28 outubro, 2009

Alguém lhe explica, por favor?

António Mexia, presidente da EDP, afirmou que serão estudadas todas as alternativas de transporte para o troço da linha do Tua que irá ficar submerso com a construção da barragem, garantindo que as populações terão aquilo que precisam.

Para este ilustre personagem, o transporte de pessoas é o único inconveniente resultante da destruição da linha. Pelos vistos, ignora o que esta significa como obra de arte - que num país decente estaria protegida destas investidas selvagens - como mais um dos símbolos da luta que gente corajosa travou contra uma natureza difícil com a finalidade de levar a modernidade a regiões excêntricas, e até como elemento dinamizador do turismo numa província abandonada e que teima em resistir a morte induzida pelo poder central. Alguém lhe explica, por favor?

p.s. Mexia diz que não vai "acatar a opinião de duas ou três pessoas que acham que decidem tudo". A quem se referirá senão a ele próprio?

Ridículo

Quantas vezes teremos nós reflectido seriamente sobre a razoabilidade das críticas que dirigimos aos políticos? Quantos de nós nos demos ao cuidado de fazer uma introspecção quanto à forma, à frequência e ao conteúdo do que criticamos?

Aparentemente, estas são questões embaraçosas que podem servir a todos, mas nem por isso temos de ficar constrangidos com a parte que nos toca. Os políticos, são pessoas como as outras antes de o serem. Ou seja, desde o momento que alguém decide entrar na vida activa da política, é obrigado a perceber a dimensão da responsabilidade dessa decisão e da exposição inerente às figuras públicas.

Não faz qualquer sentido portanto, que um profissonal da política se lamente da falta de compreensão popular para com a classe, porque costuma partir dela própria a mais grave das imcompreensões: não perceber que a política é uma missão de carácter público.

Motivou-me este reparo, a insólita presença de Marcelo Rebêlo de Sousa no programa Trio de Ataque de ontem. É que, por todas as razões, éticas, sociais, políticas e clubísticas, um homem como Marcelo, putativo candidato a "líder!" do PSD, não devia prestar-se a estes papéis, sob pena de esvaziar completamente a dignidade já tão depauperada dos políticos.

Se preciso fosse, esclarecer aqueles que insistem na tese alienatória do futebol /versus/ povo, bastaria elencar os programas [ditos] desportivos, onde, indevidamente, figuras ligadas à política no activo e com altas responsabilidades, participam: Fernando Seara [Presidente da Câmara de Sintra], Guilherme Aguiar [verador da Câmara de Matosinhos], só para citar os mais mediáticos.

Provavelmente, serei eu que estarei errado. A verdade, é que discordo absolutamente da inclusão de políticos em programas de lazer ou desportivos. Sou contra. Só aceitaria [numa escala bem mais discreta], situações semelhantes, caso os nossos representantes tivessem atingido um nível de excelência tal que se repercutisse proporcionalmente na qualidade de vida dos cidadãos.

Digamos que, consideraria esse mediatismo discreto, como uma forma de satisfazer a curiosidade pública em conhecer um pouco melhor, alguém que presta, ou prestou, com dedicação e competência, o tal serviço público que acima já referi.
Por enquanto não, não merecem o relevo. É que, ainda não tiveram tempo para fazer bem, o «trabalho de casa» e o lazer pode por isso esperar...

27 outubro, 2009

Para o José Silva

Rui Moreira, pode ter reduzido as expectativas que, quiça involuntariamente, permitiu que se criassem sobre si mesmo, mas se há uma coisa que não me parece ser, é um alienado do futebol.
Acho-o até demasiado brando e diplomata para participar em programas desportivos onde nem sempre se reconhece que falar pouco [porque a melhor fatia do tempo vai para o cineasta], pode ser falar melhor. Onde outros, menos pacientes, teriam batido com a porta. Mas, alienado, não me parece, José... Já leu isto?

Enquanto esperamos para ver, mantenhamos a calma

Vão um pouco agitados os tempos no FCPorto, basta ler os comentários que aparecem nos principais blogues portistas. Há realmente factos indiscutíveis. A equipa está num lugar classificativo a que não estamos habituados. A qualidade do futebol é medíocre, não esporadicamente mas inquietantemente de forma contínua. Espectáculos com pouca qualidade geram desânimo e afastam público (diminuindo as receitas) sobretudo numa época em que o pessoal é obrigado a contar os tostões. O controverso treinador, além de decisões técnicas discutíveis e por vezes incompreensíveis, não parece ter a capacidade de liderança necessária para galvanizar um grupo de atletas que qualquer dia pode entrar em desmotivação. Para tornar as coisas piores, os grandes rivais encarnados jogam um futebol de qualidade, agradável de ver, e vão ganhando. Têm sido mais ajudados pelas arbitragens do que em campeonatos anteriores? Provavelmente, mas não é por isso que ganham, embora seja razoável admitir que é por isso que dão goleadas. Grandes testes se aproximam para tentar perceber o seu real valor: as deslocaçoes a Braga e a Liverpool e a recepção ao FCP. Há que aguardar procurando não cair em estados de espirito de pessimismo extemporâneo.

O FCPorto interessa-me sob dois pontos de vista diferentes. Um, porque é o meu clube. O outro, porque ele deve ser visto como uma das poucas bandeiras da cidade, e até da região, que têm sido capazes de afirmar a excelência de uma cidade, e capaz de triunfar nesta luta a que temos sido obrigados na qualidade de vítimas de uma política nacional centralista, que deliberadamente se dedica a drenar recursos humanos e materiais para a capital, à custa do resto de um país que vai definhando aos poucos. Por isso, para mim, tanto como as vitórias ou derrotas de um clube de futebol, o que está em jogo é também o amor-próprio da nossa cidade.

