17 julho, 2012

D. Januário «profundamente chocado» com Passos Coelho

«Parecia que estava a ouvir um discurso de uma certa pessoa há 50 anos», disse o Bispo das Forças Armadas.

O Bispo das Forças Armadas disse estar «profundamente chocado» com o agradecimento de Pedro Passos Coelho à paciência dos portugueses em tempos de austeridade. Em entrevista à TSF, nesta quarta-feira, D. Januário Torgal Ferreira ficou com «vontade de pedir ao povo para sair à rua».

«Portugal não tem governo neste momento e vão uns certos senhores dar uma passeata num certo dia fazer propaganda tipo união nacional, de não saudosa memória, pelo país fora, a dizer que somos os melhores do mundo», começou por lamentar.

«No fim ainda aparece um senhor, que pelos vistos ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo um obrigado à profunda resignação de um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico. Conclusão: parecia que estava a ouvir um discurso de uma certa pessoa há 50 anos», lamentou o bispo, acrescentando: «Estou profundamente chocado. Apetecia-me dizer: vamos todos hoje para a rua. Não vamos fazer tumultos, vamos fazer democracia.»

[Declarações do Bispo D.Torgal Ferreira à TVI24]

Comentário de RoP:

Se houvesse uma palavra para classificar esta cambada de indignados que agora vêem a público repudiar as declarações do Bispo das Forças Armadas eu saberia reproduzi-la, mas não há. Falar de hipocrisia já não diz nada. À força de tanto a usarem qualquer dia ainda lhe dão um estatuto sagrado...

Quem os ouve falar até parece que temos sido governados por gente idónea, sensata, capaz, séria! Mas, já sabemos que para eles o falso é sério, e vice-versa. É neles que eles querem que o povo acredite, nos que colaboraram e colaboram com esta palhaçada a que eles compreensivelmente chamam democracia.

Decididamente, deixei de acreditar nas revoluções com cravos. Os cravos não intimidam ninguém...



16 julho, 2012

A "vida fácil" dos outros




Os números são relativos a 2010, ainda antes do PEC 1, PEC 2 e PEC 3, do memorando da "troika" e do Governo PSD/CDS: 18% dos portugueses, segundo o INE, e 25,3%, segundo o Eurostat, estavam em "risco de pobreza", eufemismo estatístico que significa que viviam com menos de 421 euros/mês, ou seja, que eram pobres.

Entretanto, Passos Coelho chegou a primeiro-ministro, clamando que "os portugueses não podem suportar mais sacrifícios". Afinal, podiam: em pouco mais de um ano, o desemprego subiu de 10,8% para 15,2%, foram drasticamente reduzidas as prestações sociais, confiscados, contra todas as promessas eleitorais, os subsídios de férias e Natal a funcionários públicos e pensionistas e aumentado o IVA para 23%, subiram para valores incomportáveis as taxas moderadoras no SNS, reduziram-se até à irrelevância as deduções no IRS e IRC e as isenções no IMI, aumentaram brutalmente os transportes, a electricidade e o gás, despedir tornou-se fácil e barato, multiplicou-se o trabalho precário e sem direitos, regressou o trabalho infantil...

Hoje há 1,4 milhões de pensionistas a viver com menos de 500 euros/mês, 550 mil trabalhadores com 485 euros (431,6 após os descontos) e 416 mil desempregados não recebem subsídio de desemprego. Tudo isto, como explicou Cavaco Silva a um jornal holandês, porque foram "demasiado negligentes e estão hoje a sofrer as consequências de "uma vida fácil".

14 julho, 2012

Como eles se protegem

A SIC transmitiu recentemente no programa Grande Reportagem um excelente trabalho sobre a vida e a situação financeira actual de alguns ex-ministros do nosso próspero país [se estivéssemos na miséria, isso já não seria possível, não é...].

O paradoxo entre o nível de vida do país  real e o dos políticos que o desgovernaram é uma brutalidade, um atentado à dignidade do povo. Ainda há quem defenda que eles deviam ganhar mais. Para quê? Se o paradigma que premeia o mérito está precisamente na sua incompetência? Ou teremos tido nós políticos competentes e bons governantes e eu ando distraído?

Cliquem neste link e tirem as vossas próprias conclusões. Vale a pena ver o programa todo.

13 julho, 2012

Política, Justiça e Euromilhões

Justiça cega para pilha-galinhas e sedutora para ricos
Tão descrente estou a despeito da vontade de regeneração da classe política, que tenho a impressão que se o Renovar o Porto encerrasse para férias, e daqui a 30 anos o voltasse a abrir, as incompetências que revelam os governantes e os escândalos em que se envolvem não seriam muito diferentes de hoje.  

Os optimistas da praxe, que mais não são que colaboradores cúmplices desta forma aviltante de fazer política, detestam ouvir este tipo de linguagem e não é pelas melhores razões, é porque lucram de alguma maneira com a situação, ou tencionam vir dela a beneficiar um dia.

Não é possível acreditar seriamente em mudanças quando se entopem todos os caminhos para corrigir o que está mal. O pior dos cenários não pertence ao futuro, podemos vê-lo agora mesmo, claramente: os políticos não respeitam o povo, sabem que estão cada vez mais desacreditados e não se impressionam minimamente com isso. Aliás, a primeira disciplina que procuram seguir à letra e que devia estar mais ligada ao teatro, é a  Representação. Eles esforçam-se por falar de forma convincente de modo a transmitir a quem os ouve uma grande determinação e uma  férrea vontade de acabar com as asneirolas que os adversários políticos lhes deixaram de herança. No capítulo da simulação e da mentira, são de facto uns artistas. Depois, sabem que podem contar com a habitual ingenuidade dos eleitores, induzindo-lhes mentalmente pecados ridículos - como a importância de votar - para lhes refrearem os ímpetos abstencionistas e assim terem garantido, na pior das hipóteses, uma cadeira no parlamento.

O resultado destas rotinas não podia ser famoso, como é bom de ver . Maus governantes, geram  cidadãos mal formados e com más práticas de cidadania. Só da integridade intelectual de cada um depende a imunidade a esta praga. Mas essa, como era de prever, vai rareando. Os assaltos continuam numa escala ascendente, os homicídios também. São casais desavindos a recorrer à violência extrema para "resolver" querelas, são os pais a liquidar [e violar] os filhos e os filhos a maltratar os pais, provando que o respeito pela vida humana anda arredio. Nas estradas conduz-se mal e desobedece-se às regras do trânsito, há insultos e pouca tolerância. Os pais, distraídos e nariz no ar, levam os filhos bébés em carrinhos para locais indesejáveis, para grandes superfícies, sem prestarem atenção, arriscando-se a magoar quem passa e as próprias crianças. As pessoas estão a perder o hábito de olhar e respeitar quem passa denunciando uma débil ideia de cidadania. Por experiência própria já tive de me impor em variados locais públicos devido à negligencia e à falta de profissionalismo [também já tive casos exemplares, diga-se] de quem devia zelar pelo interesse dos clientes e se esquece que está a ganhar a vida através deles. Enfim, não querendo infernizar o mundo, nota-se no ar um descontentamento geral. Será caso para nos admirarmos?

