28 setembro, 2012

Visca Catalunya lliure




No sábado, primeiro dia de dezembro de 1640, quarenta fidalgos levaram a cabo um bem sucedido golpe palaciano, defenestrando Miguel de Vasconcelos, o representante em Lisboa do governo de Madrid, chefiado pelo conde-duque de Olivares, e aclamando rei D. João duque de Bragança.

Esta versão resumida da Restauração tem, de acordo com os historiadores, uma pequena incorreção (os conjurados seriam 107, não apenas 40), mas todos eles sublinham que o sucesso do golpe se ficou a dever ao facto de na primavera desse ano de 1640 ter rebentado uma rebelião da Catalunha, cujo esmagamento os conselheiros de Filipe IV consideraram prioritário sobre uma intervenção em Portugal.

Ou seja, se não fossem os catalães, muito provavelmente Portugal seria agora mais uma das autonomias de Espanha, tal como a Galiza ou o País Basco, em tensão permanente com o centralismo castelhano.

Apesar de não ter a certeza de que estejamos melhor a ser explorados por Lisboa em vez de por Madrid, sempre senti uma enorme simpatia pelos catalães que involuntariamente favoreceram a nossa libertação. Torço pelo Barça, que é o meu segundo clube. O Viatge a Itaca, de Lluis Llach, está no meu top ten dos melhores álbuns de sempre. Sou viciado nos policiais de Vásquez Montalbán. E, sim, Madrid é uma bela cidade, mas Barcelona, bem Barcelona é outra coisa.

Fartos de Madrid, os catalães iniciaram o caminho que os levará à independência. Faz sentido porque a Catalunha é uma nação, com cultura e língua próprias. Faz sentido, porque tudo leva a crer que a maioria dos seus habitantes querem ser independentes. Faz sentido porque os ventos da História sopram na direção de uma Europa federal e multipolar.

Para sobreviverem, as empresas souberam adaptar-se à mudança, substituindo o modelo de governo centralizado, vertical e fortemente hierarquizado - fonte de desperdício de recursos e pai de muitas decisões erradas - por outro concêntrico, mais eficaz e onde o poder está distribuído (empowerment).

Para sobreviverem, os aparelhos de Estado têm de imitar as empresas, o que implica a destruição de estados artificiais (como o espanhol) e pôr em marcha um processo irreversível que combine federalismo e desconcentração de poder.

A Noruega tornou-se independente da Suécia. A Eslováquia separou-se da República Checa. A Jugoslávia explodiu, dando lugar a Eslovénia, Croácia, Sérvia, etc.. É um erro estúpido pensar que o mapa da Europa é um desenho acabado.

A Catalunha quer e vai ser independente. Será o rastilho do fim do Estado espanhol tal como o conhecemos. A seguir será a vez dos bascos se emanciparem de Madrid . Depois, talvez os galegos. Todos os povos peninsulares ganharão com uma Ibéria multipolar. É nesta direção que sopram os ventos da História, Visca Catalunya lliure! (Viva a Catalunha livre!)

[do JN]

Pinto da Costa iniciou comemorações do 119.º aniversário do F.C. Porto



(Em atualização) O F.C. Porto iniciou, esta sexta-feira, as comemorações do 119.º aniversário com o hastear da bandeira no Estádio do Dragão, numa cerimónia marcada pelo reaparecimento público de Pinto da Costa, que recupera de uma intervenção cardiovascular.

Pinto da Costa iniciou comemorações do 119.º aniversário do F.C. Porto


                                 Pinto da Costa em público após operação a 4 de setembro
A sessão foi ainda marcada por uma homenagem aos atletas, dirigentes e associados do F.C. Porto já falecidos, com o depositar de flores nos monumentos erigidos em memória de Pavão e Rui Filipe.

A cerimónia dos "dragões", e já depois de Pinto da Costa ter hasteado a bandeira do F.C. Porto ao som do hino do clube, contou ainda com a atuação extraprograma de um adepto cuspidor de fogo.

Durante o fim de semana, numa iniciativa integrada no programa de aniversário, o Estádio do Dragão estará aberto a visitas, com 119 dos troféus conquistados pelo clube colocados ao longo do percurso.

Ainda a pensar nos adeptos "azuis e brancos", as lojas do F.C. Porto também estão em festa com promoções especiais até domingo, nomeadamente a oferta de estampagens a quem comprar camisolas.

O presidente do F.C. Porto foi submetido a uma intervenção cardiovascular a 4 de setembro, anteriormente planeada, no Hospital de S. João, no Porto.

[Extraído do JN]

27 setembro, 2012

Depuração política, precisa-se!

 Rui Gomes da Selva
Como diria Lucky Luke, para alguém se tornar num político medíocre, só precisa de ter "a manha da da raposa e a astúcia do coiote", tudo o resto, pode esperar. Quando falo de resto, falo de coisas às quais a maioria dos políticos não liga patavina [como  honra, coerência, respeito e competência], porque, com está bom de ver, não são esses os valores que lhes incutem nos partidos para poderem singrar na carreira. E nem precisam de os ler numa cartilha, basta o contágio com os mais antigos, e... intuir.

Se aprendi a ter esta concepção dos políticos devo-a, apenas e só, a eles, os políticos, porque, este saber não se instalou em mim abruptamente. Começou por volta de 1974, com o advento daquilo que pensava ser uma Democracia e me levou a imaginar o futuro de Portugal como o presente dos países nórdicos. Aos poucos, essa percepção foi crescendo, governo após governo, e amadurecendo durante quase quatro décadas, adensada  pela saturação de promessas não cumpridas, de programas repetidamente falhados, de mentiras repetidas [e consentidas],  de crimes sem castigo, até chegarmos aos dias de hoje, onde a miséria e o baixo nível de vida continua a ser o habitat natural do povo, e a corrupção o abc dos governantes. Exactamente, a corrupção. E creio que o simples facto de haver uma Procuradora Adjunta que não a reconhece e até a refuta, é uma confirmação do autismo a que também chegou o nosso sistema judicial e do alheamento que continua a ter da realidade.

Seria impossível para mim manter-me engajado num partido-político [atenção, não estou a falar de clubes nocturnos!] e ter como companheiros figuras como o da foto sem me sentir envergonhado. Só de imaginar que me podiam confundir com ele era razão suficiente para me afastar do partido. Do dele, ou de qualquer outro que abrigasse no seu seio gente tão mal formada como ele. Já sei o que alguns dos que se sentem atingidos estarão a pensar. Deve ser qualquer coisa do género: "será que tu nunca conheceste ninguém assim no teu lugar de trabalho e também te despediste?"

O que se me oferece dizer é apenas isto: para ser sincero, não me lembro de ter conhecido ninguém tão abjecto como o exemplificado, mas conheci uns pulhazitos, é inevitável. Sucede que, o local onde trabalhámos não nos pertence, é propriedade de outrem a quem compete seleccionar o perfil dos colaboradores de que precisa. Além disso, a partir do momento em que o trabalho termina não somos mais obrigados a partilhar o espaço físico com essa gente, e podemos depurár-nos no regresso a casa.

Só que um partido político não pode, nem deve, ser comparável com uma empresa*. Um partido é uma instituição democrática com pretensões governativas, com deveres específicos, sendo o saber rodear-se dos melhores elementos talvez dos mais relevantes, até porque passam a ser figuras públicas.

Não sendo assim, mais grave do que deixar cair a máscara, é provar inexoravelmente ao povo que a original mancha de vergonha toda a classe política. Como é o caso.

* Com ligeiras nuances, o grau de elevação exigível aos políticos governantes [e não só], aplica-se também às empresas públicas [como a RTP].

Políticos inspiram anedotário do futebol

26 setembro, 2012

Adoro o Porto!


Há muito tempo que não ouvia tanta gente a dizer-me que adora o Porto, como nestes últimos dias do mês de setembro. Para quem já descobriu que o Porto é adorável há mais de cinquenta anos, saber que existem hoje tantos adoradores da cidade e da Região no resto de Portugal e no resto do Mundo não é uma enorme surpresa, mas é uma excelente notícia.


Logo agora que tanto andamos a precisar delas porque, ou eu me engano muito, ou o que vem aí em vez da queda da TSU caída em desgraça, são outra vez notícias muito más para os bolsos e as bolsas dos contribuintes portugueses.

Começando a ronda das boas notícias pelo nosso querido Portugal, há que dizer "ab initio" que as notícias são boas para o Porto, mas emanam de maldades sentidas noutros pontos do território, "maxime" Lisboa. De uma forma indireta já tinha dado por ela em outras conversas com outra gente, mas o diretor-geral do Porto Canal, o meu amigo e portuense indefetível Júlio Magalhães, confirmou-me um destes dias que nunca teve tanta gente a pedir-lhe emprego ou, pelo menos, trabalho.

