito em LFLobo. E é pena, porque quando começou de mansinho a fazer comentários sobre futebol, vi-o como uma lufada de ar fresco no paupérrimo universo de comentadores do futebol jogado.
Ontem, apesar do futebol trapalhão do FCPorto até aos 72 minutos, LFLobo só tinha elogios para os jogadores do Atlético de Madrid. Parecia que só existia uma equipa em campo. Eram só mimos com adjectivos sublimes para os jogadores do Atlético e da própria equipa. Em relação aos jogadores do FCPorto não lhe consegui ouvir uma só palavra positiva. Eu, não sou comentador desportivo, mas vou dizer o que os meus olhos viram, procurando dentro do limite do possível, ser o mais coerente possível com o que penso de Jesualdo.
Como todos os espectadores se devem ter apercebido, a 1ª. parte do FCPorto, foi um susto. Tomás Costa, foi um susto e o Raul Meireles - a jogar mais à frente - a procurar emitá-lo, com passes desastrados, pouca consistência física e falta de garra na hora de finalizar os passes de bandeja que o esforçado [mas algo anarca] Hulk lhe ofereceu. Foram 72 minutos à Jesualdo.
Como disse em post anterior, considero algo tardias as decisões de Jesualdo. Tivesse ele pensado nas substituições um pouco mais cedo, talvez não houvesse necessidade de deixar os adeptos à beira de um ataque de nervos, sujeitos a sair do Dragão com a segunda derrota na League. Com a saída de Tomás Costa, a entrada de Guarín e o recuo de Meireles [onde é mais produtivo], a equipa parecia outra, que teve a sorte e o talento de marcar o golo da vitória a parcos minutos do fim.
No entanto, e apesar da sofrível 1ª. parte, não vi no Atlético de Madrid o esplendor que Luís Freitas Lobo tão calorosamente descreveu. Tem muito bons jogadores, sim senhor, mas para uma equipa "brilhar", às vezes basta que a outra se deixe ofuscar. Foi, na minha opinião o que aconteceu ontem no Dragão com o FCPorto. Isto, descontando a ausência [por lesões ou castigos] de jogadores-chave, como são Fernando, C. Rodriguez e Varela.
Eu discordo um pouco do lugar comum besta versus bestial de que costumam responsabilizar os adeptos. Ontem, Jesualdo, nem foi uma coisa nem outra. Foi pouco arguto até aos 72 minutos e lúcido quando procedeu às substituições, porque objectivamente, teve bons resultados. E teve a "sorte" de ter tido o contributo precioso de Falcao com um golo soberbo. Isto, foi resultado do talento individual do jogador, não do técnico. Ponto.
Mas, não havia "nexexidade" de arriscar perder a partida permitindo que o FCPorto andasse perdido, aflito mesmo, durante tanto tempo. Repito: para decisões tão in-extremis, é preciso ter sorte.
O melhor jogador durante toda a partida, mesmo durante o pior período de jogo, chama-se Fucile. Os segundos exequo, Falcao eHulk. Por último, todo o sector defensivo.
PS-Descansem os meus amigos dos blogues futebolísticos que não pretendo fazer-lhes concorrência. Este é o tipo de coisas que não pode explicar-se num simples comentário.

30 setembro, 2009

Promiscuidades

Creio piamente no rigor dos escrúpulos de alguns políticos quanto a companhias que podem degenerar em promiscuidade. Um deles, chama-se Rui Rio, que por acaso, sim, por fortuito acaso, chegou a Presidente da Câmara do Porto, e o outro, que até é seu amigo e saltimbanco da política, chama-se Pacheco Pereira, que por acaso, mero acaso também, nasceu no Porto.
Fartámo-nos de os ouvir a ambos "malhar" nos anteriores presidentes da Câmara por darem cobertura às comemorações das vitórias desportivas do melhor clube da cidade e do país em programas que nem sequer eram de vocação desportiva.
Não pestanejam um segundo em usar o serrote da inveja quando se trata de maldizer um clube da sua terra. Na relação inversa, não tugem nem mugem, por verem o Presidente do Benfica, homem sobre o qual recaem graves e omitidas suspeitas de traficâncias, ao lado de José Sócrates em plena campanha eleitoral... O terramoto de hipocrisia que não se provocaria se Pinto da Costa fosse o ilustre acompanhante!
E estou a falar de uma situação ocorrida durante uma reunião política de um partido a que nem sequer pertencem [o PS], o que significa que se fosse com o PSD, seriam até muito capazes de se sentarem ao lado de tão magna companhia...
Não há dúvida. Estas pessoas, estão muito atentas a promiscuidades, o que lhes aumenta os já grandes créditos de isenção de que gozam... Não lhes escapa nada, são mesmo escrupulosos! Eu não duvido, nunca duvidei!

