24 setembro, 2009

Atractividade desperdiçada

Num país uno e coeso [como os teóricos da política gostam de dizer], aos resultados deste estudo devia corresponder uma atenção acrescida para com o Porto e toda a região Norte.
Num país de governantes inaptos, e anti-patriotas, faz-se exactamente o contrário: centraliza-se tudo em Lisboa para dividir.
Isto, é o que fazem os teóricos da União Nacional... Queria dizer, unidade nacional, desculpem-me a confusão...













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23 setembro, 2009

Economia trapalhona

É a isto que os panegiristas de Rui Rio chamam de rigor e boa economia?

Castas

JORGE MAIA

Há quem goste de separar os jornalistas em castas, mantendo os que trabalham em jornais desportivos afastados dos restantes, assim como se fossem "intocáveis", para não lhes macular a superioridade ética e a firmeza deontológica que lhes sustenta o ar grave e afectado com que desdenham o jornalismo que se faz por aqui. Ora, todo este lamentável caso das alegadas escutas em Belém, mais as respectivas notícias alegadamente encomendadas e devidamente plantadas tiveram o condão de quebrar o feitiço, revelando aquilo que, deste lado, sempre soubemos: a seriedade do jornalismo e dos jornalistas não depende do carimbo que lhes colam. Claro que os jornalistas ditos desportivos não falam com assessores do Presidente da República, mas, bem vistas as coisas, talvez seja melhor assim. Quer para os jornalistas desportivos, que evitam passar vergonhas; quer para os assessores do Presidente da República, que se lidassem com jornalistas desportivos talvez ainda o fossem.


Nota:

Transcrição de um artigo publicado no jornal O Jogo de hoje. Digam lá, se não tenho razão, quando recomendo uma purga urgente para esta classe . É um jornalista a falar de outros. Ele tem razão, mas não chega, é preciso separar o trigo do joio e afastar as más companhias...

Mitos que a história tece

Para surpresa de muitos, e para esvaziarem as dúvidas sobre as ficções criadas por alguns historiadores, seria interessante ler o que Camilo Castelo Branco escreveu sobre o mito chamado Marquês de Pombal. Entre outros "galanteios", Camilo dizia de Pombal o seguinte:
«Foi um espancador distinto e um estremado trocista. A sua mocidade agitou-se em tempestades que hoje chamaríamos canalhas e a polícia castigaria a espadeiradas. O seu intelecto não era acessível às ideias de Liberdade mental e política.»
Sobre o seu papel, no terramoto de 1755 que tão heroicamente a história tem propagado, Camilo escreveu isto:
«Pretendem convencer-nos de que sem Sebastião de Carvalho e Melo, a terça parte de Lisboa arrasada pelas convulsões e pelo incêndio, nunca mais se levantaria. Não fugiu de Lisboa? Nenhum dos seu colegas fugiu. De resto, ele ficou-se sentado, de luneta no olho a dar ordens, enquanto os frades e demais padres andavam pelos escombros procurando salvar os feridos e sepultar os mortos enquanto os fidalgos como D. João de Bragança Lafões e os filhos bastardos de D. João V recolhiam nos seu palácios e jardins centenas e até milhares de desgraçados, albergando-os e alimentando-os à sua custa, durante meses, coisa que ele não fez, pois não albergou nem alimentou ninguém no seu Palácio».
Só transcrevi estes trechos de Camilo sobre a figura do Marquês [havia imensos], para dar uma pequeno exemplo de como os historiadores, quando querem, subvertem o rumo dos acontecimentos e transformam um crápula num herói nacional. Isto para lembrar que neste momento preciso está a acontecer história que daqui a uns anos será também seguramente desvirtuada.
Foi essa trafulhice histórica que fez de Francisco Sá Carneiro um mito. Estivesse hoje ele vivo, presumivelmente, ou já nos teria decepcionado, ou já tinha sido silenciado pelos malandros do regime.
Com Mário Soares, apesar de algumas intervenções importantes na vida nacional, nomeadamente no contributo que deu à nossa integração europeia, vai acontecer o mesmo. Vão dizer dele muito mais do que aquilo que vale. Enquanto político e governador, foi o que se viu... Já há até alguns jornalistas a tratá-lo por "dinossauro", por "animal político", seja lá o que isso for na mente ficcionista desses analistas.
Estou farto desta política, deste folclore de fingidores com o qual nos "obrigam" a viver. Os debates, são meras discussões, simples manifestações de invejas e ambições pessoais. Nada do que dizem tem substância, nada é verdadeiramente sério. Já nem vontade tenho para os criticar. São simples animais, tenho de me conformar a deixá-los viver. Coitados.

20 setembro, 2009

Olha para o que eu digo...