Durante anos, e porque o FCP era melhor do que os outros, fomos acumulando êxitos nacionais e internacionais. Os outros, os vencidos, em vez de procurar superar-nos pela qualidade dedicavam-se a justificar as derrotas através de argumentos extra-futebol. E, claro, continuavam a perder. Espero bem que se ocorrer uma situação em que o FCP já não seja o melhor, não caiamos no mesmo erro de arranjar justificações fáceis em vez de adoptar medidas pertinentes e corajosas, mas façamos confiança a um Presidente que ao longo de tantos anos tem dado mostras da sua fibra combativa e da justeza das suas decisões, mesmo tendo na lembrança aquele período em que, por razões pessoais, andou com a cabeça mais virada para outras coisas do que para o clube. Afinal, todos somos seres imperfeitos e quem nunca fez asneiras que atire a primeira pedra!

26 outubro, 2009

Alienações pré-fabricadas

Ou é de mim, das minhas limitações intelectuais, mas ainda estou por perceber em que é que o futebol aliena mais do que as "telenovelas", os "prós e contras" ou os "gatos fedorentos".
Eu gosto de futebol, sou um adepto fervoroso do FCPorto [e neste momento, mais do que nunca], e sinceramente, ainda não me dei conta do grau de alienação que ele poderá ter provocado em mim. Bem pelo contrário. Considero que, os nortenhos em geral e os portistas em particular, começaram a aperceber-se melhor da discriminação de que são objecto por parte do Terreiro do Paço através do mundo do futebol. Será necessário citar provas? Elas entram-nos há anos pela casa dentro, é só ver e ouvir [a televisão, por exemplo]. É de tal modo descarada a discriminação e o ultraje que até revolta.
As telenovelas, transportam as mulheres [nem todas, ressalve-se] e também alguns homens para o tradicional mundo côr de rosa onde adoram mergulhar, talvez para esquecer a realidade quotidiana pouco estimulante e nem querem ouvir falar de política. Aí sim, poder-se-à reconhecer algum efeito alienatório mas por outro lado também sedativo para o sistema nervoso.
Os debates políticos e entre políticos, esses sim, são o pior dos alucinogéneos! Mas é importante acompanhá-los, quanto mais não seja, como objecto de estudo para descobrirmos até onde pode ir a vulgaridade humana e a arte de representar fora do teatro. Não há tema mais alienante do que a política, pelo menos, tal como é praticada em Portugal. E para isto, não há remédio que nos valha. A Democracia tal como a concebemos, não é [e está provado] esse remédio, é um placebo com efeitos suporíforos bem mais perigosos do que a paixão pelo futebol! O povo vive cada vez pior e nem as resmas de subsídios de Inserção Social o impede de desprezar o voto. Sim, é verdade que Rui Rio vai continuar na Câmara à custa do eleitorado subsídio-«independente», seguidista e conformista, mas mesmo assim, o povo ainda vive demasiado sob o efeito da hipnose da Democracia.
É impressionante, a facilidade com que algumas pessoas se deixam influenciar! Basta a um papagaio bem falante ir à televisão, usar um vocabulário sofisticado e com ar de pessoa séria, para logo outros papagaios lhe copiarem o paleio. Basta um desconhecido empresário afirmar que precisa de empregados e que ninguém aceita o emprego para imediatamente se concluir que as pessoas não querem trabalhar e que preferem ficar em casa a gozar os lautos fundos da Segurança Social!
A televisão absorve só parte da informação e divulga-a pela metade. Raramente lhe ocorre perguntar [pedindo comprovativos] a tão desafortunados «empresários» qual é o indíce demográfico nas proximidades dessas empresas e os salários que oferecem aos trabalhadores que procuram para se ficar a saber se, atrás de um benfeitor não estará um explorador de carne humana. Ao que começa a constar-se, é isso mesmo que está a acontecer em certas empresas. Há muito patrão sem escrúpulos a tirar partido da pobreza vigente para pagar salários miseráveis, mas essa parte da história já não é tão divulgada...
Até agora, o síndrome da ignorância cívica era o futebol, agora o da pobreza chama-se RSI! Deve ser uma tentação, imagino! Por este andar, ainda vamos ver os políticos a candidatarem-se a estes sumptuosos subsídios! O problema nacional está pois no RSI. Matem os pobres, já! Assim se acabará com a pobreza. O Paulo Portas, irá concordar.

25 outubro, 2009

Espelhos de uma imprensa livre e democrática...




Capas das edições do Jornal de Notícias de hoje
da esquerda para a direita: edição Norte, edição PAÍS (Lisboa) e edição Porto.

Será que aqueles que trabalham ou colaboram para este jornal têm a noção do ridículo em que caiem sempre que escrevem, com suposto sentido crítico, que "Portugal é Lisboa e o resto paisagem"? O que é que eles estão a fazer, senão a corporizar implicitamente essa realidade com estes critérios editoriais?
OBS. - Senhores jornalistas e putativos candidatos: nada têm a recear sobre os vossos postos de trabalho. Não é denunciando como denuncio as aberrações cívicas dos vossos chefes e patrões que vos posso roubar o emprego. Além disso, falta-me o vosso talento e, principalmente, a vossa insuspeita integridade.

24 outubro, 2009

O Governo menor

Extraído de um excelente artigo da autoria de António Barreto no jornal Público de hoje, reproduzo o seguinte último parágrafo:
«Os partidos políticos, como nunca desde 1974, estão a milhas da gravidade dos problemas nacionais. Eventualmente, nem sequer os percebem. Não partilham com os cidadãos as suas inquietações, se as têm. Preferem esta estratégia de terra queimada e de campos devastados, na esperança de que os cemitérios sejam férteis. Dispostos a exigir todos os sacrifícios da população, são incapazes de fazer os seus, de renunciar ao seu orgulho ou de moderar o seu apetite predador. Anunciam-se maus tempos para este pobre país».

