02 novembro, 2010

Noruega rica, Noruega sóbria!


Dizia ontem o professor Álvaro Domingues [FAUP] ao Porto Canal  que não sabia bem o que é agora a União Europeia, depois da "sugestão" apresentada por Angela Merkel  à Grécia  para vender uma das suas ilhas como forma de resolver a crise financeira daquele país... Eu, também não sei.

Passe o exagero da medida, países como a Grécia e Portugal deviam ser severamente punidos sempre que incumprissem com os objectivos traçados pela UE, mas nunca através da alienação dos seus territórios. Bastaria inflingir atempadas e justas coimas, com supressão de regalias, acompanhadas da demissão dos respectivos governantes, para os próximos pensarem duas vezes antes de desatarem correr como tolos atrás dos tachos do Poder. Agora, vender parte do território é que não parece uma medida lá muito pedagógica... Não estou a ver a Alemanha a abdicar serenamente de um dos seus 16 Estados Federados [Landers] caso cometesse as mesmas asneiras que gregos e portugueses.

Numa União Europeia assim, com a economia de rastos e sem uma forte ideologia social  a servir-lhe de meta, não há acordos, comunidades, uniões ou engenharia financeira que resistam. E num país como Portugal, não podemos confiar demasiado no Estado nem na iniciativa privada. O liberalismo não é para nós. Os portugueses ainda não atingiram um nível de cidadania suficientemente elevado para poderem confiar uns nos outros. Se o Estado [os seus máximos representantes] não é pessoa de bem nem consegue formar-se como regulador e como exemplo, não é do empresariado que o podemos esperar. Pela mentalidade do empresariado típico português, não tardará muito, teremos regressado à escravatura.

Razão têm os noruegueses, esse povo com imensos recursos naturais* , sóbrio e sem tiques de novo rico, que soube dizer não à União Europeia depois do governo ter assinado por duas vezes a adesão ao tratado [1972 e 1994].

Nós,  não temos como eles, jazidas de petróleo, nem gás, nem minerais, nem as suas enormes florestas, mas se acaso as tivéssemos, decerto veríamos todas essas riquezas concentradas nas mãos de uma dúzia de oportunistas e o povo a continuar com salários terceiro mundistas com impostos caros e sem retorno garantido. Portugal, nem com petróleo seria capaz de se governar. Definitivamente, não acredito no futuro de Portugal, nem tão pouco nos "optimistas" que apostam em destruí-lo.

*A Noruega foi o segundo maior exportador de frutos do mar (em valor, depois da República Popular da China) em 2006. Outras principais indústrias do país incluem a de processamento de alimentos, construção naval, metais, produtos químicos, mineração, pesca e produtos de papel. A Noruega mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado num regime compreensivo de previdência social. A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano entre 2001 e 2007. Em 2009,o país foi novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver.

O ACORDO

Afirma o Sr.Ministro das Finanças que o acordo com o PSD sobre o Orçamento Estado, tem implicações, nomeadamente no que diz respeito a um custo de 500 Milhões de Euros, e que esse custo terá de ser compensado com a apresentação de mais medidas adicionais de austeridade!

Mas afinal o que é isto? Chega-se a um acordo e não se sabe onde cortar os 500 milhões? Querem aplicar mais austeridade depois de terem acordado um projecto de Orçamento, que seria suposto saber quais as despesas a eliminar!

Quer o Sr.Ministro que lhe demos algumas dicas onde pode e deve cortar nas despesas?

Cortem no supérfluo e nos "tachos" dos boys! Cortem nos Institutos e Fundações públicas e não só ( e por falar em Fundações, a de Guimarães capital da cultura, tem uma presidente que aufere mensalmente a módica quantia de 14.300 euros + viatura + telemóvel! Tem dois vogais que ganham, cada, 12.500 euros mensais e têm ainda alguns ex-politicos, como Jorge Sampaio e Freitas do Amaral, que têm direito a um prémio de presença na ordem dos 500 euros!!!). Mas o que é isto?

Pode também o senhor Ministro impôr uma taxa adicional nas reformas mais elevadas e colocar um tecto nas mesmas reformas de 4.000/5.000 euros, para que se não ultrapassem estes valores!

Diz o senhor Ministro das finanças que o déficit não pode exceder os 4,6% em 2011! E nós perguntamos quanto é esta percentagem em Euros?

O mais provável é que seja menos do que o Sr.ministro calculou... FEZ A HORRIVEL ASNEIRA DE TOMAR COMO FIXA O QUE NÃO PASSA DE UMA VARIÁVEL (Isto aprende-se no 1º ano da faculdade de economia)!

Tudo isto tem de ser encarado com muita seriedade e são necessários politicos mais competentes, mais respeitadores da coisa pública, da ética e dos princípios!

Renato Oliveira

Porto

[Carta enviada ao JN para o Correio do Leitor]

30 outubro, 2010

Valerá a pena continuar?

Atenuados os constrangimentos de natureza familiar que durante tanto tempo me afastaram deste espaço de opinião, julgo sentir-me com um mínimo de condições psicológicas para reaparecer. E no entanto... tenho dúvidas se devo fazê-lo!

Há tsunamis gigantescos que continuam a ameaçar submergir este desgraçado país onde tive o azar de nascer. O pior de todos, obviamente, é a ameaça de bancarrota. Como disse alguém na TV (não lembro quem) andamos durante anos "a fazer vida de rico mas com carteira de pobre". O resultado só podia ser este, mas o que aconteceu, aconteceu, não adianta chorar pelo leite derramado. O fundamental agora seria reverter a situação, não gastar mais do que aquilo que produzimos. No entanto, o que se verifica? Verifica-se que os nossos pífios governantes, numa clara demonstração de que a sua qualidade se tem vindo a degradar ano após ano, só encontraram uma solução ao nível do mais analfabeto dos merceeiros de esquina : aumentar os impostos, diminuir tudo o que é prestação social, confiscar parte dos salários, aumentar o custo de todos os bens, mantendo todavia a promessa de realizar as obras megalómanas que tinham parido no tempo das supostas vacas gordas, ainda por cima concentradas na capital ou no seu hinterland, aumentando assim as assimetrias regionais. Parece-me que não será necessário ser economista para antever uma enorme recessão, sacrifícios impostos às classes baixas e média, aumento do desemprego.

Permitam-me um parêntese. Nas presentes circunstâncias em que não há uma maioria absoluta na AR, as desastrosas medidas que o partido do governo propõe, serão levemente mitigadas pela indisponibilidade do maior partido da oposição em aceitá-las na totalidade. Se imaginarmos que a presente situação ocorria na altura em que existia uma maioria absoluta, estas medidas teriam sido implementadas no seu estado original. De resto, olhe-se para a actividade legislativa do PS durante os anos de maioria absoluta e veja-se a quantidade de medidas idiotas que nos enfiaram pelas goelas abaixo, materializando a existência de uma autêntica ditadura. É por isso que pessoalmente sou contra a existência de maiorias absolutas, sejam de que partido forem.