É perante este quadro de extrema vulnerabilidade e desequilíbrio social, que não sou capaz de compreender - excepto como um acto de supremo egoísmo e  máxima estupidez -, como é possível que um casal de ex-namorados ande há 5 anos a perder tempo e dinheiro em tribunais por se recusarem [é irrelevante saber se são os dois ou apenas um] a dividir um prémio de 15 milhões de euros, sem ao menos se lembrarem das milhares de pessoas que hoje nem sequer emprego têm.  O Supremo Tribunal de Justiça esteve muito mal. Não precisamente pela decisão, porque depois de tanta teimosia de parte a parte, só podia mandar repartir o prémio, mas sim pelo tempo que demorou a proferir a sentença e pelo dinheiro que fez gastar ao erário público com tão comezinho caso.

Pela Justiça se vê também o que é Portugal. Vamos lá colocar bandeirinhas nas janelas e apelar ao Órgulho [com o "o" aberto, lembrem-se] nacional.

12 julho, 2012

E o chão a fugir-lhes dos pés

Afinal os comunistas não se limitam a comer criancinhas ao pequeno-almoço, também desmascaram umas farsasinhas...

10 julho, 2012

O valor das palavras








Os jovens candidatos a "boys" do PSD ouviram da boca do homem que assegurou, jurou, afiançou, afirmou, asseverou, prometeu, garantiu que não aumentaria o IVA e que "do nosso lado, não contem com mais impostos" e ainda que acusá-lo de tencionar confiscar os subsídios de férias e Natal era um "disparate", que é "perverso" "o recurso à via do trabalho temporário para resolver necessidades permanentes" do SNS e que o país não pode aceitar a "proletarização da juventude portuguesa baseada em recibos verdes, em que as pessoas são obrigadas a pagar com os recibos verdes aquilo que as entidades que as contratam não estão disponíveis para pagar".

As afirmações foram proferidas por Passos Coelho na festa do 38.º aniversário da JSD em resposta a uma questão do presidente desta estrutura, Duarte Marques, sobre o caso dos enfermeiros do SNS contratados a empresas de trabalho temporário a 3,96 euros por hora.

Fixemos este nome, Duarte Marques, porque, com tal capacidade para dar, no momento certo, a deixa certa para que o líder possa dizer o que os eleitores querem ouvir, o rapaz irá decerto longe.

Os futuros "boys" aprenderam ainda uma lição fundamental: em política faz-se o que se quer mas diz-se o que, em cada momento, convém. Se for necessário até, como o mestre, que "precisamos de valorizar a palavra para que, quando ela é proferida, possamos acreditar nela".

08 julho, 2012

Email de condolências de Pedro Baptista

Agradecia muito que pudessem fazer o favor de comunicar à família do Senhor Engenheiro Rui Farinas os meus pêsames, pelo falecimento desse grande amigo e companheiro, embora de há poucos anos. Impossibilitado de estar presente ou comunicar de qualquer forma, em virtude de me encontrar radicado na China, agradecia muito que usassem este mesmo meio com que me comunicaram, para fazerem saber o meu luto e o testemunho da minha muita solidariedade  para com todos os familiares, amigos e companheiros de Ideal!
 
Certamente o Movimento Partido do Norte, de que me encontro já desligado, mas que teve no Rui um dos principais arquitetos e entusiastas, comigo, na ideia de criar um Partido do Norte, coeso, organizado e de massas, estará presente no féretro. Estarei com todos vós em espírito e de forma muito sentida.
 
Pedro Baptista

07 julho, 2012

Obrigado Rui Farinas!

Rui Farinas, um bom amigo
Um dia virá em que chega a inevitável separação, que teremos saudades de todas as conversas, das tertúlias apaixonadas, dos ideais partilhados, da revolta, das anedotas políticas, do nosso Futebol Clube do Porto. Um desses dias chegou hoje para mim, com a triste notícia da morte do meu jovem amigo Rui Farinas [tinha apenas 81 anos] . Jovem sim.  Oitenta e um anos mais jovem do que muitos com vinte e um.

Até um dia amigo, gostei mesmo muito de te conhecer.

As minhas sentidas condolências a toda a família e amigos.


06 julho, 2012

Humanidade e ciência


Sinais da partícula bosão

  
Que me desculpem os leitores por querer partilhar convosco as minhas inquietações, mas enquanto predominar a anarquia sobre a justiça, sobre a ordem social e continuar a verificar que não existe seriedade política para alterar esta situação não vou deixar de o fazer.

Já aqui dei o exemplo da exploração do espaço, do lançamento de satélites artificiais, das viagens tripuladas à Lua, das sondas a Marte,  e dos rios de dinheiro que se consomem nessas experiências, todas elas movidas pelos melhores desígnios [humanos, científicos, tecnológicos]. Mas, se olhamos para a Terra e continuamos a constatar que as desigualdades sociais se acentuam e que ainda há quem nela morra de fome e frio, depressa concluímos que isto não faz qualquer sentido. Como podemos nós gerir sabiamente o espaço quando não conseguimos governar harmoniosamente este grão de areia universal que é a Terra? Se tivermos alguma relutância em acreditar que todas essas experiências nascem dos melhores propósitos, nesse caso não é o exemplo de gestão terrena que pode servir de tónico.

O paradigma mais recente é a aparente descoberta de uma partícula [o bosão] segundo a qual se admite a criação da matéria, e consequentemente a origem do Universo. É fascinante sem dúvida a evolução científica da humanidade. E o que é que entretanto se vem fazendo para a evolução da própria humanidade, que mais não é que a maximização do bem estar de todo o ser humano? Vamos persistir na fórmula retrógrada, arcaica, do macro-capitalismo, versus mão de obra barata, versus exploração=miséria? Ou entregámos a Terra a cientistas e banqueiros em exclusividade, e acabamos com  todas as outras actividades? Seria possível sobreviverem sozinhos, mesmo assim? E quem sobraria para fazer as outras tarefas? É que não vejo alternativa se continuarmos a apostar na mesma qualidade de políticos e no mesmo modelo de política. O argumentário neo-liberal está-se a esgotar de dia para dia, apesar dos povos continuarem a alhear-se da política e paradoxalmente a apostarem na repetição de soluções falhadas do passado. Pois o neo-liberalismo representa esse mesmo passado, e o "neo" que precede o liberalismo é para o revitalizar, para o maquilhar da própria decrepitude ideológica,   mas o facto é que  já está em coma há muito tempo.

Não será por acaso que hoje os capitalistas preferem designar-se como neo-liberais. Até eles começaram a perceber a inanidade ideológica do capitalismo. Incapazes de se adaptarem aos padrões mais elevados de capitalismo, onde o regime apesar de caduco se vai aguentando através de uma distribuição da riqueza mais justa, de governações decentes e qualificadas [a generalidade dos países nórdicos], os empresários portugueses continuam agarrados à ideia do enriquecimento rápido, de retribuições salariais miseráveis, tentando protelar com argumentos estapafúrdios a atribuição de vencimentos mais elevados, ora por falta de competitividade, ora porque não é oportuno. Salvo raras excepções, muito raras mesmo, a regra do empresariado português é a da exploração de outrem para exclusivo benefício próprio.

