02 outubro, 2008

DIA 17 DE OUTUBRO, 2ª. REUNIÃO DA ACDP


No seguimento do encontro da Associação de Cidadãos do Porto, realizado no dia 12 de Setembro, vimos por este meio anunciar a 2ª Reunião, que se irá decorrer no dia 17 de Outubro. Nos próximos dias serão divulgados neste blog mais detalhes deste encontro. Os interessados poderão inscrever-se através do mail porto.agora@gmail.com.
Em tempo de redefinições no campo económico e social a nível global, este é o momento certo para decidir o nosso destino colectivo.
Melhores Cumprimentos
Alexandre Ferreira

Ocaso, ou consequências?

Não há nada como o futebol para "agitar as almas"! E quando o "agitador" dá pelo nome de Futebol Clube do Porto, a alma dos portuenses-portistas exalta-se, e o gentio todo se mobiliza querendo intervir. Bastou o post do nosso amigo e colaborador Rui Farinas comportar uns pózinhos de apreensão e de algum pessimismo para os comentários começarem logo a disparar! É uma boa oportunidade para lembrar (outra vez), os adeptos menos interventivos (ou distraídos) a nível cívico, que a vida continua para além do futebol...
Quem ler os posts que sobre este tema tenho escrito, sabe que não partilho daquela ideia, um tanto preconceituosa e até fundamentalista, que defende que os adeptos da "bola" são todos uns alienados, que não se interessam por mais nada a não ser pelo futebol. Contudo, o facto de os portuenses/portistas verem, desde há muito, o Futebol Clube do Porto praticamente como o único grande símbolo de afirmação e resistência local, pode tê-los levado a uma apatia inconsciente, a criar do clube e do seu Presidente, uma ideia de força e de poder hiper-valorizada e surrealista, que tudo resolve e tudo vence. Nem a caça ao homem que lhe está a ser movida (há muitos anos, mais acirradamente, há dois ou três), parece suficiente para indiciar aos portistas a brutal exposição física e psicológica a que Pinto da Costa tem sido submetido, e que é muito difícil resistir sózinho a tantos ataques. A correlação de forças é descomunal.

Por mais justiça que um dia lhe venha a ser feita, já nada nem ninguém pode livrá-lo dos estigmas e dos efeitos colaterais de uma perseguição tão feroz quanto desleal. Resulta desta análise muito pessoal e discutível, que nem o FCPorto nem Pinto da Costa bastam para enfrentar um "inimigo" que é muito mais pernicioso do que o Benfica e o Sporting juntos, e se chama Centralismo! Porque é bom lembrar que há centralistas que são portistas, e a maior parte deles sabem onde estão? Nos partidos e no Govêrno!
É neste ponto objectivo que eu gostava que todos os portistas, independentemente das suas opiniões político-partidárias, se fixassem. É preciso fazer coincidir mais ainda o nosso amor ao clube com o nosso amor ao Porto, porque é fora do futebol que a cidade está mais debilitada, que mais precisa de nós. Já lhes ocorreu que esta fase menos brilhante do clube possa já ser um refllexo da insidiosa condenação ao silêncio a que PdC foi "submetido"? Já lhes ocorreu que este "castigo" não foi mais do que uma estratégia centralista para fragilizar o clube? Então, pergunto: acham que é «apenas» no campo de futebol que este problema tem de ser resolvido? Estou convicto que não. Se o país deixar de ser governado a partir de Lisboa e só para Lisboa, se o equilíbrio e a justiça forem reabilitados o nosso clube poderá ficar ainda mais forte, mais fácil de gerir e a própria cidade poderá recuperar o protagonismo social e económico que merece. E o nosso clube também.

Esta exposição, vale o que vale, mas é a que me ocorre para explicar em parte o súbito pânico dos portistas em relação ao clube e a questão do "ocaso" aqui colocada pelo Rui Farinas. Já disse, em post anterior o que pensava sobre Jesualdo Ferreira. Ele é parte do problema, não o todo.
Concordo com o Vila Pouca quanto à crónica impaciência de alguns adeptos para dar tempo ao clube para adaptar e transformar novos jogadores em grandes jogadores. Mas também não deixo de concordar um pouco com o Rui Farinas quanto ao distanciamento da SAD em relação aos sócios e simpatizantes. A comunicação praticamente não existe e isso não é bom.

De resto, há que aguardar pelas "cenas dos próximos capítulos" que para a SAD e para Jesualdo Ferreira, vão constituir uma derradeira prova de fogo deste FCPorto da época 2008/2009. Desculpar-me-ão, mas não me atrevo a meter Pinto da Costa no mesmo saco dos responsáveis porque, apesar de ser ele o El Comandante do Clube, soma, durante a sua já longa administração, muitos mais sucessos que fracassos, e quando assim é, criticar transforma-se num exercício de oportunismo e ingratidão que não me agrada praticar. E ele, já tem gente demais a criticá-lo. Não por ser mau para nós, portistas, mas para quem nós bem sabemos, benfiquistas, sportinguistas e centralistas. Lembrem-se disso.

01 outubro, 2008

Será o ocaso de um grande clube?

As instituições, como os seres vivos, têm ciclos de vida. Os clubes de futebol não fogem a esta regra e o exemplo mais marcante de que me recordo foi o Real Madrid, que depois de muitos anos a espantar a Europa com as suas sucessivas vitórias na Liga dos Campeões, começou a declinar e durante um longo período se manteve na sombra, antes de renascer e iniciar um novo ciclo de esplendor. ( Por muito que me custe admití-lo parece-me que com o Benfica se está a passar um fenómeno semelhante embora à modesta escala portuguesa).

Tudo leva a pensar que o FCP está a iniciar uma curva descendente que não se sabe até onde o leverá, mas que será imparável se não forem tomadas urgentemente medidas correctivas que infelizmente não se vislumbram, a menos que o desastre de ontem em Londres sirva de catalizador para esse efeito.

Pessoalmente, o anunciado crepúsculo do FCP tem repercução para além do mero fenómeno desportivo. Nortenho e portuense, habituado a fazer parte de uma população que é humilhada, desconsiderada, colonizada, por um poder central que nos tritura, o FCP era um dos poucos motivos de satisfação e auto-estima que sentia enquanto membro desta infeliz comunidade nortenha. Agora até este orgulho parece querer esfumar-se e, o que é pior, desta vez não podemos atribuir a culpa ao poder central: a culpa é nossa, os coveiros serão a nossa própria gente. É isto que mais me dói.