Retomo o tema de que me ocupava. Se o estado económico-financeiro do país nos suscita dúvidas sobre a sua sobrevivència como nação independente, os outros pilares de uma sociedade democrática saudável estão como sabemos. A Justiça é um caos, a Educação uma vergonha, e a Saúde que, apesar de tudo, funciona muito satisfatoriamente, está debaixo de ataque e daqui a uns anos não sei como estará.

No meio deste desastre geral, talvez o pior que o país suportou nos últimos séculos, pergunto-me se terá sentido exprimir, através da escrita, preocupações sobre assuntos que acabam por ser secundários, ainda por cima tendo a convicção da inutilidade deste esforço, na medida em que os nossos políticos são incorrigíveis? É verdade que já há muito tempo que sinto esta inutilidade, mas se apesar disso mantive uma colaboração regular neste blogue, foi (para além da amizade para com o Rui Valente) pela necessidade de " lavar a alma". Só que hoje em dia a sujeira é tanta que desconfio bem que não há água capaz de a lavar!

29 outubro, 2010

MY FUNNY VALENTINE - Chris Botti




Bom fim de semana!

D. Sebastião ou o labirinto


Não aprecio regimes opressivos como aquele que tivemos no Estado Novo durante 41 anos, nem muito menos aquele da 1ª. República, porque embora ostentasse o nome oficial de República Democrática Portuguesa, não foi por isso que em 16 anos [1910/1926] se poupou os portugueses ao pesadelo de 45 Governos [mais de 2,5 Governos ano!], 8 Presidentes da República e 7 Parlamentos... Nem mesmo assim, com este histórico tenebroso de más práticas governativas, tal  serviu para percebermos que para nos tornarmos num país democrático, não nos basta inscrever a democracia na Constituição, é preciso pô-la em prática e acessível ao Povo.

Uma década depois do século XXI, Portugal continua um país por resolver, e nem sequer está perto de descobrir o caminho da sua salvação. Refém de um grupo de cáfilas cujos principais talentos se reduzem ao teatro e ao compadrio, o povo vê-se impotente para se livrar democraticamente deste martírio.

No subconsciente dos portugueses paira ainda o medo de represálias herdado do antigamente e vai deixando correr o marfim, talvez à espera que as coisas se resolvam por si mesmo. Descrente, torce o nariz a novos movimentos de cidadania, prefere deixar tudo como está, não arriscar... Até quando? Até sentir bem na pele, de forma dolorosa os efeitos da crise que ainda agora é uma criança. Mas vai sentí-la, podemos estar certos! E depois, como irá reagir, se a Democracia que lhe é servida é lenta e ineficaz? Provavelmente, o desespero acabará por dar lugar à revolta e daí redundar para a violência. O problema nestas ocasiões não está no "mal" que se inflinge aos responsáveis - que esses quase sempre se safam -, está nas injustiças que a violência arrasta consigo...   Então o que nos resta?

A utopia do sebastianismo? Não, porque as utopias do sebastianismo não resolvem nada. E a utopia da Democracia resolverá? Pela amostra, velha de 36 anos, também não. Como sair então deste labirinto sem fazer sangue? Responda quem souber e quem não acreditar em utopias.

28 outubro, 2010

O "Jamé" das cunhas

Cunha de Lino a favor de Godinho pode dar processo


Nelson Morais, Nuno Miguel Maia
e Jesus Zing [JN]

Declarações da ex-secretária de Estado sobre uma alegada "cunha" do ministro Mário Lino para a resolução de um diferendo do sucateiro Manuel Godinho com a Refer podem originar novo processo. Ontem, foram acusados 34 arguidos no caso Face Oculta.

Ana Paula Vitorino terá relatado que foi contactada pelo então responsável pela pasta das Obras Públicas e Transportes e também pelo ex-ministro Armando Vara. O objectivo seria a satisfação dos desejos de Godinho: fazer com que Luís Pardal, presidente da Refer (empresa responsável pela rede ferroviária nacional) não provocasse problemas à firma "O2", que mantinha um diferendo em tribunal.

Aquando das detenções iniciais no processo Face Oculta, há um ano, recorde-se, a PJ de Aveiro e o Ministério Público aventavam a suspeita de que Manuel Godinho teria procurado Armando Vara para, a troco de quantias em dinheiro - numa primeira ocasião 10 mil euros em notas, mas posteriormente com 25 mil euros como contrapartida -, exercer influência junto de membros do Governo com vista à demissão do líder da Refer.

O processo ficou anteontem concluído e na acusação do Ministério Público da Comarca do Baixo-Vouga foram incluídos 34 arguidos e ainda duas empresas. Vão responder por crimes de associação criminosa, corrupção activa e passiva, tráfico de influências, burla agravada, furto qualificado, participação económica em negócio, corrupção activa e passiva no sector privado, falsificação de notação técnica e perturbação de arrematações.

Visados nesta acusação são, além de Manuel Godinho e vários elementos e funcionários das suas empresas, os socialistas Armando Vara, José Penedos e Paulo Penedos.

Também no rol dos acusados estão vários administradores de empresas de capital público que efectuaram negócios com Godinho, em que o erário público terá ficado a perder (ver caixa). Fonte ligada ao processo explicou ao JN que o julgamento pode realizar-se em Lisboa, local da sede de empresas públicas lesadas.

Colaboração com o PS

Alegadamente, em vez de promover a demissão de Luís Pardal, Mário Lino terá tentado convencer Ana Paula Vitorino - então secretária de Estado dos Transportes do Governo PS e actualmente deputada - a diligenciar pela resolução amigável do diferendo. Um argumento utilizado terá sido o facto de Manuel Godinho já ter prestado colaboração ao Partido Socialista. O que também terá sido feito por Armando Vara. No entanto, em declarações de há um ano, Ana Vitorino negou ter sofrido qualquer pressão.

Estes factos poderão, eventualmente, enquadrar-se num crime de tráfico de influências. Segundo fontes contactadas pelo JN, é provável que o Ministério Público venha a optar pela abertura de um inquérito autónomo contra Mário Lino.

Godinho ganhou milhões

O empresário de Ovar detido por suspeitas de corrupção e tráfico de influências junto de políticos é acusado de ter organizado um esquema que prejudicou empresas públicas em milhões de euros. Mas, segundo os factos apurados na investigação, até conseguiu dar a ideia de que lhes fazia um favor.

