15 outubro, 2009

Ainda há milagres?

Com o Norte (que para mim vai pelo menos até ao rio Vouga) habituado a ser espoliado dos poucos organismos oficiais - ou delegações - que aqui existem, uma notícia como aquela lida há poucos dias na imprensa, na contra-corrente da força centrípeta que tudo empurra para Lisboa, qual eucalipto gigante a secar tudo à sua volta, essa notícia, dizia eu, deixa-nos simultaneamente esperançados e cépticos. É o caso que o Estado-Maior da Força Aérea apresentou um estudo ao ministério da Defesa propondo que o denominado Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA) que funciona na antiga base aérea da Ota, fosse transferido para a base da Cortegaça(Ovar). Entende a Força Aérea que teria a vantagem de maior potencial de recrutamento e que ganharia com a proximidade dos centros tecnológicos de Aveiro, Coimbra e Porto. Acresce que a FA estima que seria suficiente um investimento de apenas 70 milhões de Euros, muito menos que o necessário para reconstruir e actualizar as decrépitas e inadequadas instalações da Ota. Se pensarmos que o CFMTFA tem cerca de 900 alunos e forçosamente muitas dezenas de instrutores e pessoal dirigente e administrativo, vê-se como seria interessante para toda a região esse acréscimo de actividade económica trazida por uma "fábrica" com um milhar de empregos de raiz tecnológica.

Gostaria de pensar que os autarcas e as associações económicas do distrito, bem como os responsáveis de, pelo menos, a Universidade de Aveiro, se reunirão rapidamente para criação de um verdadeiro lobi destinado a conseguir a concretização da transferência, mas no entanto tenho uma forte suspeita de que, pelo contrário, vão ficar todos numa atitude de expectativa, a olhar para o céu a ver se cai alguma coisa.

Dada a prática habitual dos governos centralistas e sulistas que nos (des)governam, reconheço que há uma forte hipótese de o senhor ministro, embora concordando com o abandono da Ota, decida que em vista disto e mais daquilo, a transferência de efective sim, não para Ovar mas para o aeroporto de Beja ou mesmo para o do Montijo! Mesmo assim penso que é uma batalha que os interessados não têm o direito de não travar, por muito que de um governo que nos rouba milhares de milhões sob o pretexto do famigerado "efeito de difusão", tudo seja de esperar, especialmente se os espoliados não se mexem e se limitam a inócuas lamúrias depois da casa roubada. Mas... não será possível que ainda ocorram milagres?

Explicações para as púdicas donzelas da capital do império



Dado que os sketches do Boby e do Tareco já estão gastos, a fruta e o café com leite e o Bimbo da Costa também, queria sugerir aos humoristas de Lisboa [da Contra-Informação, Gatos Fedorentos e demais], que se lembrassem de fazer Humor com um pouco mais de democracia e colassem às grandes orelhas de Luís Filipe Vieira uma história engraçada de pneus e outras "drogas"...

Ao Jornal de Notícias: divulguem o Porto Canal, bolas!

Ricardo Jorge Pinto, um dos jornalistas participantes no debate do Porto Canal que aqui citei, disse - e muito bem -, que não compreendia os porquês da "ilegalidade" constitucional de um canal regional não poder ser transmitido em canal aberto.
O meu amigo e colaborador deste blogue, o Rui Farinas, também já se insurgiu aqui em post e em conversas pessoais, contra a exclusão da programação regular do Porto Canal nos jornais diários, nomeadamente naquele que se considera o jornal de referência do Norte e do Porto, o Jornal de Notícias!!! Eu,também não consigo atingir tão estranha e contraditória «solidariedade» nortenha, quando publica a programação de todos os outros canais abertos, públicos e privados [ a RTPN não tem canal aberto], incluindo canais desportivos [Sport TV] e recreativos [SIC Radical e dois da TVCine].
Que diabo, eu compreendo que os jornalistas, incluindo os directores de informação, são assalariados de um patrão a quem devem obediência, mas não são os próprios jornalistas [os mais responsáveis], que andam a dizer à boca pequena que o jornalismo não deve ser vendido como sacos de batatas?
Os jornais, toda a gente percebe, precisam de vender, mas vender muito, pode não traduzir vender bem, de forma cadenciada e segura. Acredito, que dado o grau elevado de iliteracia e o baixo poder de compra dos portugueses, jornais sensacionalistas e polémicos como o Record e A Bola, o 24 Horas, etc., consigam assim mesmo vender, mas é tudo uma questão de tempo, porque no fim será a "nata" que acabará sempre por vir a superfície e sobreviver.

Fizessem mais alguns o que eu já faço há muitos anos, que deixei pura e simplesmente de ler e comprá-los, por esta altura estariam todos falidos e seriam "obrigados" a perceber porquê, caso quisessem sobreviver. Fossem os portuenses portistas mais exigentes, não bastaria às Bolas e aos Records colocarem umas isquinhas saborosas como os artigos do Miguel Sousa Tavares ou do Rui Moreira, para atraírem o seu interesse, só porque eles são portistas e defendem o FCPorto, quando 99% dos outros colaboradores desses pasquins passam a vida a atacá-lo. E os portistas mordem essa isca, esquecendo-se que tão singular curiosidade irá contribuir para o sustento de uma maioria de articulistas que tudo faz para destruir não só a imagem do clube como da própia cidade.

Como «sabiamente» disse o cromo Luís Filipe Vieira - mais conhecido pelo tamanho das orelhas o que é elucidativo - é pelo peixe que a boca morre [esta parte-me a coisa!] ...