Os políticos fazem parte deste puzzle de interesses e não é propriamente para o purificar, é para o tornarem mais denso e difícil de desmontar. Daí que, enquanto cidadão,  não me contentar com os diagnósticos [as televisões fazem-nos todos os dias], preciso da cura. Mas, antes da cura há que dar lugar à detecção, identificação e condenação dos malfeitores, sejam eles banqueiros, empresários, políticos, investigadores ou juristas. Finalmente, só temos é de descobrir processos eficientes e eficazes de prevenir que este tipo de gente aceda ao poder através da política, e impedir que a insanidade mental se alastre a outros e à própria sociedade.

Mas, meus caros, tudo isto só será possível no dia em que os cidadãos dispuserem de meios para destituir em tempo útil todo o governo que não cumpra com as suas promessas eleitorais [pelo menos a maioria]  ou se desvie das linhas programáticas. Só assim teremos garantias de não sermos permanentemente ludibriados. Porque, como bem sabem, eles não têm de facto vergonha, e não hesitam um segundo em nos enganar, como é fácil provar.

O que eu quero dizer em suma, é isso mesmo, que temos sido governados por traidores. E como pode um povo digno orgulhar-se de ter traidores a governar o seu país?

04 julho, 2012

Meias verdades

Será defeito meu talvez, porque vejo muito pouca gente preocupada com o assunto, mas nunca me passou pela cabeça ter hoje que concluir que a única coisa que separa uma ditadura do regime actual, é a possibilidade de constatarmos os factos e de os podermos comentar. Isto, se falarmos dos cidadãos, porque se estivermos a referir-nos a jornalistas e fazedores de opinião, nem para comentar seriamente os factos têm coragem.

Senão vejamos: será porventura surpreendente que o Porto lidere - como noticia o JN de hoje - o ranking dos ataques a ourivesarias? Mas é claro que não! E não é difícil encontrar razões. A primeira, é porque, é no Porto, em Gondomar, a região do país onde há mais ourives, logo onde há peças valiosas, que é o que qualquer assaltante procura. E depois, a principal razão, porque fica no Porto, e no norte do país, a região onde o nível de desemprego atingiu as maiores proporções e simultaneamente aquela que mais espoliada foi [e continua a ser] por sucessivos governos. Logo, só um cretino daqueles muito retintos é incapaz de dissociar o aumento de desemprego com o aumento da criminalidade. Isto, são factos, mas factos para os quais não é preciso grande coragem para os constatar, e comentar. São os "bons" factos para o tipo de  jornalismo que hoje se faz.

Agora, faltam os outros factos, os maus, aqueles que realmente incomodam os jornalistas, ou seja, citar a ordem em cadeia dos nomes e das causas que os originam. Pois aqui vai a novidade: os primeiros responsáveis pela criminalidade e a violência, são, as pessoas [sim, porque os governos são compostos por pessoas] que [des]governaram o país de 1974 para cá.  Todas! Ah heresia, o que eu fui dizer! Pois é, isto pode parecer assustador mas é a pura realidade. No entanto, poucos têm a coragem de o escrever!

Dito isto, é eticamente censurável que os jornalistas que temos continuem a assobiar para o lado fingindo que ignoram as fontes da criminalidade, tratando os governantes como se eles nada tivessem a ver com o fenómeno. Consequentemente, o nosso infortúnio não resulta apenas da incompetência de quem nos tem governado, mas também de quem só faz metade do serviço público que devia ser informar, de quem só transmite o que é conveniente, de quem teme represálias e procura esconder cumplicidades com o poder: os jornalistas. Se juntarmos à incompetência de ambos [governantes e jornalistas], a veia criminosa de uns tantos, é caso para dizer que a integridade é uma palavra morta que há muito se afastou de certos humanóides. A integridade tem dias...

Cavaco Silva já tinha deixado fugir-lhe o pé para o chinelo - do qual nunca mereceu ter saído, aliás - quando teve a amabilidade de convidar o povo a emigrar, logo seguido pelo acéfalo discípulo Passos Coelho, dando assim início a uma nova geração de imbecilidade cuja duração e efeitos colaterais são difíceis de imaginar. Mas nunca serão positivos, podemos estar seguros.

Se porventura estiver a ser lido por algum conterrâneo que já meteu pés ao caminho e emigrou - não para seguir o "conselho" destes idiotas, mas para poder cuidar do futuro - gostava que me permitisse também a mim dar-lhe um conselho, mas dos bons: se a vida  lhe correr bem, se começar a ganhar dinheiro, por favor não se porte como um idiota e deposite-o num banco do país que lhe permitiu ganhá-lo. Porque, para além de ser um acto de gratidão, irá contribuir activamente para a redução em Portugal dos proxenetas de Estado encartados. Faça isso.

03 julho, 2012

Amizades impossíveis...

Já sabemos que ninguém é dono das verdades, que não podemos agradar a todos, que até aqueles com quem estamos frequentemente de acordo nem sempre pensam como nós. Contudo, em quaisquer circunstâncias, um único sentimento devia prevalecer sobre as nossas opiniões: o bom senso. E é neste ponto concreto que muito boa gente, mesmo aquela socialmente melhor cotada, se espalha ao comprido em termos de coerência.

Já me confrontei com muitos casos destes, o que me obrigou a reavaliar a opinião que tinha acerca de determinadas pessoas, principalmente figuras públicas.  E isto, aplica-se também com os outros em relação a mim, sendo certo que de figura pública eu não tenho nada [nem quero ter], excepto a exposição a que este espaço aberto de comunicação e opinião naturalmente me sujeita.

De qualquer modo, ninguém resiste a criar a sua própria opinião sobre figuras públicas, e isso tem de ser considerado normal, desde que essa opinião se alicerce preferencialmente em factores racionais mais que emocionais, embora a emoção - como escreveu António Damásio - possa ser em certos casos uma expressão de racionalidade. Dou o exemplo de Rui Rio.

Todos concordarão que os portuenses pouco ou nada sabiam dele quando apareceu no Porto a presidir à respectiva Câmara. No entanto, o seu perfil frio e pouco familiar aos portuenses, associado à hostilidade que desde logo revelou contra o FCPorto e o seu  líder, retirou-lhe desde logo margem de manobra para seduzir os eleitores mais ligados ao clube que viram nessa atitude uma forma oportunista de agradar às cúpulas do partido e com ela subir na carreira política. Eu fui um desses portuenses. E não me enganei... Quem se enganou foi Rui Rio que, não só não viu reconhecida pelo PSD  a facadinha dada aos portuenses, como foi incapaz de a ultrapassar através de um trabalho profícuo e competente ao longo dos seus mandatos. Pelo contrário, agora é o seu partido que está no governo e que não o respeita [prova-o a indiferença e a falta de consideração revelada face à nomeação do líder da Metro do Porto]. Goste-se ou não, Rui Rio desde o primeiro dia marcou irremediavelmente a sua história de fracasso à frente da Câmara do Porto.

Curiosamente, Rui Rio foi apoiado por outras figuras do Porto igualmente ambíguas e pouco dadas às coisas do povo. Miguel Veiga é uma dessas pessoas, para ele o povo também é ralé. O mesmo "ilustre" [e rico] advogado do Porto que foi recentemente acusado pelos tribunais de plagiar um texto do professor Sousa Dias... Curiosamente também, nunca apreciei os dotes intelectuais e políticos desta personagem e ainda menos a forma como os exibe. Há um não sei quê de vaidade exacerbada e pedantice que me desagrada nele - tal como Ronaldo -, embora o narcisismo deste seja mais fácil de digerir, considerando a notoriedade internacional que conseguiu granjear, coisa que o advogado portuense alguma vez conseguirá nos seus escritos. 