Um exemplo é o caso da Lisnave (Setúbal), em que a empresa de Godinho retirou 100 toneladas de resíduos ferrosos como se fosse lixo e teriam um valor de 100 mil euros. Nas manobras de retirada do material, os resíduos foram cobertos por lixo verdadeiro, para não levantar suspeitas. E assim o empresário terá conseguido um duplo lucro.

Recebeu dinheiro pelo "favor" que fez à Lisnave e ganhou pela venda e reciclagem de metais. Tudo isto só foi possível mediante a entrega de um suborno de 10 mil euros a um funcionário daquela empresa.

Novos tempos, piores tempos

Hélder Pacheco, esse portuense de boa génese, escrevia hoje [JN] sobre a imprensa do Liberalismo e da 1ª. República, o seguinte:

Apesar do ar taciturno de melancolia e bruma, o Porto divertia-se. Era um ferrinho em revistas, zarzuelas, circo e pantominas. Foliava pelo entrudo e perdia a compustura no S. João. Ria com riso à sua moda. Ria e gozava com políticos e governos que, sendo centralistas, independentemente da coloração política, levavam pancada de criar bicho. Gazetelheiros, humoristas e inventores de pilhérias eram exímios na blague contra os frequentadores do Terreiro do Paço e os despautérios em geral (incluindo os locais)....
houve no burgo os seguintes periódicos humorísticos:
Tira-Olhos, A Troça, O Verdilhão, O Vergalho, A Vida, O Zó Povinho, O Balão, Charivari, O Diabo, Dó-ré-mi, O Gabiru, O Garoto, O Grilo, Miau, A Moca, Não t'Importes, O Pagode, O Pardal, O Parolo, Pim-pam-pum, Os Pontos, O Porto por um canudo, A pulga, O Raio, O Rival, O Teso, e Tesouradas...
A importância desta imprensa durante o Liberalismo e a 1ª. República, em permanente confrontação com o Poder, não tinha comparação com a actualidade, tal como a estatura de alguns políticos que tiveram de governar com ela à perna.
(Que falta nos faz esta imprensa maliciosa, questionando as políticas e acicatando os leitores).

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Nota de RoP:
Hoje, o jornalismo do burgo e também de outras bandas, aplica o talento e a energia a defender quem lhe pagar mais... A sátira podia arreliar o Big boss, e a vida está tão difícil... Os seus ideais "sociais", limitam-se ao(s) €uro(s). Quanto mais, melhor.

26 outubro, 2010

O país do faz de conta

Era uma vez um País… a história podia começar desta maneira, mas a situação é demasiado grave para fábulas e contos, pelo que teremos que aguardar e verificar a que meta chegaremos, ou se o abismo está mais próximo!

Depois de diversos governos andarem anos a fio a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes portugueses, e a engordar o Estado, prepara-se o actual governo, via Orçamento Estado, para voltar a atacar o bolso de todos nós, colocando, mais uma vez, um garrote nos salários, nas pensões, nos benefícios sociais, nas scuts do Norte (o País não é todo igual?), bem como no aumento de impostos, etc.etc.

Continuarão os trabalhadores e pensionistas portugueses a ver diminuídos os seus salários e pensões, e os pobres continuarão a ficar mais pobres. Ou seja, mais uma vez, aumentam os Impostos e reduzem os salários!

É caso para perguntarmos aos portugueses, que ciclicamente se deparam com uma crise económica/financeira, embora desta vez se considere mais uma catástrofe do que crise, se não valerá a pena entregar a Administração e Gestão de Portugal à União Europeia, ao FMI, ou mesmo a outro País Europeu? Seguramente que daqui por 5 anos estaríamos bem melhor e sem os sobressaltos que periodicamente nos atormentam!

É o caos e é a crise que os mais pobres vão sofrer e pagar! Não existem metas nem horizontes planeados a médio e a longo prazo. Os Portugueses que emigrem, porque é a única solução que têm para si e para  a salvação do país que os políticos lhes proporcionam! POR MUITO MENOS, DO QUE ACONTECE EM PORTUGAL, OS FRANCESES REVOLTAM-SE, e dão uma lição de como se defende os seus benefícios sociais!

Renato Oliveira
(Porto)

 [Enviado ao Correio do Leitordo, JN]

Corrupção: Portugal na 32.ª posição entre 178 países

Portugal surge na 32.ª posição no quadro dos 178 países analisados pela Transparência Internacional (TI) quanto à percepção da corrupção, quando em 2009 aparecia em 35.º lugar, que foi o pior ranking de sempre para o país desde 2000.

No relatório anual da organização não-governamental, intitulado "Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010", Portugal mantém-se como um dos países da Europa Ocidental em pior posição do ranking anual sobre a percepção da corrupção, embora tenha melhorado ligeiramente em relação ao ano passado.

Leis "herméticas", um aparelho de Justiça que "não funciona" e resultados "nulos" no combate à corrupção são as razões apontadas pela TI para explicar a má posição de Portugal no ranking anual sobre percepção da corrupção.

Paulo Morais, da representação portuguesa da TI, disse à Lusa que "nos últimos anos Portugal piorou muito", afirmando que "o ovo da serpente está na legislação confusa e que gera ela própria corrupção".

Leis "invariavelmente herméticas e cheias de regras que ninguém compreende e excepções por forma a obedecer muitas vezes a este ou aquele grupo" e, "o pior de tudo", leis que atribuem "um ilimitado poder arbitrário a quem as administra" são as principais razões, defendeu.

Paulo Morais acrescentou que o aparelho da Justiça "não funciona" porque "não há uma actuação sistemática de combate à corrupção". "Tem havido aqui e além alguns assomos de aparente vontade de combater" a corrupção, afirmou, salientando, no entanto, que tiveram "resultados praticamente nulos".

O responsável da TI em Portugal disse que "mesmo os organismos mais recentes têm sido praticamente nulos quando não, muitas vezes, contraproducentes".

Paulo Morais classificou o Conselho Português para a Prevenção da Corrupção como um "organismo governamentalizado" e a Comissão Parlamentar Contra a Corrupção como "uma inutilidade absoluta", com "resultados práticos praticamente nulos".

"Os próprios parlamentares mais relevantes nessa Comissão eram eles próprios muito ligados a grandes grupos empresariais, o que obviamente não ajuda no combate à corrupção", argumentou.

Segundo referiu, o relatório da Transparência International foi elaborado por "um conjunto de sábios independentes", tem diversas fontes e corresponde em 60 por cento a visões externas sobre Portugal e em 40 por cento a opiniões manifestadas em Portugal.

"Obviamente, quando a percepção da corrupção ao longo dos anos indica que os valores da corrupção estão a aumentar e a qualidade da democracia por essa via está a diminuir, isso corresponde a um aumento real da corrupção", frisou.

A Transparência Internacional é uma organização não-governamental que tem como principal objectivo a luta contra a corrupção. Foi fundada em Março de 1993 e tem sede em Berlim. É conhecida pela produção anual de um relatório no qual se analisam os índices de percepção de corrupção dos países do mundo.