14 outubro, 2009

De Maitê para Lisboa!



As donzelas da imperial e neo-colonial Lisboa, ofenderam-se todas com os motejos da bela Maitê Proença àcerca de Portugal não propriamente por ela ter ironizado com os portugueses, mas por tê-lo feito em Sintra e Lisboa...

Afinal, por quê tanto escândalo se os "portugueses" de Lisboa passam o tempo a fazer o mesmo com portuenses e alentejanos, além de nos chularem. Foi isso mesmo que eu escrevi: chularem! Então, tomem e embrulhem. Esta foi direitinha para um "Portugal" muito alfacinha.

Não gostaram? Eu adorei. Viva a Maitê!

Lembram-se do Contra-Informação e dos Gatos Fedorentos? Não? Então vão ao médico.

Excelente debate ontem, no Porto Canal

Pela primeira vez, desde há muitos anos anos, assisti a um debate num canal do Porto [Porto Canal], com jornalistas do Porto, pragmático, inteligente e... CORAJOSO! O tema foi, o resultado das autárquicas no Grande Porto. Pena é, que a clareza do dircurso não seja igualmente cristalina e contundente quando os cenários são outros... Como é bom de entender, estou obviamente a referir-me a cenários como a RTP, SIC e TVI.

Os protagonistas, além do jovem pivot da Porto Canal, foram: José Queiroz, Ricardo Jorge Pinto e Jorge Fiel.
Apreciei particularmente as prestações de Jorge Fiel e de Ricardo Jorge Pinto que, perante as políticas de mentira compulsiva dos governantes em relação à Regionalização, não tiveram dúvidas em afirmar que, a única solução para o Porto e para o Norte em geral, era o método de Alberto João Jardim, ou ... à "cotovelada" [como Jorge Fiel ironizou]. É de jornalistas assim que precisamos. Aquilo sim, é serviço público, sem demagogia nem cerimónia. O caminho é esse. Não se iludam com quem vos sugere o contrário.

13 outubro, 2009

Resultados: uma análise sócio-política

Ao contrário do que alguns tentam fazer crer, a vitória de Rui Rio não se deve ao ‘povo’. O núcleo duro de votantes de Rio é uma elite. A elite financeira e económica, a burguesia tout court, que habita principalmente em Nevogilde, Foz, Lordelo do Ouro, Aldoar, Massarelos e Cedofeita. As maiores percentagens de Rio foram obtidas nestas freguesias. Nevogilde, paradigmaticamente, deu-lhe uma votação de 77%; a Foz 59%. Lordelo, mais eclética, mas que inclui a Gomes da Costa, o Cristo Rei e parte significativa da Av. da Boavista, premiou-o com mais de 52%. Cedofeita também 52%. Em Aldoar, mais classe média, também com bairros sociais, mas que inclui igualmente parte da Av. da Boavista, a Fonte da Moura, António Aroso e toda a zona do Garcia da Orta até à junta de Nevogilde, obteve 46,5%. No total, nestas freguesias somou 24 562 votos. 39,3% da sua votação. A grande freguesia do oriente e o centro histórico, significativamente as mais pobres, discriminadas e abandonadas partes da cidade, votaram maioritariamente em Elisa Ferreira. Mas é inegável que Rio não venceria sem parte considerável da classe média que resta (Paranhos, Ramalde) e de muita gente dos bairros sociais. A estratégia da coesão soldada a tinta plástica resulta. Significativo é também a transferência de muitos votos comunistas, e até do BE, para Rio, como demonstram a diferença entre a votação para a Assembleia e a Câmara. Afinal, os extremos tocam-se, não é? Esta é uma cidade dual e isso reflecte-se nos resultados eleitorais.

O que me intriga é que este homem, com uma excelente estratégia eleitoral, tenha uma visão tão estreita da cidade e, parafraseando António Lobo Xavier, seja um incapaz de qualquer “comunicação de sonhos” e se limite a ser “um homem muito prático”, que “não fala de grandes projectos, não exibe um grande conhecimento do mundo”. Reflecte, no fundo, o Porto actual e a sua burguesia. Ao contrário do que advoga Rui Moreira no seu recente livro, o frenesim político pós 25 de Abril desta burguesia não se deveu ao seu intrínseco liberalismo, pois este há décadas e décadas que desapareceu. Deveu-se ao seu atávico terror em perder privilégios e profundo horror à modernidade. Aliás, um arquétipo desta burguesia é o sempre presente advogado Miguel Veiga.

Também é verdade que a maioria dos portuenses votantes não votou em Rui Rio – 69 mil eleitores contra 62 500 escolheram outras opções. Nenhuma vitória se deve ao ‘povo’ quando a maioria do povo não votou nessa opção. Mas o sistema eleitoral autárquico é este e eu até concordo com ele. Resta-nos democraticamente combater a gestão sem “grande conhecimento do mundo” desta Câmara.

