29 setembro, 2009

Resultado eleitoral, trampolim para Elisa Ferreira?

Sobre os resultados eleitorais das legislativas, o único ponto positivo que me importa destacar foi a perda da maioria absoluta do PS. Digo do PS, como diria de qualquer outro partido. O poder absoluto, está provado e compravado, corrompe absolutamente.
A maioria absoluta de um partido político só interessa ao próprio, precisamente para fazer o que quer, e como quer, sem qualquer interesse pelas propostas dos partidos da oposição e nenhuma consideração pelos eleitores [por isso não votei].
Sempre que tal acontece, o Governo que dessas maiorias se constitui, tende para governar com prepotência e para «progredir» em autismo social. A economia, estamos cansados de saber, é a varinha mágica para a cura de todas as maleitas. Nesse capítulo, PS, PSD e CDS, são absolutamente iguais. Só conhecem essa arma/argumento que resvala invariavelmente para uma simples equação: muito mais para uns poucos, e demasiado pouco para uma maioria. Daqui, não saem. A mola "estratégica" da economia é sectária, cega, desumana, e numa grande parte das vezes nada meritocrática.
De modo que, exposto sem complexos o meu cepticismo pela partidocracia, a minha esperança reside no indivíduo, uma vez que os interesses de um colectivo difuso de carreiristas não têm qualquer relação com os interesses colectivos das populações. E a minha esperança individual chama-se Elisa Ferreira. Gostaria que, apesar da perda da maioria do PS e, sobretudo da derrota humilhante do PSD, estes resultados beneficiassem a candidata pelo partido socialista e arrumassem de vez com Rui Rio da Câmara do Porto onde só semeou rancor.
Contradição? Não me custa admitir alguma, mas não deixo de lembrar que foi num mandato do PS que o melhor Presidente da Câmara do Porto que conheci até hoje, Fernando Gomes, conseguiu algumas benfeitorias para a cidade. Bateu o pé ao Governo e a par de Vieira de Carvalho - que nem sequer era socialista - conseguiu fazer sair da gaveta o projecto do Metro do Porto, tornando-o numa realidade, e avançou [neste caso mais o Fernando Gomes] com a concretização do Parque da Cidade, onde agora se discute muito a construção de edifícios, mas se deixou pacificamente atapetar de asfalto uma longa e inestética pista de aviões para a *Red Bull Race...
*Ressalva: Eu gosto das corridas Red Bull

28 setembro, 2009

Sonhos de uma noite de outono (II)

Gostei do resultado das eleições. Não porque o partido A subiu ou o partido B desceu, ou o partido tal teve mais ou menos votos do que há quatro anos. Gostei porque acabou a maioria absoluta. Os partidos políticos portugueses não resistem à tentação de se comportarem como autênticos ditadores, sem respeito pelas outras forças políticas. Problema de Sócrates e do PS? Não creio, penso que qualquer partido teria o mesmo comportamento. As maiorias absolutas só funcionam com povos que tenham a cultura democrática bem entranhada nos seus genes, o que não é manifestamente o caso de Portugal.

Virá um novo governo com uma diferente política a que o PS será obrigado por não poder governar sozinho. Faço alguns votos piedosos.

Que a Educação trabalhe mais para a real educação dos alunos, e menos para as estatísticas internacionais. Que o(a) novo(a) ministro(a) seja mais sensato(a) do que a actual e que consiga escapar à influência negativa dos técnicos do "eduquês" que há muito se entranharam no seio do Ministério.

Que o Ministério da Justiça consiga concitar os consensos necessários para transformar a nossa vergonhosa Justiça. Que se revejam as leis referentes à repressão da criminalidade - pequena ou grande - no sentido de tornar as nossas ruas mais seguras.

Que o Ministério das Obras Públicas tenha um titular menos "aluado" do que o actual.

Que o Ministério da Agricultura não deixe caducar a atribuição aos agricultores portugueses de dezenas de milhões de Euros provenientes de Bruxelas.

Gostaria também que os partidos políticos e seus eleitos aproveitassem a ocasião para dar uma varredela às teias de aranha que enchem a nossa Constituição.

Last but not the least, gostaria de ver finalmente desatados todos os nós que atam a regionalização.

Como é fácil sonhar...

Para quê tudo isto?

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Nota
Recorte do artigo da autoria de Manuel António Pina extraído do JN de hoje

27 setembro, 2009

Humildade não!

No futebol - como em outras actividades - abundam os chamados lugares-comuns. Um dos que mais me intriga consta dos discursos da maior parte dos treinadores portugueses: HUMILDADE. " O nosso segredo é humildade", ou então " ganhámos porque abordámos o jogo com humildade", ou ainda " faltou-nos a humildade necessária". Uma consulta ao dicionário é esclarecedora.

HUMILDADE - virtude que consiste no sentimento da própria inferioridade ou fraqueza; modéstia; submissão; condição baixa; inferioridade social; pobreza; obscuridade.

Portanto o discurso da humildade é o discurso errado. Penso que, pelo contrário, aquilo de que os jogadores precisam é de orgulho, de sentimento de superioridade, da ambição suficiente para dar a volta a situações adversas, embora sempre no total respeito pela dignidade dos seus adversários. Esse respeito não é humildade e não se fazem campeões com espirito humilde.

Vem isto a propósito ou despropósito do jogo de ontem do FCPorto. Penso que já há muito tempo a condição anímica da equipa não é a melhor. Há alguns anos atrás via-se jogar uma equipa que transpirava confiança em si, que se porventura sofresse o primeiro golo do jogo, não se enervava, tranquilamente e com determinação ia à luta e normalmente dava a volta ao resultado. E se estava a ganhar, queria sempre marcar mais um tento.