Estranho para mim, foi ver Rui Moreira a fazer no JN a defesa de Miguel Veiga  sobre este caso de plágio só porque é amigo dele... Que diabo, o facto de Miguel Veiga dizer que não plagiou, de querer contrariar a decisão do tribunal e dela tencionar recorrer é tudo menos surpreendente. Todos, culpados e inocentes, costumam recorrer das sentenças, sobretudo os culpados e poderosos. O que surpreende é que a amizade comece a banalizar-se quando achamos que a devemos defender só porque o acusado é das nossas relações. Também nunca compreendi porque é que os "amigos" de Carlos Cruz achavam que ele estava inocente dos crimes de que era acusado só porque se tratava de um amigo. Eu, em situação idêntica, limitar-me-ia a deixar correr as investigações e a prestar-lhe a minha solidariedade como amigo em privado, se assim o entendesse. 

E é por ter simpatia e apreço por Rui Moreira que acho que estas 3 personagens não ligam todas lá muito bem. Entre Rui Rio e Miguel Veiga encontro muitas afinidades, já com Rui Moreira, só se forem as da porca da política, que tudo consegue, até criar amizades impossíveis.

30 junho, 2012

Ou, a decadência dos líderes


O descalabro da UE


Angela Merkel também é das que nunca se enganam e raramente têm dúvidas: "Enquanto eu for viva", não haverá 'eurobonds', assegurou ela em vésperas da cimeira de Bruxelas.

A insolente afirmação não surpreende. A UE deixou há muito de funcionar democraticamente e "construção europeia" tornou-se sinónimo de alargamento e aprofundamento de uma espécie de "Lebensraum" dos interesses económicos e financeiros da Alemanha (e, subalternamente, dos da França) em que os restantes estados membros não contam. O famoso "poder de iniciativa" da Comissão está reduzido a declarações e tomadas de posição avulsas e sem consequências, e ao impotente Conselho Europeu não cabe senão ratificar o que já vem decidido das reuniões bilaterais entre Berlim e Paris que invariavelmente precedem as reuniões.

Bem podem o escorregadio Barroso, presidente da Comissão, Mário Draghi do BCE, Van Rompuy do Conselho e Juncker do Eurogrupo, anunciar planos sobre mutualização das dívidas soberanas ou sobre a integração bancária. O papel de todos eles no Conselho Europeu de ontem e hoje é o de Durão Barroso na cimeira dos Açores que decidiu a invasão do Iraque: ficar na fotografia. No que toca a decisões, Merkel já decidiu; e mais ou menos do que ela decidiu só por cima do seu cadáver.

Talvez já seja tempo de concluir que só sem a Alemanha UE e euro sobreviverão.

29 junho, 2012

Chulos assenta-lhes bem, mas fadistas também não soa mal...


                          Os chulos do governo de lisboa

Era interessante um estudo para perceber quantas "cunhas" e quantas "famílias" lisboetas chulam o país: a assembleia da república é dominada, desde 1975 por um conjunto de "famílias" que desenvolvem uma teia de corrupção que atinge toda a nação. Eles (para aí uns 3.000 parasitas funcionários públicos) controlam os próprios deputados e exercem chantagem sobre aqueles, ameaçando, por exemplo, contar cenas menos próprias da vida alheia de cada um.
Basta ver a folha de vencimentos da AR e do governo: centenas de motoristas, centenas de secretárias, de assistentes e toda uma parafernália de profissões "técnicas", todas muito bem remuneradas. Seria igualmente interessante verificar os respectivos nomes e as famílias a que pertencem. E não estou a falar de políticos.

Querendo olhar para as cunhas dos políticos, olhemos, por exemplo a PT
Fazem parte dos QUADROS da PT os filhos/as de:
- Teixeira dos Santos;
- António Guterres;
- Jorge Sampaio;
- Marcelo Rebelo de Sousa;
- Edite Estrela;
- Otelo Saraiva de Carvalho;
- Irmão de Pedro Santana Lopes;

Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMN os filhos de :
- João de Deus Pinheiro;
- Briosa e Gala;
- Jaime Gama;
- José Lamego;
- Luis Todo Bom;
- Álvaro Amaro;
- Manuel Frexes.
- Isabel Damasceno.

Já agora, para efeitos de "pareceres jurídicos" a PT recorre habitualmente aos serviços de:
- Freitas do Amaral;
- Vasco Vieira de Almeida;
- Galvão Telles.

Assim não há lugar para os colegas da faculdade destes meninos, que terminaram os cursos com média superior e muitos estão ou a aguardar o primeiro emprego, ou no desemprego, ou a trabalhar numa área diferente da da sua licenciatura

28 junho, 2012

João Moutinho não merecia um presente envenenado

João Moutinho
Pronto, a época e febre de patriotismo futebolístico acabou e como vem sendo habitual não ganhámos nada. Apesar de tudo, é verdade que fizemos melhor figura do que era expectável, no entanto, ainda não foi desta que atingimos o objectivo principal: ir a uma final e ganhá-la.

Devo dizer entretanto que, apesar de ter notado nos últimos jogos uma melhoria razoável na aplicação da coqueluche lisbonária ao serviço da selecção, ontem não gostei particularmente de Ronaldo. Em termos de trabalho de equipa e entrega, comparado com ele Moutinho foi um gigante. Não sei, é como os comentadores do regime fazem tanta parcimónia em reconhecê-lo como o melhor homem em campo, incluindo os jogadores da selecção espanhola. Bem, saber eu até sei, é o incurável ressentimento com os jogadores do FCPorto. Como poderiam os comentadores jornalistas de meia tigela enaltecer apropriadamente o trabalho de João Moutinho apesar de o merecer mais do que qualquer outro jogador, se havia Nelson Oliveira [do Benfica] para publicitar e dedicar toda a espécie de elogios apesar de nada ter feito de relevante durante todo o Europeu? 

aqui o escrevi, e repito: a selecção pouco me diz e já expliquei os porquês. Mesmo assim, não fui daqueles que estavam à espera da derrocada para desancar a torto e direito na equipa e no seleccionador. Mas não posso deixar de fazer alguns breves comentários. O primeiro, é dizer que gostei da equipa praticamente durante os 90 minutos de jogo. Esteve muito concentrada coesa e batalhadora. Não querendo particularizar o desempenho dos jogadores, é de elementar justiça destacar o trabalho de João Moutinho e Pepe. Quase todos estiveram bem, mas estes dois foram sem dúvida os melhores entre os melhores. Disse quase todos porque Nani, esse excelente jogador, não estava a carborar lá muito bem, coisa que aliás se prolongou em quase todo o campeonato, fazendo exibições bem abaixo daquilo que lhe é habitual.

Em relação ao Paulo Bento também esteve bem, mas só até ao prolongamento. A partir daí, as coisas já não correram da mesma maneira. A equipa apareceu subitamente desconcentrada, pareceu cansada, deixando aos espanhóis a iniciativa do jogo que se prolongou até ao fim.