O divórcio entre elites e o povo do Porto [Público]

O enfrentamento entre Rui Rio e Elisa Ferreira tinha todos os condimentos para se tornar num debate entre a cara e a coroa, o verso e o anverso de uma mesma moeda. Em muitos aspectos, os dois candidatos tinham as qualidades opostas. Elisa, candidata pensada para agradar às elites, enveredou por uma linguagem tecnocrática baseada na sua experiência profissional nas áreas do planeamento e do ordenamento. Tem, além disso, um estilo aberto, tolerante, progressista e moderno no qual essas elites se podiam rever. Rui Rio, por seu lado, é uma pessoa sóbria, com uma linguagem política despojada, sem nenhuma comunicação de sonhos. É um homem muito prático, não fala de grandes projectos, não exibe um grande conhecimento do mundo. Os seus trunfos políticos são uma autenticidade desarmante, uma franqueza que chega a parecer ingénua, uma despreocupação com os cânones do discurso político moderno.
Isto era o que parecia à partida. O decurso da campanha, porém, depressa mostrou como é difícil fazer política sem uma organização, sem uma máquina partidária. De facto, Elisa Ferreira falhou sobretudo na campanha eleitoral. Falhou ao não ter o apoio local do PS, falhou ao nível da organização, falhou na sua própria prestação pessoal, especialmente nos debates na TV, onde foi uma surpreendente decepção.
O reforço da posição de Rui Rio era muito difícil de adivinhar. Porque parecia ter uma candidata à sua altura e também porque o aparente divórcio entre a sua presidência e as chamadas elites do Porto dava sinais de agravamento nos últimos quatro anos. A sua vitória é, por isso, e antes de tudo o mais, uma vitória contra o sentido das apostas, contra os comentadores, contra a opinião publicada. Sobra, assim, tópico incontornável para análise: por que razão as elites se mostram tão divorciadas do poder camarário e, aparentemente, o povo cada vez mais próximo?

António Lobo Xavier

Jurista e militante do CDS-PP [Público]

Impostos

Peritos querem que o Estado cobre 20% sobre lucros da Bolsa

Este nosso Estado é mesmo diligente a tomar decisões! Só é preciso dizer para onde vai esse imposto. Se for para dar de mamar a Lisboa aconselho aos accionistas dos restos de Portugal que lhe façam um manguito.

12 outubro, 2009

O voto no Pato Donald

Rui Rio é re-eleito e amplia a sua maioria, que já era absoluta. Não entendo os meus conterrâneos. Porque motivo quererão eles no comando da sua cidade, alguém que em oito anos não fez nada por ela, nada daquilo que um presidente é suposto fazer: tornar a cidade mais agradável, melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes e aumentar-lhes a auto-estima, torná-la mais conhecida ( aceito como excepção a Red Bull Race ) incentivar e ajudar as instituições que, em variadíssimas actividades, fazem parte do património cultural, desportivo e artístico.

Haverá múltiplas explicações, cada uma delas com um bocadinho da verdade. A minha explicação, que vale o que vale, é a convicção que a maioria dos portuenses votou basicamente no partido da sua preferência, ignorando que não são os partidos que resolvem os problemas locais. Pelo contrário, os partidos só atrapalham. Esses eleitores, para fazer triunfar o partido da sua preferência, até no Pato Donald votavam se ele fosse o candidato. Chego à triste conclusão que a maioria dos portuenses não parece preparada para eleger autarcas, pois votar em símbolos e não em pessoas é sinal de falta de maturidade cívica e política.

Crimes do Estado

Sabem o que quer dizer etefio sordifu? Não sabem? E otiefe rosufid? Eu explico: quer dizer exactamente, e f e i t o d i f u s o r ! Percebem melhor lido ao contrário?
O efeito difusor não é mais do que uma fórmula oficial sofisticada que poucos entendem, inventada pelo Governo português para roubar legalmente o povo do Porto e Norte de verbas que lhe eram destinadas por razões de pobreza, e ficar com elas em Lisboa a pretexto de, a partir da mui "solidária" capital, se gerar riqueza com efeitos no resto do país. Perceberam a patranha?
Pois bem, o otiefe rosufid, ou efeito difusor, como preferirem, é mais uma medida da lavra dos nossos governantes que me deixa inchado de orgulho, porque roubam na nossa cara e "nós" [eu excluído], continuamos alegremente a dar-lhes o nosso voto e a prestar importância às eleições, como mandou o Big Boss Cavaco. Mas, o meu orgulho atinge o climax patriótico e o auge do respeito, quando fico a saber que fomos o único dos 27 países da União Europeia a usar de fundos destinados a desenvolver as regiões mais pobres, para os aplicar na mais rica [Lisboa].
Estivessem agora certos senhores à minha frente com a bandeira "portuguesa" pelo meio, eu cuspia em cima dela e esfregava-a no mal cheiroso nariz, para terem uma pequena ideia da consideração que me merecem. Párias!

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Elisa Ferreira versus Luís Filipe Menezes

Um dos grandes dramas para os eleitores, é não conseguirem descobrir o exacto momento onde a agulha descensional do princípio de Peter começa a aplicar-se aos políticos aparentemente competententes.
Esta suspeita ocorreu-me quando pensava na vitória estrondosa [70%!] e merecida, de Luís Filipe Menezes na Câmara de Gaia, e a comparava com o "fracasso" infligido enquanto líder de curta duração do PSD. Afinal, o que é que poderá explicar resultados tão contraditórios? O "pecado" sulista, elitista e liberal, ou o loby centralista de Lisboa? Ou, os dois "pecados" juntos?
De certa maneira, não obstante, com resultados e percursos diferentes, Luís Filipe Menezes quando ascendeu a líder do PSD cometeu a mesma asneira que Elisa Ferreira na candidatura à CMPorto. E não estarei enganado se disser que aquilo que traiu ambos, foi o medo de perderem. Isto é, não perceberam que a partir de determinada altura, quando a fasquia foi colocada mais alta, era preciso seguir em frente, apostar tudo, usando os mesmos "condimentos" que os guindou ao sucesso, e não [como aconteceu], realizar uma volta de 180º na estratégia.
Lembro-me, da decepção que senti quando percebi que LFMenezes mal aterrou em Lisboa na condição de líder, se esqueceu subitamente de falar da Regionalização e do excesso de zelo do seu discurso. Disse cá para mim: estás feito ao bife, já estás a recuar, já não vais lá. E foi exactamente isso que sucedeu. Luís Filipe Menezes tinha acabado de se assinar o seu nome no clube dos amigos do Princípio de Peter, o que vale dizer, que tinha atingido o seu nível de incompetência. Foi, e é, um excelente autarca, não soube abrir caminho para ser um bom Líder. Duvido que o venha a ser.
Com Elisa Ferreira, o percurso foi diferente, mas o erro foi o mesmo. Teve medo de perder, não arriscou, encolheu-se na sua simpatia e deixou-se levar por apoios dúbios de gente incompetente [como o líder da concelhia do PS por exemplo] e afundou-se.
É à luz destes dois paradigmas, que se torna cada vez mais difícil descobrir verdadeiros líderes. Para se ser líder, é preciso ter a fortuna de reunir um número de factores de vária ordem que não está ao alcance de qualquer um, mesmo dos mais competentes.