Estas coisas são subjectivas e portanto admito que possa estar errado, mas parece-me que com o actual treinador, temos uma equipa receosa e com deficiente vitalidade anímica, com pouca confiança na sua capacidade.

Nos blogues portistas e respectivos comentários, apreciam-se sobretudo os aspectos técnicos dos jogos e da equipa, que são claramente factores importantes. Aprecio muito a sua leitura, são esclarecedores e ajudam-me a compreender melhor o jogo. Mas parece-me que nesses comentários é pouco focada a importância dos aspectos psicológicos. Afinal de contas, os jogadores não são autómatos, são seres humanos com motivações e desmotivações. Fico com a impressão que Jesualdo Ferreira, se porventura se ocupa deste aspecto, não consegue passar a mensagem. A culpa só pode ser dele, mas as consequências caem sobre todos.

Como adepto do FCPorto quero voltar a ter uma equipa de onze indomáveis e confiantes guerreiros, e não um conjunto de jogadores com atitudes receosas, que quando se apanham a ganhar por 1-0 se remetem à defesa, e que mesmo contra dez adversários são incapazes de controlar o jogo. Humildade, não!

Ainda sobre a abstenção...

vale a pena ler o que aqui está descrito. Só para desmistificar certas verdades subtilmente mitificadas. Quem quiser, faça o favor de se servir. É de borla.

Outras perspectivas sobre a abstenção

Abstenção
Do latim abstinere, abster, suprimir, privar-se de, evitar. A expressão começa por ser apenas usada no direito privado, como renúncia ou não-exercício de um direito ou obrigação, nomeadamente a uma herança. Passa depois para a linguagem política, querendo significar a renúncia ao exercício de direitos políticos, nomeadamente o facto de um eleitor não ir à s urnas. Segundo a tese de Alain Lancelot, os abstencionistas exercem quase sempre papéis sociais subordinados, indivíduos mal integrados, correndo-se o risco das eleições se transformarem num debate entre privilegiados. O abstencionismo é, assim, a não participação no sufrágio ou em actividades políticas, equivalendo a apatia ou indiferença.
*Para além do abstencionismo eleitoral resultante de uma má inserção social, há também um abstencionismo de pessoas interessadas na política, informadas e atentas, mas que recusam escolher nas condições da oferta eleitoral que lhe apresentam, dado que o leque dos candidatos não lhe permitem a possibilidade de expressão adequada das respectivas preferências. Os abstencionistas não constituem assim uma população à parte e não coincidem com a cidadania passiva, havendo constantes trocas de informação entre votantes e abstencionistas.

Ver: Alain Lancelot e Jean Meynaud, L’Abstentionnisme Électoral en France, Paris, Librairie Armand Colin, 1968. · F. Subileau e M.-F. Toinet, Les Chemins de l’Abstention. Une Comparaison Franco-Américaine, Paris, Éditions La Découverte, 1993.


© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 02-10-2008
* o itálico é meu

Futebol

Ontem, o FCPorto ganhou ao Sporting mas, mais uma vez, apesar da vitória os adeptos portistas saíram decepcionados com a exibição da equipa.
Durou cerca de meia hora o melhor futebol produzido pelos dragões, sendo que os primeiros 10 minutos prometeram muito mais do que aquilo que acabou por acontecer. O penalti bem assinalado pelo árbitro e melhor defendido por Rui Patrício, ou mal marcado por Falcão [como queiram], foi o ponto de partida para uma exibição frouxa e insegura da nossa equipa.
É sempre uma grande consolação chegarmos ao fim do campeonato com o troféu nas mãos e sentirmos o dever de gratidão para com o técnico, mas nem por isso somos obrigados a reconhecer qualidade nos espectáculos a que assistimos quando, como ontem, ficamos sempre com a sensação de quem acabou de contemplar uma obra inacabada.
O campeonato ainda vai no início, mas esta sensação de "que falta de algo mais" na equipa do FCP foi também sentida muitas jornadas na época transacta e durou quase até ao fim. Os adeptos podem não ter sempre razão, algumas vezes ser até injustos com o treinador, mas apreciando o futebol de qualidade, têm todo o direito de o criticar, porque não são seres acéfalos e pagam bilhete ou quotas. Portanto, deixemo-nos de proteccionismos excessivos, quando achamos que devemos criticar.
Há jogadores no FCorto, muito apreciados por alguns adeptos e críticos, dos quais, nunca fui grande fã, mesmo quando estão em forma. É o caso de Raul Meireles. O ano passado vi-o fazer bons passes de longa distância, alternados com maus de curta. Este ano, nem uma coisa nem outra. Falha passes a pouco mais de 2 metros, e o pior é que coloca a bola nos pés dos adversários... É inacreditável. Tem um remate relativamente forte, mas tecnicamente não tira disso partido, porque na maioria dos casos chuta para as nuvens ou muito ao lado da baliza, talvez por estar demasiado preocupado em levar as mãos à cabeça a seguir.
Em suma, para lhe reconhecer as qualidades que tem, teria de ser mais regular. Devia passar melhor mais vezes, do que falhar, e acertar mais vezes na baliza do que errar. É este o prisma pelo qual aprecio um jogador, independentemente das qualidades técnicas e individuais que possa ter. E não devo estar só nessa apreciação. A prova? Chama-se Lisandro Lopes, um jogador que foi evoluindo desde que chegou ao FCPorto, esforçado, concentrado, a quem se toleravam os [poucos] dias menos bons, porque era humano. Nunca critiquei Lisandro!
Quanto ao Jesualdo, continuo convencido que é vítima das suas ideias tácticas, não obstante, até ao momento, lhe tenham rendido juros. Há movimentos de transição defesa/ataque que estão muito perros e algo lentos conjunturalmente, notando-se nos jogadores alguma confusão nas linhas de desmarcação acontecendo chocarem entre si algumas vezes, ou então, interromperem-nos bruscamente com paragens quando é recomendado prosseguir em direcção à baliza ou passá-la ao colega melhor colocado.
Tenho alguma dificuldade em atribuir "culpas" aos jogadores, porque tecnicamente há alguns com muita qualidade a quem vi fazer coisas fantásticas na pré-época e que não enganam ninguém. Belluchi é um deles. Valeri, não estará ainda bem entrosado com o n/ futebol, mas parece-me melhor que o Raul Meireles. Falta-lhe tempo de jogo.
Depois, há um detalhe fundamental nesta equipa que me parece que já devia ter merecido uma atenção especial pela parte do treinador que é a questão do remate. Está a rematar-se muito mal. O Fucile que é um bom jogador, sendo lateral podia chutar muito melhor. Em Portugal parece que os laterais não sabem fazer golos. Por que será? Quando chutam, raramente acertam com a baliza. Já pensaram no potencial desperdiçado? Só porque um jogador é defesa, não deve ser intensivamente treinado também no exercício do remate? Vejam o Bruno Alves! É o único que o faz e ninguém me tira a ideia de que o mérito é exclusivamente dele.
Ou seja, se há jogadores com mais jeito natural para rematar do que outros, os menos habilidosos não deviam merecer treino específico para melhorar as performances nesse aspecto? Isto faz mais sentido ainda sabendo nós que os clubes portugueses não têm capital para comprar jogadores já feitos, completos. Se Jesualdo pede tempo para "construir" a equipa e os jogadores, estaremos nós a notar alguma evolução concreta neste capítulo?
Enfim, gostei do resultado, mas como adepto de bom futebol, fiquei desconsolado.
PS-Antes que alguém apresente casos pontuais só para me contrariar, ressalvo que as minhas observações são bem explícitas. Refiro-me a rotinas estabelecidas, não a um ou outro golo fortuito, marcado pelos laterais e pelo próprio Raul Meireles...