Confesso não ter lá muito talento para fazer comentários de caixa. Os comentários, de preferência, querem-se breves e precisos, coisa que poucos sabem fazer e eu pertenço a esse grupo de "desajeitados". É por essa razão que quando a confusão se estabelece sobre um qualquer assunto, prefiro postar calmamente procurando não descurar todos os pontos de vista mesmo aqueles com os quais possa não estar de acordo.
Ora o assunto de momento, chama-se jornalistas e, a contundência com que os tenho criticado tem despoletado reacções nalguns dos leitores do Renovar o Porto. Uns concordam, outros não. É normal. O que não é normal é que alguns se esqueçam das proporções que alguns casos tomam e de outros que, sendo da mesma importância, são praticamente silenciados.
Não fui eu, nem a maioria dos leitores deste espaço de opinião, quem se lembrou de repente de querer convencer os portugueses que o "Mundo" era um lugar perfeito, cheio de gente afável e séria. Não fui eu quem insinuou ou pretendeu fazer acreditar que há um único canto da terra, onde não entram as cunhas, as influências, os favores, e em última análise a corrupção. Foram os senhores que inventaram o Apito Dourado, cuja guarda avançada contou com a colaboração preciosa dos senhores jornalistas.
Durante todo esse processo [que ainda não deram por terminado, apesar das decisões reprovatórias dos Tribunais Superiores], esperei que do meio desses trafulhas despontasse um forte movimento de jornalistas a rejeitar com veemência o que se estava a fazer ao Futebol Clube do Porto e respectivo Presidente. Enganei-me. Li, é verdade, artigos de opinião de alguns jornalistas bem identificados [ que não esqueço] de repúdio à conspiração instalada, mas como foram tão poucos e não tinham grande visibilidade pública, quase ninguém deu por isso. Na televisão, os opositores à saga anti-porto, praticamente não se viram. E o teatro ainda continua...
Como não fui eu quem inventou o Paraíso em Portugal, nem afirmou - como o Dr. Rui Rio -, que apoiar um clube da cidade de cuja Câmara é presidente era uma accção promíscua, não sei porque raio, depois de tão longa campanha moralista, havia eu agora de achar "normal" que os senhores "jornalistas" Carlos Daniel e Hélder Conduto [que também deram para esse peditório] combinem jantares com treinadores do clube que mais responsabilidades teve [e continua a ter] nesse acto ignóbil e cobarde de conspiração, como foi o Benfica.
É só por isso, pela bazófia do discurso da "seriedade" que acho intolerável que não haja uma única autoridade a insurgir-se contra estes hábitos [que outrora condenaram] de alguns gajos, quando eles eram praticados por pessoas ligadas ao FCPorto. De resto, é a vida. Não há clube, empresa ou pessoa que, num país onde o rigor nunca casou com os hábitos do povo e dos governantes, não tenha alguma vez sido forçado a conviver com alguém de quem teoricamente seria pouco recomendável fazê-lo, incluindo com árbitros...
O país e o Mundo estão cheios desses "bons costumes", mas em Portugal só se lembraram do Futebol Clube do Porto para moralizar e tentar condenar. Por quê? Porque havemos nós de aceitar esta arbitrariedade tão desavergonhada, se agora os acusadores fazem o mesmo? Alguém á capaz de mo explicar? Não, eu não me esqueço dos pulhas. E os que aqui nomeei, são-no!

Jesualdo Ferreira

Há já muito tempo, talvez mais de um ano, que não faço quaisquer comentários sobre futebol e em particular sobre o meu clube - o FCPorto. Não por desinteresse, mas porque sendo frequentador assíduo de blogues portistas, penso que a blogosfera azul e branca está bem servida de comentadores e eu possivelmente nada de válido acrescentaria. Deste modo as minhas opiniões sobre o meu clube têm ficado restringidas a conversas informais em grupos de amigos. Se hoje fujo a esta regra é porque penso que a equipa de futebol do FCP vive uma situação que pode tornar-se complicada, e em consequência não consigo ficar calado.

Já estou a ouvir os optimistas profissionais: então a equipa ganha quatro campeonatos seguidos, tem tido boas prestações na Champions, vem de um jogo muito razoável em Londres, e lá porque asneou em Braga, já tocam os sinos a rebate? Pois é, mas esquecem-se do resto. Estes "apagões" da equipa têm ocorrido nos últimos anos com uma frequência inusitada, e se quisermos ser rigorosos não podemos deixar que os falhanços sejam apagados da memória colectiva pelas vitórias alcançadas, vitórias que, diga-se de passagem, foram em grande parte facilitadas pelas "ofertas", nos últimos campeonatos, dos nossos principais rivais.

Chama-se Jesualdo Ferreira a figura central das discussões sobre o momento do FCPorto. Há muito que penso que ele é parte do problema mas não é parte da solução. Não o conheço pessoalmente mas tenho por ele enorme consideração. Normalmente gosto de o ouvir, considero-o uma pessoa equilibrada, sensata, inteligente e honesta. Acho no entanto que está no lugar errado. Parece-me mais um teórico do que um prático. Penso que falha muito na apreciação dos jogadores, nas táticas a adoptar, na escolha e oportunidade das substituições durante o jogo. JF daria um óptimo e esclarecido comentador, e com a sua capacidade de exposição, conhecimentos e sentido crítico, seria com certeza um óptimo professor. Porque não um óptimo treinador? Porque estou perfeitamente convencido que um treinador, seja de que modalidade colectiva for, deve ser basicamente um condutor de homens, e é aqui que reside o problema. Táticas, métodos de treino, preparação física, etc, etc, aprendem-se no livros, no contacto com os mais velhos, na experiência da vida. Capacidade de liderança, pois é disto que falo, ou se nasce com ela, ou então... É como um futebolista, se não tiver nascido com "aquele" dom, pode ter os melhores treinadores que nunca passará da mediania, e estará condenado a não jogar em clubes de topo. O mesmo acontece com os treinadores, e JF em minha opinião é uma demonstração prática do princípio de Peter: atingiu no FCP o seu nível de incompetência. Por isso digo que ele é parte do problema: acho que JF não consegue ser um lider e esta é uma insuficiência insanável que não pode ser ignorada.