29 setembro, 2009

rescaldo eleitoral visto de Norte

Durante a manhã eleitoral alguns próceres do sistema, jornalistas incluídos, lá fizeram o costumeiro wishful thinking sobre a diminuição da abstenção. No fim do dia, confirmado o aumento substancial desta, também costumeiramente, lá meteram a cabeça na areia e fizeram de conta que nada se passou. Avestruzes que um dia se arriscam a ser decapitadas. Apesar do número de eleitores ter aumentado em mais de 560 mil, o número de votantes diminuiu cerca de 55 mil. E os novos eleitores, ao contrário dos mais velhos, têm mais probabilidades de se manterem vivos nas eleições que se seguem.

Quanto ao resto, expectavelmente, pouco mudou: o Porto e o Norte, apesar dos graves problemas sociais e económicos, passaram totalmente ao lado desta campanha eleitoral; a regionalização, por iniciativa dos partidos do sistema, está definitivamente enterrada por muito que alguns eleitos por esta região façam profissões de fé. O TGV Lisboa – Badajoz com a respectiva ligação ao novo aeroporto lá se fará; para essa tarefa o PS contará com o apoio do BE – sim, não há leninista ou trotskista que se preze que desaproveite uma grande obra pública em Moscovo, perdão… Lisboa. O aeroporto do Porto é que provavelmente continuará sem qualquer ligação ferroviária séria. Entretanto os espanhóis, que não dormem e pensam estrategicamente, encarregar-se-ão de o esvaziar. Mas quem elege um senhor de Lisboa que se notabilizou como promotor de exposições em honra do Benfica, o ex-ministro João de Deus Pinheiro, o António José Seguro, e outros do género, como seus representantes no parlamento também não merece muito.

Talvez algo de positivo possa ter saído desta eleição: o fim político daquela figura anacrónica - também eleita, a contento de Rui Rio, com os votos do Norte – o professor Cavaco Silva. Vamos lá a ver que trunfos tem o senhor presidente na manga para nos mostrar hoje.

Como o sistema eleitoral autárquico permite que cidadãos independentes possam concorrer sem se submeterem a uma estrutura partidária eu votarei. Votarei na doutora Elisa Ferreira, que apoio apesar de algumas divergências.

P.S. – Provou-se que os defensores do voto branco ou nulo como voto de protesto continuam a não compreender a natureza humana; e isso em política não é boa habilitação ;-)

Resultado eleitoral, trampolim para Elisa Ferreira?