26 setembro, 2009

Keith Jarrett-Concerto a solo



Para ajudar a reflectir...

Reflexão

Como hoje é dia de reflexão e [ainda] não me é proibido partilhar os meus pensamentos, tenho estado a reflectir como seria importante para a Democracia poder votar para demitir de funções governativas alguns políticos que conheço [e são tantos!]...

25 setembro, 2009

Incompetências...

Um gestor incompetente que chega de novo a uma empresa e que não tem ideia nenhuma sobre o que há de fazer, mas querendo disfarçar a sua incompetência e dar-se ares de grande reformador cheio de ideias inovadoras, adopta normalmente a solução clássica. Consiste ela em "baralhar" tudo. Muda o organigrama, altera as designações dos departamentos, muda a localização física dos diferentes sectores. Em suma, cria o caos na empresa e não melhora em nada o seu funcionamento, dado que mudou apenas por mudar, para mostrar serviço aos seus patrões.

Recordo-me deste tipo de situações quando vejo novas designações de organismos oficiais, criadas pelos incompetentes governantes - a vários níveis - que pretendem dirigir este país. Alguns exemplos.

- Subsídio de Inserção Social. Era chamado Rendimento Mínimo Garantido. Alguém vê alguma vantagem na mudança, a não ser enviar para o lixo todo papel timbrado que existia com a designação, juntamente com o software existente?

- Instituto dos Museus e da Conservação. Conservação de quê? Se é dos museus, não era preciso enfatizá-lo.

- Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. A biodiversidade não é Natureza?

- Instituto da Mobilidade e dos Transportes. Os transportes não dizem respeito à mobilidade?

- Quadro de Referência Estratégico Nacional ( o célebre QREN). Esta designação tão comprida e rebuscada, descreve porventura aquilo de que se trata, ou é um pretenciosismo irrelevante?

- Estrutura de Missão do Douro. Qual missão? E porquê "estrutura"?

Haveria mais, a começar por uma Direcção-Geral que trata da Energia e da Geologia(!), ou pelos exames nacionais do ensino secundário, onde na mesma prova se examina sobre Biologia e sobre Geologia, matérias que devem ter profundas afinidades que escapam aos leigos do "eduquês".

Incompetência e pesporrência, na minha opinião, não vejo outra causa.

A sapiência de um "animal político"...

«Sempre fui contra a Regionalização, porque não vai em nada beneficiar o país. É uma opinião pessoal e toda a gente conhece a minha posição sobre o assunto. Não é por causa de uma eleição que a vou mudar».
Estas palavras foram proferidas pelo monstro sagrado da imprensa nacional, Sua Exa. o Dr. Mário Soares, na cerimónia dedicada ao empresário do Norte Luís Portela, da Bial, e extraídas do semanário Grande Porto. Ora aqui está outro exemplar do visionário político.
O Dr. Mário Soares, tem um ar bonacheirão e de pessoa bondosa, mas já tem idade para perceber que há quem não se contente com as aparências e quem goze de boa memória. Começou por se enganar na nomenclatura do partido que ajudou a fundar, chamando-lhe socialista, coisa que verdadeiramente nunca foi. Primeiro logro. Depois, afundou-se nas contradições doutrinárias desse mesmo partido e nas suas. Pertence a uma casta de políticos que têm de si mesmo uma ideia de valor sobredimensionada. Um confortável sofá numa sala recheada de livros e os óculos a penderem-lhe do nariz são o cenário perfeito para representar o papel de grande estadista mas não chega para convencer alguns [como eu] que tudo o que diz faz lei.
Teria muito mais utilidade, se em lugar de se afirmar anti-regionalista fosse capaz de explicar como é que o Centralismo quase despótico praticado pelo seu partido [e pelo PSD/CDS], é forma de unificar um país e distribuir a riqueza nacional quando os resultados provam rigorosamente o contrário.
Mas, mais do que explicar, seria importante que fundamentasse alguma razão prestável para continuarmos a acreditar na descentralização que foi sempre prometida e nunca concretizada. Já lá vão 35 anos, sr. Mário Soares! Não lhe estou a falar de maturidade democrática porque isso daria pano para mangas, falo-lhe tão só de descentralização! Será capaz de nos informar quantas mais dezenas de anos [já vai para a 3ª], é que "nós" teremos de esperar até que os senhores políticos, classe à qual V. Exa. se orgulha de pertencer, se disponham a ser sérios e a respeitar os eleitores?
Pensando bem, depois de rebobinado o filme da história da sua actividade política, das suas amplas contradições, sou até capaz de acreditar na eventualidade de V. Exa. se ter constituído num péssimo exemplo para a actual classe política e para a boa saúde da própria democracia...