Aceito sem reservas que o meu diagnóstico possa estar errado, mas o que é certo é que uma longa e variada carreira profissional levou-me a trabalhar subordinado a líderes competentes e a líderes incompetentes, e a diferença de ânimo, entusiasmo, e dedicação dos subordinados, é abissal entre um caso e outro.

Conjecturas à parte, façamos votos para que os problemas, sejam quais forem, sejam ultrapassados, os jogadores se trascendam e o penta possa ser uma gloriosa realidade.

19 setembro, 2009

Os amigos da transparência

A propósito do que aqui é exibido e provado, gostaria que o jornalismo português desportivo e generalista aproveitasse esta oportunidade de ouro para contrariar aqueles que, como eu, não têm tido papas na língua para os tratar pelo nome que merecem: vigaristas, sem escrúpulos! Mas, isso nunca irá acontecer pela simples razão de que, o que eu tenho afirmado, sem hesitar, não é um insulto, é uma realidade!

São os arautos da transparência e da verdade desportiva, do fim da promiscuidade com os vários agentes de futebol [entre os quais também eles se incluem] , precisamente os mesmos que, na primeira oportunidade deixam que a máscara frágil dos sem carácter, lhes caia ao chão. Aqui está ela -neste caso são duas, a de Carlos Daniel e Hélder Conduto - , à saída de um restaurante de um adepto benfiquista na companhia do treinador do clube do regime, do mesmo clube que se queixou à UEFA do FCPorto por influenciar as arbitragens...
Por aqui, é fácil retirar quaisquer dúvidas quanto à qualidade destes seres rastejantes que se dizem jornalistas... Por aqui, podemos saber o que pensar destes vermes quando nos entram pela casa dentro através da rádio e da televisão para falar da honorabilidade dos outros... Eu já sabia, mas talvez haja quem ainda tenha dúvidas.
Quanto às generalizações de que alguns se afoitam logo a acusar-nos quando "pomos o dedo na ferida", ficamos à espera que os jornalistas "diferentes", os sérios, se prenunciem nos respectivos orgãos informativos sobre o que aqui reafirmo, com cobertura idêntica à que deram ao caso Apito Dourado. Se não se importam, pela minha parte, esperarei sentado, para não me cansar.


Qual deles é o que rasteja melhor?

18 setembro, 2009

U2 - With Or Without You



Tive o gosto de assistir ao início da carreira deste grande grupo em Vilar de Mouros nos anos 80.

Bom fim de semana!

T G V

Vai acesa a discussão sobre o TGV na campanha para as eleições. Infelizmente, como é hábito no nosso país, reinam a falta de rigor e a consequente confusão. Suponho que só uma ínfima percentagem de portugueses, por muito que todos queiram opinar sobre o assunto, possui o mínimo de informações necessárias para poder ter uma opinião coerente e realística. Falando por mim, confesso que estou confuso, mas o pouco que sei permite-me dizer que notícias como as referentes à viagem que Sócrates efectuou ontem entre Paris e Bruxelas, só servem para espalhar a desinformação.

As notícias dizem que Sócrates viajou de TGV. A verdade é que há uma grande confusão em relação a esta designação. TGV, para além de ser, creio, uma designação comercial francesa, refere-se, como o nome indica, a "muito alta velocidade" ou seja velocidades de cerca de 350Km/hora. Ora a verdade é que desconfio que Sócrates não viajou de TGV, pela simples razão que ele não existe entre Paris e Bruxelas. Como é do conhecimento de quem já fez essa viagem, existem sim comboios com a designação comercial de Thalys, que ligam os 310km entre as duas cidades em 1 hora e 25 minutos, sem paragens intermédias. Deve portanto tratar-se dum comboio de prestações inferiores às do chamado TGV, que já vi designado em Portugal por comboios de "velocidade elevada". Designar as duas variantes pelo mesmo nome de TGV, só leva a confusões. Por outro lado já vi escrito que uma linha de "muito alta velocidade" não aceitará composições de mercadorias a 350km/hora devido aos exorbitantes custos de manutenção que essas composições originam. Verdade ou mentira? Também somos levados a crer que o troço Madrid-Badajoz está a ser construído para "velocidade elevada" enquanto Portugal fará o troço Lisboa-Badajoz em "muito alta velocidade". Verdade ou mentira?