Ora, foi aqui [e não só] que Paulo Bento falhou. O Nani eclipsou-se, dando mostras de não estar em boa condição física. Paulo Bento manteve-o até a poucos minutos do fim substituindo-o tardiamente por Varela. A substituição de Hugo Almeida por Nelson Oliveira também não veio acrescentar nada ao grupo, pelo contrário, retirou-lhe alguma consistência em termos defensivos e não lha aumentou em termos ofensivos.

Mas o pior estava para vir. Os penaltis... A opção de entregar a Moutinho a responsabilidade de marcar o 1º.penalti não foi feliz, nem sequer faz muito sentido. Moutinho é um grande jogador de equipa, um "carregador de piano", um autêntico salva-vidas, tanto a defender como a distribuir jogo, mas tem um defeito: remata pouco e mal à baliza*. Decididamente, essa não é a sua especialidade. Por que é que Paulo Bento se lembrou que ontem ele havia de ser diferente? Outro erro grave foi aquela cena caricata do "engano" de Bruno Alves na vez de marcar o penalti, quando já se dirigia para a marca e foi interceptado pelo Nani. Estas coisas não podem acontecer numa fase tão decisiva de uma prova com a importância de um Europeu. Podemos dizer ou especular o que quisermos, mas este facto pode ter desconcentrado Bruno Alves e contribuído para falhar o penalti, como aliás veio a suceder.

Depois, foi a vez do Ronaldo. A sua postura, o ter-se poupado para último marcador das penalidades [se é que era mesmo isso que estava planeado], deixou muito a desejar. A sua expressão tristonha, enquanto os colegas tratavam de enfiar a bola nas redes, transmitia ansiedade e insegurança, coisa que aliás acabou por se traduzir no resultado final.

E com isto termino, não sem antes dizer que não acho Ronaldo com perfil para capitão da equipa. Ontem, gostava que ele me tivesse desmentido, que em vez de olhar para as câmaras com olhar pesaroso tivesse incentivado, como um verdadeiro "guerreiro", os colegas. Não o foi. Apesar de ter falhado o seu penalti, Moutinho, esse sim, jogou como um Dragão, e sem peneiras.

* Em 1996 o jornal  O Jogo publicou um artigo meu em que chamava a atenção para a incapacidade da maioria dos jogadores portugueses em chutar à baliza de primeira e sem preparação. Para a cisma de termos sempre de dar toques e mais toques até desferirmos o remate final, dando tempo aos adversários para defenderem. Dezasseis anos depois o problema mantém-se, e eu continuo [contrariado], cheio de razão. E não sou nenhum perito...

26 junho, 2012

do semanário Grande Porto


Pesquisa
Editorial: A galinha dos ovos de ouro
Autor : Miguel Ângelo Pinto - Director E-mail : miguel.pinto@grandeportoonline.com Data : 22-06-2012


1. Há dois grandes produtos pelos quais o Norte é reconhecido internacionalmente. Um é o Futebol Clube do Porto, um dos grandes embaixadores da região, que fruto das grandes vitórias internacionais que alcançou ganhou no estrangeiro um estatuto que muita boa gente na sua própria cidade teima em não lhe reconhecer. O outro é o vinho do Porto. Há mais de dois séculos que a Região Demarcada do Douro dá ao mundo um dos mais preciosos vinhos que se conhecem, levando bem longe o nome de Portugal e do Porto. Por isso, toda a polémica em torno da produção é difícil de compreender. O que parece é não existir uma estratégia clara sobre o vinho do Porto e a prova disso é a guerra pegada que todos os anos por esta altura rebenta em torno do benefício (quantidade de mosto que pode ser transformado em vinho do Porto). A plantação desenfreada de vinha no Douro, fora os últimos anos, não ajudou a estabelecer uma política coerente para este sector. Comparado com a Alemanha (sempre este país fatal!), o Douro tem uma produção por metro quadrado absolutamente inconcebível. Por todo o país de Angela Merkel, há cerca de 102 mil hectares de vinha. Só no Douro há perto de 45 mil hectares.

O perigo que está a correr-se é o de matar a galinha dos ovos de ouro. Na última década, as exportações de Porto foram decrescendo de forma sustentada, mas a quantidade de vinho que se foi produzindo manteve uma tendência ascendente. Em 2010, por exemplo, estima-se que cerca de 90 mil pipas tenham ficado sem comprador. Assim sendo, é fundamental que o Governo pense o vinho do Porto e a região do Douro como central para as nossas exportações e reconhecimento internacional. Urge o estabelecimento de uma política clara, que imponha limites, que congregue a produção e que faça do vinho do Porto aquilo que efectivamente é: um produto de excelência. De zurrapas já está o país cheio.

2. O GRANDE PORTO inicia hoje a publicação semanal de centenas de ofertas de trabalho contantes dos centros de emprego do Norte. Estamos inseridos numa região onde a violência do desemprego se nota com especial vigor, com todos os problemas sociais que isso acarreta. O que apresentamos não é a solução mágica para algo de tão complexo. É sim um contributo que, estamos certos, poderá ser útil aos milhares de
pessoas que neste momento estão em busca de trabalho.
*



Maria Cerqueira Gomes não te deixes devorar pela fama

Primeiras páginas do Jornal de Notícias de hoje:
Maria Cerqueira Gomes
Como já vem sendo habitual os escândalos não param de nos surpreender. Caem sobre as pessoas e as profissões mais improváveis da nossa sociedade. 

Médicos, juízes, padres, políticos, advogados, desportistas, professores, enfim ninguém escapa! Daí podermos concluir com alguma segurança que hoje já não existem profissões de prestígio. O melhor, portanto, é deixarmos essas coisas do prestígio lá mais para a velhice de cada qual, porque, tal como diria um conhecido jogador de futebol, os "prognósticos" só se fazem no fim dos jogos, que é como quem diz, quando a reforma chegar.

Talvez seja por estas surpresas decepcionantes que gosto do estilo bem disposto e desempoeirado da locutora Maria Cerqueira do Porto Canal que não se preocupa em enfatizar o ego das pessoas que  entrevista pronunciando o Sr. Doutor que alguns [muitos] gostosamente trazem colado ao nome. Trata-as muito naturalmente pelo nome próprio, que é também para isso que as pessoas são baptizadas, e nem assim lhes falta com o respeito.

Força Maria, não deixes que te estraguem.

22 junho, 2012

"Estádio de Emoções", um programa onde se fala de futebol a sério

 Porto Canal - Entrada

Já que estamos em pleno Campeonato Europeu de Futebol , embora com os esterismos mediáticos do costume - apesar do bom comportamento da selecção -, chamo a atenção dos leitores para o magnífico programa do Porto Canal, dedicado ao evento, competentemente conduzido pelo Júlio Magalhães. Passa às terças e quintas-feiras pelas 22H30, tendo como comentador residente o Prof. Jorge Araújo e outros convidados.

Sem querer puxar a brasa à minha sardinha, este programa é uma lufada de ar fresco no universo dos programas [ditos] desportivos feitos nos canais da concorrência. Ali, há inteligência, sobriedade, e ousadia para apresentar ideias novas. 

Não sendo o futebol a área da especialidade do Prof. Jorge Araújo [a sua é o básquete], ouví-lo falar sobre futebol é um prazer. Ontem, os outros comentadores foram Rui Moreira e Miguel Guedes, cujas participações brilhantes deram um enorme contributo para a optimização do programa. Que diferença, comparado com o que se faz no despesista e parasita canal do Estado!   