É claro que, sendo um ex-governante a escrever este tipo de coisas sobre uma classe a que já pertenceu, deve-lhe ser dado o benefício da "inexperiência democrática" e das próprias dificuldades económico-financeiras da época [Portugal não estava ainda integrado na CEE nem recebía os famosos fundos de coesão] . António Barreto, desempenhou no 1º Governo Constitucional de 1976 a 1978, entre outras funções, o cargo de Ministro da Agricultura e Pescas.
Conquanto isto não possa servir de desculpa para as asneiras que desde então começaram a germinar, naquela altura só tinham decorrido pouco mais de 2 anos da Revolução dos Cravos...


PS-For falar em sacrifícios e apetite devorador, preparem-se para ouvir falar mal do Barak Obama. É que ele decidiu reduzir a 50% os ordenados dos Directores Executivos das Instituições Financeiras americanas. Um acto de coragem deste jaez, vai passar a ser, num ápice, sinónimo de demagogia. Não vão precisar de esperar muito. Estejam atentos aos comentários das nossas elites da m...

23 outubro, 2009

O Plano

Quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, enunciou o princípio que desde então tem sido posto em execução e que, progressivamente como uma doença incurável, tem minado a saúde social e económica do país, ameaçando remetê-lo a um estado terminal. O princípio dizia que Portugal tem uma pequena população e recursos financeiros muito limitados, pelo que seria ilusório ter a pretensão de possuir vários centros de desenvolvimento. Assim sendo, o modelo económico consistiria em concentrar os recursos materiais e humanos unicamente na zona da capital, deixando definhar o resto do país, e fazendo apenas atenção (digo eu) a que não se repetisse a história do escocês sovina cujo cavalo, o qual não alimentava, "morresse quando já estava a habituar-se a não comer". Acrescia ainda, para os mentores desta filosofia do desenvolvimento apenas em Lisboa, que assim se criaria um centro (cultural, financeiro, industrial e político) que serviria de contra-ponto a Madrid e a Barcelona, opondo-se deste modo a uma subjugação económica e política por parte de Espanha. Este último desiderato, vê-se claramente que não resultou. O domínio espanhol é imparável em todos os campos. O último exemplo é a proposta de campeonato do mundo de futebol em 2018, que mais não é do que um campeonato realizado em Espanha com uma limitada extensão territorial a Portugal. Haverá um único centro de decisão. Advinham onde será?

Mas se este aspecto da teoria centralista não funcionou, o outro, o da "secagem" do país, corre às mil maravilhas. Olhando com atenção para trás verifica-se que há um plano minuciosamente elaborado e rigorosamente cumprido no sentido de o fazer resultar. Certas perguntas que se fazem ("isto é assim porquê?") tem uma explicação lógica e coerente à luz da implementação do princípio centralista. Tomemos alguns exemplos.

Partidos regionais - foram proibidos pela Constituição de 75, alegadamente para evitar uma pulverização de partidos políticos que poderia ser prejudicial naquela fase da jovem democracia. Este perigo desapareceu, mas a proibição mantém-se.

Círculos eleitorais - permitem a existência dos deputados paraquedistas, uma maneira de distribuir benesses e manter os beneficiados "na mão". Por isso, aos círculos uninominais que tornariam este tipo de corrupção menos viável, foram apontados "defeitos" que na prática inviabilizaram a sua adopção.

Deputados "nacionais" - a Constituição determina que, ao entrar na Assembleia da República, os deputados perdem a sua matriz regional (distrital) e passam a ser "nacionais", desde logo ficando condicionados no grau de liberdade inerente às suas intervenções e decisões, evitando-se assim questões ligadas à defesa do interesse das suas regiões.

Criação de regiões administrativas - impensável na lógica centralista, por corresponder a um movimento centrífugo do poder. A Constituição de 75 tinha um grave "erro" que era necessário emendar. Com efeito as Regiões eram estabelecidas praticamente sem qualquer formalidade, apenas porque a Constituição determinava a sua existência. Por isso, em posterior revisão, foi introduzida a obrigação de serem referendadas, com a dupla salvaguarda de que:

a - o resultado dos referendo só são vinculativos se tiverem votado mais de 50% dos inscritos.

b - a implementação das Regiões tem de ser efectuada simultaneamente, o que na prática significa que se houver uma única Região que vote NÃO, inviabiliza os votos SIM das restantes Regiões. Por isso digo que, no actual contexto, a regionalização está em coma profundo com pequeníssima probabilidade de sobrevivência.

Estas são apenas algumas medidas adoptadas, mas não são as únicas, longe disso. Não é por acaso que a OPA da Sonae sobre a PT foi inviabilizada que esta mesma Sonae tenha sido arredada de ficar na indústria de celulose, que o Banco Português do Atlântico tenha sido levado "à má fila" do Porto para Lisboa ( para subsequente desaparição ) que o mesmo tenha acontecido com o INE, com a API, até com a mais que centenária AEP, com as delegações regionais das grandes empresas majestáticas, com a localização na região de Lisboa de tudo o que seja novo organismo, nacional ou internacional. Assim se concretiza o plano de engordar Lisboa à custa do esvaziamento do resto do país, sobretudo o seu interior.

E como reage o país a este saque organizado, especialmente como reage o populoso e ainda económicamente relevante Norte (graças sobretudo às PME's) e dentro deste, o seu hard core que é o Porto e a sua área envolvente? Pelo que se tem visto, reage com a passividade do gado a caminho do matadouro! A combatividade, o orgulho, até a rebeldia, perderam-se. Os sociólogos que expliquem porquê, mas mais importante do que explicar a razão do nosso abastardamento, seria a descobrir o remédio para que os nortenhos compreendessesm que, por omissão, estão a contribuir para a sua própria destruição, e que simultaneamente esse remédio lhes desse a clarividência para descobrir o caminho da redenção e a coragem para accionar as medidas necessárias, já que tudo leva a crer que as reformas não terão nunca origem no interior do próprio sistema. Dependemos de nós próprios. Isso será bom ou será mau?