Sobre os resultados eleitorais das legislativas, o único ponto positivo que me importa destacar foi a perda da maioria absoluta do PS. Digo do PS, como diria de qualquer outro partido. O poder absoluto, está provado e compravado, corrompe absolutamente.
A maioria absoluta de um partido político só interessa ao próprio, precisamente para fazer o que quer, e como quer, sem qualquer interesse pelas propostas dos partidos da oposição e nenhuma consideração pelos eleitores [por isso não votei].
Sempre que tal acontece, o Governo que dessas maiorias se constitui, tende para governar com prepotência e para «progredir» em autismo social. A economia, estamos cansados de saber, é a varinha mágica para a cura de todas as maleitas. Nesse capítulo, PS, PSD e CDS, são absolutamente iguais. Só conhecem essa arma/argumento que resvala invariavelmente para uma simples equação: muito mais para uns poucos, e demasiado pouco para uma maioria. Daqui, não saem. A mola "estratégica" da economia é sectária, cega, desumana, e numa grande parte das vezes nada meritocrática.
De modo que, exposto sem complexos o meu cepticismo pela partidocracia, a minha esperança reside no indivíduo, uma vez que os interesses de um colectivo difuso de carreiristas não têm qualquer relação com os interesses colectivos das populações. E a minha esperança individual chama-se Elisa Ferreira. Gostaria que, apesar da perda da maioria do PS e, sobretudo da derrota humilhante do PSD, estes resultados beneficiassem a candidata pelo partido socialista e arrumassem de vez com Rui Rio da Câmara do Porto onde só semeou rancor.
Contradição? Não me custa admitir alguma, mas não deixo de lembrar que foi num mandato do PS que o melhor Presidente da Câmara do Porto que conheci até hoje, Fernando Gomes, conseguiu algumas benfeitorias para a cidade. Bateu o pé ao Governo e a par de Vieira de Carvalho - que nem sequer era socialista - conseguiu fazer sair da gaveta o projecto do Metro do Porto, tornando-o numa realidade, e avançou [neste caso mais o Fernando Gomes] com a concretização do Parque da Cidade, onde agora se discute muito a construção de edifícios, mas se deixou pacificamente atapetar de asfalto uma longa e inestética pista de aviões para a *Red Bull Race...
*Ressalva: Eu gosto das corridas Red Bull

28 setembro, 2009

Sonhos de uma noite de outono (II)

Gostei do resultado das eleições. Não porque o partido A subiu ou o partido B desceu, ou o partido tal teve mais ou menos votos do que há quatro anos. Gostei porque acabou a maioria absoluta. Os partidos políticos portugueses não resistem à tentação de se comportarem como autênticos ditadores, sem respeito pelas outras forças políticas. Problema de Sócrates e do PS? Não creio, penso que qualquer partido teria o mesmo comportamento. As maiorias absolutas só funcionam com povos que tenham a cultura democrática bem entranhada nos seus genes, o que não é manifestamente o caso de Portugal.

Virá um novo governo com uma diferente política a que o PS será obrigado por não poder governar sozinho. Faço alguns votos piedosos.

Que a Educação trabalhe mais para a real educação dos alunos, e menos para as estatísticas internacionais. Que o(a) novo(a) ministro(a) seja mais sensato(a) do que a actual e que consiga escapar à influência negativa dos técnicos do "eduquês" que há muito se entranharam no seio do Ministério.

Que o Ministério da Justiça consiga concitar os consensos necessários para transformar a nossa vergonhosa Justiça. Que se revejam as leis referentes à repressão da criminalidade - pequena ou grande - no sentido de tornar as nossas ruas mais seguras.

Que o Ministério das Obras Públicas tenha um titular menos "aluado" do que o actual.

Que o Ministério da Agricultura não deixe caducar a atribuição aos agricultores portugueses de dezenas de milhões de Euros provenientes de Bruxelas.

Gostaria também que os partidos políticos e seus eleitos aproveitassem a ocasião para dar uma varredela às teias de aranha que enchem a nossa Constituição.

Last but not the least, gostaria de ver finalmente desatados todos os nós que atam a regionalização.

Como é fácil sonhar...

Para quê tudo isto?

Clicar na imagem para ampliar


Nota
Recorte do artigo da autoria de Manuel António Pina extraído do JN de hoje

27 setembro, 2009

Humildade não!

No futebol - como em outras actividades - abundam os chamados lugares-comuns. Um dos que mais me intriga consta dos discursos da maior parte dos treinadores portugueses: HUMILDADE. " O nosso segredo é humildade", ou então " ganhámos porque abordámos o jogo com humildade", ou ainda " faltou-nos a humildade necessária". Uma consulta ao dicionário é esclarecedora.

HUMILDADE - virtude que consiste no sentimento da própria inferioridade ou fraqueza; modéstia; submissão; condição baixa; inferioridade social; pobreza; obscuridade.