As múltiplas causas deste desastre anunciado são várias.

- Uma estranha administração da SAD que se enquistou no clube e vive na sua torre de marfim, num desprezo absoluto pelos adeptos, com os quais não mantém linhas de comunicação.
- Um presidente da SAD que para além dos problemas com a justiça, que lhe foram artificialmente criados, tem todo o aspecto de estar refém, por motivos ignorados, da administração a que pertence, o que aparentemente lhe coarcta a implementação de medidas correctivas que, em anos não muito distantes, já teria certamente tomado.
- Uma desastrosa política de aquisição de jogadores que dá azo a rumores pouco abonatórios para com a SAD, nunca desmentidos.
- Uma política de empréstimo de jogadores incompreensível, que leva a que se percam os valores formados no clube.
- A contratação e manutenção de um treinador que visivelmente não tem as condições necessárias para liderar uma equipa de futebol de primeira linha. ( Os campeonatos que dizem que conquistou, não foi ele: foram os nossos rivais que os perderam e ofereceram ao FCP de mão beijada). Este treinador não é um lider, é medroso e conservador, despreza os jovens talentos, tem suficiente mau feitio para se incompatibilizar com alguns jogadores, sem que tenha a grandeza de alma para depois se reconciliar e aproveitá-los, insiste em meter na equipa comprovadas nulidades, não foi capaz de criar um fio de jogo.

Estes são alguns motivos que me ocorrem para justificar um desastre anunciado. Outros haverá. A solução não depende do governo, da regionalização, ou de outros motivos fora do nosso controle. Depende apenas do clube e dos seus associados e adeptos. Espero que não deixemos cair o FCP no precipício à beira do qual ele se encontra. Ainda se vai a tempo mas as medidas saneadoras são urgentes.


P.S. Este texto não foi escrito sob a emotividade causada pela humilhação sofrida em Londres. Há muito que penso assim. O que se passou no estádio do Arsenal foi apenas uma confirmação do mal estar que afecta o FCP.

COMO VAMOS RESOLVER ESTES ASSUNTOS?


CLICAR SOBRE O ARTIGO DE O "PÚBLICO" PARA LER


A continuarmos a aceitar esta bagunça, esta insolente promiscuidade, que para certos moralistas (como Rui Rio e outros) só merecem destaque quando os protagonistas são gente do futebol (e do FCP de preferência), nunca o nosso país (povo) saírá da cêpa torta.

Não sei quantos mais casos serão necessários divulgar para que os cidadãos se convençam da imoralidade destes costumes. Sermos conhecidos como um povo de brandos costumes pode ser uma fama simpática, mas enganadora, com um pau de dois bicos, e a mim parece-me que não será precisamente a de sermos um "povo pacífico", ou "país civilizado" no bom sentido do termo...

É pois, chegado o momento de abrirmos os olhos e de não confundirmos as coisas. Brandos costumes, em português puro, significa permissividade, preguiça, falta de exigência em tudo, e principalmente para com os líderes do nosso país. Estes, são apenas caminhos que outros como Pinto Balsemão continuam a querer percorrer porque nós o permitimos e os habituamos a considerar "normais".

Isto sim, é promiscuidade, é oportuinismo político, absoluta falta de consideração e respeito pelos cidadãos eleitores. Se os senhores políticos ambicionam enriquecer como qualquer comum cidadão, façam-no fora da política, mas nunca através da miscenização e da influência social da actividade.

A política pode (e deve) ser na forma e no conteúdo, uma digna actividade se, e apenas, traduzir a optimização do serviço público. Tal como está agora, é vigarice com múltiplas faces de responsabilidade. Se eu pudesse legislar, era em situações como estas e para com estes protagonistas que agravaria as penas.

30 setembro, 2008

UM PORTO À JESUALDO FERREIRA

Em termos de trabalho individual, limito-me a destacar o sempre incansável Lisandro e a estreia de Tomás Costa em grandes palcos, no desgraçado jogo de hoje.

O FCP (já sabemos) não tem o dinheiro do Arsenal para comprar diamantes já lapidados como fazem quase todos os clubes ingleses. Se tivesse, outro galo cantaria. O que explica os êxitos do FCP a nível nacional e sobretudo internacional, tem sido uma hábil gestão realista dos seus recursos, tanto a nível de aquisição de jogadores como de filosofia de jogo.
Nós portistas, gostaríamos de ver o FCPorto a brindar-nos sempre, com um futebol de 1ª. água e com jogadores que o soubessem desenvolver, mas como isso não é possível, ainda assim, lá temos conseguido bater-nos com colossos do futebol europeu com um lote de jogadores interessantes, raçudos, e com um futebol nem sempre espectacular mas muito realista e objectivo, chegando até a vencê-los e a vencer algumas competições europeias, entre as quais duas Ligas dos Campeões Europeus. Tudo isso, foi conseguido, com bons treinadores (mas, nem sempre), com os bons jogadores possíveis para o orçamento do clube, e com uma grande capacidade para colmatar os pontos frágeis (o aspecto financeiro) em relação a outros clubes infinitamente mais poderosos .
Acontece, que Jesualdo Ferreira não é um bom treinador, é apenas um treinador mediano. Considero que, apesar do excelente comentador Freitas Lobo o tentar proteger, penso que o grande derrotado foi ele. Sinceramente, já esperava isto (a cabazada), e tivemos, dentro do azar, muita sorte à mistura, senão, seria uma goleada super-histórica. É preciso não esquecer que, apesar do FCP não se poder dar ao luxo de comprar de empreitada uma série de jogadores de top já feitos, o clube consegue quase sempre descobrir alguns promissores para depois burilar e mais tarde vender com grandes margens de lucro.
Decididamente, o que me parece, é que Jesualdo Ferreira não conseguiu chegar a esta fase das provas (campeonato+Liga europeia), com dinâmicas de jogo já assimiladas, quer técnica, quer tácticamente. Nota-se, e isso independentemente da qualidade individual dos novos jogadores, que eles nem sempre sabem como movimentar-se e os níveis de concentração são muito inconstantes. Ora, este ponto é da exclusiva responsabilidade do treinador. Jesualdo não está a transmitir grande confiança, tanto para si mesmo, como para os jogadores e adeptos. E isso é um péssimo sinal. O seu discurso ambíguo e titubeante também.
Quanto à valia de alguns jogadores que foram contratados este ano, se todos passaram pela sua avaliação e anuência, a responsabilidade também lhe pertence.
A nível europeu, os portistas podem bem deixar de sonhar com a repetição de outras façanhas europeias, e quanto ao campeonato nacional também tenho as minhas dúvidas, embora, como já disse há poucos dias, a procissão ainda tenha acabado de sair à rua. Veremos.