A derrota absurda de uma potencial vencedora

Como já suspeitava, o meu voto-contra-Rui Rio, não me serviu para nada. Ganhou o cinzentismo e a conflitualidade.
Senhores apoiantes de Rui Rio: tudo o que de mau acontecer ao Porto durante os próximos 4 anos e durante período atribuído aos respectivos efeitos secundários, é da vossa inteira e exclusiva responsabilidade. Quando as coisas começarem de novo a dar para o torto, não admito que me incluam no vosso grupo e que me venham dizer que a culpa pelo definhamento do Porto é de todos nós. Não é, não senhor, é vossa e só vossa! Por isso, fiquem lá com o troféu da vitória da Mediocridade, que não serei eu a felicitar-vos por ela. A minha ética democrática não é orientada pelos vossos clichés oportunistas.
Segundo ponto. Como previ desde o início, os tiros nos pés em política pagam-se caros. Elisa Ferreira ficou [espero] a saber que assim é. Não sei se foi por ingenuidade ou por estupidez, Elisa quando arrancou, decidiu fazê-lo começando por oferecer metade dos seus votos a Rui Rio com o pé que manteve seguro em Bruxelas, mas a verdade é que se pôs muito a jeito para sofrer esta derrota humilhante. Rio, devia agradecer-lhe.
Ponto terceiro. A estrutura partidária do PS, não quis que Elisa vencesse estas eleições, caso contrário, não a teria "aconselhado" a seguir a estratégia que seguiu, porque foi o suficiente para ter sofrido uma derrota patética quando podia ganhar com uma perna às costas.
Ponto final. Talvez Elisa Ferreira tenha assim comprometido definitivamente a sua futura carreira política em Portugal. Só lhe resta deixar-se estar em Bruxelas, com a gamela. Como diria o analfabeto Orelhas: pelo peixe morre a boca!
Amén.

11 outubro, 2009

NOZZE DI FIGARO - MOZART - Voi Che Sapete

Já votei!

Eram precisamente 11 horas da manhã quando coloquei o(s) meu(s) humilde(s) voto(s) na Secção 5 da Câmara Municipal do Porto. Está feito. Logo veremos se me serviu para alguma coisa.
PS-Não, não fui às urnas por causa do discurso paternalista do senhor Presidente da República. Pelo contrário, quando o ouvi a dizer que votar era uma obrigação, até me apeteceu mudar de ideias, mas pelo Porto faço tudo, até engolir sapinhos cavaquistas.

10 outubro, 2009

É isto que é preciso dizer mais vezes

Clicar sobre a imagem para ler, é obrigatório... [para quem não leu, claro]
Quem me ler com regularidade de certeza que já se apercebeu que não sou propriamente um admirador do jornalismo que se faz em Portugal e que não poupo os maus profissionais que envergonham a classe.
O jornalismo é uma actividade de importância pública fundamental se desempenhada com religioso respeito pelos cidadãos, antes do respeito pelo patrão... Para haver grandes jornalistas, como grandes políticos, é preciso haver por detrás dessas capas, grandes Homens. É preciso não ter medo, e quando necessário, enfrentar "o touro pelos cornos", correr riscos, bater com a porta e partir.
Ora é isso que rareia actualmente, é dessa massa de grandes Homens do jornalismo e da política [as duas classes convivem e copiam-se uma à outra numa promiscuidade tácita] e até do meio empresarial que as sociedades modernas precisam para se regenerarem e conquistarem credibilidade. Com malabaristas não vamos a lado nenhum, está provado. É esse género de "profissionais" que abunda no país, numa luta pela sobrevivência sem regras nem fronteiras, onde vale tudo para vender. Vender, vender, vender, é a palavra mestre. Não conhecem outra, excepto: money.
Como o artigo acima exposto, que foi escrito pelo Director da TSF, Paulo Baldaia, descreve por palavras suas e sua experiencia, aquilo que eu por mais do que uma vez expressei aqui, talvez alguns senhores jornalistas que eventualmente me tenham lido, passem a partir de agora a convencer-se que as minhas críticas eram e são, bem fundamentadas...

09 outubro, 2009

Sonia Wieder-Atherton et Bruno Fontaine - Night and Day de Cole Porter




BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS! DOMINGO, LÁ ESTAREI A DAR O MEU RIDÍCULO CONTRIBUTO PARA VER SE CONSIGO DESPEJAR DA CÂMARA QUEM NÃO MERECE LÁ ESTAR. DISSE RIDÍCULO SIM, PORQUE É ISSO MESMO O QUE PENSO DESTA FORMA DE EXERCER O MEU DIREITO DE CIDADANIA. ENQUANTO ISSO, O GOVERNO DESVIA [ROUBA] VERBAS DO QREN PARA A VACA SAGRADA DE LISBOA E NÓS A VOTARMOS NO REGIME, E A VERMOS PASSAR O BALÃO...