Portanto o discurso da humildade é o discurso errado. Penso que, pelo contrário, aquilo de que os jogadores precisam é de orgulho, de sentimento de superioridade, da ambição suficiente para dar a volta a situações adversas, embora sempre no total respeito pela dignidade dos seus adversários. Esse respeito não é humildade e não se fazem campeões com espirito humilde.

Vem isto a propósito ou despropósito do jogo de ontem do FCPorto. Penso que já há muito tempo a condição anímica da equipa não é a melhor. Há alguns anos atrás via-se jogar uma equipa que transpirava confiança em si, que se porventura sofresse o primeiro golo do jogo, não se enervava, tranquilamente e com determinação ia à luta e normalmente dava a volta ao resultado. E se estava a ganhar, queria sempre marcar mais um tento.

Estas coisas são subjectivas e portanto admito que possa estar errado, mas parece-me que com o actual treinador, temos uma equipa receosa e com deficiente vitalidade anímica, com pouca confiança na sua capacidade.

Nos blogues portistas e respectivos comentários, apreciam-se sobretudo os aspectos técnicos dos jogos e da equipa, que são claramente factores importantes. Aprecio muito a sua leitura, são esclarecedores e ajudam-me a compreender melhor o jogo. Mas parece-me que nesses comentários é pouco focada a importância dos aspectos psicológicos. Afinal de contas, os jogadores não são autómatos, são seres humanos com motivações e desmotivações. Fico com a impressão que Jesualdo Ferreira, se porventura se ocupa deste aspecto, não consegue passar a mensagem. A culpa só pode ser dele, mas as consequências caem sobre todos.

Como adepto do FCPorto quero voltar a ter uma equipa de onze indomáveis e confiantes guerreiros, e não um conjunto de jogadores com atitudes receosas, que quando se apanham a ganhar por 1-0 se remetem à defesa, e que mesmo contra dez adversários são incapazes de controlar o jogo. Humildade, não!

Ainda sobre a abstenção...

vale a pena ler o que aqui está descrito. Só para desmistificar certas verdades subtilmente mitificadas. Quem quiser, faça o favor de se servir. É de borla.

Outras perspectivas sobre a abstenção

Abstenção
Do latim abstinere, abster, suprimir, privar-se de, evitar. A expressão começa por ser apenas usada no direito privado, como renúncia ou não-exercício de um direito ou obrigação, nomeadamente a uma herança. Passa depois para a linguagem política, querendo significar a renúncia ao exercício de direitos políticos, nomeadamente o facto de um eleitor não ir à s urnas. Segundo a tese de Alain Lancelot, os abstencionistas exercem quase sempre papéis sociais subordinados, indivíduos mal integrados, correndo-se o risco das eleições se transformarem num debate entre privilegiados. O abstencionismo é, assim, a não participação no sufrágio ou em actividades políticas, equivalendo a apatia ou indiferença.
*Para além do abstencionismo eleitoral resultante de uma má inserção social, há também um abstencionismo de pessoas interessadas na política, informadas e atentas, mas que recusam escolher nas condições da oferta eleitoral que lhe apresentam, dado que o leque dos candidatos não lhe permitem a possibilidade de expressão adequada das respectivas preferências. Os abstencionistas não constituem assim uma população à parte e não coincidem com a cidadania passiva, havendo constantes trocas de informação entre votantes e abstencionistas.

Ver: Alain Lancelot e Jean Meynaud, L’Abstentionnisme Électoral en France, Paris, Librairie Armand Colin, 1968. · F. Subileau e M.-F. Toinet, Les Chemins de l’Abstention. Une Comparaison Franco-Américaine, Paris, Éditions La Découverte, 1993.


© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-10-2008
* o itálico é meu

Futebol

Ontem, o FCPorto ganhou ao Sporting mas, mais uma vez, apesar da vitória os adeptos portistas saíram decepcionados com a exibição da equipa.
Durou cerca de meia hora o melhor futebol produzido pelos dragões, sendo que os primeiros 10 minutos prometeram muito mais do que aquilo que acabou por acontecer. O penalti bem assinalado pelo árbitro e melhor defendido por Rui Patrício, ou mal marcado por Falcão [como queiram], foi o ponto de partida para uma exibição frouxa e insegura da nossa equipa.
É sempre uma grande consolação chegarmos ao fim do campeonato com o troféu nas mãos e sentirmos o dever de gratidão para com o técnico, mas nem por isso somos obrigados a reconhecer qualidade nos espectáculos a que assistimos quando, como ontem, ficamos sempre com a sensação de quem acabou de contemplar uma obra inacabada.
O campeonato ainda vai no início, mas esta sensação de "que falta de algo mais" na equipa do FCP foi também sentida muitas jornadas na época transacta e durou quase até ao fim. Os adeptos podem não ter sempre razão, algumas vezes ser até injustos com o treinador, mas apreciando o futebol de qualidade, têm todo o direito de o criticar, porque não são seres acéfalos e pagam bilhete ou quotas. Portanto, deixemo-nos de proteccionismos excessivos, quando achamos que devemos criticar.
Há jogadores no FCorto, muito apreciados por alguns adeptos e críticos, dos quais, nunca fui grande fã, mesmo quando estão em forma. É o caso de Raul Meireles. O ano passado vi-o fazer bons passes de longa distância, alternados com maus de curta. Este ano, nem uma coisa nem outra. Falha passes a pouco mais de 2 metros, e o pior é que coloca a bola nos pés dos adversários... É inacreditável. Tem um remate relativamente forte, mas tecnicamente não tira disso partido, porque na maioria dos casos chuta para as nuvens ou muito ao lado da baliza, talvez por estar demasiado preocupado em levar as mãos à cabeça a seguir.
Em suma, para lhe reconhecer as qualidades que tem, teria de ser mais regular. Devia passar melhor mais vezes, do que falhar, e acertar mais vezes na baliza do que errar. É este o prisma pelo qual aprecio um jogador, independentemente das qualidades técnicas e individuais que possa ter. E não devo estar só nessa apreciação. A prova? Chama-se Lisandro Lopes, um jogador que foi evoluindo desde que chegou ao FCPorto, esforçado, concentrado, a quem se toleravam os [poucos] dias menos bons, porque era humano. Nunca critiquei Lisandro!
Quanto ao Jesualdo, continuo convencido que é vítima das suas ideias tácticas, não obstante, até ao momento, lhe tenham rendido juros. Há movimentos de transição defesa/ataque que estão muito perros e algo lentos conjunturalmente, notando-se nos jogadores alguma confusão nas linhas de desmarcação acontecendo chocarem entre si algumas vezes, ou então, interromperem-nos bruscamente com paragens quando é recomendado prosseguir em direcção à baliza ou passá-la ao colega melhor colocado.
Tenho alguma dificuldade em atribuir "culpas" aos jogadores, porque tecnicamente há alguns com muita qualidade a quem vi fazer coisas fantásticas na pré-época e que não enganam ninguém. Belluchi é um deles. Valeri, não estará ainda bem entrosado com o n/ futebol, mas parece-me melhor que o Raul Meireles. Falta-lhe tempo de jogo.
Depois, há um detalhe fundamental nesta equipa que me parece que já devia ter merecido uma atenção especial pela parte do treinador que é a questão do remate. Está a rematar-se muito mal. O Fucile que é um bom jogador, sendo lateral podia chutar muito melhor. Em Portugal parece que os laterais não sabem fazer golos. Por que será? Quando chutam, raramente acertam com a baliza. Já pensaram no potencial desperdiçado? Só porque um jogador é defesa, não deve ser intensivamente treinado também no exercício do remate? Vejam o Bruno Alves! É o único que o faz e ninguém me tira a ideia de que o mérito é exclusivamente dele.
Ou seja, se há jogadores com mais jeito natural para rematar do que outros, os menos habilidosos não deviam merecer treino específico para melhorar as performances nesse aspecto? Isto faz mais sentido ainda sabendo nós que os clubes portugueses não têm capital para comprar jogadores já feitos, completos. Se Jesualdo pede tempo para "construir" a equipa e os jogadores, estaremos nós a notar alguma evolução concreta neste capítulo?
Enfim, gostei do resultado, mas como adepto de bom futebol, fiquei desconsolado.
PS-Antes que alguém apresente casos pontuais só para me contrariar, ressalvo que as minhas observações são bem explícitas. Refiro-me a rotinas estabelecidas, não a um ou outro golo fortuito, marcado pelos laterais e pelo próprio Raul Meireles...