Lisboagate


"O jornalista Baptista-Bastos, não. Porque pediu um favor ao poder autárquico. Porque auferiu de um privilégio vedado ao cidadão comum. Que alguém que sempre foi tão moralmente exigente nos seus artigos de imprensa não perceba isto faz-me confusão. Quem, como ele, acredita na nobreza do jornalismo, tem de reconhecer uma cunha quando a vê. E, sobretudo, deve reconhecê-la quando a mete."

aqui

Faz o que eu digo não faças o que eu faço. :->

DE DERROTA EM DERROTA, ATÉ O QUÊ...?

Mais uma derrota para Rui Rio. Mais uma derrota também para os seus amigos e apoiantes. A derrota pertence-lhes por inteiro e colectivo.
Como se não bastasse a inércia revelada na reabilitação urbana da nossa cidade (os testemunhos estão aqui), a inaptidão para levar a bom porto o projecto para o mercado do Bolhão, Rui Rio vê-lhe agora rejeitada a pretensão de incluir a linha da Boavista na rede de Metro do Porto.

Segundo descreve o jornal "Público", o ministro "Jamé" - aquele que trata o Porto como o parente invisível do país -, fez-lhe o chamado manguito à la Rafael Bordalo Pinheiro. O Govêrno optou pela ligação Matosinhos/Foz/C. Alegre/São Bento (quanto a mim, bem, ainda que tarde) e Rui Rio arrisca-se a ter de devolver-lhe 3,8 milhões de euros que usou em obras na Boavista por ter contado com o ovo no cu da galinha, antes de se ter assegurado do deferimento do "seu" projecto.

Não é só com actores e jornalistas que Rui Rio se incompatibiliza (além da "crème de la crème" da afronta ao FCP), é com toda a gente, excepto com o seu querido amigo La Féria (até ver). Na fila dos seus litigiantes está também a empresa Talento, com quem havia estabelecido contrato para a organização do Circuito da Boavista. Desiludam-se pois, os que (como eu), apreciam as corridas de aviões da Red Bull, porque por este andar corta relações com os promotores do evento...

Não quero ser mauzinho (outra vez) com Rui Rio, embora o mereça, porque até nem me custa admitir que possa eventualmente ter razão; mas tê-la-há sempre? Ou será, que não tem é a mínima capacidade para firmar um contrato?

Para que terá jeito afinal Rui Rio? Sem sofismas, que o digam os seus amigos. Mas expliquem-nos por quê, como se os "outros" fossem muito burros.

Meia decisão correcta

Fonte: Público

Tudo indica que o governo tomou a decisão correcta e deixou cair a Linha de Metro da Boavista em favor daquela a que temos chamado Linha do Campo Alegre e que há muito temos aqui vindo a propor. Sempre foi evidente que esta será uma via de muito maior utilidade para a população deste lado da cidade e verdadeiramente estruturante do sistema de transportes geral da urbe. A insistência de Rui Rio na Linha da Boavista tinha como único objectivo arranjar maneira de pôr a Metro do Porto a pagar-lhe a reabilitação desta artéria. Cometeu até a parvoíce de colocar o carro à frente dos bois e construir uma espécie de pista de aterragem inútil (pode ser que algum dia uma low coast pegue naquilo) no troço final da avenida que agora terá que arranjar maneira de pagar.

Apesar desta boa decisão, o Governo parece continuar a insistir numa redundância que será aquela ligação Senhora da Hora – Hospital S. João. Mas isso são outras histórias.

29 setembro, 2008

Não esquecer o centralismo

O centralismo influi negativamente na vida diária dos portugueses que não têm o privilégio (duvidoso!) de viver na região de Lisboa, por muito que não se apercebam disso. Não se apercebem por várias razões: inconsciência da situação, desinteresse, ignorância, hábitos enraizados há dezenas (ou mesmo centenas) de anos que anestesiam as pessoas e as levam a tomar como situações normais, aberrações com laivos colonialistas que, prejudicando o interesse das populações fora do círculo dos "eleitos", acabam por prejudicar todo o país. Na verdade nós, a "paisagem" da dicotomia "o país é Lisboa e o resto é paisagem" contribuimos negativamente para todas as estatísticas nacionais que retratam o bem estar e o desenvolvimento das populações. Deve ser por isso que há almas bem pensantes que aspiram a estabelecer uma mega cidade em Lisboa com cinco milhões de habitantes!

As notícias dos jornais dão-nos diariamente exemplos deste centralismo estúpido. Pego numa pequena e anódina notícia de há dias, que nos diz que a Câmara da Feira, com problemas para tratar dos seus lixos, não vai aderir à Lipor, situação que provavelmente seria a mais conveniente. E não vai simplesmente porque a Lipor, já não tendo de momento capacidade para receber mais lixo, precisaria de autorização do Sr.Ministro do Ambiente para ampliar as suas instalações. Significa isto que um problemas exclusivamente regional terá de ser tratado na capital a centenas de quilometros de distânncia, apreciado e resolvido por burocratas que provavelmente se estão borrifando para a região do Porto e que, no mínimo, não terão a menor sensibilidade para os problemas que não lhes digam directamente respeito.

É bem verdade que a regionalização contribuiria para aproximar os decisores e as populaçãoes a quem as decisões afectam, mas isto, porque é uma diminuição dos poderes de toda uma legião de burocratas enquistados em Lisboa, tem levantado e continuará a levantar a resistência de quem não está interessado em perder mordomias.