COMO É QUE CERTOS MENINOS HÃO-DE GOSTAR DE OUVIR ESTAS "POPULARICES"?

Impressões do debate Eleições-Porto na RTP

Além da minha convicção de que Rui Rio é um incapaz presidente de câmara, o debate de ontem veio demonstrar-me que além disso é uma personalidade execrável, com um mau feitio que entra na má educação e com argumentação que pontualmente me parece intelectualmente desonesta. A minha antipatia por ele atingiu niveis de não-retorno.

Acho que Elisa Ferreira esteve bem, com ideias arrumadas, exposições claras, enérgica e agressiva q.b. mas sem entrar na ofensa pessoal.

Rui Sá, gosto dele, talvez não como presidente da câmara, mas dava um bom número dois.

Fátima Campos Ferreira, pareceu-me que teve a atitude arrogante e pretenciosa da vedeta que chega da capital para dirigir um grupo de provincianos. Muito oportuna a "rabecada" que Rui Sá lhe deu. Nota francamente negativa para os tópicos escolhidos. Parque da Cidade, Aleixo, reabilitação da Baixa, são temas mais que batidos, já aborrecem, e nenhum dos participantes poderia ter dito algo de novo. Parece que o Porto não tem outros assuntos de enorme importância. Por aqui se vê a ignorância que grassa na capital sobre o que se passa além das suas fronteiras, e provavelmente o desejo que a CS centralista tem de não permitir que se discutam problemas que possam ser incómodos para Lisboa, particularmente num canal com a audiência potencial da RTP1.

Há tripeiros e habitantes do Porto. Não são a mesma coisa!

As sondagens valem o que valem, mas convém estarmos atentos com quem as difunde e de onde provêm... O país é tudo menos simétrico e justo, por isso, muita atenção às fontes... Com as novas tecnologias, parece-me haver erros de cálculo a mais, para quem pretende fazer das sondagens uma actividade credível.
À imagem de outros jornais, o Grande Porto atribui a vitória a Rui Rio com 49,2% dos votos. Eu, tenho alguma dificuldade em digerir estas previsões, muito embora tenha reconhecido o incrível hara-kiri de Elisa Ferreira logo no lançamento da candidatura, porque me custa muito a acreditar que sejam efectivamente gentes do Porto todos aqueles que insistem em dar a Rui Rio o seu voto.
Custa-me a crer que os portuenses sejam tão pouco exigentes, tão desafeiçoados da sua cidade e da sua história, que não sejam capazes de reconhecer as incapacidades de gestão camarária de Rui Rio e o seu perfil típico de homem insensível e distante do povo. Não. Há, aqui um outro qualquer fenómeno que me escapa, porque os portuenses apesar de os tempos não serem os mesmos de outrora, não podem ter mudado tanto [e para pior].
Não sei quem foi o autor que comparou o Porto a um "Donut", mas foi seguramente alguém sem dificuldades oftalmológicas, tão precisa e "feliz" foi a comparação. Será que quem se desloca ao Porto, conseguindo compartimentar as noites de fim de semana nas ruas Galerias de Paris e Cândido dos Reis com o dia-a-dia rotineiro da baixa portuense, não percebe que a cidade não é só feita de animação nocturna? Será que ainda não deram pela falta da juventude na cidade e repararam na proliferação de gente envelhecida e pobre nos centros comerciais? Será que ainda não perceberam que a cultura é algo muito mais vasto, profundo, heterogéneo e abrangente do que os espectáculos do La Féria? Será que o blogue As Casas do Porto [passe a publicidade] é uma ficção deturpadora da realidade urbana da nossa cidade? Afinal o que é que Rui Rio fez de tão transcendental que os leva a negligenciar tanto desleixo?
Pode não explicar tudo, mas continuo convencido que estes últimos 20/30 anos de concentração do poder mediático [e não só] em Lisboa mais as suas campanhas diabolizantes contra o FCPorto, tiveram grande influência em muita gente que para cá migrou, por questões relacionadas com o trabalho ou estudo, trazendo consigo o veneno que lhe foi injectado cujos reflexos acabaram por se espelhar na política e consequentemente nos resultados eleitorais.
Há muita gente que vive no Porto que não é nem sente o Porto, tal como o portuense-tipo sente. Não, não confundam esta alusão a qualquer discriminação regional, porque se há coisa da qual nós sempre nos orgulhámos foi da fama de gente hospitaleira, mas com a perda de influência política do Porto, houve portuenses vindos de outras paragens que não tiveram oportunidade de assimilar a cultura portuense e a maneira de ser do seu povo.
Está plena de razão Elisa Ferreira quando diz que Rui Rio ficou famoso, apenas e só, por afrontar, desprezar o FCPorto, o melhor clube português e ao mesmo tempo o mais temido e invejado pela capital. Só portuenses atípicos, mal assimilados é que não querem aceitar este facto insofismável! Quem contraria isto, também confunde a água do vinho, não está a ser honesto consigo próprio.
Não estou muito confiante em relação à vitória de Elisa Ferreira, mas também ainda não me convenci que ela esteja garantida para Rui Rio.
Uma coisa posso porém garantir. Quem votar em Rui Rio é co-responsável pela continuidade da regressão e decadência da cidade do Porto. E esses, democracias de plástico à parte, jamais me conseguirão convencer do seu amor ao Porto. É falso!