Isto dito assim não parece nada de extraordinário na conjuntura atual, mas tenho de explicar aos leitores que aquilo de que o Júlio fala é de colegas seus da Comunicação Social de Lisboa que querem vir trabalhar para o Porto. Assim consigam arranjar uma porta aberta.

Tratando-se de gente que foi dispensada ou despedida recentemente da Imprensa, das televisões ou das revistas, já surpreende alguma coisa este súbito desejo de rumar ao Porto, mas ainda não pode ser considerado extraordinário, extraordinário.

O que realmente é mesmo extraordinário é que esta paixão de querer ver o Porto quando se vem de Gaia e se atravessa o rio (podendo fazê-lo facilmente todos os dias) é hoje partilhada por um vasto número de pessoas que estão ainda ao serviço de vários órgãos de Comunicação Social da capital. O que até há pouco tempo era considerado quase como um paraíso na terra e o que mais havia era jornalistas do Norte a quererem emigrar para Lisboa.

Dir-me-ão os mais céticos ou mais pessimistas que se trata de gente que prevê a borrasca e quer antecipar-se a um eventual despedimento. Até posso admitir alguma verdade nisto, mas por um lado não vejo por que razão a "borrasca" nesses meios se ficaria apenas por Lisboa, e por outro, aquilo que o meu amigo me contou tem outra substância. Muitas das pessoas com quem ele tem falado estão fartas do tipo de vida que levam na capital, tanto em termos profissionais como em termos pessoais e sociais. Falam de querer viver num meio mais convivial e mais autêntico, dizem maravilhas da noite do Porto, da sua gastronomia e, acima de tudo, das suas pessoas. Da sua maneira de ser e estar.

Deixemos de ser hipócritas ou distraídos! Para quem se alimenta ou vive dos corredores do Poder, Lisboa continua a ser insubstituível. Pelo menos até ao dia em que nos decidirmos a seguir os caminhos mais recentes da Catalunha. Para quem desenvolve a sua vida fora deste círculo privilegiado tem muito mais qualidade de vida na região do Porto do que na capital e concelhos limítrofes. Sobretudo agora que as diferenças climáticas já não são tão significativas como eram.

Mas chamo a vossa particular atenção para quem tem dito que adora o Porto e não vive cá. Ou nunca cá tinha vindo. Estes relatos tenho-os eu em primeira mão, ao vivo. Começou ontem e estende-se até quinta-feira uma Convenção Mundial Têxtil (do IAF, International Apparel Federation) que reúne quase duzentos líderes e agentes do setor, vindos de 4 continentes.

Gente importante e com bom gosto tradicional que veio da Austrália, Japão, Paquistão, Canadá, Estados Unidos, México, Colômbia, China, Rússia e também de outros países europeus para um encontro mundial que nunca se tinha feito em Portugal e que há cinco anos que não era feito na Europa. O Porto foi a cidade sugerida pela ATP, mas foi escrutinada ao longo de várias visitas dos responsáveis internacionais pela organização destas Convenções. Por muitas e boas razões foi a cidade escolhida e de toda a gente temos ouvido louvores à escolha. Não se cansando de afirmar que estão a adorar o Porto.

Simultaneamente abre hoje no edifício da Alfândega a edição 40 do Modtissimo, que também vai bater o recorde de compradores estrangeiros já confirmados, num trabalho que é preciso agradecer ao AICEP e às suas delegações no estrangeiro, aos expositores do salão, mas também à cidade e região do Porto, que é cada vez mais adorável para combinar negócios com outros prazeres.

Ter tido a felicidade de poder ter adorado o Porto mesmo sem ter de o vir conhecer é uma graça que já ninguém será capaz de me roubar.

25 setembro, 2012

Dirigente da Fed duvida da eficácia da austeridade na Europa

 
Um dos dirigentes da Reserva Federal dos Estados Unidos (o seu banco central, conhecido por “Fed”), John Williams, considerou esta segunda-feira que os planos de austeridade exigidos a certos Estados da zona euro se arriscam a “travar” o crescimento económico e a complicar ainda mais a redução dos défices públicos.

“As autoridades europeias tomaram medidas importantes para conter a crise”, disse o presidente da Reserva Federal de São Francisco num discurso nesta cidade da Califórnia, saudando especificamente o novo programa de compra de obrigações anunciado no início de Setembro pelo Banco Central Europeu (BCE).

“Esse plano pode dar tempo aos governos europeus para porem em prática soluções mais globais para o sistema bancário e a sua dívida”, explicou. “Mas estamos longe de ter assegurado que os governos conseguirão fazê-lo, acrescentou, inquieto com o impacto da “onda de choque” da crise nos EUA.

Para beneficiarem da ajuda do BCE, os Estados da zona euro deverão pedir previamente apoio ao fundo europeu de estabilidade. Mas, alerta John Williams, em troca ser-lhes-á exigida “a aplicação de planos de austeridade”, incluindo aumentos de impostos e cortes na despesa pública.

Este dirigente da Fed considera que estas medidas são necessárias a longo prazo para colocar o orçamento desses governos numa “rota de viabilidade”, num momento em que vários estariam, segundo ele, “ameaçados” de terem de incumprir o reembolso da sua dívida. Mas diz também que os efeitos imediatos serão nefastos para a economia desses países.

“A curto prazo, a austeridade travou ainda mais o crescimento, prolongou o recuo da actividade económica e complicou ainda mais a redução dos défices”, observou Williams.

[do Público]

21 setembro, 2012

Cenas dos próximos capítulos

Caia ou não caia o Governo, é uma questão de tempo, novas - e pouco promissoras - eleições se desfilam neste cinzento horizonte português. A menos que, entretanto, haja o bom senso de se formar um governo de salvação nacional com os restos que sobram [sobrarão?] de gente capaz e sensata para defender o país dos aprendizes de feiticeiro que ainda nele mandam, dando-lhe um rumo sem ter de recorrer ao extermínio do povo.

Caso se realizem eleições antecipadas, lá teremos de aturar outra vez os feirantes da política a prometer-nos mundos e fundos, rodeados dos tios e das tias, e mais toda aquela prole de lambe-cus que costumam acompanhar as comitivas partidárias em almoçaradas e arraiais. E o mais certo, é que tal não passe da repetição de filmes antigos, para povo enganar, correndo o risco de tudo ficar na mesma [ou pior] uns mêses depois, sem que esta santa democracia nos poupe a um novo ciclo de vilanagem. 

Os banqueiros, esses, são bem mais espertos que o povo, se assim não fosse dispensavam as garantias que nos exigem quando precisamos que nos emprestem dinheiro. Não fazem por menos, só nos financiam se dispusermos de bens patrimoniais de valor igual ou superior ao montante requerido, caso contrário, nicles! E até faz algum sentido. Isto de fiar, já foi tempo. Agora com os eleitores já não é assim.. Mesmo estando vacinados contra o regabofe das campanhas, mesmo que não levem a sério as promessas dos candidatos ao trono da República, se os cidadãos quiserem ainda assim votar nalgum programa que lhes pareça convincente, não podem exigir qualquer tipo de garantias, apesar de terem imensas razões para desconfiar das promessas. E as razões abundam,  não são ficcionais... 

Mas, palpita-me que o povo se quiser votar, terá de o fazer [como de costume] às cegas, por intuição, ou então, simplesmente renunciar ao voto. E como assim tem sido noutras ocasiões, confesso que não compreendo de que se podem os cidadãos queixar se deixarem mais uma vez o país nas mãos de novos irresponsáveis. De garantias, repito, é o que mais precisam os portugueses. Se os Bancos não fiam, por que havemos de fiar nós? 

A propósito, hoje havia uma reunião do Conselho de Estado. Ter-se-à Cavaco esquecido de convidar Dias Loureiro e Duarte Lima? É que a presença desses cavalheiros seria uma verdadeira certidão de credibilidade para a classe política...   

Defenestremos pois

O(s) senhor(es) que se segue(m)!

  
A defenestração, no caso concreto da aplicação a pessoas, foi uma prática corrente no século XVII (embora já viesse do século anterior, tendo sido usada na matança de São Bartolomeu), nomeadamente na Guerra dos Trinta Anos.

Ficou famoso o episódio das "Defenestrações de Praga" (1619), tendo os nobres protestantes da Boémia invadido o castelo da capital e arremessando representantes do Governo Imperial* pelas janelas. Este foi, a par da demolição de duas Igrejas Luteranas na Boémia por parte das forças católicas do Sacro Império Romano-Germânico, um dos episódios determinantes na deflagração do conflito no continente.