24 setembro, 2009

Primeiro o respeito, depois a Democracia

Não vou votar. Sim, é justamente isso que tenciono fazer. Eu não vou votar. E digo isto sem falsa valentia, mas com um sentimento misto de decepção e respeito. De decepção, por me sentir compelido a afastar-me de um direito democrático importante como devia ser o acto de votar, por não confiar na classe política. De respeito, por ter o prazer solitário, mas firme, de confiar mais em mim próprio, do que naqueles que se candidatam e recandidatam a «governar» o país. Desculpem a aparente arrogância, mas eu sou muito mais respeitável que todos estes actos eleitorais. E por quê?
Bem, primeiro porque nunca me candidatei a nenhum lugar público para fazer promessas ao povo sem, sistematicamente, as cumprir. Segundo, e por inerência da razão anterior, por não repetir o logro, como costumam fazer os políticos. E terceiro porque como cidadão do Porto me sinto duplamente traído.
O desprezo que estes velhacos têm dedicado ao Porto, incluindo alguns desta mui nobre cidade, é talvez a maior das razões. Por isso, agora é a minha vez de os desprezar a eles. Serei só eu? Talvez. Agora, já imagiaram qual seria o futuro destes incapazes se todos fizessem o mesmo? Estariam talvez numa empresazita à altura da sua mediocridade a lutar pela vida, com as habilidades que usam na política. No Governo é que nunca teriam lugar.
Mas, há cordeiros, ou gente com excesso de boa fé, ou simples bondade [para não lhe chamar outra coisa, nem ofender ninguém], que apesar de estar a ser tratada como cidadãos de nível inferior, continua disposta a dignificar uma democracia sem dignidade nenhuma. Recorda-me, o medo do pecado que os padres antigamente inculcavam na mente dos crentes, quando alguém ousava raciocinar pela sua própria cabeça, ou apenas contestava a existência de Deus. Hoje, com a política, há muita gente que vai votar por votar, ou porque ainda sentem o zumbido no ouvido dos banhas da cobra a estigmatizar o direito de abstenção.
O voto em branco, é um voto idiota, serve para uma contabilidade inútil e é um acto de subserviência para com um Estado que não merece o respeito dos cidadãos. E eu, tenho o terrível hábito de só respeitar quem me respeita a mim. Que hei-de fazer...

Atractividade desperdiçada

Num país uno e coeso [como os teóricos da política gostam de dizer], aos resultados deste estudo devia corresponder uma atenção acrescida para com o Porto e toda a região Norte.
Num país de governantes inaptos, e anti-patriotas, faz-se exactamente o contrário: centraliza-se tudo em Lisboa para dividir.
Isto, é o que fazem os teóricos da União Nacional... Queria dizer, unidade nacional, desculpem-me a confusão...













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23 setembro, 2009

Economia trapalhona

É a isto que os panegiristas de Rui Rio chamam de rigor e boa economia?

Castas

JORGE MAIA

Há quem goste de separar os jornalistas em castas, mantendo os que trabalham em jornais desportivos afastados dos restantes, assim como se fossem "intocáveis", para não lhes macular a superioridade ética e a firmeza deontológica que lhes sustenta o ar grave e afectado com que desdenham o jornalismo que se faz por aqui. Ora, todo este lamentável caso das alegadas escutas em Belém, mais as respectivas notícias alegadamente encomendadas e devidamente plantadas tiveram o condão de quebrar o feitiço, revelando aquilo que, deste lado, sempre soubemos: a seriedade do jornalismo e dos jornalistas não depende do carimbo que lhes colam. Claro que os jornalistas ditos desportivos não falam com assessores do Presidente da República, mas, bem vistas as coisas, talvez seja melhor assim. Quer para os jornalistas desportivos, que evitam passar vergonhas; quer para os assessores do Presidente da República, que se lidassem com jornalistas desportivos talvez ainda o fossem.


Nota:

Transcrição de um artigo publicado no jornal O Jogo de hoje. Digam lá, se não tenho razão, quando recomendo uma purga urgente para esta classe . É um jornalista a falar de outros. Ele tem razão, mas não chega, é preciso separar o trigo do joio e afastar as más companhias...