A cantiga é[ra] uma arma/José Mário Branco



Canções como estas, conhecidas como "de intervenção", "eram armas de pontaria", mas parece só terem feito sentido quando a grande maioria dos seus autores defendiam ideais comunistas.

E agora? Não faria sentido que no Porto [José Mário Branco é natural do Porto], as novas gerações de estudantes desempregados fomentassem este modo de luta pela autonomia regional? Onde estão elas? A ouvir o Tony Carreira, ou a masturbar-se com as "goleadas" do Benfica?

O povo é sereno

Optimismo, positivismo, confiança, sentido de humor, são tudo adjectivações bem intencionadas muito exploradas actualmente nos meios de comunicação social que, na maior parte das vezes nos é servido sem se ter em conta o mais importante, que é o carácter e o factor sócio-económico do indivíduo.
Especialistas no assunto como psicólogos, psiquiatras e sociólogos, pecam frequentemente por associar o pessimismo de certos indivíduos a questões de índole temperamental ou genética. Estabelecem comparações entre optimistas e pessimistas com as diferentes posturas perante os problemas sem considerar o carácter específico de cada um. O temperamento, não espelha o carácter do indivíduo, e enganam amiúde as análises por aparente contradição. Não é incomum termos conhecimento de crimes hediondos cometidos por homens simples e muito calmos, e actos altamente altruístas praticados por pessoas com aparente mau feitio e nervosas.
Assim, é importante não levar demasiado à letra os depoimentos de alguns desses experts, porque tal como José Saramago nos vem dando respeitáveis testemunhos, nem sempre o que é convencional corresponde a verdades incontestáveis. Cristianismo, budismo, e outras crenças, são religiões sustentadas pela mesma fé, mas em ícones diferentes. Nada mais há de substancial a distinguí-los. É por todas estas "confusões" que, por precaução intelectual, resisto sem dificuldade à popularice unanimista de qualquer fenómeno mediático.
Hoje, anda meio mundo paranóico com o sentido de humor dos Gatos Fedorentos. Eles até têm algum talento, reconheça-se, mas a comunicação social faz o resto. E não é pouco. Abre-lhes as portas de par em par, seguros do público-alvo que pretendem atingir [o grupo é constituído por 3 "bons chefes de família" benfiquistas e 1 sportinguista]. Depois, é a bandalhice travestida de humor e, the show must go on! É este tipo de visibilidade que as figuras públicas mais apreciam, como aliás reconheceu [distraído] o próprio Marcelo Rebêlo de Sousa fugindo-lhe a boca para a verdade ao confessar que estar ali [no programa], era já uma manifestação de poder, e que era por isso que eles [referindo-se aos "da sua" classe política], gostam tanto de cá vir...
E teremos nós dúvidas? Basta ver o esforço que todos fazem por parecerem pessoas bem humoradas [cá está o tal optimismo], risonhas, normais enfim! Enquanto isso, o povão vai sendo dopado sem ter disso consciência, esquecendo quão longo é um mês para salários tão curtos, e até se convencendo que aquilo que lhe é dado ver através das tv's faz parte da Democracia. Dixotes de soberba e arrogância, alusivas ao «glorioso» raramente são dispensados, como que a tentar convencer o Portugal profundo que falar do Benfica é uma espécie de Padre Nosso abençoado e angustiantemente desejado.
O «povo» fica feliz, os políticos agradecem. Chegados a suas casas, deitam-se e dormem com a certeza de que o futuro é promissor. Os obstáculos que os esperam serão facilmente transponíveis...
Como diria o falecido almirante Pinheiro de Azevedo profetizando o que viria a constatar-se 26 anos após a sua morte: o povo é sereno! Sereno demais, até. Sobretudo a Norte.

22 outubro, 2009

A Regionalização, ou como eu prefiro chamar: A Autonomização

De: Augusto Bastos R.

«Nós portuenses, como bons dominadores da língua, que somos, proferimos com propriedade e absoluta convicção "o Porto é uma naçom" - de facto assim é. As novas regiões deverão ser as nações que existem dentro desta fronteira política e não é com decisões centralizadas em Lisboa, sobre o desenho desse mapa, que vamos agradar a todos. Em vez de discutir a porcaria do mapa porque não se discutem os modelos de governação, a repercussão que isso terá na organização e administração do território, na relação do poder político com os cidadãos e vice-versa, na manutenção e criação de identidade e cultura, costumes e tradições, e toda a lenga-lenga do prometido desenvolvimento regional equitativo, justo, e por aí fora...?


Temo, se o caminho não for este, brevemente Portugal poderá começar a ver as suas nações seguirem o caminho das nações espanholas em matéria de reivindicações; eu próprio digo: se não vier autonomia, venha a independência! Especialmente numa conjuntura em que parece que "Lisboa" e os "seus" governantes autistas fazem questão em desprezar e hostilizar o resto do país, oprimindo-o de uma forma tão, ou mais, dramática como durante o Estado Novo, e apesar de nesta intervenção não querer centrar a discussão no Porto, ao que parece, a nossa inata claustrofobia felídea, torna-nos os únicos capazes de insurreição face à apatia generalizada. A Autonomização é uma questão étnica e do reencontro da identidade, numa época já longa de globalização e de aculturação. Os países do século XXI são os países culturais, os únicos que verdadeiramente e sempre existiram. Acredito que o séc. XXI será o século de afirmação da pós-humanidade, o momento da história em que as pessoas voltam a ser humanas, outra vez»

ler aqui

21 outubro, 2009

Pare, Escute, Olhe





 









Documentário de Jorge Pelicano sobre a defesa da Linha do Tua

Clique aqui para ver o trailer

Site: http://www.pareescuteolhe.com/

Fernando Tavares demitiu-se da direcção do Porto Canal

O director de Informação do Porto Canal, Fernando Tavares, demitiu-se segunda-feira do cargo que detinha desde o início das emissões do canal, há três anos, confirmou esta terça-feira à agência Lusa o próprio.