Parabéns Juca! Agora, só falta terminar com aquelas entrevistas bacocas do Ricardo Couto às vedetas de Lisboa porque além de serem um verdadeiro festival de pirosice e vaidade, não trazem nada de novo para o Norte. De mais a mais porque tem primado pelo mau gosto no que toca à escolha dos convidados...
  

19 junho, 2012

Selecção nacional e os vinhos de Lisboa Alvarinho...

Calculo que o conteúdo do post anterior tenha bastado para dar uma ideia da minha capacidade para resistir com alguma naturalidade à onda de euforia que se gerou com a selecção portuguesa. Mais do que habituado, já estou vacinado contra estas crises de optimismo prematuro [e exagerado] que ano após ano se repetem também com o clube do regime, cujos resultados depois não correspondem às pretensões dos publicitários... 

No início de cada temporada, tenha ou não vencido o campeonato, as parangonas da imprensa e as aberturas dos telejornais só têm um único candidato à victória final: o Benfica. Contratações galácticas, promessas de victórias nacionais e europeias, treinadores do outro mundo, entrevistas, foguetório, são o pão nosso de cada início de época... Contudo, lá mais para diante, quando o campeonato já está lançado e as coisas começam a dar para o torto, toda a euforia se esfuma num ápice para dar lugar às críticas aos árbitros e às intriguices do costume. A isto, claro, nunca poderia chamar optimismo e muito menos respeito pela diversidade, a isto só posso chamar uma coisa: obsessão demencial centralista. Aplicado à selecção nacional, jamais lhe daria o nome de positivismo patriótico, mas antes fanfarronice própria de medíocres e oportunistas.

É baseado nestes comportamentos, típicos de quem tem uma noção micro e limitada da verdadeira grandeza das coisas, que me custa compreender aquelas pessoas que só porque estão tranquilas, de bem com a vida, consideram que o sucesso de uma selecção pode alterar seriamente o estado de espírito ou a vida de milhões de desempregados. Entre uns e outros, é óbvio que a disposição não pode ser a mesma. Se acrescentarmos a isto a acumulação de desconsiderações feitas aos nortenhos pelos últimos governos que citei no post anterior, fazer apelos ao optimismo patriótico é outra desconsideração, é tratar o povo como uma multidão de criancinhas acéfalas. E isto, meus senhores, não é transmitir ânimo a quem dele precisa, isto é provocar.

Mas, a obsessão demencial que tem dominado os centralistas e respectivos símbolos desportivos não se fica por aqui. Qual cancro, espalha-se em todas as áreas e arrasa tudo. Não só perverte o significado das coisas como procura anulá-los. Promove mais o nome de Lisboa no Mundo do que o de Portugal. A inveja centralista confunde-se e mistura-se com profundos complexos de inferioridade que significativamente buscam atribuir aos da "província" [na qual o Porto se inclui], transmitindo para a opinião pública uma ideia contrária da realidade. Uma delas, por exemplo, é a de que o Porto sempre quis ser a capital do país e que passa a vida a queixar-se disso...

Bem, basta olhar um pouco para o que se tem feito e inventado para tentar derrubar a hegemonia dominante do FCPorto no futebol para ficarmos esclarecidos. Mas há mais, muito mais. Pequenos grandes sinais dessa inferioridade não faltam. Para começar, é notória a tentativa de enfraquecer todo o Norte e o Porto económica e politicamente, mas até os nossos símbolos tentam destruir. Politica e economicamente quase o conseguiram, desportivamente ainda não...

A este propósito tenho uma história para vos contar. Um destes dias deparei numa garrafeira de um supermercado com uma "curiosidade" que pode explicar em parte o que atrás escrevi. Observei, com alguma estranheza, uma garrafa de vinho "Alvarinho" que era produzido na região vinícola do Tejo... Não resisti, e perguntei a um funcionário se sabia desde quando é que a região do Tejo era produtora de vinho Alvarinho, ao que me respondeu simpaticamente que era uma nova produção daquela casta plantada naquela região. Repercuti dizendo-lhe: meu caro, não sendo especialista na matéria, ao que sei o vinho Alvarinho é produzido no Minho e na Galiza, abrangendo a região de Monção e Melgaço, e o que faz dele um vinho especial não é só a casta da uva mas sobretudo o micro-clima específico daquela região. Se eles querem produzir vinhos que o façam, mas dêem-lhe outro nome porque Alvarinho há só um, o da região, além de que é uma adulteração abusiva.

Mas, não me estranhou assim  tanto este "fenómeno", porque como já devem ter reparado ultimamente começam a surgir destacados vinhos produzidos na região vinícola de Lisboa e Tejo... Conheço os vinhos alentejanos, de Colares em Sintra, conheço os vinhos da Região de Setúbal, e até os de Bucelas e Bombarral, agora os de Lisboa só mesmo como resultado do tal efeito difusor invertido. 

A região do Douro e Minho e os seus vinhos pelos vistos também já perturbam o vale do Tejo centralista...

    

18 junho, 2012

A selecção "nacional" e o orgulho de um país miserável


 euro 2012 portugal holanda
Como é do conhecimento dos leitores deste blogue, sou um apreciador de futebol. Como quase todos os outros adeptos, empolgo-me mais quando é o meu clube a jogar e... a ganhar. Neste aspecto concreto, sou aquilo a que se pode chamar um adepto normal, igual a tantos outros, excepto na feliz coincidência de o meu clube se chamar FCPorto, o mais competente de todos, desde que há liberdade de expressão em Portugal.

Com a selecção nacional, não posso dizer o mesmo. Só não me estou completamente nas tintas porque nela jogam alguns jogadores que actuam no FCPorto, e outros que já actuaram no passado. Só por isso.

De resto, não é pelo Presidente da República, pelo 1º. Ministro e toda a carneirada que com eles faz coro - incluindo os exploradores da comunicação social - virem agora puxar pelo orgulho pátrio que o meu desinteresse pela selecção se irá alterar. Aliás, até me sinto mais patriota por ser como sou, por me distinguir da mentalidade ralé dominante por não embarcar nestes folclores sazonais, onde o futebol se transforma simultaneamente na cocaína do povo e no descanso dos governantes. Enquanto o povo se distrair com nacionalismos futeboleiros os dirigentes políticos podem continuar a sugar-lhe tranquilamente a já baixa qualidade de vida que tinha.