Outra defenestração célebre ocorreu em Portugal, no contexto da Restauração da Independência. A vítima foi o Secretário de Estado Miguel de Vasconcelos, personagem odioso aos olhos dos portugueses por colaborar com a Dinastia Filipina, na manhã do dia 1 de dezembro de 1640, atirado das janelas do Paço da Ribeira para o Terreiro do Paço.

[Retirado da Wikipédia]

* Mais imperial(ista)  que a Troika, só mesmo o Governo.




20 setembro, 2012

Serviço público, será isto?


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Olho a página 12 do JN, para a foto do pai da juíza da Anadia que assassinou o genro quando tinha a filha  deste último [e sua neta] ao colo, e pergunto-me que futuro terá a Justiça portuguesa se o presente nos dá exemplos tão cruéis e vergonhosos como este? Só de olhar para o sorriso cínico da besta, ficamos com a sensação de estar na presença - não de uma pessoa -, mas de qualquer coisa capaz de matar a sangue frio, só porque se sente protegido por um sistema de justiça corrupto, como nem no tempo de Salazar existiu. E a vontade que dá ao ver isto, é retribuirmos na mesma moeda, fazendo aquilo que os tribunais, em casos como este, tardam em fazer, ou não fazem mesmo. É demais, porra!

Mas que Democracia é esta, senhores? Tanta farsa, tanta gente a brincar ao sério, usando o país como um imenso palco de teatro, para nos oferecer espectáculos de gosto macabro, sem sequer os termos pedido? Socialmente, continuamos a valorizar demais [eu, nem por isso] o papel dos media, talvez porque somos incapazes de perceber como somos ludibriados com o que lemos na página, ou no programa seguinte, sujeitando-nos a ser tratados por mentecaptos e persistindo em viver com esta absurda contradição.

Se a hipocrisia não fosse tão óbvia e crónica, como mostrarei a seguir, talvez pudéssemos confiar um pouco mais no que os jornais dizem, mas ela existe, está lá escarrapachada. A título de exemplo, reproduzamos então o que vem  na página 10 do mesmo JN:  

"Dupla sacou dinheiro a desempregados que queriam vida melhor". "Cobraram por seguros, vistos e consultas médicas a fingir". E, em letras garrafais: "BURLAM CENTENAS COM FALSOS EMPREGOS NO ESTRANGEIRO" . O autor da notícia, convém citá-lo, é Nuno Miguel Maia, o mesmo jornalista que acompanhou com obsessão inusitada o processo Apito Dourado, particularmente centrado em Pinto da Costa...

Caso a referida notícia não comportasse de facto doses maciças de cinismo, até podia ser considerada  um louvável serviço de prevenção pública. O problema, é que folheando as páginas dos anúncios, verificamos que o JN usa a regra do Frei Tomás, ["olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"], hipotecando a autenticidade da notícia anterior, visto não abdicar de publicitar anúncios de oferta de emprego sem a mínima credibilidade [como os acima exemplificados],  passíveis de contribuir para a propagação de fraudes idênticas àquelas que noticiara, empurrando assim muita gente para ratoeiras que a pode até desgraçar. Isto, só para não falar do dinheiro que o JN recebe com os anúncios dedicados à prostituição [só hoje, dedicou-lhe 5 páginas!], que ainda por cima é uma actividade "proibida" em Portugal [tal como foi o aborto]. 

Se estes comportamentos obedecem à ética, ou ao zelo pela segurança dos cidadãos, então estamos conversados... 

PS-Remeti hoje mesmo este artigo para o JN , Semanário Grande Porto, e Porto Canal. A Bem da Nação! 

19 setembro, 2012

É de Mulher!

Maria Teresa Horta
O Ronaldo, ficou triste por ser multimilionário e por não o deixarem ser multibilionário. Ficou triste, por ele próprio ter cultivado a imagem de rapaz arrogante, invejoso até  [é só rever a forma como reagiu à entrega do prémio de melhor jogador do mundo a Iniesta], e por saber que há quem não aprecie o seu hábito patético de olhar para as câmaras de televisão.

Eu não peço tanto. Pela parte que me cabe, o que me entristece é viver num país onde poucas pessoas se aproveitam, muitas das quais gozando de previlégios e de estatutos da mais alta importância [imerecidos], quando eu, conhecendo-os como os conheço, nem sequer lhes confiava o meu cãozinho [se o tivesse].

Entristece-me [e muito], é que seja preciso tanta afronta, tanto derreter de salários, tanto saque às pensões de reforma, aos subsídios, ao aumento de impostos, para que o povo se tenha decidido a reagir. E mesmo assim com mansidão... 

Já me conforta um pouco saber que ainda há gente que dá algum valor, ao valor de ser pessoa. Como Homem, envergonha-me de certa maneira que seja uma mulher a ter a honra de dar um sinal de dignidade à sua existência. Essa mulher, é escritora, e chama-se Maria Teresa HortaFoi distinguida com o prémio D. Dinis por um romance que escreveu, cabendo a entrega do prémio ao 1º.ministro Passos Coelho, mas recusou-se a recebê-lo...

«Não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto - cujo júri é formado por poetas, meus pares mais próximos - das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país».  «Sempre fui uma mulher coerente, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores»


18 setembro, 2012

Ai Jesus!

José M. Meirim [jurista, benfiquista, mas... honesto]
1. No dia 4, a secção profissional do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tomou uma decisão disciplinar relativa ao treinador Jorge Jesus, por declarações proferidas, dirigidas a um árbitro assistente, em Março deste ano, no final de um jogo que opôs o Benfica e o FC Porto. O treinador foi sancionado com 15 dias de suspensão e multa de € 1500.Esta decisão foi muito glosada por comentadores desportivos e ainda por alguns juristas, entre os quais eu numa rádio nacional.

2. Luís Sobral - no site MaisFutebol - referia a brandura do castigo, a demora e a ineficácia da decisão. Falou do CD como uma aldeia do futebol e aditou um juízo negativo aos termos do voto de vencido do presidente do CD. Para Bruno Prata o castigo é um escândalo e o presidente do CD devia demitir-se, visto o tal voto de vencido ser entendido como um "ataque" ao árbitro assistente. Ricardo Costa - ex-presidente da Comissão Disciplinar da Liga - concordou com o comunicado do FCP, quanto à demora e ineficácia da decisão. Mas foi mais longe. Enfatizou o escândalo que representa o facto de a FPF - bem como outras federações, aditamos - não tornar públicas as decisões dos seus órgãos jurisdicionais, como impõe a lei. Escândalo, só talvez superado pela inacção do Estado em fiscalizar esta matéria e repor a legalidade. Não é uma birra, uma mera formalidade que se deixa de cumprir. Publicitar as decisões e seus fundamentos, tem a ver com o Estado de direito, com a protecção da confiança dos agentes desportivos, com a transparência do agir de tais órgãos no exercício de poderes públicos. Obrigado Bola Branca. Obrigado Rádio Renascença por ter permitido o acesso à decisão, coisa que a FPF e o Estado não deixam.

3. Muitos dos leitores sabem que o meu mundo é cinzento. Posso ter ou não razão, pode a minha opinião merecer ou não crédito. Certo é que ela não é encarnada, verde ou azul. E também não é laranja ou cor-de-rosa. É cinzenta como o Direito. Dito isto, esta decisão - podia ser Ai Pereira ou Ai Pinto -, merece ser vivamente criticada, em particular o voto de vencido do presidente do CD. Alguma cautela se impõe - embora não sejamos ingénuos -, nas críticas quanto à medida da pena e ao tempo da decisão. Impõe-se celeridade na justiça. Desportiva ou outra. Decidir devagar só pode conduzir a situações como esta.

4. O que nos deixa atónitos são os termos e o conteúdo do voto de vencido do presidente do CD. Com o devido respeito - não exageremos aqui -, parece que estamos perante uma painel daqueles que as televisões nos oferecem para discutir - cada um com a sua camisola de clube - se houve ou não grande penalidade ou fora de jogo, e não a ler um texto de um presidente de um órgão disciplinar de uma federação. Há expressões totalmente inadmissíveis: "Dessa falta, muito grave e indiscutível [do árbitro assistente], resultou a vitória do clube visitante e a consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou daquele erro." Como é que é? Um resultado alcançado à 21.ª jornada, de 30, em que o FC Porto passou a ter três pontos de avanço? Como é possível afirmar isto, não sendo um mero adepto em discussão de café? Mais: "O árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e tinha a obrigação funcional de o fazer, e não fez, por motivações que só ele sabe." Mais ainda: "Isto é, o treinador, que era um dos grandes ofendidos do erro cometido, passou, por artes mágicas, a arguido e, nessa qualidade, punido disciplinarmente..." E o abuso das reticências ao longo do texto.