[Fonte: Público]


Nota do RoP:
Como me sinto orgulhoso! O que é preciso é optimismo...

25 outubro, 2010

Portistas muito reflexivos...ou tiros na cabeça

Ai, liberdade, liberdade, que tão maltratada andas!

O que será afinal a liberdade de opinião quando se trata de falar do nosso clube, entre adeptos do  nosso clube? Será mais fácil ou mais difícil que comentar o clube e os adeptos dos adversários?

A resposta, essa, parece simples, mas não é. Falar do nosso clube com adeptos do nosso clube, é uma coisa complexa porque mexe com a maneira própria de cada indivíduo sentir, ver e reagir. Há, no entanto um aspecto que devia prevalecer sobre a idiossincrasia do indivíduo quando falámos de futebol, que é o não menos importante espírito de grupo.

O espírito de grupo, que mais não é que a forte união de um conjunto de pessoas com interesses comuns por um mesmo ideal ou motivação, é por natureza mais forte e notório no futebol do que na própria política. Não é por acaso que o futebol é considerado o desporto mais democrático do mundo, mas não estou certo que isso seja uma coisa boa... Por quê? Porque a concentração exacerbada no futebol pode mascarar muitos outros problemas bem mais decisivos para o bem estar dos cidadãos e afastá-los da intervenção cívica.

Venho notando na blogosfera portista algumas rivalidades e picardias que, como portuense e portista, me desgostam e que, de certa forma,  traduzem o que tem acontecido nestes últimos 20 anos ao Porto e à Região Norte do país, como seja a acelerada pobreza económica e a total ausência de protagonismo político e social. Pode até haver muitas outras explicações para este "fenómeno" mas é sem dúvida a total falta de espírito de grupo e o excesso de vaidades individuais que está a fazer de nós uma perfeita marioneta para diversão do centralismo. 

É por isso para mim incompreensível, que a pretexto de uma duvidosa liberdade individual de pensamento, haja portistas que não demonstrem esse espírito de que anteriormente falei e não se importem de contribuir para o rol de histórias de escárneo e maldizer em que os nossos adversários são pródigos com insinuações nada abonatórias para a direcção do FCPorto, tendo em conta a perseguição que nos tem sido  cobardemente movida pelos amigos do centralismo.

De mais a mais, tratando-se da direcção de um clube que, não sendo perfeita, é a mais competente e bem sucedida de Portugal e de muitos outros países com mais recursos. Criticar desbragadamente a direcção de um clube com o histórico vencedor do FCPorto dos últimos 30 anos, é no mínimo mesquinho e uma enorme prova de falta de gratidão. Há críticas e críticas. A contundência das críticas deve ser proporcional à mediocridade ou à excelência dos criticados. Eu próprio não poupo "encómios" à classe política, mas não há ninguém que me possa provar que não tenho motivos sólidos e legítimos para o fazer. Agora, ao FCPorto? A um clube que, no âmbito desportivo, tem dado aos adeptos aquilo que nenhum Governo em 36 anos foi capaz de dar ao povo português em qualidade de vida!? Se há quem ache que pode fazer melhor [e pelos vistos há], então que se candidate nas próximas eleições à Direcção do clube - se é isso que pretende -, e  mostre ao universo portista o que vale a tal massa cinzenta que  julgam ter, e que falta a outros...

A propósito: como entenderão - esses intelectuais da bola -, que estará o país, e os nossos governantes? Seguramente, presumo, muito melhor do que o FCPorto e respectivos dirigentes, porque nem a existência de um novo partido parece ser uma razão de peso para  o tentarem mudar. Viva o umbigo!

Uma certeza nos fica: com estes protagonistas o FCPorto vai longe...

Links e notícias [fonte: JN]

Estranhar-se-à muito [ou nem por isso...] que o Sr. Procurador Geral da República não decida outra  vez nomear uma daquelas super "equipas especiais",  que tão céleres e "eficazes" resultados conseguiram na investigação  dos crimes da noite no Porto...

De que cor serão as noites em Santo António dos Cavaleiros?


Portugal tem a segunda mais lenta justiça da Europa [JN]
Vá lá, vá lá, podia ser a primeira

Justiça “emprega” mais em Portugal do que na Europa
Justiça mais lenta e mais despesista. Faz mesmo todo o sentido...

Preços do leite básico e da carne vão aumentar
Imaginem as dificuldades alimentares dos filhinhos e netinhos dos banqueiros. Que coisa! São sempre os mesmos desgraçados a pagar a crise!


Saiba o que vai aumentar a partir de Janeiro

Leites achocolatados - Da taxa de IVA de 6% passa para a mais elevada, 23%. Em Espanha, este produto, bem como os leites enriquecidos, tem uma taxa de 8%.

Sumos e néctares - Taxados actualmente a 6% passam a ser taxados a 23%. Mais uma vez, em Espanha esse valor é de 8% de IVA.

Conservas - De carne, peixe ou produtos hortículas (como salsichas, atum ou feijão) passam a ser taxados a 23%. Em Espanha a 8%.

Gás engarrafado - Actualmente é taxado a 21%, quando o gás natural é taxado a 6%, mas que não chega a todo o território nacional.

Luz*- Acresce um aumento de 30% na taxa de audiovisual, para 2,25euros.

CTT - Os serviços universais dos CTT vão manter o mesmo preço, isento de IVA, até à actualização da tabela, que deverá acontecer em Março.

Comunicações - A Vodafone, TMN, PT e Optimus, admitem subir as tarifas e preços de equipamentos de acordo com a actualização do IVA.

Ginásios - A prática desportiva em ginásios passa a ser taxada com o valor máximo de IVA. Os bilhetes para espectáculos desportivos vão manter-se nos 6%.

Rendas - A actualização para este ano, de acordo com o valor da inflação em Setembro, aponta para mais 30 cêntimos por cada 100 euros.

Carros - Sobem 0,3%. Aumento só em impostos para a compra de carro novo.

Transportes - A Federação de Táxis continua em negociação com o Governo, para os autocarros ainda não se conhecem vaP>

Carros - Sobem 0,3%. Aumento nos impostos.

* Não era uma boa altura para o Norte fazer um manguito a mais esta roubalheira? Nós nem sequer nos sentimos representados pela RTP como organismo do Estado!

22 outubro, 2010

10 cc / I'm not in love



Bom fim de semana

Victor Baía, nódoa ou bom pano?

Do jornal O JOGO

«Vítor Baía considerou, ontem, que a sua carreira teria muito maior projecção se tivesse sido feita com a camisola do Benfica ou do Sporting. Disse ainda que o FC Porto é um clube "fechado em si próprio" que não valoriza "tanto como devia" os seus antigos craques.