Para mim, é muito difícil envolver-me emocionalmente com a selecção de um país dividido como é actualmente Portugal. Não posso aplaudir uma selecção só porque nela jogam alguns jogadores e ex-jogadores do meu clube. Para estar com a selecção teria de ter como certa a consideração dos nossos governantes pelo resto do país, começando [por exemplo] por um tratamento igual, coisa que como é sabido não tem acontecido. Não posso sentir orgulho por uma bandeira ou camisola nacional que obriga um nortenho a ganhar muito menos que um lisboeta da mesma profissão. Um país que concentra na capital todos os poderes [economia, finanças e comunicação social], que taxa as Scuts em 1º.lugar no Norte, fazendo de nós autênticas cobaias. De um país que recorrentemente desvia verbas de fundos europeus destinados às regiões mais pobres para Lisboa a coberto de um virtual efeito difusor. Símbolos de um país que tem tido governantes incompetentes e corruptos, agarrados como lapas ao poder, cujo Presidente da República e 1º.Ministro chegaram ao cúmulo de aconselhar os jovens a emigrar. Um país que trata o Porto como aquela terra lá ao longe [recordam-se como eles acharam gracinha a Scolari?], que persegue o melhor presidente de clubes como o maior facínora, enquanto deixa em luxuosa prisão domiciliária um político homicida e ladrão, e permite que um ex-presidente de um clube lisboeta, condenado na Justiça por burla de milhões e falsificação de documentos se mantenha foragido em parte certa, gozando com ela na cara do povo. Essas, e muitas outras poucas vergonhas, a mim causam-me repulsa e desgosto. Se a pátria é isto, então eu não sou patriota, e nesse caso, estou-me mesmo a borrifar para o sucesso ou insucesso da selecção.

Falem-nos de progresso, de bem estar, da excelência do nível de vida da maioria dos portugueses, e depois talvez possamos conversar a sério sobre orgulho nacional. Porque o meu orgulho não é, nem nunca será o Ronaldo, nem mil ronaldinhos.

Talvez esteja neste estereótipo de "patriotismo" a explicação do nosso imutável atraso, enquanto povo... 


11 junho, 2012

Já agora, levem-nos também a alma. Democraticamente, s.f.favor...

Sei quem tem a resposta para as minhas dúvidas, ou melhor, sei que tipo de gente me responderia lá do alto da suprema sabedoria - com aqueles irritantes tiques de superioridade - a questões que a mim muito me intrigam. Mas desses iluminados nada me interessa saber, porque são por demais risíveis e previsíveis as suas ideias sobre a sociedade e o mundo.

Albert Camus, também não conseguiu esclarecer-me sobre o assunto, nem mesmo nessa magnífica peça teatral escrita, chamada Os Justos, onde nos confronta com o imperialismo russo dos czares e a inquietude de um grupo de jovens revolucionários em conflito com uma sociedade despótica que se dispõem a matar e a perder a própria vida para acabar com a tirania.  

Não estamos na Rússia, nem sob o jugo de um tirano ou de uma ditadura assumida, mas os caminhos que estão a ser trilhados pelos nossos representantes nesta aparvalhada democracia cada vez se parecem mais com aqueles que os ditadores costumam tomar.

E a questão que coloco é a seguinte: será alguma vez possível, num regime como este, derrubar do poder dirigentes políticos irresponsáveis antes de exaurirem completamente todos os recursos de sobrevivência ao povo? Os tais sábios que atrás referi diriam apressadamente que sim, que só "civilizadamente" e "em democracia" é que estas coisas se resolvem. Mas nós já sabemos qual é o entendimento que eles têm da democracia e do civismo.

A história antiga e recente prova-nos o contrário. Tivemos um aldrabão do PS no governo e contudo, a tal democracia de que eles falam não nos poupou agora de termos outro no PSD [o iva e as reformas eram intocáveis, lembram-se?].

Teremos nós serena e passivamente de os ver de novo a delapidar o país? São estes os poderes democráticos que o povo tem sobre quem tão mal o tem representado? Afinal quem é que elegeu a Troika? Fomos nós? Não é afinal a Troika que nos está a governar?  Como é que a Democracia lhes permitiu entrar no país e dominar vergonhosamente quem foi eleito para o governar? Percebem isto? Será aceitável isto?

Afinal, o que é que lhes faltará mais destruir?  As nossas almas?

10 junho, 2012

O que ficou por perguntar a Fernando Gomes no Porto Canal


O erro de Fernando Gomes



O ex-presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, assumiu, pela primeira vez, ter cometido "um erro", ao integrar o Governo de Guterres, na qualidade de ministro-adjunto e da Administração Interna, deixando a meio o mandato que os portuenses lhe tinham entregue.

Numa entrevista concedida ao programa "Polo Norte", do Porto Canal, bateu com a mão no peito e disse: "A ideia era deixar espaço para quem cá estava, mostrar que as coisas não corriam mal no Porto, e, entretanto, criar em Lisboa, junto do Poder, um espaço para ajudar o Porto, complementar quem estava na liderança do Porto, através de Lisboa. Saiu errado. E eu nunca assumi a humildade de ter chegado ao Porto e dizer: eu errei".

Esta declaração pungente merece um pequenino reparo. Ou dois. Ou mesmo três.

O erro de Fernando Gomes não foi ter ido para a "maléfica" Lisboa. Esse era o seu destino óbvio, depois do trabalho feito na Câmara do Porto. Gomes desejava, muito legitimamente, ser ministro. O erro de Fernando Gomes foi ter regressado ao Porto como se Lisboa tivesse sido apenas e só um epifenómeno na sua vida política. Não foi.

A passagem por Lisboa marcou-o profundamente - não apenas porque foi trucidado por alguns "companheiros" de partido; não apenas porque lhe caiu em cima uma vaga de assaltos a bombas de gasolina (coisa de meninos de coro, quando comparada com a criminalidade violenta que hoje assusta o país de norte a sul); não apenas porque a atriz Lídia Franco foi apanhada na onda do crime, mediatizando-o até ao paroxismo; não apenas por todas estas circunstâncias, mas sobretudo porque, depois delas, Fernando Gomes entendeu que faria no Porto uma espécie de catarse política, para, quem sabe?, mais tarde regressar ao centro do Poder.

Os portuenses não lhe perdoaram a arrogância que esta estratégia continha. Gomes achou que o povo era bondoso, paciente e sabedor das tropelias de que ele havia sido vítima. Por isso o glorificaria de novo. A empatia entre Gomes e o povo (ou melhor: entre o povo e Gomes) terminou no dia em que ele assumiu nova candidatura à Câmara do Porto. Em certo sentido, Gomes fez então o que Passos Coelho está a fazer agora: pediu paciência aos portuenses. Os portuenses perderam a paciência.

É por isso que custa ouvi-lo dizer que escolheu ir para o Governo para, "junto do Poder, ajudar o Porto". Gomes seria no Executivo uma espécie de canivete suíço do Norte? Soa a desculpa, daquelas que não pegam mesmo usando a cola que agarra cientistas ao teto. Não é com atos quixotescos que o Porto e o

Norte se impõem. Como, aliás, Fernando Gomes muito bem sabe.

Último reparo: por que volta Fernando Gomes ao tema com as autárquicas na rua?

Nota de RoP:

Aqui atrasado publiquei uma crónica deste mesmo autor cujo conteúdo me suscitou alguma repulsa [as razões podem ser relidas aqui e aqui  ]. Hoje, reproduzi esta por razões opostas. É uma síntese muito interessante sobre a ascensão e queda de Fernando Gomes, ex-presidente da Câmara do Porto. 

Na interessante entrevista dada ao Porto Canal conduzida por David Pontes apenas faltou abordar Fernando Gomes sobre o caso relatado neste artigo de Paulo Ferreira, para ficarmos a saber o que pensa o ex-autarca portuense da cilada vergonhosa que lhe montaram em Lisboa para o descredibilizar politicamente, e por que é que nunca falou sobre o assunto, até hoje... Foi pena.

06 junho, 2012

Informação

Problemas com o blogger alheios à n/ vontade impediram a publicação habitual de comentários. Retomaremos o trabalho oportunamente.