5. A "coisa" não vai acabar bem. Não pode acabar bem, independentemente da nossa vontade. Toda e qualquer decisão deste CD - profissional - está, a partir de agora, coberta por um indelével manto de suspeita. 


josemeirim@gmail.com

16 setembro, 2012

Manifestação e orgulho pífio

Multidão na Avenida dos Aliados, no Porto
Não sei se as manifestações contra o Governo [e a Troika] ultrapassaram as expectativas ou se ficaram muito aquém, o que sei, é que finalmente o povo decidiu sair à rua, mostrando que até os brandos costumes de que padece, tem limites. Gostava era de acreditar que toda esta súbita coesão popular não seja uma espécie de fogo fátuo, típico da decomposição de cadáveres, porque me parece que alguns só lá foram porque talvez pela primeira vez sentiram na pele o desconforto que outros andam a sentir há muito. Adiante...Vale mais tarde, que nunca.

Agora, teremos de ver se o impacto da manifestação terá repercussões significativas em futuras iniciativas do governo, ou se vai continuar tudo na mesma, e se o povo vai ter de recorrer a métodos menos civilizados para se fazer respeitar. Veremos.

Muito ainda há a mudar no nosso país, e não passa apenas pela requalificação dos políticos, passa por uma revolução de mentalidades.

Ontem, ao fim da tarde, quando assistia à final do campeonato da Europa de Hóquei em Patins, passei por sentimentos diferentes. Confiante, numa primeira fase em que a selecção nacional entrou destemida e muito concentrada, trocando a bola com rapidez, com desmarcações rápidas e sempre na direcção da baliza, que lhe renderam naturalmente uma vantagem de 2 golos, e uma outra, expectante, onde, pela enésima vez, não soubemos superar os nossos ancestrais complexos de inferioridade com os espanhóis, deitando a perder um campeonato que tivemos nas mãos, em mais do que uma ocasião.

E por que é que apresento o Hóquei para dizer que precisamos de alterar a mentalidade? Porque este foi o exemplo mais recente que tinha mais à mão para mostrar, mas bastava recuar um bocadinho no tempo para apresentar muitos outros. E não é difícil explicá-lo.

Comecemos pelo jogo. Enquanto nós, nos acomodamos à parca vantagem de 2 golos, naquele tradicional fazer render de peixe que nos tem sido fatal noutros momentos, os espanhóis continuaram a acelerar sempre com ataques perigosos na direcção da nossa baliza até chegarem ao empate [2-2]. Isto, acompanhado pelos comentários conformistas dos repórteres e convidados de serviço, que não se cansavam de elogiar a equipa nacional, aplaudindo a contenção de bola a segurar o empate, dado este ser "suficiente" para podermos vencer o campeonato.

Enquanto eu me preocupava com a tal contenção de bola dos portugueses, por haver ainda muito jogo pela frente, e por ver os espanhóis sempre perigosos e a acelerar, roubando muitas vezes a bola aos nossos jogadores [coisa que não aconteceu até chegarmos aos 2-0], os comentadores achavam a postura "táctica" dos portugueses correcta e  muito inteligente, e gabavam-se disso. Felizmente para mim, que possuo anti-corpos suficientes para resistir a este patriotismo de sarjeta, previ o que acabou por acontecer duas vezes. Uma, quando estávamos com o resultado em 3-3, que nos era favorável mas extremamente perigoso, e outra, por incrível que pareça, a poucos segundos do fim, incompreensivelmente acomodados a um 4-4 no fio da navalha, resultando a tão louvada estratégia na perda de um campeonato que, por COBARDIA do seleccionador deixámos fugir, e em nossa casa!

Foi este tipo de postura, muito típica dos lisbonários, fanfarrona e prematura [mas pelo que se vê, contagiante] acompanhada pela voz "nacionalista" de um público pobreta mas alegreta, que inexplicavelmente [ou talvez não] esqueceu os objectivos e as razões das manifestações realizadas durante a tarde, pondo-se a cantar o hino nacional, antes do jogo terminar, que me desgostou e fez aplaudir a selecção espanhola no fim do jogo, pois foi de facto a única que lutou e quis ganhar. Como ganhou, tanto o campeonato, como o jogo.

Só espero, embora me enoje tal comportamento, é que estes comentadores se associem àqueles que abrem os nossos telejornais publicitando o Benfica, tratando-o sempre como campeão e remetendo o verdadeiro ao silêncio, continuem no activo, porque chegada a hora da verdade, que é o fim do campeonato, o campeão da verdade desportiva e do campo, será muito provavelmente, outro. Como de costume, aliás.

Ontem, teria orgulho, se fosse espanhol.


14 setembro, 2012

Mentir, é defeito ou virtude?

Este, está inocente


Qualquer dia, vou ter de fazer um teste à minha inteligência, ou em última hipótese, submeter-me mesmo a uma consulta psiquiátrica, para procurar descobrir a razão pela qual insisto em querer encontrar um sentido para as coisas que não fazem sentido, quando ninguém parece dar importância a isso.

É que, enquanto outros - provavelmente, mais esclarecidos e inteligentes que eu - fecham os olhos à hierarquia das responsabilidades e à própria responsabilidade, eu acho que elas devem ser imputadas em conformidade com o período e a importância do cargo de quem as tem de assumir.

A entrevista de ontem de Pedro Passos Coelho não acrescentou nada ao que já sabíamos, e pelo que sei, também aos próprios entrevistadores. Sinceramente, não percebo onde poderá estar a surpresa geral, quando foram [e são sempre] os jornalistas os primeiros a violar a essência e a ordem natural das responsabilidades.

Mais do que saber o que é que Passos Coelhos tinha para dizer, importava perguntar por que é que ele tanto criticou  José Sócrates quando este "governava" o país e o acusou [com razão] de irresponsável, e de conduzir o país para o caos, quando ele está a fazer pior do que fez Sócrates, e a mentir ainda mais.

Pronto. Aqui deixo um excelente pretexto para me acusarem de populista, mas cá o rapaz foi educado a aprender que mentir é uma coisa muito feia e um dos primeiros indicadores de uma má formação intelectual. Ora, tanto Sócrates como Passos Coelho são exímios aldrabões, o que poderia ser um elogio se a mentira não fosse também o primeiro sinal que alguém nos dá para não confiarmos nela.

Ah, só mesmo um detalhe, uma miudeza: os dois aldrabões que citei foram [um ainda é] apenas 1ºs. Ministros de Portugal. Uma banalidade...

Enfim, acho que vou ter mesmo de ir ao médico.

13 setembro, 2012

"O Assalto Final - A destruição do Norte para garantir o futuro de Lisboa"


Outras acções, agora em banho-maria, mas que voltarão logo que surja oportunidade, são as relativas ao Porto de Leixões (o porto de mar que mais exporta, o mais eficiente, a principal porta de saída das exportações) e à Linha do Minho e sua modernização. Acrescenta-se ainda a intenção governamental de construir uma linha ferroviária "para as exportações" a mais de 300 km da Região onde elas são geradas. Esta situação revela-se ainda mais escandalosa, pois segundo um representante da Comissão Europeia "a aposta de Alta Velocidade portuguesa irá servir os portos de Sines, Setúbal e Lisboa, e Aveiro via Salamanca, deixando, pelo menos para já, fora desta rede europeia Leixões e Viana." Não é coincidência. É objectivamente intenção do Governo promover a competitividade dos portos que se têm revelado deficitários, prejudicando e retirando qualquer tipo de competitividade aos portos de Leixões - Viana do Castelo e à Região que servem no escoamento das cargas que recebem ou exportam no contexto nacional, relegando-os para a irrelevância. O objectivo do denominado Governo de Portugal, confesso e não esquecido, é fundir a gestão de todos os portos nacionais, com a desculpa de poupança na gestão. Na realidade é uma forma de retirar a autonomia a Leixões e dessa maneira perturbar e condicionar a sua gestão de forma a que ele deixe de ser um concorrente eficaz, tornando-se irrelevante e submisso aos interesses de outros portos que até agora se têm revelado incapazes de concorrer pelos seus próprios meios. Questionem-se apenas quais serão as prioridades dessa “gestão estratégica conjunta” quando esses gestores estiverem sentados no seu gabinete com vistas para o Porto de Lisboa e com o pensamento em Sines. Uma vez mais sacrifica-se a eficiência e a competência aos clientelismos e centralismos.