Como é habitual quando os governantes - e a própria imprensa - falam de grande velocidade, é como se só existisse Lisboa-Badajoz. Concursos públicos já foram lançados. Por contraste Porto-Vigo é ignorado, não existe, parece virtual. E no entanto penso que esta linha será economicamente muito mais importante para nós que a outra. Os produtos do Norte exportador necessitam de rápidas ligações ferroviárias com a Europa. Neste troço Porto-Vigo não haverá dúvidas sobre a velocidade, na medida em que os espanhóis recentemente definiram e calendarizaram a ligação Madrid-Ourense-Coruña, e estabeleceram que a velocidade máxima será de 250Km/hora, o mesmo ocorrendo no ramal Ourense-Vigo. Estranhamente, nas notícias sobre este assunto que li na imprensa galega, não havia qualquer menção à ligação de Vigo ao Porto. Será que não acreditam que Portugal faça a parte que nos cabe, ou simplesmente nos ignoraram?

Outro aspecto que ainda não percebi e se calhar a maioria dos portugueses também não, é a falta de decisão definitiva do governo quanto à linha Porto-Lisboa. Ou ando distraído, ou o governo não sabe o que fazer. Será que o ministro Mário Jamé Lino está com medo de decidir, ou andará ocupado a limpar a sua mesa de trabalho no ministério, dado que, de uma maneira ou de outra, certamente não a utilizará mais a partir do fim do mês?

15 setembro, 2009

O embuste do referendo

Já muitas vezes exprimi a minha convicção de que não haverá regionalização nos (muitos) anos mais próximos, mercê de uma combinação invencível: por um lado os governos não a querem, porque estariam a perder PODER. Por outro lado, a grande maioria dos portugueses está-se nas tintas para o assunto, basicamente por ignorância cívica. Tinha prometido a mim próprio que não escreveria tão cedo sobre este assunto, que considero em coma profundo, mas não resisti a uma boa piada que acabo de ler. Um destacado dirigente do PSD diz que o partido quer um novo referendo sobre a regionalização, mas que agora a ocasião não é oportuna! Mas será que algum dia esta gente arranjará uma ocasião oportuna? Desde 1998 que não há uma única?

Há depois a questão do referendo. Outro embuste, na medida em que os resultados de um referendo só são vinculativos se houver um número de votantes superior a 50% dos inscritos. Um referendo é uma votação, e nesta há os votos a favor, os votos contra, e os votos de abstenção, sendo que estes não contribuem directamente para o resultado da votação. Num referendo dá-se o caso extraordinário de os votos de abstenção serem contados, no plano prático, como votos contra. Não há argumentos válidos que justifiquem esta aberração. Por isso, se os políticos quisessem ser sinceros, tratariam de eliminar da nossa legislação esta exigência dos tais 50%. Quem votou, votou, e exprimiu a sua preferência. Quem se absteve, que tivesse votado, teve essa possibilidade, e portanto não tem o direito de se queixar do resultado do referendo, seja ele qual for.

É claro que haveria outra forma de os políticos mostrarem que querem a regionalização, que seria aproveitarem o facto de a próxima Assembleia da República ser constituinte, e voltarem à primeira forma da Constituição em que as Regiões eram taxativamente apresentadas como autarquias, sem necessidade de referendo. Mas isso nem sonhar!

Patriotismo eleitoral

É um facto que para muito boa gente a experiência para pouco serve, porque continua a ser verdade que a experiência só tem serventia com o que dela se extrai e aprende. Pessoalmente, não preciso que me batam duas vezes para perceber que me estão a agredir, basta-me uma. Mas, vá-se lá saber porquê, há pessoas que por excesso de tolerância ou escassez de amor-próprio, precisam de serem fustigadas e ofendidas mais do que uma vez para reagirem e, em certos casos, nem sequer reagem.

Feito o preâmbulo, o que eu quero dizer, é que já não estou disposto a acreditar nas promessas dos políticos. Outros, se assim entenderem, que votem, que continuem a capitalizar o país nas mãos destes troca-tintas, porque pela parte que me toca recuso-me a ver as eleições como um jogo de sorte ou azar. Os actos eleitorais não devem ser encarados pelos cidadãos com a mesma fé infantil de um totoloto ou de um euromilhões, mas pelos vistos há quem não pense assim.

Manuela Ferreira Leite, era capaz de me impressionar se eu tivesse idade para me deixar impressionar pela máscara das pessoas e pelas respectivas aparências. Acontece, é que eu já vi do que "esta casa gasta " [passe o popularismo], e não é agora, em plena época de folclore político que me impressionarei com as magnas palavras de patriotismo da líder cinzentona do PSD.

M.F.Leite, pegou no TGV, como podia ter pegado na Regionalização, apenas e só, para encontrar um argumento de peso para derrotar o seu opositor, porque se estivesse no seu lugar era muito provável que também defendesse o comboio de alta velocidade de mãos dadas com o governo espanhol. Mas, não deixa de ser engraçado ouví-la dizer coisas destas: "não é fácil que me intimidem a não falar deste assunto pelo facto de já haver estrangeiros que já me vêm amedrontar. Não tenho medo de defender os interesses do país nem medo de defender a nossa independência económica".