04 junho, 2012

Brincar com o fogo...

Elias o sem abrigo
de R. Reimão e Aníbal F.
[Cartoon/JN]


Justiça revoltante!


Justiça à portuguesa (3)

   

 

A história é conhecida e até já foi noticiada abundantemente pela comunicação social. O que não é conhecido é o seu final. Um final que demora e que tem muito a ver com a justiça - a justiça do caso e a justiça enquanto sistema. Vejamos então.

Na sequência de investigações sobre tráfico de droga a Polícia Judiciária de Lisboa apreendeu, em finais de 2006, uma quantia de quase cem mil euros. Essas verbas ficaram na posse da PJ, mais concretamente, depositadas num cofre localizado no gabinete da inspectora coordenadora do departamento encarregado do combate ao tráfico de estupefacientes.

No ano seguinte, durante o mês de Maio, surgiram suspeitas de que algum desse dinheiro teria desaparecido, facto que veio a confirmar-se. Então, inspectores da Direcção Central de Investigação à Corrupção e Crime Económico-Financeiro detiveram a sua colega inspectora coordenadora da Direcção Central de Investigação ao tráfico de Estupefacientes e apresentaram-na a um juiz que determinou a sua prisão preventiva. Ela foi acusada de se ter apropriado em benefício próprio de mais de 86 mil euros que tinham sido apreendidos à ordem do processo de tráfico de estupefacientes. Mais tarde foi julgada e acabou condenada a uma pena de prisão efectiva, bem como, obviamente, a restituir a quantia desviada. Porém, no julgamento relativo ao tráfico de droga, o arguido a quem tinham sido apreendidos os quase cem mil euros acabou ilibado tendo o tribunal decretado que lhe fosse devolvido o dinheiro apreendido. Só que esse dinheiro já não estava na posse da PJ, pois a inspectora coordenadora que o apreendera tinha-se se apoderado dele e tinha-o gastado em benefício próprio.

A situação é tanto mais caricata quanto é certo que a audiência de julgamento que decretou a restituição dos 86 mil euros foi realizada em Outubro de 2009, há quase três anos, e o dono do dinheiro ainda nem lhe viu o cor. O dinheiro não está no processo e, portanto, ninguém devolve nada a ninguém porque, simplesmente, não há nada para devolver. A inspectora que se apropriara ilicitamente do dinheiro não o restituiu ao processo, a PJ aparentemente não assume a responsabilidade pelo desaparecimento do dinheiro e o ministério da justiça assobia para o lado como se não fosse nada com ele.

O prejudicado já escreveu, através do seu advogado, várias cartas ao ministério da justiça, mas nada, a não ser um esclarecimento feito em Agosto de 2010 em resposta a uma notícia do jornal Público, segundo o qual o ministério e a PJ não tinham sido notificados para efectuar o pagamento do montante apreendido. E o gabinete do ministro Alberto Martins acrescentava: «Se e quando tal ocorrer, será dado célere cumprimento ao determinado». Sucede que até hoje a decisão do tribunal ainda não foi cumprida, ou seja, o dinheiro ainda não foi restituído ao seu legítimo dono - ou porque o tribunal ainda não notificou o ministério da justiça ou então porque este se faz de desentendido e não cumpre a decisão judicial.

De qualquer forma este episódio é bem elucidativo dos pesos e medidas que o estado português usa nas suas relações com os cidadãos. Quando são estes a dever ao estado tudo vale para os obrigar a pagar, incluindo, penhoras, juros quase usurários e taxas de justiça elevadíssimas para quem se quiser opor a essa pretensão. Quando, porém, é o estado a dever, pura e simplesmente não paga e até finge que não é nada com ele.

O estado, através dos órgãos que investigam e perseguem a criminalidade, apreendeu uma determinada quantia como se ela tivesse origem criminosa. Posteriormente, demonstrou-se que esse dinheiro não estava relacionado com qualquer crime, pelo que o mesmo estado, agora através dos órgãos que administram a justiça, determinou a sua restituição ao dono. Só que, entretanto, um funcionário do estado apropriou-se do dinheiro e gastou-o em benefício próprio e agora o estado não o devolve e já lá vão quase três anos. Sublinhe-se que a PJ é um órgão do ministério da justiça.

Enfim. Está tudo dito. Não é só internacionalmente que o estado português perdeu respeito e credibilidade; é também internamente, perante o seu próprio povo.

03 junho, 2012

De: António Alves - "A completa irrelevância das «elites» do Porto"



De: António Alves - "A completa irrelevância das «elites» do Porto"

Submetido por taf em Sábado, 2012-06-02 22:51
Após muita discussão, muita opinião, e até alguma fanfarronine, bastou cá vir o inefável Álvaro dar duas palavras a abater para toda a “elite” política e opinativa do Porto ser reduzida à insignificância vegetativa que a caracteriza. O governo faz o que quer e lhe apetece no que respeita a nomeações e desnomeações de Conselhos de Administração de empresas públicas cá do burgo sem qualquer oposição visível. Pior ainda: o Aeroporto Sá Carneiro vai ser mesmo vendido à molhada com todos os restantes aeroportos nacionaiscomo garante uma das raposas* que foram postas pelo governo à porta do galinheiro das privatizações da TAP e ANA. O Porto de Leixões, por sua vez, será também absorvido pela famosa “holding”. Tudo isto num tempo em que parece garantido um novo investimento brutal no Aeroporto de Lisboa e, não tarda muito, lá arranjarão dinheiro, com ou sem Troika, para a ferrovia de Sines em prol de mais uma quimera: a da rota da seda e da nova porta de entrada da Europa.
Num mundo em que o paradigma da rede é cada vez mais proeminente e diferenciador do que é eficiente e gerador de valor do que é ineficiente, em Portugal, para pura satisfação da predação financeira sobre bens públicos, faz-se precisamente o contrário. Faria todo o sentido que o Aeroporto, o Porto de Leixões, o canal navegável do Douro, e até a ferrovia que os servem, fossem geridos por uma autoridade portuária regional de modo a potenciar as sinergias e complementaridades mútuas. Os lucros gerados pelos que estão em estado superior de desenvolvimento financiariam aquelas partes que estão ainda em fase de consolidação e também a construção de novas intermodalidades que completassem a rede logística que todas estas infraestruturas representam. A aglutinação sectorial estanque que o governo levará a efeito é um modelo anacrónico, do meio do século passado, completamente desfasado do mundo em que hoje vivemos. A gula das máfias financeiras estabelecidas em volta do Terreiro do Paço será satisfeita. Os valentões do costume meterão o rabo entre as pernas e tentarão entreter o pobo com o folclore do costume. A forma mais simples e eficaz de unir Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar, etc., é eleger diretamente uma Junta e Parlamento metropolitano com verdadeiros poderes de gestão supramunicipal sem, no entanto, os confundir com uma espécie de região administrativa como por aí já foi proposto.
António Alves
* O BES tinha uma empresa de aviação que dava prejuízos e precisava de livrar-se dela. No tempo de Sócrates conseguiram impingi-la à TAP e ainda lhes pagaram principescamente pelo mono. Só por isso qualquer governo decente evitaria tê-los como parceiro nestes negócios.
[do blogue A Baixa do Porto]