O que significam estas decisões? Significam que ao privilegiar os portos, aeroportos e as ferrovias em torno de Lisboa e ao tornar menos competitivos e deficientemente ligados com o exterior as infraestruturas que servem o Norte, que apenas Lisboa será competitiva e atractiva para o investimento industrial e logístico pois terá todas as mais-valias e o Norte em comparação não terá argumentos para competir. Além disso, a médio prazo, as indústrias que se encontram a Norte, neste momento a região mais exportadora do País e a que apresenta balança comercial positiva, serão levadas a deslocar-se para a zona de influência de Lisboa, pois ao terem custos superiores e demorarem mais tempo a escoar os seus produtos a Norte, irão paulatinamente sair do Vale do Ave e Sousa, do Minho, do Entre-Douro-e-Vouga, da AMP e instalar-se em redor das infraestruturas portuárias e ferroviárias que lhes garantam melhores ligações e que se situarão exclusivamente em redor de Lisboa. Esta deslocação do tecido produtivo irá resultar na destruição da economia do Norte e num desemprego ainda mais elevado, pondo em causa o futuro e a sobrevivência da Região mais povoada de Portugal.

Nos últimos dias temos assistido a alguns números de indignação por parte das estruturas regionais dos partidos do arco do poder e com representação parlamentar. É pena que só agora tenham acordado para o problema e alguns tenham mesmo colaborado nesta ignomínia quando eram governo. O assunto já vem de trás, não é de agora. Estes partidos caracterizam-se inclusivamente por fazer eleger pelas listas nos nossos distritos deputados para-quedistas lisboetas que se representam apenas a si próprios e não têm qualquer ligação e interesse para com a Região. Em certos casos são mesmo eleitos como cabeças de lista. É por isso que muita da actual indignação soa a clamores de falsas virgens ofendidas. No entanto, ainda estamos todos a tempo de nos unirmos.

As implicações destas decisões por parte do suposto Governo de Portugal, que de uma forma intencional e concertada, condenam à miséria e ao isolamento o Norte de Portugal, obrigam a que desta vez todas as forças políticas, cívicas e económicas, deixem por uma vez de lado as suas fidelidades aos seus directórios centrais, aos seus egoísmos e inércias de ocasião, e se juntem de uma forma concertada e unida na defesa dos interesses justos e legítimos do Norte, sem quartel e sem compromissos que não sejam a manutenção da autonomia dos aeroportos, portos e iguais ligações ferroviárias. É que desta vez a derrota e a passividade irão significar o destruição e o abandono do Norte e dos seus habitantes, de forma irremediável, com um impacto que se irá repercutir por gerações. Os que têm responsabilidades e poder neste momento serão julgados à luz da história do que fizerem agora e do seu sucesso para evitar este crime de lesa-pátria.

A Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, a segunda de maior importância socioeconómica da Ibéria, que concentra no Norte de Portugal uma das regiões mais industrializadas da Europa, e na Galiza dois gigantes mundiais como a Zara e a Pescanova, precisa dum grande aeroporto internacional que garanta a sua ligação rápida aos grandes nós da rede mundial. Esse papel tem sido feito pelo Aeroporto Sá Carneiro de um modo crescente e eficaz. A chegada das companhias de aviação low-cost alteraram todo o panorama do transporte aéreo na Região com reflexos altamente positivos na sua atracção turística e competitividade económica pois encontra-se agora ligada a todos os grandes centros europeus de um modo rápido, flexível e a preços baixos.

Posto isto o MPN apresenta a sua posição:

1) O MPN considera que a privatização dos aeroportos nacionais é uma perda de soberania;

2) O MPN considera que devem ser mantidos na esfera pública e a sua gestão regionalizada; o que não implica que seja feita directa e exclusivamente pelo Estado podendo encontrar-se formas de contratualizar a sua gestão operacional a entidades privadas e/ou outras;

3) O MPN considera que os Aeroportos nacionais, implementada a Regionalização do território continental, devem ser propriedade das respectivas Regiões;

4) Caso venhamos a encontrar-nos perante o facto consumado da intenção de venda em bloco dos aeroportos nacionais, o MPN endereça desde já o convite a todas as forças vivas, empresários, detentores de capital, mulheres e homens de boa vontade, todos os cidadãos para que nos acompanhem. O MPN propõe-se congregar vontades para juntar capital suficiente, recorrendo inclusivamente à subscrição nas ruas de futuras acções a 1 (um) euro, para formar uma entidade empresarial nortenha que concorra à compra da ANA em bloco e depois venda os restantes aeroportos a quem der mais. O objectivo é o mesmo - salvaguardar a autonomia do Aeroporto Sá Carneiro -, a estratégia é que é inversa.

O MPN tem desde a sua origem em movimentos de cidadãos que lutam pela Autonomia da nossa Região abordado insistentemente estes problemas. Nós dizemos presente. Quem quiser lutar e colaborar em prol da nossa Região sabe onde nos encontrar.

A Direcção do MPN

[do blogue A Baixa do Porto]

12 setembro, 2012

Ser portista livre é ignorar A Bola!

O fervor clubista que o futebol causa nas pessoas é das raras coisas que suscita paixões sem gerar ciúmes nem receio de serem partilhadas. O Homem comum não gosta de partilhar a sua mulher com ninguém e  até é capaz de matar, se ela o trocar por outro. Com o futebol acontece o inverso: quanto mais adeptos tiver o nosso clube, melhor.  Esta insólita capacidade de "partilha" está subjacente a uma secreta ambição de grandeza, que se traduz no binómio quantidade=qualidade, mas que, na realidade, não tem muita consistência.  Para o provar, e sabermos do que se trata, basta usarmos outro binómio bem mais convincente: o Benfica/Porto. O primeiro, gaba-se de ter um maior número de adeptos, e vive de um predomínio pertencente ao jurássico, o outro, tem quase o mesmo número de simpatizantes,  é o melhor clube português da actualidade, simplesmente porque ganha mais troféus, e com mais regularidade. 

Mesmo assim, sendo um dado adquirido que a dimensão não é tudo e a luta desigual, ainda é possível vermos Davids a derrubar Golias. Porém, existem bizarras excepções, que contrariam a ausência de ciúme entre adeptos do mesmo clube, como falei no início. Na caixa de comentários deste post, é possível descobrir uma delas.

Por vezes, o futebol tolda-nos mesmo o espírito, ao ponto de confundirmos a árvore com a floresta. Não somos capazes de separar uma ocorrência desagradável no seio da própria família, no local de trabalho, ou mesmo dentro do nosso clube, sem pôr em causa a qualidade da "floresta". Há quem não tenha capacidade para ultrapassar certo tipo de contenciosos como aqueles que todos nós deparámos uma ou outra vez na vida com o colega de trabalho, ou a entidade patronal.

A propósito, lembro-me do modo como eu próprio me exaltei com um porteiro [que ainda está no activo] na porta de entrada do antigo estádio da Antas, por não estar a desempenhar o seu trabalho com a devida urbanidade, e que quase me deu vontade de regressar a casa e renunciar ao jogo. Fiquei muito incomodado na altura e pensei mesmo apresentar queixa à direcção, mas depois acabei por relevar e esqueci a ocorrência. Havia muita gente, foi naqueles dias de enchente, e as Antas não tinha as condições excelentes que tem hoje o Dragão. Já passou. Haverá, admito, casos bem mais graves do que o exposto, mas alguém que gosta verdadeiramente do seu clube, não é capaz de esquecer quezílias antigas depois dele se afirmar categoricamente, a nível nacional e internacional, só porque se desentendeu com algum "funcionário"?

Todos nós tivemos situações destas, e para tal acontecer nem é necessário um cenário muito populoso. Os casamentos que degeneram em divórcio comprovam-no, e contudo são só duas pessoas. Como podemos nós manter uma postura revanchista com o nosso clube, com o um presidente polémico sim, mas sagaz,  lutador e bem sucedido, só porque algo de errado aconteceu connosco? Não chega vermos o nosso clube espiado à lupa pelos nossos adversários? Não concordarmos com a gestão do clube? Com as comissões, as luvas, os empresários, etc.? Então, coloquemos os casos abertamente nas Assembleias Gerais. Não nos revemos nesta forma de administrar as sociedades, então lutemos por outros modelos. Mas isso é política. É por aí que temos de começar.

O FCPorto e Pinto da Costa não são a mesma coisa, é consensual e lógico. Seria o mesmo que afirmar que a Igreja é o Papa. Pinto da Costa é um "animal" bem adaptado a esta selva, mas não é o animal, nem a selva... Dentro dela, talvez seja mais inocente que muitos que andam por aí a bater no peito clamando pela transparência, mas que estão cheios de rabos de palha [veja-se o Sporting, quem e quantos  foram condenados na Justiça].