Mitos que a história tece

Para surpresa de muitos, e para esvaziarem as dúvidas sobre as ficções criadas por alguns historiadores, seria interessante ler o que Camilo Castelo Branco escreveu sobre o mito chamado Marquês de Pombal. Entre outros "galanteios", Camilo dizia de Pombal o seguinte:
«Foi um espancador distinto e um estremado trocista. A sua mocidade agitou-se em tempestades que hoje chamaríamos canalhas e a polícia castigaria a espadeiradas. O seu intelecto não era acessível às ideias de Liberdade mental e política.»
Sobre o seu papel, no terramoto de 1755 que tão heroicamente a história tem propagado, Camilo escreveu isto:
«Pretendem convencer-nos de que sem Sebastião de Carvalho e Melo, a terça parte de Lisboa arrasada pelas convulsões e pelo incêndio, nunca mais se levantaria. Não fugiu de Lisboa? Nenhum dos seu colegas fugiu. De resto, ele ficou-se sentado, de luneta no olho a dar ordens, enquanto os frades e demais padres andavam pelos escombros procurando salvar os feridos e sepultar os mortos enquanto os fidalgos como D. João de Bragança Lafões e os filhos bastardos de D. João V recolhiam nos seu palácios e jardins centenas e até milhares de desgraçados, albergando-os e alimentando-os à sua custa, durante meses, coisa que ele não fez, pois não albergou nem alimentou ninguém no seu Palácio».
Só transcrevi estes trechos de Camilo sobre a figura do Marquês [havia imensos], para dar uma pequeno exemplo de como os historiadores, quando querem, subvertem o rumo dos acontecimentos e transformam um crápula num herói nacional. Isto para lembrar que neste momento preciso está a acontecer história que daqui a uns anos será também seguramente desvirtuada.
Foi essa trafulhice histórica que fez de Francisco Sá Carneiro um mito. Estivesse hoje ele vivo, presumivelmente, ou já nos teria decepcionado, ou já tinha sido silenciado pelos malandros do regime.
Com Mário Soares, apesar de algumas intervenções importantes na vida nacional, nomeadamente no contributo que deu à nossa integração europeia, vai acontecer o mesmo. Vão dizer dele muito mais do que aquilo que vale. Enquanto político e governador, foi o que se viu... Já há até alguns jornalistas a tratá-lo por "dinossauro", por "animal político", seja lá o que isso for na mente ficcionista desses analistas.
Estou farto desta política, deste folclore de fingidores com o qual nos "obrigam" a viver. Os debates, são meras discussões, simples manifestações de invejas e ambições pessoais. Nada do que dizem tem substância, nada é verdadeiramente sério. Já nem vontade tenho para os criticar. São simples animais, tenho de me conformar a deixá-los viver. Coitados.

20 setembro, 2009

Olha para o que eu digo...

Confesso não ter lá muito talento para fazer comentários de caixa. Os comentários, de preferência, querem-se breves e precisos, coisa que poucos sabem fazer e eu pertenço a esse grupo de "desajeitados". É por essa razão que quando a confusão se estabelece sobre um qualquer assunto, prefiro postar calmamente procurando não descurar todos os pontos de vista mesmo aqueles com os quais possa não estar de acordo.
Ora o assunto de momento, chama-se jornalistas e, a contundência com que os tenho criticado tem despoletado reacções nalguns dos leitores do Renovar o Porto. Uns concordam, outros não. É normal. O que não é normal é que alguns se esqueçam das proporções que alguns casos tomam e de outros que, sendo da mesma importância, são praticamente silenciados.
Não fui eu, nem a maioria dos leitores deste espaço de opinião, quem se lembrou de repente de querer convencer os portugueses que o "Mundo" era um lugar perfeito, cheio de gente afável e séria. Não fui eu quem insinuou ou pretendeu fazer acreditar que há um único canto da terra, onde não entram as cunhas, as influências, os favores, e em última análise a corrupção. Foram os senhores que inventaram o Apito Dourado, cuja guarda avançada contou com a colaboração preciosa dos senhores jornalistas.
Durante todo esse processo [que ainda não deram por terminado, apesar das decisões reprovatórias dos Tribunais Superiores], esperei que do meio desses trafulhas despontasse um forte movimento de jornalistas a rejeitar com veemência o que se estava a fazer ao Futebol Clube do Porto e respectivo Presidente. Enganei-me. Li, é verdade, artigos de opinião de alguns jornalistas bem identificados [ que não esqueço] de repúdio à conspiração instalada, mas como foram tão poucos e não tinham grande visibilidade pública, quase ninguém deu por isso. Na televisão, os opositores à saga anti-porto, praticamente não se viram. E o teatro ainda continua...
Como não fui eu quem inventou o Paraíso em Portugal, nem afirmou - como o Dr. Rui Rio -, que apoiar um clube da cidade de cuja Câmara é presidente era uma accção promíscua, não sei porque raio, depois de tão longa campanha moralista, havia eu agora de achar "normal" que os senhores "jornalistas" Carlos Daniel e Hélder Conduto [que também deram para esse peditório] combinem jantares com treinadores do clube que mais responsabilidades teve [e continua a ter] nesse acto ignóbil e cobarde de conspiração, como foi o Benfica.
É só por isso, pela bazófia do discurso da "seriedade" que acho intolerável que não haja uma única autoridade a insurgir-se contra estes hábitos [que outrora condenaram] de alguns gajos, quando eles eram praticados por pessoas ligadas ao FCPorto. De resto, é a vida. Não há clube, empresa ou pessoa que, num país onde o rigor nunca casou com os hábitos do povo e dos governantes, não tenha alguma vez sido forçado a conviver com alguém de quem teoricamente seria pouco recomendável fazê-lo, incluindo com árbitros...
O país e o Mundo estão cheios desses "bons costumes", mas em Portugal só se lembraram do Futebol Clube do Porto para moralizar e tentar condenar. Por quê? Porque havemos nós de aceitar esta arbitrariedade tão desavergonhada, se agora os acusadores fazem o mesmo? Alguém á capaz de mo explicar? Não, eu não me esqueço dos pulhas. E os que aqui nomeei, são-no!