Ainda sobre Televisão e o que se faz com ela

Caro amigo "b).",

Agradeço em meu nome, e em nome dos meus companheiros de blogue, as palavras gentis e elogiosas que teve a bondade de nos dirigir. Pela minha parte, esforçar-me-ei por continuar a partilhar da sua companhia e atenção.
Sim, é verdade que defendo uma maior e mais cuidada atenção da parte da comunicação social em geral, e muito em particular das televisões, pelo poder persuasor que tem junto do público. O Mundo é o que é, a vida não é fácil para a maioria das pessoas e os bons exemplos não abundam nem estão, como concordará, no topo da lista das preocupações da natureza humana. Logo, não creio que a exploração comercial das fraquezas dos pobres de espírito seja algo que devamos deixar ao sabor da corrente, mesmo sob a ameaça do regresso ao tempo da "velha senhora".
Pode ter a certeza que sou das pessoas que mais apreço tem à Liberdade, mas garanto-lhe que não me custa nada aceitar e cumprir determinadas regras desde que elas contribuam para regular (como agora se diz) a sociedade. É que isto que nós estamos vivendo agora, já pouco tem a ver com Liberdade, é pura e simples libertinagem, que a mim nenhuma falta me faz. E garanto-lhe, que quando assim é, não são os cidadãos honestos que beneficiam com isso. São os impostores.
O que agrava a situação, é irmos tendo a crescente percepção de que não é só do comum cidadão que proliferam os impostores, é, em grande escala, dos «altos» representantes dos poderes públicos e privados. Um só dia de consulta das páginas de Polícia dos jornais, é suficiente para o constatar. Não me deixa indiferente ou tranquilo, perceber que os Poderes estão entregues a gente sem escrúpulos, seja ela qual for. Eles não gostam de ouvir isto, porque apesar de gozarem da "autoridade" que o dinheiro empresta, sabem que nem todos o status se compram com ele. Ou se compram, é um status ilusório. É status de fachada, do Mercedes ou do BM. Só é honrado quem é licenciado na honradez, e para essa licenciatura as Universidades ou os "canudos"de pouco servem. É-se sério porque se gosta, mas também porque se deve e não se aprecia a versão antagónica. Ponto.
Repare que no post que originou esta conversa não fiz grandes referências à RTP. Não porque tenha a estação pública em grande conta. Para o tranquilizar, digo-lhe até que a considero a pior de todas as estações de TV, apesar da outra face da "Lua" chamada RTP 2. Não chega.
O que quis destacar foi a atitude inadequada e pouco abonatória do líder da SIC pelo facto de se tratar de um ex-1º. Ministro! É disso que se trata.
Pessoalmente, não consigo avaliar nada por modinhas ou por influencias pueris. Então, se falamos de pessoas com cargos de alta responsabilidade, nem pensar. Daí, ser inaceitável para mim, repugnante mesmo, que alguém a quem um dia foi conferida a responsabilidade de governar um país democrático, faça desse privilégio, dessa oportunidade sublime, um trampolim para mais tarde se lançar no mundo dos negócios, beneficiando de influências que outros cidadãos não podem obter. Essa é outra forma de concorrencia desleal, mais vil ainda, mas ainda assim lhe sobrou lata para se queixar da RTP!
Por isso escrevi que Pinto Balsemão era a pessoa menos indicada para criticar a RTP e falar de programas de qualidade, etc., etc.! Não pode, não tem estatuto moral para isso, bolas! E desculpe meu amigo, sobre o seu (dele) status económico e social estou-me eu a borrifar. Esse não me interessa. Ele foi 1º Ministro! É desse ponto de partida que estruturo a minha opinião, mais nada.
Se um dia chegarem a ser "normalizadas ou decretadas"(está a caminhar para isso, é verdade) estas condutas, então torno-me anarquista e passarei a orientar a minha vida de acordo com as minhas próprias regras. Mas, enquanto tal não acontecer por natureza espontânea ou por "Decreto-Lei" e cada um possa livremente defender os seus próprios valores (se os tiver), exigirei sempre que um Primeiro Ministro e um Presidente da República sejam pessoas acima de qualquer suspeita e de idoneidade impoluta (se é que ainda isso existe).
Entretanto, enquanto tal não estiver garantido ou não me parecer que o esteja, resta-me continuar a usar do único valor que ainda nos resta para o reclamar: a Liberdade.

28 setembro, 2008

Comentário/resposta do amigo b).

Prezado Rui Valente
Desde já lhe agradeço a amabilidade da publicação do meu post e da educada resposta que me forneceu. O seu blog faz parte das minhas visitas diárias e é com prazer que dou a minha pequena contribuição para um blog que leio com prazer.
Se bem compreendi a sua tese, você defende que deveria haver uma espécie de contenção da parte das estações de TV por forma a moderar os conteúdos e contribuir assim para a educação da população. Avança que a minha tese do livre mercado não isenta a SIC de culpa em função de uma "responsabilidade social" da empresa.
Compreendo a sua posição e dou-lhe até toda a razão. De facto, uma vez que o mercado televisivo não é livre em Portugal (dado que as emissoras carecem de alvará, que são atribuídos por motivos políticos) também não poderemos deixar o funcionamento do mercado ao jogo das forças da oferta e da procura. Por outro lado, tendo em conta o impacto dos media na sociedade actual, dou-lhe inteira razão na responsabilidade social que estas empresas têm de promover certos objectivos sociais - nomeadamente a educação do povo - no seu escopo lucrativo. Aliás, até se costuma dizer que antigamente as pessoas apareciam na TV porque eram importantes e hoje são importantes porque aparecem na TV.
Todavia, mantenho a minha divergência da sua opinião em alguns pontos, nomeadamente: (1) o papel da RTP: a RTP deve, a meu ver, ter essa função de contrapreso, de educação do povo. Deve ser a RTP a mostrar a alternativa a esses canais de TV. Para isso é que existe um serviço público de TV. Aliás, vou mesmo ao ponto de defender que não deveria poder passar publicidade lucrativa na RTP, para demarcar ainda mais a distância da estação relativamente aos grupos económicos.(2) o papel da ERC: por muito louvável que seja a ERC, não a poderemos transformar numa moderadora de conteúdos sob pena de a querermos transformar numa espécie de Diácono Remédios que surge nas alturas abusivas a promover a moral e os bons costumes.
Daqui a pouco regressamos ao tempo da "velha senhora", onde os serviços de censura vetavam toda a literatura que "não merecesse ser lida" por perturbar a moral pública lusitana. Acredite que prefiro ser bombardeado todos os dias com programas rascas até à saturação em vez de ter um bando de iluminados a controlar o que devo ver. Até porque a saturação pode ter efeitos pedagógicos.
Se me permite fazer um paralelismo com a Internet, durante anos a palavra mais procurada foi "sexo"; hoje em dia foi substituída por "hi5" e "FCP" e outros termos semelhantes. Isso deveu-se à saturação dos utilizadores dos conteúdos sexuais - que durante mto tempo foram proibidos em Portugal. Quando era miúdo lembro-me de toda a gente ter ficado escandalizada por causa de um filme onde uma actriz mostrava as mamas. Não quero regressar a esse tempo. Mas apontar problemas é facil: qual é a alternativa. A meu ver, a alternativa consiste em virar o feitiço contra o feiticeiro e usar as armas deles. Uma agência independente deveria promover um código de conduta voluntário sobre os conteúdos televisivos e os limites do entretenimento.
Esse codigo deveria resultar de uma negociação tripartida entre os agentes do sector, a ERC e a agência. As estações que colaborassem com ele e não se desviassem mereceriam um selo de qualidade; as que não colaborassem seriam denunciadas como TVs sem qualidade. Neste caso, todos poderiam saber o que escolher e o que ver. E acredite que o peso da sanção social (ser marcado como TV sem qualidade) pode ter efeitos muito mais eficazes do que uma multa da ERC: dado que estas TV dependem da publicidade, as marcas não quererão ser associadas a TVs sem qualidade e as suas receitas ficarão em perigo. Creio que esta é a maneira mais adequada de regular o sector.
Atenciosamente,
b).

CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA-Tudo dentro dos conformes...

Clicar sobre a imagem para ler
E os corruptos estão no Porto (e no Futebol Clube do Porto), excelências? Não se arranja mais uma faquinha para espetar nas costas do Sr. Pinto da Costa? Agora também dava jeito. Com um pouquinho de paciência, talvez se consiga, não é... Nós ja vimos que ele tem as costas largas, mas não imaginamos que possam chegar tão longe... Quem sabe? Já assistimos a nanobras mais escabrosas...

27 setembro, 2008

CORREIO DO LEITOR (jn)

De: Renato Oliveira [mailto:renato_oliveira@tele2.pt]
Enviada: sábado, 27 de Setembro de 2008 17:44
Para: 'csantos@jn.pt'Cc: 'leitor@jn.pt'
Assunto: Página do Leitor

PRÊÇOS COMBUSTIVEIS (PROTESTO)


O protesto da DECO contra os preços dos combustíveis, marcado para hoje (27), com
o apelo para que ninguém abasteça a sua viatura, caiu em saco roto !

Os Portugueses têm aquilo que merecem ! Senão vejamos:

Os taxistas que tanto reclamam por causa dos preços dos combustíveis, rejeitaram, pura
e simplesmente, aderir ao protesto de hoje, organizado pela DECO!

Vários automobilistas apanhados a abastecer a viatura, e perante a questão de não aderirem
ao boicote, responderam que não valia a pena porque as Gasolineiras têm a faca e o queijo
na mão. Alguns afirmaram “desconhecer” que havia esse pedido de boicote e outros, ainda,
afirmaram que os portugueses são mesmo assim, reclamam, reclamam, mas na altura de
fazer, esquecem e nada fazem para defender os seus justos e legítimos interesses!

Quer dizer que a maioria concorda com este tipo de acções de protesto, mas quando
Confrontados com a aplicação das acções, dizem que não resulta. AH GRANDE POVO
PORTUGUÊS! SÓ TU!

Parafraseando alguém “Eles falam, falam, falam…… mas não fazem nada”


Renato Oliveira

A "FILOSÓFICA" TEORIA DA MERDA

Caro amigo b):
Aqui vai o meu lado discordante do seu curioso comentário.
Não quero ser fastidioso com os nossos leitores e por isso tentarei ser o mais sintético possível para me fazer entender. Mas desculpem-me, porque nem sempre é possível resumir em poucas palavras o que pensamos e porque pensamos assim e não de outra maneira.
Achei pertinente o comentário do leitor b) - assim se denominou - e como não pude responder-lhe ontem, vou fazê-lo neste momento.
No primeiro parágrafo do seu comentário, o senhor (ou senhora) b), fez uma co-relação muito curiosa e realista entre a SIC e a prostituição. Concordando embora com o diagnóstico, não no todo, mas em grande parte, faltou-lhe acrescentar um elemento: uma ideia terapêutica. Mal comparando, soou como alguém que sabe que está doente e recusa tratar-se porque pensa que sabe o que tem. Algo parecido com isto: "estou doente, fumei e bebi demais, alimentei-me mal, logo, se tenho uma úlcera duodenal, a culpa é só minha, porque não fui capaz de resistir às tentações do "mercado". E não vai ao médico!
Vistas assim as coisas, podem revelar uma invulgar consciência do "eu", um tanto masoquista até, mas demasiadas vezes ausente também. O princípio, não deixa de ser algo introspectivo e responsável, mas pouca valia tem se não tentarmos sobrepor-lhe uma reacção, uma resposta. Tentar, pelo menos... A sociedade é também, o que nós permitimos que ela seja. Por isso, não posso aceitar completamente o diagnóstico aqui traçado pelo nosso amigo b), e porque não há um só culpado. Há vários. No caso caricaturado por b), há um só responsável: o cliente. Eu tenho ideia que há dois: o cliente e a prostituta. Não podemos ilibar a "prostituta" e condenar "o cliente" como se fossem partes de um Mundo diferente, são realidades do mesmo. Ambos são responsáveis.
Descendo agora à terra, ao concreto do tema, não me parece sensato condescendermos com os meios para justificar os fins. Dizermos que a SIC dá "merda" ao povo porque o povo gosta, e a prefere a outras "iguarias", pode até ser um facto, mas é também admitirmos passivamente e com excesso de fatalismo que o estado de embriaguês do povo é algo de irreversível. Experimente-se dar arroz e só arroz a uma criança durante anos a fio sem lhe dar a provar mais nada e vejamos se depois ela gosta de outra coisa. Pergunte a qualquer governante se não sabe que é assim? Eles, melhor do que ninguém o sabem. E Pinto Balsemão, acha que não sabe?
Mas, vamos lá a ver. Não se diz (e eu aceito), que todos somos responsáveis pelo nosso destino? Que o contributo de cada um é importante para consolidar a mudança conjuntural? E o contributo de um ex-primeiro Ministro, não devia ser ainda maior, mais coerente, mais sério, mais exemplar? Estamos disponíveis para branquear estas vulgaridades a pretexto da manutenção da ignorância e das taras (fraquezas) do povo? Não temos todos um dever de encaminhar, sem moralizar? Então, ao menos, tenhamos a seriedade de acabar com todos os valores se já não precisamos de restaurar e renovar os poucos que restam. E que viva a anarquia!
Mas, não me parece que seja isso que o Dr. Pinto Balsemão (e outros como ele) defende quando precisa de vestir a terceira máscara da sua esquisita personalidade, como seja, falar como ex-primeiro Ministro, ou até, como simples chefe de família... Apesar da multifacetada personalidade, reconheçamos que, ainda assim, ele consegue (para muitos papalvos) fazer passar o seu lado de homem "respeitável". E se é verdade (é aqui que concordo consigo) que ainda há papalvos com fartura neste espaço mimíco de país, nós não podemos nem devemos (nem na aparência) integrar esse pelotão, sob pena de um dia nos acusarem também de apreciarmos "merda".
Termino fazendo esta afirmação pública, à laia de resumo: eu não respeito alguns produtos da SIC, mas não respeito de todo, o ex-Ministro Pinto Balsemão.