Até ver, Pinto da Costa tem saído por cima em relação às acusações que lhe foram feitas na perseguição mais infame da história do futebol movida a um dirigente desportivo. Tem vencido de cabazada  todos os que se juntaram para o tramar [Maria José Morgado, Pinto Monteiro e toda a comunicação social]. É obra, para um homem só! E no entanto, ainda há portistas que o criticam! Como serão estas pessoas? Em que patamares de ética se inspiram? Nos do Benfica, do Sporting? Em quais?

Não confundamos as coisas. O futebol não é um paraíso à parte, vive na mesma selva em que nós vivemos e muitos outros vegetam. Se há quem o queira mudar, que se deixe de ressentimentos e se dedique mais às questões da política, que é o que eu aqui procuro fazer, tentando convencer alguns "intelectuais" que o futebol, em vez de alienar, pode ser uma janela mais transparente de avaliação política do que a própria política. Passo a passo, acho que já somei uns pontinhos. É pouco? É! Mas é o que pode arranjar. 

       

11 setembro, 2012

Bispo critica Passos Coelho falando de «vilania»

O bispo das Forças Armadas admite que Portugal é agora um país «perdido» e que Passos Coelho quer parecer “intemerato” mas tem muito «medo», segundo declarações reproduzidas este domingo pela rádio TSF.

Convidado a comentar o  post de Passos  Coelho no facebook, D. Januário Torgal Ferreira considera que o primeiro-ministro fez um «dasabafo», como alguém «intemerato» mas «cheio de dúvidas e angústias», ao mesmo tempo «com medo». E, este «é um mau conselheiro», ajuizou o prelado.

Torgal Ferreira citou um autor (cujo nome não é claramente perceptível no registo multimedia): “continuo com coragem, vou em frente, mas a estrada fica juncada de cadáveres”. «Isso é um vilania, uma insensibilidade, uma insensatez», disse o bispo em declarações à rádio notícias.

«Estou em discordância total com o sistema governativo que existe neste momento» em Portugal. O país pode agora sentir-se derrotado e «perdido», pois nem os partidos reagem, alegou.

[do Diário Digital]

Nota de RoP: 

O bispo das Forças Armadas D. Januário Torgal Ferreira está esgotado de razão. De facto, a oposição [não me refiro ao PS, como é bom de entender], como já aqui escrevi por diversas vezes, está prisioneira do seu próprio conformismo nesse cómodo papel, e não ousa convencer os eleitores para ser uma alternativa de governo. 

Pelos vistos, o contágio da preguiça foi arrasador...  

09 setembro, 2012

E se o portismo implicasse abdicar de certas benesses, estariam disponíveis?

É consensual que a força da comunicação social é difícil de domar, mas não impossível. Essa força divide-se por vários órgãos e tem diferentes intensidades, sendo a televisão a que mais influência exerce sobre as audiências. Esses poderes não são inocentes, são até "bem" explorados, mas também são muito consentidos. 

Os média,  vivem dos mercados, e nós teimamos  em querer ignorar que os mercados somos nós.  Temos contudo um grande óbice no combate a esses poderes, que consiste na dificuldade em nos unirmos e mobilizar-nos para lutar por grandes causas.

Queixamo-nos, com razão, que temos uma comunicação social sectária, mas continuamos sem perceber que não temos ninguém com idoneidade para a dirigir e controlar, embora não faltem por aí entidades reguladoras sem qualquer serventia prática. Este é aliás um problema extensível a outros sectores, a começar pelos governos e a terminar na própria Constituição. Portugal está desgovernável, e não é de agora. Temos legislação, e não fazemos o principal, que é respeitá-la.  Depois, temos líderes de fachada, sem categoria, o que os transforma em inúteis parasitas.  Só nos resta uma coisa: a mobilização cívica. Mas até isso rejeitámos, sempre à espera que um qualquer D. Sebastião faça o que nos compete. Assim, não vamos lá. 

Por incrível que pareça, a paixão clubista do futebol provoca reacções de repúdio mais enérgicas do que a própria desonestidade governativa. O povo dispõe-se mais depressa a extremismos por motivação clubista, do que por descontentamento político-governativo. Os governantes sabem-no, e por isso cada vez se preocupam menos em agradar ao povo, deixando cozer em lume brando as querelas entre clubes, porque tal lhes convém.  Protegendo e favorecendo o Benfica, deixam  uma mensagem proteccionista aos seus numerosos adeptos [eleitores], esperando que essa protecção reverta a seu favor em termos políticos.   É neste pé que as coisas andam.

Sendo Pinto da Costa um dos melhores dirigentes desportivos do mundo [não confundir c/ o mais rico], idolatrado pela maioria dos portistas, a relativa apatia com que os adeptos reagiram à caça rija que lhe foi movida pela comunicação social confirma a ideia de que até nas questões do futebol existe uma grande incapacidade de mobilização [e de indignação também], o que significa que a "doença" é mais profunda do que se possa imaginar. No entanto, em fóruns, blogues e nas redes sociais portistas, os adeptos não se cansam de manifestar revolta com a discriminação de que o FCPorto e os seus dirigentes são alvo. Mas a revolta não passa disso. As redes sociais ainda não fazem revoluções... Os portistas estão cobertos de razão quando falam do sectarismo da RTP, da SIC e da TVI, ou quando baptizam com os piores impropérios a imprensa escrita desportiva, mas parecem não querer compreender que os destinatários sabem o que estão a fazer.

Nestas circunstâncias, e à falta de quem coloque ordem na comunicação social, o maior gosto que podia ter, era um dia saber  que [todos] os portistas tinham renunciado a participar em debates desportivos e opinar nos jornais que atrás referi, numa inequívoca manifestação de solidariedade para com o clube. Não há forma de compreender por que é que muitos ainda o fazem, e custa-me a aceitar que o dinheiro que recebem por tão inglório serviço domine as suas consciências de homens livres. 

Miguel Sousa Tavares, gosta muitas vezes de evocar a condição de homem livre para criticar [muitas vezes sem razão] o FCPorto e Pinto da Costa, mas esquece-se que ao escolher a casa do inimigo [A Bola] para o fazer não está a ser coerente, nem muito menos a defender o clube. Ninguém afecta verdadeiramente quem lhe paga... O que ele faz [além de receber uma boa avença], é contribuir para as vendas do jornal, não para a boa imagem do FCPorto. Pessoalmente, prefiro escolher as minhas companhias e  afastar-me das que não me interessam, mesmo em ambientes de trabalho. Não pactuo com gente mesquinha, com estafermos, mas ele convive bem com isso. São opções, formas de estar na vida.

O certo, é que, não é pelos portistas participarem em programas de qualidade duvidosa, nem por escreverem em jornais do mesmo nível que  inibe essa gente de continuar a tentar prejudicar o Futebol Clube do Porto. Colaborar com quem me ofende, ou com quem ofende alguém que me é caro, é colaborar com o inimigo. E não importa aqui saber se o inimigo é empresa ou pessoa [as empresas têm pessoas]. E se outros pensam o contrário, é porque pouco se importam de ser como aqueles que oferecem avenças: uns sabujos vendidos. 

Bem diz o ditado: quem gosta de todos, não gosta de ninguém.


07 setembro, 2012

RTP, mas onde está o serviço público?

Como diria o meu saudoso amigo e colaborador de blogue, Rui Farinas*, quando a conversa inclinava demais para a lamuria, bradava com humor, naquela voz metálica que o catacterizava: "já estou a ficar deprimido!". Por mais que tentássemos evitar, lá estávamos nós outra vez  a voltar ao mesmo, falando embora de vários assuntos. 

A incompetência, a irresponsabilidade [e mesmo a desonestidade]  dos nossos governantes ocupavam como lapas praticamente todos os temas abordados. O problema não era de Rui Farinas - que até tinha um sentido da vida muito pragmático e não era nada dado a lamechices -, nem era nosso [meu, e do Vila Pouca], era o país onde nascemos. O país? Nós? Todos? Da mesma maneira? Com igual  responsabilidade? Ou, mais de alguns, que de muitos outros?

Falemos sério. É claro que não são os cidadãos que vão para o executivo, são os que eles elegem para  desempenhar tais funções. Aniquilemos de vez essa conversa de que a "culpa é de todos", porque repetí-lo, é perpetuar uma mentira que não é nossa, e que só serve para desculpabilizar os governantes e seus compadres das asneiras que vão fazendo. É importante não esquecermos isto. É que se tivéssemos plena consciência do nosso grau de responsabilidade no destino do país, talvez hoje fossem outros a pagar a crise...