Pois pela minha parte, ilustríssima senhora doutora economista, até lhe agradeço que não defenda independência nenhuma, porque entre ser dependente de uma capital apátrida e hiper-centralista como é a portuguesa [e foi também nos governos PSD] e ser dependente de Espanha, há falta de alternativas mais radicais, prefiro depender de Espanha.

PS. O negrito é da minha responsabilidade

14 setembro, 2009

Debates

Terminou a maratona de debates políticos. Não pretendo comentá-los: não só não sou politólogo, como acho que já estamos todos enjoados da avalanche de comentários que nos dão cabo da paciência. Vi alguns debates, não todos, e foi o suficiente para confirmar a convicção de que a um dos candidatos eu não compraria um automóvel em segunda mão, se me é permitido o velho cliché. Vi também uma moderadora com o seu habitual e incontido esforço de ser a prima-donna, vestida e ornamentada como se fosse juiz de um concurso de moda e não o pivot de um programa político.

Como fervoroso adepto da regionalização, verifiquei também, com desgosto mas sem surpresa, que ela não foi discutida nem sequer mencionada, pelo menos nos debates a que assisti. Suponho que o tema regionalização não estava contemplado nos programas dos dois principais partidos, mas como factor poderoso no combate aos nossos problemas económicos, pensei que poderia e deveria ter sido tratado, em vez de ter sido ignorado como se fosse detalhe sem relevância nacional.

Mais uma vez se fica com a impressão que todos os programas de debate na TV, por muito que pretendam implicitamente cobrir o todo nacional, são feitos e discutidos numa perspectiva meramente local - Lisboa e arredores - parecendo ignorar que o país não se resume às margens do rio Tejo. É uma visão redutora, de contemplação do próprio umbigo, tipicamente centralista, que não é nova - longe disso - mas que mais uma vez se manifestou.

Falta de ar

Não há conhecimento que dos países onde foram criadas regiões administrativas cheguem notícias de cariz social ou económico regressivos, nem muito menos da multiplicação de caciquismos locais. Bem pelo contrário. O que sabemos desses países é que, genericamente, todos beneficiaram com a Regionalização. Já aqui ao lado, a Espanha, que até se libertou da ditadura franquista depois de nós e que se debate com sérias guerrilhas etnológicas independentistas, com a regionalização, progrediu como nunca antes e distanciou-se de Portugal para melhor em todos os aspectos.
Mesmo assim, em Portugal nem os jornalistas parecem muito interessados em explorar esta grave lacuna política de forma séria e consistente. Fazem-no, durante breves e espaçados períodos, com preocupações meramente comerciais em obediência à matéria jornalística do momento. Não há uma ideia estratégica de agarrar na Regionalização como tema prioritário, como um trabalho de casa obrigatório, de modo a dificultar a fuga ao assunto dos partidos políticos. Não. Fazem exactamente o mesmo que eles, só pegando na Regionalização quando é oportuno.
Hoje, Mário Crespo, em artigo de opinião no JN, fala-nos de coisas muito interessantes, como de um pacto formal entre PS e PSD para evitar a discussão pública de questões de carácter. Subtilmente, diz-nos afinal que o que foi considerado ontem por Marcelo Rebelo de Sousa como um debate de alto nível entre Sócrates e Ferreira Leite, não passou de um pacto para esconder o lado visível da marginalidade política, das trafulhices que membros dos dois partidos praticaram nestes tempos mais recentes. No fundo, é a única maneira de creditarem mutuamente alguma seriedade aos seus discursos e até aos seus próprios carácteres, porque na verdade é particularmente nessa vertente pessoal que mostram menos valias.
É com estas fintas ronaldianas que os jornais se entretêm a analisar as performances dos nossos políticos e se esquecem de uma asfixia democrática realmente séria, que dá pelo nome de centralismo. Quando M. Ferreira Leite falou de asfixia democrática, a mesma mulher que meses antes sugeria umas "férias à democracia", aparentemente para resolver alguns problemas, não houve um único jornalista que se lembrasse de lhe perguntar - sendo ela uma anti-regionalista convicta -, como é que ela "via" o oxigénio democrático a Norte do país, e no Porto, se achava se por cá temos os pulmões a vender saúde ...
Mário Crespo, termina o artigo dizendo: "Não é a votar repetida e clubisticamente que nos assumimos como povo e como Estado. Juntos, PS e PSD, estão a asfixiar o que nos resta de democracia e parece que já nem notamos que nos está a faltar o ar."
Faltou-lhe explicar-nos de que país democraticamente asfixiado estava a falar. Se o de Lisboa, se o da Paisagem, que é o outro país. É que se é dos dois países num só imaginário, pode estar descansado que, estando ele em Lisboa, antes de ser contaminado gravemente pela referida asfixia, já nós no Porto teremos morrido de sufôco.