Belo poema de Nely Araujo

recosta, amor
este teu corpo cansado
de tanto trabalhar...
e ouve este acalanto
que estou a entoar...
e quando teus cílios
já sem controle
quiserem se fechar,
adormece em meus braços
pra teu sono embalar...
neli araujo
(do blogue "e o pensamento voa)

26 setembro, 2008

Resposta do comentarista B) ao meu post sobre P. Balsemão

Compreendo a sua indignação relativamente à qualidade dos programas fornecidos pela cadeia de TV SIC (questão para dizer: "you make me SIC"). Creio, todavia, que falta um elo na sua crónica.

A SIC é uma espécie de prostituta mental: fornece aquilo que os clientes querem ver! Desde que os clientes estejam dispostos a sintonizar os seus receptores na sua cadeia de TV, assim bebendo as toneladas de publicidade escondida que nos vão impindindo e garantindo um negócio de milhões, a SIC fornece. Todos os desejos mais recônditos, mais obscuros, mais negros, mais vergonhosos do espectador, a SIC está disposta a fornecer em termis limpos e descomplexados, sem perguntas nem juízos. Desde que o espectador sintonize, tem o que quer! Aliás, a SIC é uma cadeia que tem feito a sua história a produzir aqueles programas que todos criticam mas que não deixam de ver.

Mas a questão fundamental é a seguinte: de quem é a culpa? Da prostituta que se oferece no meio da estrada ou do cliente que busca os seus serviços? Da prostituta que saceia os desejos ocultos do cliente em troca de bens materiais ou do cliente que procura os seus serviços e está disposto a pagar o preço solicitado?

Naturalmente que a culpa é dos clientes! A SIC limita-se a proporcionar resposta à procura dos espectadores. Convençamo-nos: os espectadores gostam de merda, de degradação e de podridão! Querem ver gente a dizer que tinha relações homosexuais em troca de dinheiro, que bate na mulher, que já traiu o marido, que fez incesto consensual com a filha! Essas pessoas e esses programas são a válvula de escape de toda uma população reprimida sexualmente e moralmente que precisam de ver os outros rastejar para se sentirem bem! A população quer ver isso, quer um bode espiatório, quer uma prostituta que toda a gente critica e em cima de quem toda a gente cospe mas a quem não faltam clientes pela calada da noite, quando ninguém vê.

A ERC não tem nada a ver com o assunto. A ERC não se deve substituir ao Ministério da Educação, que não soube elevar o nível cultural do povo, aos que pais que falharam em dar uma educação superior aos filhos, à sociedade que procura como um todo este género de coisas para expiar os seus próprios pecados. O culpado é o povo que assiste a esses programas e unicamente o povo. Se o povo quisesse documentários sobre a vida dos pinguins do Antártico ou sobre as religiões xamânicas dos Sami, então os concorrentes davam isso e a SIC perdia espectadores.

A SIC é a prostituta e o povo o cliente. De quem é a culpa? Do Polícia que não pode impedir uma actividade legal e que está de giro a velar pela Lei (mas não pelos bons costumes, pois já não vivemos no tempo da PIDE)?

26 de Setembro de 2008 18:41
Nota de Renovar o Porto:
Vou ao Dragão ver se o Jesualdo já afinou a equipa, por isso não tenho tempo para dizer o que penso sobre a opinião deste leitor B). Para já, adianto que em certos aspectos até lhe dou alguma razão, noutros não.

Menina dos olhos de água-Pedro Barroso



O Homem canta muito bem. É lisboeta, bairrista, mas não é faccioso. Ah...quando chegar à parte que fala do Tejo e das fragatas, basta imaginar o Douro e os rabêlos, e a coisa "digere-se" bem, porque é infinitamente mais belo.

FRASE DA SEMANA

"É já tempo de a sociedade civil saltar para a rua e protestar contra esta quase indiferença generalizada do poder (face à criminalidade)."
(D. Manuel Martins ex.bispo de Setúbal à RR)
Eu estenderia o repto ao domínio político, social e económico. Mas, vindas da boca de um clérico, são sempre de louvar as palavras de inconformismo do ex-bispo de Setúbal. Uma lição para muitos cidadãos que, enquando o «dilúvio» não lhes inundar as casas não tiram o rabinho do sofá... Ai, esta sociedade civil, mais as suas crenças economicistas. Será que agora, que até a toda sapiente América está a tremer com a crise económica, finalmente vão descer à terra? Ainda não será desta, palpita-me...

AS TRÊS FACES DE PINTO BALSEMÃO

"Fiquei sem crónica". Foi assim que Graça Franco iniciou o seu artigo no Público de hoje que, por estar reservado aos assinantes do jornal, com muita pena minha não posso aqui reproduzir. Mas valia a pena ler. Não é que o artigo acrescente algo de novo, mas confirma o que escrevi ainda há dias sobre alguns circunstanciais defensores da ética na comunicação social. Só com uma diferença, é que a jornalista (por motivos óbvios) apontou as espingardas para "o guarda fiscal" que é como quem diz, para o Dr. Azeredo Lopes (responsável pela ERC), e eu fiz mira para o Comandante da Guarda, o Dr. Pinto Balsemão!
O que Graça Franco escreveu, com visível indignação, foi uma denúncia explosiva do que de mais ordinário a SIC (do Dr. Pinto Balsemão) continua a produzir em matéria de programas, ditos "recreativos". Eu não vi, nem vou ver, acreditem, mesmo que seja para melhor poder avaliar, porque é inútil. Já sei do que a casa gasta. Mas se vos disser que no referido programa se estimulam e "divertem" as pessoas com perguntas de alto nível moral e cultural, como (reprodução da cronista): "por 250 mil € seria capaz de manter relações homossexuais?". Outras: "já traiu o seu marido?", "já bateu na sua mulher?".
A jornalista não se limitou a "malhar" no lixo que a SIC do Dr. Balsemão sublimamente nos deu, malhou preferencialmente no fiscal (Dr. Azeredo Lopes), que era (como escreveu) a sua última esperança em ver o programa ser repudiado por quem de direito. A senhora jornalista esqueceu-se que hoje os cargos não são para desempenhar, são para ganhar dinheiro, importância, e fazer de conta que se desempenham. Por isso digo que atacou o elo mais fraco. Talvez quem sabe, com receio de vir a perder também o seu emprego...