Declarações do antigo director das relações externas dos dragões, proferidas numa visita à EB 2/3 Nicolau Nasoni, no Porto. "Se aquilo que consegui no FC Porto tivesse sido no Benfica ou no Sporting, acredito que teria outra dimensão, não tenho dúvidas. Se calhar isso tem a ver com o facto de o nosso clube ser muito fechado, de ter uma estratégia para dentro. Isso não ajuda. Perdemos uma oportunidade de ouro, quando fomos campeões europeus, de nos abrirmos bem mais do que fizemos. O nosso clube não faz tudo que está ao seu alcance para potenciar a imagem dos seus jogadores actuais e dos que deram muito ao clube", criticou.»

Ler o resto aqui


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Opinião do RoP

Diz a sabedoria popular que "no melhor pano cai a nódoa", e diz bem. Agora, foi Victor Baía que se lembrou de soltar a caixa de parafusos e começar a espalhar disparates.

Como é possível que um jogador feito na casa, um atleta amado pelos adeptos, próximo de se tornar um dos grandes ícones do Futebol Clube do Porto, tenha feito publicamente afirmações que além de não corresponderem exactamente à realidade, servem como uma luva para alimentar a insaciável má-língua dos inimigos do seu clube?

Não se discute aqui o inalienável direito de Victor Baía a emitir a sua opinião com toda a liberdade, o que se discute é o momento em que o faz, e o espantoso desconhecimento revelado com a idiossincrasia do clube que lhe lançou a carreira , assim como as estranhas argumentações que sustentam as suas críticas.

Victor Baía tinha a obrigação de saber que a maior ou menor projecção de um atleta [e de um clube] não depende exclusivamente do clube mas sim dos critérios de propaganda dos media. Ora, estando VB cansado de conhecer a forma discriminatória e mesmo hostil como o FCPorto é tratado pela comunicação social, é no mínimo, surpreendente que se tenha expressado sem ter tido o cuidado de ponderar esse pequeno-grande "detalhe". Ele devia saber como poucos por que é que o FCPorto é um clube fechado e até estar agradecido por isso, porque se assim não fosse talvez hoje não pudesse orgulhar-se de ter ganho tantos troféus e campeonatos ao serviço dos dragões.

Se Victor Baía quisesse ser mais correcto e objectivo podia ter dito, por exemplo, que "se houvesse justiça e os media dessem ao FCPorto a mesma atenção e promoção que é dada ao Benfica e ao Sporting, os seus jogadores eram muito mais conhecidos", não havia nada a apontar. Assim, ficando por meias palavras, omitindo a parte mais importante da declaração, foi como se tivesse dado um tiro no próprio pé e uma punhalada no clube. Victor Baía já não é nenhuma criança, sabe bem o que o centralismo tem feito ao FCPorto e não devia oferecer-lhe de bandeja este pretexto para explorar até à exaustão, que é [como iremos ver] o que vai acontecer nas próximas semanas.

Se é verdade que o FCP não tem sido eficiente na sua política de comunicação, inclusivamente com os adeptos, e que tarda em resolver, não é menos verdade que não pode competir com a máquina de propaganda da RTP, SIC, TVI, rádios e jornais ao mesmo tempo! Era destes últimos de quem Victor Baía se devia queixar, e não do clube que tanto lhe deu a ganhar e tão bem o tratou.

Mas, quer-me parecer, que tal como o zé povinho, Victor Baía não está a ver o que se passa no país e está se calhar convencido que é Pinto da Costa quem tem de pagar a crise. 


Canalha

Um dia, poucos mêses depois do 25 de Abril, ouvi um primo meu, homem corajoso, ex-oficial do exército e combatente medalhado das guerras coloniais, dizer ao meu pai: tio, vou pedir a minha passagem à reserva! O meu pai, pessoa profundamente avessa ao regime de Salazar [e de Cerejeira],  ainda debaixo  dos efeitos eufóricos da conquista da Liberdade, perguntou-lhe porquê. A resposta foi esta: porque não estou disposto a colaborar com canalha!

Nunca me hei-de esquecer do impacto negativo que estas palavras provocaram em mim. Tal como meu pai, estava de corpo e alma com a revolução, pelo que aquela frase curta e seca  me  pareceu excessiva e contra-a-corrente do momento histórico que então se vivia. Na altura não gostei mesmo nada de ouvir aquilo, e só o respeito que sentia pela brilhante carreira militar desse familiar atenuou o efeito daquela resposta.

Decorridos 36 anos de uma Liberdade discutível e de uma Democracia completamente corrompida, sou obrigado a dar a mão à palmatória: o meu primo estava cheio de razão e fez bem em sair do exército. Hoje, não dará a ninguém o pretexto de o misturar com a prole de oportunistas que por aí andam.

Canalha, é o termo perfeito para classificar os indivíduos, que de eleição em eleição, passaram o tempo a mentir aos portugueses, a prometer e não cumprir,  expondo sem escrúpulos e com exagerada arrogância as suas impressionantes incapacidades, sem terem nunca a dignidade de abdicar dos cargos.

No Brasil, pelo menos, sabem pôr a boca no trombone...

21 outubro, 2010

Pagamento nas SCUT irrita espanhóis

Em Espanha, o sistema de pagamento nas ex-SCUT é criticado por todos, sendo apelidado de "caótico". Em Portugal, o PS reage dizendo que "não fazia sentido os espanhóis não terem que pagar". O PSD teme que a situação "prejudique a região".

Portugal continua a ser citado nos jornais espanhóis pelos piores motivos: o sistema de portagens das ex-SCUT no Norte é apelidado de "caro" e "complicado". O jornal "Faro de Vigo" tem dado voz às críticas dos automobilistas galegos habituados a vir ao Norte de Portugal, circular pelas SCUT e não pagar. E, sem contestarem a autoridade do Governo português de passar a cobrar portagens, criticam o sistema.

"Portugal transforma-se num labirinto para os milhares de galegos que se deslocam todos os anos ao aeroporto do Porto (Sá Carneiro) ou a grandes superfícies comerciais como o Ikea. Evitar o desembolso dos 77 euros do polémico "chip" é praticamente impossível", escreve o jornal.

O diário "El Mundo" escreveu que Portugal implementou "a portagem mais cara e caótica do Mundo" e a "forma de pagamento é tão complicada que a maioria dos condutores, por ignorância ou por desrespeito, não efectuaram o pagamento no primeiro dia de funcionamento".

Por outro lado, apontam a dificuldade em alugar os dispositivos electrónicos de matrícula que lhes permitiria circular nas ex-SCUT, em particular na A28, a mais usada pelos galegos.