"Demiti-me mas, para já, não quero adiantar as razões", acrescentou Fernando Tavares.
O jornalista, que era responsável pela informação do Porto Canal desde a sua fundação, esteve anteriormente ligado ao processo de formação da NTV e foi, durante 11 anos, jornalista da TSF.
Fernando Tavares trabalhou ainda para a RTPN e foi um dos criadores do programa desportivo da RTP "A Liga dos Últimos".
Em Setembro, o director-geral do Porto Canal, Bruno Carvalho, cessou funções e assumiu a direcção de Conteúdos e Grandes Formatos da Media Luso.
Bruno Carvalho foi substituído pelo realizador Juan Figueroa, que já integrava a estrutura do projecto.
A Media Luso, uma participada do grupo espanhol Media Pro, é accionista maioritária do Porto Canal.
O Porto Canal iniciou as suas emissões a 29 de Setembro de 2006, apresentando uma grelha com 24 horas diárias de transmissão televisiva.
[Fonte JN]
OBS.-Vamos lá ver se esta notícia é apenas a sequência de um desajuste salarial, ou se o prefácio de mais uma golpada centralista. Estejamos atentos.

20 outubro, 2009

Bravo, M.S.T. !

Fernando Guerra, um dos escribas de serviço na BOLA para lançar calúnias e insultos sobre o FCPorto e o seu presidente, pariu um texto inqualificável na 3ª feira da semana passada, em que mais uma vez dá largas ao seu ódio e ao seu baixo caracter. Fiz em relação a esse artigo aquilo que se recomenda fazer com os vómitos envenenados: ver de longe, rapidamente e com o nariz tapado.

Na edição de hoje, tive o gosto de ver que a crónica semanal de Miguel de Sousa Tavares é inteiramente dedicada a rebater o monte de aleivosias que F.Guerra tinha escrito. É MST no seu melhor, calmo, incisivo, demolidor. Uma peça notável cuja leitura recomendo e que aliás verifiquei que está disponível no blogue "Dragão até a Morte" do Vila Pouca. É em ocasiões como estas que perdoo ao Miguel os disparates que ele escreve de vez em quando, não tanto sobre futebol, mas sobre o Poder Local. Acredito que ele deve ter um fusível trocado em alguma parte do cérebro, o que por vezes origina alguns inesperados "curto-circuitos". Acontece aos melhores...

António Alves versus Rui Moreira

Li , com particular interesse, a troca de impressões entre o Rui Moreira e o António Alves, àcerca da recente iniciativa de se fundir a AEP com a AIP. Trata-se de dois portuenses como eu e outros que por aqui passam e escrevem, sobre os quais não tenho dúvidas que vivam intensamente os problemas que atravessam toda a região Norte e a cidade do Porto.
O António Alves transcreveu aqui uma afirmação do Rui Moreira que já gerou algum desconforto em muitos portuenses, talvez por verem neste último, uma figura do Porto capaz, serena, educada e, o que é mais relevante, um portuense assumido. Ah [ia-me esquecendo de um factor importante], e... um portuense portista!
Devo dizer que nutro uma simpatia natural por Rui Moreira, desde que começou a aparecer na televisão [não me refiro ao Trio de Ataque, mas já lá irei] e a fazer a diferença no panorama marasmático das chamadas elites portuenses [coisa que actualmente continuo sem saber o que é, e quem é].
No entanto, no caso concreto em debate, não deixaram de me surpreender as suas declarações citadas pelo A.Alves. Concordo por isso, com os argumentos [aqui e aqui], do António Alves. E, isto não se trata de amiguismos, porque apesar de conhecer pessoalmente o António Alves [só me encontrei com ele uma vez], reconheço-lhe uma independência intelectual e social que gostaria de ver mais vincada em Rui Moreira, mas receio - e até compreendo -, que tal não seja fácil, dada a diferença de protagonismo mediático e social, entre um e o outro. Mas, é se calhar aqui que a porca torce o rabo.
O protagonismo, tem duas faces. Uma, que pode conferir projecção a um desconhecido e trazer-lhe benefícios materiais [e aqui, não estou a querer insinuar nada, estou a ser realista] de longa ou curta duração, e uma outra, que pode subverter a liberdade intelectual do indivíduo por obediência cautelosa às influencias que eventualmente arriscará perder se insistir em dizer exactamente o que pensa.
Ludgero Marques, é um paradigma do que acima quis explicitar. Houve um tempo, em que parecia ser o tal homem do Norte que a mitologia local inventou [já nem sei, se com algum fundamento]. Era interventivo, empreendedor, mas assim que os ventos do poder se concentraram mais a Sul, perdeu quase toda a Liberdade afirmativa e com ela a coragem.
Rui Moreira tem razão quando diz que L.Marques deu um tiro no pé ao abdicar por sua inicativa de âmbito regional da Associação Industrial Portuense para uma teórica e nominal Associação Empresarial de Portugal, porque foi esse o primeiro acto de renúncia à identidade própria de uma instituição local [a AEP], por aparente convicção pessoal de que a sobreposição do nome Portugal ao Portuense lhe iria trazer vantagens.
Ludgero, não estava a pensar nos benefícios da Região, estava a pensar nos seus. Daí, continuar a não compreeender a aparente contradição de Rui Moreira pela sua fé na novel fusão, mesmo com os exemplos que apresentou da Alemanha e da França que são países com uma cultura de respeito democrático a anos-luz da nossa. Há uma patente ingenuidade nesta frase de Rui Moreira, a que ele prefere chamar opinião positiva, que é esta: "Mas tenho uma opinião positiva sobre o desenlace, ainda que isso resulte numa sede em Lisboa onde já está a AIP, desde que a fusão permita que os serviços da AEP no Norte podem sobreviver por essa via."
Sobreviver por essa via? Ainda acredita nisso, depois de tanta vilagem, de tanto desprezo, tanto saque contra o Porto?
Caro Rui Moreira, hoje, confesso-lhe, pela saturação de tanta hipocrisia, tenho pavor que as minhas opiniões possam por algum segundo que seja, parecerem próximas de qualquer fundamentalismo, mas pela minha parte, pela minha experiência vivida e [que o meu amigo também terá], não consigo mais acreditar que de Lisboa saia alguma coisa de bom para o Porto. Não sinto sequer qualquer fraternidade por Lisboa. Que quer que lhe diga, não fui eu quem a fomentou...
Também não quero rejuvenescer tão bruscamente na minha boa fé, como o meu amigo... Acreditar na teoria do chicote escondido nas costas, do desprezo por uma região, faz-me desvalorizar aquela sua frase engraçada mas plena de realismo que dizia: «que as ovelhas não se tosquiam a si próprias!» Lembra-se?
Será que o «rebanho» de Francisco Van Zeller é uma excepção? Eu, não acredito.
PS-Quanto ao Trio de Ataque, caro Rui Moreira, depois de tudo o que ouvi dos seus pares de programa, das dissertações alucinantes sobre o FCPorto, das intriguices do cineasta, eu, no seu lugar já os tinha deixado a falar sozinhos. Mas isso sou eu, que acho que não tenho de ser amigo de toda a gente...