Adiante. A crónica acaba por ser uma não notícia, todos no fundo concordaremos. Mas o ponto único que me suscita dúvidas sobre essa eventual unanimidade de opinião entre nós é se todos têm na mesma conta o Dr. Pinto Balsemão. A minha é baixíssima, e a vossa?

Se servir para abrir os espíritos mais complacentes, não me custa nada relembrar o que disse recentemente o patrão da SIC numa reunião do European Publishers Council em Helsínquia:

Exemplos de programas de "alta qualidade"? "Mais programas de história natural, documentários pesquisados «de forma adequada», notícias que abordem «assuntos caprichosos» de forma justa e séria, melhores comédias «inovadoras» ... e menos telenovelas, ou «exploração de exibicionistas vulneráveis» [em reality shows]", afirmou o responsável máximo da SIC.

Perante isto, apenas me ocorre levantar esta questão: da tripolar faceta da personalidade de Pinto Balsemão, em qual delas podemos nós acreditar? Na de ex-Primeiro Ministro? Na do mais alto «responsável» de um grupo empresarial de comunicação social privada? Ou, na do declamador de discursos moralistas para estrangeiro impressionar?

Afinal, estaremos nós a falar de uma, ou de três pessoas ao mesmo tempo?

PS-As aspas colocadas («») nalgum do fraseado (a vermelho) de Pinto Balsemão são da minha responsabilidade, porque não faço a mínima ideia o que querem dizer.

Conferência sobre Regionalização

Assisti ontem a uma daquelas conferências destinadas a discutir o ‘sexo dos anjos’, isto é, a Regionalização. Não ouvi novidades. Também, valha a verdade, ninguém estava à espera disso. Mas foi interessante. Foi interessante verificar a descrença que tanto João Cravinho como Vital Moreira, embora não o afirmem directamente, demonstram no futuro de Portugal se persistir o actual modelo de desenvolvimento.

A intervenção que para mim foi mais interessante deveu-se a João Cravinho. Dissertou durante longos minutos sobre a estratégia que ele considera a melhor para Portugal: apostar na metrópole polinucleada que vai de Braga a Setúbal, promover a sua coesão e evitar que a ruptura entre a sua parte norte a parte sul se estabeleça. Segundo ele tanto a região Porto como a região Lisboa deviam “desenvolver-se em simbiose” e formar uma faixa atlântica com 7,5 milhões de pessoas que contrabalance Madrid e se transforme na porta de entrada ocidental da Europa. João Cravinho concluiu também que esta estratégia, infelizmente, foi abandonada em favor duma estratégia de desenvolvimento que se consubstancia no eixo Lisboa – Badajoz - Madrid. João Cravinho está errado. Como bem frisou Carlos Abreu Amorim, na assistência, a estratégia defendida por Cravinho nunca existiu e o modelo que privilegia Lisboa é o único que sempre conhecemos como o adoptado.

É sabido que as elites que em Lisboa dominam o Estado há muito têm o projecto de transformar a sua área metropolitana numa região com “dimensão europeia”. Isto é, transformar Lisboa numa urbe com mais de 5 milhões de habitantes a curto prazo. Para isso não se incomodam em sacrificar o país em prol dos seus interesses. A coesão nacional não os comove e nunca os comoveu. Só nós aqui é que, em nosso prejuízo, continuamos a nos preocupar com isso.

Vital Moreira deu uma aula sobre direito administrativo em volta da Regionalização e a sua intervenção não trouxe novidades de maior com a excepção que afinal ele também é a favor da gestão regionalizada dos aeroportos.

Frases Fortes:

“Em matéria de descentralização a unidade não é o ano mas mais a década”

“O afundamento do Norte é o problema mais grave que o País enfrenta em termos de desenvolvimento”

João Cravinho
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“A Regionalização depende do PSD”

“Enquanto a Regionalização depender de referendo as possibilidades de êxito são escassas”

Vital Moreira


P.S. – Devido ao adiantado da hora deixei a Conferência no período de debate com a assistência pelo que não assisti à totalidade da troca de opiniões entre a assistência e os conferencistas.

25 setembro, 2008

Os políticos que temos

É sabido o que vale a generalidade dos nossos políticos. Apontar casos concretos pode legitimamente ser considerado "chover no molhado". Acho no entanto que é bom mantermos presente as atitudes de quem nos "representa" naquilo a que se chama uma democracia "representativa".

Numa das últimas reuniões da Assembleia Municipal do Porto foi votada uma moção que exprimia o repúdio pela autorização concedida em Conselho de Ministros, da transferência para Lisboa de verbas do QREN pertencentes à região Norte. A moção foi aprovada por todos os partidos excepto pelo PS, que se absteve.

Uma abstenção, vejo-a como representando uma de duas coisas, ou mesmo as duas simultaneamente.

- Pode ter o significado de desinteresse pela matéria em votação, isto é, o partido não decide se está a favor ou se está contra, porque o assunto não é considerado suficientemente relevante para ser ponderado de modo a originar uma posição.

- Ou pode significar uma indecisão, que dizer, o partido tem dúvidas sobre a bondade do conteúdo da moção.

Será portanto legítimo concluir que o PS - Porto pensa, sobre o roubo de verbas ao Norte para benefício de Lisboa, mais ou menos isto: "não sabemos se essa atitude é ou não reprovável e temos coisas mais importantes para discutir nas nossas estruturas".

Considero vergonhosa esta abstenção, desclassificando para sempre os políticos responsáveis por esta aberração. O que eles fizeram foi defender o "tacho" ao não quererem contrariar os donos do partido com um voto contra o governo. Como habitualmente, venderam a sua honra por um prato, não de lentilhas, que já não satisfaz, mas certamente de suculenta carne.