Questões que, para o líder distrital do PS Porto, Renato Sampaio, não são preocupantes e "não vão dificultar as relações entre os dois países". Acrescenta que "o Governo está a estudar uma forma de colocar à venda em Espanha os dispositivos. O que não fazia sentido nenhum era os portugueses pagarem e os espanhóis não pagarem".

Já o líder da distrital do Porto do PSD, Marco António Costa, vê a questão do modelo de pagamento das portagens e os problemas que está a levantar aos espanhóis com "muita preocupação. Prejudicará, do ponto de vista económico, a região Norte de Portugal".

Isto porque, no seu entender, "os galegos não se sentem motivados para cá vir e os portugueses vêem-se galegos para conseguir comprar os dispositivos. É mais uma trapalhada deste Governo".

O porta-voz do Movimento Não às Portagens na A28, Jorge Passos, lamentou a situação criada à volta das portagens nas antigas SCUT, que classifica de "terceiro mundismo" e alertou para os prejuízos que o Governo está a causar nas relações entre o Norte de Portugal e a Galiza. "Está em causa uma relação que se foi construindo nos últimos 20 anos", frisou Jorge Passos.

O porta-voz deste movimento adiantou que tem sido solicitado pela imprensa espanhola para esclarecer algumas situações relacionadas com as portagens. "Esta semana falei com jornalistas espanhóis que me colocaram uma dúvida sobre a validade do dispositivo que está associado ao cartão de pré-pagamentos. Sabe-se que o cartão tem a validade de 90 dias, mas, quanto ao DEM propriamente dito, não há nenhuma indicação", explicou Jorge Passos.

Entretanto, ontem, na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, o ministro António Mendonça disse que "não há discriminação dos cidadãos estrangeiros, particularmente dos cidadãos espanhóis". O ministro anunciou que o Governo vai trabalhar no sentido de criar condições para que as portagens nas quatro ex-SCUT (Interior Norte, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior e Algarve) sejam introduzidas antes de 15 de Abril de 2011.
[Fonte: JN]

20 outubro, 2010

Trapaceiro!



Não, não se trata de uma decomposição temática do Renovar o Porto. Trata-se tão só de partilhar com os leitores uma magnífica peça/vídeo documental, uma espécie de endoscopia implacável ao carácter de um indivíduo que em tempos não muito distantes já foi [é verdade!]   ministro dos Assuntos Parlamentares.

Não querendo generalizar, porque há sempre honrosas excepções, este, é o protótipo dos políticos portugueses [advogado/dirigente desportivo e comentador...], a quem o povo [cordeiro como sempre], vem dando poderes imperiais e imperialistas. Pessoalmente, nunca lhe confiaria o meu cão, claro, mas isso, sou eu, que devo andar a dormir...

Vejam, observem bem como se torce e contorce um verdadeiro impostor. Deliciem-se.

Regionalização na RTV (Com Pedro Baptista e Paulo Morais)


Verso & Reverso Regionalização from rtv on Vimeo.

Muito gostaria de ter poderes sobrenaturais para descobrir o que é que muitos nortenhos, portuenses e portistas que passam a vida a queixar-se do centralismo lisboeta querem fazer com os seus direitos de cidadania e que apoio tencionam dar ao Movimento Pró Partido do Norte!

Sei que alguns - uns poucos que avaliam o estado do país e da região, pelo recheio das suas contas bancárias -, vão fugir do novo Partido como o diabo da cruz com receio de serem afectados com um novo paradigma político-administrativo. Mas, não é a esses que me refiro, é sobretudo àqueles que têm mil um motivos para se lamentarem da vida e nem por isso decidem levantar o rabinho da cadeira da sua indolência...

19 outubro, 2010

Estamos a caminhar para uma tragédia do Estado social”

Medina Carreira considera que o Governo, com a sua proposta de Orçamento para 2011, está a encaminhar o país para “uma tragédia do Estado Social”, do qual dependem seis milhões de pessoas.

“Estamos a caminhar para uma tragédia do Estado Social, são seis milhões de pessoas que estão penduradas nele. Se os senhores não fizerem nada vão enfrentar um problema social gravíssimo”, alertou, dirigindo-se aos deputados dos vários partidos que estão hoje a participar no colóquio sobre dívida pública, na Assembleia da República.

Durante a sua intervenção, Medina Carreira criticou bastante os cortes nas despesas e prestações sociais, que estão previstos na proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2011. Defendendo a necessidade de um estudo económico e financeiro sobre a sustentabilidade do Estado Social, Medina Carreira sublinhou que “o que o Estado está a fazer é um engano à sociedade, é uma burla”.

“Aqueles que andam a falar do Estado Social de cor, porque há uns meses nem sabiam o que ele era, estão a praticar uma burla social que os senhores, enquanto deputados, têm a responsabilidade de evitar”, apelou o ex-ministro das Finanças.

Medina Carreira diz ainda não compreender a preocupação recente com a dívida pública, uma vez que “há muitos anos que sabíamos que íamos chegar aqui”.

Para Medina Carreira Portugal já sabia que iria chegar à situação actual, em que o Governo está a pagar juros elevados para se conseguir financiar nos mercados internacionais.

“A economia desacelerou sempre nos últimos 50 anos e a despesa cresceu sempre”, conclui.



18 outubro, 2010

Don Coelhone, não é rico...

SUBIR O IVA OU AJUDAR A ASCENDI?

18 de Outubro de 2010 

Sabia que mais de metade das receitas projectadas com a subida do IVA vão "direitinhas" para os cofres de uma empresa privada? Sabia que as transferências dos dinheiros do Estado para esta empresa equivalem a mais de metade das poupanças arrecadadas com o corte de salários dos funcionários públicos?

Pois é, é verdade. Pelo menos, é isso o que nos informa o Relatório do Orçamento de Estado para 2011. Como todos sabemos, o projecto de Orçamento de Estado do governo dá azo ao maior aumento da carga fiscal das últimas décadas. Sobe-se o IVA, o IRS, as contribuições sociais, bem como toda uma série de taxas que farão diminuir o rendimento disponível das famílias e aumentar os custos das empresas e dos consumidores. Cortaram-se ainda salários, prestações sociais, despesas com a Saúde e os gastos com a Educação. Tudo em prol do "interesse nacional". Porém, sabia que o mesmo governo que está a querer aumentar o IVA vai igualmente transferir 587,2 milhões de euros para a ASCENDI, com a desculpa de levar a cabo a "reposição da estabilidade financeira" da empresa? E que esse "reforço" equivale a um aumento de 289,6% das verbas pagas à ASCENDI em relação a 2010? (p. 212 do Relatório do OE 2011)

Quem é a ASCENDI? É uma das empresas/grupos económicos que tem ajudado o governo na sua cruzada de "modernização" do país através da construção de mais de 850 quilómetros de auto-estradas em diversos pontos do país. E quem são os principais accionistas da ASCENDI? Depende da concessão em causa, mas são maioritariamente a Mota-Engil (entre 35% e 45% do total), a ES Concessões (detida pela Mota-Engil) e a OPway, entre outros.