Jesualdo Ferreira

Há já muito tempo, talvez mais de um ano, que não faço quaisquer comentários sobre futebol e em particular sobre o meu clube - o FCPorto. Não por desinteresse, mas porque sendo frequentador assíduo de blogues portistas, penso que a blogosfera azul e branca está bem servida de comentadores e eu possivelmente nada de válido acrescentaria. Deste modo as minhas opiniões sobre o meu clube têm ficado restringidas a conversas informais em grupos de amigos. Se hoje fujo a esta regra é porque penso que a equipa de futebol do FCP vive uma situação que pode tornar-se complicada, e em consequência não consigo ficar calado.

Já estou a ouvir os optimistas profissionais: então a equipa ganha quatro campeonatos seguidos, tem tido boas prestações na Champions, vem de um jogo muito razoável em Londres, e lá porque asneou em Braga, já tocam os sinos a rebate? Pois é, mas esquecem-se do resto. Estes "apagões" da equipa têm ocorrido nos últimos anos com uma frequência inusitada, e se quisermos ser rigorosos não podemos deixar que os falhanços sejam apagados da memória colectiva pelas vitórias alcançadas, vitórias que, diga-se de passagem, foram em grande parte facilitadas pelas "ofertas", nos últimos campeonatos, dos nossos principais rivais.

Chama-se Jesualdo Ferreira a figura central das discussões sobre o momento do FCPorto. Há muito que penso que ele é parte do problema mas não é parte da solução. Não o conheço pessoalmente mas tenho por ele enorme consideração. Normalmente gosto de o ouvir, considero-o uma pessoa equilibrada, sensata, inteligente e honesta. Acho no entanto que está no lugar errado. Parece-me mais um teórico do que um prático. Penso que falha muito na apreciação dos jogadores, nas táticas a adoptar, na escolha e oportunidade das substituições durante o jogo. JF daria um óptimo e esclarecido comentador, e com a sua capacidade de exposição, conhecimentos e sentido crítico, seria com certeza um óptimo professor. Porque não um óptimo treinador? Porque estou perfeitamente convencido que um treinador, seja de que modalidade colectiva for, deve ser basicamente um condutor de homens, e é aqui que reside o problema. Táticas, métodos de treino, preparação física, etc, etc, aprendem-se no livros, no contacto com os mais velhos, na experiência da vida. Capacidade de liderança, pois é disto que falo, ou se nasce com ela, ou então... É como um futebolista, se não tiver nascido com "aquele" dom, pode ter os melhores treinadores que nunca passará da mediania, e estará condenado a não jogar em clubes de topo. O mesmo acontece com os treinadores, e JF em minha opinião é uma demonstração prática do princípio de Peter: atingiu no FCP o seu nível de incompetência. Por isso digo que ele é parte do problema: acho que JF não consegue ser um lider e esta é uma insuficiência insanável que não pode ser ignorada.

Aceito sem reservas que o meu diagnóstico possa estar errado, mas o que é certo é que uma longa e variada carreira profissional levou-me a trabalhar subordinado a líderes competentes e a líderes incompetentes, e a diferença de ânimo, entusiasmo, e dedicação dos subordinados, é abissal entre um caso e outro.

Conjecturas à parte, façamos votos para que os problemas, sejam quais forem, sejam ultrapassados, os jogadores se trascendam e o penta possa ser uma gloriosa realidade.

19 setembro, 2009

Os amigos da transparência

A propósito do que aqui é exibido e provado, gostaria que o jornalismo português desportivo e generalista aproveitasse esta oportunidade de ouro para contrariar aqueles que, como eu, não têm tido papas na língua para os tratar pelo nome que merecem: vigaristas, sem escrúpulos! Mas, isso nunca irá acontecer pela simples razão de que, o que eu tenho afirmado, sem hesitar, não é um insulto, é uma realidade!

São os arautos da transparência e da verdade desportiva, do fim da promiscuidade com os vários agentes de futebol [entre os quais também eles se incluem] , precisamente os mesmos que, na primeira oportunidade deixam que a máscara frágil dos sem carácter, lhes caia ao chão. Aqui está ela -neste caso são duas, a de Carlos Daniel e Hélder Conduto - , à saída de um restaurante de um adepto benfiquista na companhia do treinador do clube do regime, do mesmo clube que se queixou à UEFA do FCPorto por influenciar as arbitragens...
Por aqui, é fácil retirar quaisquer dúvidas quanto à qualidade destes seres rastejantes que se dizem jornalistas... Por aqui, podemos saber o que pensar destes vermes quando nos entram pela casa dentro através da rádio e da televisão para falar da honorabilidade dos outros... Eu já sabia, mas talvez haja quem ainda tenha dúvidas.
Quanto às generalizações de que alguns se afoitam logo a acusar-nos quando "pomos o dedo na ferida", ficamos à espera que os jornalistas "diferentes", os sérios, se prenunciem nos respectivos orgãos informativos sobre o que aqui reafirmo, com cobertura idêntica à que deram ao caso Apito Dourado. Se não se importam, pela minha parte, esperarei sentado, para não me cansar.


Qual deles é o que rasteja melhor?

18 setembro, 2009

U2 - With Or Without You



Tive o gosto de assistir ao início da carreira deste grande grupo em Vilar de Mouros nos anos 80.

Bom fim de semana!

T G V

Vai acesa a discussão sobre o TGV na campanha para as eleições. Infelizmente, como é hábito no nosso país, reinam a falta de rigor e a consequente confusão. Suponho que só uma ínfima percentagem de portugueses, por muito que todos queiram opinar sobre o assunto, possui o mínimo de informações necessárias para poder ter uma opinião coerente e realística. Falando por mim, confesso que estou confuso, mas o pouco que sei permite-me dizer que notícias como as referentes à viagem que Sócrates efectuou ontem entre Paris e Bruxelas, só servem para espalhar a desinformação.