26 setembro, 2009

Keith Jarrett-Concerto a solo



Para ajudar a reflectir...

Reflexão

Como hoje é dia de reflexão e [ainda] não me é proibido partilhar os meus pensamentos, tenho estado a reflectir como seria importante para a Democracia poder votar para demitir de funções governativas alguns políticos que conheço [e são tantos!]...

25 setembro, 2009

Incompetências...

Um gestor incompetente que chega de novo a uma empresa e que não tem ideia nenhuma sobre o que há de fazer, mas querendo disfarçar a sua incompetência e dar-se ares de grande reformador cheio de ideias inovadoras, adopta normalmente a solução clássica. Consiste ela em "baralhar" tudo. Muda o organigrama, altera as designações dos departamentos, muda a localização física dos diferentes sectores. Em suma, cria o caos na empresa e não melhora em nada o seu funcionamento, dado que mudou apenas por mudar, para mostrar serviço aos seus patrões.

Recordo-me deste tipo de situações quando vejo novas designações de organismos oficiais, criadas pelos incompetentes governantes - a vários níveis - que pretendem dirigir este país. Alguns exemplos.

- Subsídio de Inserção Social. Era chamado Rendimento Mínimo Garantido. Alguém vê alguma vantagem na mudança, a não ser enviar para o lixo todo papel timbrado que existia com a designação, juntamente com o software existente?

- Instituto dos Museus e da Conservação. Conservação de quê? Se é dos museus, não era preciso enfatizá-lo.

- Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. A biodiversidade não é Natureza?

- Instituto da Mobilidade e dos Transportes. Os transportes não dizem respeito à mobilidade?

- Quadro de Referência Estratégico Nacional ( o célebre QREN). Esta designação tão comprida e rebuscada, descreve porventura aquilo de que se trata, ou é um pretenciosismo irrelevante?

- Estrutura de Missão do Douro. Qual missão? E porquê "estrutura"?

Haveria mais, a começar por uma Direcção-Geral que trata da Energia e da Geologia(!), ou pelos exames nacionais do ensino secundário, onde na mesma prova se examina sobre Biologia e sobre Geologia, matérias que devem ter profundas afinidades que escapam aos leigos do "eduquês".

Incompetência e pesporrência, na minha opinião, não vejo outra causa.

A sapiência de um "animal político"...

«Sempre fui contra a Regionalização, porque não vai em nada beneficiar o país. É uma opinião pessoal e toda a gente conhece a minha posição sobre o assunto. Não é por causa de uma eleição que a vou mudar».
Estas palavras foram proferidas pelo monstro sagrado da imprensa nacional, Sua Exa. o Dr. Mário Soares, na cerimónia dedicada ao empresário do Norte Luís Portela, da Bial, e extraídas do semanário Grande Porto. Ora aqui está outro exemplar do visionário político.
O Dr. Mário Soares, tem um ar bonacheirão e de pessoa bondosa, mas já tem idade para perceber que há quem não se contente com as aparências e quem goze de boa memória. Começou por se enganar na nomenclatura do partido que ajudou a fundar, chamando-lhe socialista, coisa que verdadeiramente nunca foi. Primeiro logro. Depois, afundou-se nas contradições doutrinárias desse mesmo partido e nas suas. Pertence a uma casta de políticos que têm de si mesmo uma ideia de valor sobredimensionada. Um confortável sofá numa sala recheada de livros e os óculos a penderem-lhe do nariz são o cenário perfeito para representar o papel de grande estadista mas não chega para convencer alguns [como eu] que tudo o que diz faz lei.
Teria muito mais utilidade, se em lugar de se afirmar anti-regionalista fosse capaz de explicar como é que o Centralismo quase despótico praticado pelo seu partido [e pelo PSD/CDS], é forma de unificar um país e distribuir a riqueza nacional quando os resultados provam rigorosamente o contrário.
Mas, mais do que explicar, seria importante que fundamentasse alguma razão prestável para continuarmos a acreditar na descentralização que foi sempre prometida e nunca concretizada. Já lá vão 35 anos, sr. Mário Soares! Não lhe estou a falar de maturidade democrática porque isso daria pano para mangas, falo-lhe tão só de descentralização! Será capaz de nos informar quantas mais dezenas de anos [já vai para a 3ª], é que "nós" teremos de esperar até que os senhores políticos, classe à qual V. Exa. se orgulha de pertencer, se disponham a ser sérios e a respeitar os eleitores?
Pensando bem, depois de rebobinado o filme da história da sua actividade política, das suas amplas contradições, sou até capaz de acreditar na eventualidade de V. Exa. se ter constituído num péssimo exemplo para a actual classe política e para a boa saúde da própria democracia...