A facilidade com que os portugueses pegam num falso assunto e o propagam,  é impressionante. Os portuenses em particular, e mais genericamente os próprios nortenhos, sabem por experiência própria que a RTP nunca foi verdadeiramente uma televisão de serviço público. Durante muitos anos a RTP dispôs de dois canais abertos [a RTP1 e a RTP2] e nos últimos tempos mais 4 canais por cabo [RTP Internacional, RTP África, RTP Informação e RTP Memória]. Apesar disso, nunca dedicou um canal às Regiões e ao Norte, como está agora, por exemplo, o Porto Canal a fazer [e muito bem]. 

No campo desportivo, mais propriamente no futebol, a RTP geminou-se e até superou em centralismo e facciosismo, as 2 estações privadas [SIC e TVI], desprezando levianamente o papel de televisão subsidiada pelos contribuintes. Inclusive, usa o canal 2 para passar desporto, privilegiando sem pudor as modalidades onde o Benfica está presente [futsal] e ignorando aquelas onde o FCPorto tem brilhado [o basquete, o hóquei e o andebol], alterando as transmissões consoante o êxito ou o insucesso das respectivas modalidades do clube de Lisboa. Daqui  poder-se inferir sem sombra de dúvidas que nem mesmo a RTP 2, o mais estatal dos canais da televisão do Estado, presta serviço público com a isenção e o rigor a que devia estar obrigada [vêm, como não é a nós que compete ordenar o cumprimento das obrigações dos órgãos do Estado?].

Resumindo: não é o facto de a RTP ter o privilégio de viver sob a tutela do Estado que lhe confere o estatuto de servidora de conteúdos de interesse público, mas a noção rigorosa do que isso é, e representa. Além de que concorre de forma desigual com as estações privadas, sem no entanto as superar em probidade e  isenção. Para se destacar destas e hoje merecer a solidariedade de todos os portugueses, teria de gozar de boa reputação, de um cadastro acima de qualquer suspeita.  E não goza. Pela minha parte, sou totalmente contra o tipo de serviço que me tem prestado, e até agradecia que alguns dos seus dirigentes e funcionários fossem irradicados, porque são maus profissionais, são desonestos e geradores de conflitos.

Mas desenganem-se aqueles que pensam que a privatização da RTP vai torná-la melhor e menos onerosa. Ainda a privatização não foi consumada e a desonestidade mantém-se: o Governo tenciona(va) transferir para a empresa privada que eventualmente ficar com ela as taxas de audio-visual que nós pagávamos pelo serviço público, o que além de ser um abuso, não prenuncia nada de bom em termos de ética e de seriedade. Por aqui, podemos imaginar o que o futuro nos reserva.       

* Fez no passado dia 6 dois mêses que nos deixou.

100 milhões a todo o gás



Há países que vendem petróleo, automóveis, software, telemóveis e outras coisas em que fazem a diferença na economia global. Portugal a esse nível, verdadeiramente, só tem três coisas: o vinho do Porto, a cortiça e a valorização dos jogadores de futebol. A venda de Hulk e Witsel por 100 milhões de euros é um dessas coisas: o momento mais importante do mercado mundial de futebol deste ano. É pura arte de prospetar e valorizar os jogadores através da capacidade de chegar aos grandes palcos. Mas mais: é ser-se capaz de definir condições de venda a um nível de exigência mundial e fechar os negócios no timing certo.

Como é isto possível? Porque Pinto da Costa sabe muito de futebol e Luís Filipe Vieira aprende depressa. Porque o empresário Jorge Mendes suscitou uma escola de compra e venda de jogadores que tem sido seguida à risca por muitos colegas de profissão. E porque o conjunto de todos estes elementos permitiu projetar jogadores e figuras nacionais para o mais alto estrelato mundial. Desde logo Cristiano Ronaldo, criado numa das mais extraordinárias escolas de jogadores da Europa (a do Sporting). Depois, José Mourinho, cujo sucesso no F. C. Porto lhe deu visibilidade e credenciais para ascender a um plano estratosférico. E finalmente André Villas-Boas, cujos 15 milhões pagos pelo Chelsea ao F. C. Porto continuam a ser recorde mundial por um treinador.

Voltando a Hulk e Witsel: 100 milhões é muito dinheiro? Depende. Vejamos em pormenor o que é a Gazprom, a patrocinadora do Zenit de São Petersburgo. Para começar: trata-se da empresa mais rentável do Mundo - 44 mil milhões de dólares de lucros, apesar de ser apenas a 15.ª maior companhia do Globo. As vendas em 2011 somaram 157 mil milhões de dólares. A Apple, maior empresa do Mundo em valor bolsista, lucra "apenas" 25 mil milhões de dólares, ou seja, pouco mais de metade da Gazprom.

Para se perceber a escala a que atua o patrocinador do Zenit basta dizer que, nas 15 maiores empresas do Mundo, nove são do sector dos petróleos e gás natural. (A maior do Mundo é a Shell, logo seguida da Exxon-Mobil.) Quanto mais caros estão os combustíveis, mais elas ganham. A empresa russa é detida em 50,02% pelo Estado - Putin é apenas o mais moderno ditador democrático protegido pelo petróleo e gás. Acrescente-se, aliás, que o conjunto das empresas russas a explorarem combustíveis fósseis tornaram aquele país no maior exportador de combustíveis mundial, à frente da Arábia Saudita.

Uma questão então - faz sentido gastar-se tanto dinheiro em jogadores de futebol? A cartada de notoriedade é a Liga dos Campeões. É puro marketing. É a afirmação dos russos nos mercados europeus para onde a Gazprom exportou 150 mil milhões de metros cúbicos de gás natural em 2011 através de pipelines diretos da Rússia ao coração da Alemanha, Reino Unido e Turquia, já para não falarmos dos países vizinhos (desde logo a Ucrânia) e todas as ex-repúblicas soviéticas no Leste da Europa. A Gazprom aquece (literalmente) a Europa do Norte durante o Inverno.

Voltemos aos números: não há nenhuma empresa portuguesa entre as 500 maiores do Globo. Mas os clubes portugueses e a seleção nacional conseguem fazer parte dos cinco países mais importantes da Europa neste negócio. E só chegaram ao atual patamar porque existiu o Euro 2004 e os novos estádios do Dragão, Luz, Alvalade, Braga, entre outros. O nível de receitas e qualidade dos espectáculos (mesmo em termos televisivos) explodiu. Nem todos os clubes aproveitaram a oportunidade, é certo, mas uma coisa é factual: desde 2004 os clubes portugueses venderam, entre outros, Mourinho, Coentrão, Pepe, Falcao, Anderson, Nani, David Luiz, Di Maria, Ricardo Carvalho, André Villas-Boas, etc., e agora Hulk e Witsel e Javi García. Só estes 13 somaram perto de 380 milhões de euros em transferências, correspondentes a margens de lucro quase sempre acima dos 70% entre o valor de chegada e o valor de saída. Quem continua a falar dos custos do Euro 2004 tem de reconhecer pelo menos uma coisa: o investimento do Estado neste sector económico está mais que pago. Quando se estudarem os 10 anos pós-Euro 2004 ver-se-á que, afinal, o futebol deu lucro ao Estado.

06 setembro, 2012

Degradação bateu no fundo

Fernando Gomes: uma "coisa" que se faz pelo outro lado?
O futebol até pode alienar, até pode não ser a coisa mais importante da vida, mas a verdade é que continua a ser o desporto mais popular do mundo e, ao contrário do que se pensa, pode ajudar a desmascarar muita malandrice. Estou mesmo convicto que se houvesse mais atenção ao que se tem  passado no mundo do futebol, talvez hoje não tivéssemos governantes tão básicos. Isto, considerando que as campanhas eleitorais não passam de banha da cobra, e que os mecanismos usados para a escôlha das lideranças partidárias estão longe de corresponder à vontade dos eleitores.

O paradigma que trago hoje à liça, e que anteriormente reproduzi, é simplesmente aviltante! Para quem acompanha estas coisas, não é surpresa, já aconteceu mais vezes. Mas para quem se limita a ouvir a televisão [A RTP é das piores], fica sempre mal informada, porque quando se trata do Benfica a história dos factos é sempre mal contada. 

Na questão em apreço, a FPFutebol cozinhou o caso com uma hipocrisia cirúrgica, maquiavélica e até provocatória, aproveitando a paragem do campeonato de modo a não prejudicar o Benfica, ou seja, contabilizando os 15 dias de "castigo" a Jorge Jesus durante um período em que a sua presença não pode causar qualquer dano ao clube! Em resumo, não houve castigo. E só falta saber se Jorge Jesus também vai pagar os irrisórios 1500 euros de multa! Isto, já para não falar da gravidade das suas declarações em contraste com outras produzidas por treinadores do FCPorto, incomparavelmente menos gravosas,  que foram rapidamente castigados e assim impedidos de acompanhar a sua equipa.