No fundo, o que mais me entristeceu é ver mais uma confirmação da impossibilidade de termos a regionalização a curto prazo, na medida em que acredito que para a sua implementação é necessária uma frente comum de todos, políticos e não políticos. Sem unidade não vamos a lado nenhum, pois só assim poderemos vergar o governo, seja qual for a sua cor. Nenhum deles vai querer partilhar poderes voluntariamente, aceitando a regionalização, por muito que proclamem o contrário.

Continuo à espera do "meu" D.Sebastião: um lider que crie um partido de base regional. Haja paciência para esperar!

24 setembro, 2008

Indignação cega e surda

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Bem estariam os cidadãos se pudessem confiar nos neo-profissionais da política, mesmo quando, por circunstancial casualidade, concordam com eles. O problema é que, o facto de concordarmos com o que pensam num determinado momento os políticos, não significa que eles estejam a concordar connosco ou com aquilo que realmente nos interessa. Eles estão noutra galáxia, eles não falam para os cidadãos mesmo quando parecem falar, falam para outras "estrelas", para o partido ou contra a oposição em busca de protagonismo e poder. O único período da vida em que se aproximam fisicamente do povo, é durante as campanhas eleitorais. Aí sim, é vê-los com a «lata» que Deus lhes deu, sorridentes e beijoqueiros em tudo quanto é feira e mercado. É aí que a sua crónica hipocrisia atinge o ponto mais alto, o climax!

Exemplificando. Estaríamos todos de acordo com as críticas que Pacheco Pereira fez à RTP e à cumplicidade propagandista que esta mantém com Sócrates no folclore do computador Magalhães oferecido aos meninos das escolas, se não fosse ele o mensageiro. Assim, só podemos concordar com o conteúdo, mas nem tanto com idoneidade do transmissor da mensagem. E passo a explicar porquê.

É que, aquilo que agora Pacheco Pereira considera escandaloso em sede de informação e o respectivo tratamento indecoroso dado por parte da RTP ao Governo, é bem menos que o sectarismo «informativo» centralista que tem sido impingido aos portuenses em todos os canais, incluindo no canal da "sua" amadrinhada SIC durante dezenas de anos! Destes escândalos, não se lembra de falar Pacheco Pereira! Alguma vez, o viram ou ouviram inquietar-se com o tratamento abaixo de cão que todos os governos têm dado ao Porto, à «sua» cidade? Alguma vez este «intelectual» pedante e político improdutivo, falou como só sabe falar, quem sente e vive o Porto? Zero!

Causa-me calafrios quando (eles) dizem que os políticos são cidadãos como os demais, com todo o direito de emitirem as suas opiniões. Não só discordo, como repudio tal ideia. Em primeiro lugar, porque os políticos (PqT) dispõem quotidianamente de um argumento que o comum cidadão não tem, que se chama Poder. E em segundo lugar porque, exactamente por beneficiarem do Poder são também quem mais meios e oportunidades têm para opinar em tudo quanto é espaço mediático. E até são pagos para isso! Há ainda uma terceira razão, que a força dos maus hábitos faz esquecer (mas que convém lembrar) e que devia ser naturalmente a primeira: é que os políticos, em democracia, são os representantes do povo apenas para desenvolverem políticas que visem melhorar o seu bem estar social e económico, não para serem remunerados em debates e conferências. Ponto.

Como cidadão, a único discurso político que me interessa ouvir é a consequência directa que ele poderá ter (ou não) na vida das pessoas.

Humilhações

A propósito desta central de ondas, Helena Matos republicou hoje no Blasfemias o que escreveu no Público em Novembro de 2007. Vale a pena ler e tirar algumas conclusões. Aliás, esta história faz lembrar também toda esta palhaçada das declarações contraditórias de Mário Lino e a sua secretária de estado sobre a segunda fase do Metro e o incumprimento do protocolo com as autarquias por parte do Governo. Não acham humilhante o Porto estar refém de um ministro anedótico como o senhor Mário Lino?

Em Agosto de 2005 o ministro Mário Lino assinou, no Porto, um protocolo que “visa o aproveitamento das ondas do mar para a produção de energia, no molhe norte da barra do Douro”. Segundo os jornais, o ministro mostrara-se rendido ao projecto que implicaria um investimento de 2,8 milhões de euros. E nos meses seguintes a central foi existindo nas notícias. Ganhou até nome próprio: CEODouroUm ano depois, em Dezembro de 2006, era aberto aos interessados o “Contrato de fornecimento dos equipamentos da Central de Energia das Ondas da Foz do Douro“. Vieram apoios para a central das ondas do Douro através da Agência de Inovação. A central não existia mas singrava no mundo dos papéis.Contudo em 2007 começou a esmorecer antes sequer de se ter acendido a luz deste “farol da tecnologia”, como lhe chamou um dos administradores duma das empresas envolvidas no projecto. Em meados de 2007 começa a perceber-se que o processo burocrático que rodeava a central caminhava a um ritmo muito menor que as obras que entretanto estão a ser feitas nos molhes do Douro.Na Assembleia da República, o grupo parlamentar do PCP apresentou um requerimento aos ministérios das Obras Públicas e Economia sobre a central das ondas do Douro. Apesar de tudo talvez ainda houvesse futuro para a dita central: em Junho de 2007 ficámos a saber que técnicos chilenos se tinham deslocado a Portugal para “recolher informações sobre o projecto e a construção da central da foz do Douro”. Optimista, o Diário Económico reproduzia declarações de responsáveis portugueses que concluíam que estávamos perante “uma oportunidade para as empresas envolvidas na central da foz do Douro estabelecerem uma parceria para o desenvolvimento de um protótipo conjunto” com os chilenos.Em Outubro a central virtual deixou de existir. Porquê? Simplesmente porque a burocracia não deixou. Segundo declarou o Instituto Portuário e Marítimo (IPM) ao jornal O Primeiro de Janeiro: “Trata-se de um projecto muito específico e complexo (…) que exigiria uma articulação muito rigorosa entre as duas obras, implicando uma definição atempada das suas interacções mútuas, para que não se verificassem atrasos e sobrecustos.”Por outras palavras, as dezenas de técnicos, directores-gerais e presidentes de vários institutos e ministérios não conseguiram articular entre si as obras dos molhes do Douro e da central das ondas. E o que é espantoso é que o IPM confessa que se desistiu porque não conseguiram fazer uma articulação “muito rigorosa entre as duas obras”. Ou seja, o rigor é aos olhos destes senhores algo de excepcional e inatingível.

Helena Matos
*PÚBLICO, NOVEMBRO 2007