Na sua mensagem de missão sobre a parceria da empresa com o nosso Estado, a ASCENDI revela bem o que lhe vai na alma: "Vemos o Estado Português como uma entidade que se confunde com o país, com o bem-estar e com o bem comum."

Pois é. E é esta "entidade que se confunde com o país" que prefere subir o IVA, taxar os contribuintes e cortar nas despesas da Educação e das prestações para reforçar a estabilidade financeira de uma empresa privada.

No entanto, se o Estado não estivesse interessado no "equilíbrio financeiro" da ASCENDI ou se, pelo menos, tivesse tentado renegociar contratos e prazos com esta empresa, talvez tivesse sido possível evitar parte do corte salarial dos funcionários públicos ou, pelo menos, evitar a subida do IVA em um ponto percentual.

Mas não. Afinal, por que é que haveríamos de nos preocupar com a descida do rendimento disponível dos portugueses ou com os efeitos recessivos que a subida do IVA provocará se o que está em causa é o "reforço da estabilidade financeira" da ASCENDI?

Publicada por Alvaro Santos Pereira

Podia ser sobre o Orçamento



Vejo-os na televisão e nos jornais, ouço os seus débeis lamentos nas rádios. Filas espessas de gente submissa, resignada a pagar as estradas que os políticos tinham jurado "que se pagavam a si mesmas". Indecorosamente, o Estado força-os a longas esperas que fazem lembrar as filas que matizavam o Leste europeu antes da queda do Muro de Berlim para conseguirem comprar o aparelho, a única forma de pagar as portagens agora inventadas. Há gente que passou ali a noite. Outros revelam que já lá têm ido dias e dias seguidos mas em vão. E ainda há os que dizem ter chegado ali de madrugada para poderem conquistar as senhas que, ao entardecer, lhes presentearão o privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado. Recordo, envergonhado, a imagem de um homem que saiu da loja da Via Verde ostentando um riso que escancarava desmesuradamente a dentadura e agitando o aparelhinho diante das televisões como se tivesse ganho uma medalha de mérito - não percebeu, nem nunca alcançará, certamente, que o seu gesto apenas despertou escárnio por parte de quem manda ao contemplarem como os seus desmandos mais arbitrários são tão pronta e alegremente obedecidos.

O Estado nem se preocupou em disfarçar a sua imensa falta de respeito pelas pessoas. A muito anunciada venda de aparelhos nas estações dos CTT só aconteceu na sexta-feira. Os dispositivos electrónicos esgotaram, desmentindo as profusas declarações prévias dos comissários que o Governo enfiou nas múltiplas entidades que foram cúmplices nesta charada. Um desses "boys" teve até o topete de afirmar que "não estavam a contar com tanta afluência de público"! Ou seja, após anos de ameaças e de muitos meses de preparação ainda não sabiam, nem sequer aproximadamente, quantos automobilistas iriam precisar dos malfadados dispositivos?...

Os políticos da região, mesmo os que ainda protestaram em Junho, abstiveram-se agora de liderar as reclamações. A Comunicação Social nortenha apenas conta com este jornal e com a RTPN como representantes nacionais - o resto, apesar dos seus méritos, é totalmente ignorado de Aveiro para baixo. Os movimentos de protesto contra as portagens ignoraram, canhestramente, que a base de todo o problema nas Scut entre Aveiro e Caminha reside na proverbial falta de consideração do poder por tudo o que não afecte a pacatez dos interesses de Lisboa - cada vez que ouvia falar num buzinão na A28 /29 ou na rotunda dos Produtos Estrela era-me difícil conter uma paradoxal e sofrida vontade de rir. Como se aqueles que mandam se importassem com as barafundas e o trânsito emperrado a centenas de quilómetros dos seus roteiros habituais. Querem eles lá saber disso! Se, ao contrário, os buzinões e as marchas lentas acontecessem na capital, se os protestos furiosos sucedessem em frente aos gabinetes dos decisores, aí sim, eles temeriam os efeitos do seu desprezo pelo país. E bastaria que existisse uma recusa massiva a pagar as portagens para que os planos governamentais aluíssem como um castelo de cartas...

Mas não, os protestos esgotaram-se numa lógica enclaustrada , lesando prioritariamente os cidadãos que já estavam a ser alvo da injustiça das portagens. Foi tudo em vão - e o centralismo obteve uma espantosa vitória.

As pessoas entre Aveiro e Caminha acabaram por aceitar a sua imerecida punição de forma apática, quase bovina. Ninguém sabe ao certo quanto vai pagar. Mas o Poder ficou a saber que pagaremos o que eles quiserem e quando e como eles o definirem. Primeiro no Norte e no resto do país depois. Desembolsaremos taxas, impostos, multas, portagens, coimas, impostos sobre impostos, emolumentos, e tudo o mais que ocorrer na prodigiosa imaginação dos políticos e dos tecnocratas. Pagaremos sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, como eles tanto gostam.

A multidão anestesiada que matinalmente se amontoava nas filas para conseguir pagar aquilo que nunca lhes deveria ser exigido, espelha, infelizmente, o país que somos e já sem hipótese de remédio à vista. É a ilustração perfeita para o adágio com que o rei D. Carlos nos definiu há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas".

O morcón do Zé Povo


O homem vinha suspeitando que se estava a passar algo de anormal com a sua saúde, e decide ir ao médico. Após realizar vários exames, é-lhe diagnosticada uma determinada doença. Chegado a casa, comunica à família:

- Que bom que é, existirem médicos e hospitais!

A mulher, estranhando a euforia do marido, pergunta-lhe:

- Ó homem, tanta admiração só por isso? Já existem médicos e hospitais há muito tempo!

- Pois é mulher, mas agora já posso dizer com toda a segurança que estou doente!

- E o que é que tem isso de especial? O que interessa é começares a tratar da saúde.

O homem, aborrecido com a incompreensão da companheira, responde:

- Tratar da saúde, filha? Para quê? Para gastar dinheiro com a crise que por aí vai? Nem pensar!

- Ó filho, então tu foste ao médico, fizeste exames e agora não te queres curar?

- Para quê, filha? Os portugueses também sabem que o país está doente há mais de 36 anos e não se querem tratar!

- Que comparação, homem! A culpa do país estar como está, é dos políticos que não sabem tratar dele como deve de ser!

- Ai, é? Então por que é que continuam a votar neles? Por que não mudam de políticos?

- Porque os partidos e os políticos são todos iguais, homem!

- Ai sim? Então, por que é que o Povo não cria novos partidos?

- Porque os que já existem dizem que representam o Povo!

- Ó filha, e o Povo ainda acredita?