19 outubro, 2009

A loira e bela NORUEGA

'Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo (às 15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.'

'A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros.'

'É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados «devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.'

'Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos.


Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem quando os tratam por tu. Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes.'

'Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.'
'Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres lusos em competições internacionais nunca precisaram de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola.

Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social.'

'Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Não clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e subsídios.'
É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós.
Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.


PS-Não tenho por norma publicar este tipo de mensagens que circulam na Net via e-mail que nos são enviadas sem identificação segura. Neste caso, e porque o assunto me parece incontroverso, decidi publicar esta mensagem que me foi remetida pelo Renato Oliveira. Além de mais, a Noruega é o meu país de eleição...

Perguntas

Selecções nacionais de futebol. Selecção A, sub-23, sub-21, sub-20, sub-19, sub-17, sub-15. Quantas têm a sua "casa" na região de Lisboa? Todas. Quantos clubes da 1ª Liga estão localizados a norte do rio Mondego? Oito. E a sul? Seis. E na Liga de Honra? Dez a norte e 5 (inclui a Covilhã) a sul.
Não seria razoável que duas ou três daquelas selecções tivessem a sua "casa" algures a norte do Mondego? Não haveria vantagens desportivas e económicas para os distritos envolvidos? Porque motivo as Associações de Futebol potencialmente envolvidas, nomeadamente a maior do país - A.F. do Porto - não tomam uma posição de força no seio da Federação que elas integram? O que aconteceria se houvesse uma "revolta" no interior da Federação? Haveria intervenção policial, julgamentos, deportação dos culpados?
E finalmente, porquê esta passividade, esta resignação, esta indiferença, que atravessam toda a sociedade portuguesa e que hão de fatalmente, mais cedo ou mais tarde, resultar na desaparição de uma nação quase milenária?

Simplex, multiflex, ou compliquex?

Há quem acredite que depende exclusivamente de cada um de nós traçar o nosso próprio destino. É um cliché que os pais de família e os governantes têm em comum, só que usados com propósitos distintos.
Enquanto os pais de família transmitem essa ideia aos filhos para lhes moldar o sentido de responsabilidade e os "obrigar" a encarar seriamente a sua formação académica para melhor se defenderam na vida prevenindo o futuro, os governantes fazem-no para criar no povo a ideia de que a sociedade, desde que ele o queira, está preparada para lhe proporcionar um lugar ao sol com um emprego [ou um negócio] compensador. Nada mais falso. Contudo, este discurso demagógico tem vindo a passar. Tal como o da Bíblia, contestada agora também pelo José Saramago e que já está a gerar muita polémica...
Nenhum Governo, em nenhum lugar do Mundo, é tão bom, que consiga garantir emprego condignamente remunerado aos seus povos, muito menos o de Portugal que na Europa continua a orgulhar-se de pertencer ao grupo dos mais atrasados. Mesmo que apanhados em flagrante delito, com a mão na massa, como diz o povo, os políticos continuam a ter sucesso com a técnica do embuste. Há ainda um número considerável de pessoas estranhas a depositar-lhes confiança, apesar da subida sistemática das abstenções, e é isso que fatalmente nos vai mantendo na rectaguarda do progresso.
Dou um doce a quem tenha ouvido da vox populi o discurso fadista da multi-formação, da necessidade de as novas gerações terem inevitavelmente de concluir tipos diversos de cursos, quer sejam de formação ou académicos, a pretexto de já não existirem empregos para toda a vida e de serem obrigados a mudar de profissão várias vezes. Até podem ter ouvido, porque afinal de contas o mal do povo é emprenhar facilmente pelos ouvidos, mas nos media não, só pode ter ouvido dizer estas cretinices a duas classes de pessoas: aos políticos e aos empresários. E vale o que vale, não é para levar a sério, nem convém que seja.
Com tanta coisa torta no Mundo para endireitar, tanto plano inacabado, outros tantos por iniciar, com tanta carência, como é possível espalhar esta ideia peregrina do pluri-emprego e da pluri formação quando há um mundo de jovens sem emprego para um único curso? E se tivessem dois, três diplomas, como seria?, assim mesmo o Estado ou o Empresariado estariam em condições de lhes garantir emprego? E os pais, a grande maioria dos pais portugueses ganharão e viverão o tempo suficiente para pagar esses cursos «Multiplex» aos filhos?
Esta, é uma das mais recentes balelas, mais um sinal nítido da incompetência daquilo a que pomposamente chamam elites! Afinal, chega-se à conclusão que hoje, pertencer a uma elite, começa a ser um mau motivo para corar de vergonha. Falar de multi-formação numa época onde o desemprego é avassalador e se vai espalhando pelo mundo como um carcinoma, é o mesmo que brincar com um doente em estado terminal. E eles brincam. Sempre brincaram, porque haviam agora de respeitar o Povo?