08 outubro, 2009

Fusão do Grande Porto

Ler aqui. É muito interessante.

Nota:

Como diz Rui Moreira, e bem, quando se fala neste assunto, os políticos dizem: nim! O que corresponde, em pleno, à opinião que o grande povo faz deles, ou seja, tudo, menos correrem o risco de perder a "gamela" (esta pegou). Primeiro eu, depois a cidade ou o país. Neste ponto, poucos há que fazem a diferença, todos se regulam pelo mesmo padrão de mediocridade. Percebem porque me incomoda a palavra "elites"?

Quanto à posição medrosa de Carlos Lage, é natural, corresponde exactamente à ideia que tenho dele. Medroso.

O articulista TAF e a agressividade de Elisa Ferreira

Às vezes os articulistas políticos ganham os tiques mesquinhos de muitos comentadores de futebol. Vêem as faltas que os adversários cometem [quando não as inventam], e ignoram compulsivamente as do seu clube.
Li e concordei com muito o que o Tiago [TAF] do blogue A Baixa do Porto escreveu no JN de hoje, mas não posso deixar de estranhar o apontamento dedicado a Elisa Ferreira, que diz o seguinte:
"Elisa Ferreira era uma esperança, mas manteve um discurso agressivo que divide a cidade entre pró-Rio e contra Rui Rio. Não é por aí. Faltou-lhe também uma política de verdade que a demarcasse do PS anterior. O seu trabalho de federação das elites tem valor e deve, em qualquer caso, ser aproveitado."
Discurso agressivo, Elisa? Bem, que de Lisboa se oiçam ou leiam comentadores com este tipo de discurso não surpreende, agora do Tiago, um cidadão do Porto? Eu acho que já conheço um pouco o Tiago, até porque tive oportunidade de comentar algumas vezes no seu blogue do qual me desvinculei precisamente por ele considerar agressivos alguns dos meus comentários e já não achar os de outros tão agressivos quanto os meus. Mas, adiante. O que eu quero referir, é que o Tiago, conquanto faça um trabalho cívico muito relevante não deixa de pecar por excesso de zelo, ou, por outras palavras, por não ousar fugir do politicamente correcto.
Se Elisa Ferreira, que tem procurado evitar referir-se ao seu adversário directo o mais possível, apesar da insistência dos entrevistadores, é agressiva, pró ou contra Rio [como ele refere], que dizer deste último? Rui Rio, não só tem sido agressivo com a sua adversária, como é com os portuenses e as suas maiores instituições, sejam elas de carácter cultural ou desportivo. Essa não Tiago!
Já aqui escrevi aquilo que penso ter sido o maior erro de Elisa Ferreira, não vou agora repetí-lo, mas o da agressividade não foi seguramente, talvez mais a falta de. Ter uma política de verdade é outra utopia quando alguém concorre a umas eleições apoiado por qualquer partido mesmo como "independente". Todos sabemos quão condicionada é a independência dos próprios militantes, quanto mais a de um independente! Podia ousar mais, concordo. Se calhar faltou-lhe a tal dose de agressividade [a que eu prefiro chamar afirmação] de que o Tiago a critica.
Quanto a elites e do papel que Elisa teve na respectiva federação [será o da AIP?], continuo a detestar a palavra e sabem por quê? Porque, na minha opinião, a massa de que são constituídas as elites portuguesas [e não só] não têm substância bastante para nela se enquadrarem na verdadeira acepção do termo. Raramente aplico o termo elite, talvez por ser muito mais exigente sobre o seu conteúdo, do que é a opinião publicada.
Politicamente, hoje, não há elites, há hierarquias que para mim é uma coisa bem diferente. Socialmente, a coisa não difere muito. As elites têm de ser redefinidas. Se continuarmos a falar de elites pela visibilidade das pessoas podemos bem ir buscá-las a um daqueles Big-Brothers da televisão que a diferença entre eles e os actuais protagonistas políticos não é muito grande.
Antes de falarmos em elites, é bom que expliquemos onde elas se encontram e quem são, que é para sabermos de uma vez do que estamos a falar.
PS-Como já aqui escrevi e comentei, considero o Rui Sá um bom candidato, mas votar nele é reabrir as portas da Câmara a Rui Rio. Para as fechar e lá poder entrar alguém para o seu lugar. tenho de votar em Elisa Ferreira.