24 setembro, 2009

Primeiro o respeito, depois a Democracia

Não vou votar. Sim, é justamente isso que tenciono fazer. Eu não vou votar. E digo isto sem falsa valentia, mas com um sentimento misto de decepção e respeito. De decepção, por me sentir compelido a afastar-me de um direito democrático importante como devia ser o acto de votar, por não confiar na classe política. De respeito, por ter o prazer solitário, mas firme, de confiar mais em mim próprio, do que naqueles que se candidatam e recandidatam a «governar» o país. Desculpem a aparente arrogância, mas eu sou muito mais respeitável que todos estes actos eleitorais. E por quê?
Bem, primeiro porque nunca me candidatei a nenhum lugar público para fazer promessas ao povo sem, sistematicamente, as cumprir. Segundo, e por inerência da razão anterior, por não repetir o logro, como costumam fazer os políticos. E terceiro porque como cidadão do Porto me sinto duplamente traído.
O desprezo que estes velhacos têm dedicado ao Porto, incluindo alguns desta mui nobre cidade, é talvez a maior das razões. Por isso, agora é a minha vez de os desprezar a eles. Serei só eu? Talvez. Agora, já imagiaram qual seria o futuro destes incapazes se todos fizessem o mesmo? Estariam talvez numa empresazita à altura da sua mediocridade a lutar pela vida, com as habilidades que usam na política. No Governo é que nunca teriam lugar.
Mas, há cordeiros, ou gente com excesso de boa fé, ou simples bondade [para não lhe chamar outra coisa, nem ofender ninguém], que apesar de estar a ser tratada como cidadãos de nível inferior, continua disposta a dignificar uma democracia sem dignidade nenhuma. Recorda-me, o medo do pecado que os padres antigamente inculcavam na mente dos crentes, quando alguém ousava raciocinar pela sua própria cabeça, ou apenas contestava a existência de Deus. Hoje, com a política, há muita gente que vai votar por votar, ou porque ainda sentem o zumbido no ouvido dos banhas da cobra a estigmatizar o direito de abstenção.
O voto em branco, é um voto idiota, serve para uma contabilidade inútil e é um acto de subserviência para com um Estado que não merece o respeito dos cidadãos. E eu, tenho o terrível hábito de só respeitar quem me respeita a mim. Que hei-de fazer...

Atractividade desperdiçada

Num país uno e coeso [como os teóricos da política gostam de dizer], aos resultados deste estudo devia corresponder uma atenção acrescida para com o Porto e toda a região Norte.
Num país de governantes inaptos, e anti-patriotas, faz-se exactamente o contrário: centraliza-se tudo em Lisboa para dividir.
Isto, é o que fazem os teóricos da União Nacional... Queria dizer, unidade nacional, desculpem-me a confusão...













Clicar sobre a imagem para ampliar

23 setembro, 2009

Economia trapalhona

É a isto que os panegiristas de Rui Rio chamam de rigor e boa economia?