11 setembro, 2009

Vicissitudes "democráticas"

O arquitecto Correia Fernandes, número dois da lista PS à Câmara do Porto acusa o partido de má gestão a candidatura de Elisa Ferreira, enquanto Elisa Ferreira, 1ª. candidata, defende-se, alegando que Rui Rio tem medo do debate.
Noutro contexto, Alberto Martins, também do PS, jura a pés juntos que a ANA não será privatizada, enquanto o Governo, igualmente do PS, decidiu por resolução do Conselho de Ministros em 2007, que tanto a ANA como o novo aeroporto de Lisboa serão privatizados simultâneamente.
No primeiro caso, o que Correia Fernandes afirma é só uma não notícia, porque a má gestão da candidatura de Elisa Ferreira à presidência do município portuense começou pela própria com a asneira de não ousar meter a "carne toda no assador", renunciando desde logo, e em nome do Porto, ao lugar de deputada no Parlamento Europeu. Se o tivesse feito, hoje não haveria grandes dúvidas quanto à sua eleição. Por outro lado o PS, como vem sendo "normal", não teve a mínima competência nem empenho no apoio à sua candidata.
Sobre o caso da ANA e do aeroporto de Lisboa, a confusão continua. O deputado Alberto Martins, com a responsabilidade de líder parlamentar afirma uma coisa, e o Governo do seu partido, diz outra... Bons exemplos.
Se levarmos em linha de conta a mediocridade gémea da oposição, quem pode levar a sério estes políticos que nem dentro dos próprios partidos conseguem entender-se?
Para o comum cidadão, que é mais sábio do que muitos que imaginam andar a governá-los, a conclusão a retirar desta bagunça é simples e curta: eles andam doidos a ver quem "arranja" os melhores lugares! Eles querem olhar pela sua vidinha!

10 setembro, 2009

Os aselhas do remate


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Uma semana e pouco depois de um interregno sem postar, com o Prelúdio em E menor de Chopin a pautar o silêncio, aqui estou de novo pronto para a "guerra". Como informei, razões pessoais inadiáveis estiveram por trás do meu afastamento, ocupando-me praticamente o tempo todo, tornando impossível dar continuidade a esta tarefa.
Apesar disso, deu para me aperceber, lá mais para o fim da noite, com uma passagem rápida pela televisão, que os debates políticos se intensificaram com a mediocridade do costume.
Se pelas razões acima apontadas não tive tempo para assistir a estes espectáculos enfadonhos, também começo a não ter paciência nem interesse em vê-los. Já estou cansado da cara e da conversa repetitiva da maioria dos protagonistas e daquela arrogância patética de quem sabe que para convencer é preciso parecer sério, mas nem isso já conseguem fazer.
Com uma ou outra excepção, tenho dos políticos uma fraca imagem de seriedade e com uma baixíssima formação moral. Continuam sem dar sinais de mudar e isso é o pior, porque é mais complicado serem os cidadãos a apontar-lhes o caminho quando eles se recusam a segui-lo. A Regionalização podia ser um desses caminhos, mas eles não querem. Agora, como precisam de cativar eleitorado, lá voltam eles à baila com a Regionalização, mas creio que até o cidadão mais distraído percebe o oportunismo deste interesse "sazonal".
Vou, por isso falar da selecção de futebol. Ou, melhor, vou deixar um recorte de uma carta que escrevi para o jornal O Jogo [antes de se ter vendido a Lisboa], para recordar o tempo passado a tecer elogios às qualidades técnicas dos jogadores portugueses [refiro-me só aos de origem], em que a expressão génio era usada e abusada pelos "jornalistas" do regime sem notarem naquilo que estava - e está -, à vista de todos: técnicamente nós somos uns aselhas a chutar à baliza.
ps - desculpem a qualidade da imagem, mas como podem verificar, a notícia tal como o problema em questão, já é velhinha. Esta carta foi publicada no O Jogo, em Outubro de 1995 mas podia ter sido dez, vinte, ou 30 anos antes...

29 agosto, 2009

O nosso triste fado

De vez em quando faço uma tentativa para adoptar o Jornal de Notícias como o meu quotidiano. Se bem que pertencendo a alguém que acho que deixou de ser do Norte - mais um assimilado - o jornal está baseado no Porto e dá realmente muita cobertura ao que se passa por aqui. Compro então um número de tempos em tempos, e logo desisto. As asneiras são muitas, a maioria dos redactores não sabe escrever português, são incapazes de redigir uma notícia de forma coerente, e frequentemente dão provas de enorme falta de conhecimentos gerais. Cheguei a escrever uma carta indignada ao director do jornal, por ter lido uma notícia em que o redactor dizia qualquer coisa do género que as principais obras do Eça eram os Contos e a Correspondência de Fradique Mendes.

Há dois dias fiz mais uma tentativa. Fiquei então a saber que:
- A produção nacional de leite é de 1.900 milhões de toneladas(!) por ano.
- Cada português bebe 90 litros por ano.
- Portugal importou, em 2008, 231 milhões de litros de leite, que representam 35% do consumo total.
- O auto-aprovisionamento é de 100%.