- Pelos vistos, sim...

- O Povo, é muito burro!

- Ao que parece...

- Então, por que é que o Povo se queixa nas caixas dos super-mercados, em vez de se revoltar ou criar novos partidos?

- Porque isso dá muito trabalho querido, e as telenovelas e os concursos televisivos têm mais piada...

- Ó mulher, então para que serve a Democracia?

- Olha filho, serve para o mesmo que a tua ida ao médico, ou seja: para nada!

- Ah, afinal estás-me a dar razão, não vale a pena tratar-me...

- A tua saúde é diferente, os remédios estão mais caros, há menos dinheiro, mas trata-se da tua saúde. E, ainda há médicos e hospitais...

- Também não deixas de ter razão... Mas, então por que é que eu não consigo ser feliz por ter a Liberdade de afirmar que os nossos governantes são uns incompetentes e uns oportunistas?

- É simples filho, porque essa Liberdade não te dá poder para decidires, só te permite constatares  factos,  observares e... desabafares [por enquanto].

- Estás a ver mulher, porque é que eu achava que devia ficar satisfeito por me limitar a conhecer a minha  doença?

- Estou filho, mas agora tens de ir comprar os medicamentos para ti. O país, esse, está morto, já não tem cura, nem "remédios" que o valham.

17 outubro, 2010

Galegos sem DEM arriscam ou desistem de vir a Portugal

Carros de matrícula estrangeira. Uns arriscam a multa e continuam a utilizar as SCUT mesmo sem dispositivo, outros tentam cumprir e como não o conseguem alugar o dispositivo optam pelas estradas nacionais, porque temem ser multados.

A cobrança de portagens nas SCUT está a abalar portugueses e a afectar estrangeiros, em particular os galegos que utilizavam frequentemente a A28, a Norte Litoral. As escassas informações, os poucos dispositivos electrónicos de matrícula (DEM) à venda e os valores de caução aplicados estão a afastar muitos do nosso país.

Disso mesmo deu conta ao JN Jorge Passos, um dos responsáveis pelos movimentos de utentes contra as portagens, que pela proximidade com Espanha (Viana do Castelo) mais tem seguido este problema.

"Nota-se que há menos carros espanhóis nas nossas estradas", afirmou Jorge Passos, "o que era previsível".

"Acompanhei todos os pedidos do Eixo Atlântico para que se encontrar uma solução para a venda de dispositivos, mas sem sucesso", acrescenta.

Além disso, "os estrangeiros, especialmente os galegos, quando chegam tentam comprar o DEM nos CTT ou no posto de combustível em Valença, e não conseguem, pois só no posto de combustível de Viana é que têm e como eram poucos foram vendidos todos".

Esta dificuldade foi sentida pelo casal Estevez, que ontem, sábado, se deslocou ao IKEA, em Matosinhos. Tinham planeado esta viagem e tentaram comprar um DEM, mas "estavam esgotados nos CTT, não conseguimos comprar e para evitar ser multados acabamos por fazer um outro percurso, andamos perdidos e perdemos muito tempo, isto não está certo", lamentavam.

Outra postura teve Sandra Sá, que vive com a família em Tui e não se importou de percorrer a A28 mesmo sem ter o dispositivo. "Não sei de nada, não há informação nenhuma como pagar, portanto vamos continuar a circular na SCUT", garantiu esta portuguesa que reside em Espanha, acrescentando : "Espero que o Governo me mande a carta".

Entretanto, os empresários espanhóis quiseram saber junto da União Europeia se Portugal estaria em incumprimento por levantar obstáculos "à livre circulação", ao obrigar os carros de matrícula estrangeira a terem um dispositivo para circular nas SCUT. De acordo com o "El Pais" a Direcção- Geral de Transportes da Comissão Europeia admitiu que "há indícios" disso mesmo.

15 outubro, 2010

Gilbert O' Sullivan- Alone Again ( Naturally)

Crónicas do Grande Porto III

A nossa Igualdade!


Autor : Pedro Madeira Froufe
Jurista e docente universitário
E-mail : opiniao@grandeportoonline.com
Data : 15-10-2010

Entre Maio de 1789 e Novembro de 1799, a França envolveu-se num dos acontecimentos históricos de que, em grande medida, a nossa vida política e social contemporânea é tributária. Viveu-se a Revolução Francesa – uma das grandes revoluções da Humanidade, fortemente influenciada pela sua precursora Revolução Americana e pelos ideais do Iluminismo. Criou-se, entre golpes e contra-golpes, assassinatos, manifestações de rua, perseguições sanguinárias e, também, seguramente, algum genuíno entusiasmo popular e ideais de mudança, uma nova ordem política e social. O ideal republicano foi sendo disseminado por toda a Europa, bem assim como o “programa” da Revolução, sintetizado na “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Ambos, serpenteando conjuntamente, lá foram acabando, um pouco por todo o lado, com o “Antigo Regime” e com os privilégios do clero e da nobreza.

Hoje – dia 15 de Outubro – o Estado deverá começar a fazer-nos pagar portagens nas SCUT’s nortenhas, do Grande Porto. Sublinho o carácter discriminatório da medida, há muito discutida: serão as SCUT’s nortenhas que tocam o Grande Porto – e apenas estas! – que agora (e, talvez, definitivamente) se pretendem onerar. Já não vale a pena, nesta altura do campeonato do “sacar dinheiro a todo o custo” em que o Governo joga, falar de violação de critérios anteriormente assumidos pelo Estado, dos efeitos nefastos da medida, da injustiça e da violação do princípio da igualdade. Valerá a pena, contudo, falar da reacção submissa e em massa que tivemos, perante aquilo que berramos ser uma injustiça e uma falta de consideração política: vamos todos, em fila e sempre com queixumes na boca (sobretudo para as câmaras de televisão) comprar o dispositivo da “via verde”, acatando, por conseguinte, em actos, a medida. Berramos, mas sujeitamo-nos a longas esperas para pagar aquilo com que não concordamos! Sentimos a desigualdade, mas não gostamos de revoluções.

Enquanto isto e durante as enchentes às (pouquíssimas) lojas da Brisa, vamos assistindo à enorme e histérica pressão sobre o PSD para que este aprove (em branco) o Orçamento – que, também hoje, será apresentado pelo Governo. Novamente, a Igualdade, aqui, também não parece motivar revoluções. O problema orçamental criado pelo Governo, passou, de repente e a avaliar pelo coro generalizado que canta a tragédia total de não termos Orçamento, para a oposição. E fala-se na “responsabilidade de todos”, de todos os políticos e até mesmo de todos nós, portugueses, que apanhamos e sentimos, os erros do Governo. A Igualdade não é metermo-nos todos no mesmo saco, não é confundir a responsabilidade de quem governa com a de quem não governa ou é governado!