Castas

JORGE MAIA

Há quem goste de separar os jornalistas em castas, mantendo os que trabalham em jornais desportivos afastados dos restantes, assim como se fossem "intocáveis", para não lhes macular a superioridade ética e a firmeza deontológica que lhes sustenta o ar grave e afectado com que desdenham o jornalismo que se faz por aqui. Ora, todo este lamentável caso das alegadas escutas em Belém, mais as respectivas notícias alegadamente encomendadas e devidamente plantadas tiveram o condão de quebrar o feitiço, revelando aquilo que, deste lado, sempre soubemos: a seriedade do jornalismo e dos jornalistas não depende do carimbo que lhes colam. Claro que os jornalistas ditos desportivos não falam com assessores do Presidente da República, mas, bem vistas as coisas, talvez seja melhor assim. Quer para os jornalistas desportivos, que evitam passar vergonhas; quer para os assessores do Presidente da República, que se lidassem com jornalistas desportivos talvez ainda o fossem.


Nota:

Transcrição de um artigo publicado no jornal O Jogo de hoje. Digam lá, se não tenho razão, quando recomendo uma purga urgente para esta classe . É um jornalista a falar de outros. Ele tem razão, mas não chega, é preciso separar o trigo do joio e afastar as más companhias...

Mitos que a história tece

Para surpresa de muitos, e para esvaziarem as dúvidas sobre as ficções criadas por alguns historiadores, seria interessante ler o que Camilo Castelo Branco escreveu sobre o mito chamado Marquês de Pombal. Entre outros "galanteios", Camilo dizia de Pombal o seguinte:
«Foi um espancador distinto e um estremado trocista. A sua mocidade agitou-se em tempestades que hoje chamaríamos canalhas e a polícia castigaria a espadeiradas. O seu intelecto não era acessível às ideias de Liberdade mental e política.»
Sobre o seu papel, no terramoto de 1755 que tão heroicamente a história tem propagado, Camilo escreveu isto:
«Pretendem convencer-nos de que sem Sebastião de Carvalho e Melo, a terça parte de Lisboa arrasada pelas convulsões e pelo incêndio, nunca mais se levantaria. Não fugiu de Lisboa? Nenhum dos seu colegas fugiu. De resto, ele ficou-se sentado, de luneta no olho a dar ordens, enquanto os frades e demais padres andavam pelos escombros procurando salvar os feridos e sepultar os mortos enquanto os fidalgos como D. João de Bragança Lafões e os filhos bastardos de D. João V recolhiam nos seu palácios e jardins centenas e até milhares de desgraçados, albergando-os e alimentando-os à sua custa, durante meses, coisa que ele não fez, pois não albergou nem alimentou ninguém no seu Palácio».
Só transcrevi estes trechos de Camilo sobre a figura do Marquês [havia imensos], para dar uma pequeno exemplo de como os historiadores, quando querem, subvertem o rumo dos acontecimentos e transformam um crápula num herói nacional. Isto para lembrar que neste momento preciso está a acontecer história que daqui a uns anos será também seguramente desvirtuada.
Foi essa trafulhice histórica que fez de Francisco Sá Carneiro um mito. Estivesse hoje ele vivo, presumivelmente, ou já nos teria decepcionado, ou já tinha sido silenciado pelos malandros do regime.
Com Mário Soares, apesar de algumas intervenções importantes na vida nacional, nomeadamente no contributo que deu à nossa integração europeia, vai acontecer o mesmo. Vão dizer dele muito mais do que aquilo que vale. Enquanto político e governador, foi o que se viu... Já há até alguns jornalistas a tratá-lo por "dinossauro", por "animal político", seja lá o que isso for na mente ficcionista desses analistas.
Estou farto desta política, deste folclore de fingidores com o qual nos "obrigam" a viver. Os debates, são meras discussões, simples manifestações de invejas e ambições pessoais. Nada do que dizem tem substância, nada é verdadeiramente sério. Já nem vontade tenho para os criticar. São simples animais, tenho de me conformar a deixá-los viver. Coitados.