Contas de aritmética elementar mostram que 10,5 milhões de portugueses, a 90 litros por cabeça, bebem 945 milhões de litros. Se somos auto-suficientes, esta é também a produção. Se importámos 231 milhões de litros, eles representam cerca de 24% do total consumido, e não 35%.

O leitor está a ser erradamente informado e ninguém se importa. Eu penso que isto é lamentável. O JN não é (ou não devia ser) um jornaleco de vão de escada, sem estruturas. Tem directores, sub-directores, chefes e sub-chefes, editores. E no entanto as asneiras publicam-se quase diariamente. Nem sequer há uma secção que faça as correcções necessárias aos erros da véspera, onde peça desculpa pelos erros e pelos lapsos.

Este, infelizmente, é o retrato da realidade portuguesa. Ignorância, desleixo, falta de profissionalismo, desprezo pelo consumidor, impunidade. Convençamo-nos que é por isso que estamos na cauda da Europa, e que aí iremos continuar a menos que houvesse uma improvável revolução na mentalidade portuguesa. É triste mas é assim...

27 agosto, 2009

Informação

Já fiz um comentário a informar o mesmo. Por afazeres de carácter particular, durante a semana que se aproxima vou ter o meu tempo um pouco mais limitado para postar com a regularidade habitual.
Pelo facto, apresento aos colaboradores, leitores e comentadores do Renovar o Porto, as minhas desculpas.

26 agosto, 2009

O nascimento da Universidade do Porto

O desprezo do governo centralista de Lisboa em relação ao Porto (e também à maioria do restante país) não é de agora. A leitura de um Anuário da Faculdade de Sciências (assim se escrevia) de 1915, dá-nos uma visão do que se passava em séculos passados, e que é curioso referir.

No sec.XVIII os piratas marítimos, perante o desinteresse de Lisboa, atacavam e saqueavam os barcos mercantes que saíam do Douro carregados de mercadorias destinadas às colónias, especialmente ao Brasil, com os prejuízos que é fácil de imaginar. Já nesse tempo o poder em Lisboa estava mais preocupado com o seu umbigo do que com a situação do restante país, nomeadamente com o Porto que já nessa altura era a segunda cidade do país e tinha uma pujança económica que provavelmente era bem maior que actualmente, salvas as devidas proporções. A grande diferença era que nesses tempos o Porto não se limitava a queixar-se. Com uma visão pragmática que parece ter-se perdido com o decorrer do tempo, os Homens de Negócios da Praça do Porto decidiram que, já que o governo os não defendia, iriam defender-se eles próprios. E assim nasceu um documento datado de Outubro de 1761 em que se pedia ao rei D.José que os autorizasse a construir, às custas do comércio exportador, duas fragatas fortemente armadas destinadas à defesa dos navios que saissem do Porto em direcção às colónias. A manutenção das embarcações e o pagamento dos tripulantes era também garantido pelos exportadores, com base em taxas sobre as exportações e as importações, criadas para o efeito pelo Corpo do Commercio, que julgo deveria ser o antepassado da Associação Comercial do Porto.

O rei satisfez o pedido do Porto por alvará de Novembro do ano seguinte, tendo portanto demorado apenas um ano a estudar e decidir o pedido. Se fosse hoje, com toda a burocracia e com tantos organismos a terem de dar palpites, quantos anos seriam necessários?

Esta ideia das fragatas inspirou a criação no Porto de uma aula de náutica também estabelecida por decreto real. Cerca de 15 anos mais tarde foi pedida, e autorizada já por D.Maria I, uma aula de debuxo e desenho, tornada necessária pelo desenvolvimento que a indústria tomava na nossa cidade. Para todos os efeitos assim nascia aquela que é hoje a maior universidade portuguesa: a Universidade do Porto.

O Porto

Agostinho da Silva disse um dia que o Porto era uma ilha rodeada de Portugal por todos os lados. E essa condição - digo eu - é a grandeza e a miséria do Porto. Sim, miséria porque Portugal é coisa que não se recomenda. Grandeza porque consegue há séculos navegar neste imenso oceano de mesquinhez, inveja e pusilânimidade na mais perfeita verticalidade e sem nunca se deixar afundar.

O circo recomeçou

Coitadinhos dos fotógrafos. Coitadinhos dos jornalistas. Ninguém os compreende. Portam-se tão bem, fazem um trabalho tão árduo e sério, sempre com o intuito de "informar" os cidadãos e ainda por cima tentam "assassiná-los". E quem é o culpado deste mundo cão e criminoso, quem é? É o senhor Pinto da Costa, quem mais havia de ser?
Há escroques em todo o lado, mas é preciso enfatizar com frequência que no jornalismo é onde se nota mais. Começou o campeonato, começou a caça ao homem. Aí está a praga nojenta de alcoviteiros e desrespeitadores ao ataque. Já começam a andar com o nome de Pinto da Costa na baila e sempre pelas piores razões. Mas será que estes imbecis, estes atrasados mentais, convencidos, ainda não perceberam que estão a tentar fazer de nós parvos?
Os paparazzi, essa espécie de marginais que também gostam de puxar os galões de jornalistas, não são muito diferentes destes patetas que tudo fazem para fabricar casos para prejudicar Pinto da Costa e por tabela o FCPorto. Ontem só faltou dizer que Pinto da Costa viajava de metralhadora em punho.
Depois, foi a telenovela com o Adriano. Andaram a esmiuçar, a ver se conseguiam arranjar um enredo qualquer para induzir o povo a acreditar em mais uma sacanice à moda do Porto [leia-se FCPorto]. Mas quem é que põe mão a isto? É a esta bandalheira, que eles chamam Liberdade? É? Então venha a Ditadura, porque com democracias assim é impossível conviver.
ps.