As notícias dizem que Sócrates viajou de TGV. A verdade é que há uma grande confusão em relação a esta designação. TGV, para além de ser, creio, uma designação comercial francesa, refere-se, como o nome indica, a "muito alta velocidade" ou seja velocidades de cerca de 350Km/hora. Ora a verdade é que desconfio que Sócrates não viajou de TGV, pela simples razão que ele não existe entre Paris e Bruxelas. Como é do conhecimento de quem já fez essa viagem, existem sim comboios com a designação comercial de Thalys, que ligam os 310km entre as duas cidades em 1 hora e 25 minutos, sem paragens intermédias. Deve portanto tratar-se dum comboio de prestações inferiores às do chamado TGV, que já vi designado em Portugal por comboios de "velocidade elevada". Designar as duas variantes pelo mesmo nome de TGV, só leva a confusões. Por outro lado já vi escrito que uma linha de "muito alta velocidade" não aceitará composições de mercadorias a 350km/hora devido aos exorbitantes custos de manutenção que essas composições originam. Verdade ou mentira? Também somos levados a crer que o troço Madrid-Badajoz está a ser construído para "velocidade elevada" enquanto Portugal fará o troço Lisboa-Badajoz em "muito alta velocidade". Verdade ou mentira?

Como é habitual quando os governantes - e a própria imprensa - falam de grande velocidade, é como se só existisse Lisboa-Badajoz. Concursos públicos já foram lançados. Por contraste Porto-Vigo é ignorado, não existe, parece virtual. E no entanto penso que esta linha será economicamente muito mais importante para nós que a outra. Os produtos do Norte exportador necessitam de rápidas ligações ferroviárias com a Europa. Neste troço Porto-Vigo não haverá dúvidas sobre a velocidade, na medida em que os espanhóis recentemente definiram e calendarizaram a ligação Madrid-Ourense-Coruña, e estabeleceram que a velocidade máxima será de 250Km/hora, o mesmo ocorrendo no ramal Ourense-Vigo. Estranhamente, nas notícias sobre este assunto que li na imprensa galega, não havia qualquer menção à ligação de Vigo ao Porto. Será que não acreditam que Portugal faça a parte que nos cabe, ou simplesmente nos ignoraram?

Outro aspecto que ainda não percebi e se calhar a maioria dos portugueses também não, é a falta de decisão definitiva do governo quanto à linha Porto-Lisboa. Ou ando distraído, ou o governo não sabe o que fazer. Será que o ministro Mário Jamé Lino está com medo de decidir, ou andará ocupado a limpar a sua mesa de trabalho no ministério, dado que, de uma maneira ou de outra, certamente não a utilizará mais a partir do fim do mês?

15 setembro, 2009

O embuste do referendo

Já muitas vezes exprimi a minha convicção de que não haverá regionalização nos (muitos) anos mais próximos, mercê de uma combinação invencível: por um lado os governos não a querem, porque estariam a perder PODER. Por outro lado, a grande maioria dos portugueses está-se nas tintas para o assunto, basicamente por ignorância cívica. Tinha prometido a mim próprio que não escreveria tão cedo sobre este assunto, que considero em coma profundo, mas não resisti a uma boa piada que acabo de ler. Um destacado dirigente do PSD diz que o partido quer um novo referendo sobre a regionalização, mas que agora a ocasião não é oportuna! Mas será que algum dia esta gente arranjará uma ocasião oportuna? Desde 1998 que não há uma única?

Há depois a questão do referendo. Outro embuste, na medida em que os resultados de um referendo só são vinculativos se houver um número de votantes superior a 50% dos inscritos. Um referendo é uma votação, e nesta há os votos a favor, os votos contra, e os votos de abstenção, sendo que estes não contribuem directamente para o resultado da votação. Num referendo dá-se o caso extraordinário de os votos de abstenção serem contados, no plano prático, como votos contra. Não há argumentos válidos que justifiquem esta aberração. Por isso, se os políticos quisessem ser sinceros, tratariam de eliminar da nossa legislação esta exigência dos tais 50%. Quem votou, votou, e exprimiu a sua preferência. Quem se absteve, que tivesse votado, teve essa possibilidade, e portanto não tem o direito de se queixar do resultado do referendo, seja ele qual for.

É claro que haveria outra forma de os políticos mostrarem que querem a regionalização, que seria aproveitarem o facto de a próxima Assembleia da República ser constituinte, e voltarem à primeira forma da Constituição em que as Regiões eram taxativamente apresentadas como autarquias, sem necessidade de referendo. Mas isso nem sonhar!

Patriotismo eleitoral

É um facto que para muito boa gente a experiência para pouco serve, porque continua a ser verdade que a experiência só tem serventia com o que dela se extrai e aprende. Pessoalmente, não preciso que me batam duas vezes para perceber que me estão a agredir, basta-me uma. Mas, vá-se lá saber porquê, há pessoas que por excesso de tolerância ou escassez de amor-próprio, precisam de serem fustigadas e ofendidas mais do que uma vez para reagirem e, em certos casos, nem sequer reagem.

Feito o preâmbulo, o que eu quero dizer, é que já não estou disposto a acreditar nas promessas dos políticos. Outros, se assim entenderem, que votem, que continuem a capitalizar o país nas mãos destes troca-tintas, porque pela parte que me toca recuso-me a ver as eleições como um jogo de sorte ou azar. Os actos eleitorais não devem ser encarados pelos cidadãos com a mesma fé infantil de um totoloto ou de um euromilhões, mas pelos vistos há quem não pense assim.