As eleições para a Federação Portuguesa de Futebol decorreram em Dezembro do ano passado, e o eleito para presidente foi, como é sabido, Fernando Gomes, ex-dirigente do FCPorto que, apesar disso, não foi apoiado pelo FCPorto [como é público, Pinto da Costa descartou-se de envolver o FCP neste processo]. Tão pouco tempo passado já se notam sinais preocupantes de arbitrariedade, quer nas nomeações de árbitros, quer nas decisões do Conselho de Arbitragem e de Disciplina, cujo modelo de eleição gerou aliás muita confusão. A questão que se sugere  levantar é a esta:  Pinto da Costa já não confiava em Fernando Gomes para não o apoiar? Se sim, por quê?

O certo, é que ainda mal começou o campeonato, e já se fazem sentir flagrantes critérios de favoritismo ao Benfica que, se entretanto nada fôr feito para bloquear estes procedimentos, pode um dia destes redundar em cenas de violência. E não venham depois esses palhaços, vestidos de cargos para os quais não têm categoria, nem saber, carpir mágoas, porque um dia a ira dos portuenses pode-lhes cair em cima do próprio pêlo. Fechar os olhos ao que se está a passar, é assinar de cruz um atestado de irresponsabilidade que só pode ter uma só interpretação: Portugal está nas mãos de facínoras! E não venham depois dizer que a culpa é do futebol. Não! A culpa é dos governantes, das autoridades públicas, que em vez de se colocarem no seu lugar, de se distanciarem deste tipo de eventos para os poderem regular com isenção, andam a ganhar avenças para falar de futebol.  

Ah, e se algum desses cretinos me estiver a ler, deixo-lhe aqui um recado: nas próximas campanhas eleitorais informe se faz favor por que clube vai torcer e já agora, em que programa desportivo tenciona resolver os problemas do país...

Nota do autor de humor sério:

SE eu fosse primeiro ministro, antes de constituir governo, reunia os putativos candidatos e dizia-lhes:

Meus amigos, podem achar estranho, mas eu tenciono mesmo governar o país. Por isso, aqueles que nomearei para comigo formarem governo terão de aceitar as condições que propuser. Em primeiro lugar, terão de dedicar 90% do vosso tempo ao país, e o resto, à família.  Ora o país, como sabeis, não é mais do que o povo, o que significa que se o nosso trabalho não privilegiar a qualidade de vida desse povo, o nosso objectivo terá falhado. E eu não quero que falhe. 

Posto isto, faço-vos este ultimato:  
  • Ou optam pela política, ou saem dela. Não quero acumulações com cargos privados, sejam de que natureza forem. Quem não concordar, levanta a mão e sai. Já!
  • A vossa participação em debates políticos e programas desportivos está-vos totalmente vedada. Regularmente programarei um espaço nos media de informação  e esclarecimento públicos sobre o andamentos dos trabalhos. O laxismo, e a falta de rigor com as metas traçadas serão motivos para vos exonerar do cargo.  Quem não concordar, levanta a mão e sai. Já!
Muito provavelmente, a sala ficaria vazia, mas eu seguia a minha vida de consciência tranquila e sem problemas na dorsal...

 

Jogo de março com o F. C. Porto vale 15 dias de castigo a Jorge Jesus


Jorge Jesus foi "castigado" com 15 dias de suspensão e uma multa de 1500 euros. Em causa declarações do treinador do Benfica proferidas após o jogo com o F. C. Porto, em março.


Artigo salva Jesus de falhar jogo com o FC Porto
Um comunicado da Liga de Clubes refere ainda que o técnico foi multado em 1500 euros pela Secção Profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), na sua reunião plenária de 4 de setembro.

A deliberação agora anunciada não vai ter efeitos práticos, uma vez que a Liga está parada devido aos compromissos das seleções e o próximo compromisso do Benfica é na quarta jornada da I Liga, agendada para 23 de setembro.

Jorge Jesus foi castigado por "afirmações proferidas" no final do encontro Benfica-FC Porto de 02 de março de 2012 (2-3), a contar para a 21.ª jornada da Liga portuguesa de futebol e divulgadas nos jornais A Bola, Record e Correio da Manhã nos dias sequentes.

A participação que deu origem ao processo disciplinar e ao castigo a Jorge Jesus foi apresentada pelo árbitro assistente Ricardo Santos.

O treinador do Benfica insurgiu-se na altura contra a validação do golo de Maicon, aos 87 minutos, que fixou o resultado e garantiu a vitória dos "dragões", acusando o árbitro assistente de não ter assinalada a posição irregular do brasileiro, apesar de alegadamente ter visto que o defesa portista estava em situação de fora-de-jogo.

05 setembro, 2012

O nosso orgulho...

 

 

Mas que orgulho! Isto é que é um país! Heróis do mar, pobre povo nação cadente, iiiimor....al! Mas temos o Ronaldo, aquele exemplo de jogador. Temos Cavaco, Sócrates, Passos Coelho, Portas, submarinos, BPN's, RTP's...


04 setembro, 2012

Renovar a Democracia

Como seria este Homem hoje?
Quando criei este blogue tinha como primeiro objectivo dedicá-lo à cidade onde nasci e que amo como nenhuma outra, salvaguardando no entanto algum espaço para falar dos mais diferentes assuntos. Quase simultaneamente, concebi outro blogue [As Casas do Porto], este inspirado especificamente numa temática que muito me preocupa, que é a degradação urbana de toda a cidade - e não apenas do centro histórico - que, para mal dos portuenses ainda se mantém actual.

Por razões que para o caso não interessam, não pude [com muita pena minha] continuar o trabalho que levei a cabo cerca de 3 anos, prestando gratuitamente e sem falsas modéstias, melhor serviço público do que muitos jornais e que a própria televisão, dita como pública, presta. 

Entretanto, o decorrer do tempo, mais o registo dos acontecimentos, fez-me consolidar convicções simples, mas antigas, que se traduzem nisto: fazer bem, ou mal, tudo depende da competência e seriedade de quem o faz.

Quando falámos de saúde, de urbanismo, de educação, de futebol, de prosperidade, da ética, do ambiente, ou simplesmente da qualidade de vida, tratando-se embora de coisas distintas, estamos resumidamente a falar de política. E  falando de política, temos fatalmente que falar de democracia. Por mais voltas que dêmos, acabámos sempre por regressar ao mesmo ponto de partida: democracia. É difícil, senão impossível, melhorar tudo o resto se não aperfeiçoarmos os processos de  a exercer. E neste capítulo não podemos dizer que estamos a ter grande ajuda da comunicação social, que não sabe, ou não quer pôr em causa a previsível falência deste regime. Comodamente, os media usam essa grande figura do século XIX, e inícios do século XX, que foi Winston Churchill, para perpetuar uma sua bela frase ["a Democracia é o pior dos regimes, exceptuando todos os outros"], como se ela albergasse uma única interpretação possível.   Apesar de conservador, não creio que Churchill quisesse dizer que a democracia do seu tempo não podia evoluir um século depois, mas é essa avaliação abusiva que alguns fazem dela. 

Como cidadão e eleitor, atingi há muito o meu ponto máximo de tolerância. Recuso-me terminantemente a votar só porque sim, ou porque um badameco qualquer mo recomenda [só de ver Marques Mendes gesticular me dá vómitos]. Para mim, é condição sine qua non blindar o meu voto da usura política. O voto, em termos democráticos, é o instrumento mais precioso que disponho para exercer o meu direito de escôlha, talvez o único, o mais importante. Mas, é curto. E uma vez que só posso eleger mas já não  posso exonerar, então reservo-me ao direito de aguardar por mais garantias para conferir mais maturidade ao meu voto. Não quero mais votar às cegas [já não o faço há anos, diga-se]. E se até lá essas garantias não chegarem, então também o meu voto não vai para ninguém.  Isto, em termos absolutos, vale o que vale. Sim, porque infelizmente muitos dos meus conterrâneos vão-se encarregar de contrariar a minha resiliência, e vão continuar a votar... Porque sim. Apesar de se andarem a queixar pelos cantos, a chorar o fado, em estúpida homenagem a um património de misérias.

Talvez esteja aí a explicação de me ter passado pela mente a ideia de rebaptizar este blogue para "Renovar a Democracia". É que o Porto coitado, esse, já não é o que era. Vive de géneses antigas, mas não as assume. E o seu povo, fruto de um cosmopolitismo traiçoeiro, que lhe roubou muito da alma, também não. Apesar do FCPorto...