Foram gajos como estes que assassinaram a princesa Diane num túnel de Paris!

25 agosto, 2009

As teias de aranha da Justiça em Portugal

O estado comatoso da Justiça em Portugal é por demais conhecido, destacando-se a sua lentidão com consequências para além de originar a sua inoperância. Não disponho de números actualizados e o governo não está interessado em divulgá-los, mas todos os anos prescrevem uns milhares de processos, muitos dos quais não poderiam nem deveriam prescrever de modo algum. Ninguém tem dúvidas de que há atrasos "cirúrgicos" cuja finalidade não confessada é precisamente fazer com que a prescrição ocorra, e os suspeitos, por "coincidência" gente poderosa, acabe por ficar tão inocente como um recém-nascido. É assim que Portugal pertence a um clube que dizem ter cada vez menos membros: o clube das repúblicas das bananas.

Mas para além destas, há outras razões de ordem estrutural que implicam a morosidade da nossa Justiça. A comparação com a celeridade do caso Maddof é uma crueldade, mas a verdade é que Maddof foi detido em Dezembro de 2008 e condenado em Junho de 2009! Respostas dadas a este propósito pela Procuradora Geral Adjunta, numa entrevista recente, ajudam a esclarecer quem, como eu e a maioria dos portugueses, é leigo na matéria. Fica a perceber-se que o problema não se resolverá com modificações cosméticas dos Códigos Penais, como tem sido feito. Há toda uma revolução intelectual a fazer, pois toda a filosofia subjacente aos códigos tem de ser revista. Os processos penais portugueses são complicativos, repetitivos, pomposos e majestáticos, cheios de formalismos que só servem para criar atrasos e que, ao contrário de propiciar eficiência e verdadeira justiça, acabam por ser a sua negação, sendo mesmo um dos cancros da democracia em Portugal, na medida em que se constituem como um incentivo à corrupção generalizada, a começar pelos governantes e pela poderosa oligarquia nacional.

Penso que os códigos penais portugueses estão baseados no Direito Napoleónico, o que não será de espantar porque no sec.XIX a França era o grande farol intelectual que iluminava Portugal. Os tempos mudaram mas os nossos juristas continuam no passado. Se as árvores devem ser julgadas pelos seus frutos - como diz a Bíblia - e se esta dá frutos tão podres, então a árvore da Justiça precisa urgentemente de ser derrubada e substituída por uma nova. Se os políticos porventura pretendessem melhorar a degradada qualidade da democracia portuguesa, teriam de deitar mãos à obra antes que fosse demasiado tarde. Infelizmente tudo indica que, se bem que perfeitamente consciente da situação, a classe política portuguesa decidiu deliberadamente que a manutenção da actual situação é o que mais lhe convém. Como tal, uma auto-reforma é impensável e consequentemente continuaremos na mesma podridão num futuro previsível.


p.s. Por curiosa coincidência, este post foi escrito antes de ter lido o post anterior do nosso amigo Rui Valente. Calhou bem, constitui como que um complemento...

O exemplo do Estado


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A inépcia do Estado não pára de nos surpreender. Para não variar, faz questão de coleccionar provas de laxismo que, inevitavelmente, acabarão por desencadear na opinião pública uma crescente onda de indignação e levar os cidadãos mais pacatos à desobediência civil. É neste laxismo do Estado e dos seus representantes que os chicos-espertos como José Veiga encontram o trampolim ideal para enriquecerem e fazerem negócios à custa dos contribuintes pagantes.
A Superfute deve ao fisco 4 milhões de euros, metade, já foi anulada por ter expirado o prazo de cobrança. Grandes exemplos, grande Estado! Isto, é que é incentivar os bons pagadores a continuarem a pagar impostos...
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24 agosto, 2009

Apontamento

Do rescaldo da última jornada do Campeonato Nacional, reconfirmou-se o habitual: um penalti apontado em favor dos adversários do FCPorto, é sempre uma boa decisão. Um penalti nítido a favor do FCPorto, é uma decisão invariavelmente duvidosa e polémica, o tema mor dos debates desportivos... Maior previsibilidade do que esta, não consta da história dos media ditos "nacionais". Previsibilidade mais perversa, não se conhece.
As mentes doentias e incorrigivelmente desonestas da comunicação social centralista, vão repetir, ou mesmo redobrar, as conspirações contra o clube tripeiro. Oxalá, um dia, o resultado deste trabalho de crápulas, dê em desemprego para toda a tribo.
"Coisas" destas natureza não deviam ter direito ao trabalho.