Manuela Ferreira Leite, era capaz de me impressionar se eu tivesse idade para me deixar impressionar pela máscara das pessoas e pelas respectivas aparências. Acontece, é que eu já vi do que "esta casa gasta " [passe o popularismo], e não é agora, em plena época de folclore político que me impressionarei com as magnas palavras de patriotismo da líder cinzentona do PSD.

M.F.Leite, pegou no TGV, como podia ter pegado na Regionalização, apenas e só, para encontrar um argumento de peso para derrotar o seu opositor, porque se estivesse no seu lugar era muito provável que também defendesse o comboio de alta velocidade de mãos dadas com o governo espanhol. Mas, não deixa de ser engraçado ouví-la dizer coisas destas: "não é fácil que me intimidem a não falar deste assunto pelo facto de já haver estrangeiros que já me vêm amedrontar. Não tenho medo de defender os interesses do país nem medo de defender a nossa independência económica".

Pois pela minha parte, ilustríssima senhora doutora economista, até lhe agradeço que não defenda independência nenhuma, porque entre ser dependente de uma capital apátrida e hiper-centralista como é a portuguesa [e foi também nos governos PSD] e ser dependente de Espanha, há falta de alternativas mais radicais, prefiro depender de Espanha.

PS. O negrito é da minha responsabilidade

14 setembro, 2009

Debates

Terminou a maratona de debates políticos. Não pretendo comentá-los: não só não sou politólogo, como acho que já estamos todos enjoados da avalanche de comentários que nos dão cabo da paciência. Vi alguns debates, não todos, e foi o suficiente para confirmar a convicção de que a um dos candidatos eu não compraria um automóvel em segunda mão, se me é permitido o velho cliché. Vi também uma moderadora com o seu habitual e incontido esforço de ser a prima-donna, vestida e ornamentada como se fosse juiz de um concurso de moda e não o pivot de um programa político.

Como fervoroso adepto da regionalização, verifiquei também, com desgosto mas sem surpresa, que ela não foi discutida nem sequer mencionada, pelo menos nos debates a que assisti. Suponho que o tema regionalização não estava contemplado nos programas dos dois principais partidos, mas como factor poderoso no combate aos nossos problemas económicos, pensei que poderia e deveria ter sido tratado, em vez de ter sido ignorado como se fosse detalhe sem relevância nacional.

Mais uma vez se fica com a impressão que todos os programas de debate na TV, por muito que pretendam implicitamente cobrir o todo nacional, são feitos e discutidos numa perspectiva meramente local - Lisboa e arredores - parecendo ignorar que o país não se resume às margens do rio Tejo. É uma visão redutora, de contemplação do próprio umbigo, tipicamente centralista, que não é nova - longe disso - mas que mais uma vez se manifestou.

Falta de ar

Não há conhecimento que dos países onde foram criadas regiões administrativas cheguem notícias de cariz social ou económico regressivos, nem muito menos da multiplicação de caciquismos locais. Bem pelo contrário. O que sabemos desses países é que, genericamente, todos beneficiaram com a Regionalização. Já aqui ao lado, a Espanha, que até se libertou da ditadura franquista depois de nós e que se debate com sérias guerrilhas etnológicas independentistas, com a regionalização, progrediu como nunca antes e distanciou-se de Portugal para melhor em todos os aspectos.
Mesmo assim, em Portugal nem os jornalistas parecem muito interessados em explorar esta grave lacuna política de forma séria e consistente. Fazem-no, durante breves e espaçados períodos, com preocupações meramente comerciais em obediência à matéria jornalística do momento. Não há uma ideia estratégica de agarrar na Regionalização como tema prioritário, como um trabalho de casa obrigatório, de modo a dificultar a fuga ao assunto dos partidos políticos. Não. Fazem exactamente o mesmo que eles, só pegando na Regionalização quando é oportuno.
Hoje, Mário Crespo, em artigo de opinião no JN, fala-nos de coisas muito interessantes, como de um pacto formal entre PS e PSD para evitar a discussão pública de questões de carácter. Subtilmente, diz-nos afinal que o que foi considerado ontem por Marcelo Rebelo de Sousa como um debate de alto nível entre Sócrates e Ferreira Leite, não passou de um pacto para esconder o lado visível da marginalidade política, das trafulhices que membros dos dois partidos praticaram nestes tempos mais recentes. No fundo, é a única maneira de creditarem mutuamente alguma seriedade aos seus discursos e até aos seus próprios carácteres, porque na verdade é particularmente nessa vertente pessoal que mostram menos valias.
É com estas fintas ronaldianas que os jornais se entretêm a analisar as performances dos nossos políticos e se esquecem de uma asfixia democrática realmente séria, que dá pelo nome de centralismo. Quando M. Ferreira Leite falou de asfixia democrática, a mesma mulher que meses antes sugeria umas "férias à democracia", aparentemente para resolver alguns problemas, não houve um único jornalista que se lembrasse de lhe perguntar - sendo ela uma anti-regionalista convicta -, como é que ela "via" o oxigénio democrático a Norte do país, e no Porto, se achava se por cá temos os pulmões a vender saúde ...
Mário Crespo, termina o artigo dizendo: "Não é a votar repetida e clubisticamente que nos assumimos como povo e como Estado. Juntos, PS e PSD, estão a asfixiar o que nos resta de democracia e parece que já nem notamos que nos está a faltar o ar."
Faltou-lhe explicar-nos de que país democraticamente asfixiado estava a falar. Se o de Lisboa, se o da Paisagem, que é o outro país. É que se é dos dois países num só imaginário, pode estar descansado que, estando ele em Lisboa, antes de ser contaminado gravemente pela referida asfixia, já nós no Porto teremos morrido de sufôco.