07 outubro, 2009

Quando o Rei faz anos, fala-se de Regionalização

É pena que os jornalistas do Norte [principalmente, esses] toquem no tema da regionalização quando o rei faz anos e mesmo assim de forma muito subtil. Ter um jornalista ou um jornal do Norte hoje, não quer propriamente dizer que os nortenhos tenham uma mais valia mediática a defender a sua região. O medo do patrão, do homem da massa, a obediência cega aos critérios de venda de papel impresso, domina-os, tornando-os criaturas pouco mais que anódinas com um peso irrelevante para a região de onde são originários.
O director do JN José Leite Pereira, quase sempre politicamente correcto e discreto, decidiu hoje dar o tal salto de ousadia e escrever sobre a regionalização. Assim, passa mais despercebido e sempre torna mais difícil à entidade patronal vir a acusá-lo de influenciar o eleitorado a Norte e de lhe estar a roubar clientes [vendas] a Sul, nessa magnânima metrópole chamada Lisboa [e arredores].
Foi - segundo o próprio escreve -, um programa, eufemisticamente chamado desportivo, da TVI, que funcionou como mola para o seu artigo de hoje. O cirurgião Eduardo Barroso, como o mais bacôco provinciano, convencido e politicamente analfabeto, foi essa mola encorajadora, o que não é motivo para espanto, dada a sua mentalidade bronca e profundadamente desonesta. Fala sempre com o rei na barriga, como um autêntico centralista que raramente resiste a um auto-elogio. Gosta de falar das viagens que faz, dos congressos para os quais é supostamente convidado na tentativa de impressionar as audiências com as asneiras que lhe saem pela boca ao mesmo ritmo dos perdigôtos.
O argumento que Barroso apresentou para defender o centralismo [sim, porque quem não defende a Regionalização depois de tantos anos macrocéfalos de centralização, só pode ser centralista], foi a frase esgotada do país "ser demasiado pequeno" para regionalizar. Então, deu o exemplo de Pequim e Xangai [de onde o grande parolo, acabara de chegar], cidades - disse ele - com milhões de pessoas onde, pelos vistos, ninguém liga a isso da regionalização.
É fácil deduzir que Eduardo Barroso terá permanecido nessas cidades tempo suficiente para contactar com as populações e retirar tão categóricas conclusões. Conclusões essas que lhe devem ter dado a volta aos miolos, já não muito esclarecidos, a ponto de se esquecer que o partido da simpatia dos Barroso e dos Soares [o PS] , passou décadas a convencernos que os povos desses países não gozavam de liberdade de expressão ou sequer eram democráticos... Dá para retirar dúvidas sobre a lucidez do cirurgião lisboeta que mais parece a de um batoteiro viciado em pocker.
Ora, como não tenho já paciência para o ouvir nem mesmo para ver o programa, onde o "nosso" Pôncio Monteiro acusa as mazelas deixadas por um recente AVC e já não dá a luta de outros tempos, não é a pérola do Barroso quem mais me desgosta.
O que de facto me continua a desgostar é que o JN se tenha tornado num jornal híbrido sem grandes sinais de raízes, a pretexto de ter de escrever [como eles costumam dizer] para o Mundo. Há Eduardos Barrosos por todo o lado, mesmo por aqui. No entanto, só quando o rei faz anos se lembram de lhes puxar as orelhas.

06 outubro, 2009

A visão socrática do desenvolvimento económico

Pertenço ao grupo daqueles que acham que o clamor "politicamente correcto" contra o "betão" (assim mesmo , genericamente) é ridículo e acéfalo a menos que se pretenda que passássemos a habitar em grutas ou barracas de colmo. Do mesmo modo, a afirmação de que já temos estradas que cheguem e não precisamos de mais, merece-me total desacordo. Especialmente a norte do Mondego, há enormes áreas com dezenas de concelhos e um par de centenas de milhar de habitantes que circulam na rede de estradas de Fontes Pereira de Melo, isto é, numa rede com perto de dois séculos. Quem pretende que já não há necessidade de novas estradas é primeiramente ignorante e seguidamente é desonesto porque está a falar utilizando argumentos falsos. É também colonialista porque está implicitamente a desprezar todos os muitos portugueses que continuam a não usufruir de vias de comunicação com um mínimo de qualidade.

Esta declaração de princípios ajuda a entender o meu espanto e incredulidade quando vi na imprensa o anúncio do concurso da "Subconcessão Auto-Estradas do Centro", acompanhado do respectivo mapa geográfico para maior clareza. Por incrível que pareça, o Estado prepara-se para que haja três(!) auto-estradas próximas de Coimbra em direcção ao norte, sendo que o presente concurso já levará a terceira auto-estrada até Oliveira de Azemeis. Já não bastava a quase coincidência do traçado entre a A1 e a A29, sobretudo de Ovar para sul (há zonas em que seguramente estão afastadas não mais de 1Km! ). Vem agora a A32 juntar-se a elas, com um traçado bem próximo. Para aumentar a loucura e o esbanjamento de dinheiro, verifica-se que o aglomerado Viseu/Mangualde (afastados não mais de 12Km entre si) passará a ter duas auto-estradas paralelas em direcção a Coimbra! E se adicionalmente tomarmos em consideração a A17, A14 e A35, e mais uns quantos IP's, vemos nessa pequena área da Beira uma rede de auto-estradas que provavelmente não tem paralelo na Europa, excepto talvez no industrialíssimo Rhur alemão.

Não sei de que cérebros saiu esta orgia de auto-estradas, se do governo actual ou de governos anteriores, mas o facto é que é o governo Sócrates que dá a benção ao programa, através do lançamento do concurso. Tudo isto tem aspecto de ser um frete aos grandes empreiteiros e aos bancos que os vão financiar.

Nem o facto de eventualmente se argumentar que estas novas vias serão financiadas pelo vencedor do concurso, me inibe de considerar que esta obra é megalómana e que os recursos aplicados nestes exageros teriam melhor retorno, económico e sobretudo social, noutras finalidades, mesmo se exclusivamente empregues em vias de comunicação onde elas são realmente necessárias.