18 outubro, 2009

Falando de vampiros, é tempo de avivar memórias




Se José Afonso ainda estivesse entre nós, seria ele [também] passivo espectador centralista do neo-colonialismo actual, ou respeitaria os ideais que tanto defendeu cantando?

O empresariado "nacional" e o camaleão da FPF

O assunto já foi abordado de forma esclarecedora pelo Rui Farinas, mas a padronização da subserviência das falsas elites portuenses começa a atingir patamares de sem vergonhice que não podem mais ser tolerados.
Os argumentos que até ao momento têm vindo a público sobre o "plano estratégico" que justificariam a fusão da AEP [Associação Empresarial de Portugal] com a AIP-CE [Associação Industrial Portuguesa-Confederação Empresarial, não convencem ninguém. Não é por Rui Rio, com a demagogia que o caracteriza, querer agora dar sinais de inconformismo com as navalhadas do centralismo, que encontro razões para espanto de mais esta afronta feita aos nortenhos, porque o seu reinado na Câmara foi talvez a mais grave, mas, efectivamente, o Presidente da AEP José António Barros, não foi capaz de apresentar uma única explicação fiável para nos convencer dos benefícios de mais um macabro processo de centralização, depois de noutras ocasiões não muito remotas tanto o ter criticado. Esta gente está louca e está querer enlouquecer-nos!

António Barros, reagindo à indignação postiça de Rui Rio, respondeu que eram infelizes e inexplicáveis, argumentando que eram reveladoras de uma visão política desajustada das necessidades actuais das empresas e da economia nacional. Descontando a parte mais conhecida por todos nós que não descortinamos competências ao edil portuenses para lá das costumeiras decisões infelizes, António Barros e respectiva direcção AEP não foram muito diferentes nas suas declarações. Afinal, como é possível falar de necessidades económicas nacionais no contexto de um país economicamente desnacionalizado a Norte pelo centralismo? A musa inspiradora desta iluminada decisão, terá sido a recente ladroagem do Governo com os fundos QREN destinados ao Norte, a região mais pobre do país? Mas, de que massa são feitos estes incompetentes?

Como se estas desconsiderações [provocações] massivas não bastassem, o abjecto Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, à laia dos vermes mais asquerosos, decide seleccionar a capital do império futebolísitico que é o Estádio da Luz para palco do próximo jogo do play-off por questões relacionadas com a dimensão do Estádio! Isto é de bradar aos céus! Que asco, que desprezo me infunde esta garotada.
Que venham os espanhóis por aí dentro [a economia já nos invadiu] com as armas, e podem ficar já a saber de que lado da barricada estarei. A minha Espanha, o meu vizinho e eterno inimigo, chama-se LISBOA e todos os que têm andado com ela ao colo, a arruinar sadicamente o resto do país.

17 outubro, 2009

Será que só nos resta a revolução?

Quando o povo de um determinado país viveu com a euforia que se viu o 25 de Abril de 1974 e se juntou espontânea e solidariamente ao Movimento dos capitães [mais tarde designado por Movimento das Forças Armadas, MFA], estaria longe de imaginar que os crápulas do regime que pensava ter sido derrubado iriam, 35 anos mais tarde, continuar a dominar esse país, escondidos atrás da máscara da Democracia.
Esse tempo está a esgotar-se, e a máscara derreteu-se como manteiga em fogo. Eles já perceberam isso mas, como as leis que molduram esta Democracia são uma autêntica salada russa de contradições, vão ganhando consciência do escudo protector que tal constitui para abusarem do poder que detêm, e então, ninguém consegue pará-los. Roubam, mentem, sacrificam os povos nas suas barbas e borrifam-se para o que possam deles pensar, porque são por génese, corruptos.
A pergunta que levanto é a seguinte: se um povo, ou parte significativa desse povo, não consegue por via democrática, acabar com um sistema que os humilha e mina a existência, o que é que lhe resta além do recurso à força? Mais: os defensores do status quo, os que votam na degradação da democracia não serão também co-responsáveis?

16 outubro, 2009

Tsunami de indignação precisa-se!

Numa época em que tanto se sente a necessidade de criar mecanismos que libertem o Norte do jugo centralista que absorve muito e dá pouco, a notícia cai como uma bomba. A lisboeta Associação Industrial Portuguesa acaba de engolir a sua congénere nortenha! Não adianta dizerem que se trata de uma fusão, pois em todas as fusões o que na realidade acontece é haver um parceiro dominador e um parceiro dominado. Nesta fusão é fácil ver qual é um e qual é outro. Devo dizer que não tinha simpatia especial por Ludgero Marques pois achava-lhe convicções nortenhas pouco vincadas e uma patente preocupação de estar de bem com deus e o diabo. Depois de ouvir José António Barros na TV fiquei com boa impressão dele. Afinal enganei-me redondamente. José António Barros acaba de ter uma atitude de Judas ao trair a AEP e todo o Norte. Ficará na história desta associação como o seu coveiro, enquanto Ludgero sempre a defendeu.

Não sei o que pensam os associados nortenhos da AEP, eles que são a verdadeira razão de ser da associação, mas dificilmente acreditarei que os seus interesses e anseios sejam melhores defendidos e representados por uma associação sediada em Lisboa e dirigida por lisboetas, do que por uma AEP que morava na "porta ao lado", com todas as facilidades de proximidade, e com gente que forçosamente entendia melhor os seus problemas e idiossincrasias. Acresce que a estrutura industrial do sul é tão distinta da do Norte, que os problemas sentidos serão forçosamente muito diferentes e necessitarão de diferente enfoque para a procura de soluções. Ignoro se os associados da AEP deram a sua concordância expressa à Direcção, ou se não foram ouvidos. Se deram, lamento que tenham dado não um tiro no pé, mas sim um tiro na cabeça: suicidaram-se! Se não foram ouvidos, acho que terão de rebelar-se contra a direcção e exigir a auscultação do seu sentir.

Espero que a falecida AEP tenha o pudor suficiente para não vir argumentar que no Porto haverá uma "delegação principal"(!), a que Ludgero chama "delegação envergonhada". Já sabemos o que essas delegações são: apenas "caixas de correio" onde se depositam os problemas locais que seguidamente serão apreciados em Lisboa, que majestaticamente enviará de volta para o Porto os dossiers com a sua soberana decisão. E a Exponor e as suas Feiras? Que critérios passarão a ser seguidos e quem os definirá? Se a cúpula está em Lisboa, será de prever que o novo critério terá subjacente a prevalência dos interesses da FIL, com a consequente menorização da Exponor.

A justificação apresentada para esta absorção da AEP, é a necessidade de que o patronato fale a uma só voz, sobretudo na Concertação Social, mas o facto é que as outras confederaçoes patronais (turismo, agricultura, comércio, etc) não estão dispostas a fundir-se nem a abdicar da sua presença. Seria inviável ou muito complicado que AEP e AIP criassem um organismo paritário ad hoc para acertar posições conjuntas nos problemas em que fosse conveniente a indústria apresentar uma frente comum ?

Esta rendição da AEP é vergonhosa e humilhante. Gostaria de pensar que este passo não é irrevogável, que uma invencível indignação surgisse e, tal um tsunami gigante, varresse este acordo, e já agora varresse também os responsáveis da AEP por este acto lesivo dos interesses e da dignidade de todo o Norte.

p.s. Carlos Lage, Basilio Horta, António Pires de Lima e ministros do governo centralista, é claro que aplaudem que a AEP desapareça e que a sede da CEP fique em Lisboa. Se gente desta aplaude, é garantido que só pode ser prejudicial para o Porto. O presidente A.I. do Minho também acha muito bem. Ah, o ódio de Braga em relação ao Porto! Uma profunda desilusão foi a concordância de Rui Moreira. Ingenuidade ou calculismo? Será que a sua Associação Comercial também vai ser engolida e ele aplaudirá?

Prédios da Baixa continuam a desmoronar-se

Após a derrocada de um edifício na Rua Formosa, na semana passada, os prédios da Baixa do Porto voltam a estar em perigo. Ontem, ruíram partes de dois prédios: um na Travessa da Bainharia e outro na Rua de Camões.

A queda de alguns azulejos da fachada de um prédio na Travessa da Bainharia, no Centro Histórico do Porto, levou, ontem de manhã, à intervenção do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto, que, munidos de uma auto-escada, retiraram partes em perigo de cair. "Retirámos alguns azulejos que estavam soltos, mas a fachada não aparenta oferecer mais perigo. Pelo menos para agora", referiu fonte dos Sapadores do Porto.

A via entre a Rua Escura e a Travessa da Bainharia ficou cortada durante cerca de uma hora, enquanto os bombeiros removiam os detritos.

Mais tarde, cerca das 17.30 horas, os Sapadores do Porto receberam outro alerta para outro edifício em perigo de ruir. Desta vez, o batalhão foi chamado para uma casa não habitada no número 537 da Rua de Camões. Um pedaço de madeira, muito degradada, caiu da varanda para o passeio. Por sorte niguém foi atingido. No entanto, fonte dos Sapadores do Porto assegurou que o edifício não é considerado de risco.
Recorde-se que, na quarta-feira passada, ocorreu uma derrocada na Rua Formosa, no local dos antigos armazéns Lã Maria, fechados há mais de 30 anos. Nessa mesma rua encontram-se, ainda, cinco edifícios em estado de degradação semelhante ao do edifício que se desmoronou.
Estes três casos não são excepção, uma vez que 36% dos edifícios do Centro Histórico do Porto, ou seja 683 imóveis, estão em mau estado ou em ruína.
[Fonte: JN]

Jacques Brel : Les Bourgeois



Dedico esta canção da autoria do belga Jacques Brel às «elites nacionais». Já tem umas boas dezenas de anos de existência [o intérprete é que já morreu], mas mantem-se perfeitamente actual na sátira. Continuo sem compreender por que é que só Salazar e o respectivo regime inspiraram os cantores de intervenção. Será que, hoje, com tanta malandragem, não haverá espaço para este tipo de canções?

Já agora, aproveito para fazer desta "homenagem" ao oportunismo político e social dos novos tempos, uma outra bem mais séria ao post aqui publicado logo abaixo, pelo António Alves.

LES BOURGEOIS

Le coeur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le coeur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restait le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le coeur au repos
Les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo
Et avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "peigne-culs" nous montrent leur derrière
En nous chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...




John of God Pine Tree ou os comidos por lorpas

John of God Pine Tree, vulgo João de Deus Pinheiro, ex-ministro e ex-comissário europeu, prócere do cavaquismo e sem obra política notável, lisboeta retinto, ou melhor, verdínto, porque a alface é verde, fez-se eleger deputado, como cabeça de lista do PSD, por Braga. Participou em debates, analisou problemas do distrito, fez promessas. Deu até lustro ao ego dos bracarenses - os citadinos - falando-lhes de Braga e da sua importância como contraponto ao "portocentrismo" - é assim que se ganham votos em Braga.
Os debates em que o senhor interveio, a par com igual pára-quedista do partido irmão, foram transmitidos por TV's, rádios locais e até blogues. Não tenho memória de alguém lhe ter perguntado se o mandato era para cumprir ou se andava ali só a trabalhar para a manutenção dos seus níveis de militância fazendo o frete de andar a aturar os parolos lá do Minho durante duas semanas.
Os bracarenses vão ser agora representados por um jotinha que não foi capaz de arregimentar votos suficientes para se fazer eleger e que o povo claramente rejeitou porque impediu que o PSD elegesse deputados suficientes que cobrissem o lugar que o imberbe ocupava na lista.
Cada povo tem o sistema político que merece. Mas há quem mereça mais que outros.