Entrevista de Lobo Xavier a Elisa Ferreira

O jornal Público de hoje saiu com uma entrevista de Lobo Xavier (CDS/PP) a Elisa Ferreira que teve lugar no carismático café Majestic. Em determinado ponto da entrevista Lobo pergunta a Elisa:
- Como vê a crítica generalizada à ideia de que se candidatou à Câmara do Porto mas construiu primeiro uma rede para que, se as coisas corressem mal, não ficar totalmente desprotegida?
Resposta de Elisa:
- A CDU e o PS consideraram que não havia problema nenhum, e havia até algumas vantagens em candidatar a Câmaras pessoas que também eram candidtas ao Parlamento europeu. Outros pensaram de outra maneira. Cada Partido escolheu a sua estratégia.
Começa aqui o erro que muitos políticos cometem, que consiste em orientar sistematicamente as suas estratégias pelo parecer dos partidos sem procurarem antes sentir o pulso à opinião e ao sentir das populações. Pessoalmente, e como disse no post anterior, estou disposto a "perdoar" a Elisa Ferreira a gafe política de não ter renunciado ao cargo europeu e apostar tudo no Porto. Mas, pergunto-me se outros portuenses estarão na disposição de fazer o mesmo.
Descontando o cancro local dos eleitores portuenses que votam em Rui Rio a pensar no Benfica ou no trampolim em que o amigo Presidente pode vir a tornar-se para darem o grande salto das suas carreiras profissionais ou empresarias, Elisa Ferreira com um pouco mais de experiência vencia Rui Rio sem grande dificuldade. Rui Rio só é querido pela elite mais hipócrita e interesseira da nossa cidade. Alguns dos seus "ilustres" apoiantes são autênticos saltimbancos de "luxo".
Repare-se quem circula já em torno da sua candidatura:
Paulo Portas [o verdadeiro artista, «amigo» de mercados em épocas eleitorais], que nunca quis saber do Porto para nada. Miguel Veiga, um «distinto» e rico advogado «do Porto» que tem da cultura uma noção muito snob e privada, e a recém derrotada líder do PSD, a cinzentona Manuela Ferreira Leite. O que é que esta gente tem a ver com as gentes do Porto? Nada! Não passam de demagôgos. E porventura, assim mesmo, Elisa pode vir a ter muitas dificuldades para reconquistar esse pôvo.
Terminei a leitura da interessante entrevista perguntando cá para os meus botões em quem é que Lobo Xavier irá votar nestas autárquicas...

05 outubro, 2009

«Gamelas»

É famosa a elasticidade mental do político. Seria porventura uma importante qualidade se essa elasticidade fosse usada com prioridade para proveito dos eleitores, e não, como acontece ordinariamente, em benefício próprio.
Com a elasticidade mental fazem de tudo, até substituírem-se à própria natureza. A alteração ao rumo das marés, por exemplo, é um dos seus pratos favoritos. Por um lado, apreciam que lhes sejam reconhecidas competências e dignidades que, por natureza muitos não têm. Por outro, quando lhes dá jeito, gostam de se colar ao nível e aos gostos do Zé Povo, como acontece [agora] em campanha eleitoral. Dão beijos, dançam, riem, abraçam, e até os estruturalmente antipáticos conseguem esboçar um sorrizinho amarelo...
Elisa Ferreira [já o disse aqui], foi infeliz desde o 1º. dia em que decidiu candidatar-se à Câmara do Porto, e já expliquei também porquê. Agora, com a derrota "partilhada" - mas não assumida, claro -entre PS e PSD, podia retirar dividendos do facto, e recuperar algum fôlego desperdiçado na fase de arranque da candidatura arrumando de vez com a veleidade de Rui Rio sonhar em ganhar um novo mandato na Câmara da Invicta. Mas não, Elisa ainda não aprendeu que em política é preciso medir muito bem as palavras, para não serem mal interpretadas e aproveitadas pelos adversários como trunfo, porque poderá ser determinante para ganhar ou perder umas eleições.
Estou certo que, quando, no mercado do Bom Sucesso, se saiu com aquela da "gamela" e de "estar sossegadinha em Bruxelas a ganhar mais", ela não queria menorizar o trabalho dos deputados no parlamento europeu, porque estaria a falar mal de si própria, antes de falar mal dos seus colegas, até porque é reconhecido o excelente trabalho que aí tem desempenhado. Mas a verdade é que nestas ocasiões os adversários políticos tratam de tentar "provar" de que é pela boca que o peixe morre, e agora, tanto eles como a própria comunicação social agarram-se à "gamela" como cão a osso.
Ora, é aqui onde quero chegar quando relaciono a elasticidade mental dos políticos com as "marés". Porque não há nenhum que não pense e ambicione em voz baixa o mesmo que Elisa falou em voz alta[na gamela]. Qualquer adversário político de nível superior não cometeria a imprudência de se aproveitar da ingénua gafe de Elisa Ferreira para tentar transformá-la numa oportunista aventureira, porque ao contrário de muitos, não se projectou da política para a sociedade civil mas sim, o contrário.
Alguns de nós estarão lembrados dos louvores públicos que recebeu pela sua competência na vice-presidência da Associação Industrial Portuense. Foi daí que a foram buscar para a política, o que pode querer dizer estarmos perante uma pessoa competente mas sem o dão típico de fingir dos políticos tipo.
Quando Rui Rio usa argumentos esquerda/direita para definir a cultura [foi afinal ele próprio quem o fez, ao aludí-lo], remete para o subconsciente adormecido dos portuenses a cultura Laferiana, sistematicamente submissa ao lucro imediato do feirante e às modas lisboetas. Alguém o viu sorrir tanto como no programa dos Gatos Fedorentos? É ali, em Lisboa que Rio se sente como peixe em água.
Pois, desta vez vou fechar os olhos e esquecer o PS, esquecer a droga dos partidos e as opiniões publicadas. Vou votar em Elisa Ferreira, vou perdoar-LHE os tirinhos nos pés, para, pelo menos, dar o meu pequeno contributo para a ordem de despejo da Câmara Municipal do Porto, a Rui Rio.